sábado, agosto 18, 2007

É de vero?!

O blog aguarda ansioso o relatório da pesquisa de demanda turística realizada em Marabá em julho. Será divulgado?!

Estufa umidade

Quem diria, a região um dia registrando baixa umidade relativa do ar. Pois hoje, até segunda-feira, o Centro Sul do Pará experimentará tempo seco, deixando a URA próximo a 20%. De fazer inveja a Brasília!
Ingerir bastante líquido, preferencialmente uma cerva branquinha, é recomendado pelos médicos.
Bota fogo na mata! Bota fogo.. E depois?!!

Hospital das Clínicas na UTI

O Hospital das Clínicas precisa urgentemente de investimentos. Durante mês de julho, segundo relato de médico, parte do forro da unidade de saúde desabou sobre uma paciente que estaria em coma até hoje. Pessoa que freqüenta o HC diz preocupada não saber se os familiares da paciente acidentada foram comunicados dos verdadeiros motivos de sua internação prolongada.
Em relação aos serviços de hemodiálise destinados a atender pacientes portadores de insuficiência renal, a situação é desesperadora. O HC recebe doentes do Amazonas, Pará e Amapá tendo como resultado dessa demanda a incapacidade do hospital em atender a todos. Para garantir o tratamento de diálise alguns pacientes “estão morando no HC”, diz e-mail enviado por colaborador que freqüenta a unidade de saúde.

Chorando pitangas

O número de duas mil pessoas, conforme levantamento da PM paulista, representa com fidelidade a quantidade de brasileiros “cansados” reunidos em praça de São Paulo para gritar “Fora Lula”.
Ao contrário da corrente, o poster nunca se arvorou de santo. Aliás, o próprio tem como cacife o fato de ser sempre a favor de Santo Agostinho que dizia "Dai-me a castidade e a continência, mas não para já”. Não condenar o pecador, condenar o pecado: se muitos preferem rastejar-se na lama, o poster prefere sonhar com as estrelas.
Por causa disto não há pra que ficar preocupado se xaropes, xaropões e xaropinhos desesperados, feitos Narcisa "Ai, Que Loucura" Tamborindeguy, se descabelam reunidos lamentando estarem “cansados”.
Chorai, carpideiras, as pitangas. Chorai!

Carajás em três tempos

Durante encontro com os Bispos da Amazônia, deputado Giovanni Queiroz (PDT) sugeriu como caminho para ajudar a solucionar muitos dos problemas sociais da região a revisão geopolítica da Amazônia, a partir da criação de novos Estados.

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Conversando com Lula, deputado Giovanni relembrou as caminhadas que o então presidente do PT realizou há vinte anos pelo Sul do Pará pregando em discursos empolgados uma nova ordem para a Amazônia. Na audiência, o deputado paraense aproveitou para falar sobre a importância de criação de novos estados na região.

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A Universidade da Amazônia (Unama), segundo relata de Brasília Val-André, deverá realizar debate entre os deputados Giovanni Queiroz e Zenaldo Coutinho (PSDB) sobre a criação dos Estados do Tapajós e Carajás. O parlamentar tucano é contra. Pode começar, por aí, a discussão em bom nível dessa questão que está apavorando setores articulados de Belém.

sexta-feira, agosto 17, 2007

O beijo que dei em Drummond

Mês de maio com um frio agradável cobrindo o Rio de Janeiro, corria o ano de graça de 1974.

Por volta de 10 horas da manhã, eu e um amigo baiano, Leonizar, descíamos a Glória em direção ao Aterro do Flamengo, onde havia uma academia de música na qual a gente estudava violão com o mestre Noca da Portela. Por ali zanzavam o iniciante Guinga, Paulinho da Viola, Nelson Cachaça, Elton Medeiros, Ary do Cavaco, o admirável Cartola (sim, eu via o Cartola quase todos os dias assim na minha frente!) e outros belos nomes do samba de raiz. Nessa época, samba se chamava um só. Era samba.

Metade da mesada que meus pais mandavam, era para pagar o caríssimo curso. Em verdade, eu freqüentava a academia para aprender mesmo violão e ficar saracoteando diante de meus ídolos. Leonizar queria apenas saracotear. Um dia me disse: - Cara, tenho vontade de dar um beijo na boca do Cartola! Depois que fizer isso, morrerei abençoado pelos deuses da música. Léo era um maluco beleza.

Na academia do Noca aprendi a dar um swing malandro na batida da mão direita e a construir seqüências harmônicas que, misturadas à suavidade do balanço dissonante da bossa-nova, deram a mim estilo pessoal de tocar violão.

Verdade é que vivi esse tempo gostoso. Acumulei muitas histórias entre as andanças de Santa Teresa aos morros cariocas, em busca de samba e outras cosititas más. Tempo em que se andava no meio das ruas cariocas sem medo de balas perdidas. A bala perdida era o canto carregado dentro da gente noturnamente, entre enfurnada e outra.

Como dizia, o ano era 1974. Eu e Leonizar saíamos andando de Santa Teresa, pegávamos os Arcos da Lapa e tome perna em direção ao Aterro. Religiosamente, esse percurso ocorria às segundas, quartas e quintas. Na sexta, não. Nesse dia, sábado e domingo, Noca acordava depois das 14 horas porque vivia colado no samba ate o sol levar pra cama a boemia.
Chegando no Largo da Glória, de repente Leonizar pára, segura meu braço e aventura:

- Aquele é o poeta. É o poeta! É Drummond, ‘baixinho’!

Olho para a direção em que o amigo apontava e vejo um senhor parcialmente calvo, vestindo calça branca e uma camiseta regata da mesma cor. Estava lá. Sentado em um banco, sozinho, cercado apenas pelos pombos às centenas sobrevoando-o, como a protegê-lo ou a admirá-lo. Atrás da figura sentada elegantemente lendo o JB (Jornal do Brasil), a estátua de Pedro Álvares Cabral, belo monumento idealizado por Rodolfo Bernadelli. Fotografia maravilhosa, fico a imaginar hoje.

Sim, era Carlos Drummond de Andrade. Ficamos parados, em silêncio, olhando a uma distância de 50 metros. Voltamos a nos entreolhar. Em voz baixa, disse ao amigo: - Vou falar com ele. Sou seguro pelo braço: - Não, vamos ficar aqui sentados, só olhando.

E nos sentamos em um banco próximo, a admirá-lo. Nada falávamos. A cada pagina folheada do jornal pelo poeta, Leonizar comentava: - É o Caderno JB, deve ser na sessão de cinema ou lendo o Tárik de Souza. (critico musical muito respeitado)

Vinte minutos depois, Drummond pára de ler, estende o olhar pelo horizonte da Glória e faz brincadeiras com os pombos. Alguns se aproximam dele e se afastam pelo piso da praça. Chegam perto aos pés do escritor e se voltam, num vai e vem parecido com o movimento ritmado de versos e cantos. Sentado, Andrade ria da dança dos pássaros.

Eu a tudo observava, com o coração pulsando forte.

Passado bom tempo, a vista do Maior dos Poetas pára em nós dois ali absortos. O olhar dele fixa na gente e cheio de coragem lanço um tchauzinho em sua direção. Drummond sorri, segura as duas mãos e leva-as ao seu peito, dobrando em seguida a cabeça em gesto de reverência à saudação lançada por mim timidamente.Aquilo foi o máximo. Não penso duas vezes e berro: - Podemos falar com o senhor?

De onde está, Drummond apenas consente com a cabeça. "Vamos”, saio puxando Leonizar que teimava em ficar apenas observando nosso ídolo. Perto dele, o cumprimentamos com aperto de mãos:

- Estamos felizes em vê-lo aqui na praça. Nunca imaginávamos, vindos de tão longe, encontrá-lo desse jeito, me apresso, afoito.

- Vocês são de onde?, pergunta com voz pausada, nos olhando entre as lentes brancas dos óculos.

- Eu sou do Pará e ele da Bahia. Estudamos aqui.

- Isso. Façam isso. O Brasil precisa da juventude preparada., elogia e se cala. Depois vira o olhar para os pombos. Ficamos sem jeito. Continuar o papo? Leonizar dá o tom:

- Já vamos, mas estamos muito felizes em conhecê-lo, poeta.

Nosso ídolo apenas sorri e bate palminhas com suas mãos já surradas pelo tempo. Começamos a andar em direção ao Aterro, Leonizar fala perto de meu ouvido, baixinho: - Você quase põe tudo a perder, falando pelos cotovelos, dava pra gente ficar um pouco mais olhando ele.... De repente, num estalo de loucura, me viro, e volto em direção ao poeta. Diante dele, peço: - Posso dar um beijo em sua testa?

Educadamente, sem emitir uma palavra, Drummond confirma positivamente com a cabeça. Eu me aproximo e dou-lhe um beijo carinhoso na fronte. E retorno correndo para onde Leonizar esperava, olhando a cena confuso, mas também feliz por eu ter conseguido dar um beijo no Poeta. Meu amigo ficou bom tempo no Rio e nunca beijou a boca do Cartola.

Hoje, 17 de agosto, faz 20 anos que Drummond morreu.

Quando o tema agrada

Notas publicadas na coluna desta sexta-feira do Diário do Pará a respeito da necessidade de construção de um porto seco em Marabá estão repercutindo acima da média normal de manifestações. O poster já recebeu cinco telefonemas e oito e-mails de empresários de Marabá, Barcarena e Castanhal, elogiando a abordagem do assunto e a disposição da Associação Comercial e Industrial de Marabá definir-se pela luta em favor do empreendimento. Como estamos ainda na metade da manhã, sinal de que o tema merecerá observações diversas por todo o dia.

Porto seco

Para quem não entende a função de um porto seco, esclarecemos: distante dos terminais marítimos, a estrutura do porto (na verdade, um grande terminal de cargas) opera a movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro. Situado em zona secundária, um Dry Port em Marabá, por exemplo, facilitaria a exportação da produção guseira e de outros produtos minerais. E a importação de equipamentos. Até para a receita estadual seria interessante do ponto de vista de controle e fiscalização.

Fogo se espraia

Passava das 17 horas de ontem (16). Quem circulava pela vicinal ligando o assentamento Sapecado à rodovia Pa-150 corria o risco de ter o veículo atingido por pontas de labaredas do fogo correndo solto sobre o mato seco de uma derrubada de dois alqueires. Nos lotes de terra subseqüentes a cena se repetia numa extensão de três quilômetros. A fumaça cobria os ares, olhos ardendo e a respiração atrapalhada pela poluição destruidora.
O passivo ambiental mais expressivo atualmente se registra nos assentamentos. Há queimadas em todas as áreas destinadas à Reforma Agrária. Pior é que grande parte das derrubadas ainda nem foi “passada a limpo”.
Sem EIA-RIMA para o agricultor, o governo estimula a destruição da Amazônia.

O repórter se diferencia

O Diário do Pará deu um banho, domingo, ao publicar matéria assinada por Frank Siqueira contando a vida desesperadora da atividade pesqueira paraense. Mais uma vez evidenciou-se a comprovada competência de um profissional que sabe o caminho de busca da notícia. Lendo com acuidade o artigo, depara-se de cara com afirmativa corajosa do repórter:

Uma instrução normativa editada pelo Ibama praticamente estabelece, com dois anos de antecedência, a morte anunciada da atividade pesqueira no Pará - e por extensão no Brasil. No litoral norte, e mais especificamente na costa do Pará e do Amapá, a pesca começa a morrer ainda mais cedo em virtude das especificidades da nossa plataforma. Com topografia plana e lâmina d’água de profundidades relativamente baixas, a costa norte torna-se praticamente inviável à pesca já a partir deste ano diante das imposições leoninas contidas na instrução do Ibama.
O poster já manifestou sua admiração pelo profissionalismo do Siqueira. Com a matéria de domingo, consolida-se essa visão.

quinta-feira, agosto 16, 2007

O Piauí é o meu País

De tão 'cansados', eles ignoram sentimento mínimo de respeito e dignidade dos povos. Olha o que disse graciosamente o presidente da Phillips ao justificar seu apoio ao “Cansei”:

"Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".

Lei anti-racismo nesse cabra suasticamente bandido!

Consciência jovem

“Quem protesta é tão jovem e desprovido de consciência política que vem protestar usando nariz de palhaço". (Lula ao ser vaiado por estudantes em Campos, RJ)

Não, presidente. Quem vaia é porque tem consciência política. E está insatisfeito com alguma coisa. Bom senso recomenda, aliás, que alguém diga ao chefe da Nação que esse mal estar dele diante das negativas manifestações populares, mesmo partindo em sua maioria de ricos ou remediados, vai terminar “colando”. E se “colar”, até quando ele passar em seu Aerolula na estratosfera, receberá vaias.
Humildade, humildade presidente!

Feridas não cicatrizadas

Agora a pouco prefeito de uma cidade média do Sudeste suspirou aliviado ao saber que Luiz Fernando da Costa não faz parte mais do quadro ativo de auditores do Tribunal de Contas dos Municípios, conforme ilustra portaria nº0911/2007-TCM, de 31/07/07, publicada na última segunda-feira, 14, no DOE. “Esse homem e sua equipe me perseguiram muito. Com ele era assim: tirava as calças ou teria as contas rejeitadas no TCM. Já vai tarde, muito tarde”, disse.

Prefeito-desastre

Apesar dos esforços do governo estadual tentar empurrá-lo do atoleiro, o prefeito de Conceição do Araguaia não tem dado sinais de que esteja com disposição de sacudir sua administração. Álvaro Brito é criticado em qualquer ponto da cidade como o pior prefeito de todos os tempos. Mesmo assim ele vai para a reeleição.

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atualização às 13:01 :

Álvaro Brito é prefeito do Partido dos Trabalhadores.

Sentindo o baque

Pressões do Ministério Público e de setores da sociedade organizada minaram a postura firma de defesa do projeto Serra Leste como ele está.Pelo menos é essa a impressão que o blogger tirou da rápida conversa mantida na noite de ontem com executivo da Companhia Vale do Rio Doce.
A audiência pública desta quinta-feira em Belém será decisiva. Dentro da mineradora poucos insistem ainda em dizer que o projeto não pode ser revisto.

Fragilidades detectadas

O Ministério Público questiona a Vale do Rio Doce, principalmente em quatro pontos:

1- Impactos positivos superestimados do projeto Serra Leste -, e os negativos minimizados ou omitidos.

2- Não apresentação de estudos prévios do patrimônio espeleológico. Na região do projeto existem 96 cavernas.

3- Fragmentação do projeto e a ausência de alternativas tecnológica e de locação, que possibilitariam a mudança do curso de uma estrada

4- A CVRD não contempla a absorção de mão-de-obra após a conclusão do projeto.

Gigantes de olho na cana

A febre mundial do etanol – que deverá virar commodity em um horizonte de cinco anos – ainda mobiliza os planos de investimento de figurões brasileiros e estrangeiros com os olhos no Sul do Pará. Corre conversa em Brasília esta semana de que o ex-presidente da Petrobras Henri Phillipe Reichstul, líder de um megafundo de investimentos que teria US$ 2 bilhões destinados ao etanol, checava junto a figuras importantes do governo se terras do Sul do Pará ficariam dentro do mapa factível de plantio de cana, atestando seu interesse em investir na região. Henri Phillipe teria como parceiro na empreitada sul-paraense o ex-presidente da Associação de Promoção das Exportações (Apex), Juan Quirós.
Fonte do blog garante que o ex-presidente da Petrobrás teria estudos mostrando a viabilidade dos investimentos no Pará devido a qualidade das terras pesquisadas e o clima ideal -, com chuva e sol disponíveis o ano todo. O investidor pretende aplicar recursos em toda a cadeia produtiva, desde as terras ideais, tipo de cana a ser plantada à fabricação e à distribuição de álcool. Os dois últimos segmentos são os mais atrativos.

Para enfrentar o “monstro”

A violência em Marabá está fora de controle. De tão grave o quadro, esta semana o deputado João Salame (PPS) fez dois pronunciamentos na Assembléia Legislativa pontificando a gravidade do assunto. Com o apoio do deputado Carlos Bordalo (PT), que é do Conselho Estadual de Segurança Pública, Salame conseguiu marcar para a próxima sexta-feira, às 10h00, na sede da Segup, uma reunião com a secretária de Segurança, Vera Tavares; o Comandante Geral da PM e o Delegado Geral, Raimundo Benassuly, para discutir a formação de um Grupo de Trabalho para tratar da questão. O parlamentar convidou para a reunião representantes da Câmara de Vereadores de Marabá; Associação Comercial e Industrial (Acim), Ministério Público, OAB - Subseção Marabá e a Prefeitura, enquanto os representantes locais da Polícia ficaram de ser chamados pela secretária. A deputada Bernadete não poderá estar presente porque já tem compromissos agendados em Tucuruí.

Sobe e desce de “Marabaenses”

Lendo exemplar da coletânea Caderno Popular (Cultura Camutá), sob o título “Marabaenses, Carpintaria Naval”, de Salomão Larêdo, dá-se uma volta ao tempo. Idos anos 70. A obra pode ser lida em meia hora e é uma seletiva de depoimentos e histórias das grandes embarcações de 60 toneladas, conhecidas por "marabaenses", que chegavam a transportar até 400 hectolitros de castanha. Quando havia castanha no Pará.
Um pedaço de infância deste poster contido no interior do livro. Reminiscências. Lembranças gostosas. Tempos de barulho de motores e a atividade extrativista como fonte da economia de nossa região.
Nem como lembrança pregada na parede deu pra ficar. O livro salva.

Daniel Dantas fora do etanol

Feriado de quarta-feira no Pará, às 14 horas, converso demoradamente no aeroporto com o interlocutor do executivo principal do grupo Opportunity, na região, a quem fui apresentado por um pecuarista de Redenção, município onde a estrutura de gestão de Daniel Dantas está sendo implantada. Aguardando vôo da TAM rumo a Brasília, ele falou de quase tudo. Se segurou quando percebia o poster querendo saber mais do que ele podia realmente fornecer. Um resumo:

Pata do boi
O Opportunity já possui no Sul e Sudeste mais de 100 mil hectares de terras.
Questiono dizendo que de olho no lucro prometido no mercado do futuro do etanol, essa seria uma das razões dos pesados investimentos do banqueiro Daniel Dantas, no Pará. Segundo informações, ele tem um projeto para exportação de etanol que dependeria ainda de possíveis parceiros. Essa compra desenfreada de terras por aqui, se justifica olhando por esse prisma?
- A terra (também propícia para o cultivo da cana) será usada para pecuária de “alto rendimento". O Daniel está de olho no etanol, mas não no Pará, responde.

Sociedade Anônima
O grupo já chegou a 380 mil cabeças de gado, somente na região. Insinuo se o objetivo é atingir 1 milhão de reses para captação em seguida de investimentos no mercado, com abertura de capital do Grupo Santa Bárbara (denominação da empresa agropecuária do Opportunity).

- Quem sabe, quem sabe..., responde misterioso.

Consumo chinês
Provoco-o ao comentar se atualmente a estratégia do grupo não seria desviar a atenção dos investimentos apenas para o setor de gado temendo restrições de toda ordem caso se defina com antecedência pelo plantio de cana. O interlocutor é ágil na resposta:
- Não perceberam ainda que a qualquer hora o povo chinês pode mudar seus hábitos, forçado pelo desenvolvimento desenfreado do país, e passar a exigir do governo a importação de carne bovina – quem teria tanto gado para fornecer aquela nação? Nem Brasil, nem Austrália!, diz com riso confiante.

Por que Redenção
A escolha de Redenção para a construção do Centro Gestor das Fazendas Santa Bárbara se deve a localização central do município em relação às propriedades adquiridas no Sul e Sudeste. O investimento em modernas tecnologias não pára:

- O Brasil é o maior exportador de gado, mas a Austrália vende sua carne por preços que são mais que o dobro dos nossos. Isso acontece porque eles possuem qualidade constante, e nós não. Precisamos dar uma uniformidade à qualidade do que produzimos. Quando fizermos isso, teremos preço.

Sem autorizar a publicação de seu nome, o executivo disse que as dimensões continentais do país, e o fato de a produção de bois estar espalhada por praticamente todo o território, com produtores em vários estágios de profissionalização, estão por trás da falta de constância na qualidade da carne brasileira. O Brasil tem 185 milhões de cabeças de gado, o maior rebanho comercial do mundo, mas apenas cerca de 18% desse total é direcionado à exportação.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Deus acuda quem?

Ao colocar o olho no post MPF quer anulação de 99 assentamentos no Oeste do PA o poster fica matutando: se a modo pega, como ficariam muitos PAs no município que mais acomoda projetos de assentamentos do país? O que se fala por aí é que a situação de Marabá é bem pior do que a detectada no Oeste.

Audiência do Serra Leste em Belém

Coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), órgão licenciador, a última rodada de audiências públicas para discutir o Projeto Serra Leste, que prevê a exploração de 29 milhões de toneladas de minério de ferro no município de Curionópolis, sob responsabilidade da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), será realizada nesta quinta-feira (16), em Belém. O evento terá início às 8h30 e ocorrerá no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa).
Estabelecido pela lei Federal n.º 6938, de 31/08/81, também conhecida como Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, o licenciamento ambiental é um procedimento administrativo realizado pelo órgão ambiental competente, que pode ser federal, estadual ou municipal, para licenciar a instalação, ampliação, modificação e operação de atividades e empreendimentos que utilizam recursos naturais, ou que sejam potencialmente poluidores ou que possam causar degradação ambiental.
No licenciamento ambiental são avaliados impactos causados pelo empreendimento, tais como: seu potencial ou sua capacidade de gerar líquidos poluentes (despejos e efluentes), resíduos sólidos, emissões atmosféricas, ruídos e o potencial de risco, como por exemplo, explosões e incêndios. As licenças ambientais estabelecem as condições para que a atividade pretendida cause o menor impacto possível ao meio ambiente, o que se dá por meio de programas ambientais, de responsabilidade do empreendedor ou compensações ambientais destinadas aos municípios atingidos pelos impactos gerados.
No caso específico do Projeto Serra Leste a audiência se dá por recomendação do Ministério Público Estadual (MPE). Já foram realizadas audiências em Curionópolis, município sede do empreendimento, Parauapebas e Marabá, que estão na área de influência indireta do projeto.
Fonte: Ivonete Motta - Sema

Não resolve

Agente qualificado do setor de inteligência da Polícia Civil do Tocantins, em contato com o blog, elogia a cessão de doze novas viaturas para o Comando de Policiamento Regional 2, com sede em Marabá, responsável pelo gerenciamento de operações em 30 municípios, mas garante que isso não fortalece o enfrentamento da violência. “É preciso mapear e monitorar previamente, através da Inteligência coordenada das policias Civil e Militar, os núcleos de atuação dos bandidos, para posteriormente o patrulhamento percorrer as cidades sabendo por que está ali. Com isso, se gasta menos combustível, menos esforço físico e o Estado sabe o que está verdadeiramente fazendo nas ruas”, diz.
A fonte garante que os recursos de tecnologia disponíveis e treinamento moderno dos quadros permitem o mapeamento das áreas densamente percorridas pela bandidagem.

Espiã ou lobista?

“Vocês podem reagir a isso porque têm poder econômico. A Anac não pode fazer nada, a Anac só fiscaliza, mas vocês podem.”

A frase acima é de Denise Abreu, diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), incentivando as companhias a reagirem contra a decisão do governo de reduzir o tráfego no Aeroporto de Congonhas.
E o poster pensava que essa gente da Anac existia exatamente para proteger os usuários. Não, é para defender os interesses das companhias aéreas!
Caraca!

Rolando baixarias

Ainda persistem os efeitos da surra que levou a candidata à reeleição de coordenadora da subsede de Marabá do Sintepp, Toninha Carvalho, apadrinhada da deputada Bernaete Caten. O confronto entre ela e o candidato vencedor, Dionízio Gonçalves, deve terminar nos tribunais para a definição da nova diretoria da entidade. A "proporcionalidade qualificada", regida pelo estatuto do sindicato, está dando forobodó porque o atual coordenador não abre mão de indicar 14 membros, enquanto o resultado apertado da eleição lhe dá direito a apenas 13. A chapa perdedora de Toninha pode indicar até 12 representantes. O pau vai rolar em Belém, onde se processa a luta política de bastidores junto a direção estadual do Sintepp.

Enquanto isso..

Viagens meio relâmpagas de ontem pra hoje impediram a atualização cedo do blog. Depois das 14 horas, novos post no pedaço.

terça-feira, agosto 14, 2007

Abertura do Campus II

A boa nova está no Quinta: segunda-feira começa a formatação da futura Universidade Federal do Sul do Pará.

Repartindo o pão

O bispo da Prelazia de Marabá, Dom José Foralosso, manifestou-se publicamente pelo menos duas vezes favorável à criação dos Estados do Carajás e Tapajós. Andarinho de estradas paraenses mal conservadas com suas distancias continentais, o pastor católico entende o significado da emancipação melhor do que ninguém.

‘Ratinhos’ da vida

Rui Barbosa vivo fosse, certamente morreria de tédio ao tomar conhecimento do massacre ortográfico na imprensa televisiva em Marabá. Tem coleguinha na tela dando uma de rei da cocada preta, mas que em verdade era mais prudente procurar alfabetizar-se primeiro para depois atrelar-se à Imprensa. O pior é que tem dono de órgão de comunicação envaidecido com o show de besterol levado ao ar. Pobre Marabá...

O quase sempre plácido Correio do Tocantins registra, com a nota acima, tipo de ‘jornalismo’ praticado ultimamente em Marabá pela TV Eldorado (SBT). O personagem citado de forma educada pelo jornal apresenta-se despreparado gramaticalmente brandindo com insistência um porrete de madeira bem ao estilo do graças a Deus quase sumido Ratinho. Gesticulando nervosamente seu “instrumento de trabalho”, o rapaz alude o combate à violência estimulando subrepticiamente a própria.
O registro do Correio do Tocantins chamou a atenção de entidades populares que anunciavam ontem a intenção de manter contatos com o Ministério Público para fiscalizar mais de perto as programações policiais da imprensa local. Os dirigentes dessas organizações reportam o objetivo da investida não como ato de censura, mas com a preocupação de reduzir o ímpeto prosaico de iniciantes.
Verificou-se também ontem a tarde que diretoras de escolas trocavam figurinhas no sentido de formarem uma comissão destinada a conversar com a direção da emissora para mostrar-lhe os danos que causa à formação educacional de jovens a atuação destemperada de repórteres mal dirigidos em estúdio.

Perguntas e senões nem tanto safados

1- O que fazia um delegado de Polícia Civil na casa do prefeito de importante município do Sudeste por quase toda a tarde de segunda-feira, saindo de lá por volta das 18 horas?

2- Ao descer em Marabá do vôo da TAM que fazia escala rumo a Brasília exclusivamente para conversar por cerca de dez minutos com alto executivo, a presença de um dos mais conhecidos advogados paraenses suscitou indagações diversas no aeroporto da cidade, ontem à tarde.

3- Carece de fundamento insinuações de que estaria para estourar esta semana a ‘grande pegada’ do ano. Vai demorar um pouco mais.


4- Se você tivesse que optar entre o duvidoso, mas visível; e o real, no entanto, obscuro, ficaria com qual? Isso tem a ver com duas pré-candidaturas a prefeito de Marabá.

segunda-feira, agosto 13, 2007

A voz da Promotora Eliane

A seguir, reproduzo comentário ao post Umas e Outras enviado pela promotora de Justiça Eliane Moreira:

Prezado Hiroshi,
De suma importância a divulgação da audiência pública sobre o Projeto Serra Leste. Entendo ser fundamental a ampliação do debate público sobre as questões que se referem ao desenvolvimento do estado do Pará.No entanto, não posso deixar de esclarecer que a minha fala não foi no sentido que o Sr. destacou.
Em momento algum eu tive a pretensão de dizer que o Sr. Secretário de Meio Ambiente não tem compromisso com esses problemas por não ter nascido no estado. Porém, se de alguma forma, a minha manifestação deu margem à tal interpretação, sinto-me na obrigação de esclarecer que acho sim fundamental a participação do Secretário nestas audiências públicas, ainda mais quando os assuntos se referem à locais de grande complexidade como Curionópolis, cuja história revela os desafios que por lá existem. Neste sentido, lamento que, por não ter maior proximidade com a região, o Sr. Secretário não tenha tido a percepção dos desafios que ali existem, pois neste caso teria dado prioridade para essa agenda.
Cordialmente,Eliane Moreira

Nota do Blog: este poster se manifesta na caixa de comentários a respeito das observações da jovem promotora. Ela é exatamente isso aí, delimita seu espaço e segue firme defendendo os interesses maiores do Pará. O politicamente correto dela é a lei.

Cortando na carne

Deputado Giovanni Queiroz telefonou agora a pouco para comunicar sua preocupação com a repercussão do post "Pra Ser Paraense". Finíssimo em sua forma de tratar a imprensa, o parlamentar concorda com o conteúdo da nota e se diz apreensivo com seus efeitos junto a militância do movimento emancipatório -, garantindo, ao mesmo tempo, aplicação de medidas destinadas a colocar um freio de arrumação no estica-estica.
Na coluna do Diário do Pará, mais detalhes das atitudes a serem anunciadas.

Como testemunha

Neste exato momento (13h50) Asdrubal Bentes (PMDB) almoça no Capone da Estação com o ex-deputado José Priante. Um desconhecido à mesa acompanha atentamente a conversa de volume baixo de ambos.

Pra paraense ser

A famigerada Comissão Pró-Brandão estica de um lado. A comissão formada por vereadores e prefeitos de outro. E o estica-estica cumpre a sua missão apenas de esticar. Amarrar ações propositivas que é bom, neca-neca. Esse movimento pela criação do Estado do Carajás no Sul do Pará, pelo menos na região de Marabá, é de um descrédito total. Giovanni Queiroz está sabendo disso?!

Planta ou planta

Influente funcionário da Companhia Vale do Rio Doce garantiu ao blogger que internamente a mineradora está preparada para suspender unilateralmente o fornecimento de minério de ferro às siderúrgicas de ferro gusa que descumprirem a legislação ambiental e trabalhista, “seguindo determinaçao do presidente Roger Agnelli”.
Mesmo com o risco de penalidades que a mineradora possa sofrer pelo rompimento de contratos, a decisão está tomada. "Nossa visão, como bem disse o presidente Agnelli, é de que chegou a hora de agirmos radicalmente nesse sentido”, disse.
Nem com a alta oferta de minério granulado a ser produzido em Serra Leste, a partir de 2009, a CVRD despreza a idéia de radicalização. Agora é assim: as guseiras reflorestam ou... reflorestam.

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Com a exploração das jazidas de minério de Serra Leste, localizada a 4 km da Vila de Serra Pelada, em Curionópolis, a CVRD passará a disponibilizar anualmente cerca de 2 milhões de toneladas, acelerando o processo de produção até atingir 6 milhões -, o suficiente para atender o mercado interno e externo por 15 anos.
Atualmente, o granulado é fornecido à conta gotas por esgotamento das jazidas de Carajás.

Contra o destempero

O estabanado prefeito de Redenção tem pela frente difícil missão de tentar formar uma coligação de apoio à sua reeleição. Não está fácil. Escabreados, dirigentes das legendas fogem dele como o diabo da cruz. É nesse vácuo que atua o educadíssimo deputado federal Giovanni Queiroz (PDT) vendendo a idéia de uma frente partidária para tirar JPC do poder. O candidato de consenso seria o pecuarista Luciano Guedes, mas ele aceita discutir outras alternativas.

Último a saber

Saiu no Correio do Tocantins: “Darci Lermen está preocupado com a imagem de que seu governo recebe muito dinheiro de repasses governamentais e uma bolada da CVRD sem fazer investimentos proporcionais. Por isso, determinou que as contas da prefeitura sejam colocadas na internet o mais rápido possível e ainda em dois painéis eletrônicos em pontos estratégicos da cidade, como forma de prestação de contas”.

Declarações do prefeito sugerem que alguns assessores (já substituídos) estariam praticando irregularidades na gestão dos recursos públicos de Parauapebas sem seu conhecimento.
Ora, ora, ora....

Entregue ao coronel

Apontado pelas estatísticas como município com trânsito mais violento do Norte do país, Marabá passará a ter um coronel da reserva da PM dirigindo o seu Departamento Municipal de Trânsito. Trata-se de Antônio Araújo, oficial aposentado que durante anos comandou o 4º BPM, confirmado no cargo pelo prefeito Sebastião Miranda para tentar colocar ordem na casa.
O trânsito de Marabá, durante a semana, registrou mais três mortes estúpidas no setor urbano.

domingo, agosto 12, 2007

Grávido de três lindos filhos

Eu fiquei grávido, três vezes. E confesso ter vivido intensamente as três gestações. As dores de Sonia também eram minhas. Em excesso, papariquei barriga, respiração e a ida sistemática ansiosos à obstetra Maria da Cruz, sempre em Belém, médica que acompanhou o desenvolvimento de Thiago, Silvia e Juliana no útero materno.
Fui um pai pró-ativo de pesquisar em revistas os assuntos da gravidez, a educação dos filhos, essas coisas. Lia e relia o Diário do Bebê com as anotações do primeiro dia até os cinco primeiros anos. Aquilo era como uma obrigação a fluir intensa felicidade nos mínimos detalhes.
Os três estados de gestação de Sonia, por assim dizer, também foram meus.
Deitado na cama ou rede fui um pai contador de causos. Não via a hora de me recolher. E não era reprodução de estorinhas de Chapeuzinho Vermelho e Bela Adormecida, não! Eram causos protegidos por copyright pessoal. Tantas vezes repetidos nem bem terminava a primeira “sessão”.
- Conta pai, conta de novo. Conta pai, de novo...

De tanto repetir a mesma estória, dormia cansado sem chegar ao final de tantas repetições. Eu e eles.
O bode era quando, dia seguinte, esquecia algum detalhe da mesma estória inventada e Thiago cobrava trechos citados na noite anterior. “E o macaco, o macaco pai?”, exigia a recomposição fiel da estória inventada.

Dediquei-me a Thiago, Silvia e Juliana, sem distinção. Povoei a vida deles de sonhos e fantasias. Fazia questão de ser assim. Educar sem fantasias é mais difícil. Nunca tive dúvidas de que o faz-de-conta dentro do lar os ajudaria no futuro serem pessoas afetuosas, educadas e potencialmente solidárias. O tempo provou que eu estava certo.

Até próximo aos sete anos, meus filhos acreditavam em Papai Noel. Quantas noites ficamos até tarde escrevendo cartas com eles para enviar à Moradia do Céu, Casa de Papai Noel, pedindo isso e aquilo... Foram tantas!
Diante de alguma peraltice praticada, indubitavelmente a bronca era citada. Tipo: “Meu Papai Noel, como o Thiago respondeu com estupidez para a sua maninha Silvia, prometo não mais fazer isso porque eu sei que maninhos foram feitos pra viver em paz e ser amigos...” Era o corretivo psicológico, sem gritos.
Nas noites de Natal, eu e Sonia armávamos estratégias mirabolantes para colocar debaixo das camas seus presentes, antes de sairmos para a confraternização na casa de parentes. Nem bem dava meia-noite, invariavelmente um deles chegava pra indagar “se Papai Noel já passou lá em casa pra deixar o presente”. Era o gancho para mais um momento de sonhos e fantasias, por mim alimentado:
- Olha, eu acabei de ver rápido ali no céu algo luminoso, tenho a impressão que foi Papai Noel..”

A fantasia se processava imediatamente na mente de Thiago com seus olhos brilhando olhando pro céu, a certificar-se de minha observação:
- Era ele pai, ela ele, sim. Eu vi também!!

Uma noite, a sala cheia de crianças, todos amiguinhos e primos de Thiago e Silvia (Juliana ainda não era nascida), eu tentava divertir a todos vestido com uma roupa quente de Papai Noel e as barbas grande de postiças. A felicidade no rosto de cada era latente. À exceção de Silvia, que não se soltava de tanto encarar meus olhos, enquanto minhas brincadeiras faziam a todos se deliciar de risos. De repente, minha filha segura minha mão direita (nessa época, na parte de cima do indicador dessa mão eu tinha uma saliente verruga), olha pra mim e passa a mão sobre a verruga, gritando em seguida:
- Você é meu pai. Não é Papai Noel. É meu pai....
A descoberta de Silvia foi como se o mundo desabasse sobre minha cabeça. As demais crianças se sentiram também impactadas, mas aos poucos, com a ajuda de Sonia ratificando a identidade de Papai Noel, o clima de fantasia se restabeleceu. Não em Silvia, que a partir dessa noite deixou de acreditar em duendes e Papai Noel.

Diziam-me, anos atrás, que em determinado período da vida os sonhos fogem. E que esse fenômeno de congelamento da alma ocorreria a partir do momento em que o homem se tornasse pai. Os sonhos seriam massacrados pelo corre-corre do dia a dia, o concorrido mercado pela sobrevivência, as preocupações rotineiras de manutenção da prole. Eu nunca acreditei nessa projeção. “Os sonhos são meus e ninguém os tira”, já disse Moacir Franco numa canção popular.
Quando garoto, eu queria ser cantor de rock. E amava os Beatles e os Rolling Stones. Quis ser craque da pelada, e joguei na Tuna, Paissandu e Remo – sem nunca dedicar-me plenamente. Mas fui um ótimo driblador.

Luz negra, calça de nesga, rum com Coca, violão, passeata, LP, parece que foi outro dia.

Vivi meu tempo de rebeldia até o nascimento de Thiago, quando prometi a mim mesmo jamais colocar outra vez um cigarro de maconha na boca. Nunca mais coloquei.

Feliz pai que conseguiu engravidar de felicidade todos os estágios de vida de meus filhos. Hoje os três estão aí toureando o mundo e mais distantes de mim. Porque a vida bela passa exatamente por isso: os filhos não nasceram pra ser da gente.
O garoto que um dia queria ser cantor de rock conseguiu ser um excelente pai. Todo tempo sonhando, e às vezes torrencialmente emocionado.
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Esqueci de registrar: como pai, consegui formar dois filhos e a mais nova, conclui faculdade. Thiago é Administrador de Emprea; Sílvia, Publicitária; e, Juliana, tambem fazendo Publicidade.