sábado, maio 08, 2010

Advogada repele Adnan

Advogada Ana da Silva Melo envia comentário a propósito do post  Mais um factóide do Adnan:


A perseguição política e pessoal por parte do prefeito de Paragominas ao senhor Paulo Leite vem de longe data. E se prova através de calunia e difamação perpetrada por parte do senhor prefeito e de conseqüente processo de indenização por danos morais, que o senhor Paulo Leite da Silva este autor promove contra o prefeito, em tramite na 1ª Vara Civil de Paragominas, processo n. 2009.1.002457-6, ajuizada em 22/10/2009.

O município de Paragominas reitera acusação caluniosa e mentirosa de que o senhor Paulo Leite praticou crime ambiental, todavia o senhor Paulo Leite nunca praticou crime ambiental, sequer possui qualquer infração ambiental no IBAMA, conforme certidão daquele instituto.

A sua empresa nunca trabalhou na clandestinidade, porque possui Licença de Operação válida até 2012, conforme documento que pode ser consultado no site da sema: www.sema.pa.gov.br.

Porém, a grande mentira contada pelo senhor Prefeito era que o senhor Paulo Leite não detinha a CERTIFICAÇÃO DO GEORREFERENCIAMENTO PELO INCRA, portanto estaria em desconformidade com a legislação ambiental. Tal fato é inverídico e calunioso, posto somente para induzir a opinião pública a erro, e justificar a sua vingança pessoal.

O senhor Paulo Leite possui a certificação do INCRA das suas duas fazendas: a) a certificação da Fazenda Santa Clara foi expedida em 14 de abril de 2009, e recebeu o n. 010904000001-06; b) a certificação da Fazenda Monte Sinai foi expedida em 23 de abril de 2009, e recebeu o n. 010904000002-89, conforme pode ser consultado por qualquer cidadão no site do INCRA: www.incra.gov.br.

Outra mentira contada pelo Prefeito é que o senhor Paulo Leite queria desenvolver atividade de carvoaria na área, quando na realidade a atividade a ser desenvolvida é a bovinocultura, conforme atesta a Licença de Atividade Rural – LAR, e do projeto que foi apresentada à Secretaria Estadual de Meio Ambiente.

Os estudos ambientais, projetos de viabilidade ambiental, laudos técnicos, análises e vistorias, enfim todos foram unanimes em afirmar que a atividade econômica do senhor Paulo José Leite da Silva estão em conformidade técnica e jurídica com as normas ambientais, logo é plenamente legal a concessão da licencia de atividade rural – LAR para manejo de animais (pecuária), emitida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente - SEMA.

A atividade do senhor Paulo Leite tem respaldo no Código Florestal, pois o citado senhor promove a preservação da Área de Preservação Permanente (APP), estabelecida nas hipóteses taxativas do art. 2º e 3º, do Código Florestal, com definição legal inserida no inciso II, § 2º, do art. 1º; garante a conservação da Área de Reserva Florestal Legal (RL), estabelecida de forma diferenciada dependendo da região do país, na forma do art. 16, e conceituada no art. 1º, inciso III, e que na Amazônia Legal é de 80% das Fazendas do citado senhor; E área de uso alternativo do solo (AUAS), permitida a sua utilização e exploração econômica livremente, desde que respeitado os limites do art. 16 e com definição no art. 10, § 1º do Decreto Federal n. 5.975, de 30 de novembro de 2006, portanto 20% de uso e exploração livre na forma da legislação vigente.

Logo, o senhor Paulo Leite promove à sua custa a preservação das áreas de preservação permanente e da conservação quota máxima da reserva florestal legal permitida por lei, sendo que o restante poderá ser suprimido para o desenvolvimento de outras atividades econômicas, na forma do art. 16, caput do Código Florestal.

É liquido e certo o direito do senhor Paulo Leite na forma do caput do artigo 16 do Código Florestal que tem o ônus de manter a reserva legal de 80% e constitui em favor do proprietário um direito subjetivo ao uso do solo, isto é, o proprietário tem direito subjetivo à destinar o espaço restante à produção de outras atividades econômicas licitas (desde que respeitado a quota da reserva florestal legal e APP), e logo direito subjetivo à supressão vegetal (a técnica legal emprega o conceito de uso alternativo do solo – UAS) para implantação do empreendimento econômico, que não é e nunca será desmatamento ilegal, mas uso legalmente permitido pela lei federal vigente.

O Estado do Pará ao reconhecer o direito do senhor Paulo Leite nada mais fez do que garantir o estado democrático de direito ao implementar administrativamente aquilo que inevitavelmente seria liquidamente assegurado em sentença, pois o requerente tem direito liquido e certo em utilizar-se de sua propriedade na forma da lei, sendo que o direito do proprietário é liquido e respaldado em decisão do Supremo Tribunal Federal, pois a “proteção jurídica dispensada às coberturas vegetais que revestem as propriedades imobiliárias não impede que os titulares destas venham a promover, dentro dos limites autorizados pelo próprio Código Florestal, o adequado e racional aproveitamento econômico das árvores nelas existentes” (RE 134.297-8, SP – Rel. Min. Celso de Mello – DJ 22.09.95, p. 685).

Ademais, como já se disse todos os pareceres da Secretaria do Meio Ambiente foram favoráveis ao requerente e este possui a Certificação do Georreferenciamento expedida pelo INCRA, ao contrário do que afirma mentirosamente a Municipalidade, cumprindo assim um requisito essencial para obter a LAR e a Autorização para uso alternativo do solo, descrito no Decreto Federal nº 6.321/2007, em seu art. 6º, e Decreto Federal n. 5975/2006.

Portanto, não há nada nos processos administrativos de interesse do senhor Paulo Leite junto à SEMA que esteja errado ou algum dos requisitos que esteja faltando cumprir. O requerente está totalmente dentro da lei e das exigências da SEMA, por isso o reconhecimento do direito do proprietário foi formalmente avalizado pela SEMA, que através de seu Secretário, expressamente confessou que o procedimento de licenciamento ambiental atende a todos os requisitos legais aplicáveis à espécie.

O direito liquido e certo do senhor Paulo Leite não foi em nenhum momento negado ou contrariado por ninguém (inclusive pelo próprio Município de Paragominas), visto que é inegável e patente o direito do proprietário à livre iniciativa e à proteção da propriedade (CF/88, artigos 1º, IV, 5º, XXII, 170, II; Código Civil, art. 1.228; Código Florestal, Lei Federal n. 4.771/65, artigos 16; Decreto Federal n. 5.975/2006, artigo 10), que permite o livre uso do solo para o desenvolvimento de atividades econômicas legais, desde que faça a preservação da área de preservação permanente e a conservação da reserva florestal legal de 80%.

Portanto, a sentença que homologou o reconhecimento do direito do senhor Paulo Leite somente veio antecipar aquilo que naturalmente seria concedido em sentença, e o que é pior, com custas e honorários, e possivelmente ação de responsabilidade civil com danos emergentes e lucros cessantes diante da inércia do estado em conceder a licença de atividade licita a qual o requerente tem direito liquido e certo.

A sentença transitou livremente em julgado, pois não cabe mais nenhum recurso ou incidente, e como foi extinto o processo com julgamento de mérito da qual não cabe mais recurso, ficou prejudicado qualquer ação ou ato do Município de Paragominas no sentido de frustrar a execução da coisa julgada que é cláusula pétrea da Constituição Federal (Art. 5º, inciso XXVI).

Qualquer ato administrativo tendente a retirar os efeitos próprios da coisa julgada será inócuo e sem efeito, pois é inconstitucional e ilegal, e caracterizaria crime de responsabilidade, improbidade administrativa, abuso de poder político e desvio de finalidade. O Senhor Prefeito precisa respeita o Estado democrático de direito, pois paga-se um preço por viver em uma democracia, e que o respeito aos direito do senhor Paulo Leite e às sentenças judiciais fazem parte da expressa promessa do senhor Prefeito em cumprir a Constituição e a lei.

A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e a Procuradoria Geral, ou seja, o Estado do Pará apenas garantiu que a Constituição e a Lei Federal fossem cumpridos ao reconhecer o direito do senhor Paulo Leite ao desenvolvimento das atividades econômicas licitas e devidamente licenciadas ambientalmente, fazendo jus ao lema da Governadora do Estado do Pará que vivemos em uma terra de direitos, e que cabe ao Estado a integral proteção dos direitos e garantias fundamentais dos seus cidadãos.

Atenciosamente

Ana da Silva Melo

Advogada

OAB – PA 13.689

Para quem quer ganhar dinheiro

Uma dica para quem quer fazer investimento ou busca área para implantar algum empreendimento, em Marabá.

Em área nobríssima, disponibilizada a venda de terreno de 6.000 m2, bairro da Nova Marabá, com titulo definitivo registrado em cartorio.

Área ideal para construção de predios residenciais com vista para o rio tocantins.

Contato: Franderlan

(094) 8802. 0903

A maconha de Serra Pelada

A Polícia Federal precisa circular nos arredores da área rural do entorno de Serra Pelada.

Desde muitos anos, sabe-se prospera ali  plantios de maconha com uso de tecnologia avançada.

O produto plantado em SP é considerado um dos mais valorizados do país, já que a planta evolui sem o acúmulo de sementes em sua colheita.

Todo mundo em Serra Pelada sabe desse barato.

A Polícia Federal, não?

Telecentro de Xinguara

No aniversário do município, 13 de maio, Xinguara ganhará seu Telecentro de Informação e Negócio, composto por um Conselho Gestor, pactuado com as entidades produtivas locais, sindicatos, cooperativas e prefeitura municipal.
Telecentro oferecerá acesso à internet, com ações voltadas ao empreendedorismo, e serviços de e-gov. em ambiente dedicado a promover inserção das microempresas e empresas de pequeno porte.

Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), responsável pela coordenação do programa Navegapará, e SEFA atuarão em conjunto com apoio do PRODEPA.

Choque de interesses

As relações de João Salame(PPS) com Tião Miranda (PTB) estão estremecidas.

A precandidatura a deputado estadual do ex-prefeito de Marabá é a razão do vira-a-cara-pra-lá.

O afastamento de Salame do contato freqüente com Miranda ocorreu a partir de uma conversa, olho no olho, do ex-superintendente do SEBRAE com o atual deputado estadual do PPS, quando este tentava convencer aquele a disputar uma vaga à Câmara Federal, em dobradinha com ele.

Tião foi categórico ao retirar qualquer possibilidade de optar por uma candidatura a cargo federal.

Na conta de Miranda, segundo informante, ele parte de um parâmetro simples e lógico para fugir da fratricida luta pela disputa das duas prováveis vagas a serem conquistadas pelo PTB à Câmara Federal.

Uma delas tem dono: Josué Bengson.

Marabá deverá ter 125 mil votos válidos, em outubro.

O ex-prefeito de Marabá parte do pressuposto de que 25% da população votante estará ao lado dele, baseado em pesquisas e nos resultados das recentes eleições em que ele foi avaliado

Com mais um R$ 1 milhão no bolso, que ele tem, Miranda pode sair eleito de Marabá, ajudando ainda o partido a puxar mais uns dois deputados estaduais.

A situação de João Salame é que ficaria complicada.

Talvez isso tenha deixado o deputado estadual pôrraqui com seu ex-aliado.

Meninos, Sandy está linda!

Poster acabou de assistir a reentrada ao mundo artístico de Sandy Leah.

No Caldeirão do Huck, emocionada e feliz, a bela menina fez sua primeira apresentação na TV em carreira solo, tocando ao vivo “Pés Cansados”,  primeiro single do álbum Manuscrito, e sentou-se ao piano para tocar e cantar "Tempo", de sua autoria.

Nos últimos 20 anos, a música brasileira não revelava artista tão talentosa.

Sandy descobriu a tempo a necessidade de seguir seu próprio rumo, desvinculando-se artisticamente do irmão Junior, cuja visão enviesada de gostos e tendências musicais deve ter contribuído, felizmente, para o fim da dupla de filhos de Xororó.

Sandy tem luz própria, além de ser dona de uma das vozes mais afinadas do mundo.

Tudo mudou no estilo solo de Sandy.

O casamento está lhe fazendo muito bem.

No programa do boa praça Huck, a cantora revelou uma banda pronta para arrasar, de cinco músicos.

Em apenas duas músicas interpretadas pela cantora, seus músicos revelaram estrondoso talento.

Não tenham dúvidas, Sandy parte agora para conquistar o mundo.

Novinha ainda,  Leah tem tudo para superar todos os recordes de vendagem.

O tempo dirá.

quinta-feira, maio 06, 2010

Lula no Pará

Neste momento, o presidente Lula recebe oito dos 11 prefeitos da região do Xingu e Transamazônica que lhe entregaram um documento de apoio a Belo Monte.

Quem falou foi o prefeito Francisco Souza, de Anapu.

A governadora Ana Júlia defendeu também a hidrelétrica e reivindicou que parte da energia da futura usina fique no Pará.

Lula disse que o lago da barragem foi reduzido para um terço do que foi projetado há mais de 30 anos. Arrancou aplausos  quando que o diretor do filme "Avatar", James Cameron, em vez de se preocupar com a Amazonas, deveria ajudar o presidente Obama para retirar o óleo do oceano.

segunda-feira, maio 03, 2010

O nostálgico FHC

Economista Leandro Paterniani  dá um oportuno chega-pra-lá em Fernando Henrique Cardoso, a propósito de outro artigo assinado por ele, nos jornalões de domingo.

É bom o que diz o rapaz.

O ex-ministro Mário Henrique Simonsen, em um dos seus inúmeros textos acadêmicos, advertiu certa vez sobre o risco inerente ao papel de crítico: para Simonsen, a crítica deve seguir uma linha coerente já que “é tarefa do sábio e tão igualmente do idiota”. Partindo dessa consideração, passemos a analisar mais de perto a postura assumida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, após ficar um bom tempo longe dos holofotes, voltou à cena em janeiro deste ano, dirigindo ao governo Lula e ao PT uma variedade de críticas, a esmagadora maioria delas construídas sob alicerces frágeis.

Verdade é que FHC se aproveita de sua erudição e, valendo-se de um sistema de jogos de palavras, cria conceitos, cita filósofos e emite juízos de valor do alto de sua torre de marfim: é o suficiente para que os mais desavisados – ou intelectualmente desonestos – passem a repetir as palavras do ex-sociólogo, sem tomar o mínimo cuidado de checar os alicerces sobre os quais elas são construídas. Neste domingo, 2 de maio, o ex-presidente novamente deu o ar da graça e publicou no Estadão um artigo intitulado “Construir sem demagogia”.

Uma coisa temos que admitir: FHC, ao contrário de seus seguidores menos letrados, se esforça para politizar o debate, o que é bom para a democracia brasileira, pois evidencia o papel assumido por cada um no jogo político. Mas é também natural esperar que seja essa a postura adotada pelo ex-presidente, visto que o que ele faz nada mais é do que uma defesa política do projeto que ele, quando governo, implantou no país. Talvez seus seguidores não façam essa defesa com tamanha veemência por não quererem correr o risco eleitoral de serem rotulados como “continuidade de FHC”. Como FHC não pode negar sua própria identidade – e DNA político – cabe a ele advogar em defesa própria.

A instrumentalização errada do Plano Real

No artigo deste domingo, FHC parte de uma avaliação correta: “época de campanha eleitoral é propícia à demagogia”. Contudo, o estilo vaidoso do ex-sociólogo lhe prega aqui uma peça: procurando apontar uma suposta demagogia nos discursos do presidente Lula e do PT, FHC fala de si mesmo ao longo de todo o artigo, exercitando a tal “demagogia” que ele procura incansavelmente no atual governo. Afinal de contas, o que o ex-presidente quer fazer acreditar é que os êxitos alcançados no governo Lula foram herança do período em que ele – FHC – estava à frente da Presidência.

Para isso, o ex-sociólogo lança mão de uma análise superficial sobre o Plano Real: “os mais destacados economistas do PT daquela época, Maria da Conceição Tavares, Paul Singer e Aloizio Mercadante, martelaram a tecla de que se tratava de jogada eleitoreira. Não quiseram ver que se tratava de um esforço sério de reconstrução nacional, que aproveitou uma oportunidade de ouro para inovar práticas de gestão pública e dar outro rumo ao País”. Aqui FHC não esclarece que os economistas do PT dirigiam suas críticas não ao Plano Real em sua essência,mas sim à instrumentalização do plano.

Faz-se necessário esclarecer ao leitor algumas coisas. Primeiramente, o Plano Real não foi uma invenção de FHC: o Real e o Cruzado tiveram uma mesma base teórica, que foi a Proposta Larida,de 1982, feita a partir da tese de pós-doutorado de Pérsio Arida no MIT (Massachussets Institute of Technology), nos Estados Unidos. Contudo, o Cruzado pecou em dois aspectos: o primeiro deles em não criar uma unidade monetária de transição (como feito posteriormente no governo Itamar, com FHC no Ministério da Fazenda); e o segundo, criar um mecanismo de gatilho salarial, que serviu para retroalimentar a inflação no país.

Devemos esclarecer também que o Real foi instrumentalizado utilizando-se a política cambial para conter a inflação: instituiu-se a paridade, fixando-se o câmbio como forma de assegurar o controle de preços. E aqui neste ponto estavam as críticas dos economistas, já que os efeitos dessa medida artificial poderiam ser desastrosos para a economia (como quase foram, de fato). A política de câmbio fixo segurou a inflação? De fato, enquanto o governo conseguiu controlar a paridade cambial, a inflação se manteve sob controle. Mas houve um momento em que o governo não conseguiu mais conter o câmbio.

E o que aconteceu então? Houve a maxidesvalorização do real frente ao dólar, em janeiro de 1999, como previsto por muitos economistas cinco anos antes. Nesse momento, FHC se viu obrigado a adotar o câmbio flutuante e passar a adotar o instrumento correto – e que deveria ter sido usado desde o início do real – a Política Monetária. Como a inflação aqui já estava extremamente elevada, a equipe econômica se viu obrigada a iniciar um ciclo de aperto monetário – foi o período em que o Brasil teve inflação alta, juros altos, arrocho salarial e desemprego.

E o que FHC não diz no seu artigo é que esse ciclo só foi revertido em 2003, no governo Lula. Graças à equipe econômica de Lula – que tinha, na época, como protagonistas o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci e o presidente do Banco Central Henrique Meirelles – o Brasil conseguiu reduzir a inflação, trazendo-a de volta à casa de um dígito. Não foi, portanto, a política econômica de FHC – baseada na artificialidade cambial – que reduziu definitivamente a inflação no Brasil, mas sim a política econômica de Lula, baseada na política monetária.

A demagogia de FHC sobre as políticas sociais

O ex-presidente também procura, no seu artigo, tomar para si a paternidade de políticas sociais importantes implantadas no governo Lula: “na área social o tripé correspondente ao da área econômica se compõe de: aumentos reais do salário mínimo, desde 1993; implementação a partir de 1997 das regras ditadas pela Lei Orgânica de Assistência Social, atribuindo uma pensão aos idosos e às pessoas com deficiências físicas de famílias pobres; e, por fim, bolsas que, com nomes variáveis, vêm sendo utilizadas com êxito desde o ano 2000. Esses programas, independentemente de que governo os tenha iniciado ou melhorado, tiveram o apoio de todos os partidos e da sociedade”.

Neste ponto, temos que tentar entender se FHC age de má fé intelectual ou se ele de fato não sabe a diferença entre projetos sociais e políticas sociais. Sim, pois ao tentar reduzir o debate à paternidade de “bolsas”, o ex-presidente mostra que ou não entende nada de políticas sociais ou está utilizando o discurso demagógico que serviu como mote ao ser artigo deste domingo. A questão não é quem criou essa ou aquela bolsa, mas qual o conceito político por trás disso: as “bolsas” do governo FHC se resumiam a “projetos” de compensação social e não políticas sociais propriamente ditas.

O ex-presidente, tendo formação em Sociologia, deveria saber que as políticas compensatórias são apenas um aspecto das políticas sociais. Política pública de inclusão social é algo muito mais amplo: uma política social é considerada eficaz à medida que ela se sustenta em critérios que levam o beneficiário do programa a criar condições para sua auto-suficiência dentro de um determinado período de tempo. Neste ponto, existem três níveis de políticas sociais: as políticas redistributivas, as políticas emancipatórias e as políticas de desenvolvimento regional.

As “bolsas” de FHC se restringiam a políticas redistributivas e, ainda assim, com uma amplitude bem baixa. O Bolsa Família, criado no governo Lula, engloba em seu conceito esses três níveis de políticas sociais: ele redistribui renda, possui critérios que levam o beneficiário a ter meios de auto-suficiência dentro de um período de 2 a 3 anos e também lança as bases para o desenvolvimento de regiões anteriormente inóspitas. Ou seja: enquanto FHC fez assistencialismo, Lula fez política social de verdade! Essa é a diferença crucial entre o Bolsa Família de Lula e as “bolsas” de FHC.

O mais do mesmo de FHC

E, por fim, o ex-presidente não resiste e cai no seu discurso predileto: a defesa do Estado Mínimo. “Se esse passo for dado, o debate eleitoral poderá se concentrar no que realmente conta: a preparação do País para enfrentar o mundo atual, que é da inovação e do conhecimento. As diferenças entre os contendores recairão sobre a verdadeira questão: Queremos um capitalismo no qual o Estado é ingerente, com uma burocracia permeada por influências partidárias e mais sujeita à corrupção, ou preferimos um capitalismo no qual o papel do Estado permanecerá básico, mas valorizará a liberdade empresarial, o controle público das decisões e a capacidade de gestão?”, escreve FHC, voltando a cunhar uma expressão que tem sido muito recorrente em seu discurso: “capitalismo de Estado”.

A crítica ao tal “capitalismo de Estado” – termo empregado por FHC para se referir à maior participação estatal na economia durante o governo Lula – é uma crítica aos próprios avanços obtidos pelo projeto de governo do PT e de Lula. Deve-se perceber que o Brasil saiu praticamente ileso da grande crise do capitalismo mundial graças sobretudo à um Estado atuante, de maior participação na economia. E o ex-sociólogo não gosta disso: ele defende um Estado que ele próprio denomina de “básico”. O que é o Estado “básico” senão um “Estado Mínimo” com roupagem nova? A embalagem pode ser outra, mas o conteúdo é o mesmo e todos os brasileiros conhecem os efeitos desastrosos desse conteúdo.

Como dito no início deste texto, é natural que o ex-presidente faça uma defesa política do seu governo: mas seria minimamente interessante que FHC não cedesse ao discurso demagógico que ele tanto critica e tratasse as questões políticas nacionais com a seriedade que elas merecem. Afinal de contas, cada vez mais o ex-presidente, que coleciona obras e títulos acadêmicos, se afasta do papel de sábio e se aproxima do papel de idiota.

domingo, maio 02, 2010

Um canto para Os Brasas

Em 1º de maio, se ainda existisse, a banda “Os Brasas 6” completaria 38 anos.
Tomei conhecimento desse fato lendo o Correio do Tocantins, edição de sábado, cuja versão digital ainda não se encontrava online até a redação deste texto.

A data foi lembrada pelo pernambucano mais paraense dos paraenses, o músico Valvilson Santos, que pisou Marabá em 1972, nunca mais retornando À sua querida Bezerros, cidade a 100 km de Recife.

Formada pelos músicos João (contrabaixo), Bentinho (solo), Valvilson (base), Luiz (bateria), Divino (teclado) e Zezinho (saxofone), Os Brasas marcou época por ter revolucionado os eventos em cidades do Pará, Maranhão e Goiás.

Eu, particularmente, ao ser tocado pela entrevista do “Negão”, como carinhosamente até hoje chamo Valvilson, fui arremessado ao tempo. E fiquei emocionado.

Fiz parte da banda, como espécie de free-lance, constituindo seu sétimo elemento em algumas apresentações, também fazendo base e voz.

Não apenas integrei o conjunto musical.

Fiz parte da família “Brasas”, morando sob mesmo teto na república da banda localizada na travessa Santa Terezinha, bem próximo do Pinguim, casa noturna montada pelos integrantes do sexteto que se transformou no ponto de encontro da sociedade de Marabá por um bom longo tempo.

Era tudo de bom.

Fase maravilhosamente dourada da banda e da juventude marabaense.

Valvilson era o líder do grupo.

João, um dos mais completos músicos que conheci, a referência musical de todos pelo suingue que conseguia imprimir em seu contrabaixo.

Bentinho, irmão de João, belíssimo solista.

Divino, Zezinho  e Luiz, peças fundamentais na estrutura coesa do grupo.

Ao relembrar fatos vividos no dia a dia do grupo, constato o quanto os caras estavam à frente de seu tempo.

Os Brasas era uma verdadeira suruba de influências. Basicamente apoiando-se no rock pop de grandes bandas da época, sem abrir mão das influencias nordestinas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês.

Tocando Rolling Stones Beatles, Bossa Nova, grandes nomes da época da MPB, xaxado, baião, xote, bolero, os geniais meninos vagavam também até pelo folk.

Quando decidiam traduzir cover de alguns hits da época, davam banho.

Recordo de uma apresentação num clube social chique de Imperatriz quando a banda começou a fazer “Tell Me Once Again”, do Light Reflections , formou-se frisson em todo o salão lotado.

O público não acreditava na interpretação ao vivo da canção, suspeitando tratar-se de execução em playback (*).

O palco foi cercado rapidamente.

De cima, a gente não entendia a razão de tanto burburinho de pessoas aproximando-se do palco, com olhares de incredulidade.

De um ponto qualquer do salão, o presidente do clube fez sinal para que parássemos de tocar a canção. Assim feito, o rapaz subiu ao palco e cochichou  próximo ao ouvido de Valvilson.

Ao terminar de ouvir  o dirigente, “Negão” deu uma sonora risada e dirigiu-se ao microfone, dizimando dúvidas.
     
- Somos nós, sim, quem tocamos a música. Aqui não se usa playback. Vamos tocar de novo “Tell Me Once Again”, parando e repetino, pra vocês verem que somos reais.
E assim fizemos, parando a interpretação varias vezes, e repetindo-a em seguida.

O clube quase foi abaixo, enriquecido por aplausos.

Depois dessa apresentação, Os Brasas recebia quase todo mês proposta para se apresentar em Imperatriz, até surgir um dia convite do prefeito local para os meninos migrar de moradia, deixando Marabá pela bela cidade maranhense.

Claro, permaneceram no Pará.

E isso ocorria em quase todas as apresentações do sexteto, em outras cidades.

Valvilson, João e Bentinho tinham um jeito peculiar de mandar sinais, em cima do palco. Um simples olhar de um deles, descrevia alguma cena interessante no meio da platéia.

Lembro de um lance de João, num baile se não me engano em São João do Araguaia.

De repente, uma mulher trajando sensual vestido vermelho cujo decote chamava a atenção aventurou-se atravessar o salão ainda pouco freqüentado por dançantes, naquele instante.

A cena foi alertada sutilmente por João, ao “puxar” em seu magnífico contrabaixo, fora do repertório, a música You Can Live Your Hat On,   de Joe Cocker, sempre usada em desfiles e em casas de streap - tease .

A gente ria desesperadamente. Ria.

Ninguém fazia nada sem consultar Valvilson, líder do grupo.

Contador de causos, conhecedor profundo da música brasileira, Negão simbolizava todo equilíbrio do grupo.

A maioria casados, os integrantes da banda vez em quando entravam em conflito.

Nesse momento, a voz amiga de Valvilson colocava ordem na casa.

Fico imaginando como seria hoje a performance do Brasas 6, aparelhados pela evolução das ferramentas disponibilizadas: MP3, som digital, equipamentos sonoros tecnologicamente revolucionários, enfim, os caras seriam sucesso nacional.

Naquele tempo, havia projeto de gravação do primeiro LP.

João e Valvilson falavam desse projeto, trabalhavam  em arrecadar capital de giro para deslocar a banda pras regiões do Sul do país em busca de uma oportunidade.

Quando me afastei da banda, viajando para o Rio de Janeiro, saí com a convicção de que em curto tempo os Brasas estouraria nacionalmente.

A morte por afogamento de João, em Tucuruí, numa de suas apaixonadas manias de pescar no Tocantins, deve ter levado à “morte” os sonhos dos meninos grandes.

Tanto levou que a banda esfacelou-se, cada um buscando sobreviver distante um do outro.

Saudades dos Brasas.

Inda bem, pelo menos dois de seus integrantes, ainda residem em Marabá, e aqui permenecerão ate o final de suas vidas: Valvilson e Bentinho.
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*Palavra inglesa utilizada para descrever o processo de sonorização que utiliza gravação prévia de trilha sonora
Valvilson e eu, em foto de tempos atrás.