sábado, janeiro 30, 2010

Dilma encosta em "Zé Alagão"

Os portais da grande imprensa, principalmente UOL e Globo.com, jogaram logo a notícia para suas páginas internas, com chamada, inclusive, retirada da Home, nem bem amanheceu o dia de sábado.


Aquilo que era pra ser destacado como o resultado mais surpreendente de todas as rodadas de pesquisas realizadas até agora, escafedeu-se: o crescimento da candidatura de Dilma Roussef à presidência da República em quase dez pontos, em relação a pesquisa anterior da Vox Populi.

O G1, portal  da Globo dedicado exclusivamente a notícias, nem tchum. Basta abrir o site e constatar.

Está tudo dominado em suas entranhas.

Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, no blog do UOL, supera-se:

- "Dilma sobe menos se Ciro sai da disputa, diz Vox Populi".

Maneira safardana de dizer que Dilma subiu, e Serra desceu.

Leitor do blog, a propósito, diz que não será surpresa se, dia seguinte à vitória de Dilma Roussef, a Folha e seus ilustres colunistas estamparem:

- "Dilma ganha, mas não leva fácil. Já estão sendo apuradas denúncias de irregularidades nas eleições em vários Estados, inclusive em São Paulo onde as últimas pesquisas afirmavam categoricamente que Serra ganharia fácil"

A BAND, responsável pela contratação do Vox, segurou enquanto pode a pesquisa, lida com cara de mofo pelo CCCasoy.

O que diz a pesquisa?

Serra – 34%


Dilma – 27%


Ciro – 11%


Marina – 6%

Como a margem de erro é de 3%, pergunta-se: não pode haver um empate técnico aí nessa parada?

Num cenário benigno para a ministra, ela pode estar em 30% e o Zé Titanic, com 31%!!

Ouvido pela Record News, o governador de São Paulo, agora Zé Alagão, com cara de tacho, disse que   “pesquisa nesse momento é apenas um retrato”.

E nisso ele está certo.

Mas retrato desbotado.

Lula ainda não disse na TV, cara a cara com o povo, que a Dilma é candidata dele à Presidência da República. Até porque ele não pode dizer, a lei proíbe.

Ele só tem andado com ela pra cima e pra baixo.

O show ainda não começou!

A pesquisa Vox mostra que 50% dos eleitores sabem quem é Dilma, e dos que sabem, muitos a conhecem superficialmente.

A outra metade, não a conhece.

30% do eleitorado garante que votará no candidato indicado pelo presidente da República.

O PIG (Partido da Imprensa Golpista) força uma barra enorme para o governador de São Paulo, Zé Alagão, ficar em primeiro.

Tem 20 anos que o Serra está na vida pública nacional, deve ser conhecido por mais de 80% do eleitorado. Mesmo com essa longevidade de jabuti, o cara não sai (pra cima) dos 35%. O teto dele é esse aí.

Dilma tem 30% de base, com espaço pra crescer bem mais, principalmente quando Lula puder pedir votos a seu favor.

Como tucano gosta de correr da raia, há o risco do Zé Titanic, como também é conhecido o governador de São Paulo,  bater em retirada - o que é uma pena, pois ele seria o candidato mais fácil pra se vencer nas urnas.

Só que o PSDB paulistano morre de medo do Aécio Neves liderar o partido, muito menos tornar-se o nome mais forte da legenda.

Essa pesquisa Vox deve estar deixando o ninho de tucanos graúdos com medo de gavião.

Buspirona neles!

"Tratavam o povo como peso, estorvo, carga"

Reproduzido pelo chanceler Celso Amorim, vejam o discurso que o presidente Lula não leu em Davos, onde ele foi  consagrado, de vez, estadista global:



"Minhas senhoras e meus senhores,

Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo. Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida. Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado. Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.

Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial. Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo. O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo. O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

Meus senhores e minhas senhoras,

O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos. Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical. Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.

No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos. Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações. Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática. E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.

Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos. Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu. Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.

Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial. Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.

O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga. Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte? É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família. Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.

O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou? Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil. Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta. Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?

Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral? Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora. E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.

Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.

Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto? Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?

Meus senhores e minhas senhoras,

Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso? Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas. Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia. Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham? Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?

O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas? Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.

Meus senhores e minhas senhoras,

Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise. Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre. Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.

Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado. Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.

O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social. E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.

Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil. Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.

Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão. Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.

Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros. Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.

Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.

As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito. Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de "crédito consignado", que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.

Minhas senhoras e meus senhores,

Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil. Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país. O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora. O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.

Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global. A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação. Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.

Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias. É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar. Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde. Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos. E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Muito obrigado."

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Rios correndo


À direita, o rio Itacaiúnas.

Esquerda, majestoso, o Tocantins.

Encontro de águas bravias em tempo de chuvas.

São as águas de janeiro tufando  inverno.

Coligação tucana

Interlocutor do ex-governador Simão Jatene (PSDB) domiciliado em Marabá garante que quatro partidos estão alinhados com a pré-candidatura dele ao governo do Estado, sem incluir o PPS definido publicamente pelo nome do tucano.

Otimista, acha que Jatane fecha com, "pelo menos",  seis legendas.

Ladeira acima

Lá vem tormento, de novo, pra quem está próximo da ribanceira.

As águas do Tocantins e Itaiaúnas voltaram a subir.

Deve superar a cota de oito metros em cinco dias.

Corre-corre, outra vez.

Quase dentro

O atacante Wando está integrado ao elenco do Águia de Marabá, aguardando a liberação do  clube paranaense no qual ele jogava para disputar o Parazão defendendo o "Azulão".

Se for liberado, o Águia terá reforço de excelente qualidade.

Arrecadação recorde

A arrecadação tributária de Marabá, em 2009, superou todos os recordes: 48,7% a mais do que 2008.

Informação confirmada  pelo próprio secretário de Gestão Fazendária,  Karam El Hajjar, responsável pela implantação do moderno sistema de arrecadação on line, além de rígido mecanismo de cobrança da inadimplência..

Clic de Ramid

João Ramid, craque da fotografia paraense, desceu cedinho desta sexta-feira no aeroporto de Marabá, com escalas na cidade, Parauapebas, Carajás e Serra das Andorinha.

Cumpre pauta para publicação regional em fase de editoração.

Coisa boa deve estar vindo por aí.

Jeito cosmopolitano

Quem desce  ou embarca no aeroporto de Marabá, constata o movimento cada dia maior.

Dificil encontrar um conhecido.

Não demora, a cidade bate 500 mil habitante, já-já!

Encoxadinha, com todo respeito

O barato da semana:
     
- "Estava eu achando que era a nativa descendo até o chão e veio o gringo africano me encoxar, mas eu me saí bem. (...) Meu marido não ficou com ciúmes não. Foi uma encoxadinha respeitosa.”

Claudia Leitte, comentando a descidinha até o chão durante show do Akon, no Festival de Verão de Salvador, durante a qual o rapper, empolgado, acabou esboçando uma encoxadinha básica.

Mas que foi sensual, foi, bela Claudinha!

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Sons da mata


Carro de boi que não geme, não é bom. Carro de boi,  bom -, é o gemedor.

O  cão espreita, guiando, sons e movimentos.

Espaço-tempo de um retrato rural.

Espalhando cidadania


Em dezembro, a taxa de desempregou caiu mais ainda, recuando para 6,8% .

IBGE anuncia a queda para a taxa de patamares registrados em 2008, a menor da série histórica.

Longa vida, presidente Lula!

Gângsters modernos

Dirigente do PSB de uma cidade do Sudeste do Pará contando o tratamento que recebem de Ademir Andrade, quando alguém do partido discorda de qualquer orientação do cacique baiano, presidente da legenda:
                  - O partido tem dono. Quem ficar contra nossa orientação, está fora!

O papo veio no remanso das ameaças de destituição da direção provisória da legenda que o ex-senador vem fazendo a secretária estadual de Administração, Maria Aparecida, e expulsão do PSB de dois correligionários de Parauapebas que ocupam cargos na gestão de Darci Lermen.

É até engraçado ouvir essas conversas de macheza do Ademir, principalmente quando ele canta de galo na Câmara Municipal de Belém exigindo retidão e respeito dos colegas ao regimento interno, além de barrufar honestidade quando cobra ética do prefeito da capital.

Quem não o conhece, faz a compra do produto como algo verdadeiro.

Mas é ele, Ademir, o mesmo que a Polícia Federal flagrou metendo a mão no dinheiro da Companhia das Docas do Pará, elevado, então, no embalo da “Operação Galiléia” , à condição de delinqüente perigoso, por formação de quadrilha.

Graças as gretas de nosso arcabouço jurídico, Ademir Andrade foi libertado, e se elegeu vereador de Belém.

Mas, há quem diga, não tardará o tempo em que a Justiça o mandará cumprir outro mandado: o de presidiário em Americano.

Descaramento atrevido

Desavergonhadamente, é assim que a deputada estadual Bernadete ten Caten e o seu parceiro, deputado federal Zé Geraldo, ambos do PT, se apresentam agora ao povo paraense, regando ameaças ao governo do Estado, caso a superintendência do Sul do Pará do Incra não seja entregue a um de seus voluntariosos apaniguados.

A carta, entregue à direção estadual do Partido dos Trabalhadores, cujo teor foi divulgado com exclusividade pelo RD, do Diário do Pará, contendo as ameaças, é um desses documentos que passarão à História como uma das maiores cretinices praticadas contra o bom senso, a ética e o respeito às instituições.

O documento existe e é o que diz realmente o Diário do Pará.

Ele retrata, em síntese, o perfil dissimulado da deputada Bernadete, uma politiqueira carreirista que nenhuma contribuição, até hoje, provou ter dado ao povo do Pará, especialmente, à comunidade marabaense, de cujo seio ela despontou para a vida pública graças, primeiramente, à falta de lideranças políticas locais -, e às custa de muita balela, lero-lero e um enfadoinho discurso populista.

O documento precisa ser publicado, em sua íntegra, para a população conhecer as intenções escabrosas da parlamentar, protegida sob o manto de um mandato parlamentar.

Rifada do meio por onde muitos anos trafegou com desenvoltura, ludibriando agricultores ávidos por um pedaço de terra documentado, Bernadete, em verdade, está vendo sumir entre as mãos, qual água escorrendo sem rumo, a possibilidade de retornar à Assembléia Legislativa, diante do lançamento da pré-candidatura do superintendente do Incra, Raimundo Oliveira.

Além de ter agora que enfrentar uma candidatura fortalecida pelo apoio das principais lideranças do campo – que a abandonaram por não acreditar mais em nada do que diz- , no Sul do Pará, a parlamentar petista se viu também obstacularizada ao embate por não ter, à disposição, a máquina administrativa que ela usou a exaustão, na campanha de 2006, facilitando a conquista dos votos que a elegeram.

No limiar do desespero, o que faz, apoiada pelo “simpaticíssimo” Zé?

Parte para a chantagem explícita.

Isso assim, de cara, com assinatura de documento e tudo!

Escândalo!

E mais degradante: exigindo exatamente o cargo no qual ela, a deputada estadual Bernadete ten Caten, praticou todo tipo de invernada suspeita, conforme sentença da Justiça Federal que suspendeu, por cinco ano, seus direitos políticos, acusada de malversação de recursos federais.

(A deputada sobrevive ainda na alça do mandato graças a um mandado de segurança, valendo até o falado transitado e julgado da questão)

Só para refrescar a memória.

A Justiça Federal constatou todo tipo de sacanagem manipulada pelas mãos da engenhosa parlamentar, enquanto esta dirigia o Incra.

Aqui e Aqui.

Valor do desvio?

Anota: R$ 75 mil.
Uns trocadinhos, pra classe política, mas desvio.

No pedido de condenação da deputada, um dos procuradores federais chegou a escrever o seguinte:

                  - “Mais uma vez, na realidade do Incra no Pará, ou se realiza uma mudança de rumos, ou continua a se transformar a reforma agrária em números e madeira”.

Constatação cristalina. Curta. Mortífera. Na jugular.


Em suas ameaças, no meio da arena, Bernadete é bem clara: dá o Incra ou vou bater chapa com a governadora.

Isso aí retrata perfil, personalidade e trejeitos de Bernadete.

É preciso conferir, letra por letra da carta enviada ao PT:  impressionante semelhança de estilo e de falta de escrúpulos dessa cambada.

Parece lance de organização mafiosa onde o último recurso é sempre ameaçador.

A mesma arrogância, falta de limites, uso recorrente da ameaça, tão ao feitio da moçoila.

Essa é a velha Bernadete densamente conhecida aqui no Sul do Pará.

Muito parecida com o Ademir Andrade, devem ter saído da mesma escola.

O Zé, então, nem se fala!

É sempre assim, quando se convive com o autoritarismo: os golpes são cometidos pelos que se veem diante da possibilidade de perder uma eleição.

O que Berna e exercitam, no fundo, é uma tentativa de golpe branco por exclusão.

- Perco isso, mas vocês irão perder aquilo. Senão eu chuto o pau da barraca.

Nesse ato de chantagem da dupla,com assinatura devidamente reconhecida, pegando com jeito, caracteriza-se quebra de decoro parlamentar, a  proposta indecente e carregada de sem-vergonhice.

Os dois agem estuprando a ética e o respeito ao estado democrático.

Qual o problema na disposição de Raimundo Oliveira lançar-se pré-candidato a deputado estadual?

Nenhum!

Ele tem esse direito, como temos os brasileiros aptos ao processo eleitoral.

A pergunta de um milhão, pois, é a seguinte: o governo vai cair nessa?

Vão encolher as perninhas e deixar a Berna e o Zé remoerem fígados?

Seria o fim, e descrédito, definitivo, no que ainda resta de esperança nesta terra.

Marabá na FIESP

O jornal Valor Econômico fechou a data para a realização do seminário de negócios, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, reunindo o PIB nacional e empresários interessados  na verticalização mineral no Pará, e na borda dos investimentos em torno de Belo Monte.

Será dia 15 de abril.

Temas como a Hidrovia do Tocantins, implantação da Alpa e do Projeto Aline - bem como investimentos previstos para Barcarena, hidrelétricas de Marabá e Belo Monte integram a programação, cujo esboço final será apresentado em feveiro.

O jornal publicará ainda uma revista sobre o encontro.

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atualização 21:43

A propósito, ministro Alexandre Padilha está articulando, para o mês de março, a vinda de Lula e Dilma a Marabá, alguns dias antes do prazo de desincompatibilização  da ministra da Casa Civil. O presidente da República virá dar o pontapé das obras da ALPA - Açõs Laminados do Pará. Governadora Ana Júlia e o deputado Paulo Rocha conversaram com Padilha sobre a viagem presidencial.

Fabricando audiência

Não tinha viagem do pôster a Belém que não terminasse no Bar do Ranulfo, anexo à sede da Escola de Samba Quem São Eles.

Bastava um telefonema pro Juvêncio, e lá se largava ele, de onde estivesse, no seu Jeep Cherokee inconfundível, para nos pegar na porta da Bijou – a melhor panificadora de Belém, ao lado do prédio onde moramos, na Rui Barbosa com Aristides Lobo.

Quase sempre depois das 18 horas, a gente ficava numa mesa escondidinha, amolando papo generalizado.

Ranulfo e Juvêncio se tratavam como irmãos.

Nas longas conversas, esticadas até próximo a meia-noite, e que invariavelmente acabavam no Doca Spetus, cervejando com o Orly Bezerra, dono do point , Juvêncio gostava de passar dicas da experiência que ele já acumulava na blogosfera, autor do blog de maior recall e o segundo mais acessado (o do Jeso continua registrando, disparado, o maior número de visitantes).

Num desses proveitosos encontros, e com a experiência de pelo menos dois anos à nossa frente tocando seu blog, Juvêncio sugeriu trocar o contador de acessos que utilizávamos, até então, exaltando a eficiência do Site Meter (até hoje medindo os acessos ao Quinta Emenda) como ferramenta de auditoria de audiência e a credibilidade que o serviço repassa aos blogs, também de credibilidade.

Nessa noite, Juvêncio contou do desvio de personalidade de alguns posters que, cheio de safardanas, acionam o contador de acesso no page view, em vez do IP único, com objetivos bobos de avolumar acessos que não possuem.

Para o leitor meio desconectado dessa linguagem de blogueiro, no page view, o contador registra acessos com simples toque na tecla enter. É só teclar para o contador girar números.

Na outra configuração, IP único, o visitante só é detectado pelo seu endereço da Internet (IP). Entrou, registra.

A lembrança dessa conversa com o Arruda veio a reboque da constatação, esta manhã, de que tem neguinho aí “bombando” no Page view.

Fazia tempo não dava uma geral na blogosfera paraense, já que nos limitamos a abrir, diariamente, no máximo cinco blogs para atualizar a pauta, e, ao constatar o “universo” de visitantes em determinados endereços, caraca!, o Arruda era craque mesmo na sondagem dessas bandalhas.

Pior: isso não tem nenhum significado prático.

Pura bobagem!

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Filha de Lula contesta NYT


Lurian Lula da Silva, filha do presidente Lula com Miriam Cordeiro, mandou uma carta à redação do New York Times reclamando da crítica feita pelo jornal americano ao filme "Lula, O Filho do Brasil".


O texto, assinado pelo jornalista Alexei Barrionuevo, diz que o filme "falha ao não mencionar que Lula abandonou a namorada, Miriam Cordeiro, quando ela estava grávida de seis meses."

Na carta ao New York Times, Lurian começa contestando o erro de informação do jornalista: "Primeiro, minha mãe não foi abandonada. Apesar do fim do relacionamento, meu pai arcou com todos os custos médicos, incluindo exames pré-natal e o parto. Além disso, registrou meu nascimento logo no dia em que eu nasci. Isso não condiz com o perfil de alguém que abandona uma mulher grávida."

Depois, Lurian argumenta que não havia motivos para ela ser mencionada no filme, já que ele retrata um período da vida de Lula - da infância ao sindicalismo - em que ela ainda não havia nascido. Lurian vai completar 36 anos em março - nasceu em 1974. "Nenhum dos filhos do meu pai aparecem no filme. Então por que eu deveria aparecer?", ela questiona.

Lurian termina a carta dizendo que adorou o filme e que concorda com o presidente americano, Barack Obama: "Lula é o cara!"

Para ler a carta publicada pelo New York Times, clique aqui.

Buritirama em debate

Não será mais dia 29 de janeiro, a Audiência Pública para avaliação do projeto do Terminal Portuário de Minério de Manganês, da Mineração Buritirama S.A, a ser montado em Barcarena.


A Sema anuncia alteração de data para 18 de fevereiro.

Audiência destina-se a informar a população do município sobre o projeto do terminal portuário e seus potenciais impactos ambientais, oportunizando a todos discutir ainda o Relatório de Impacto Ambiental (Rima). O resultado da discussão subsidiará o parecer técnico emitido pela Sema, para a concessão do licenciamento ambiental.

Oásis tropicais


Navegando sobre um rio de nuvens.

Os filhos de Lula

Não tem dia que não saia, nos jornais, notícias boas do governo Lula. Basta selecionar o que prefere e em qual área.

Hoje, por exemplo:


1-O programa Minha Casa Minha Vida, lançado em abril de 2009, sozinho, responde pela contratação de R$ 14,1 bilhões do total de R$ 47,05 bilhões de financiamentos imobiliários liberados, em 2009, pela Caixa Econômica Federal.

Recorde da história.

Á época de FHC, falava-se atém na privatização da CEF.

Mata a cobra e mostra o pau, Aqui.


2- Depois de ultrapassar a Rússia, antiga potência da área, na produção científica, o Brasil caminha, célere, para assumir a segunda posição entre os quatro países em desenvolvimento – o chamado BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China).

E chegamos a essa condição porque Lula determinou , nos últimos sete anos, que o Brasil invista, anualmente, 1% do PIB em produção científica do Brasil.

Os Estados Unidos, maior potência do mundo, aplica cerca de 2% de seu PIB.

Mata a cobra e mostra o pau, Aqui.


3- A Petrobras subiu do nono para o quarto lugar no ranking das 50 maiores empresas de energia do mundo,

Na época de FHC, a empresa quase falida, corria o risco de ser privatizada. Teve até plataforma afundada por falta de investimentos.

Mata a cobra e mostra o pau, Aqui.


4-Antes de terminar o mandato do atual presidente, o Ministério da Educação baixa portaria regulamentando o Sistema Unificado de Seleção Unificada para selecionar estudantes às universidades e institutos federais que aderiram ao uso do Enem.

Mata a cobra e mostra o pau, Aqui.

Visibilidade nacional

O jornal Valor Econômico realizará encontro de negócios, em São Paulo, destacando  em painel o Distrito Industrial de Marabá como futuro pólo de convengência de grandes empreendimentos industriais.

A direção do respeitado veículo do segmento produtivo já entrou com contato com autoridades do Estado apresentando esboço da programação.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Saudade do tempo das lambretas

Na tarde desta terça-feira, 26, o blogger avistou um rapaz passando numa esquina aqui de Marabá montado numa lambreta. Fazia anos não via uma.

Aparentemente bem antiga, nem sei como o condutor da mesma a mantém funcionando dado a necessidade de reposição de peças para sua manutenção.

Ao avistar o veículo, um filme antigo rodou a cabeça.

O poster chegou a curtir a fase das motocicletas lambretas. E das vespas – grande maioria montada na Itália.

Não faz muitos anos, ainda tinha uma foto, preto e branco, claro, conduzindo um amigo na garupa. Não sei como, desapareceu, relíquia que faria um bem danado ao saudosismo dos anos dourados.

Andar de lambreta em Marabá era para poucos.

A namorada, agarradinha, sentava de lado, sem risco de queimar as pernas no escapamento – nem de ferir com os raios da roda traseira.

A roda, bem pequena, oculta sob o veículo, não podia ser tocada por alguém desatencioso.

O escapamento, bem curto, ficava oculto sob o veículo.

A bela namorada, hoje casada, evidente, nas noites de baile quase sempre na sede da ACROB, usava vestidos rodados que esvoaçavam literalmente, estimulado pelo vento da lambreta em alta velocidade, quando ia buscá-la, escondida dos pais, e saíamos aloprados pelas ruas estreitas da Velha Marabá, com raríssimos carros.

Se houvesse na cidade dez veículos quatro rodas, era muito.

Modéstia de lado, a época, essa namorada do blogger foi a mais cobiçada do pedaço, quase sempre causadora de frisson quando chegávamos aos ambientes freqüentados pela nossa tchurma.

Beleza singela, com pouco mais de 15 anos, adorava usar cabelos presos por um laço, sapatos delicados, sentada em pose provocante, que uma motocicleta dos dias atuais não permitiria.

Numa de tantas noites vividas nas ruas da cidade, saindo de baile e de festinhas na casa de amigos, a garota resolveu um dia aprender a dirigir a motocicleta, prontamente atendida pelo namorado em paparicos.

Foi maior aventura, porque a moça soltou a aceleração da moto antes que o poster sentasse na garupa para orientá-la, seguido de corre-corre por ruas e becos, de toda a turma tentando parar a namorada em radicais, e perigosas manobras, soltando risadas de felicidade sem medir o tamanho do perigo que corria.

Era cedo ainda, e na praça Duque de Caxias, única área de lazer existente, crianças, jovens e adultos conviviam pacificamente no ambiente, colocados, subitamente sob o risco de nossa adorável irresponsabilidade.

A imagem, guardadas proporções e cenários, lembra Roman Holiday, onde Gregory Peck e Audrey Hepburn detonam emoções deliciosamente loucas montados numa vespa.

Tem razão Paulo César Pinheiro ao recitar  que “o importante é que a nossa emoção sobreviva”.

Mas, em todo o caso, isso não passa de delírio saudosista.

Entendam.

“Enchente doida”


Cruzando o rio, a ponte.

Embolando no rio, a cheia – que chega e vai.

Vai e volta, agora chamando José pra medir seu volume.

- Rum! Essa água tá com cheiro de enchente ´doida´....

A força do Navegaprá

Os brasileiros podem a acessar Internet a velocidades realmente rápidas? Em algumas cidades, relativamente, sim – apesar dos caríssimos pacotes vendidos pelas operadoras.

Em São Paulo, como exemplo, a Telefônica disponibiliza banda ultralarga com acesso de 30 Mbps por fibra óptica, além de sistema de televisão por IP. Embora seja demorado para inicializar, funciona bem. As taxas de download, na maioria dos casos testados, são compatíveis com a velocidade oferecida.

Mas acesso a serviços de banda realmente larga, tão comuns há um bom tempo nos países mais desenvolvidos, ainda é sonho para 90% das cidades tapuias. E aqui não estamos falando da banda larga tal como ela é considerada pelos órgãos oficiais e institutos de pesquisa, mas de velocidades acima dos 8 Mbps (megabits por segundo).

Na frente mesmo, anos-luz, de todo mundo, apenas o Japão, ofertando links com velocidade de 1 Gbps (gigabit por segundo), o suficiente para baixar mais de 1.500 faixas em MP3 de cinco minutos ou cerca de 11 filmes em coisa de um minuto.

Em média, provedores e operadoras com serviços no Estado do Pará, apesar de propagarem oferta de até 3 GB, na medição final de transmissão, os testes de download apontam resultados grosseiramente inferiores a velocidade oferecida.

Às vezes, velocidade efetiva inferior a 800 Kbps.

Provedores, estes nem é bom falar.

Na vida real, por mais ultralarga seja a banda contratada, há uma série de fatores que podem sabotar a performance da conexão. Um exemplo bem abrangente e corriqueiro é esbarrarem algum gargalo entre a residência do usuário e o site acessado, como um pico de tráfego causado pelo excesso de usuários online em determinado momento.

Algo novo  ocorreu ontem, e hoje, com medições realizadas, aqui na empresa, por técnico contratado para melhorar a transmissão de streaming de vídeos e áudio.

Descoberta casual.

Trabalhando a medição do sinal do provedor que atende a produtora, rastreamos o Navegapará bombando na área, com taxas de transferências exatas de 3.8 megabits.

Espanto geral!

De onde vinha o sinal? Do Infocentro instalado na Escola Gaspar Viana, na Folha 16, em linha reta distante 400 metros do local onde estamos.

O mais empolgante nessa história, foi o horário da medição: 16h40, de segunda-feira, exatamente na hora do rush cibernético.

Agora pela manhã, às 10h45, nova medição do Navegapará: 4.3 Mbps.

Entre 10h50 até às 11:10, o streaming de vídeos em HD enviados a Belém ocorreu sem problemas, assim como a navegação em pesados sites em flash. Registradas apenas pequenas oscilações entre 4.1 e 4.3 megabits.

Técnico, blogueiro e alguns colegas de trabalho, ficamos discutindo a importância do Navegapará e os benefícios que esse projeto trará ao desenvolvimento do Estado, em pouco tempo.

Numa rápida projeção, pegando apenas o Infocentro da Escola Gaspar Viana, calculamos cerca de 1, 5 mil residências com possibilidade de estarem sendo cobertas pelo sinal do Navegapará, nesta área.

Sem contar o restante da cidade, onde em seus três núcleos populacionais, existem oito Infocentros funcionando.

Basta fazer projeções.

Internet gratuita. De alta velocidade.

Repetida as medições, nesta manhã, abrimos em seguida o site do Navepará e constatamos,  média extraordinária de velocidade, a ponto dos picos passarem de 5 MBps, conforme mostra o gráfico de acessos ao Infocentros da Folha 16 (Escola Gaspar Viana).
Depois dessa descoberta, a empresa do poster tem disponível dois serviços. Um, ofertado pelo provedor privado; o outro, do Navegará, rapidíssimo, e, melhor dos mundos, de graça.

Tem presente melhor?!

Escritores, uni-vos!

Escritores do Sul e Sudeste, atentos!

Termina dia dia 1º de fevereiro,  inscrição ao Prêmio IAP de Artes Literárias 2010, do Instituto de Artes do Pará.

Saibam como participar, Aqui.

Os desvalidos da Vale

A Assessoria de Comunicação da Vale informa que  a mineradora  patrocinará a restauração da estátua do Cristo Redentor, eleita  uma das Sete Maravilhas do Mundo.

No embalo da valorizada jogada de marketing, veja essa pérola do diretor de comunicação da Vale, Fernando Thompson, justificando o altíssimo investimento do babado:

                       - "Este é um projeto carioca, porque o Cristo está no Rio; brasileiro, porque ele é um símbolo nacional; e mundial, porque o Cristo foi reconhecido como uma das Sete Maravilhas do Mundo. Nada mais natural do que a Vale, que é uma empresa brasileira, global e reconhecida como líder mundial de minério de ferro, se associar ao Cristo. Queremos trabalhar esta brasilidade vencedora globalmente".

Como miséria e fome esticadas no interior do Pará pelos grandes projetos minerais não simbolizam encantamento, a Vale  pisa bonito no freio quando solicitada para patrocinar os clubes paraenses.

Hoje, nem pré-temporada  do Águia no território de Carajás,  a poderosa permite.

Tudo dominado

O painel tradicional dos veículos – aqueles analógicos -, está indo pro espaço.
A onda agora é reunir todas as funções de instrumento num sistema digital , agregando - além das informações corriqueiras como velocímetro, nível de consumo de combustível, etc. -, controle do ar-condicionado , tocadores de CD e DVDs, , rádio, iPhone, iPod, navegação GPS, comando de voz, , notebook, Twitter, telefone celular, internet sem fio, enfim, uma parafernália de brinquedinhos da maior valia.

Veja que coisa legal!

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Assim já é demais!

Reflitam sobre essa  informação liberada agorinha pela Assessoria de Comunicação do Ministério Público Federal- PA:

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça nesta segunda-feira, 25 de janeiro, que seja anulada a portaria que permitiu a atuação da Força Nacional de Segurança no Pará, Rondônia e Mato Grosso, e que o Ministério da Justiça seja impedido de autorizar novas operações do grupo em todo o país.

Para o procurador da República Fernando Aguiar, que atua em Belém, a continuidade das operações da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) é irregular. “A FNSP já está atuando ininterruptamente nesses Estados há mais de anos, o que contraria os termos do próprio Decreto que a instituiu, segundo o qual a atuação daquela Força deve dar-se sempre de forma episódica, e não de forma permanente como está ocorrendo”, critica.

No novo pedido sobre a extinção da Força Nacional, o MPF solicita a revisão da primeira decisão judicial sobre o assunto. No ano passado, a juíza Hind Ghassan Kayath, da 2ª Vara Federal em Belém, negou o pedido liminar (urgente e provisório) para anulação da portaria de designação da Força Nacional para operação no Pará.



Nota do Blog: Essa turma do Ministério Público só pode estar com a cabeça na lua, ou desconhece totalmente a realidade do povo brasileiro.

Caraca! Faltando policiais em todos os Estados para combater a violência, propor a extinção da Força Nacional de Segurança, criada para ajudar a aliviar tensões, só pode ser proselitismo do mais refinado mau gosto.

Desconfia-se que essa turma não coloca os olhos na janela de casa ou do trabalhio para ver a cor do mundo.

Só pode ser!

Empresário pode ter morrido em acidente

O diretor-presidente do Grupo  Reicon, Luiz Rebelo Neto, pode estar entre os possíveis  mortos que se encontravam numa aeronave bimotor que caiu no final da tarde na região do Xingu, no município de Senador José Porfírio.

As primeiras informações indicam que o avião caiu em meio a uma tempestade, com quatro passageiros.

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atualização às 19:02

O portal das ORM informa que a aeronave teria feito um pouco forçado.

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Mais atualização

O portal do Diário do Pará  não tem informações sobre mortes ou feridos.

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atualizado às 23:20

Confirmado furo do blog: o empresário Luiz Rebelo estava no interior da aeronave que caiu em Senador José Porfírio, sendo uma das vítimas fatais.

Mais.

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atualizado 08:32 (26/01)

Quem realmente saiu à frente de todos, não foi este blog. Mas o Na Ilharga, que às 17:44 de ontem postou a seguinte nota:

Neste momento, corre na cidade a informação de que um avião Bandeirantes, que ia no rumo do município de Senador José Porfírio, caiu. Segundo essa informação, estavam na aeronave o empresário da REICON Luiz Rebelo e mais oito executivos. Não há ainda informações a respeito de sobreviventes.

Somente agora, percorrendo a blogosfera, o poster constatou que o "furo" não foi nosso, mas do blog do Jorge Amorim.

Nossas desculpas.

No campo de guerra

O governo do Estado mostrou sua força em Altamira, atropelando o PSDB.


Nesta tarde, o prefeito de Anapu, Francisco de Assis Sousa – o “Chiquinho do PT” – foi aclamado presidente do “Consórcio Belo Monte”, formado pelas prefeituras de onze municípios da área de influência da futura hidrelétrica de Belo Monte.

A prefeita de Altamira, Odileida Sampaio (PSDB), esmagada pela articulação governamental, não conseguiu apoio nem para formar a chapa oposicionista.

O vice-presidente aclamado na chapa única é Ivo Muller, prefeito de Medicilândia, do DEM.

Esse resultado, certamente, Odileida está creditando à articulação de Cláudio Puty, Chefe da Casa Civil de Ana Júlia, que se mobilizou no campo adversário e conseguiu unir PT e DEM na empreitada.

"Mensalinho" no Detran!

Mexer em cargo de Examinador do Detran, principalmente lotados no interior, é mexer em vespeiro.

Essa a razão principal da briga de Joércio Barbalho, Diretor das Unidades Regionalizadas, com o diretor-Geral do órgão, Alberto Campos, que decidiu  fazer remanejamento de servidores no rastro de algumas denúncias chegadas ao Detran apontando irregularidades, supostamente praticadas por subalternos  colocados por Joércio em alguns municípios.

O pau rolou solto, principalmente, depois da mexida no Detran de Marabá, e de Paragominas.

Há, inclusive, denúncias do repasse mensal de "cotas" que chegam até a R$ 3 mil supostamente recolhidas por servidores para o atendimento de "necessidades prementes" de superiores.

Alberto Campos, informa fonte do blog, estaria no encalço da origem do que já estão chamando de "Mensalinho do Detran".

Uma das primeiras providências foi proibir a entrada do motorista de Jorércio Barbalho nas dependência do Detran. Paulo César, que já foi assessor da ex-deputada Elza Miranda, atuava não apenas como condutor do veículo do Diretor de Unidades, mas revelando-se também exímio operador-geral nos contatos imediatos com a turma do interior do Estado.

Em Marabá, Paulo César é figura bastante conhecida e tem a alcuna de "PC".

Ao concretizar as duas mexidas - proibição  do acesso de "PC"  no prédio do Detran e as transferência para Belém das examinadora  de Marabá e de Paragominas,   Alberto Campo bateu de frente com Joércio.

A guerra declarada dos dois passou a preocupar autoridades mais graúdas do Estado.

Nos mares da Dinamarca

Pra quem acha que tourada e farra do boi são “festas tradicionais” de uma nação, ainda não viu nada.
A Dinamarca é considerada uma das nações mais civilizadas do mundo.

Recente pesquisa sobre qualidade de vida nos países membros da União Européia apontou os dinamarqueses como os mais satisfeitos e realizados, com índice de felicidade de 8,3.

Os menos felizes são os búlgaros, com 5,8.

Talvez por terem índices de felicidade tão elevados, os dinamarqueses se estressam e voltam aos tempo das barbáries.

Veja a foto abaixo.

O círculo avermelhado representa uma das provas do que o blogger afirma acima.

É resultado disso aí: matança de golfinhos, baleias Piloto e baleias Bico, uma “festa tradicional” realizada anualmente nas Ilhas Faroe.


Para indignar-se, muito mais. Mais fotos.


  

O pôster tomou conhecimento dessa crueldade através de corrente de email enviado pelo amigo Gerson Nogueira, anexado a abaixo-assinado denunciando o ato criminoso, que já foi reencaminhado com nossa assinatura


Esse massacre faz parte de um ritual de passagem do jovem para a fase adulta, “festejado” desde 1954.




Os golfinhos Calderon têm como hábito aproximar-se do homem para interagir com ele, brincando horas.

Quando capturados, são cortados com ganchos grossos, mas não morrem instantaneamente. Nesse momento, os dóceis mamíferos produzem um som estridente bem parecido com o choro de um recém nascido.



Durante a barbárie, os animais sangram lentamente, sofrendo com feridas enormes até perder a consciência -, morrendo afogados no seu próprio sangue.

Se clicar aqui, abrirá uma página para você colocar sua assinatura. O abaixo-assinado cairá em e-mails de diversos organismo internacionais, inclusive na ONU, pedindo para as nações combaterem esse crime.

Também o blog exorta todos a bombardearem a Embaixada da Dinamarca, no Brasil, condenando a matança dos mamíferos, através deste site:

http://www.ambbrasilia.um.dk/br

Pelo menos protestar contra essa atrocidade,  é um gesto de muita grandeza por parte dos brasileiros.

domingo, janeiro 24, 2010

Garoto bom de bola

Aleilson, aquele que era do Águia de Marabá, assumiu a liderança isolada do Campeonato Carioca, ao marcar dois gols na  vitória por 5 a 1 do Olaria contra o Americano, em Campos.

Foi a maior goleada do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro.

Aleilson tem agora cinco gols.

Vale a Pena Ver de Novo

Uma vergonha!

Somente agora, assisti, no Youtube, o vídeo com vazamento de áudio em que o Boris Casoy, o grande moralista, com biquinho e tudo, foi flagrado em seu preconceito, que eu nem reproduziria aqui, se o Casoy não fosse um dos representantes dos narizes empinadinhos.

Os tais que se acham superiores, que zombam de um presidente monoglota e com poucos estudos.

Pois o homem do biquinho falou demais, o áudio do Jornal da Band já estava no ar, e ele sifu, como diria o sindicalista inguinorantchi.

Que eles passem o ano assim, deixando que suas máscaras caiam, é o que desejo.

Tiros contra a Funai

Por    José Bessa Freire 

Meninos, eu vi! Segunda feira, 8 de maio de 2006. Dez horas da manhã. Sol de outono. Muita luz. No Rio, o ministro da Cultura Gilberto Gil, de trancinhas, inaugura o primeiro museu construído dentro de uma favela, no Complexo da Maré. Oradores se sucedem ao microfone. É anunciado, enfim, o discurso ministerial de encerramento da solenidade. Acontece, então, o inesperado. O ministro pega um violão e, em vez de discurso falado, faz um discurso cantado, improvisando:

                 - Meus senhores e minhas senhoras. O público, acionado por ele, responde também cantando, como nas rodas de capoeira:

               - Ê, minhas senhoras, camará. O ministro prossegue:

               - Nós estamos aqui re-u-nidos.

             - Ê, re-u-nidos, camará!.

          - Inaugurando o Museu da Maré”.

         - Ê, da maré, camará! No Projeto Memória Viva. Ê, memória viva, camará!

E por aí foi. Durante uma hora, mostrou a importância do Museu da Maré para a memória e para o exercício da cidadania, sempre cantando, ele e o público. Foi um dos mais belos discursos que já ouvi feito por um ministro. E não era um ministro qualquer. Ele rompeu a chatice formal e monótona da burocracia, entronizou a capoeira e carnavalizou a solenidade, dialogando com a audiência.

Gil saiu dali para outro compromisso, em uma universidade carioca, onde conversou com os estudantes. Auditório lotado. Aqui, não cantou. Sua palestra foi interrompida por um índio, na platéia, que assim, gratuitamente, apontou-o como inimigo dos povos indígenas, esculhambando o Ministério da Cultura. Constrangimento geral.

          - Você errou. Entendo teu desespero, mas ele não foi canalizado em direção ao alvo certo. Gil, decididamente, é a favor dos índios, e não é ele que deve ser combatido. Ele deve ser aplaudido, como na favela da Maré. Ai de quem não sabe reconhecer os amigos e os adversários! Esse dá um tiro no pé, fere seus aliados, fortalece o campo contrário, e está condenado à derrota - argumentei depois ao índio, meu ex-aluno, com quem mantenho relações cordiais.

O primeiro tiro

Esse foi, no meu entender, o erro de alguns índios que deram dois tiros no pé, quando firmaram abaixo-assinado, que está circulando na internet, elaborado por um funcionário descontente da Fundação Nacional do Índio (Funai). O documento, que até ontem contava com 35 adesões, ataca o presidente da instituição, Márcio Meira, e se manifesta contra a reformulação do órgão, aprovada em decreto assinado por Lula no dia 28 de dezembro. São dois grandes equívocos. Quer apostar? Vamos ver.

O primeiro tiro no pé foi atacar Márcio Meira. Será que ele é inimigo dos índios? Quem responde é sua história de vida. Formado em História pela Universidade Federal do Pará e pós-graduado em Antropologia pela Unicamp, o que foi que ele fez com os conhecimentos que adquiriu? Usou esse saber para identificar e reconhecer os territórios indígenas do Rio Negro, coordenando o GT, em sintonia permanente com a FOIRN - Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro.

Como antropólogo, Márcio varou os rios e igarapés do Amazonas e conviveu com os Warekena, do rio Xiê, no Rio Negro, com quem aprendeu os segredos da floresta. Sua tese “No tempo dos patrões” contribuiu para conhecer o sistema de aviamento, responsável pela exploração de índios e cabocos. Os “patrões” não gostaram, mas os índios e cabocos agradeceram.

No campo político, teve atuação decidida pela inclusão dos direitos indígenas na Constituição de 1988. De lá para cá, travou batalhas importantes, como a luta pela Terra Indígena Raposa Serra do Sol e pelas terras dos Guarani-Kaiowá (MS). Sua vida revela compromisso, firme e inabalável, em defesa dos direitos indígenas, de suas terras, línguas e culturas. Os invasores de terras indígenas e grileiros aplaudem qualquer ataque a Márcio Meira.

No campo administrativo, ele presidiu a Fundação Cultural de Belém e dirigiu o Arquivo Público Paraense, com quatro milhões de documentos abertos aos pesquisadores. Publicou, em sua gestão, informações de interesse dos índios. Assumiu, depois, a Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, criando espaço para a temática indígena no debate sobre o Sistema Nacional de Cultura. De lá, saiu para presidir a FUNAI, propondo agora sua reestruturação.

O segundo tiro

O outro gol-contra foi justamente condenar a reestruturação da FUNAI. O ex-presidente Sarney, que adora uma boquinha e é capaz de dar a vida para colocar um parente ou afilhado num cargo público, enfrenta o cão chupando manga, mas não se mete com a Funai.

     - A presidência da Funai é o pior cargo do mundo - disse Sarney, que entende do babado.

É que a Funai se tornou um saco de pancadas, desde a época em que eu era o editor do Porantim, em Manaus. O órgão herdou uma estrutura arcaica e viciada do antigo Serviço de Proteção aos Índios, consolidada na ditadura militar, que exerceu de forma autoritária a tutela. Hoje, a estrutura permanece praticamente a mesma, os recursos para garantir os direitos dos índios continuam escassos e os servidores são poucos para atender quase um milhão de índios.

Mesmo os funcionários da Funai comprometidos com os índios estão com os pés e as mãos atados dentro dessa estrutura. Na semana passada, acompanhei um deles, que trabalha em Brasília, a uma aldeia guarani do Rio de Janeiro. Ele estava de férias, não tinha obrigação, mas foi até a aldeia, com sua namorada, para encaminhar um problema de terra. Ouviu reclamações duras e cobranças legítimas. Acontece que o órgão está sucateado e debilitado.

Os guarani Mbya estão descontentes com essa estrutura da Funai, como disseram em carta a Márcio Meira, com cópia para Lula, através da Comissão Nacional de Terra Guarani Yvy Rupa. Eles lembram que muitos Postos Indígenas (PIN) contam apenas com um funcionário, sem escritório, sem equipe, sem estrutura de apoio. É por isso que se manifestaram favoráveis à reestruturação do órgão, que responde a uma reivindicação antiga do movimento indígena não atendida por sucessivos governos.

A reestruturação do órgão prevê a substituição dos PINs por Coordenações Técnicas Locais, com equipes qualificadas e comprometidas, formadas por servidores concursados, conforme já foi sinalizado nos artigos escritos por Gilberto Azanha e Márcio Santilli. O quadro funcional da Funai será acrescido de 3,1 mil funcionários com concurso para mais de 400 vagas já em 2010.

O documento contra Márcio Meira, que circula na internet, defende interesses corporativos, contrariados pela proposta de reestruturação. O documento é estranho e encerra uma contradição, porque ao mesmo tempo em que admite a inoperância da Funai, defende que permaneça como está. Não quer que se mexa na estrutura viciada. Quer que tudo fique como está para ver como é que fica. Não propõe mudanças.

Os índios que vivem hoje no Brasil resistem há mais de cinco séculos. Aprenderam a reconhecer seus aliados e a identificar seus inimigos. Sabem que a Funai precisa ser dotada dos instrumentos adequados para defender os direitos indígenas com mais eficácia e intermediar os conflitos com setores da sociedade nacional, restabelecendo a paz. Talvez, seja o momento de imitar Gilberto Gil e saudar a proposta de mudança, cantando:

     - Ê, olha a Funai, camará!.

E ficar de olho no desdobramento da proposta.


                                                                       ♦ José Ribamar Bessa Freire, professor  coordenador do Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ)  e edita o site-blog Taqui Pra Ti .