sábado, novembro 14, 2009

Dinamite e Vasco, grandes campeões

Sou flamenguista, apaixonadamente vermelho e preto. Daqueles de sofrer a cada jogo, perdendo ou ganhando humor dependendo do resultado da partida.

Flamenguista apaixonadamente rubro-negro, jamais admite qualquer time adversário empatar ou vencer partidas contra o mais-querido, muito menos fazer loas ao sucesso da equipe rival.

Mas o retorno do Vasco à Série Especial, na visão do poster, tem uma especial performance a merecer aplausos: a atuação de Roberto Dinamite como presidente do Clube.

Remanescente de uma geração que não conseguiu títulos mundiais pela Seleção, ao lado de Zico e Cia., Roberto é um poço de  dignidade, bom caráter, honestidade e  simboliza um período de lutas corajosas contra uma das proeminências desonestas de nosso futebol.

Somente ele teve a coragem de encarar e derrotar Eurico Miranda, como se estivesse ainda  nas redondezas da grande área marcando   maravilhosos gol.

Raríssimos atacantes de renomes mundiais conheciam tão bem aquele setor, como Roberto.

Na presidência do Vasco, depois de um início de gestão atabalhoada, Dinamite acertou o passo.

E o Vasco, o caminho dos gols que o levaram , merecidamente, de volta à Primeira Divisão - de onde jamais deveria ter saído.

Cozinha paraense arrasa

Thiago Ney, enviado especial a Belém pela Folha de São Paulo para descrever a cozinha do Pará, conta no Sul do país como nossos sabores únicos nos arremetem, referencialmente, ao Brasil antigo.


O texto de Thiago:



Molhada, a carne desfia apenas com a aproximação do garfo. Está amparada (mais) por um saboroso caldo amarelo e (menos) por uma erva de sabor anestesiante. Se você, como eu, sempre achou que peru é uma ave de carne invariavelmente seca, precisa urgentemente provar o peru no tucupi.


Peru pode ser encontrado em qualquer lugar. Já o tucupi (o caldo amarelo) e o jambu (a erva anestesiante) são menos comuns -esse caldo de origem indígena, derivado da mandioca, é uma das peças de resistência da culinária paraense, que, até que enfim!, está recebendo a devida reverência nas cozinhas do Sudeste.


Principal divulgador de pratos como maniçoba (mal comparando, uma espécie de feijoada feita com com a folha da mandioca-brava moída, cozida e fervida durante sete dias), pato no tucupi, tacacá (caldo que leva tucupi, jambu, goma de tapioca e camarões secos) e filhote (saborosíssimo peixe de rio), o Lá em Casa, restaurante de Paulo Martins, fará uma apresentação da comida de Belém no Porto Rubaiyat, em São Paulo, até o próximo domingo.


Já Ana Luiza Trajano prepara no seu Brasil a Gosto um cardápio especial com ingredientes paraenses. O Tordesilhas e o Amazônia investem em pratos do Pará há algum tempo (veja endereços nesta página).


"É uma cozinha totalmente indígena, de sabor forte, bem acentuado. Ou você gosta ou você não gosta. Não tem meio termo", brinca Tania Martins, que está no comando da cozinha do Lá em Casa (tel. 0/xx/ 91/3242-4222). "Apesar de ser forte, não é uma comida tão pesada, é de fácil digestão. Por exemplo, o paraense come maniçoba no almoço."


Paulo Martins ajudou a divulgar ingredientes como tucupi, chicória (diferente da encontrada no Sudeste) e jambu ao realizar, desde 2000, um festival gastronômico em Belém.


"É a mais particular, a mais genuína cozinha do Brasil", afirma Mara Salles, do Tordesilhas. "Porque foi a que ficou mais preservada, até pela dificuldade de acesso à Amazônia. Isso isola seus habitantes e sua cozinha. É a comida que mais remete ao Brasil antigo."


Além do pato no tucupi, prato típico das áreas indígenas, a região é farta em peixes como o pirarucu (conhecido como "o bacalhau da Amazônia", por ser conservado em sal), o filhote (que pode chegar a mais de 200 kg) e a pescada-amarela.


"Os peixes são grandes, gordos, pois há abundância de alimentos. E as ervas e pimentas possuem um gosto único, que remetem a um ambiente quente e úmido", avalia Mara. "É uma região muito particular, com sabores muito particulares, por causa da floresta."


"As ervas e as especiarias conferem alguns aromas que, ao serem misturados aos peixes e frutas da região, criam pratos com um sabor único, inimitável", pontua Ana Luiza Trajano.




Dificuldade
Se diversas regiões do Brasil já exportam seus alimentos e pratos para o restante do país (Bahia, Ceará, Rio Grande do Sul etc.), a culinária do Pará não foi adotada em outros lugares pela dificuldade em transportar ingredientes como jambu.


"O jambu tem pouca durabilidade", diz Tania Martins, "então nós pré-cozinhamos e congelamos para mandar para chefs de São Paulo. Com a alfavaca, é a mesma coisa".


O jambu já está sendo plantado em algumas regiões do Estado de São Paulo, mas, afirma Mara, "não tem o mesmo brilho" do jambu paraense.


Como resolver o problema? "Dando lucro às companhias aéreas", responde Mara. "Porque o produtor paraense não cobra caro pelas ervas, pelos peixes. Mas em São Paulo temos de embutir nos pratos o custo do transporte. Temos de receber esses produtos via avião", diz ela, que fará, em dezembro, festival com uma cozinheira indígena da Amazônia.


No Pará, açaí aparece em receitas doces e salgadas


Bolo de açaí, pudim de açaí, mingau de açaí, açaí com peixe frito, brigadeiro de açaí, açaí com farinha, licor de açaí... No Pará, come-se açaí com tudo. "Aqui, a gente come açaí até com ovo frito", conta o pescador Osvaldo Lopes.


A fruta está presente até em letra de música de banda de carimbó, que se apresentou no 18º Festival do Açaí, realizado anualmente em Bagre. Nesse vilarejo colado à ilha de Marajó, a maior parte da população de 16 mil habitantes vive da pesca e da colheita do açaí.


O pirarucu, o "bacalhau da Amazônia", é frito, servido no prato com feijão tropeiro e arroz. À parte, um pote de açaí.


"Nós é que fazemos errado. Trouxeram para cá e inventaram de colocar xarope de guaraná, açúcar, guaraná em pó...", diz Mara Salles, chef do paulistano Tordesilhas. "Tradicionalmente, o açaí é comida de subsistência. Misturam com tapioca, com camarão seco."

Antes de ser transportado para o sul do país, o açaí é normalmente congelado -seu sabor torna-se mais escasso.


"No interior do Pará, caem cachos de açaí em cima das casas. Faz parte do ambiente deles, não do nosso. Não é uma fruta do Sudeste."




Açaí na cozinha


Em um barracão improvisado à beira de um rio no festival do açaí de Bagre, Maria de Lourdes Matos de Oliveira, 47, auxiliar administrativa da prefeitura e "legítima cozinheira de Bagre há pelo menos 20 anos", prepara pratos como pirarucu salgado, camarão de água doce frito e torta de camarão (feita com maxixe, feijão verde, ervilha e milho).


"O povo aqui está acostumado a comer o pirarucu salgado. Acham que fica melhor do que o fresco", explica a cozinheira.


Em uma barraca ao lado, o açaí é amassado em uma grande vasilha de barro por cerca de 20 minutos. Depois, passa por uma peneira para a retirada do caroço e do bagaço -permanece apenas o sumo da fruta.

Então, é colocado em uma geladeira, onde aguarda para ser consumido com peixe frito e farinha, ou transformado em bolo, pudim, licor...

sexta-feira, novembro 13, 2009

Base de conhecimento

Se forem confirmadas as evidências, a Ciência terá dado significativo passo para o homem se habilitar a fixar residência na Lua.

Paraense ameaçado relata na ONU

Nota da ONG Terra de Direitos:


O caso do indígena Odair José Borari, cacique da Aldeia de Novo Lugar na terra indígena Maró, em Santarém, foi levado à Alta Comissária da ONU para assuntos de Direitos Humanos, Navamethem Pillay, que participou nessa sexta-feira (13) de um evento sobre defensores de direitos humanos. O Cacique Borari, ou Dadá como é conhecido na região, defende a área habitada por comunidades indígenas e ribeirinhas na gleba Nova Olinda, onde há mais de trinta dias a comunidade se mobiliza para denunciar a extração ilegal de madeira e a demora para a demarcação de terras indígenas. Apesar das constantes ameaças e dos dois atentados que já sofreu, Dadá espera há meses por proteção do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.


O caso de Dadá foi narrado à Alta Comissária da ONU pela ex-diretora do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Maria Ivete Bastos dos Santos, também ameaçada na região. Emocionada, Maria Ivete relatou que “a situação de Dadá é muito grave e ele realmente corre o risco de ser morto”. A Alta Comissária demonstrou preocupação com o caso e se afirmou que irá acompanhar a situação de perto.


As ameaças sofridas pelo Cacique Borari também foram constatadas pelo Relator do Direito Humano à Terra, Território e Alimentação, Sérgio Sauer, que esteve na região na semana passada. Para o relator, é urgente que as autoridades federais e estaduais atendam às demandas feitas pela comunidade quanto a fiscalização e o controle da extração ilegal de madeira na região. O Pará tem sido um estado emblemático em ameaça aos defensores de direitos humanos. De acordo com o Comitê Brasileiro de Defensores de Direitos Humanos, 34% das pessoas ameaçadas de morte hoje no país estão no interior do Pará.



Judith Vieira – assessora jurídica da Terra de Direitos

Carta dos Movimentos Sociais

Blog recebe para divulgação nota dos movimentos sociais condenando o TJE:


CARTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

EM DEFESA DA SOBERANIA DO ESTADO DO PARÁ

O Conselho de Entidades dos Movimentos Sociais (CMS) se solidariza com o poder Executivo e repudia firmemente a postura desigual com que a Justiça do Pará vem tratando a questão agrária no Estado, uma postura que acaba por legitimar e manter um modelo de exploração ilegal das terras e dos trabalhadores rurais.


Não é coerente que a mesma Justiça que se esmera em exigir reintegrações de posse feche os olhos para a grilagem de terras, que avilta há séculos o povo do Pará. E é de conhecimento público que a grilagem de terras está associada também ao desmatamento ilegal, ao trabalho escravo e à violência no campo. Esta mesma Justiça vira as costas para o assassinato de lideranças rurais, trabalhadores, religiosos e parlamentares, defensores dos direitos humanos, cujos mandantes e executores continuam impunes. Lembremos sempre de Paulo Fonteles, Irmã Dorothy, Fusquinha, Expedito, João Canuto, João Batista e tantos outros lutadores.


Os dados da Comissão Permanente de Monitoramento, Estudo e Assessoramento das Questões Ligadas à Grilagem escancaram uma vergonha nacional: existem mais de 6 mil títulos de terra registrados nos cartórios estaduais com irregularidades. Somadas, essas terras representam quase um Pará inteiro em títulos falsos.


A comissão pediu anulação administrativa desses títulos e a Justiça do Pará ainda não assumiu sua responsabilidade. O próprio Governo do Estado pediu à Justiça anulação de 80 títulos. Nenhuma providência foi tomada pela Justiça até agora no sentido de moralizar e democratizar o acesso a terra. A comissão encaminhou o processo ao Conselho Nacional de Justiça, para tentar obter os avanços pelos quais os movimentos sociais lutam historicamente.


Lamentavelmente, é esta a Justiça do Pará que pede ao Supremo avaliar a possibilidade de intervenção federal no Estado, alegando que o Executivo descumpre ordens de reintegração de posse. O Governo do Estado, ainda que precise avançar nas políticas sociais, tem demonstrado seu esforço por regularizar as terras de forma pacífica, em diálogo com os movimentos.


O povo do Pará e todos os movimentos sociais têm que mostrar sua bravura neste momento, pois somos contra quaisquer tentativas de intervenção que venham por em risco a soberania e a capacidade de organização social do povo paraense. Que estejamos unidos para defender este Estado e exigir o compromisso das instituições e dos poderes com a reforma agrária e as causas populares.



Central Única dos Trabalhadores-CUT-PA/FETAGRI/ FETRAF/Movimento Nacional de Luta pela Moradia - MNLM/ Movimento dos Atingidos Por Barragens-MABE/Comitê Irmã Dorothy/ Pastorais Sociais da CNBB/ Irmãs de Notre Dame de Namur - Província Brasil/ Comunidades Eclesiais de Base – Ceb’s Norte II/ Pastoral da Juventude Regional Norte II/ Comissão Justiça e Paz – Norte II/ Caritas Brasileira Regional Norte II/ União Nacional por Moradia Populares-UNMP/União Brasileira de Mulheres /Marcha Mundial de Mulheres/Ação Comunitária de Belém-AcbelL/ FENAPSI-CNS/Movimento GLBT-PA/Ação Cidadania-PA/Conselho Nacional das Cidades/Ass. Dos Comerciantes de Material de Construção do Estado do Pará-ACOMAC/União Paraense de Estudantes-UPES/União Nacional dos Estudantes-UNE/União Metropolitana de Estudantes-UMES/Confederação de Ass. De Moradores-CONAM/União Brasileira de Mulheres-UBM/Fórum Metropolitano de Reforma Urbana-FMRU/UNEGRO/UAP/ Rede de Educação Cidadã-RECID/AMOB/Central de Movimentos Populares-CMP/Movimento Popular pela Saúde-MOPS/Movimento dos Sem Terra Urbano-MSTU/Fórum de Mulheres da Amazônia-FMAP/Conselho de Entidades do Sideral/Conselhos de Obras do Pac/Circulo Bolivariano/Colônia de Pescadores de Breves/Fórum de Regularização Fundiária/Rede Feminista de Saúde/Ass. Para o Desenvolvimento Sustentável e Solidário do Tapanã/C.C.Parque Amazônia/MORHAN-PA/ANES-PA/ Sindicato dos Bancários/Gempac/MPUB/MEP /CTB

O favoritismo de Dilma

Publicada no Estadão, artigo do professor Carlos Pio (*) intitulado "Por que Dilma será a nova presidente"  direciona favoritismo da campanha eleitoral à candidata do presidente Lula:



Daqui a exatos 12 meses os brasileiros vão escolher o seu novo presidente. Poucos analistas parecem ter dúvidas de que teremos segundo turno e de que este será disputado pela candidata do presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff, e por um dos candidatos do principal partido da oposição, provavelmente o governador José Serra. Mas quase ninguém arrisca um prognóstico sobre o pleito, cautela essa provocada pelo que parece ser uma disputa apertada entre dois candidatos "sem graça", tecnocratas de cabeça e coração. Eu vou arriscar: Dilma ganha de Serra (ou Aécio Neves) no segundo turno, com folgada margem.

Vou explicar por quê.


Para começo de conversa, é fundamental enfatizar como o processo de seleção dos candidatos presidenciais afeta o desenlace da campanha. No nosso caso, demonstra o quanto a democracia brasileira ainda é dominada por indivíduos que estão no topo das organizações partidárias (e não por regras institucionalizadas). Em si mesmo, esse fato limita um verdadeiro debate de ideias sobre os problemas nacionais e sobre as diferentes alternativas existentes para resolvê-los. Dilma foi escolhida por uma única pessoa - o presidente Lula -, possivelmente após ouvir a opinião de alguns de seus conselheiros mais próximos. Serra será (ou não!) candidato a partir de uma decisão individual sua, à qual os dois partidos que o apoiam (PSDB e DEM) acederão sem maiores questionamentos. Se ele preferir não se candidatar a presidente, como em 2006, Aécio assumirá o posto também por decisão individual - mesmo que sob forte pressão dos aliados. Nesse processo terão sido ouvidas, talvez, quatro ou cinco outras pessoas. Ciro Gomes e Marina Silva se autodeclararam candidatos e suas legendas aceitaram - esta última tendo, por sinal, saído do PT com esse propósito.


Em suma, em todos os "partidos" a escolha do candidato a presidente se dará de forma não institucionalizada e, por conseguinte, sem debate público sobre as diferenças entre os eventuais postulantes no que diz respeito aos diagnósticos de nossos principais problemas e ao conteúdo das soluções que virão a propor. O eleitor também não saberá de antemão a diferença entre os candidatos no que concerne à governabilidade - isto é, como o eleito articulará sua base de apoio congressual e seu Ministério para viabilizar as ações do governo. Assim, a decisão do eleitor será tomada sob forte névoa de incerteza.


Sem debate público interno aos partidos, sem processo institucionalizado de escolha dos seus respectivos candidatos e sem um mínimo de clareza sobre a montagem futura das alianças políticas necessárias para governar, as eleições tendem a assumir um caráter ainda mais plebiscitário do que normalmente ocorre em regimes presidencialistas. Plebiscitário aqui assume o sentido de julgamento dos méritos do atual governo, desconsiderando a oposição. Destituí-lo, pela rejeição à candidata do presidente, representa incorrer em grau ainda mais acentuado de incerteza e insegurança para todo eleitor que tem algo de substancial a perder com a vitória da oposição - uma Bolsa-Família, uma tarifa de importação elevada, um subsídio tributário, uma vaga em universidade federal ou bolsa do governo federal, um emprego em empresa estatal ou de capital misto.


Um plebiscito sobre a renovação do mandato do grupo político do presidente será decidido em função do apoio do eleitor mediano (aquele que separa a distribuição dos votos de todo o eleitorado entre 50% + 1 e 50% - 1) à seguinte questão: "Você concorda que as coisas estão claramente melhores hoje do que no passado recente?" Esse foi o sentimento que marcou claramente as eleições de 1994, 1998 e 2006, todas vencidas pelos governos da ocasião. E parece-me razoável supor que tal sentimento é característico de períodos em que 1) a inflação está sob controle, 2) o governo tem capacidade de manejar os instrumentos de política necessários para dar um mínimo de segurança e estabilidade diante de um contexto externo instável e ameaçador, 3) há perspectiva de crescimento econômico e de queda do desemprego, 4) o gasto público e as políticas sociais focalizadas nos mais pobres estão em expansão. É isso o que vivemos hoje, não?


Pois bem, em tal conjuntura tão favorável ao governo o melhor que a oposição oferece é dar seguimento às políticas correntes e prometer mais eficiência administrativa e menos corrupção! É pouco, muito pouco! A oposição precisa ter propostas novas e capacidade para convencer o eleitorado de que elas são necessárias, viáveis e urgentes. Mas como fazer isso sem debate intrapartidário aberto e institucionalizado, assentado na diferença de diagnósticos e soluções? E como "testar", antes do pleito, o potencial eleitoral das ideias e os riscos embutidos nas novidades sem realizar prévias?


Afinal, alguém aí sabe o que Serra e Aécio pensam sobre os problemas nacionais? Alguém acha que algum deles ousaria propor mudança de rumos em relação ao que Lula vem fazendo? O que eles farão em relação a Bolsa-Família, câmbio com viés de apreciação, Mercosul paralisado, protecionismo comercial excessivo, política industrial e tecnológica concentradora de renda, educação de mal a pior, malha de transportes precária, regulação arcaica do setor de energia, infraestrutura em frangalhos e política externa terceiro-mundista? Algum deles propõe privatizar o que ainda está nas mãos do governo federal? Algum deles propõe que o Mercosul feche um acordo de livre-comércio com os Estados Unidos ou a China, como fizeram México e Chile?


Sem que as diferenças sejam explicitadas o eleitor mediano não aceitará correr o risco de votar na oposição.


E o tempo para esse debate já terminou!



  * Carlos Pio, professor de Economia Política Internacional da Universidade de Brasília (licenciado), é pesquisador visitante da Universidade de Oxford, Inglaterra. E-mail: crpio@unb.b

Panela de pressão

O blog reproduz pela enésima vez.

Quando os tucanos estavam no poder, raríssimas reintegrações de posse foram cumpridas pela força policial. Almir Gabriel tinha pavor a isso desde quando mandou um coronel da PM tirar os sem-terra da “ Curva do S”,  do jeito que fosse preciso.

Conforme escrito várias vezes na coluna do Diário do Pará, o poster foi testemunha de acaloradas reuniões do Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá nas quais o conservadorismo da turma de Carlos Xavier vivia satanizando Almir e Jatene, acusando-os de estarem do lado dos sem-terra, etecétera e tal.

Tudo era feito às escondidas. Baixavam o pau no governo, mas dia seguinte pediam audiências ao governador  para repassar versões individualizadas do conteúdo das reuniões de descarrego.

Procuradores do Estado e desembargadores de então, jamais moveram uma palha para saber se os pedidos de reintegravam estavam ou não sendo cumpridos.

Tudo era festa.

Por ocasião das investigações para apurar a responsabilidade da chacina de Eldorado dos Carajás, sabia-se claramente que a culpa seria depositada totalmente no coronel Pantoja.

Residindo em Marabá à época, Pantoja, aos prantos, contava aos amigos e até a alguns jornalistas que o procuravam para saber detalhes do episódio, que fora forçado a cumprir a desastrada operação.

Numa das conversas que tivera com o ex-comandante do 4º BPM, o poster jamais esquece da expressão de revolta dele diante da "posição acovardada do comandante da Polícia Militar", coronel Fabiano Lopes, ao declarar que jamais dera ordens para Pantoja retirar os sem terras da Pa-150, custasse o que custasse.

          - Cumpra as determinações. Vá lá, na “ Curva do S”, e retire os sem-terra. É ordem do governador. Não precisamos discutir mais isso – teria dito Fabiano num esbravejado telefonema para o comandante do 4º BPM.


Nessa noite, contava Pantoja, ele teria ainda tentado justificar a irracionalidade da operação baseado na pequena estrutura que tinha em Marabá.

       - Coronel, nosso pessoal aqui não é especializado nesse tipo de operação. Seria melhor o governo mandar a tropa de choque aí de Belém, ela está mais acostumada a essas diligências – teria retrucado Pantoja.



- Coronel, desocupe a rodovia com o pessoal que o senhor tem aí. Cumpra as ordens.


Uma frase tornou-se recorrente nas entrevistas de Almir: "Em nenhum momento autorizei o uso da violência. Mandei liberar a principal rodovia do Estado, sem usar a violência. O coronel Pantoja descumpriu as ordens e perdeu o controle".

Os fantasmas dos sem-terra assombravam os quartéis da PM, que além de desmoralizada, ficou imobilizada.

Quem esteve mais próximo da realidade, foi o vice-governador, o "menino maluquinho" Hélio Gueiros Jr. , ao declarar publicamente que o governador fez uma operação toda errada e, se fosse Almir, demitiria o secretário da Segurança (Sette Câmara) e o comandante da PM (Fabiano Lopes), mantidos nos cargos.

Tempos depois, execrado pela opinião pública, afastado das funções e condenado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará, coronel Pantoja quase ia à raia do desespero.

Colocou uma arma na cintura e saiu de casa, sem rumo.

Mas na cabeça, o pensamento ditava seus passos no sentido de encontrar o ex-comandante da Polícia Militar. Alguém da família, em tom de desespero, fez apelos para que ele não agisse como pensava.

Sim, Pantoja pensou em fazer justiça com as próprias mãos.

A história foi contada ao blogger por um PM amigo do ex-comandante do 4º BPM.

Esta semana, o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, ao dar prosseguimento ao pedido de intervenção federal, fez um trajeto de mão única.

Ao contrário do que exaltam alguns diante da quase unânime decisão, foi gerado nos intestinos do tribunal um sentimento de compadrio diante das pressões do conservadorismo paraense, estampado nos rosto de muitos deles presentes na platéia, engrossando aplausos a cada voto favorável ao pedido de intervenção.

Da decisão, medindo a temperatura de sua repercussão, pode começar a fluir ações radicais em diversos pontos do Estado.

Chamando pro limpo

Partido dos Trabalhadores divulga nota de apoio aos movimentos sociais, solidariza-se com Ana Júlia e amaldiçoa o TJE. Nota  ratifica o post acima acerca da escalada de radicalização que pode fluir da desastrada decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Pará:


INTERVENÇÃO NO PARÁ É MAIS UMA TENTATIVA DE GOLPE CONTRA O ESTADO!


1. O acolhimento no Tribunal de Justiça do Estado do pedido de intervenção contra o governo do Estado é uma tentativa de golpe contra o Estado, contra a democracia e contra o povo do Pará.

2. É um golpe contra o Estado, porque em menos de três anos, o Governo da petista Ana Júlia já cumpriu 101 reintegrações de posse e restam apenas 70 para cumprir. No governo tucano, até 2006 havia 173 ações de reintegração de posse não cumpridas. E o mesmo Tribunal não acolheu qualquer pedido de intervenção e nem buscou auxiliar os graves conflitos fundiários existentes no Estado.

3. O PT entende que a intervenção é um ato contra a democracia e a caracterização explícita de perseguição política a um governo que busca o diálogo, o consenso, tentando inverter a lógica do autoritarismo e do argumento da força,exaustivamente utilizados no governo tucano, sem qualquer interferência do Tribunal de Justiça do Estado!

4. É no governo petista, ou seja, há menos de três anos, que se inicia um processo de ordenamento fundiário no Pará, para começar a debelar o caos fundiário que existe desde a ocupação desordenada da Amazônia. E esse trabalho se faz com diálogo e não com assassinatos, como aconteceu em Eldorado dos Carajás, no governo tucano.

5. O PT caminhará junto com o Governo do Pará contra a intervenção no Estado e na busca de soluções para os graves conflitos fundiários que existem em nosso Estado, com ações concretas como o Zoneamento Ecológico e Econômico, o Cadastro Ambiental Rural e o Programa de Titulação de Terras (Terra Legal), este em parceria com o Governo Lula.

6. É real e confirmada pelo Censo 2006 a concentração cada vez maior da propriedade privada no Brasil. Menos de 15 mil latifundiários terra em nosso país detêm fazendas acima de 2,5 mil hectares e possuem 98 milhões de hectares. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras. A luta dos movimentos sociais é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. Imensas faixas de terras que o latifúndio se apropriou são da União, inclusive aqui, no Estado do Pará.

7. O PT entende que cabe ao TJE dar um passo urgente e decisivo para acabar com os conflitos agrários existentes no Estado do Pará: basta fazer o cancelamento administrativo dos mais de seis mil títulos de terra fraudulentos, o que se constitui numa grilagem monumental, razão principal dos conflitos agrários no Pará. Com esse gesto simples, o TJE contribuirá muito para dar início ao fim do conflito fundiário.

8. Para pacificar e desenvolver o campo, precisamos de diálogo permanente e de uma política de reforma agrária, bandeira que o PT sempre defendeu. Reafirmamos nossa solidariedade à luta dos movimentos sociais: MST, Fetagri, Fetraf, Contag, CUT e trabalhadores da agricultura familiar pelo direito à terra, à produção sustentável, ao trabalho e à liberdade. Entendemos que a prisão de lideranças do MST só confirmará a face parcial da justiça paraense.

9. Queremos a imediata revogação de prisão das lideranças do MST! E o fim da intervenção no Estado do Pará. Pelo fim da grilagem e todo apoio à reforma agrária, ao direito de moradia, à terra e à produção!

Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores

Belém.Pará, 13 de novembro de 2009.

Jabutis e lagartos

Merece reprodução, dois posts do blog Na Ilharga:



Deu no Carta Maior
"O apagão elétrico tirou o foco da escuridão política que se espalha na coalizão demotucana. Breu1- a economia cresce à velocidade de 8% a 10% ao ano neste final de 2009; Breu2- a aprovação ao Presidente Lula sobe de 65% para 68% da população; Breu3- Dilma cresce na pesquisa Vox Populli e soma 19% de intenções de voto; Serra ainda lidera mas perde 4 pontos; Breu4- o arestoso governador de São Paulo perde, sobretudo, espaço no PSDB nacional: "Aécio é mais amplo políticamente que o governador José Serra". A avaliação é do presidente do partido, Sérgio Guerra, na




Jabuti subiu em árvore
No dia em que a pesquisa Vox Poppuli atesta que a ministra Dilma subiu 4 pontos e o Zé Pedágio desceu outros 4, um blecaute atinge 9 estados dos mais populosos, além do Distrito Federal, transformando-se em assunto único de nossa imprensa conservadora. Detalhe: não se pode falar em apagão e muito menos em falta de investimentos, até mesmo porque o problema já está resolvido.


O que o governo deve fazer é uma apuração rigorosa a fim de descobrir as causas do estranho blecaute. Nesse momento, segundo o presidente da Itaipu Jorge Sameck, as termelétricas estão funcionando, os reservatórios estão cheios e o nível das represas é bom, logo, a causa pode ter sido uma falha(?) mecânica ou humana. Lembrando sempre que jaboti não sobe em árvore. Se ele está lá ( na árvore) é porque foi coisa de enchente ou de gente.

Na escuridão das Redações

Somente agora retornamos ao batente, afastados da base por três dias envolvidos na produção de uma documentário sobre o período áureo das embarcações que transportavam castanha de Marabá para Belém, fazendo escalas técnicas em Tucuruí, Cametá, Mocajuba e Baião.
Ausente exatamente na semana em que o governo tem muito a comemorar – apesar do estranho apagão que parou metade do país na terça-feira.

- Brasil voltando a crescer de forma vigorosa, agora com índices trimestrais chineses (7%);

- Popularidade de Lula subindo a média de quatro pontos;

- Aprovação da candidatura de Dilma em alta, enquanto a de Zé Serra despenca;

- Divulgação da menor taxa anual de desmatamento da Amazônia registrada pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), desde o início do levantamento em 1988.

O apagão chegou ao milésimo de hora do fato oportunista para encharcar de orgasmo a imprensa de sarjeta do país, que pegou a coisa pela orelha - concentrando edições extraordinárias e a louvação à “falta de visão executiva de Dilma” – como pimbou o Merval Pereira, na CBN, puxando o tema para a falta de investimentos do Governo Lula no setor elétrico.

Os bacuraus nem treme a cara.

Escondem o vergonhoso racionamento imposto por FHC, exatamente por falta de investimento, e alardeiam uma realidade ao gosto de cada um deles. Jamais disseram que a atual planta do setor elétrico, idealizada e construída por Roussef, enquanto ela esteve no Ministério das Minas e Energia, é que vem dando garantias de estabilidade no fornecimento de energia enquanto o país aguarda a construção das hidrelétricas do Madeira, Xingu e Tocantins.

O povo, sábio e sensível à movimentação das pocilgas fossilizadas, cada vez mais atento.

Esta manhã, na porta da agencia do Banco do Brasil da Nova Marabá, próximo a uma banca de revista, quatro moços comentavam o apagão de terça, cada qual emitindo opiniões à sua compreensão ingênua, quando um deles sapecou:

E as televisões já estão dizendo que a candidata do presidente Lula é a culpada pela falta de luz. O que ela tem a ver com isso?!

Na outra ponta, a resposta dada por um dos convivas no animado papo:


- Daqui pra frente vão dizer que ela é a culpada de tudo de ruim. Só que ela vai ganhar a eleição, o Lula é quem quer ela.

O Lula é quem quer ela. Observem a frase, explícita, clarividente: transferência de voto segura.

Cada vez mais distante

José Alencar, atento observador dos fatos de interesse do Pará, é quem faz a revelação:


Lenta e gradualmente vai se consolidando uma matriz energética e uma matriz de transportes que tornam o Pará uma província mineral e energética, cuja sorte - ou azar - e destino é decidido fora de seus limites.


Decreto publicado no Diário Oficial da União de ontem diz o seguinte:


Ficam declarados de utilidade pública, para fins de desapropriação, total ou parcial, de instituição de servidão de passagem, em favor da VALEC - Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., os imóveis constituídos de terras, benfeitorias, acessões e outros bens de propriedade particular, bem como o domínio útil dos terrenos, porventura, foreiros, situados nos Municípios de Ouro Verde de Goiás, Damolândia, Nova Veneza, Brazabrantes, Goianira, Trindade, Santa Bárbara de Goiás, Campestre de Goiás, Palmeiras de Goiás, Indiara, Jandaia, Edéia, Acreúna, Turvelândia, Santa Helena de Goiás, Rio Verde, Aparecida do Rio Doce, Quirinópolis, Paranaiguara e São Simão, no Estado de Goiás; nos Municípios de Santa Vitória, Limeira do Oeste, União de Minas e Iturama, no Estado de Minas Gerais; e nos Municípios de Ouroeste, Guarani d’Oeste, Fernandópolis, Populina, Turmalina e Estrela d’Oeste, no Estado de São Paulo, necessários à execução das obras de prolongamento da Ferrovia Norte-Sul (EF-151), entre Ouro Verde de Goiás/GO e Estrela d’Oeste/SP.



Trata-se do prolongamento da Ferrovia Norte-Sul, que cresce apenas em direção ao Sul, tal como a Vale sempre quis, desde os tempos em que ela era estatal e o então Presidente José Sarney surpreendeu o país com o projeto dessa Ferrovia. Passadas duas décadas, a Ferrovia segue seu trajeto no rumo Sul. Logo logo ela vai interligar o Sistema Norte com o Sistema Sul da Vale.


O ramal Norte em direção a Belém não passou de promessa que, a bem da verdade, nunca foi feita para valer. Sempre foi um jogo de cena para aplacar uma surda ira santa dos paraenses. Mas isso foi no tempo em que os paraenses ainda se preocupavam com isso, nem que fosse para fazer figuração. Agora nem isso. A ira não existe e se existe é além de surda muda.


O tema não pertence à agenda dos paraenses, inclusive suas elites, governantes ou dirigentes. Ou nem uma coisa nem outra, tanto faz.

quarta-feira, novembro 11, 2009

IBGE pisa na bola: concentração de terras

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que errou no cálculo do índice que mede a concentração de terras no país, divulgado no fim de setembro. O Censo Agropecuário do IBGE apurou que em 2006 o índice de Gini - segundo o qual, quanto mais próximo de 1 está o resultado, maior é a concentração fundiária- havia atingido 0,872, indicando piora na distribuição de terras em uma década.


O número correto, segundo o instituto, é 0,854, o que leva à interpretação inversa: um pequeno recuo em relação ao resultado de 0,856 apurado no censo de 1995/1996. As informações são do jornal Folha de São Paulo.


Mais.

terça-feira, novembro 10, 2009

Delegado desmente CPT

Publicada agora às 18:16 no portal do Governo do Estado, nota da ASCOM contesta acusações da CPT sobre suposta ação descontrolada do delegado Geral de Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassully Júnior, ao puxar arma contra um manifestante sem-terra na “Curva do S”. O próprio delegado esclarece que foi ameaçado de morte por um integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra, do jeito contado aqui, às 14h10.

Político de Moju condenado a prisão

O ex-vice-prefeito de Moju, no Pará, Altino Coelho Miranda, o Dedeco, foi condenado a nove anos de prisão em regime fechado por submeter trabalhadores a condições semelhantes às da escravidão. Dedeco, que teve indeferida sua candidatura a vereador nas últimas eleições, também terá que pagar multa. Pelo mesmo crime, o filho de Dedeco, Altino Freitas Miranda, o Dequinho, foi condenado a sete anos e seis meses de prisão em regime semi-aberto, mais multa.



Em agosto de 2007, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram 15 pessoas em condições degradantes de trabalho na fazenda de Dedeco, localizada na zona rural de Moju, município de 64 mil habitantes do nordeste paraense, a 56 km de Belém. Uma das vítimas tinha menos de 18 anos.


Os Miranda foram denunciados à Justiça pelo Ministério Público Federal (MPF) em abril de 2008. "Além de não fornecerem condições para que os trabalhadores pudessem exercer com o mínimo de dignidade as atividades de roçado e cultivo de dendê, o denunciado Dequinho mantinha, sob as ordens de Dedeco, o denominado 'sistema de armazém''", registrou na ação o procurador da República Fernando José Aguiar de Oliveira.


Por esse sistema, também conhecido como sistema de barracão, o empregador inviabiliza a ida dos trabalhadores ao comércio municipal para forçá-los a adquirir alimentos e outros meios de subsistência diretamente da venda da fazenda, tudo descontado nos salários.


Na sentença, o juiz federal Rubens Rollo D'Oliveira diz que, de acordo com as provas do processo, “a jornada de trabalho e o sistema de produção e pagamento também eram desumanos, eis que deixavam os trabalhadores exaustos e com pouca retribuição pelo esforço físico desenvolvido”.


A decisão judicial também cita informações coletadas pela equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, que expediu 25 autos de infração contra Dedeco e Dequinho em decorrência de uma série de irregularidades, como a falta de alojamento e de refeitório adequados, a inexistência de água potável e de banheiro para os trabalhadores, o não-pagamento de contribuições previdenciárias e a cobrança pelos equipamentos de proteção individual que deveriam ser cedidos gratuitamente aos empregados. Além disso, os trabalhadores tinham que pagar pela própria alimentação.


Dedeco e Dequinho estão recorrendo contra a decisão na Justiça Federal em Belém.


Processo: 2008.39.00.005951-2 (Justiça Federal em Belém)

Fonte: ASCOM da Jutiça Federal

Ana reúne blogueiros

Pela primeira vez no Brasil, um governante se reunirá com os blogueiros de seu Estado.
O fato ocorrerá dia 23 de novembro, no Palácio dos Despachos, durante café da manhã com Ana Júlia.

Direito de Resposta

Assessoria de Comunicação da prefeitura de Paragominas acaba de enviar nota contestando informação da coluna, publicada, hoje, no Diário do Pará, desmentindo,  a tal campanha de "desmatamento zero" do prefeito Adnam  Demachki  (PSDB), baseado em dados da Imazon.

Leiam, na íntegra,  a versão do prefeito:



Em respeito à opinião pública paraense, acerca das constantes notas sobre o Projeto Ambiental de Paragominas, publicadas na coluna do Sr. Hiroshi Bogéa, em O Diário do Pará, informamos:


Há 20 meses, Prefeitura, Câmara e entidades de Paragominas instituíram o projeto Município Verde. Dentre as muitas ações desenvolvidas, um pacto foi assinado para o DESMATAMENTO ZERO, mudando uma página na história do município. Com esse comprometimento, o número de focos de desmatamento vem diminuindo vertiginosamente. A ong Imazon passou a monitorar, por satélites, o desmatamento; e a Prefeitura e as entidades - informadas pela ong da existência de focos - fiscalizam as áreas e denunciam seus proprietários a quem de direito. Em 20 meses, dados do DETER (Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real), divulgado pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) atestam que o desmatamento em Paragominas reduziu em 73%.


De janeiro a junho de 2009, o município não teve nenhum foco de desmatamento; e em julho e agosto, os poucos focos existentes tiveram a atividade carvoeira presente. Esse carvão está sendo produzido para abastecer as guseiras de Marabá e Açailândia.


Insistentemente em suas colunas, o jornalista Hiroshi Bogéa apresenta informações demonstrando desmatamento e degradação ambiental em Paragominas. Contudo, todas as informações são de fatos ocorridos anteriormente aos 20 meses da implantação do projeto Município Verde. Reconhecemos nosso passado. Por isso, estamos buscando um novo presente e um futuro melhor para as novas gerações.


Por fim, reconhecemos a importância das guseiras para Marabá e Açailândia, mas estas, também, devem entender que não desejamos continuar transformando as florestas de Paragominas em carvão vegetal, muito menos que parte da nossa população trabalhe nessa atividade degradante. Se quiserem continuar produzindo gusa, que o façam por meio de reflorestamento, como já fazem algumas empresas, e em suas cidades de atuação.



Nota do Blog:  1- debaixo de taca, o prefeito de Paragominas diz, agora, que o carvão vegetal é consumido, também, pelas guseiras de Açailândia, sem, no entanto, especificar o alto índice de metros cúbitos do produto florestal consumido pelas usinas maranhenses, abastecidas pelos produtores da rodovia Belém-Brasília e BR-222.

2- No calor da campanha  mentirosa que ele vem desenvolvendo, irresponsavelmente, contra a Sinobrás, são sempre dirigidas acusações aos empresários de Marabá - especificamente à siderúrgica de aço que absorve  insumos vegetais produzidos em suas doze fazendas e de produtores devidamente certificados, abstendo-se da compra de carvão de origem ilegal.

3- Convenientemente, o prefeito esquece de mencionar em sua nota as fortíssimas relações comerciais que os produtores de carvão vegetal  de seu município (portentosos financiadores de campanhas eleitorais da dupla Adnam-Sidney Rosa) mantém com o pólo siderúrgico localizado em terras maranhenses.

4- Em nenhum momento, o alcaide se avexa em desmentir as notas publicadas hoje na coluna. Tenta se justificar, apegando-se a um tal projeto "Município Verde", para encobrir o grande mal que seus padrinhos políticos(à frente, Sidney Rosa, um dos maiores madeireiros da região)  fizeram às florestas de Paragominas.

5- A nota do prefeito de Paragominas será publicada, também, na coluna do Diário do Parã, neste final de semana.

Agora é a vez da Cedro

De um lado, o radicalismo campesino de Trocate e sua turma.


Em outro plano, o bom senso de Jorge Nery e Ulisses Manaças

Os três personagenstêm  têm em comum a ocupação de cargos  importantes do MST. 

Trocate é o ideólogo do barbarismo campal de destruição das propriedades, como vem patrocinando nos últimos dias.

Nery e Ulisses entendem que o MST não pode perder a oportunidade de avançar no projeto de Reforma Agrária tendo governos aliados, como é o caso do Pará.

A divisão dentro do movimento ganha contornos inconciliáveis.

Se depender de Trocate, a ordem é destruir tudo para desestabilizar até o governo Lula.

Como Trocate e seus lobos humanos querem mesmo tocar fogo no palheiro, as propriedades rurais do Sul e Sudeste do Estado continuarão sitiadas.

Programa-se para as próximas horas, ações fulminantes e de extremo risco à estabilidade.

Três áreas deverão ser atacadas.

Simultaneamente: ferrovia, Curva do S e fazenda Cedro

A Estrada de Ferro Carajás deverá ser bloqueada nas proximidades do acampamento do MST, no mesmo local onde o movimento paralisou os trens da Vale, em vezes anteriores. .

Ao mesmo tempo, outro grupo postará contingentes, mais uma vez, na Curva do S, fechando a PA-150.

E, para jogar pá de terra sobre o caixão, invasão da fazenda Cedro, utilizando a mesma tática de terror que destruiu imóveis e equipamentos das fazendas Maria Bonita, Espírito Santo e Rio Vermelho.

CPT inflama

Mente a CPT quando diz em nota distribuída aos jornais suposta atitude “truculenta” e “despreparada” do delegado-geral Raimundo Benassuly,  no trato com sem-terras, na Curva do S, a ponto de ter exposto o governo a repetir tragédia ocorrida durante a gestão de Almir Gabriel, quando 19 pessoas foram mortas num confronto com forças policiais.


Faltou com a verdade.

Benassuly realmente sacou de uma arma, diante de tresloucado manifestante que lhe apontou reluzente peixeira, ameaçando tirar-lhe a vida com a arma branca brilhando à luz do sol.

Quem estava presente no local viu o lance, inclusive repórteres de jornais.

O delegado de polícia defendeu-se com profissionalismo, sem colocar em risco a eficiência da operação que cumpriu à risca a desocupação da Curva do S, sem maiores confrontos.

A CPT, mandando bilhetinhos mentirosos às redações, perde seu maior patrimônio construído ao longo do anos: a credibilidade.

Chama o Plínio Corrêa!

Soou como música de boa qualidade o ralho de Ana Júlia com   imprensa que abre páginas inteiras para divulgar o retorno triunfal da UDR.
Certíssima, a governadora.

Havia entendimento de que a maioria dos formadores de opinião tivesse adquirido a conscientização plena do mal que representam à sociedade excrescências com o perfil da União Democrática Ruralista (até o nome nos remete aos tempos da UDN).

Mas a movimentação nervosa de setores da mídia comprometida com os interesses da turma de Ronaldo Caiado S.A,  frustrou os mais otimistas.

A peste irracional sobrevive, em plena redação dos veículos de informação.

Só falta agora alguns jornalões convocarem a TFP.

Boçalidade escrita

Com desculpa de resguardar o direito à propriedade intelectual, os barões da imprensa escrita mundial, reunidos no congresso da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) querem porque querem, também, limitar a liberdade da Internet.

Ao mesmo tempo, condenam e defendem a censura.

Entre choros e resmungos, propuseram “maior controle sobre a rede”.

Numa expressão mais compreensível, querem também censurar a web.

A ficha caiu atrasada.

Perdem leitores, perdem dinheiro, perdem poder.

Mas não perdem a pose.

Ladeira abaixo

                -  “Censura ao jornal paulista (Estadão) é citada como um retrocesso do governo Lula”.
A chamada acima é de uma notícia sobre ameaças à imprensa livre denunciadas durante a assembléia da Sociedade Interamericana de Imprensa, publicada na página 9,  caderno Poder, de O Liberal.

Ao ler a íntegra do texto, assinado pela Agência France Presse, ninguém encontra qualquer indicativo de declaração do presidente da SIP, Enrique Santos, citando o presidente do Brasil responsável pela censura ao jornal de São Paulo, conforme dá a entender a folha dos Maiorana.

Mente duas vezes.

Primeiro, ao induzir o leitor na chamada da matéria.

Segundo, porque a censura ao jornalão paulista foi imposta por ordem judicial.

Essa é a “imprensa profissional que apura o noticiário com critérios”, conforme pregaram os donos de jornais participantes da SIP, para justificar a criação de leis internacionais capazes de brecar a liberdade da Internet.

Coluna Diário do Pará

Coluna do poster publicada nesta terça-feira, 10, no Diário do Pará:

                                                   __________


Pra inglês ver
Com que cara anda o prefeito de Paragominas, Adnam Demachki (PSDB), depois que seu município apareceu em segundo lugar no ranking dos maiores destruidores de mata no Pará? O propalado “ desmatamento zero” anunciado há mais de dois anos pelo alcaide não passa mesmo daquilo que a coluna sempre acusou: campanha de marketing mentirosa. O cuidadoso levantamento realizado pela Imazon em áreas onde se retiram madeira sem autorização legal, desmascara as intenções do prefeito de cuidar responsavelmente pela integridade das florestas de seu território.


Ranking dos predadores
Entre 2007 e 2008, diz a ONG Imazon, 76% dos 372.594 hectares de floresta explorada sem autorização no Pará, ocorreram em 10 municípios. Portel é o campeão com 67.170 hectares. Coladinha nele, aparece Paragominas, responsável, em um ano, pela destruição de 60.092 hectares de área explorada sem autorização. Depois aparecem, pela ordem, Rondon do Pará (31.261), Goianésia (27.151), Tomé-açu (21.561), Ipixuna do Pará (21.417), Tailândia (21.110), Dom Eliseu (14.922), Altamira (10.940) e Uruará (8.870).

Cadê Pinóquio, gente!
A coluna estimula seus leitores observarem na lista dos dez maiores destruidores de florestas, a inclusão dos municípios paraenses que mais fornecem carvão vegetal para as guseiras do Maranhão, exatamente Paragominas, Rondon, Ipixuna do Pará e Dom Eliseu. De municípios cujos produtores de carvão são mais ligados ao Distrito Industrial de Marabá, aparecem apenas Goianésia e Tailândia. O próprio município de Marabá está fora da lista suja. Como toda mentira tem perna curta, a campanha de Adnam Demachki contra a Sinobrás e o DI marabaense, está desmascarada com números reais.

Pai Baião
Até 1913, as terras do município de Marabá pertenceram ao município de Baião que, com grande extensão patrimonial incorporava São João do Araguaia, Conceição do Araguaia, Marabá e o distrito de Alcobaça – hoje Tucuruí. Salvo pequeno engano, Baião já pode ter sido o maior município do mundo, em extensão territorial. Historicamente, a região do Baixo Tocantins onde pontificam Cametá, Baião e Mocajuba, teve intensa ligação com a vida econômica de Marabá, ao servirem de entreposto das grandiosas embarcações que transportavam castanha para os barões exportadores residentes em Belém.

Segurando o leme
No curso dessa rota fluvial que cruzava perigosas cachoeiras e interligava povoações através do intercâmbio cultural, e das relações sócio-econômicas, é que se destinam as filmagens do que ainda resta nas ribanceiras do Tocantins, a serem trabalhadas por uma equipe da VídeoV, produtora de Marabá, roteirizadas para o documentário “Na proa desse rio”. Testemunhos de remanescentes em idade avançada, residentes em Tucuruí, Cametá, Baião e Mocajuba serão as riquezas do vídeo.

Negócios bolivarianos
Pecuaristas da região Sudeste do Pará, cada vez mais dispostos a se desvincularem comercialmente dos grandes frigoríficos nacionais, aguardam ansiosos o resultado da viagem que a governadora Ana Júlia iniciou à Venezuela com objetivo, entre outros itens de sua agenda internacional, de viabilizar a regularização de uma rota de navios para o incremento das exportações do boi em pé, pescado, aves e polpa de frutas. O país de Hugo Chaves é um grande consumidor desses produtos produzidos em escala na região de Marabá.

Curta Carajás
Confirmado para o dia 14, sábado, exibição de cinco curtas produzidos em Parauapebas, e um em Canaã dos Carajás, como parte da programação da mostra Curta Carajás, patrocinado pela secretaria de Cultura do município. Reconhecendo não existir ainda na região uma produção forte e consistente, o secretário Cláudio Feitosa compreende o festival como primeiro passo para fortalecer a produção audiovisual no município. A prefeitura de Parauapebas oferece não só o contato com a diversidade de produção cinematográfica, mas uma possibilidade de qualificação por meio das oficinas que serão realizadas. Mostra inicia hoje, 10, e termina sábado, 14.

Umas & Outras
O Projeto de Florestas Tropicais liderado pelo Príncipe Charles, que visitou Pará neste ano, tem uma nova empresa associada: a Alcoa. A iniciativa busca conscientizar para a redução do ritmo de destruição das florestas tropicais e enfrentamento das mudanças climáticas. A Companhia vai contribuir com a plantação de 15 milhões de árvores em 50 anos em Juruti, Oeste do Pará, onde opera uma mina de bauxita desde Setembro deste ano.


Reforma do estádio Zinho Oliveira tem prazo para conclusão: primeira semana de janeiro de 2010, com ampliação de sua capacidade de duas mil para cinco mil pessoas e implantação de nova iluminação, além de cadeiras cativas.


Coronel Antonio Araújo, diretor do DMTU, inicia campanha educativa para reduzir os índices de acidentes no trânsito de Marabá, que causaram, em um ano, prejuízo de um milhão de reais com perdas em produção, custos médicos, previdência social, custos legais, perdas materiais, despesas com seguro e custos com emergências entre outros. 48% dos acidentes são causados por excesso de velocidade.


Esta semana começam obras de montagem dos estandes da XVI FICAM, que este ano baterá recorde de participantes cadastrados.