quinta-feira, março 05, 2009

Casa de marimbondo

Ronald Junqueira, ex-editor do jornal Público, acaba de ser nomeado pelo Superintendente do SEBRAE, Tião Miranda, novo assessor de comunicação da entidade, substituindo a competente publisher Beth Mendonça, que tinha contrato até julho, e foi cancelado unilaleralmente.

Não ficou por ai: cancelou patrocínios do SEBRAE nos programas Feito no Pará (RBA) e Fala Pará (Record), basicamente voltados para estimular o empreendedorismo.

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atualização às 10:20 (06/01)

O Superintendente do Sebrae, Sebastião Miranda, expôs esclarecimentos a respeito do post:

1- A publisher Beth Mendonça não era funcionária da entidade, apenas prestava serviços de assessoria de imprensa, cancelado;

2- O contrato com a agência CA será honrado até junho, prazo de validade;

3- A contratação de Ronald Junqueira, segundo Tião, deve-se a competência comprovada do jornalista, e não pelo fato “dele ter sido editor do jornal O Público” – como se o post assim tivesse informado.

(lendo acima, está claro: "Ronald Junqueira, ex-editor do jornal Público, acaba de ser nomeado pelo Superintendente do SEBRAE".)

4- O cancelamento dos patrocínios dos dois programas de televisão mencionados no post será mantido, “enquanto eu faço um levantamento do que está sendo aplicado em publicidade”, disse.

5- Em junho, o SEBRAE abrirá licitação para a contração de nova agência de publicidade.

NB- Grifos são do poster.

Sabe com quem tá falando?

Quem assistiu a audiência dos promotores públicos com o prefeito de Marabá, para tratar da terceirização de serviços de coleta de lixo, sem licitação, diz que nunca tinha visto aplicação de saia-justa tão bem talhada pelo prefeito nas autoridades do MP.

Maurino Magalhães entrou na sala chutando o balde, ao encarar os promotores com argumento de que ele, como autoridade maior do município, podia, sim, contratar empresas através da modalidade carta-convite e que o seu ato administrativo não seria revogado em hipótese alguma.

Sem tugir nem mugir, os promotores teriam ficado até assustados com a postura firme do prefeito de Marabá, que não abriu um milímetro da convicção de que errados estão os membros do MP ao colocarem em dúvida a legalidade de seu ato.

De tão pesado o clima, uma promotora saiu às pressas da audiência.

Há controvérsias, se ela retirou-se da sala assustada com a fala grossa do prefeito ou indignada.

No primeiro duelo, Maurino Magalhães levou o MP à lona, literalmente.

Mona Pegajosa

Os de memória curta, olhando a foto da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) publicada na edição de hoje do Diário do Pará, charmosa e falante, podem até achar que ela é uma digna senhora cônscia de seu dever de Justiça, ao defender, da tribuna do Congresso, a intervenção no governo do Pará por não cumprir mandados de reintegração de posse.

Charmosa e falante, Kátia Abreu é aquela mesma do time de Ronaldo Caiado, consagrado mundialmente como o maior defensor de pecuaristas ligados à violência no campo.

Acertou quem achar que Kátia Abreu, charmosa e falante, jamais soltou um pio para engrossar a voz daqueles que pediam intervenção no Estado do Tocantins, quando o ex-governador Siqueira Campos, acusado de todo tipo de prática de arbitrariedades no campo, omisso diante das ações do crime organizado, fez fama e deitou-se na cama como um dos porta-vozes do autoritarismo nacional.

Charmosa e falante, a foto da senadora bem que poderia ser exposta na Galeria dos Dissimulados.

quarta-feira, março 04, 2009

Orgásticas torturas

E não é verdade que entidades dos direitos humanos buscam confirmar tênues suspeitas de que alguns editorialistas da Folha teriam ficado, um bom tempo, em estado de depressão, pela inexistência, durante os anos de chumbo, das avançadas técnicas de tortura desenvolvidas pela CIA, nos dias atuais, para interrogar suspeitos de terrorismo – entre elas:

Técnica de afogamento, na qual o prisioneiro é deitado com um pano colocado na boca ou um pedaço de plástico no rosto. Os interrogadores deitam água sobre o rosto do prisioneiro, produzindo uma sensação de afogamento.

Cela fria: O prisioneiro é obrigado a ficar em pé e nu numa cela fria e água é derramada sobre o prisioneiro.

Ficar em Pé: Os prisioneiros são obrigados a permanecer em pé por 40 horas ou mais.

Palmadas na barriga: o prisioneiro recebe uma forte palmada no estômago com a palma da mão aberta. A técnica é dolorosa, mas não causa ferimentos


Como a Folha considera os militares brando demais no tratamento de choque dado à democracia brasileira, é bem provável que a família Frias (dona do jornal paulista) considere o waterboarding (afogamento simulado) apenas suavíssima técnica de interrogatório, quem sabe, podendo acrescentar, candidamente, que naquele processo “não se mutila” nem “se sodomiza” as vítimas, contribuindo, portanto, apenas de forma didática para maiores esclarecimentos.

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A propósito (como mostra a ilustração acima enviada pelo colaborador Ronaldo Lima), nessas questões de brandas torturas, a Igreja Católica brindou também a civilização com suas sessões de confessionários bárbaros. O teólogo metodista William Schweiker, no ensaio “Baptism by Torture“, mostra que o waterboarding era usado já na Inquisição Espanhola. A chamada “tortura del agua“, pela sua similaridade com a cerimônia do batismo, tinha profundo significado teológico para os inquisidores.

É até possível que as vítimas da Igreja não vissem muita diferença entre uma coisa e outra, se chamadas a opinar, mas, que diacho, os inquisidores eram bons no que faziam!

Intervenção federal

A Federação da Agricultura do Pará (FAEPA) decide até o final desta semana se ingressa com uma ação coletiva dos fazendeiros no Supremo Tribunal Federal pedindo intervenção no governo do Pará. Com o aconselhamento de advogados, o presidente da entidade, Carlos Xavier, encontra-se reunido neste momento com diretores e pecuaristas do Sul do Pará analisando os rumos a serem tomados, a curto prazo, para enfrentar o ciclo de invasões de propriedades.

Constelação sistêmica

Os dirigentes da FAEPA devem sofrer da síndrome do esquecimento. Só isso para justificar tanta brabeza da entidade em relação a campanha que fazem acusando o governo do Estado de não dar cumprimento aos pedidos de reintegração de posse.

Durante os dois mandatos de Almir Gabriel e mais quatro anos de Simão Jatene, aqui em Marabá, quantas vezes o poster assistiu reuniões do Sindicato dos Produtores Rurais, reforçadas pela presença dosecular dono da FAEPA, Carlos Xavier, em que seus protagonistas baixavam a o âmago nos dois governadores tucanos, que jamais se davam a perder tempo em pelo menos olhar os mandados de segurança sentenciados.

Lembrando bem, se a PM, durante aqueles doze anos, cumpriu umas dez operações de retirada de invasores das propriedades invadidas – foi muito. Muito mesmo!

Numa das reuniões, o poster lembra como se fosse hoje, teve um agitado pecuarista que esmurrava a mesa, aos berros:

- Esse governador bigodudo é um comunista f.d.p!

Xavier, sem nenhuma brabeza como a que arrota agora, colocava panos quentes:

- Calma, calma... Vamos resolver tudo no diálogo.

Em Belém, do alto de sua patente arrogante-autoritária, Almir Gabriel, dizia para quem quisesse ouvir que a PM dele não iria desocupar terra de ninguém.

E desocupou raríssimas, raríssimas.

Em dois anos de governo, Ana Júlia realizou o maior deslocamento de tropa que se tem notícia, para dar cumprimento a mais de 50 mandados de reintegração.

Capacitação de servidores

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa) criou o Programa de Capacitação dos servidores da secretaria ( PCFAZ ) com o objetivo de formar, especializar, aperfeiçoar e integrar os servidores fazendários, com o objetivo de assegurar a capacitação administrativa, técnica e humana do sistema fazendário estadual; propiciar ao servidor oportunidade de desenvolver suas potencialidades e aperfeiçoar seu desempenho no trabalho, mediante a conscientização de seu papel como servidor público e, em particular, como servidor fazendário. Entre os objetivos do Programa estão a formação, especialização, aperfeiçoamento e integração dos servidores; propiciar ao servidor oportunidade de desenvolver suas potencialidades e aperfeiçoar seu desempenho no trabalho, mediante a conscientização de seu papel como servidor público.

Fonte: Ana Marcia Souza (Assessoria de Comunicação / Sefa)

Sítio remodelado

Assessoria do deputado federal Wandenkolk Gonçalves (PSDB) informa que a página digital do parlamentar ganhou novo layout. Quem quiser acompanhar o trabalho dele na Câmara, o site está em novo endereço:

www.wandenkolkgoncalves.com.br

Justiça Federal

Boa notícia: Giovanni Queiroz (PDT) apresentou requerimento de inclusão de pauta pela aprovação do Projeto de Lei 5.829/05, que cria 230 novas varas federais destinadas à interiorização da Justiça Federal. Segundo o parlamentar paraense, já existe previsão orçamentária de R$ 69 milhões para a criação das referidas varas federais, bem como um requerimento de nº3316 assinado pela liderança de todos os partidos requerendo a inclusão na ordem do dia do PL-5829/05, faltando apenas vontade política para sua votação.
O deputado optou pela alteração de procedimento de tramitação do projeto para que esse passe a figurar com o regime de urgência, solicitando também a sua inclusão na pauta para votação e conseqüente aprovação.
Fonte: Val-André (Assessoria de Comunicação)

Prioridades no Congresso

Eleito nesta quarta-feira novo presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o senador Flexa Ribeiro (PSDB) esclarece que existem projetos tramitando na comissão que precisam ser aprecidados e votados com mais urgência, entre muitos, propostas de "formar um grupo para estudar as razões e indicar soluções para baratear os custos da telefonia no país". Priorizará também discussão dos projetos que possam aumentar o acesso a internet no país, principalmente no interior.

A primeira reunião extraordinária de trabalho já foi convocada para a próxima quarta-feira (11).

terça-feira, março 03, 2009

Pássaros-meninos

Enquanto o Tocantins sobe, célere, eles alçam destemidos voos sobre o espaço cinzento do céu invernoso.

Saltando do reservatório primário da Cosanpa às margens do rio, cada emoção tem rápida trajetória, entre o pulo e o tibum final.

Os meninos do rio não mergulham: traspassam a lógica da física num simples piscar de olhos.

Com vento no peito.

Caetanices cansadas

Caetano, quando temos sorte, consegue ainda fazer coisa boa. Os versos a seguir de Pele, pega qualquer um à pele.


Deus deseja que a tua doçura
Que também é a dele
Se revele, mais pura, na tua pele
E que eu pouse a tua mão sobre o teu colo
Lua na noite escura
E a brancura do pólo se descongele


Essa pele de criança
Essa rima pra esperança
Tão antiga e nova
Que põe tudo à prova
Esse repouso, essa dança
Que me impele, que me lança
No meio da vida
Pra uma outra trova

Pele, pétala calma
Pele, parte mais clara da alma
Que o mistério se desvele
E outra vez mistério seja
Sobre tua pele
É o que Deus deseja

Tua pele luminosa
Madrepérola animada
Mensagem da rosa, enfim decifrada


Só que Caetano está naquela fase de não ter pressa pra nada. Pode adiar sine die o que programou pra hoje, ou até mesmo desassumir compromissos com a criação, que se deixa jogar, também, cada vez mais lenta à sua alma sexagenária.

Já se foram os belos tempos em que o ideólogo da Tropicália podia dizer que o seu movimento – e do Gil - tinha uma musa (cujo nome ele nunca revelou) e uma antimusa: a Carolina do Chico, na janela. Mas talvez se ele dissesse o nome da musa alguém viesse a entender o significado da antimusa.

Hoje, não é mais possível nenhuma tropicália. Chega de saudade. E de confusão. Possível até, que nem da piscina, precisemos saber.

Há muitos anos que a criação acabou. João Gilberto. Roberto. Jorge Ben, agora Benjor.

A doce música brasileira com turbinas a jato-propulsão, nada mais é do que a repetição do que se fez nos anos dourados. Não há proposta, nem promessa, nem proveta, nem procela.

Ninguém.

Mas não há tempo para lengalengas. Tristes tropeços, trastes típicos, tristes tópicos, antigos trocadilhos.

Viva a música. Viva Joelma e Chimbinha e a carne de sol com pirão de leite.

Viva a sorte e o bom humor. Viva o Águia de Marabá.

Viva as inúteis conquistas da linguagem.

Em verdade, o gênero é uma longa besteira. O bom é o geral.

Um & outro

O vice-prefeito de Marabá, Nagilson Amoury, quer mais é ser feliz.

Em menos de uma semana, o médico colocou equipes nas ruas formadas por técnicos, enfermeiros, médicos das secretarias de Saúde do município e Estado, Exército e Corpo de Bombeiros, visitando casa por casa. Cruzou quase toda a Nova Marabá (um dos Núcleos mais problemáticos para locomoção devido a sua frágil infra-estrutura urbana) e segue firme rumo a outros Núcleos, conscientizando moradores e burrificando instalações residenciais.

É a maior campanha de combate a dengue registrada na cidade nos últimos dez anos.

Ao contrário de Maurino Magalhães, até o presente momento igual barata tonta à frente do executivo, o vice-prefeito age com praticidade, silencioso.

Assustando uns e outros com reações às vezes duras, é verdade, mas criando uma boa imagem junto à população.

A do prefeito desaba, feito botijão de gás ladeira abaixo.

Boçalidade fora de campo

Quem ouviu o presidente do Paissandu, em entrevista à Rádio Clube, troçar do São Raimundo com soberba, o imagina um dirigente de clube de várzea.

Respeito é bom, e o time de Santarém merece ser tratado com fidalguia. Nas duas partidas em que enfrentou o alvi-azul, jogou melhor e chegou a colocar o time na roda.

Parece que o Paissandu faz escola de dirigentes mal educados e boçais.

Quando o Águia destroçou o mesmo Paissandu, na Série C, um diretor de marketing do clube andou falando baboseiras.

Recebeu o que merecia como resposta.

Enquanto isso, no front...

Os ânimos nos arredores da fazenda Cedro, a 50 km de Marabá, estão a mil. Há vários comandos atuando à frente dos invasores, sem entendimento entre eles.

Dentro da propriedade, o desespero deixa trabalhadores e os homens da segurança privada com nervos à flor da pele.

Quem chegou de lá esta manhã conta que coisa boa não vem por ai.

Cadê a crise?

Somente sexta, sábado e domingo, trinta e cinco carros foram vendidos em apenas uma concessionária de Belém, que tem filiais em Marabá.

segunda-feira, março 02, 2009

Essa blogosfera maravilhosa...

Duas boas no blog do magistrado do Trabalho, José Alencar:

1- Um post dele, publicado dia 27 de fevereiro, está dando o que falar, lá em Sampa.

2- Como segunda-feira é um dia bom para publicar decretos de outorga de concessões de rádios, veja pra onde ele nos remete.

CH, o informante

Quanta terra poderia ser adquirida e doada para os sem-terra com os quase R$ 50 milhões que Lula deu para o MST?


A pergunta cretina é feita pelo Cláudio Humberto, comprovando a total desinformação dele com tudo o que se refere à Amazônia. Ele não dá uma dentro.


Respondendo ao jabaculoso jornalista, a preço de mercado, o valor de R$ 50 milhões daria pra comprar merreca. Isto mesmo: mer-re-ca de terras, diante da suntuosidade colocada pelo colunista

A fazenda Cedro, por exemplo, com 1.450 alqueires, Daniel Dantas pagou por ela R$ 85 milhões.

Cada dia, fazendo oposição podre a Lula, CH ridiculariza a profissão.

Na mosca

Em janeiro, o blog cantou a pedra: se o PT de Santarém decidisse lançar candidato a prefeito na eleição suplementar, ele seria Inácio Correa.

Não deu outra.

Nota: post que antecipou a candidatura de Inácio foi publicado na plataforma do Wordpress, cujo conteúdo está inacessível desde o dia em que o host que o hospedava deu bug. Estamos tentando republicá-los no Blogspot postando nota por nota. Esta a razão de não fazermos um link para a nota publicada na primeira quinzena de janeiro.

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Numa tradução mais simples: caso não tenhamos sucesso no backup que tentamos fazer do Wordpress, todo acervo de notas publicadas no blog dessa plataforma vai pro espaço. O que, convenhamos, é lamentável!

Missionárias da caridade

Pensando bem, foi uma feliz sacada a nota do Mauro Bonna, em sua coluna de domingo do Diário do Pará, ao registrar o retorno ao vídeo de Valéria Pires Franco “no mesmo estilo de Madre Tereza de Calcutá”.

Pra não tirar, nem colocar nada à descrição.

Retornando à casa

Primeiro foi o poster.

Agora é a  Juliane     quem deixa o deplorável Wordpress para retornar à casa materna.

Pelo visto, só falta o Jeso (Se clicar aí no endereço do blogueiro, vai cair em outro sítio)

Juliane manda email lembrando que “o primeiro blog a gente nunca esquece”.

Isolamento comercial

A advertência é feita pelo deputado estadual Luiz Cunha (PDT): sem investimentos em um porto capaz de receber meganavios, o Pará ficará excluído das rotas mundiais.

- Com seus 2,6 mil quilômetros navegáveis, os rios Tocantins e Araguaia poderiam constituir um canal natural de escoamento das riquezas do agronegócio e dos minérios de cinco Estados, mas desde 1975 essa saída está fechada, diz, em entrevista à Agência Amazônia.

domingo, março 01, 2009

Farejando a Camorra

O contêiner balançava enquanto a grua o deslocava para o navio. Como se estivesse flutuando sozinho no ar, o sprider, gancho que o prendia à grua, não conseguia domar os movimentos. Suas portas mal fechadas se abriram bruscamente e dezenas de corpos começaram a cair. Pareciam manequins. Mas no chão as cabeças rachavam como se fossem crânios verdadeiros. E eram crânios. Saiam do contêiner homens e mulheres. Também alguns rapazes. Mortos. Congelados, todos juntos, uns sobre os outros. Em fila, apertados como sardinhas em lata. Eram os chineses que nunca morrem. Os eternos cujos documentos são passados de um para outro. Eis onde iam parar. Os corpos, que a imaginação mais fantasiosa acreditava cozinhados nos restaurantes, enterrados nas hortas do entorno das fábricas, jogados na boca do Vesúvio. Estavam ali. Caíam às dezenas do contêiner, com o nome escrito num crachá pendurado num cordão.


Parágrafo acima foi extraído de Gamorra , extraordinário livro, transformado em filme, escrito pelo jovem jornalista italiano de 30 anos, Roberto Saviano. Ele conseguiu, disfarçadamente, se embrenhar no mundo da Camorra, máfia italiana que age em Nápoles, desvendando suas ramificações pelo planeta, inclusive nos negócios da moda italianos.


Com um texto límpido, moderno e claro, Saviano impressiona em tudo.


A imagem de cadáveres caindo de contêineres, foi flagrada por ele, em suas incursões pelo porto de Nápoles, por onde passam todos os negócios do crime organizado. Diz ele:


O porto de Nápoles é uma ferida. Grande. Ponto final das viagens intermináveis das mercadorias. Os navios que chegam, atracam no golfo aproximando-se da doca como filhotes à procura de tetas, só que não são eles que mamam; ao contrário, são mamados. O porto de Nápoles é o buraco no mapa-múndi de onde sai o que se produz na China, no Extremo Oriente, como os jornalistas ainda se divertem em defini-lo. Extremo. Longíssimo. Quase inimaginável. Fechando-se os olhos para imaginá-lo, surgem quimonos, a barba de Marco Polo e um golpe de Bruce Lee. Na realidade, este Oriente está atrelado ao poto de Nápoles como a nenhum outro lugar. Aqui o Oriente não tem nada de extremo. Aliás, poderia ser chamado de vizinho Oriente, ou no mínimo Oriente. Tudo o que se produz na China é despejado aqui. Como um baldinho cheio d’água que, quando derramada dentro de um buraco de areia, o alarga ainda mais e o faz crescer também em profundidade.


Roberto Saviano vive escondido, ameaçado de morte pela Camorra.


Segundo o The New York Time, Saviano é “uma espécie de Salman Rushdie (escritor iraniano) italiano na luta infindável contra o crime organizado. O livro mais importante publicado na Itália em anos”.


E eu falei tudo isso, empolgado com a leitura que acabei de fazer do livro, porque quero pedir a vocês que o leiam, também. De um fôlego só, devorei as 350 páginas como se estivesse preso a algo que não podia soltar.


É emocionante conhecer esse mais novo talento da literatura mundial, que consegue escrever uma reportagem da realidade selvagem dos mafiosos italianos como se fosse a mais pura das ficções.