sábado, janeiro 27, 2007

Assinatura

Meio chegado assim a São Tomé, o poster revolveu tirar a prova dos nove para não ficar nenhuma dúvida, checando em cada entidade a informação repassada –isso depois da garantia de que a assinatura de Adelina Braglia estaria epigrafada em quase todos os documentos de criação das associações de bairros de Marabá, a partir dos anos 80.

Do começo

A história começou numa rodada de bate-papo, semana passada, e o nome de Adelina Braglia foi à baila a propósito da comparação de conduta das administrações municipais identificadas com o envolvimento do povo em suas decisões. Ali mesmo chegou-se a conclusão de que a ex-vereadora de Marabá, que chegou, inclusive, a ocupar esporadicamente o cargo de prefeita na interinidade de seu titular Hamilton Bezerra, foi a política que mais atuou ostensivamente em favor de organização da sociedade civil trabalhando intensamente pelo surgimento das associações populares.
Na discussão que se acalorou pelo entusiasmo de alguns participantes, alguém fez a revelação de que a assinatura de Adelina estaria postada nas atas de fundação de cerca de umas vinte. Fiquei meio na dúvida e, caladinho-da-silva, procurei ver de perto se aquilo tinha fundamento.

Onde o povo está

E não é que é verdade?!
Associação dos Moradores da Nova Marabá, Associação da Mulher de Marabá e tantas outras de bairros como Laranjeiras, Liberdade, Cidade Nova, Morada Nova, São Félix, Murumuru e diversas Folhas da Nova Marabá. Nas atas de fundação, a estilizada assinatura de Adelina, como que simbolizando inicio de uma era de profundas transformações sociais pelas quais, município e seu entorno passaram a experimentar, em contraponto a letargia dominante imposta pela ditadura militar e seus filhotes alienantes, como a estúpida lei que transformou Marabá e outros municípios em Área de Segurança Nacional – termo esfarrapado para se justificar o tirânico período em que o povo não podia escolher democraticamente seus prefeitos ( até a expressão “prefeito” foi substituída pela figura do Pró-têmpore) -, porque o administrador era ungido nos gabinetes de Brasília por decreto assinado pelo ditador de plantão.

Despertando a massa

Muito antes do Orçamento Participativo ser adotado pelas gestões do Partido dos Trabalhadores, lá atrás Adelina desenvolvia a sua PP (Participação Popular) bem mais abrangente, ensinando o povo a andar de novo com suas próprias pernas e vontades, sacudindo silenciosamente espíritos adormecidos e mostrando nos bairros a força do envolvimento coletivo como instrumento de libertação capaz de alterar o status quo.
Consegui checar até agora doze associações criadas a partir da luta de Adelina.

Urbana e Rural

A primeira entidade popular criada no município foi a Associação da Nova Marabá, de onde Adelina partiu, com seu jeito educadamente suave de falar, convencendo incrédulos e incautos, até chegar à zona rural, mais precisamente em Murumuru, fincando ali a base de um discurso organizado que saiu frutificando em outras comunidades do campo – até então dominado pelo autoritarismo dos patrões donos de castanhais e fazendas. Nessa estruturação a partir de Murumuru, a "Coluna Prestes" de Adelina contava com o apoio do advogado Gabriel Pimenta, Noé Atzingen e do então agricultor Maurino Magalhães, que logo ingressaria na labuta político-partidária, também estimulado por Braglia, elegendo-se seguidamente vereador e com breve passagem como titular da prefeitura.

Marcas que ficaram

Socióloga, a paulista Maria Adelina Guglioti Braglia deve ter chegado a Marabá lá pelos idos dos anos 70, com a missão de coordenar o Campus do Projeto Rondon. Idealista, não se contentou apenas em cumprir a sua função acadêmica, certamente ansiosa por acreditar na possibilidade de criar espaços para a busca de uma vida mais digna das pessoas.
Em 1982, elegeu-se vereadora de Marabá, escrevendo uma história de vida política curta, mas imensamente superior ao de muita gente que até hoje vive às custas das tetas governamentais sem nunca ter contribuído decentemente em favor das transformações que tanto sonhamos.
Após abandonar a política partidária, Adelina Braglia mudou-se para Belém, onde se encontra atualmente trabalhando como excelente técnica de alguma entidade governamental.
Marabá ainda lhe deve esse legado. Deve sim. E muito!

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Voltas que o mundo não dá

O deputado André Dias (PSDB) é um sujeito de sorte mesmo. Durante a campanha eleitoral, ele teve consistente apoio à sua reeleição, no sudeste, do coronel Henrique Coelho de Souza Araújo, que prestava serviço em Marabá. Em reuniões com as comunidades que reivindicavam segurança-já, o oficial da PM levou algumas vezes o então candidato a participar dos encontros logo transformados em palanque. Esperto que só ele, Dias aproveitava a deixa para garantir a instalação imediata de trailer com suporte policial para conter a onda de violência nos lugares apontados pela população. Inteligente troca de figurinhas que permita ao parlamentar fazer o seu comercial tendo na retaguarda o oficial da Polícia Militar.
A nau dos desesperados, como pode referendar esse fato, não tinha dentro dela o sortudo André, que se reelegeu sustentado pela riquíssima máquina do poder público e encontra agora, nada mais, nada menos, seu grande amigo na Casa Militar da governadoria, com quem, segundo consta, continua mantendo fortes laços de influência.

Almas penadas

O pôster anda acionando meio mundo para saber o clima da reunião entre Almir Gabriel e os deputados federais Nilson Pinto, Zenaldo e Wandenkolk (eleito), ocorrida ontem no apartamento do morubixaba tucano. Objetivo do encontro: convencer Almir a interceder para que Mário Couto se retire das articulações que vem fazendo para eleger Domingos Juvenil presidente da Assembléia. Só esqueceram de perguntar, nessa altura do campeonato, se o ainda presidente da AL está disposto a ouvir Gabriel.

Venha a nós vosso Reino

Gerson Peres disse a um aliado do sudeste que seu relacionamento com Lula está cada vez mais fortalecido, razão principal dele pretender conversar semana que vem com o presidente da República para acertar a convivência do PP com o governo Ana Júlia. Procurar a governadora, o deputado federal eleito não o fará. Mas se houver convite para um encontro, Gerson estará a postos. “Vou esperar ela me procurar”, disse.

Devagar com o andor

Nessa mesma conversa ocorrida na manhã desta sexta-feira, Gerson Peres aproveitou para sugerir ao seu interlocutor voto favorável à candidatura de Domingos Juvenil (PMDB), justificando a escolha “como decisão mais acertada de pessoas que foram eleitas e querem dar respostas positivas ao eleitorado”. Trocando em miúdos, o pragmatismo de Gerson não contempla nenhum tipo de confronto com o novo governo.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Tema relevante

Como o Pará pode se transformar em território hospedeiro de pelo menos mais duas hidrelétricas (Belo Monte e Santa Isabel), é tempo da gente acumular informações sobre o tema.Uma das oportunidades pode ser o XXVII Seminário Nacional de Grandes Barragens, que ocorrerá pela primeira vez em Belém, de 27 a 31 de maio. Antes disso, a Eletronorte realiza café da manhã para lançamento oficial do seminário, na próxima terça-feira, dia 30, as 8h30, no Hotel Sagres.

Gasoduto

No final desta tarde, em hotel de Marabá, este pôster conversou longamente com executivo de uma usina de ferro gusa que acabara de desembarcar na cidade para acompanhar as obras de expansão industrial da empresa. Comentário dele sobre ação política da governadora Ana Julia reivindicando o assentamento por território paraense do gasoduto Venezuela-Brasil:

- Se a governadora conseguir essa façanha, haverá uma revolução nos parques industriais com o fomento de atividades afins, além de se amansar os danos ambientais. Terminais de gasodutos para distribuição de gás atraem investimentos de toda ordem. Essa governadora de vocês está indo no rumo certo.

Aquecimento de economias em região beneficiada com esse tipo de obra, têm tudo a ver. Mas tenho dúvidas quanto aos benefícios ambientais. Será?
Outro lance: a obra de implantação do gasoduto, se projetado para cruzar terras do Pará, encontrará pela frente uma encrenca do tamanho da Amazônia porque trombaria com reservas indígenas. Pensa na bronca de meio mundo caindo de pau no Pará!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Serra Pelada

Pode até ser que desta vez dê certo, mas tem muita gente achando também que ainda pode fazer água o aparente entendimento entre as “lideranças” dos garimpeiros que tem até o dia 30 de janeiro para a conclusão da locação de direitos exigida pelo governo para pôr fim à porfia das cooperativas, sindicatos e similares e oficializar a entrega dos títulos minerários de Serra Pelada.
Lula quer vir a Marabá participar da festa, depois do carnaval.

Escravidão

Agora a pouco (11h35), assessor de gabinete do Ministério do Trabalho, amigo deste porter, resumiu o encontro de Ana Júlia com o ministro Luiz Marinho como “uma troca de compromissos de via dupla voltados para acabar de vez com a escravidão nas fazendas localizadas em terras paraenses “. Segundo ele, a vantagem das operações no interior das propriedade é que elas serão desenvolvidas agora em conjunto, União e Estado. Não se descartas também a possibilidade de se instituir um serviço de inteligência para a visualização prévia e monitoramento de áreas suspeitas.
Ferro na boneca. Inadmissível conviver ainda com essa sujeira humana em terras brasileiras.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Sumiço estratégico

Dona de quase 39 mil votos no sul e sudeste, a deputada Bernadete Caten (PT) desapareceu de cena, deixando seus eleitores confusos em meio a rumores de que ela estaria em rota de colisão com o governo do Estado. Não é bem assim.
Sensível às mudanças de vento na política, a parlamentar sabe a hora de silenciar e recolher trem de pouso, processo pelo qual ela optou como blindagem natural.
Coordenadora do PT Pra Valer na região, Bernadete disputa espaço com o Diretor de Política Institucional, da secretaria de Integração Regional, Ademir Martins, da DS e muito ligado a Ana Julia. Como aguarda a definição dos nomes que ocuparão as regionais do governo, a deputada sabe que pisa em terreno minado onde o que vale, como vacina protetora, é a habilidade e discrição.E nesse campo ela é PHD.

Factóide

As línguas apimentadas do setor empresarial da região dizem que as seguidas badalações em torno do comboio de balsas que a Cosipar vem organizando desde o início de 2006, para o transporte de gusa de Marabá a Barcarena, não passa de um factóide destinado a impressionar setores do governo responsáveis por importantes deliberações.

Vai e não vai

Verdade ou mentira, de concreto mesmo é que a primeira viagem do comboio foi alardeada, e adiada, três vezes, culminando com a saída da primeira leva, semana passada. Só que depois de Itupiranga, lançaram âncoras ao rio, próximo às corredeiras do Lourenção. Dali só sai se o nível do Tocantins subir no mínimo uns dois metros sob risco das balsas trombetearem com pedras e águas, tendo apenas a mão de Deus como piloto salvador. E nesse embalo, o comboio de gusa chegará em Barcarena, ninguém sabe quando.

domingo, janeiro 21, 2007

Anarquia

Grupo de cinco pessoas tomou para si a “responsabilidade” pela reativação do movimento Pró-Estado de Carajás, prometendo ir às últimas conseqüências até a divisão do Estado. Algumas reuniões realizadas em Marabá embalaram o grupo a legalizar o movimento, com registro em ata e constituição de diretoria que já se dirigiu às primeiras entrevistas públicas divulgando a novidade.
Até aí, noves fora nada. Só que o presidente do tal movimento está prometendo tocar fogo no Sul do Pará, interditando estradas, bloqueando a Estrada de Ferro Carajás e realizando nas rodovias da região a paralisação do tráfego de veículos com placas de Belém.

Nós quem, cara pálida?

“Não Aceitamos Belém Capital”, é o mote dos caras pálidas anunciado nas primeiras entrevistas concedidas a órgãos de Marabá para disseminar o sentimento de insatisfação (deles?) provocadora de tanta ira. Usando esse mote, pretendem parar os carros com placas de Belém, nas avenidas e rodovias, com intuito de impor a aversão dos “carajaenses” ao povo da capital.
O movimento, pelo que se pode tirar dos objetivos anunciados, tem muito mais ira e rejeição abominável do que o sentimento de insatisfação diante das questões político-sociais do Sul do estado. Em verdade, essa a grande questão.
A pré-disposição ao confronto está latente nas palavras do presidente do movimento, que pode mais se assemelhar a uma organização de direita disposta a peitar os princípios mínimos das liberdades. Isso é preocupante, porque quando um careta vai a uma redação de jornal garantir a obstrução de rodovias e ferrovia bem como impedir o direito de ir e vir das pessoas – preconceituosamente indicando “quem for de Belém” -, a anarquia pode predominar em um campo viçosamente propicio a tais aventuras.

Quem disse, eu?!

Dessa forma, sem eira e nem beira, surgem as “lideranças” em nossa terra. Estimuladas pela irresponsabilidade daquelas que vem usando o tema “criação do Estado de Carajás” apenas em proveito próprio, como alguns políticos que só reacendem o tema às vésperas de eleições. Foi sempre assim. Resultado: os caraíbas do tal movimento criado em Marabá estão com habilidade tocando nesse cancro ao afirmarem que “agora a luta pela criação do Estado será permanente, e não apenas em época de eleição”. Usam a expressão para valorizar os primeiros passos dados pelo grupo e desmoralizar alguns deputados. Inclua-se aí o próprio vice-governador, tido até recentemente como um dos líderes maiores da luta pelo Estado de Tapajós, mas que nem bem assentou na cadeira de vice, pediu para esquecer tudo o que ele dissera a respeito.

É crime fazer isso

Esse negócio de anunciar a interpelação de veículos com placa de Belém cheira a organização mal-intencionada. Com qual direito esses caratonhas podem parar o meu, o seu, os carros das famílias só porque temos placa de Belém? Por bem menos, em 1866, surgiu, como um clube de amigos, a Klu Klux Klan, responsável depois por uma onda de atrocidades em nome da garantia dos direitos da maioria branca do sul contra os aventureiro nortistas (yankees) e dos picaretas que pilhavam a região vencida na Guerra da Secessão.
Distante do pôster a intenção de afirmar que seja esse o objetivo central dos pseudo-diretores do movimento (ou organização?), mas essa motivação tem forte conotação restritiva, capaz de se expandir com facilidade pelos diversos rincões carentes da região sem sabermos que rumo tomará. Pior: manobrada por pessoas sem nenhuma representatividade. Depois que sai o estouro da boiada, seu controle é quase impossível. Incentivar esse tipo de atitude é crime, e como tal deve ser tratado pelas autoridades. Caso contrário, não bem distante, será "suspeito" qualquer cidadão no interior de um carro com placa de Belém, correndo, portanto, riscos físicos por conta e graça de um bando de aventureiros.

Convencimento

A vitória de todos os movimentos separatistas se deu sob a égide do respeito às leis. Para se criar o Estado do Tocantins e Mato Grosso do Sul -, citando os últimos ocorridos no país -, foram anos de intensa luta travada nos palanques e nos plenários legislativos. Só sai por aí, reforçada pela mobilização sadia e respeitosa da sociedade, usando sempre a retórica para mostrar, com números, a viabilidade do projeto, seja para a região que se emancipa ou a remanescente. Não é mais possível conviver com a anarquia da interdição de rodovias e bloqueio da Estrada de Ferro Carajás. Buscar alternativas duvidosas e ceifada de autoritarismo, é inaceitável.
Basta de falsos líderes e aventureiros. O garimpo de Serra Pelada está ai mesmo como exemplo, com seus diversos grupos lutando entre si para o controle da chave do cofre, e sem que se saiba realmente quem, no meio deles, é o verdadeiro representante da maioria da massa falida que ali se encontra passando fome, doente e sem futuro.
O Estado de Carajás um dia surgirá porque essa vocação histórico está escrita nos Céus, mas nunca à custa de aventuras e do constrangimento da cidadania.

Tempos de clareza

Está no Quinta Emenda, excelente blog do Juvêncio Arruda:


Clareza e publicização. Segundo uma fonte com transito na cúpula da SEPOF, em conversa com o poster, deverão ser essas as diretrizes da comunicação das contas públicas com a sociedade paroara.
A publicação permanente das receitas e despesas do governo, para acompanhamento pela população. Houve uma excelente impressão dos quadros técnicos da casa pela nova equipe dirigente da secretaria, que descarta, de plano, qualquer hipótese de macartismo nas relações com o quadro de pessoal do orgão.


Modestamente, cá do meu canto, e sem porco-chauvinismo, não posso deixar de registrar que esse perfil de transparência e democratização escancarada do Carlos Guedes o pôster conhece havia bastante tempo. Além de excelente técnico, ele gosta desse lance de estar sempre às claras. Tomara não dê pissica, mas o gaúcho é um dos melhores quadros selecionado por Ana Julia. Vamos acompanhar.