sábado, dezembro 01, 2007

A viagem de Ana Júlia a Marabá

Durante as 18 horas em que permaneceu em Marabá, a governadora do Pará abriu pinicada para a pavimentação futura de uma relação de confiança mútua com a sociedade. Até a última viagem de Ana Julia, havia na cidade um clima de descrença quanto as intenções da administração do PT e as aspirações multifacetadas de um município que cresce a taxa de 12,5% ao ano e quer se firmar logo-logo como um dos principais pólos de desenvolvimento do país.


IML novo
Na reinauguração da Unidade Regional do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves”, reformado em três meses, deu para perceber mudanças.

Para quem conheceu o velho pardieiro -, um dos muitos muquiços da Era Tucana -, espantou-se ao percorrer o novo prédio. Não apenas reformado fisicamente, mas equipado com modernas ferramentas. Até uma viatura de remoção de cadáveres foi entregue. Antes, o órgão era (mal) servido pela contratação de serviços terceirizados, alvo de denúncias cabeludas de superfaturamento.

No entanto, a governadora não está satisfeita. Quer mais. E disse isso ao prefeito Sebastião Miranda (PT), ao lhe perguntar se o município poderia ceder ampla área para o Estado construir um Centro de Perícias à altura da grandeza de Marabá.

O prefeito topou a parceria.

Escola para o trabalho
Pegando todos de surpresa, a governadora anunciou que a partir de janeiro/08 dará inicio às obras da Escola de Trabalho e Produção.

A novidade não estava no script. Pelo menos no dos personagens que mantém canal aberto com algum assessor de governo.

A ETP, sem medo de errar, pode ser apontada como a obra de maior significado econômico-social para a região, carente de mão-de-obra qualificada em todos os segmentos.

No último ano do governo Jatene, convênio assinado com a prefeitura destinava R$ 3,5 milhões para a construção da obra. A primeira e única parcela liberada, quase não dava para concluir o muro que cerca a área do projeto. Entre idas e vindas de gente da prefeitura e do Palácio dos Despachos, o certo é que a gestão tucana chegou ao final e a tal escola não andou um palmo a mais -, além do que foi feito.

Sábado passado, quando se deslocou a Marabá para avaliar com o alto comando da segurança pública a Operação Paz no Campo, a governadora recebeu em audiência o presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, Gilberto Leite, de quem ouviu amplo relato sobre a importância da Escola de Produção e Trabalho e a situação em que se encontrava a obra.

Ana Julia pediu a Gilberto que a levasse para conhecer o local destinado ao empreendimento.

Às 10 horas de domingo, 25, utilizando digital de seu celular, a governadora bateu fotos da área destinada a ETP, em diversos ângulos. Antes de deixar Marabá, Ana Júlia disse a Gilberto que brevemente a comunidade teria boas notícias sobre a escola.

Seis dias depois, ao anunciar que havia equacionado em Belém, com sua equipe de governo, a questão financeira do convênio, a governadora deu a boa nova.

Foi aplaudida demoradamente.


Expansão do DI
A expansão da área do Distrito Industrial era outra reivindicação antiga.
À véspera de sua chegada, Ana Julia despachou para Marabá o secretário da Sedect - Desenvolvimento Ciência e Tecnologia -, Maurílio Monteiro, para antecipar o lançamento do edital de licitação para conclusão da primeira etapa e a implantação da segunda etapa do DI.
À noite de sexta-feira, diante de empresários e a comunidade que se encontrava na Feira da Indústria, Comércio e Artes (Ficam), a governadora assistiu a um vídeo com detalhes do projeto de expansão da área industrial,que prevê a construção do Centro de Convivência e do projeto Urbanístico da Fase II, além da conclusão do projeto Urbanístico da Fase I.
O Centro disporá de estacionamento, quadra poliesportiva, espaço ecológico (praça/parque), hall para exposições, auditório para 100 pessoas, restaurante, salas para treinamento de operários, 3 agências bancárias, agência dos correios, salas para atendimento médico-odontológico (ambulatorial), salão de jogos, academia de ginástica, biblioteca, banheiros públicos, instalações administrativas, etc.
Notícia melhor do que essa, os empresários aguardavam há tempos. Mas não imaginavam que o projeto tivesse o alcance social dimensionado pela Sedect.

Ponte aérea
No estande da Associação Comercial e Industrial de Marabá, o vice-prefeito, Ítalo Ipojucan, fez uma revelação: comprovou que Ana Julia já esteve em Marabá dez vezes, somente este ano, como governadora. E disse que seu secretariado fez do trecho Belém-Marabá-Belém, “uma ponte aérea de integração”.
De outro ângulo, com habilidade, Ítalo fazia muitos lembrarem que os dois governadores do PSDB – Almir Gabriel e Simão Jatene – nas raríssimas vezes em que foram ao município, o faziam de forma apressada e, quase sempre, às escondidas em salões de hotéis da cidade, cercados sempre pela panelinha que comandava o Estado.


Neutralidade
Desde quando chegou no aeroporto até os últimos contatos na cidade, na manha deste sábadoo, Ana Julia esteve sempre acompanhada de pré-candidatos a prefeito, eventualmente num ou noutro local. Em nenhum momento, no entanto, fez esforços para privilegiar este ou aquele. Deu o mesmo tratamento a Bernadete Caten (PT), João Salame (PPS), Ítalo Ipojucan (PDT) e Asdrúbal Bentes (PMDB).
Certamente em função da necessidade de agradecer discurso em sua defesa proferido pelo deputado Asdrúbal Bentes na Câmara Federal, a governadora demorou-se um pouco mais abraçando Asdrúbal Bentes, quando o encontrou em sua chegada na XIV Ficam.

Nova Ipixuna
Consta que alguns militantes do PT andaram fazendo lobby junto a assessores da governadora na tentativa de levá-la, pela segunda vez em uma semana, a Nova Ipixuna, numa visita surpresa de apoio à candidatura a prefeito de Clovis Avelino Ribeiro (PT), que neste domingo disputa com Edison Raimundo Alvarenga (PTB) o controle da prefeitura municipal -, numa eleição extemporânea convocada pela Justiça Eleitoral para a vacância do mandato cassado do ex-prefeito Zezão (PT).

Bolsa sorriso
Percorrendo 185 estandes da Ficam, Ana Julia parou em quase todos. Parou e foi festejada. Num deles, ocupado pela Associação dos Moradores da Liberdade, uma jovem se jogou nos braços da governadora, soltando em voz alta agradecimento:

- Eu recebo R$ 70,00 do Bolsa-Trabalho, graças a senhora. Obrigada.

Ana ficou emocionada. Abraçou a garota e bateu fotos ao lado de outros jovens e dirigentes da entidade.

Pegando leve
Nem a governadora. Nem os empresários. Ninguém quis entrar fundo na questão da divisão territorial.
Quando se encontrava no estande da Associação Comercial e Industrial, onde falou para o setor produtivo, Ana Júlia tocou no assunto dizendo que fora eleita pelas populações dos 143 municípios e que gostaria de ter um voto de confiança para terminar seu mandato governando os 143 municípios. “Somente depois disso, peço que avaliem se o Estado melhorou ou não”, disse.

Ana conquista Marabá

Foi bastante positiva a passagem de Ana Júlia por Marabá.

1- Empresários vibraram com o que ouviram e o conjunto de obras projetadas para a cidade;

2- Politicamente, manteve-se neutra. Foi paparicada e tratou os pré-candidatos a prefeito da mesma forma;

3- Percorrendo 185 estandes da Ficam, cativou a todos. Homens, mulheres e crianças.

4- Com cerreza, retornou a Belém deixando muito mais gente comprometida com o governo do PT. Pelo menos, o PIB da cidade fechou com ela.

5- Estado de Carajás? Uma única vez se tocou no assunto. Sem vibração.

A partir das 14 horas, atualizando o blog, lances e detalhes mais importantes da visita da goveradora a Marabá.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Assalto milionário

Ao todo seriam 32 homens, os integrantes da perigosa quadrilha que assaltou as três agências bancárias de Carajás, é uma filial da Ótica Maia, que teve todos os vidros da loja quebrados por três bandidos. A ação colocada em prática foi minuciosamente planejada e executada simultaneamente.

Além de dois gerentes das agêncas, a quadrilha fez outros reféns quando cruzava a Mina e o carro da fuga bateu num obstáculo, sendo imediatamente incendiado. Outros veículos foram tomados de assalto de funcionários que trabalhavam no início da tarde, juntamente com seus proprietários - até agora em poder dos assaltantes.

Utilizando helicópteros e carros, a polícia cercou a densa floresta na qual provavelmente os bandidos se encontram.

Funcionários da Vale acreditam que os integrantes da gang adentraram Carajás através da floresta, já que nao há registro na guarita de acesso ao setor urbano de pessoas não identificadas.

Bom nome

A possibilidade de Miguel Cunha assumir a Delegacia-Geral de Polícia Civil pode ser o caminho mais curto para o governo estancar a crise no setor, provocada pelo caso da menor de Abaetetuba e acúmulo de outras demandas, principalmente no Sul do Pará -, exatamente onde o atual diretor de Polícia do Interior goza de respeito e credibilidade.

Como Marabá até hoje não foi contemplado com cargo de primeiro escalão, a nomeação de Cunha calaria vozes críticas a sustentarem, com ênfase cada vez maior, a tese de que o atual governo, ao contrário do período tucano, jamais colocará alguém da região em cargo de expressão.

Na avaliação de prefeitos e lderanças empresariais, Miguel Cunha tem o perfil do policial moderno, além de ter demonstrado até gora competência e bom senso à frente da função que exerce.

Panelinha cheia

Os colegas de Santarém já receberam alguma manifestação pública do Sindicato dos Jornalistas quanto as ameaças feitas pela Polícia Federal para que revelem os nomes de suas fontes de informação?
Ou o sindicato caga e anda para a turma do interior?

Tia, manos, avôs & agregados

Finalmente, a esperança volta a sobrevoar o município de Conceição do Araguaia.

Decisão de promotores federais de combater o nepotismo na prefeitura municipal sinaliza de que nem tudo é só omissão naquele município.

O ultrajante jeito de governar do prefeito Álvaro Brito Xavier (PT), por diversas vezes mereceu notas deste poster, aqui e no Diário do Pará.

Fazendo sala

Na abertura da XIV Ficam, o governo foi representado pelos secretários Maurílio Monteiro, Valdir Ganzer e Suely Oliveira. Em bonito e espaçoso estande do Estado, os três auxiliares de Ana Julia convergiram atenções. Ficaram também impressionados com a magnitude da feira.

Esta noite, 30, a governador faz visita aos estandes da Ficam. Ela desembarca em Marabá às 17 horas.

Lá vem o camburão!!!

Quando há rumores de que agentes da Polícia Federal de outros estados estão em Macapá, quem fatura é a rede hoteleira.Os "amigos do dinheiro alheio" tratam logo de se esconder em hóteis. E, dizem os linguarudos, até quando ouvem as sirenes das ambulâncias do Samu se escondem embaixo da cama.Foi o que - ainda segundo os linguarudos - aconteceu ontem em Macapá, depois que foi espalhado que mais de cem agentes federais estavam na cidade para uma mega-operação.

Texto é de Alcinéa Cavalcante, descrevendo o pânico a dominar cabeças graúdos de Macapá envolvidas em roubos e afins.

Contra o tempo

Aviso aos prefeitos: termina às 18 horas desta sexta-feira, 30, prazo para os Municípios se habilitarem ao recebimento de recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS).


Não é pouca grana orçada para 2008: R$ 1 bilhão.


No site do Ministério das Cidades (http://www.cidades.gov.br/), há ampla informação sobre o assunto.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Dureza do concreto

Somos felizes e nem sabemos.
Para quem reclama do preço do saco de cimento no Pará, manja o valor cobrado em Macapá!

Quem sabe, sabe

Franssinete Florenzano, sempre bem informada, registra em seu blog:

Infra-estrutura guseira
A CDI lança amanhã (hoje, 29) edital de licitação para conclusão da primeira etapa e a implantação da segunda etapa do Distrito Industrial de Marabá. Será no estande do governo do Estado na XIV Feira da Indústria, Comércio, Cultura e Artes de Marabá - Ficam.

Como a governadora estará em Marabá somente na sexta-feira, 30, o ato de lançamento do edital também ficou para amanhã. E graças a Franss, blogosfera toma conhecimento dessa importante nota.

Descuido ou suicídio?

O nome de Jonias Carneiro da Luz, assim de chofre, pode não ligar nada a nada. Se acrescentarmos um pouco mais, dizendo que o mesmo exerceu a profissão de cinegrafista, trabalhando em empresas como a TV Liberal, o nome se tornará mais familiar a quem é do ramo e reside no sudeste do Estado.

Se dissermos, em outra via, que as imagens marcantes do confronto da PM com os sem-terra na Curva do S, em Eldorado do Carajás, foram feitas por Jonias, a lembrança de seu nome se estenderá além-fronteiras.

Pois bem. Jonias morreu afogado dia 21 de novembro, no rio Tocantins.

Desempregado havia muito tempo, ele experimentava momentos difíceis de existencialismo, separado da mulher com quem vivera mais de 20 anos. Estado permanente de embriaguês e depressão.

Inicialmente, falava-se em afogamento involuntário. Gente da família, no entanto, nas últimas horas, passou a defender a tese de que o rapaz, embriagado, decidira pelo suicídio, levado pela correnteza das águas do Tocantins.

Dias contados

O caso da menor violentada numa delegacia de Abaetetuba, entre outras conseqüências já provocadas, deve antecipar mudanças em pontos estratégicos do governo, projetadas inicialmente pela governadora para realizá-las a partir de fevereiro.

Responsável por gerar desgastes seguidos à administração por não apresentar soluções aos problemas antagônicos dos setores produtivo e ambiental, o secretário Valmir Ortega, do Meio Ambiente, deve ser um dos primeiros a ser defenestrado.

O núcleo duro que aconselha Ana Julia não tem dúvidas: a Sema é o órgão estadual com pior desempenho do primeiro escalão.

Sem festas

Não foram apenas as audiências marcadas nas ultimas 48 horas com deputados federais e a Comissão de Direitos Humanos que tiraram a governadora da festa de abertura da XIV Ficam, hoje em Marabá. Ela poderia sair de Belém à noite a tempo de oficializar o inicio do evento.

O clima de comoção provocado pelo caso da menor currada numa cadeia em Abaetetuba mexeu com os sentimentos de Ana Julia, que preferiu apenas visitar os estandes da feira, amanhã, 30, e participar de compromissos administrativos na cidade.

No inicio da noite de ontem, Gilberto Leite, presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, foi alcançado por um telefonema de Charles Alcântara, comunicando-lhe a mudança da agenda.

Amarrando bigodes

Passou praticamente despercebido pela grande imprensa o entrevero dos deputados federais Beto Faro (PT) e Ronaldo Caiado (DEM-GO), durante a presença do ministro da Justiça, Tasso Genro, na Comissão da Amazônia que debateu as invasões de terra no Sul do Pará.

Em determinado momento, Faro dirigiu-se aos parlamentares, criticando-os por criarem clima de violência contra religiosos defensores das causas sociais, cobrando ainda a apuração de morte de trabalhadores rurais.

Ronaldo Caiado reagiu ao seu estilo agressivo, citando o comportamento heterodoxo de determinados sacerdotes, segundo ele, estimuladores das ocupações e desapropriação. Na avaliação do parlamentar goiano, os fazendeiros da região das áreas saqueadas acumulam prejuízos superiores a R$ 100 milhões.

Visões opostas

Os quatro deputados representantes diretamente do Sul e Sudeste do Pará, por ocasião dos debates na Comissão da Amazônia, revelaram pontos de vista distintos em relação às medidas a serem adotadas para coibir a onda de invasões.

Considerando a ausência do Estado motivadora de todos os problemas por não ter aparato de segurança suficiente para encarar as demandas, Giovanni Queiroz (PDT) disse que o Pará sofre de um processo de contaminação, razão maior para “não se adiar uma rediscussão geopolítica da Amazônia”.

Bel Mesquita (PMDB) e Wandenkolk Gonçalves (PSDB) defenderam a presença na região da Força Nacional de Segurança. Segundo eles, os conflitos agrários atuais são fomentados por organizações criminosas que merecem o mesmo tratamento dispensado ao banditismo enfrentado nas favelas do Rio de Janeiro.

"Sai a força policial, volta a violência". Com essa expressão, o deputado Asdrubal Bentes (PMDB) discordou da convocação da Força Nacional de Segurança por considera-la inócua.

As desapropriações de terras produtivas em áreas Indígenas mereceram acaloradas discussão, principalmente os critérios de avaliação por benfeitorias existentes nos imóveis, considerados “injustos” pelo próprio ministro da Justiça, que defende o direito de posse alienado pela desapropriação.

Tasso Genro anunciou que encomendará a revisão de laudos antropológicos, detalhando de forma mais clara o reconhecimento daquelas áreas.

Trato desigual

Todo crime deveria ser apurado na zona rural com rigor, sem distinção. Mas isso não ocorre no Pará, cujas autoridades, segundo Rosângela Hanemann, presidente do Sindicato Rural de Redenção, fazem vista de retrovisor quando assassinados são produtores rurais.

A dirigente sindical lembra o caso do fazendeiro Ciron Gomes Alves, morto cinco meses atrás sem que até hoje a polícia tenha elucidado e prendido os autores do crime.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Justiniano, interino

Como já se esperava, a demissão do delegado-geral Raimundo Benassuly era questão de horas. Agora a pouco, para seu lugar, Ana Júlia anunciou a interinidade do delegado Justiniano Alves.

Golpe mortal

'A justiça é omissa nesse estado. Como pode um promotor e um juiz ficarem só de terça a quinta no município?', indaga a deputada federal Luíza Erundina (PSB-SP), ao visitar Abaetetuba.

Agenda alterada

Encontro agendado à última hora com a Comissão de Direitos Humanos que acompanha o caso da menor de Abaetetuba, provocou adiamento da viagem de Ana Júlia a Marabá, inicialmente marcada para esta quinta-feira, 29, quando a governadora abriria oficialmente a XIV Ficam - Feira da Indústria, Comércio e Artes de Marabá.
A presença da governadora na feira está marcada agora para sexta, 30.

Corneteiros de ocasião

Perceberam que somente as viúvas dos tempos tucanos aventaram no país a possibilidade de impeachment da governadora Ana Júlia Carepa?

Um jornal de Belém, o senador Mário Couto - fez novo pronunciamnto agora à tarde estimulando a tese do impedimento -, e (ora, só podia ser ela!) Lúcia Hippolito - a sempre ardorosa defensora das teses neo-liberal de FHC. Ao lado de Eliane Castanheda.

Novo delegado-geral

A expectativa é grande em relação ao nome que a governadora anunciará para suceder ao delegado-geral, Raimundo Benassuly, neste momeno já devidamente comunicado de sua demissão. Não se sabe se Ana Júlia anuncia o novo nome na coletiva que dará dentro de dez minutos ou se o fará somente depois.

Adepol se manifesta

A Associação dos Delegados de Policia do Pará enviou e-mail ao blog, a seguir reproduzido:

Em decorrência da ampla repercussão na mídia local, nacional e internacional a ADEPOL-PA (Associação dos Delegados de Policia do Pará), que atua na defesa dos direitos e dos interesses de seus associados, manifesta-se mais uma vez e em quantas outras se fizer necessário, na medida em que foram veiculados fatos que não condizem para esclarecimento e verdade do que aconteceu.

Preliminarmente, é imperioso esclarecer que a responsabilidade pela custódia de presos não cabe à Policia Civil. A permanência de presos de justiça nas carceragens das delegacias configura ilegalidade e desvio de função dos policiais e, como o próprio nome diz, os presos são de responsabilidade da Justiça e não da Policia, além do que, devem ficar custodiados no Sistema Penal. Nas Delegacias de Policia sequer deveriam existir celas. Imperioso tornar pública esta informação porque o Governo do Estado no afã de oferecer uma satisfação à sociedade e na busca de uma solução imediata para a situação, editou um decreto determinando a construção e reforma de delegacias, e que todas tenham celas para mulheres e adolescentes. Ora, o não cumprimento das providências estabelecidas no referido decreto sujeita a autoridade policial e seus agentes, a medidas disciplinares e penais cabíveis. Data-vênia, nada disso seria necessário, bastando que se cumpra a Lei de Execuções Penais em seu capitulo VII, Artigo 82 que determina, entre outras coisas, que cada Comarca tenha uma Cadeia Publica. Quanto às penalidades aos servidores, todos sabem de suas responsabilidades administrativas e penais.

No que diz respeito à matéria em epigrafe é imprescindível informar que a prisão da adolescente foi comunicada a juíza Titular da 3ª Vara Criminal da Comarca, através do oficio nº. 870/07, da Superintendência da Regional do Baixo Tocantins. Apesar da comunicação a transferência não aconteceu. Na verdade todo o sistema está falido e precisa de reforma.
Somente se fôssemos desumanos, fatos como estes deixariam de causar tamanha indignação.

Diante de tudo isso é que conclamamos a sociedade e as instituições ligadas à justiça a se indignar, não somente quando fatos isolados forem amplamente explorados pela imprensa, mas também com aqueles que fazem parte do nosso cotidiano. Estes fatos configuram verdadeiras ilegalidades com a qual o Estado, o Ministério Publico, o Poder Judiciário, o Sistema Penal, as entidades representativas dos Direitos humanos, dentre outros, devem agir de imediato. Mas é bom que se dividam as responsabilidades. Damos como sugestão, a imediata retirada de todos os presos de justiça das carceragens dos prédios onde funciona a Policia Judiciária.

Que sejam apuradas as responsabilidades, não só dos policiais civis que agiram, mas da Juíza para quem foi comunicada a prisão e solicitada a transferência, representante do Ministério Publico, que tem o dever de agir como fiscal da lei, do Sistema Penal, a quem cabe a guarda do preso de justiça e, principalmente do Estado, que não adota políticas publicas eficazes e capazes de solucionar ou amenizar o problema, enfim, dos que foram omissos.

Continuamos abertos ao debate em busca de soluções e, de antemão alertamos: estaremos acionando a Justiça para a retirada dos presos de justiça das delegacias e que não sejam construídas ou reformadas Delegacias com celas, bem assim que o Estado aplique a Lei de Execuções Penais no que diz respeito a Cadeias Publica. A diretoria – Gestão: “Avançar nas Conquistas”.

"Ilha Grande"

A destinação de parte dos R$ 89,9 milhões do Programa Nacional de Segurança, liberados pelo presidente Lula para contemplar plano de melhoria do sistema de segurança do Pará, na construção de dois presídios femininos em Marabá e Santarém, provocou a reação negativa imediata de muitas pessoas.

Na noite de ontem, numa rodada de bate-papo na orla de Marabá, o blog ouviu de uma professora a seguinte expressão:

- É dessa forma que a ‘Corte’ vê as regiões Sul e Oeste do Estado: terra reservada pelo poder aos degredados. Dinheiro para a construção de uma Escola de Produção, não têm! Para presídios, não falta.

Obra inacabada

Não é bem assim: essa questão da Escola do Trabalho e Produção de Marabá é outra bomba de efeito retardado acionada no governo anterior.

Convênio de R$ 3,5 milhões assinado pelo ex-governador Simão Jatene (PSDB) e a prefeitura, para tocar o projeto, teve liberado apenas valor insignificante do total de recursos contratados, e que deu malmente para construir o muro da área. Pior: a administração antecessora não destinou no orçamento de 2007 dinheiro para o projeto.

Em sua recente viagem a Marabá, Ana Julia fez questão de conhecer a área, em companhia do presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, Gilberto Leite, aproveitando para bater fotos do local e constatar com os próprios olhos a exposição de imensa placa com registro da logomarca do governo tucano e demais informações sobre a obra paralisada.

Pela reação da governadora, o Estado deve priorizar a Escola de Trabalho e Produção em 2008.

Cruzando o rio

Governo do Tocantins anunciou esta semana a publicação, em janeiro de 2008, do edital de licitação para a construção da ponte sobre o rio Araguaia, fazendo a junção das cidades de Xambioá (TO) e São Geraldo (PA).
Mais abaixo do rio, é provável que o governo federal construa outra ponte sobre o Araguaia, ligando também os dois Estados, à altura dos municípios de Palestina (PA) e Araguatins (TO). Deputado Giovanni Queiroz (PDT) destinou emenda ao Orçamento/08 para a obra.

Diabo solto

Alberto César Beltrão Pamplona é delegado de Polícia Civil da capital. Em serviço pela região Sudeste, na segunda-feira, 26, o policial foi assaltado à noite na Praça São Francisco, um dos locais mais freqüentados de Marabá. Dois bandidos armados levaram o aparelho celular da vítima, que mesmo armada não teve tempo de reagir.

Imaginem a situação do cidadão comum, desarmado e sem nenhuma noção de defesa!

Diabo solto 2

Quem também sentiu no cerne a dor de se ver transformado em vítima da violência, foi o ex-prefeito de Nova Ipixuna, José Pereira – o Zezão (PT). A camionete velha do agricultor – único meio de transporte dele disponível -, foi levada da frente de uma agencia bancária de Marabá.
Em 2007, o mapa astral de Zezão é o pior possível. Além de ficar sem seu antigo veículo, ele teve o mandato de prefeito cassado por irregularidade cometida por um assessor dele durante a campanha eleitoral de 2004.

Nova eleição

Tratando da eleição municipal extemporânea de Nova Ipixuna, que ocorrerá no próximo domingo, esta quinta-feira (29) é ultimo dia para a divulgação da propaganda eleitoral gratuita no rádio e da propaganda política mediante comícios ou reuniões públicas.
Clovis Avelino Ribeiro, da Frente Democrática Popular (PDT/PT/PMDB/PPS); e Edison Raimundo Alvarenga (PTB) disputarão os votos de 9.746 eleitores.

Etanol

Confirmado: segunda-feira, 03, a Assembléia Legislativa realiza sessão especial para discutir o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia para a produção de etanol, solicitada pelo deputado João Salame.

terça-feira, novembro 27, 2007

Correndo trecho

"Essa moça tem certamente alguma debilidade mental porque em nenhum momento ela manifestou sua menoridade penal".

Nem bem o delegado Raimundo Benalussy fez a declaração acima, ´a coisa´ já corre o mundo.
Para conferir, é só dar 1, 2, 3 cliques.

O Pará não merecia passar por isso, Deus Mia!

Salve, natureza!

Finalmente, depois de longos anos, se dispuseram a salvar um dos santuários mais preciosos do Estado. O poster conhece muito bem o lugar, e vibra com a decisão.

Carajás em plenário

Durante jantar com o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO) oferecido pelo prefeito Darci Lermen, em Parauapebas, empresário de Marabá ficou impressionado com o otimismo do parlamentar tocantinense quanto a votação em plenário, ainda em dezembro próximo, do projeto de autorização de plebiscito para a criação do Estado do Carajás.

Baixo custo

No curso de uma seqüência de obras recentemente lançadas e outras em fase de conclusão, o prefeito de Marabá acrescentará ao seu catálogo de realizações unidade da Farmácia Popular, com inauguração marcada para o dia 7 de dezembro.
Mais uma para fazer furor de contentamento na classe menos favorecida.
Em todo o Pará, existem 32 unidades de Farmácia Popular instaladas em 27 municípios. Há previsão de mais duas unidades para Marabá.

Aumentando o bolo

Projeto de Lei apresentado na Câmara Federal pelo deputado Wandenkolk Gonçalves (PSDB) propondo ajustes na estrutura de distribuição de recursos gerados pelas concessões florestais reguladas pela Lei de Gestão das Florestas Públicas, se aprovado, repassará cerca de 25% a mais de recursos aos municípios brasileiros.

Em sua justificativa, Wandenkolk se diz preocupado com a realidade socioeconômica dos municípios amazônicos, cujas populações “enfrentam inúmeras carências em termos de infra-estrutura e serviços públicos, principalmente quanto aos indicadores inaceitáveis de saneamento básico disponível”. O parlamentar cita ainda a ausência de investimentos em moradia popular, educação e saúde.

Na visão do parlamentar, as concessões florestais previstas para uma parte considerável da região Amazônica, não obstante serem corretas por assegurarem padrões sustentáveis de desenvolvimento, “acarretam perda de recursos potencialmente gerados para Estados e Municípios a partir de outras atividades econômicas”.

Wandenkolk Gonçalves sustenta que a União não pode tomar decisões que têm efeitos claros na limitação das atividades desenvolvidas na Amazônia, “sem prever as devidas compensações financeiras”. Se não forem asseguradas contrapartidas em montante adequado, reforça, “as concessões caracterizar-se-ão como verdadeiro esbulho de riquezas que pertencem, também, aos Estados e Municípios”.

Ninguém engole esta

Dois jornalistas serão interrogados pela Polícia Federal de Santarém, nesta quinta-feira (29), com obrigação de revelar fontes de uma matéria publicada no jornal O Estado do Tapajós. Aqui. Aqui. E aqui.

Frases dementes

Eu não sabia o que se passava dentro da cela. Desconhecia que havia uma mulher na delegacia”. (Delegado Celso Viana, afastado da delegacia da Polícia de Abaetetuba, sobre o caso da adolescente presa na mesma cela com outros 20 homens)

Frase gostosa

“Pará tem o ferro e a energia, mas Ceará, que não tem ferro nem energia, terá a usina.” (Hélio GueirosDiário do Pará – 25/11)

Sem identidade

O Partido dos Trabalhadores vive crise de identidade num dos mais importantes municípios do Sul do Pará, Redenção. Não sabe se terá candidato a prefeito ou se decide pela carreira solo.
Enquanto "seu" Lobo não vem, bate cabeças para definir o nome ideal da disputa.

Com três nomes em evidencia – Hélio Amorim, Éderson da Silva e Domingos Neves -, o partido se deleita, no momento, engalfinhado na briga autofágica de sempre pela ocupação de cargos estaduais no município.

É preciso, sim

Assessores de Ana Júlia informam que ela pode conceder coletiva em Brasília esta tarde para falar sobre o caso da menor presa numa mesma cela com outros 20 detentos. Tudo vai depender do que ficar decidido na audiência que a governadora terá logo mais com o presidente Lula.
A entrevista, opinião do blog, deveria ser realizada. Independente do que ficar decidido no encontro com o pesidente.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Encalhe intelectual

Ao criticar as declarações preconceituosas de Fernando Henrique Cardoso segundo as quais o presidente Lula, conhecidamente homem iletrado, não contribui em nada para a Educação do povo brasileiro, o jornalista Mino Carta voltou a fazer antiga pergunta dele já consagrada:

- Quais e quantos livros de FHC alguém já leu até hoje?

Por favor, comentários.

Poemas à luz da praça

Bem que o exemplo poderia ser seguido pelos demais prefeitos do país.
Em Macapá, é perfeitamente possível percorrer a praça mais bonita da cidade lendo poemas expostos em placas afixadas no logradouro.

Rosa dos Ventos

Com o GPS ligado nos pontos cardeais e colaterais, Juvêncio Arruda mostra que a campanha eleitoral para a prefeitura de Marabá, já começou.

Cinismo explícito

Preciosidade do deputado federal tucano Zenaldo Coutinho, a propósito da menor jogada numa cela com 20 presos, em Abaetetuba, propondo Moção de Repúdio à violência durante congresso do PSDB:


“A prisão da menor numa cela com 20 presos, em Abaetetuba, é uma mostra da forma desumana e desrespeitosa com que as mulheres presas estão sendo tratadas no Pará”.

Tudo muito bem. Tudo muito bom. Mas porque o caraíba não fez a mesma crítica aos governos tucanos dos quais ele fez parte como uma de suas proeminentes vozes?

Doze anos fincaram pé no poder sem construir celas especiais, deixando essa demanda histórica para a sucessora resolver em onze meses de gestão!

Na mira dos grileiros

O que tem em comum Frei Henri des Roziers e Daniel Manoel da Silva, presidente da Associação de Pequenos Produtores Nova Aliança? Ambos não podem dar bandeira em andanças públicas porque haverá sempre uma bala em seus encalços.

Os dois não moram muito distantes um do outro. O primeiro, em Xinguara; Daniel, em Santa Maria das Barreiras. Coincidentemente, no “triângulo da pistolagem”, supostamente a área formada pelos dois municípios e Redenção.

As ameaças a Frei Henri são antigas. E tão verdadeiras que o advogado da CPT anda protegido por policiais.

O caso do líder comunitário rural ainda não ganhou as manchetes. Por isso mesmo, correndo maior risco de receber um tiro a qualquer hora.

Coordenador de um assentamento na antiga fazenda Cristalino, Daniel é alvo das organizações de grilagem de terra, cujos nomes e endereços são conhecidos até da polícia, conforme conta a Associação de Pequenos Produtores Nova Aliança em e-mail enviado ao blog.

Daniel está na mira dos seguintes grileiros: Alexsandro Queiroz da Silva, Rita da Costa Pinto, Elias, Neguinho, Junior, Paraíba, Baiano e Miguel.

Abindo a caixa preta

O prefeito de Redenção, JPC, entrou em pânico ao tomar conhecimento da aprovação pela Câmara Municipal de requerimento solicitando o envio dos extratos bancários do suspeitíssimo IPMR – Instituto de Previdência Municipal. Tido e havido como esgoto fedorento da biruta gestão do prefeito peemedebista, o IPMR seria uma ilha de irregularidades por onde trafegam lances bandalhos de um Caixa 2 fora de controle do próprio prefeito.
Com um saldo superior a R$ 12 milhões, a conta do instituto previdenciário aiçou a fome de vereadores da base aliada de JPC, os verdadeiros responsáveis pelos votos dados à aprovação do requerimento – dizem que insatisfeitos por estarem fora da festa do confeitado bolo desproporcionalmente “cortado”.

Secos & Úmidos

Estudos encomendados pelo Ministério Público mostram que Marabá é líder na produção de lixo, comparando-o com outros municípios da mesma dimensão.
Para enfrentar o preocupante quadro, a promotora Josélia de Barros Lopes tomou a iniciativa de convidar a sociedade organizada a participar do I Fórum Ambiental de Coleta Seletiva do Lixo de Marabá, realizado na sexta-feira, 25, oportunidade em que apresentou o Projeto Apoena dedicado à seleção e recolhimento do lixo seco e úmido.
Experiência piloto ocorrerá no Núcleo da Velha Marabá, com ampla campanha de conscientização, estrutura de coleta e destinação do material.
Preocupada com a desestabilização do ecossistema, a promotora Josélia Lopes se posiciona exemplarmente, demonstrando que as autoridades, quando querem, podem contribuir muito além da função profissionalmente exercida.

Ordenamento fundiário

Os termos de cooperação técnica assinados semana passada pelos governos Federal e Estadual, voltados à regularização fundiária de agricultores familiares, podem indicar caminhos seguros para a redução da prática da grilagem em grande parte do território paraense. Com iniciativas sustentadas pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário, que tem entre seus avalistas Banco do Brasil, Ministério de Desenvolvimento Agrário e o Sipam (Sistema de Proteção Ambiental da Amazônia) -, os termos da parceria revelam alentadoras ferramentas jurídicas capazes de desacelerar a sedenta corrupção praticada por dirigentes de sindicatos e cooperativas no repasse de financiamentos a pequenos proprietários.

Muito bem sacado o lance de somente conceder recursos subsidiados ao cliente que demonstrar ter patrimônio de até R$ 30 mil e renda anual de até R$ 15 mil, num período de pelo menos cinco anos de atividade rural nos últimos 10 anos.

O chamado ordenamento territorial do programa de governo de Ana Julia ganha reforço de peso com o esse programa.

domingo, novembro 25, 2007

Papo cabeça

Não gosto, mas vou escrever na primeira pessoa do singular.

Jovem ainda, eu tinha restrições de me entregar totalmente ao amor. Sobretudo, vergonha de parecer romântico. O medo da entrega transformava gestos e declarações em atos vulneráveis. Pior, qualquer relação virava louca paixão e, com ela, o lado romântico enchendo-me de sensação de ridículo.

Como muitos colegas da mesma idade demonstravam o seu romantismo por opção natural, desgraçadamente eu não conseguia nem se dar conta disso. Resistia sempre a não permitir a exteriorização do que considerava ser um sentimento envergonhado.

O assunto surge no vácuo do trabalho escolar de uma turma do Ensino Fundamental formada por cinco colegiais adolescentes que me submeteram a demorada argüição, perguntando sobre “Romantismo Como Fonte de Energia do Amor”. Em verdade, um singular tema – em relação aos que normalmente são aplicados - encomendado pela professora de Português para avaliação semestral dos jovens.

De repente, diante da garotada, a responsabilidade de esmiuçar assuntos de tamanha complexidade sem enveredar pela perigosa trilha do simplismo fantasioso.

Antes de adentrar ao que interessava a eles, provoquei-os querendo saber o que lêem. Tinha certeza de que as respostas não causariam nenhuma surpresa diante da constatação antiga de que as novas gerações demonstram raríssimo entusiasmo por algum livro. Principalmente a chamada aldeia digital nativa, ou seja, aqueles jovens que cresceram teclando na Internet.

Paradoxalmente ferramenta de poder imensurável por oferecer infindáveis opções de conteúdo -, a Internet não é usada nesse sentido pela maioria da jovem população brasileira. Ao contrário, atua fermentando o interesse quase que exclusivamente por linkar chats e canais de relacionamento que mais alienam do que ajudam na construção de uma base cultural.

Antes, esclareço: particularmente, considero a Internet uma das maiores invenções da humanidade – logicamente depois da escrita. Só que não está havendo por parte dos pais orientação sadia quanto ao uso da Rede pela família.

Voltando ao encontro com os estudantes, na minha sala de trabalho, em Marabá. Sem perceberem, liguei o gravador do celular. Como o papo prometia, era preciso registrar tudo.

Uma curiosa menina de 16 anos, a mais esperta do grupo, revela traços de liderança ao monopolizar perguntas. Quer saber se “uma alma irrequieta insinua felicidade ou se a mesma corre o risco de viver apenas experimentando desamor”. E surpreende mais ainda ao revelar que leu “Cem Anos de Solidão” e “O Jogo da Amarelinha”, contando detalhes das obras de Garcia Márquez e Júlio Cortazar, como a fundação de Macondo e a trajetória dos Buendía

A revelação de Keiliany me deixa de olhos arregalados com misto de surpresa e agradável admiração. Jamais imaginaria encontrar alguém tão nova falando de dois extraordinários escritores latino-americanos.

O que você mais gostou no “ Jogo da Amarelinha”?

- Quando vi na orelha do livro que se pode lê-lo de duas formas, fiquei curiosa, não sabia como seria aquilo, ler a narrativa de dois jeitos. A linear, que termina no capítulo 56; e a que vai sendo construída saltando-se de um capítulo a outro, e a gente vai encaixando as peças como num jogo. Gostei tanto disso que estou lendo o livro pela segunda vez.
A revelação surpreendente de que a garota lera mesmo as duas extraordinárias obras me realça a tese de que um livro existe enquanto relação com o leitor. Durante a leitura é que ele se torna algo, e a cada leitura um algo diferente, uma construção mútua.

Fiquei com pressa em fornecer todas as informações solicitadas, para a equipe preparar o trabalho da escola. O interesse passou a ser Keiliany, paraibana nascida em Catolé da Rocha e que veio com a família parar em Marabá por conta do serviço do pai, funcionário de uma siderúrgica. O gosto pela leitura vem de cedo, habituada pela mãe “a ler tudo o que tinha pela frente -, menos revistas de fofocas”-, contou.

Garcia Márquez e Cortazar foi ela quem descobriu lendo orelhas de livros na Big Ben, da Nova Marabá, em 2005.

Adora escrever.

- Crônicas, já fiz alguns poemas, mas não é meu forte.

Perguntada sobre o que faz quando entra na Internet:

- Sempre gosto de vagar em sites de literatura, onde me acho. Quando fico um dia sem acessar alguns favoritos, as palavras fogem de mim.

Keiliany é desafiada por mim a escrever naquele momento, diante dos colegas de sala de aula, algo sobre um tema que lhe sugeri baseado no próprio trabalho escolar: Saudades e textos em mim.

Pensativa, demonstrando pouco de nervosismo e timidez, ela tentou refugar, mas estimulada pelos colegas que a olham com extremo respeito, Keiliany aceitou a proposta e sentou-se diante de um computador instalado em sala contígua a minha. Vinte minutos depois, somos convidados a ler o que está exposto no monitor:


Pra falar de saudades, tem de haver texto.
Textos em mim.
Mas as palavras fogem.
Ausências chegam vestidas de saudades.
Escrever textos,
fora do tempo e de lugar,
transforma em mim gesto pleno de sensibilidade
em algo exposto e fragilizado.
Pelas frestas,
teimo encontrar arco-íris fictícios,
ignorando falas generalizadas.
Sentir saudades
é continuar a buscar o que já não sei se quero.
Confiança de encontrar outras eras que não essa.
Que nunca existiram.
Escrevendo assim.
Sem sentir saudade.

Pronto. Para quem gosta de encantamentos, temos a revelação perfeita de uma doçura de garota distribuindo afetos.
Poetisa? Escritora? Só o tempo dirá. No momento, uma adolescente talentosa, sensivelmente criativa.

Borduna branca

“Sob o pretexto de reconhecer os direitos assegurados aos indígenas, violaram os direitos individuais dos cidadãos não-indígenas, que também têm seus direitos individuais assegurados pela Constituição”.

A singela justificativa é do parlamentar-pastor Zequinha Marinho (PMDB) ao propor projeto de decreto legislativo sustando os efeitos do decreto presidencial que homologou a reserva Apyterewa, em São Félix do Xingu.

No meio disso aí não tem muito grileiro e milhares de votos que representam os personagens instalados na reserva de posse tradicional e permanente dos Parakanã,?

Direitos de quem mesmo, cara-pálida?

A passos de cágados

Jornais publicam que os órgãos de segurança envolvidos na Operação Paz no Campo chegaram à mesma conclusão de que a zona rural do Pará “está armado até os dentes”.

Engraçado ler isso. O que nossas comunidades sabem de cor e salteado a localização dos grupos armados, somente agora a "novidade" chega à ante-sala dos governos.

Área de visitação

Dia 30 de Novembro, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a organização não-governamental Conservação Internacional (CI-Brasil), a empresa Alcoa Alumínio S.A. e Fundação Alcoa, inauguram as estruturas de visitação do Parque Nacional da Amazônia (PARNA), em Itaituba, Sudoeste do Pará. A área ganhou uma trilha interpretativa e um mirante para dar suporte às visitas.

Esse é o resultado de uma parceria que começou em 2004 e foi ampliada por meio do “Programa de Apoio à Conservação da Biodiversidade da Amazônia”, assinado em 26 de Julho deste ano. O Parque Nacional da Amazônia foi criado em 1974, possui quase um milhão de hectares e está localizado às margens do rio Tapajós.

Fonte: Temple Comunicação

El Loco Chavito

Os principais religiosos da Venezuela estão ameaçados de ir para a prisão. O ditador Hugo Chavez mandou recado pela imprensa para duas respeitadas lideranças religiosas que se opõem ao regime de exceção em fase de implantação no país.

"Reitor [Luis] Ugalde, uma vez o perdoei, mas se o fizer outra vez vai parar em [na prisão] Yare, com batina e tudo. E você também cardeal", disse Chávez, a respeito de declarações do reitor da Universidade Católica Andrés Bello e do cardeal Jorge Urosa Sabino contra a reforma constitucional.

Os termos usados por Chavez para designar os sacerdotes são: "vagabundos", "meliantes", "aduladores", "estúpidos" e "retardados mentais".