sexta-feira, maio 08, 2009

É preciso pontes

Inda agora, o poster conversou em Parauapebas com o consultor de uma empresa contratada pela SETRAN para analisar os pontos críticos da Pa-275, entre Eldorado e Parauapebas. No relatório a ser entregue a Valdir Ganzer, secretário de Transportes, três pontes terão que ser construídos em lugar dos antigos bueiros carregados pelas águas.

O volume de água formado pelo represamentto das chuvas, desde 2005, vem aumentando, nos pontos onde ocorreram os desmoronamentos.

Apenas pontes serão capazes agora de escapar da preessão líquida exercida pelos igarapés da região, nos locais apontados.

A luz do Sol aparece

Fazia dias Ele não dava a cara pro mundo nosso amazônida.

Timidamente, o Sol, hoje, reapareceu, aquecendo matas e chão encharcados de chuva.

De Marabá a Parauapebas, das 8 até agora, mais quente depois do meio-dia, o Sol renasceu.

Que bom.

Kadê o kopidesque?!

Minutos atrás, matéria sobre as enchentes no Estado do Maranhão mostrou a parte baixa de Bacabal submersa. A legenda da reportagem grafou o nome da cidade com "U", em sua última letra. Bacabau não existe.

Mas de cara, bateu pesada dúvida no poster, que de repente achava vinha escrevendo o nome do município, desde quando o conhece, erradamente.

Consultando o dicionário (e o mapa!), neste instante, o peso saiu de cima.

A Globo cometeu gravíssimo erro.

Em Jornalismo, então, é inaceitável!

quinta-feira, maio 07, 2009

Anorexia financeira

Feia, muita feia, a coisa.

Dos R$ 330 milhões aproximadamente garantidos no bolo do orçamento do ano passado, o Pará não executará 10% desse valor.

Quem conta é o Val-André.


Como diz o Serra...

Gente, na primeira pessoa: eu ainda não tinha assistido ao vídeo no qual o José Serra “explica” a forma de contaminação da gripe suína. É  inadiável, assistí-lo.

A lindinha Waleiska me guiou até o Flanar, onde o Carlos Barreto nos faz daparar com a cena.

O Serra surtou, gente!


Até aqui de mágoas

A nota segue nos limites da expressão reproduzida pelo protagonista da conversa que  teve com Almir Gabriel, em Belém, dia desses quando o  ex-governador reuniu-se com lideranças municipais do PSDB, tratando da eleição estadual de 2010. A frase de Gabriel foi dita à própria fonte:

             -  Jamais esquecerei o que fizeram a mim e a meus familiares. Isso é uma questão de honra, acertar contas com todos aqueles que me humilharam. Eu vou voltar a ter o comando político deste Estado, jamais duvide disso. E quem estiver comigo, desde agora, será reconhecido. 

A fila anda

E a governo do Estado não pára de demitir.

Basta acompanhar o Diário Oficial para medir o tamanho da “festa”. 

Embrulhada no balcão

A Globo levou ao ar, porque seus interesses estavam acima de tudo. As outras redes concorrentes (SBT e Record) não divulgaram uma nota, porque seus interesses pesavam mais do que a notícia.

Quase passou desapercebida no  país, semana passada, a greve  dos funcionários da Televisa, mostrada no Jornal Nacional.

Nem a BAND mencionou alguma nota.

A poderosa rede de televisão mexicana é a principal concorrente da Globo na produção e comercialização de conteúdo. Também é a fornecedora de alguns produtos exibidos no Brasil pela Record e SBT.

Apenas um exemplo de como é tratada a notícia pela chamada grande imprensa:  mercadoria exposta na prateleira.

Para uns veículos, colocada na vitrine principal, quando o preço de promoção pode dar lucro. Para outros, escondida lá no fundo do almoxarifado, como  doença contagiosa.

Liberdade perdida

Com exclusividade para o blog, o texto a seguir é do Laércio Ribeiro, repórter do jornal Opinião

 

A praça, o santo e os ladrões

 

Vista num cartão postal, a Praça São Francisco, em Marabá, provoca um certo sentimento de nostalgia. E, de fato, aquele logradouro já se tornou elemento inalienável da vida do marabaense, especialmente dos que residem no núcleo Cidade Nova. De domingo a domingo, a praça se tornou ponto de encontro de pessoas de todas as idades, muitas das quais procuram seus barzinhos para um bate-papo no final do dia. A aglomeração se intensifica depois das nove da noite, porque é para lá que vão famílias inteiras depois da missa ou do culto.

Mas a Praça São Francisco está perdendo significado na vida de muitas pessoas. O motivo? Muito simples: a praça há muito tempo está despida de segurança. Ao que parece, o local que atrai tanta gente não encanta muito os homens de farda.

Sem ninguém para intimidá-los, os bandidos estão fazendo a farra. As principais vítimas são condutores de veículos ou mocinhas desacompanhadas. Estas são espreitadas na volta para casa e sucumbem indefesas nas garras dos larápios que, geralmente em número de dois ou mais, arrebatam de suas vítimas aparelhos celulares, bolsas e outros acessórios.

Já os donos de veículos são pressionados na chegada e na saída por menores e marmanjos que se posicionam nos estacionamentos oferecendo os serviços de uma certa “vigilância”, que, que eu saiba, não guarda coisa nenhuma. Sim, porque até hoje nunca ouvi falar que um desses guardadores de carro tenha evitado um furto ou que tenha se embolado com o ladrão pelo chão para evitar que o elemento botasse a mão no veículo do qual ele, ao preço de uma gorjeta, se constituiu fiel depositário.

Na verdade, na Praça São Francisco, o número de furtos de veículos nos estacionamentos, especialmente motocicletas, aumenta na mesma proporção em que cresce a quantidade de guardadores de carro.

O condutor mais precavido que vá à praça a pé e deixe a moto em casa. Ou então que procure ficar bem próximo de seu veículo, e curta seu passeio do jeito que versa o ditado: com um olho no padre e outro na missa.

E, por falar em padre, a praça fica defronte à igreja do santo que lhe emprestou o nome. É, mas ao que parece nem o santo os bandidos respeitam mais. São Francisco que se cuide ou, qualquer dia desses, vai procurar e não vai achar o cordão.

 

Laércio Ribeiro 

A casa do Oscar

Chico Buarque, seu sonho de juventude, era ser arquiteto.

Como quase todo estudante de arquitetura da época, os traços de Oscar Niemayer em cada canto de Brasília, recém construída, inspiravam a todos.

A descrição do próprio sonho é um dos textos mais belos escrito por Chico.

Um presente pra vocês, nesta manhã de quinta-feira, 7, que o poster resgatou em seus arquivos:


A casa do Oscar era o sonho da família. Havia um terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar.

Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar. Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi. Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida. Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.

Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e saí batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for à casa do Oscar!

Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguases, projeto do Oscar. Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo.

Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe.

Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.

Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim.

Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim.

Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar.

quarta-feira, maio 06, 2009

Professora encara Secretário

Com pedido de publicação:

 

Eu,  professora Goreth Valério da Costa, venho a público repudiar o ato do atual Secretário de Educação de Marabá,  escolhido pela categoria de trabalhadores da educação de Marabá, para a qual fez promessas das quais uma dela era continuar usando 65% do FUNDEB – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica -, a exemplo da administração anterior  (Tião Miranda e Kátia Américo), que numa sessão especial da Câmara Municipal, dia 28 último, para discutir a aplicação do FUNDEB , afirmou que nunca havia feito tal promessa,  me deixando profundamente constrangida diante dos vereadores dos quais fui digna de confiança para abrir os trabalhos daquela sessão especial com o primeiro pronunciamento .

Vejo tal episódio extremamente prejudicial à minha reputação e creio que o Secretário, juntamente com outras pessoas, tentou me desacreditar diante da Sociedade e dos Vereadores já que até o presente momento o mesmo não fez manifestação alguma de reparar seu erro ou até mesmo de desfazer o equívoco.

E, nesse momento, quero afirmar diante de toda sociedade Marabaense que sou pessoa de princípios e valores e que jamais faria afirmação de tal ordem se não fosse verdadeira.  Digo mais:  posso provar que o Secretário foi quem esqueceu dos compromissos assumidos no momento de sua campanha e que posso fornecer a qualquer pessoa uma cópia da tal proposta de trabalho dele, inclusive,  para ele,  caso  não a tenha.

Peço ainda  a todos os meus companheiros da Educação que receberam a referida proposta impressa que reproduzam o máximo de cópias que puderam,  e distribuam -,  inclusive para os alunos.

Deixei uma cópia na xérox da “Casa São João”,  localizada na Folha 28 e quem tiver interesse pode se dirigir aquele estabelecimento e obter sua cópia.

Espero que Deus ilumine os caminhos de todos aqueles que estão governando nossa cidade e que possam humanizar as relações e colocar discernimento e clareza em suas atitudes e que o povo esteja realmente contemplado pelas ações de que quem está governando e que o nosso gestor não se perca no meio do caminho e que possa fazer valer a pena para aqueles que o escolheram.

Professora Goreth Valério da Costa – Licenciada Plena em Matemática pela Universidade Federal do Pará- UFPA.

Cidade Velha ameaçada

Falta pouco para a extensa avenida da orla de Marabá ser totalmente invadida. Quando o nível do rio chegar a 13 metros, apenas barcos trafegarão por aí.

A régua de controle da cheia amanheceu, hoje,  apontando 12,36 mts. Previsão da Defesa Civil é de que até o final de semana, passe de 13 metros.

A população estranha o fenômeno de cheia estar ocorrendo  em  Maio, esquecendo de que o município experimentou ciclo idêntico no mesmo mês, em 1974, com desalojamento de 50% da população do Núcleo Pioneiro - a chamada Cidade Velha.

A maior cheia ocorrida foi em 1980, medindo 17,36 mts.
Alheia à rebeldia das águas, a vida segue descontraída nos pés descalços da moça morena, cercada de rios. 
Beiju, cuscuz e café da manhã na mesinha improvisada. Ninguém toma assento, na calçada da casa a revelar a solidão do casal sexagenário,  cercado de água. Coisas de lambanças tocantinas em tempos de cheia.
Canoas ocupam lugar dos veículos na  orla dominada pelas águas do Tocantins e Itacaiúnas.
Comemorando ainda o tri-campeonato do Flamengo, família flagelada faz mudança desfraldando a marca rubro-negra. 

É o fim da pinicada

Só não teve, ainda, registro de BO, mas já virou caso de Polícia.

Polícias, melhor dizendo, Civis e PM.

Tudo começou quando a prefeitura de Marabá decidiu fazer depositário de lixo público parte da área recentemente desapropriada pelo governo do Estado para implantar a siderúrgica da VALE.

Sem nenhuma cerimônia.

Inicialmente, na descoberta do ato irresponsável, representantes da Secretaria de Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia (SEDECT) tentaram mostrar à secretaria de Obras do município a impropriedade do local.

De nada adiantaram os argumentos.

Caminhões e mais caminhões continuaram despejando toneladas diárias no terreno estatizado, colocando em risco a credibilidade do projeto siderúrgico defendido a mão e fogo pelo presidente Lula, junto a VALE.

O governo do Estado, através da SETRAN, chegou a deslocar para a área equipamentos pesados, espalhados estrategicamente no ponto onde estava sendo formada a lixeira.

Nem isso, no entanto, impediu a desobediente atitude do poder público.

Ontem, a gota d’água.

Quando começaram a chegar caçambas de lixo, imediatamente, policiais civis e militares foram acionados, impedindo despejos, com ameaças de prisão e o que possam merecer os responsáveis pela ação criminosa.

O prefeito municipal, segundo fonte policial, corre o risco de ser processado por crime ambiental.

Hoje, o Ministério Público será acionado para acompanhar a bandalheira.

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atualização às 09:24

               - Esse rapaz é um louco! Louco!! Não se tem nem como adjetivar comportamento dessa natureza. Enquanto lutamos para construir um cinturão industrial em torno de Marabá, ele, prefeito, se esforça  em espalhar um cinturão de lixo. 

A reação é de  graduado auxiliar, e conselheiro direto, da govenadora Ana Júlia, ao medir a temperatura do governo a respeito do episódio. 

Sabe-se agora: a prefeitura usava premeditadamente o terreno da siderúrgica como depositário de lixo.  Os servidores do setor de limpeza, temendo reação ao ato criminoso, trabalhavam de madrugada para fugir da fiscalização.

O governo do Estado, protegendo-se de alguma reação da VALE, exatamente na semana em que Lula e o presidente da mineradora, Roger Agnelli, discutem o calendário de obras da siderúrgica, comunicou o incidente à diretoria da empresa. Preocupa a repercussão que o gesto do poder municipal pode gerar, considerando que o mega-projeto da usina de transformaçào exige, para sua edificação, a união segura dos agentes envolvidos: VALE, Estado, governbo Federal e município.

Transformar em depósito de lixo  o terreno desapropriado, pelo principal beneficiário do investimento de UR$ 5 bilhões - o  Município -, pode levar por água abaixo todas as negociações até agora envolvidas. Inclusive com a presença forte do Presidente da República, na mesa de decisões.

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atualização às 10:59

Quetionado esta manhã pela Rádio Clube sobre o uso da área destinada à siderúrgica  como depósito de lixo, o prefeito de Marabá, Maurino Magalhães, não quis muita conversa com o assunto. Limitou-se a classificar a ação como "provisória":

      - É provisório, é provisório, até encontrarmos um local definitivo.

Devagarinho, devagarinho...

Brasil passou Rússia e Holanda em número de artigos científicos publicados.

No ranking, já somos décimo-terceiro.

Notícia assim dá sensação gostosa de ser brasileiro.

Cruz-Credo!

Iiiih !!

O papo está rolando em Santarém, de com força: jogadores do São Raimundo teriam consumido algum líquido benzido, causador do travamento em toda a equipe durante o jogo contra o Paissandu.

Olha o que diz o Alailson!

Como destroços de guerra

Provavelmente, havia mais de 30 anos a malha rodoviária do Estado não era atingida com tanta intensidade como está sendo neste inverno. As prioridades de Ana Júlia, a partir de junho, certamente, será alocar recursos para construir novas pontes, aprumar bueiros e pavimentar o que foi destruído.

É grana demais para dar susto até em sheik parrudo.

BBB- Cidadão

Vão tirar o pirulito da boca da catrevagem, depois que a Internet começar a divulgar os gastos previstos e realizados nos orçamentos da União, estados, Distrito Federal e municípios.

Pode até ser que o projeto de lei aprovado ontem, na Câmara dos Deputados, prevendo, em tempo real, a exposição dos gastos por meio da Web, não estanque, definitivamente, o esfarelamento dos recursos públicos, mas que deixará o cidadão em condições de acompanhar tudo, isso é bom tamanho.

É só ficar dando espiadinhas.

Careta pisou na bola, basta acionar o MP.

Restos a pagar

Certamente, se não houvesse os blogs, fato como este aqui, contado pelo Juvêncio de Arruda, jamais chegaria a conhecimento público.

terça-feira, maio 05, 2009

Cantigas para mães & filhos

No contexto comemorativo do Dia das Mães, as cantoras Lucinnha Bastos, Andréa Pinheiro e Marianne Lima apresentam o show “Cantiga de Mãe”, uma homenagem musical a todas as mães, no próximo dia 07 de maio no Theatro da Paz. As três cantoras interpretarão uma coletânea de canções especialmente selecionadas para a data, que falam poeticamente da relação mãe e filho, em diversos enfoques.

No repertório, composições de grandes nomes da música brasileira, como: Cartola, Pixinguinha, Luiz Vieira, Milton Nascimento, Chico Buarque, Joyce, Ivan Lins, Altair Veloso, Sérgio Santos, Toquinho, Marisa Monte, a paraense Maria Lídia, dentre outros. A idéia central de "Cantiga de Mãe” é, portanto, fazer um apanhado de canções de qualidade, de bons compositores, que reverenciem as mães e a figura da mulher, além de várias cantigas que expressam a pureza do sentimento da mãe para com seus filhos, em uma homenagem cheia de poesia e belas melodias.

Esta é a primeira vez que um grupo de cantoras paraenses reúne-se para homenagear o dia das mães: Lucinnha Bastos, Andréa Pinheiro e Marianne Lima, que também são mães, interpretarão além das canções, poemas e cantigas que marcaram as suas experiências com a maternidade, celebrando durante todo o espetáculo a beleza do amor materno, nas suas várias formas. O show contará também com a participação especial da cantora lírica Martha Serrano, mais uma mãe, que dará o brilho de sua interpretação erudita a duas canções do show.

As cantoras serão acompanhadas por um time de alta qualidade: Jacinto Kawhage (teclado), Príamo Brandão (baixo), Careca Braga (violão) e Edvaldo Cavalcante (bateria), sob a direção musical de Luiz Pardal, que tocará teclado, violino e bandolim.


Serviço:
*Com Lucinnha Bastos, Andréa Pinheiro e Marianne Lima

**Direção Musical: Luiz Pardal

**Data: 7 de Maio (quinta-feira)

Local: Theatro da Paz

Hora: 20h

Ingressos: R$20,00*
Contatos:
*Marianne Lima – 8228-2010 / 3276-6336



segunda-feira, maio 04, 2009

Rua desse rio

A cheia não pára.

Nesta segunda-feira, 4, parte da avenida que urbaniza a orla de Marabá amanheceu tomada pelas águas.
Quase rentes, de um lado ou outro, barcos e carros nivelam o cotidiano dos ribeirinhos.

Direitos patrimoniais

Prenhe de razão, o dono da TV Floresta, José Adão, ao acusar a Rede Globo de apropriação das imagens do massacre em Eldorado do Carajás, conforme divulga Mauro Bonna, em sua página de domingo, no Diário do Pará. O autor das gravações foi o cinegrafista Osvaldo Araújo, àquela época trabalhando na emissora de Tucuruí.

O poster conhece toda a história, e o trabalho corajoso do Osvaldo.

Os direitos morais, ou direitos do autor, são dele, Osvaldo

A Globo, nesse caso bem aí, nem a copyright (cópia) tem prerrogativa legítima.

A (des) informação

Sem pé nem cabeça, nota publicada no Repórter 70 de domingo, 3, dando conta de que Ademar Palocci, diretor de Planejamento da Eletronorte, em reunião com dirigentes do PT, em Belém, teria garantido que, nas próximas décadas, “o Pará só vai construir mais uma usina, a de Belo Monte, no Xingu”.

A coluna do poster, amanhã, no Diário do Pará, garante que não é isso. Muito pelo contrário.

É aquele tal lance: quem sabe, sabe.

Doença sen culpados

Da blogueira Bia, comentário ao post A que tinha tudo na vida:


O apelo da menina é o mais tocante de toda a crônica.
O usuário de droga é doente.E o que turva essa compreensão pela família ou amigos, são as águas do preconceito e da ignorância.
Fácil perceber isso: quando nossos filhos são pequenos, ou mesmo adultos, reconhecemos e cuidamos com desvelo e urgência dos sintomas de gripe, da pneumonia, das doenças, enfim.
Mas, se o sintoma é o uso de drogas, tendemos a ignorar os sintomas. Se não conseguimos ignorá-lo, duvidamos que seja doença. E, se acreditamos que o seja, ou nos envergonhamos da doença ou nos sentimos culpados por ela. E é aí que tudo dá errado.
Aprendi todos os passos que descrevo acima e passei para o único que leva a resultados: é uma doença e não há culpas, de nenhum dos lados. O que há é tratamento e conduta. Para toda a vida.
A medida dessa compreensão é o amor. Não aquele incondicional ou que não tem ou impõe limites. Isso não é amor, é rendição. E nada de bom vem da rendição de um e derrota do outro.
Bela cronica, Hiroshi. Que seja boa também para todos os que dela precisam.

A face de Kátia nem tão oculta

Na coluna deste domingo, 3, de Ilimar Franco, de O Globo (aqui, para assinantes):

A maior bancada setorial do Congresso, a dos ruralistas, está atuando como um partido político desde a chegada da senadora Katia Abreu (DEM-TO) à presidência da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).
A entidade está mobilizada, no momento, com o objetivo de fragilizar a legislação ambiental brasileira, com a elaboração de leis estaduais mais brandas. O primeiro assalto ocorreu em Santa Catarina, com a adoção de uma lei local. O passo seguinte será fazer o mesmo com a legislação federal sobre reforma agrária. Os ruralistas querem que os estados passem a produzir leis locais sobre o direito à propriedade.


Está bem informado, o colunista Ilimar Franco. Muito bem informado.

No Sul do Pará, como exemplo, será iniciada campanha junto aos pecuaristas para arrecadação de fundos destinados a financiar trabalho jurídico -, e de mobilização dos congressistas ligados ao agronegócio, com finalidade de alterar muita pontos da legislação ambiental e do curso da Reforma Agrária.

Perfeita hipocrisia

Da mesma formação ideológica do time de Kátia Abreu, o prefeito tucano de Paragominas, Adnan Demacki, pousando de bom mocinho, de novo aparece querendo tirar o bubuco dele (e dos seus) da reta. Numa entrevista a Ronaldo Brasiliense, repete o que já dissera, ano passado, a respeito de quem são os verdadeiros destruidores da floresta amazônica, responsabilizando as carvoarias edificadas nos projetos de assentamento, ou em invasão de terras, como únicos predadores atuais.

Só faltou revelar na canalhice de seu depoimento que os prepostos dos madeireiros são os idealizadores de grande parte das invasões, para a compra das espécies comercializadas no mercado negro, e que 60% dos fornos levantados em todo o Pará são financiados pelo dinheiro das serrarias.

Esse caratonha, vez em quando aparece com o repetido discurso de jogar a responsabilidade no setor siderúrgico de Marabá, pela destruição da Amazônia - vendendo a falsa imagem de inocência dos seus financiadores eleitorais – à frente Sidney Rosas, de quem Adnan se concebe ventríloquo padrão, fiel e afilhado.

Demacki espalha um papo de que ele e seus patrocinadores estão empenhados em programas de combate ao desmatamento, cinicamente batizado de “Município Verde”, como se o agronegócio de Paragominas, plantando soja e outras culturas paralelas, caminhasse verdadeiramente no caminho de investir no reflorestamento.

“Município Verde.... de vergonha”, faltou ele completar, por estar sempre incluído na lista daqueles que mais depredam a natureza, no Pará.

Ele deveria contar, na oportuna entrevista ao Brasiliense, que seu grupo político do Nordeste do Estado – do qual faz parte o sisudo Carlos Xavier, todo-poderoso e sempre único presidente da Faepa – ajuda a financiar os movimentos de Kátia Abreu na luta para alterar, no Congresso Nacional, a legislação ambiental, com objetivo de restabelecer o status quo de antes, e, com isso, fazer valer, outra vez, o barulho impune, e criminoso, dos motosserras.

domingo, maio 03, 2009


A que tinha tudo na vida

É crônica, sim. Jamais poderia deixar de ser transformada em tal. A vida, como ela é: crônica nossa de todo dia.

Mas o fato ocorreu no fórum de Marabá, contada por um juiz.

15 anos, viciada em cocaína. Nos braços, as marcas. Foi presa dentro de casa mesmo, dando a maior alteração, agredindo todo mundo. Destino: uma sala qualquer de uma delegacia de polícia, enquanto se arranja uma escola de recuperação só para menores.
Marabá não tem essas coisas.

- Doutor, ela sempre teve do bom e do melhor, estudou nas melhores escolas de Teresina, foi expulsa de todas – antes de fugir pra Marabá.

- Escolas de freiras. Internada. Quem é que disse que eu queria ser internada? Eu queria ficar em casa.

- Ela sempre teve toda assistência. Tudo o que eu fiz foi para o seu bem.

- Que nada, doutor, há seis anos que eu não vivo com a minha mãe.

O juiz assistia ao filme que via de vez em quando. Outros personagens, outras histórias, mas com um enredo repetidamente igual. Tentava entender melhor as coisas para dar uma solucao ao caso, coisa muito difícil de fazer. Não era fácil decidir o que era melhor, e para quem.

A mãe, assistente social, morava em Macapá. A menina, que sempre teve tudo de bom do melhor, morava em Marabá com o pai, inválido. De vez em quando aparecia o “tio fascista”, irmão da mãe, para ver se eles estavam precisando de alguma coisa. E de vez em quando aparecia também a mãe, pra ver. Como dessa vez. Estava ali, vendo.

Entra o tio.

- Ela é rebelde, doutor. Não respeita autoridade nenhum. Não respeita a autoridade da família, do Estado, da polícia, nada.

- Deixa de falar idiotice. Você não entende nada, só quer saber de política, você é um merda.

- Olha aí, doutor, não disse?

- Bem, o que a gente faz com a menina? – pergunta o juiz.

- Não sei, doutor, já fiz tudo que poderia fazer. Agora é o senhor quem decide – diz a mãe, mecanicamente.

A menina chorando e chorando.

- Eu quero ir pra casa. Vocês não entendem? Eu tenho condições de me recuperar em casa, é só vocês entenderem, dar tempo ao tempo. Eu preciso ir pra casa.

- Mas em casa ela não tem condições de se recuperar – diz o tio.

A mãe concordou.

- Já tentaram internar em clínica? – pergunta o juiz.

- Não adianta, já fui internada duas vezes e não adianta nada. Não é possível que vocês não entendam que nada disso adianta. O que eu quero é ir pra casa. O culpado disso tudo e esse desgraçado – e aponta para tio, que ficou vermelho de raiva e chegou a levantar a mão para espancá-la, no que foi impedido pelo juiz. Não cruzo com ele e nem ele comigo. E faz de tudo para atazanar a mina vida. Eu estava numa boa, em casa, e não picava há uma pá de tempo. De repente, ele chega e tumultua tudo. Não tem uma vez que ele vai lá em casa e não pinta uma briga, uma confusão. Diz que eu não quero nada com a vida, me xinga, me agride. Aí, me piquei, piquei mesmo. E ele me entregou. Vê se pode, me entregou pra polícia.

O destino da menina acabou sendo mesmo a clinica de recuperação. Naquele dia, teve de ser encaminhada a uma sala de delegacia. No dia seguinte, a mãe teria que passar no juizado com o nome de clinica escolhida, a terceira da vida da menina.

Antes de sair, ela se virou para o amigo do juiz que assistiu a tudo e fez um pedido, com o gesto natural d quem pede amor.

- Escuta, você me faz uma visita?

Carecendo de exatidão

Ainda no embalo de posts, aqui e alhures, sobre a falta de ética no Jornalismo.

Quatro décadas atrás, ao nos deliciar com Notícia de Jornal, uma de suas obras-prima, denunciando a invasão de privacidade por parte da imprensa e os efeitos danosos que causa às relações humanas, Chico Buarque já alertava sobre a falta de ética de alguns setores da imprensa quando o objetivo único é a venda do exemplar.

Principalmente nas páginas policiais, “a dor da gente não sai no jornal”.


Tentou contra a existência
Num humilde barracão
Joana de tal
Por causa de um tal João
Depois de medicada
Retirou-se pro seu lar
Aí, a notícia carece de exatidão
O lar não mais existe
Ninguém volta ao que acabou
Joana é mais
Uma mulata triste que errou.

Errou na dose, errou no amor
Joana errou de João
Ninguém notou
Ninguém morou
Na dor que era o seu mal
A dor da gente não sai no jornal.