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sábado, setembro 26, 2009

Milagre da multiplicação

DNIT anuncia o inicio da recuperação do asfalto da Transamazônica, entre o rio Araguaia e Marabá.

O trecho esburacado não chega a 120 km.

Questionado se desta vez haverá qualidade nos serviços de recapeamento na área mais crítica da BR-230, onde a erosão domina com intensidade pontos de 12 km do trecho urbano da cidade, o supervisor do órgão federal, Dílson Gouveia, sem pestanejar, responde que não.

De novo, não! E explica, ao modo dele:

- "Apenas um paliativo (será feito na restauração), porque se trata de trecho de solo mole e que um trabalho definitivo requer um serviço mais complexo, projetado”.

Com todo respeito ao Dílson, excepcional figura humana comumente atenciosa com a imprensa, e que já está caindo os dentes de tanto dirigir o DNIT (ele é do tempo do surgimento do DNER), o solo pode ser mole, mas não temos a cabeça dura para aceitar esse tipo de discurso, repetido tantas e tantas vezes, anualmente, para justificar o injustificável.

Por que não projetaram antecipadamente esse cacete? Não houve tempo suficiente pra se cuidar dessa tal furada parte técnica? O inverno não acabou em maio? Esse faz-e-desfaz asfalto não já vem de longas e longas enxurradas amazônidas? Qual a função, afinal, de tantos engenheiros nesse departamento do Ministério dos Transportes para vir a publico, todo ano, apenas catar piolho na cabeça de trouxas? Não deveriam já ter esse tal de “trabalho definitivo” decorado na cabeça para acabar definitivamente com essa bandalheira, mais afeita a uma indústria de multiplicação de grana entre empreiteiras e outros candangos?

Fala sério!

domingo, setembro 06, 2009

A poesia matuta de Jessier Quirino

Ganhei um presente maravilhoso de Newton Ferraz, ex-funcionário do antigo DNER, casado com minha tia Camélia, uma das pessoas que mais amo. O presente é um CD do poeta paraibano Jessier Quirino, dono de um gênero que segue a escola dos poetas matutos como Patativa de Assaré, Zé da Luz e Catulo da Paixão Cearense – certamente nomes desconhecidos dos mais jovens.

Quem me falou primeiro de Jessier, há uns dois anos, foi o músico sanfoneiro Aristides Maranhão, durante animada tarde de domingo na casa de um amigo, em Marabá. Não apenas citou o poeta de Campina Grande, como declamou alguns poemas memoráveis, que hoje estão, grande parte deles, no CD presenteado por Newton.

Jessier é um talento sem tamanho. Pode estar nivelado aos grandes da poesia matuta.

Arquiteto, ele já lançou vários livros, com músicas também gravadas por Xangai.

Quero dividir com vocês esse achado extraordinário de nossa literatura.

Selecionei o poema “Vou-me Embora pro Passado” no qual Jessier Quirino propõe o passado como uma espécie de paraíso, longe da violência atual e povoado por Buck Jones, Doris Day, o herói do sertão Jerônimo (antigo seriado de TV) e outros ícones (ó palavra que dói aos ouvidos!) dos anos 1950-60.

O próprio poeta declama sua obra, cujos versos faço questão de postar a fim de que vocês tenham uma leitura maior das imagens criadas pelo autor.


Vou-me embora pro passado
Jessier Quirino

"No rastro da Bandeira de Manuel"



Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas "daqui, ó!"
Roy Rogers, Buc Jones
Rock Lane, Dóris Day
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet
Jeep Willes, Maverick
Tem Gordine, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.

Lá dançarei Twist
Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Banlon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di Lá
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.

No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeios de Lambreta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.

Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical
"Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.

Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando"
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz
Da Cachemere Bouquet
Coty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê
English Lavanda Atkinsons
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho.

E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de organdi
Com golas de tafetá.

Os homens lá do passado
Só andam tudo tinindo
De linho Diagonal
Camisas Lunfor, a tal
Sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo
Ou Fox do bico fino
De camisas Volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso
Ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifeboy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.

Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam
Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba larga
Ramenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame Mucho
Solfejando a meio tom.

No passado é outra história!
Outra civilização...
Tem Alvarenga e Ranchinho
Tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth
Ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo
Mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta
Tem também Mamãe Dolores
Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse
Túnel do Tempo, tem Zorro
Não se vê tantos horrores.

Lá no passado tem corso
Lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC, a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso
Com notícias atuais.

Tem petisqueiro e bufê
Junto à mesa de jantar
Tem bisqüit e bibelô
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega
De drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.

Lá, também tem radiola
De madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada
De Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.

Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina
Tem misses botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.

Se ouve página sonora
Na voz de Ângela Maria
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!..."

Quando não querem a paquera
Mulheres falam: "Passando,
Que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de "tudo X"
E sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.

No passado tem remédio
Pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat
Mel Poejo e Asmapan
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.

Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma cama Patente
Daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro

Vou-me embora pro passado

segunda-feira, agosto 17, 2009

Pijama neles!

O DNIT, no Pará, é rico em expor incompetência. Ou desinteresse em assumir suas reais responsabilidades.

No Sul do Estado, rodovias federais, quando malmente recuperadas, duram no máximo cinco meses. Depois disso, com a queda das primeiras chuvas, a pavimentação se esfarela. É um tal de faz e desfaz, típico de órgão esculhambado, sem compromisso com a qualidade e o bem estar dos usuários de estradas.

Pertinho de Belém, exatamente na entrada da capital do Estado, a BR-316, entre Ananindeua e Castanhal (principalmente em Santa Isabel e Benevides) está com o leito do asfalto carregado de altos e baixos. Motora tem que segurar firme o volante pra não perder o controle do carro, no embalo em que pega a onda dos desníveis da pista.

Tempo desses, trocaram o nome da esculhambação de DNER para DNIT.

O mais correto seria fechar o órgão, definitivamente, aposentar seus dinossáuricos dirigentes e reconstruir um novo modelo de entidade.

Dinheiro existe para manter as estradas em estado de tráfego seguro.

Não existe disposição e lógica de gestão. E honestidade, em mutos casos.

Os caras estão com a cabeça no tempo da Rodobrás, estatal criada por JK, em 1958, para construir a Belém-Brasília.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Desconstruindo o “noviço” Vasconcelos

A entrevista de Jarbas Vasconcelos à revista VEJA, sob a ótica de Luis Nassif:

  

A ESTRATÉGIA JARBAS

(Luís Nassif)

 

 

Não é difícil entender as razões por trás da entrevista do senador Jarbas Vasconcellos à revista Veja.

Na entrevista ele acusa seu partido, o PMDB, de abrigar corruptos e lutar por cargos. Faltou explicar onde está a novidade.

No governo FHC, esse mesmo PMDB, tendo como pontas-de-lança o Ministro dos Transportes Eliseu  Padilha e Gedel Vieira Lima, uma seleção enriquecida por Gilberto Miranda e outros notáveis, negociou cargos, benesses e massacrou Itamar Franco na convenção do partido. E os episódios ocorreram nos tempos em que Jarbas era dos grandes nomes do partido. É o mesmo PMDB de agora, com os mesmos personagens de antes.

O papel do PMDB e as formas de cooptá-lo fazem parte do know-how de governabilidade criado por FHC e apropriado por Lula. Então, qual a razão da indignação tardia de Jarbas? É aí que se entra na parte mais interessante da entrevista: a maneira como foi preparada.

Na semana passada Lula colocou o bloco de Dilma na rua. O fato veio acompanhado da divulgação das pesquisas de popularidade do governo, da constatação de que as medidas anticíclicas começam a dar certo, do encontro de prefeitos.

Esse início, aparentemente avassalador, assustou o PSDB. Serra ensaiou seu PAC contra a crise (cinco meses depois da crise deflagrada!). E, em reunião na casa de FHC, decidiu-se, de um lado, acirrar os ataques ao governo no Congresso, dificultando a aprovação de medidas. De outro, criar um fato político que contrabalançasse o jogo. Não havia denúncias à mão. As grandes denúncias ficaram no primeiro governo Lula. As denúncias-tapioca não pegam mais.

Decidiu-se, então, pela entrevista do Senador Jarbas Vasconcellos à revista Veja. Jarbas é ligado a Serra e, muitas vezes, pensou-se na dobradinha para as eleições presidenciais. Há tempos perdeu o ímpeto político. Na segunda metade do seu governo, praticamente passou o comando ao vice-governador e alienou-se completamente da administração. Questões existenciais compreensíveis, pelas quais passam todas as pessoas. Mas tem uma bela reputação, formada nos tempos em que era do extinto PMDB autêntico.

Foi convocado, então, para criar o fato político. O órgão escolhido foi a revista Veja – com a qual Serra mantém relações recentes, porém estreitíssimas (é ele, por exemplo, o principal avalista do tipo de jornalismo praticado por Reinaldo Azevedo).

A entrevista de Jarbas é um prato feito e óbvio. Primeiro, critica seu próprio partido, para ganhar credibilidade – e porque o partido está na base de sustentação do governo.

Depois, parte para os ataques seletivos. Ataca o presidente do Senado José Sarney, que é contra Serra, e poupa o da Câmara, Michel Temer, que é a favor. A rigor, não existe diferença de estilo entre ambos. Até pouco tempo atrás, a Codesp era loteada para Temer. Depois, atacou Renan Calheiros, que é contra Serra, e poupou o alvo preferencial dos moralistas políticos do passado, Orestes Quércia – que virou serrista.

Julgando ter passado uma visão desprendida da política, uma visão escoteira do sujeito só e com sua consciência, Jarbas ganha moral para avançar no alvo que interessa. Aponta a conivência de Lula com a corrupção – por só demitir acusados depois de comprovada a culpa -, deixa de lado pontos chatos – como o amplíssimo sistema de cooptação montado por Eliseu Padilha no DNER, no tempo de FHC. Critica a Bolsa Família e se refere assim aos possíveis candidatos de 2010:

Sobre Dilma

Como o senhor avalia a candidatura da ministra Dilma Rousseff?

A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.

Sobre Serra

O senhor parece estar completamente desiludido com a política.

Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas.

Ou seja, a opinião sobre Serra é desinteressada, apenas de um apaixonado. Mesmos os amigos mais fiéis de Serra jamais deixaram de reconhecer nele as características que Jarbas aponta em Dilma: autoritário e prepotente. Mas a paixão é cega.

Dado o tiro de largada, ontem o Jornal Nacional repetiu e hoje os analistas políticos passam ao seu esporte predileto: a indignação seletiva.

A política brasileira é uma colcha de retalhos, com furos para todos os lados. O que a imprensa faz é selecionar o furo que lhe convém e aplicar na defesa dos seus próprios interesses – e de seus aliados.

Só que a imagem de imprensa neutra e defensora dos altos valores da moralidade já não existe: se esboroou a partir da campanha de 2006.

Um ano depois, alguém ousaria dizer que Veja é melhor do que Renan?

sábado, novembro 08, 2008

Entranhas do DNIT

“Isto já está demais, passou das contas. Nós temos de investigar isso o quanto antes”. (Senador Mário Couto, revelando disposição de aprofundar auditorias no DNIT, que mais uma vez anuncia atraso no asfaltamento da BR-153).

Está certíssimo, o senador. Passa da hora de se arrombar o caixa preta do DNIT. Os caraíbas do órgão, desrespeitando a inteligência do contribuinte, citando um outro deboche, estão há tres anos tentando recuperar a pavimentação de 100 km da BR-153, entre São Domingos e São Geraldo. É um vai e vem. 

A obra nunca termina.

A população do Pará agradecerá, penhorada, se o Congresso investigar o DNIT, sucessor desavergonhado  da maior jazida de roubalheira do pais, o DNER.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Com Sayão, na BB

Antes de chegar a Vila Arco-Íris, mais precisamente 20 km após Dom Eliseu, ao pé de imensa ladeira, placa com inscrições quase ininteligíveis anuncia que ali morreu o engenheiro Bernardo Sayão (na foto, com Juscelino). O lugar é bastante conhecido por motoristas de caminhões que trafegam pela Belém-Brasília.

Particularmente, o blogger sente verdadeiro fascínio pela vida de Bernardo Sayão, a tal ponto de estar em seus planos escrever algo sobre ele ou produzir algum documentário contando a epopéia da construção da rodovia que tirou de toral isolamento o Norte do país.

Newton Ferraz é um topógrafo dos mais competentes que trabalhou quase 40 anos no DNER ajudando a construir diversas rodovias brasileiras. Casado com tia do poster, ele conta histórias impressionantes das adversidades vividas pelo engenheiro Gerente de Construção da BB, numa fase em que a Engenharia não dispunha de tecnologia e nem ferramentas para alinhamento de traçados -, muito menos de maquinários para evoluir a obra enfentando as intempéries encaradas por Sayão. “Mesmo assim, ele conseguiu desenhar e abrir uma rodovia moderna, numa região onde a floresta e as serras altíssimas eram seus principais adversários”, diz Newton.

Juscelino teve a coragem de enfrentar a classe política do Sul contrária a construção da Belém-Brasília, como eles ainda hoje continuam sendo contrários às grandes obras federais na Amazônia.

Bernardo Sayao teve a competência e coragem para construir a Belém-Brasília, obra priorizada como sua meta de vida – acima da família. Vivia cerca de dez meses na floresta e o restante do ano, vendo a família, vez por outra, alternadamente.

Ao invés de uma placa com inscrições apagadas pela ação do tempo, Bernardo Sayão Carvalho de Araújo merece um monumento, exatamente bem no local onde uma árvore tirou sua vida, a 15 de janeiro de 1959. Para revigorar os 50 anos de sua morte, bem que Ana Julia poderia tentar uma parceria com os governos federal e estadual de Goiás, Tocantins e Maranhão, encomendando a Oscar Niemayer (quem sabe sua ultima grande obra para homenagear o grande amigo que foi dele Sayão), um projeto dessa envergadura.

E que ninguém venha justificar o injustificável da obra afirmando existir homenagem a ele que é a própria Belém-Brasília batizada de Bernardo Sayão. O que vale é um monumento no local onde ele morreu, cercado de árvores, como fonte de contemplação ao grande espaço desvendado que foi o Norte do país.