sábado, dezembro 13, 2008

Para que não seja esquecido, jamais

 

São 40 anos de aventura
Desde que mãe teve a doçura
De dar a luz pra esse seu nego
E a vida cheia de candura
Botou canção nesses meus dedos
E me entregou uma partitura
Pra eu tocar o meu enredo
Sei que às vezes quase desatino
Mas esse é o meu jeito latino
Meio Zumbi, Peri, D. Pedro
Me emociona um violino
Mas também já chorei de medo
Como chorei ouvindo o Hino
Quando morreu Tancredo

Dos 40 anos de aventuras
Só 20 são de ditadura
E eu dormi, peguei no sono,
E acordei no abandono
E o país tava sem dono
E nós fora da lei

Quem se apaixonou por Che Guevara
Até levou tapa na cara,
Melhor é mudar de assunto
Vamos enterrar esse defunto
Melhor lembrar de Madalena
De Glauber Rocha no cinema
Das cores desse mundo
Jimmy, Janis, Joplin e John Lennon
Meu Deus, o mundo era pequeno
E eu curtia no sereno
Gonzaguinha e Nascimento
O novo renascimento
Que o galo cantava

"Ava Canoeiro", "Travessia"
Zumbi no "Opinião" sorria,
De Elis surgia uma estrela
Comprei ingressos só pra vê-la
Levei a minha namorada
Com quem casei na "Disparada"
Só para não perdê-la

Lavei com meus prantos os desatinos
Pra conversar com meus meninos
Sobre heróis da liberdade
De Agostinho de Luanda
A Buarque de Holanda
Foram sóis na tempestade
Mesmo escondendo tristes fatos
Curti o tricampeonato
Meu Deus, também sou batuqueiro
Pois eu nasci
em fevereiro
E
o carnaval tá no meu sangue
Sou dos palácios, sou do mangue,
Enfim sou brasileiro

Sou Ayrton Senna, eu sou Hortência
Dou de lambuja a minha vidência
Não conheço maior fé
Que a de Chico Xavier
Que para Deus já é Pelé
Que é o nosso rei da bola

Quem tem Raoni, tem Amazônia
Se está sofrendo de insônia
É por que tem cabeça fraca
Ou está deitado eternamente
Em berço esplêndido, ou é babaca
Ou está mamando nessa vaca
O leite dos inocentes
Vamos ensaiar, oh... minha gente,
Botar nosso Brasil pra frente
laia, laia, laia, laia...

 

Altay Veloso e Paulo César Feital compuseram 40 Anos, canção que na voz de Emílio Santiago fotografa período cruel  da vida política em que “o  país tava sem dono, e  nós fora da lei”.

Tempo do enfurecido AI-5.

Mas lembra também, gostosamente, da fase criativa de Chico, o Tricampeonato,  Glauber Rocha, Jimmy Hendrix, Janis Joplin,  John Lennon, Airton Sena, Tancredo –  tempo  alegre do brasileiro que nunca perdeu a esperança de ver o Sol da liberdade brilhando  um dia, outra vez.

Na voz dez Emílio, a canção  entra aqui no blog para lembrar –  e nunca ficar no baú   esquecido – que a 40 anos atrás, exatamente a 13 de dezembro de 1968, o general  Arthur da Costa e Silva  assinava o Ato Institucional Nº 5 , ou simplesmente AI 5, e com base nele, decretou o recesso do Congresso Nacional, por prazo indefinido, e implantou a ditadura.

Só para bem informar aos mais jovens.

Entre suas resoluções, o AI-5 suspendia os direitos políticos, e proibia atividades e manifestações sobre assuntos dessa natureza, condicionando a infração a severas penalidades, desde a liberdade vigiada ao domicílio determinado.

O ano de 1968 foi de grandes protestos contra o regime militar. No início do ano, artistas de teatro mobilizaram-se contra a censura. Em março, uma manifestação universitária no restaurante Calabouço terminou na morte do estudante paraense Edson Luís. Greves e passeatas eclodiram em todo o país, culminando com a passeata dos 100 mil, em junho, no Rio.

Atentados, expropriações, paralisações prosseguiram no segundo semestre em diversas partes do país.

Um dos momentos mais tensos foi o discurso do deputado Márcio Moreira Alves, no início de setembro, conclamando a população a boicotar os eventos programados para o Dia da Independência. A declaração elevou ao máximo o descontentamento dos militares, que pediram a cassação do deputado. O pedido foi rejeitado pelo Congresso (216 votos contra, 141 a favor e 24 abstenções) na véspera da instauração do AI-5.

Nos dez anos de vigência do mais cruel dos Atos Institucionais, sua fúria consternou a sociedade brasileira e internacional. Impondo-se como um instrumento de intolerância aos contestadores do regime militar, promoveu arbitrariamente repressão e intervenção, cassação, suspensão dos direitos, prisão preventiva, demissões perseguições e até confisco de bens.

A censura federal, recrudescida, atuou cruelmente na interdição de mais de 500 filmes, 400 peças de teatro, 200 livros, e milhares de músicas.

Homenagem a Fernandes

 

                                          – Pela primeira vez em 46 anos, acordo pontualmente às 6 da manhã e a Tribuna da Imprensa não está debaixo da porta. (Hélio Fernandes, ao descrever o amanhecer do dia 1º de dezembro último, quando o jornal deixou de circular).

Coincidentemente na semana em que o país rememora os 40 anos do dia em que os militares instituíram o instrumento jurídico que mais resguardou a ditadura, o jornalista Hélio Fernandes anunciou o fechamento do jornal impresso Tribuna de Imprensa.

Foi Hélio, nas páginas diárias do matutino, quem se opôs de peito aberto, por todo o período de chumbo, às barbaridades cometidas contra as liberdades individuais e das instituições.

A entrevista que ele concedeu ao Zero Hora, dia 3,   pode servir, eternamente,  como um Réquiem à Liberdade.

***

Por que a Tribuna da Imprensa está fechando?

Helio Fernandes – Não está fechando, está deixando de circular, é diferente. A Tribuna está saindo diariamente no online. Meu artigo, minha coluna, os outros colunistas, como o Carlos Chagas, o Argemiro Ferreira, o Sebastião Nery, o Pedro do Coutto, todos eles estão no online. Na terça-feira, tivemos 118 mil acessos ao nosso jornal. A Tribuna online continua firme.

O que deixa de circular é o jornal de papel?

H.F. – Exatamente. Aliás, essa é a grande dúvida no mundo jornalístico: o jornal impresso vai resistir ao jornal da internet? No meu entendimento, o jornal impresso não vai acabar, de forma nenhuma. Ele vai é se localizar. O que é isso? Nas capitais e nas grandes cidades, ficará apenas um grande jornal. Isso já está acontecendo, de certa maneira. Para ficarmos no exemplo dos Estados Unidos, lá o The New York Times está em Nova York, o Washington Post em Washington D.C., e assim por diante. Isso não é só por causa da internet. Antigamente, as pessoas tinham quatro ou seis jornais à disposição, mas hoje não têm tempo para ler todos. Hoje, lêem um ou dois jornais e vêem mais notícias na internet.

Mas por quanto tempo a Tribuna da Imprensa de papel deixará de circular?

H.F. – É momentaneamente. Pode ser cinco dias, cinco meses, cinco anos... É momentâneo.

O senhor escreveu sobre o "imodesto" ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estaria retardando o julgamento do pedido de indenização feito pela Tribuna da Imprensa. Culpa alguém pela situação?

H.F. – Nós entramos com o pedido de indenização em 1979. Em 1982, o juiz de primeira instância dividiu a ação em duas: a líquida e a ilíquida. Ela ficou de 1982 até agora, durante 26 anos, circulando por vários e vários tribunais, sem nenhuma decisão. Nada. Então, eis que o ministro Joaquim Barbosa aceita um recurso protelatório, e está há dois anos e meio analisando ele. Disseram que critiquei violentamente o ministro. Não foi assim. Lembrei uma frase dele: "Quem esperava um negro subserviente, vai encontrar um magistrado competente". Então, deixei a alternativa para ele mesmo resolver: se vai ser um negro subserviente, recusando a indenização, ou se vai ser um magistrado competente, mandando pagar imediatamente.

O senhor espera uma indenização de R$ 10 milhões da União, em razão de perseguições durante a ditadura. O que faria com o dinheiro?

H.F. – Não, R$ 10 milhões, não. Isso foi o que a Folha de S.Paulo divulgou mentirosamente. Não tínhamos expectativa nenhuma. Não temos estimativas de quanto será.

Mas o que faria com a indenização? Investiria no jornal?

H.F. – Toda a indenização, se for paga, será usada para pagar as dívidas acumuladas pela Tribuna da Imprensa, por causa das perseguições sofridas.

Que tipo de perseguição?

H.F. – Várias. O jornal já teve 64 páginas cheias de anúncios publicitários. No entanto, o então diretor-geral da Receita Federal, Orlando Travancas, procurava os anunciantes da Tribuna para intimidá-los. Chegava a ameaçar as empresas anunciantes com auditorias. Se elas deixavam de anunciar, aí a auditoria era suspensa.

O senhor foi um dos jornalistas mais perseguidos pela ditadura...

H.F. – Não gostaria de contar a minha biografia. Mas sou o cidadão mais perseguido. Fui desterrado três vezes. Fui levado seis vezes para o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, o principal centro de interrogatório e tortura da ditadura). Fui preso várias vezes. Fui cassado em 1966, quando era candidato a deputado federal pelo MDB (embrião do PMDB). Um dia troquei cartas com o senador Pedro Simon, um político bravíssimo. Então, ele disse: "Helio, jamais conheci alguém tão oposicionista como você". O meu irmão, o Millôr Fernandes, disse uma coisa que ratifico: "Jornalista que não é de oposição é melhor que abra um supermercado".

Durante a ditadura militar, a Tribuna da Imprensa ficou 10 anos sob censura prévia. Como foi lidar com isso?

H.F. – De 1968 a 1978, foi terrível. Nós resistíamos. Muitas vezes, fazíamos uma edição meio alaranjada (morna), com algum artigo bobo, na Rua do Lavradio, a sede da Tribuna. E outra edição, esta duríssima, para valer, numa gráfica de Nova Iguaçu. Um dia, me chamaram na Polícia e reclamaram: "Os censores estão se queixando de que a Tribuna tem um restaurante, mas que o senhor não deixa eles nem tomarem um cafezinho". Então, respondi: "Olha, só dou uma cadeira para eles sentarem, para não atrasar o jornal. Mas não vou alimentar quem está querendo matar o jornal".

Como o jornal sobreviveu ao atentado a bomba de março de 1981, atribuído a grupos linha-dura da ditadura militar?

H.F. – A ditadura, já no chão praticamente, mas vingativa, destruiu toda a sede da Tribuna. Nós temos quatro prédios lá, de números 92, 94, 96 e 98, na Rua do Lavradio, onde o Carlos Lacerda fundou o jornal, em 27 de dezembro de 1949. É a rua mais antiga do Rio de Janeiro, que desemboca na Lapa, o centro boêmio. Foi tudo destruído, máquinas, prédio, tudo. Mas não entramos com ação de indenização por causa disso. A nossa ação ainda não julgada é de 1979. Poderíamos ter entrado com nova ação, mas não o fizemos. Não quisemos dar a impressão de ser exploradores de indenização.

Qual foi a reação ao atentado a bomba?

H.F. – Às 4h10min da madrugada, em frente à Tribuna em chamas, estavam o doutor Ulysses Guimarães, o Alceu Amoroso Lima, o Barbosa Lima Sobrinho, gente da maior importância. Depois, fui depor no Senado, que tinha uma CPI do Terror, presidida pelo Franco Montoro. Depus por seis horas, dando os nomes de quem tramou o atentado, tudo feito pelo SNI (Serviço Nacional de Informações).

Voltando à situação de hoje. É verdade que seu jornal estava vendendo somente 800 exemplares por dia?

H.F. – Mentira, e já respondi isso por escrito.

Mas qual é a real situação da Tribuna da Imprensa?

H.F. – Evidentemente que está endividada. Se não, não suspenderia a circulação. Mas não sei o valor, por causa de correção monetária, juros etc. Mas posso garantir que tudo que a Tribuna receber (do pedido de indenização em análise no STF) será destinado a pagamentos de dívidas.

Como é para o senhor, que começou com a velha máquina de datilografia, migrar para o jornalismo na internet?

H.F. – É a mesma coisa. Inclusive, há computadores que funcionam como a máquina de escrever.

O que o senhor pretende fazer agora?

H.F. – Estou escrevendo, trabalhando normalmente. Espero que o processo de indenização seja resolvido rapidamente, para que a Tribuna de papel volte a circular.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Fora de ordem

A história contada pelo produtor Luiz Guilherme Costa, o Luisão, retrata a boçalidade, prepotência e desprezo cultivados por alguns artistas.

O próprio Edu Lobo, ao compor “Viola Fora de Moda”, uma das obras-primas da música brasileira, desnuda o perfil de uma alma vazia.


Viola Fora de Moda
(Edu Lobo)

Moda de viola
De um cego infeliz
Podre na raiz, ah, ah

Vivo sem futuro
Num lugar escuro
E o diabo diz, ah, ah

Disso eu me encarrego
Moda de viola
Não dá luz a cego, ah, ah

Bravamente forte

A caixa d’água que abastecia a antiga sede do município de Jacundá não caiu – ao contrário de comentários. Continua lá, solitariamente enfrentando intempéries do tempo- principalmente as fortes rajadas de vento constantemente presentes no Lago de Tucuruí.

Nessa área coberta de água do Tocantins, submersos, encontram-se os escombros da antiga cidade ribeirinha.

Boletim das estradas

Cumprindo com o dever profissional, Pedro Medina, da assessoria de imprensa da Setran, resume as obras do órgão nas estradas paraenses:

- A PA-150 sofre intervenções nos trechos de Marabá / Eldorado / Xinguara, com recapeamento do asfalto, reforma de pontes, limpezas das laterais e sinalização.

- Inicio da estrada de acesso à futura escola Agrotécnica Federal de Marabá, que o governo Federal, através do INCRA, constrói na comunidade de Cabaceiras.

- Atende a população das vicinais Três Poderes e Vila Cruzeiro do Sul. Segundo a assessoria, aqueles ramais passarão a ter manutenção constante para facilitar o escoamento da produção agrícola local.

Em São Domingos, São Geraldo e Palestina, a SETRAN continua aplicando o programa Asfalto Participativo, destinando 5 km de pavimentação a cada localidade.

Recuperação concluída de 18 km da vicinal que liga a sede de São Domingos a Vila de Apinagés.

Ampliando o debate

No meio de semana, comentarista noticiou reunião de grupo de advogados que defendem trabalhadores rurais assentados nos PAs Paulo Fonteles e Vila Sanção, quando, segundo ele, “ficou definido mais uma grande ação conta a VALE”.

A reação seria conseqüência da falta de negociação da mineradora com os moradores dos dois assentamentos que serão cortados pela estrada a ser construída, ligando ao Projeto Salobo.“Os advogados têm tentado de todas as formas acesso ao documento oficial que rege as regras do convênio entre a Vale e a prefeitura de Parauapebas, para pagamentos das indenizações, laudo das terras, licenciamento ambiental para construção da estrada”, diz o comentarista.

Os moradores dos PAs acusam a Vale de não ter realizado “nenhuma audiência pública para discutir a construção da estrada”.

Na esteira do assunto, o vereador de Parauapebas, Wanterlor Bandeira, também em comentário, diz que a Vale realizou audiência do Projeto Salobo, no inicio dos anos 80, debatendo a época, o trajeto original da estrada que seria pelo Projeto N1, passando pelo Núcleo de Carajás.“Esse novo trajeto, foi amplamente discutido com o governo do município e membros das associações”, diz.

Segundo Wanterlor Bandeira, a questão requer a ampliação dos debates às comunidades de Marabá, e não restringir o tema apenas aos interesses das associações - “até porque a estrada é um bem publico e sua manutenção e conservação serão feitas com custeio de verbas publicas”.

Sem contar as alterações e o impacto socioambiental que o projeto causará aos dois municípios.

Marabá, por ser detentora da área a ser minerada; e, Parauapebas, por abrigar as bases operacionais.

Resposta rápida

Cinco assaltantes da agência do Banco do Brasil de Itupiranga, já estão presos. As operações ocorreram nesta madrugada em  Marabá, Jacundá , Castanhal e Belém, onde os fora-da-lei estavam escondidos. Segundo a polícia, cerca de mais três bandidos estão soltos.

O assalto ocorreu quarta-feira, 10, culminando com o assassinato do subgerente da instituição. 

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Limpando com sabugo

Definição redondinha da semana: 

                       -  "Um Assembléia que se acoelha para sentar a maçaranduba num reles pedófilo".


Juvencio de Arruda senta a pua na vergonhosa esquibadeira dos parlamentares paraenses em direção ao brejo. 

Lugar apropriado para quem teme o campo aberto da decência.

Helicóptero da PM cai no rio Tocantins

Agora a pouco, por volta de 15h45, um helicóptero da Polícia Militar do Estado que fazia operações de busca do bando que assaltou a agência do Banco do Brasil de Itupiranga, caiu no rio Tocantins, às proximidades da praia do Meio. Até agora não se têm conhecimento de vítimas fatais.

Dois majores e dois cabos da corporação acabam de chegar ao Hospital Regional de Marabá, removidos às pressas. Pelo telefone, funcionário do HRM adianta que um dos militares  deu entrada com fratura exposta.

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Correção:

A aeronave da PM caiu na praia do Meio por volta das 14h45, ao contrário do horário registrado no post.

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atualização às 17:10

Comentarista Ezequiel informa que os militares vítimas do acidente de helicóptero na Praia do Meio estão sendo submetidos a exames de tomografia na Clínica São Lucas. O mais grave "está apenas com suspeita  de ter machucado a bacia". Um dos PMs ocupantes da aeronave disse que ela, ao sobrevior o Tocantins,  de repente embicou, caindo em questão de segundos no rio - para sorte de todos. 

Há suspeita de falha mecânica. 

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Banzeiros da vida

Na cabine  de comando da potente locomotiva do trem de 350 vagões, dá pra contemplar a beleza do Tocantins cruzando a ponte rodoferroviária de 2.310 metros.

A montante da ponte, extenso pedrais de correntezas leves adornam a superfície do rio até a sede do município de São João.

Próximo a vila do Espírito Santo, a 800 metros da ponte – e onde deverá ser erguida a barragem da hidrelétrica da Eletronorte -, em determinada época do ano registra-se correnteza de suave magnitude, (foto abaixo)mas que não oferece nenhum perigo a quem conhece canais e o leme das embarcações.

O jogo de sedução da natureza atrai  pontos opostos, como se pode ver no louco esforço da frondosa árvore querendo beijar a água em puro êxtase.

Em tempo de ameaças

O prefeito de Itupiranga, Adécimo Gomes (PR), derrotado na eleição de outubro, mandou avisar ao prefeito eleito, Benjamin Tasca (PT), que este não sentará novamente na cadeira  da chefia municipal. Mandou avisar com todas as emoções  que um recado de ameaça à vida carrega.

Mandou avisar várias vezes.

Ontem, diante da delegada Sílvia Mara, superintendente do Sudeste de Polícia Civil, Benjamin contou o infortúnio que está vivendo, depois dos recados funestos de Adécimo. De tão apavorado com a possibilidade de ser morto, o petista declarou pretender assinar carta de renúncia do mandato, ainda a ser conferido na diplomação.

Benjamin Tasca estava acompanhado de um grupo de comerciantes e empresários, sabedores das ameaças.

Esse rio é minha rua

Informe JB, de segunda-feira, 8:

O MP Federal e o INCRA pediram à Justiça que autorize urgente a mudança de uma comunidade quilombola  em Santarém, do Pará, para uma região mais alta. Vivem numa ilhota, à beira de um rio cuja água vem subindo e engolindo plantações. Tudo por causa da erosão de barrancos.


As preocupações das autoridades são procedentes. E bem intencionadas.  

Só um detalhe.

Ribeirinho não se dá bem em lugar nenhum que não seja ali, rés, bem pertinho, rente, sentindo o cheiro da água, ouvindo o ronco do remo do jacumã empurrando canoa contra a correnteza.

Quem quiser matar um ribeirinho de banzo, basta afastá-lo do rio.

Ele prefere ser engolido pelas águas das cheias, do que virar retirante de beira de estrada.

Como aconteceu com muita gente moradora da antiga Jacundá,  às margens do Tocantins, antes da formação do Lago de Tucuruí,  removida depois pela Eletronorte para viver na atual sede do município, na PA-150.

Umas ficaram doidivanas, andando a esmo pela cidade que nem zezeu; outras morreram de tristeza.

Se for pra remover, façam para outra área ribeirinha mais segura.

Enquanto ainda há tempo

Em dois dias de operação no Lago de Tucuruí e em toda a extensão do Tocantins, até São João do Araguaia, o IBAMA já apreendeu sete quilômetros de rede fora dos padrões e mais de duas toneladas de peixes.

Os pescadores mal intencionados bem que poderiam também ser apenados quando fossem flagrados depredando espécimes no período da piracema.

Léo Bento, gerente regional, é quem está comando as operações do instituto. 

O avanço do "barbeiro"

A expansão da doença de Chagas na região Sudeste é bem mais complexa e preocupante do que expressão alguns relatórios de instituições de saúde do Pará. Pesquisadores da Fundação Casa da Cultura de Marabá, desbravando matas e todo tipo de terreno ao longo dos últimos quinze anos, tem dados reveladores da proliferação do barbeiro em áreas tropicais.

VídeoV, produtora de vídeo de Marabá, e Noé von Atzingen, presidente da FCCM, iniciam em janeiro roteiro para a produção de um documentário sobre o problema.

Acordos republicanos

Das quinze entidades com direito a voto para a escolha dos novos diretores do SEBRAE-Pará, o governo do Estado têm excelente relacionamento com nove organizações. 

Mas talvez não seja mais necessário bater chapa, dia 18.  

Cercando a fedentina

Duas boas notícias brotam da Assembléia Legislativa.

A primeira, diz respeito aos rumores dando conta de que o Ministério Público teria enviado documentos ao parlamento denunciando um deputado por pedofilia. A jornalista Franssinete Florenzano confirma: amanhã, 11, por ocasião da instalação da CPI que vai investigar a exploração sexual infantil e o tráfico de drogas no Marajó, a deputada Bernadete ten Caten , presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, fará a entrega oficial dos documentos encaminhados a ela pelo MP.

Boa hora para os deputados paraenses deixarem o corporativismo de lado, revelando, de imediato, o nome do monstrengo.

A outra boa noticia:  os deputados Carlos Bordalo (PT) e Arnaldo Jordy (PPS), presidente e relator da mesma CPI,  prometem não deixar pedra sobre pedra na apuração dos casos de violação dos direitos humanos na ilha, denúncia formulada pelo bispo da prelazia do Marajó, Dom José Luis Azcona.

Aguardemos, pois.

Boas intenções

Ex-vice-presidente estadual do PPS, Carlos Maneschy  garantiu ao deputado João Salame (PPS) que terá atenção especial com os dois campi da UFPA de Marabá, caso venha a ser nomeado reitor da instituição.

Anotemos, pois.

Comparando bem ...

Lendo no jornal que o orçamento da Assembléia Legislativa do Pará, para 2009, é de R$ 214 milhões, o blogger passou a sentir estigmas agonizantes ao acessar a mensagem da prefeitura de Marabá enviada à Câmara Municipal com o orçamento do município para o mesmo período. Está lá para quem quiser fazer o teste da farinha: R$ 299.436.224,10.

Marabá tem uma população algo em torno de R$ 260 mil habitantes.

E uma dívida social jamais vista.

Aos cálculos, por favor, do custo-benefício dessa conta aí.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Serra Pelada: contra ameaças, os fatos

Quando o economista  Luiz Lesse dos Santos foi indicado à desembargadora Maria Rita Xavier pelo procurador-geral do Estado do Pará, Ibrahim Rocha, para ocupar  a presidência da Comissão Interventora da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), um grupo do Maranhão de pseudo-líderes garimpeiros  reagiu imediatamente. Fincou pé prometendo ir à guerra. Para o público externo,  Lesse dos Santos tem parentesco com um graúdo funcionário do Ministério das Minas e Energia”, justificaram o veto

E daí?

Em poucas horas ao anúncio de Lessa, a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi tomada por uma leva de  “representantes dos garimpeiros de Serra Pelada”. À postos, no Ministério de Minas e Energia, exigiam de Edson Lobão a nomeação de outro nome para a interventoria.

Quem conhece o senador maranhense, sabe que é assim. Em pontos chaves, ele tem seus paus mandados. O script, bem conduzido, interagia com a vontade do chefe: rebelar-se contra qualquer indicação do Tribunal de Justiça do Pará que não contemplasse alguém da confiança do clã.

E foi assim, up-to-data, que Lobão trouxe à ribalta seu fiel escudeiro, o temerário coronel da reserva do Exército, Guilherme Ventura. Uma gracinha de divindade  aprovada de  imediato pelos garimpeiros maranhenses.

Em todo o país, redações de jornais passaram a ser inundadas de  press-releases com  a biografia alantejoulada do coronel.

Algumas  preciosidades anotadas pelo blogger:

  

        - “Coronel Ventura assumirá o cargo levando para Serra Pelada a fama de homem sério, disciplinador e que não transige com desordens, fraudes ou corrupção. Ele já foi secretário de Segurança Pública do Maranhão durante o governo de Edison Lobão, de quem é amigo. No cargo, comandou uma ofensiva com mãos firmes contra o crime organizado que agia em roubo de cargas, tráfico de armas, assalto a bancos e assassinatos de encomenda”.

 

        - “Como  comandante-geral da Policia Militar do Maranhão, na gestão do então governador Edison Lobão, Ventura promoveu uma verdadeira faxina com expulsões de soldados e militares de alta patente envolvidos com criminosos”. Além de ter combatido “quadrilhas, desmontado poderoso esquema de carros roubados em poder de delegados e outras autoridades ligadas aos poderes Executivo, Legislativo e do Judiciário”, enquanto esteve à frente do Detran.

Tipo aquela história de que lado são, esparrama-se; o podre, esconde-se. 

Debaixo do tapete, deixaram alguns fatos relembrados aqui neste blog, certamente provocador de preocupações e da ameaça registrada em comentário.

Melechetes de safadezas

Serra Pelada, hoje, é puro alvo da insaciável cobiça de grupos que compõem associações, cooperativas, sindicatos e uma infinidade de outros CNPJ  criados exclusivamente para a manipulação de safadezas. O ouro ainda existente ali acirra a disputa selvagem de interesses. 

Conflitos permanentes têm o condão de manipular a vida de pessoas pobres e fragilizadas, andando desnorteadas pela vila esquecida pelo poder público. Um cabo-de-guerra  com pontas diversas puxadas por garimpeiros de fato, chantagistas, aproveitadores, mineradoras multinacionais e governo, todos com interesses distintos.

Basta fazer um levantamento para constatação: a violência gerada no entorno tem suas razões nessa disputa.

Como a Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) controla o direito de exploração dos 100 hectares que compreendem boa parte da cidade e a antiga mina, é ela a quem todos os aproveitadores buscam – principalmente dirigentes das entidades satélites.  

O próprio ministro Lobão, ao longo dos anos, travou à distância disputa com o ex-prefeito de Curionópolis, Sebastião Curió, pelo controle da entidade, seja através do poder político em Brasília, ou nas figuras marcianas de seus paus mandados, no garimpo.

A consolidação territorial, de direito e de fato, se concretizará a partir de agora, com a chegada do Homem de La Mancha de Babaçuzal, coronel Ventura.

Governos medrosos

Serra Pelada, à visão humanizada da questão, com sua vila de almas penadas, é vítima da ausência dos diversos governos paraenses.

Desde seu surgimento.

Nunca, o Palácio dos Despachos teve a coragem  de se fazer presente delimitando  seu poder geopolítico. Ao contrário, fica apenas currupiando, sem tomar fôlego na dança, permitindo, com isso,  o crescimento de demandas hoje totalmente fora de controle.

Basta uma autoridade paraense ensaiar assumir gestões que digam respeito aos interesses do Estado, os ditos representantes dos garimpeiros se arvoram em magotes rumo a Brasília.  Como se o Pará fosse uma unidade distrital.

O Judiciário segue a reboque, tateando  seda em tábua com pregos arrebitados.

O exemplo agora é clarividente.

Ao homologar a indicação  do  ensandecido coronel da reserva para presidir a Comissão Interventora da Coomigasp, a desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado, Maria Rita Xavier, apequena seu próprio gesto. Pode-se até dizer que não há nenhuma prova que desabone a oficialização de Guilherme Ventura para o cargo – e que ele tem o perfil ideal para lidar em ambientes de estrebarias-, mas a biografia dele não é lenda. É formada por fatos que qualquer busca despretensiosa no Google escancara.

E quando uma autoridade da envergadura de uma desembargadora – desrespeitada em sua posição inicial ao ter o nome de Lesse dos Santos vetado pelos prepostos de Lobão – é praticamente obrigada a avalizar o reenturmamento de um figura como Ventura, desgraçadamente, o barco quebrou a quilha em pleno vendaval.

Olho de pimenteira

A ambição da escumalha fedorenta que gravita Serra Pelada é colocar as mãos  nos estimados US$ 18 milhões que a Coomigasp deverá receber da multinacional canadense Colossus, além de uma divisão da receita de 49%, pela exploração mecanizada do ouro do garimpo.

Vislumbra também controlar cerca de R$ 220 milhões relativos a  recursos da  venda das sobras de ouro, paládio e prata dos primeiros 400 lotes do garimpo de Serra Pelada.

Quer mais do que depressa controlar o gerenciamento das mensalidades pagas à Coomigasp pelos cerca de 45 mil associados. E depois, como dois e dois são quatro, usar parte do bolo no financiamento de campanhas eleitorais – preferencialmente de políticos do Maranhão. Ou aplicar expressivo percentual das contribuições na manutenção de suas milícias.

As chamadas preocupações republicanas, ou sociais, essas não existem. Nunca existiram. Surgem nos discursos apropriados para convencimento externo.

Boiada no curral

Simultaneamente à luta pelo poder político da Coomigasp, vencida pelo cansaço e idade avançada da maioria, a população de cinco mil pessoas residentes na vila de Serra Pelada está que nem bois, com a canga no pescoço.

Da imensa cava em que homens cobertos de lama buscavam ouro resta um conjunto de morros esculpidos pelo trabalho dos garimpeiros e um lago, que, pela tranqüilidade da superfície, não denuncia a trajetória de sofrimento e, como muitos ainda esperam, o provável ouro submerso.

Em Serra Pelada, a associação entre miséria e violência é mais evidente do que em qualquer outro lugar do mundo. 

Ao contrário das expectativas iniciais, longe de solucionar conflitos, o garimpo tornou-se fonte de mazelas sociais.  Os esforços tímidos dos governos em tentar reverter o quadro biafriano, são insuficientes  para resolver a gravidade do problema social.  A trágica herança do garimpo se reflete nos números levantados pela Vale.

A taxa de analfabetismo entre os moradores adultos da vila é de 25% – numa população cuja maioria tem entre 40 e 70 anos. Além disso, 48% dos homens vivem sozinhos. Num dos relatórios de  estudos realizados em Serra Pelada  por uma equipe da Faculdade de Medicina de São Paulo (USP), está escrito com todas as letras que "a ansiedade e a depressão  atingem cerca de 9% dos pacientes atendidos".

A realidade social da região transparece cotidianamente em toda parte.

No Km 16  da PA-275, na entrada da estrada que leva a Serra Pelada, é comum a presença de meninas de 11 a 13 anos, com o olhar perdido em algum ponto do horizonte. Ao ensaiar um leve bate-papo descobre-se o real motivo que os levam ao garimpo:

              -  Estou fugindo de casa, onde meus pais me espancavam, Vou “começar” minha vida.

Traduzindo:  irão se prostituir. Muitas ainda imberbes,

Sem temer a morte

As bandalheiras que regem interesses de alguns dirigentes de entidades ditas de garimpeiros, raramente são denunciadas. A ameaça endereçada anonimamente ao poster vem dessa curriola, que pressente ficar ‘desprotegida’ caso a Coomigasp lhes escape.   

Ameaça absolvida com a preocupação que toda ameaça  do gênero proporciona. Só que ela não assusta, nem desarticula o poder de reação do meu jornalismo.

Providênciasjá  foram tomadas. A secretaria de Segurança Pública se antecipou e acionou diversos setores, que prontamente entraram em contato comigo. Agora mesmo acabei de conversar longamente com a Superintendente de PC, Sílvia Mara, aqui em Marabá.

Ministério Público e Polícia Federal, também serão acionados, amanhã.

Tenho absoluta convicção, no entanto, de que nenhuma medida prática – e bem intencionada -, no âmbito das autoridades constituídas é suficiente para impedir qualquer ato criminoso contra a minha pessoa. O curso de uma bala covarde é bem mais ágil e eficiente do que ações preventivas de proteção física.

No seio de minha família, desde quando passaram a entender a extensão da atividade de risco que exerço por insistir em fazer da informação de qualidade um bem público, os temores existem, claro. Mas também existe o sentimento de que por causa desses valores que insisto em preservar na profissão, o preço por mim a pagar é bastante alto.

Já se vão mais de 30 anos de labuta. No período, meus pais, irmãos, minha mulher,  filhos, e amigos   sofremos muito com todo tipo de situação, sempre convivendo com a probabilidade de minha vida ser bloqueada na próxima esquina.

Existiram ameaças. Vez por outra, há ameaças. Estarão sempre, no dia a dia, ao meu redor, tentando frear a verdade que efervesce em minha consciência.

Nenhuma blindagem física ou psicológica  impedirá alguém de me assassinar. A desenvoltura com que agem os criminosos, é cada vez mais acintosa.

Quando a morte de Irmã Dorothy era notícia no mundo todo e autoridades federais, inclusive ministros, se deslocavam para a pequena Anapu, pistoleiros invadiram uma casa e obrigaram a sobrinha de um dirigente sindical a redigir um bilhete avisando-o de que ele seria o próximo.

Quando tropas do exército estavam na cidade, outro bilhete foi deixado sob a porta de outra liderança com novas ameaças.

Os criminosos agem assim porque se sentem seguros. A impunidade lhes passa essa tranqüilidade.

                 - “Com fé em Deus, eu não vou morrer tão cedo”.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Hienas corneteiras

No inicio desta tarde, mais precisamente às 14h12, postaram comentário ao post  Em ritmo de aventuras, com ameaças explícitas ao blogger. Envolvido numa série de externas para a produção de dois vídeos-documentários, o tempo escasso não está permitindo o acompanhamento sistemático das postagens, nem resposta atualizada a cada comentarista.  As ameaças, inclusive, foram repassadas ao poster por amigo comum através do celular, obrigando-nos  a acessar o blog no  primeiro micro disponível, para certificar-se da questão.

A seguir, reproduzimos o comentário anônimo, prometendo para logo mais à noite um posicionamento firme a respeito da molecagem.

Hirochi, por muito menos coisas pessoas já morreram por falarem mal do coronel Ventura. Essa tua campanha contra o coronel pode prejudicar a tua família, teus entes queridos e pessoas a quem tu queres bem. Serra Pelada é um local onde muita gente possuem interesses em jogo, muito dinheiro jogado fora e que precisa ser recuperado. Cada vez que tu vai para o jornal e agora neste blog falar mal dos dirigentes das associações, tu coloca um monte de gente contra tu. Não pensa que os garimpeiros não ti acompanham, porque é um ledo engano. Tudo que tu fala ou comenta na imprensa, na mesma hora chega ao conhecimento da Comigasp e de outras entidades que ti odeiam por defender o fechamento do garimpo.

Agora com a chegada do coronel Ventura venho te dizer: ele é a nossa salvação, e se tu ficar fazendo campanha contra ele, falando mal dele, repito, quem sofrerá as conseqüências é teus familiares.
Não fica querendo tirar uma de herói, babaca. A tua cama ti aguarda.

Dever de casa

Postado na sexta-feira, 5, pela lindíssima ( e bota respeito nisso) Franssinete Florenzano:

Bordalo (PT), Robgol (PTB), Josefina Carmo (PMDB), Arnaldo Jordy (PPS), Márcio Miranda (DEM), Bira Barbosa (PSDB) e Deley Santos (PV) integram a Comissão Parlamentar de Inquérito criada pela Alepa para investigar a exploração sexual infantil e o tráfico de drogas no Marajó, em parceria com a Comissão de Direitos Humanos da Casa, que é presidida por Bernadete ten Caten (PT). Os trabalhos devem iniciar pelo depoimento do bispo do Marajó, dom José Luiz Azcona, autor das denúncias, e visitas dos deputados à região.

Se mal pergunta o poster, essa CPI não deveria ouvir primeiro colega dos distintos parlamentares, supostamente envolvido em casos graves de pedofilia?

Ora, ora, vivas!

O Lago de Tucuruí, finalmente, está sendo esquadrinhado por agentes do IBAMA. Três frentes de fiscalização realizam blitz em pontos distintos das centenas de ilhas.

Pela primeira vez, Brasília liberou recursos antes do período da Piracema. Difícil agora é saber se o suficiente para cobrir todo o período do chamado Defeso.

domingo, dezembro 07, 2008

Paixão Madeleine

A primeira vez foi em 2005.

Dois anos depois e um milhão de discos vendidos após sua primeira apresentação em SP, em novembro de 2007, estava de volta.

Agora, de novo, Madeleine Peyroux se apresenta no Rio, São Paulo e Belo Horizonte.

Três oportunidades perdidas. Em nenhuma delas, apesar do cuidadoso “planejamento” da ansiosa viagem ao eixo de exibição das grandes estrelas, foi possível ver Madeleine.

Tenho pouquíssimos ídolos. Três cito de chofre: Billie Holiday , João Bosco e ela, Peyroux.

Divas do jazz existem aos montes. Mais raras são as cantoras que vivem e transmitem sua vida para sua voz, com aquela capacidade rara de nos apaixonar pela música, pela cantora, pelo próprio ato de se apaixonar.

Ao se apresentar no Jô, essa semana, não larguei pé da televisão. Precisava vê-la sempre mais linda, ouvi-la, admirá-la, babando sentado na cama tentando acompanhá-la ao violão em cada canja dada ao apresentador global.

Dois álbuns de Peyroux ("Dreamland", e o perfeito "Careless Love"), foram consumidos de cabo a cabo, nesta manhã de domingo. Indo e vindo, aqui em casa.

Madeleine é a Billie Holiday do século XXI. Mas, embora possa lembrar Holiday, ela tem seu próprio timbre e interpretação.

Na canja que deu ao Jô, Madeleine Peyroux me deixou arrepios na pele ao cantar La Javanese.

Gosto muito também de “Life is Fine”. O suingue de seu violão ovation barbariza, em perfeita sincronia com a voz inconfundível dessa belíssima mulher.

Na porta da rua

Alheia ao perigo que representa o esgoto a céu aberto correndo pela rua abandonada, a menina caminha silenciosamente dentro de uma blusinha azul e saia vermelha escura molhadas, usando sandálias havaianas.

O jeito de seu andar firme e apressado diz que ela tomava banho em algum igarapé próximo, como toda menina de sua idade gosta de fazer em cidades cercadas de águas.

Misturando imagem e som, de repente começo a cantarolar os Novos Baianos:


Vou mostrando como sou e vou sendo como posso.
Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos.
E pela lei natural dos encontros,
Eu deixo e recebo um tanto.
E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas.
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta.


De dentro do casebre suburbano, lentes atentas seguem a menina molhada de sonhos.

Do outro lado do rio

Preso na sexta-feira, 5, mais um integrante do bando que assaltou o banco de Brejo Grande. O criminoso foi localizado em Palestina.

O poster não cansa de alertar: as organizações especializadas em assaltos às instituições financeiras moram atravessando o Araguaia, no Estado do Tocantins.

Dormem tranqüilos lá, e infernizam do lado de cá, durante o dia.

Em ritmo de aventuras

O interventor da Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada, coronel Guilherme Ventura, para quem não sabe, sempre foi pau mandado da família Sarney e do senador  Edison Lobão (PMDB), de quem já foi secretário de Segurança quando o atual ministro das Minas e Energia ocupava a cadeira de governador do Maranhão. Em razão disso, a nomeação de Ventura para “pôr ordem em Serra Pelada”- conforme fez questão de repercutir o  próprio ministro -, tem fortes doses de transcendentalismo.

Resumo da biografia de Ventura:

* Acusado de tentativa de assassinato de Manoel Conceição, antigo líder de  trabalhadores rurais maranhenses;

* Em 2004, quando gerenciava em Imperatriz a Agência de Desenvolvimento Regional , nomeado por José Reinaldo, apareceu na Reserva Extrativista do Ciriaco, portando um trabuco, à procura  do então presidente da Associação  Agroextrativista do Ciriaco, conhecido por “Arão”.

* Acusado de ter acertado um tiro em um vereador de Imperatriz.

* Quando dirigia o Sindicato Rural de Imperatriz envolveu-se em mais confusões – de repercussão nacional -, ao tentar tirar da cadeia uma organização criminosa que comandava roubos de caminhões e contratava pistoleiros para matar desafetos. Muita gente graúda foi pro xilindró. Ventura operava para tentar salvar a carreira política de Edison Lobão, amigo pessoal de todos os envolvidos.

* A prepotência do coronel foi conhecida também numa sala de aula de uma escola de ensino Fundamental de Imperatriz, quando ele intercedeu pela expulsão de uma estudante pobre que ousou peitar a diretora que cobrava  R$ 0,15 de cada aluno  prova xerocopiada.

* Secretário de Segurança Pública, Guilherme Ventura tornou-se “famoso” no Maranhão por ter operado ações de execução sumária da bandidagem. A lenda conta que a violência teria praticamente deixado de existir em muitos municípios onde a extinção pura e simples de ladrões e criminosos, pelo Estado, ocorria à luz do dia.

Nota do blog:  Analisando o “histórico” do militar reformado, e pensando bem, coronel Guilherme Ventura está indo para o lugar certo.

Lambendo luzes

Com 14,6 megapixeis efetivos,   a K20D da Pentax está me deixando entusiasmado com seus resultados. Sem risco de deterioração de imagem, já cheguei aumentar sua sensibilidade em até 6400 ISS. Cada dia mais forço a barra, tirando  partido da objetiva.

Nesta foto, num ponto qualquer da cidade, um amontoado de árvores bastou para  fazer contraponto à claridade dourada do sol em retirada.

Na hora do crepúsculo, luzes irradiadas da natureza nunca são iguais em qualquer cidade.

Mexe daqui, mexe dali, à direita,  esquerda, a busca do plano ideal para o ajuste automático.

Bem longe, lá longe, trago o sol até minhas mãos. A Pentax o beija, quase que silenciosamente.

Clic.

Uma bola embranquecida, com fundo amarelado, penetrando entre folhas e galhos da flora difusa.

Questão de obveidades

Chupando do Flanar, o poster pede permissão a Francisco Rocha Junior para reproduzir o oportuno post  Dizendo o óbvio:

Volta e meia, leio donos de blogs reclamando de anônimos. Falam de gente que, discordando da opinião dos posters, xinga, bate, atormenta uns, inferniza outros, chateia terceiros, dependendo da suscetibilidade do blogueiro.

O problema, porém, não é o anonimato. Se alguém quer se manifestar sem se identificar, que o faça. O que torna a questão digna de nota são aqueles comentaristas apócrifos que não têm argumentos e, limitados pela mente nublada por um rancor incompreensível, desatam a admoestar quem muitas vezes sequer conhecem.

Volta e meia isto acontece. De minha parte, nunca julguei importante fazer considerações a respeito. A solução é, como disse outro dia a um amigo, deletar o comentário inconveniente ou, quando mais aborrecido, devolver o despautério com um simples envio à merda e esquecer o assunto. Levar adiante a discussão, como crianças que xingam a mãe um do outro, nunca.

No entanto, esta atitude desmerece a necessidade de um esclarecimento, que deveria ser (e, em absoluta maioria, por todos os que nos visitam, é) óbvia: há blogs - e este é um deles - de opinião. Opinião é, segundo o Aurélio, o juízo que alguém tem de algo. É de caráter pessoal. Pode ser mainstream ou não, mas é sempre conjugado por pensamentos individuais, unidos ou isolados.

Isto deve ser sempre compreendido: opinião é o que se faz aqui. Não está em jogo dizer ou não a última verdade. Mas, como todos neste blog são adultos, responsáveis por seus atos e, graças a Deus, partícipes da pequena camada da população brasileira que tem acesso a informação, cultura e, no mínimo, três refeições por dia, têm, definitivamente, opinião e por elas respondem. Não adianta raivinha. Simples assim


Na deixa  do Chico, a partir de agora, excluindo os esclarecimentos a quem verdadeiramente os mereçam, o blog decreta sumariamente à lixeira os anônimos indesejáveis.

E ponto final.

Bisturi a laser

O descarrilamento de Josenir Nascimento da Funasa foi rápido e indolor. Uma cirurgia finíssima realizada pelo deputado potiguar Henique Alves (PMDB), com apoio de Renan Calheiros, na pressão exercida pelos peemedebistas  para tirar do cargo o ministro José Temporão.

Cirurgias emergenciais tão bem processadas pela alta cúpula do PMDB, em Brasília.