O pouco do que resta da Reserva Padre Josino, paraíso ambiental encravado em um assentamento implantado na antiga Fazenda Bradesco, em Conceição do Araguaia, deve ser creditado a uns abnegados que lutam desesperadamente para salvar a reserva povoada de lagos maravilhosos. As denúncias de que a extração de pau-brasil, ainda existente na área, é o principal alvo de grileiros e empresários do ramo madeireiro, não são nenhum novidade na região. Este blogger mesmo, em 2005, realizou duas reportagens para o Diário do Pará repercutindo o problema.Naquela ocasião, depois de três dias percorrendo a imensa reserva de 30 mil hectares, reproduzimos, inclusive, depoimentos de antigos agricultores ali domiciliados, testemunhos da guerrilha do MR-8, cuja trilha teve inicio a partir de Conceição até chegar em Xambioá, no Bico do Papagaio.
O Lago Três Bocas é um dos achados mais emocionantes da Reserva Padre Josino, infelizmente, dois anos depois, com fortes indícios de estar perdendo sua piscosidade.
O Lajeiro do Cadena é outro ponto lindo, com suas grutas e cavernas (foto) extraordinárias.
Pena que os órgãos exclusivamente criados para manter o equilíbrio e a integridade dessas áreas – Ibama e Sectam -, nada fazem para impedir a consecução de crimes contra a natureza.
2 comentários:
Caro Hiroshi, o turismo supostamente ecológico pode ser um desastre para o meio ambiente, mas diante de uma situação como a que você descreve, de grilagem e extração predatória de madeira rara, talvez fosse uma alternativa. Porque se o Município perceber que pode ganhar dinheiro com o turismo - o qual depende da existência dessas belezas naturais -, teria finalmente interesse em diligenciar fiscalização e punição. Além do que os próprios turistas poderiam contribuir denunciando os danos que encontrassem.
Em sua avaliação, seria uma boa idéia?
Na atual situação em que se encontram raras reservas florestais, povoadas de lagos e espécies sobreviventes, mercê dos devoradores de matas e animais, o chamado 'turismo ecológico' não sei se seria a solução.
Para se impedir a destruição do ecossistema é necessário exatamente aquilo que mais falta: dinheiro. Esse dinheiro, se fosse arrecadado pelas prefeituras nas visitas de turistas, teriam sua aplicação honesta? Essa a outra bomba.
Pior é que nao temos tempo de avançar em mudança do caldo cultural, investindo na conscientização de jovens nas escolas, seus pais, etc.
Tem poucas reservas ainda de pé, Yudice. A saída é de emergência. Ou se faz rápido alguma coisa, ou seremos testemunhos , ainda nesta geração, da desertificação de nosso verde.
Do jeito que está, só um exército especialmente destinado a combater a barbárie de frente. O governo nao tem grana nem para pagar diárias de médicos no interior do estado, quanto mais formatar batalhôes.
Não tenho mais esperanças.
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