sábado, maio 10, 2008

Botando fé

Deputado estadual João Salame disse ao blogueiro Marcelo Marques que acredita na simpatia do prefeito Sebastião Miranda à sua pré-candidatura a prefeito de Marabá. Ao ser perguntado sobre se receberá apoio do prefeito, respondeu:

- "Acho que sim,com o seu apoio meu nome tem chances reais de vitória".

Leia mais aqui.

Chapa pronta

Depois que Ana Júlia zarpou de volta para Belém, após inaugurar o Centro de Integração Regional de Marabá, não se fala em outra coisa: a dobradinha de Bernadete ten Caten (PT) com o vereador Maurino Magalhães (PR), de vice, para a prefeitura. Há, inclusive, versão de que a governadora teria conversado com os dois no hotel em que ficou hospedada, tratando do tema.

Especulação ou não, gente de confiabilidade anda contando essa história.

Sem testemunhas

O relógio do celular do poster marcava exatamente 13h27 quando o prefeito Sebastião Miranda, risonhamente ao lado do seu vice deixava a sede da Dacar, locadora de veículos de propriedade de Ítalo Ipojucan. Em questão de minutos, o blogger acionou suas fontes e descobriu que a reunião de Ítalo com Tião demorou horas, apenas os dois na sala do dono da locadora.

A escolha do dia (sábado) e a hora de pouca afluência de clientes na loja fazem crer a potencialidade do tema discutido: sucessão municipal.

O prefeito de Marabá, em entrevistas concedidas mês passado, deixou claro que até o final de maio definiria o nome do candidato à sua sucessão. Dois nomes, ele jamais apoiaria: o do vereador Maurino Magalhães (PR) e o da deputada estadual Bernadete Caten (PT), os quais Miranda considera sem nenhum comprometimento com a gestão fiscal e com projetos de interesse macro do município.

As outras pré-candidaturas da base aliada de Sebastião Miranda são a do próprio vice-prefeito Ítalo Ipojucan (PDT) e dos deputados federal Asdrúbal Bentes (PMDB) e estadual João Salame (PPS).

Nos últimos dias, fala-se numa outra via: a do médico Jorge Bichara, presidente da Fundação Zoobotânica de Marabá e da Unimed Sul do Pará.

Aquele Abraço....

Olhando bem na cabeça do Ministro Gilberto Gil, ele usa um capacete com a logomarca do governo municipal de Belém.


O tropicalíssimo Gil aderiu à recandidatura de Duciomar Costa?


Se não aderiu, faz uma bem sacada propaganda da gestão Dudu.

Toque de recolher

Na coluna RD, do Diário do Pará, edição deste sábado, 10:

“Sem alarde, a bancada estadual do PT e o Diretório Regional do partido fizeram ontem reunião secreta e de emergência para avaliar a postura do governo Ana Júlia frente à greve dos professores. Por unanimidade, os deputados petistas decidiram não chancelar a criminalização da greve, como deseja o governo, que ajuizou ação pedindo a decretação de ilegalidade. O presidente do partido, João Batista Silva, ficou encarregado de convencer a governadora a recuar. Além da convicção, pesou na condenação petista à mordaça a repressão ao movimento grevista na porta do Palácio dos Despachos com bombas de efeito moral e spray de pimenta”.

Só falta agora o governo atender às preocupações políticas do PT. Só falta isso. E a população ficar refém do Sintepp.

Do ponto de vista da governabilidade, está certíssimo o secretário Cláudio Puty, ao declarar que “o governo não vai tolerar intransigências que prejudiquem estudantes da rede pública e a população em geral."
A proposta de aumento salarial para os 90 mil servidores do governo do Estado que vai até 10,7%, é o limite orçamentário. Mais do que isso, seria inviabilizar a máquina pública.
Ao solicitar à justiça a ilegalidade da greve do Sintepp, agiu como deve agir governo responsável e comprometido com os anseios da maioria das comunidades do Estado.
O Sintepp, sob o comando do Psol, quer ir à guerra. Só isto.

Na boca do povo

É sempre recomendável seguir o que diz a voz rouca das ruas. Lá em Juriti, a população apóia o projeto de bauxita da Alcoa:

“Uma pesquisa de opinião pública realizada pelo Ibope em Juruti, no oeste do Pará, demonstra que a quase totalidade (89%) da população do município encara de forma positiva o empreendimento de instalação de uma nova mina de bauxita da Alcoa no local. A maioria absoluta (54%) é expressamente favorável à iniciativa e outros 35% a aceitam e não manifestam restrições”.

Quer saber mais? Vai lá no site do botafoguense vice-campeão Jeso Carneiro.

sexta-feira, maio 09, 2008

Na manha

Até a próxima terça-feira, a atualização do blog e moderação de comentários serão realizadas de forma menos intensa. Excesso de trabalho é a razão do freio.

Convênio denunciado

A área mais valorizada de Marabá escolhida para a construção da chamada Escola da Produção e Trabalho não é mais para este fim. O prefeito de Marabá, Sebastião Miranda, denunciou o contrato que havia homologado com o Estado e deu início à construção de grande escola municipal no mesmo terreno, localizado atrás do estádio de futebol (em fase de construção) e do ginásio olímpico.


A foto mostra a grande área e a placa recentemente colocada pela prefeitura, registrando o valor de R$ 1.091.295,00 de recursos próprios para a construção da escola, cujas obras foram iniciadas.

A Arca pede passagem

Nas ultimas 48 horas tem chovido no Sudeste do Pará como nunca choveu durante todo o período invernoso deste ano.

Água de assustar sapo.

Bandalha nos trilhos

Pode até não ter sido interdição de parar locomotivas, mas os garimpeiros se posicionaram nos trilhos da Estrada de Ferro Carajás durante o tempo em que fincaram várias bandeiras pretas ao longo da mesma, simbolizando luto pelo assassinato do garimpeiro Josimar Barbosa, ex-presidente da Coomigasp.

Por volta das 9 horas, o pôster estava em São Domingos do Araguaia quando recebeu telefonema de uma fonte residente em Parauapebas, comunicando detalhes da ação do chamado Movimento dos Trabalhadores na Mineração.

Dias atrás (podem ver aí nos arquivos do blog), cantamos a bola quanto às conseqüências da união desse MTM com o MST. Repetimos: o pior ainda está por vir.

Nota do blog: Josimar Elízio Barbosa foi morto a mando dos próprios garimpeiros integrantes dessas entidades criadas supostamente para representar a classe. Em Curionópolis ninguém tem dúvidas disso.

quinta-feira, maio 08, 2008

Sepulturas festejadas

O assassinato de Josimar Elízio Barbosa é a seqüência de uma história bruta escrita por enganosas "lideranças" de garimpeiros na qual se misturam bandidos, chantagistas, malandros, pessoas de boa índole e a ganância.

O poster sempre bate na tecla de que o governo jamais arredondará os interesses nefastos agigantados em Serra Pelada porque nenhum dos grupos em conflito deseja isso. Cada qual quer apenas tudo para si.

A morte de Josimar é a seqüência de muitas outras mortes surgidas no entorno do tema Serra Pelada, enredo a avolumar-se com o tempo na destruiçào de vidas de gente honesta e safada. O governo precisa fazer gestões para afastar os gangsters que volteiam o garimpo.

Muitas outras mortes ainda virão por aí, caso medida dessa naturzea não seja tomada.

Duas vertentes

Na coluna Ronda Política do Correio do Tocantins, edição de hoje:


1- A ausência do prefeito de Marabá, Sebastião Miranda Filho (PTB), foi percebida ontem (7) durante a agenda da governadora e virou assunto nos bastidores da programação, principalmente pela falta de um representante da prefeitura na inauguração do Infocentro do Estado, instalado no prédio do Arquivo Público de Marabá.

Sem prefeito, sem representante e sem o vice-prefeito, Ítalo Costa (PDT), que não anda recusando convite a nenhum tipo de evento, na comitiva da governadora o que se falava era em boicote à visita.

Na PMM a versão oficial era de que o prefeito Tião viajara para Brasília (DF) em companhia da secretária de Educação Kátia Américo atrás de recursos para o município. Ele teria voltado ontem mesmo.

O gestor não esconde que anda contrariado com o governo Ana Júlia e já vem aumentando o tom do discurso desde o último encontro com a governadora em solenidade no Incra. Na ocasião, ele bradou contra um dos principais problemas do Estado hoje, o sistema de Segurança Pública.

O único aliado do prefeito que acompanhou a governadora foi o presidente da Câmara Municipal, Miguel Gomes Filho, o qual aproveitou para pedir liberação de mais recursos no convênio já existente com o Estado para as obras da nova sede do Legislativo.

2- Esta semana, numa sala de reuniões de dar inveja aos executivos da Vale, com direito a quadro com a foto do presidente Lula ao lado da sua, o prefeito Darci Lermen reuniu a imprensa de Parauapebas para uma coletiva em que falaria sobre o aniversário de 20 anos do município.

Dali a pouco aproveitou para dar uma de sensor dos jornais e pediu claramente para que não publicassem mais fotos de mortos nos seus noticiários policiais. Pelo menos um dos folhetins editados em Parauapebas não estava representado no referido encontro, o Martelada, de Chico Brito. Este, aliás, continua firme em sua linha editorial: levantar polêmica quanto ao governo municipal.

Na edição de abril, o Martelada chega a dizer que Darci anda atrás não apenas do apoio e prestígio de Ana Júlia para o seu palanque nas eleições municipais, mas principalmente de dinheiro para equilibrar as contas do município.

quarta-feira, maio 07, 2008

Zoeira total

Sacanagem com Ronaldo Fenômeno pipoca por todos os lados, depois do escândalo da traveca.

Nome leve

Do advogado e ex-deputado estadual Plínio Pinheiro Neto sobre a provável candidatura a prefeito do médico Jorge Bichara (PV), presidente da Fundação Zoobotânica de Marabá e da Unimed Sul do Pará:


Qualquer dos nomes listados que vier a ter o apoio do Prefeito Tião Miranda, não dará a ele a sensação de ter contribuído, significativamente, para a sua eleição, pois são nomes que militam desde muito na política e já possuem faixa própria de trânsito.Creio que o melhor nome para que o nosso Prefeito possa fechar a boca dos que contestam o seu prestigio eleitoral e mostrar que o trabalho magnífico que vem desenvolvendo encontra eco no seio de nossa gente, é o do médico Jorge Bichara, homem sério, honrado, amante de Marabá, de passado e presente ilibados, a par de ser um competente médico e um ecologista de primeira água, quando poucos falavam em defesa do meio-ambiente.Ecologista com trabalho significativo realizado e não apenas de discurso.Fiquei feliz e muitos com quem conversei disseram o mesmo, pois é uma oportunidade de fugirmos do marasmo e mesmice que dominam nossa política há tanto tempo.A viabilizar-se a sua candidatura, poder ter certeza, que as adesões a ela assustarão as armas e os barões assinalados.
Que achas?

Prova dos nove

O G-10 será recebido nesta quinta-feira, 8, às 13 horas, pelo Chefe da Casa Civil, Cláudio Puty.

Atividades da Cosipar interditadas

Estranhamente, o Ibama, até agora, não levou ao conhecimento público a interdição dos alto fornos da Cosipar, ocorrida ontem, 06. A empresa vinha operando na clandestinidade depois da suspensão de liminar pedida pela Procuradoria Geral do Estado que lhe garantia sobrevida.

É muito estranho esse silêncio considerando o Ibama um órgão público federal com suas atividade mantidas com dinheiro do contribuinte e que deveria, portanto, prestar contas de seus atos.

A interdição dos altos fornos da Cosipar ocorreu pela parte da manhã, depois de longas marchas e contra-marchas dentro da empresa, em Marabá, e apelos comoventes de Executivo da usina no sentido do Ibama manter a decisão sob sigilo -, “a fim de não prejudicar a imagem da empresa junto aos seus clientes no exterior”.

O blog sustenta: a Cosipar está com suas atividades interditadas. As unidades de produção de ferro gusa operam apenas tecnicamente.

Dá-lhe, Dilma!

Eu menti muito, senador, na época da ditadura. Menti para salvar vidas e não delatar meus companheiros. Eu me orgulho muito de ter mentido na tortura, senador" (Dilma Rousseff, Casa Civil, respondendo ao senador Agripino Maia (DEM-RN).


José Agripino Maia, coronel da política potiguar, surfando como uma das vozes morais do Congresso Nacional.

Para presidente, Dilma!

Bida, o “herói”.

A sociedade paraense, representada no corpo de jurados que absolveu o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura por cinco votos a dois, carregará para sempre essa marca nefasta. O júri não teve sensibilidade para fazer a leitura do episódio.

Isso dói, porque a impunidade continuará alimentando a violência e o cenário de pistolagem a contaminar historicamente o Estado.

Ana na terra

A governadora realiza sua oitava viagem a Marabá. Desembarcou ontem à noite no aeroporto e foi direto para o hotel.
Agora às dez horas, inaugura o Infocentro Comunitário do Programa NavegaPará e o Centro de Integração Regional, além de lançar o programa “Pará, Terra de Direitos”.
O cerimonial do Palácio dos Despachos não conseguiu incluir na apertada agenda de Ana Júlia visita a aciaria da Sinobrás, ativada em regime experimental.
Depois da inauguração do CIR, Carepa retorna a Belém. Às 15 horas, abre, no Centro de Convenções da Amazônia (Hangar), o Seminário "Pará, Terra de Direitos", com todo secretariado presente.

segunda-feira, maio 05, 2008

Nas ondas piratas

Basta acionar o dial digital do veículo, na entrada de qualquee cidade do Sul do Pará, para constatar: exageradamente elevado o número de FMs clandestinas tocando músicas e fazendo propaganda de políticos locais. Parece até que o horário gratuito do TRE foi antecipado.

Alô, alô, Anatel...

Essas mulheres...

Espetando todos os prognósticos, uma mulher pode mudar o cenário eleitoral de Nova Ipixuna. Detalhes na coluna do poster desta terça-feira no Diário do Pará.

Primeiro os meus

Em O Liberal, de domingo, três depoimentos sobre o G-10, grupo de parlamentares estaduais auto-denominado independente:

1- - 'A orientação do governo e a ordem de Puty era de que agendasse conversações primeiro com os partidos e depois o G10. Não que isso signifique ignorar a presença do bloco, até porque eles têm hoje um número expressivo de deputados na Casa'. (Airton Faleiro, líder do governo);

2- - 'Não resta a menor dúvida de que somos um grupo importante, que o G10 é hoje um grupo forte, consolidado, que não dá para ser ignorado. Assim como acontece com qualquer outra bancada. Representamos um quarto do parlamento. Mas não temos pretensão de brigar com ninguém, nem com o governo e nem os outros partidos. Queremos é aprofundar a discussão sobre temas relevantes e ações importantes para a sociedade'. ( João Salame, um dos líderes do G10);

3- - 'Se de G8 virou G10, é sinal de que ele pode crescer ainda mais. Pode virar G12 em breve”. ( Adamor Aires, líder do PR).


Nota do blog: o futuro dirá se o G-10 se tornará mais obeso ou será submetido a dieta por suspensão estratégica de “alimento”. Uma coisa está decidida dentro do governo: a relação partidária será respeitada pelo secretário Cláudio Puty.

Políticas de integração

Na abertura do Seminário “Integração Regional do Estado do Pará”, de hoje a 7 de maio, apenas Marcílio Monteiro, do primeiro escalão, presente em Marabá. Evento é para promover o fortalecimento político-institucional nas diversas regiões do Pará, com execução de investimentos visando a consolidação de um modelo de desenvolvimento baseado na descentralização.

Na quarta-feira, Ana Júlia participa de encerramento e inaugura a sede do Centro de Integração Regional, espaço de gerenciamento e integração das políticas públicas do estado, idealizado pela secretaria de Integraçào Regional.

domingo, maio 04, 2008

Com todo o respeito

Deu no blog Quinta Emenda, do botafoguense querido Juvencio de Arruda:

Mengo é Bi

É...mais um ano na fila do gargarejo.
Parabéns ao campeão!

Pobrezas iguais


Depois das águas de Abril, as casas alagadas, agora descobertas, ficam assim no bairro Santa Rosa. Que nem espaço de peregrinos fantasmas a afugentar quem para elas pensa em retornar.

Por falta de uma política habitacional, a população ainda mora em casebres localizados em bairros nem tão mais esquecidos assim.

Marabá precisa trilhar nova rota de urbanidade.

O poder do tempo

É sempre domingo quando lembro do tempo passando mais rapidamente do que conseguimos perceber. A força dele carrega energia torrencialmente inesgotável, fora de nosso controle.
Mistérios do tempo, quem há de descobri-los? Ninguém.

Ao contrário, pelo tempo, somos descobertos.

Banca murcha

O tempo não é injusto com os arrogantes e preconceituosos. Sabiamente, encontra-os para fazê-los entender necessárias formas de se andar e agir com humildade. Quando não aprendem isso, diante de tombos inevitáveis, a queda depois é maior.

Eu conheço duas formas de lidar com arrogantes e preconceituosos. A primeira, devolver na mesma moeda, reagindo mais forte do que a ação. Bateu, devolve.
A outra, simplesmente, sumir do convívio deles.

Quando um arrogante cai, eles sempre caem – como agora! -, eu solto fogos.

Eu, você, nós dois, já temos um passado...

Festeja-se a Bossa Nova, seus 50 anos, que explodiu ao final dos anos 50 e se estendeu até meados da década de 60, quase que paralelamente a outro acontecimento inovador de nossa música popular: o Tropicalismo.

Bossa Nova e Tropicalismo causaram certa perplexidade no público em geral e em boa parte dos observadores mais qualificados.

De características opostas, já que a Bossa Nova significava uma implosão de nossos valores culturais, expressos através de uma sofisticada forma de música de câmara, o Tropicalismo foi uma explosão de idéias as mais diversas e até mesmo deliberadamente contraditórias.

Bossa Nova e Tropicalismo representaram, sim, abertura e encerramento de um dos momentos mais férteis e criativos de nossa imaginação popular – situado, mais precisamente, entre o grito silencioso de João Gilberto em “Chega de Saudade”(1959) e o grito estrangulado de Cateano, Gil e “Os Mutantes” em “É proibido proibir” (1968).

A Bossa Nova foi um autêntico fruto dos valores do seu tempo e da geração que a cultivou. Na realidade, a filosofia da encantadora Nação Woodstock que abrigava os jovens da época em todo o mundo, tinha como sigla a expressão “paz e amor”, e quanto mais, ao passar do tempo, os amplificadores aumentavam o número de decibéis, mais essa geração voltava-se para dentro de si mesma, em repúdio aos valores da geração anterior e burguesa.


Ainda que os líderes principais do movimento (Caetano e Gil) fossem egressos do camerismo da Bossa Nova e tivessem como guru o introvertido João Gilberto, ao contrário da compactação daquela música, o Tropicalismo abriu-se para a diversidade, mesclando fervilhamento os mais inusitados componentes culturais num projeto cultural de impacto, deixando pessoas confusas – inclusive os críticos -, diante da parafernália de elementos os mais antagônicos que formavam aquele impulso criador.

Do arsenal sonoro e literário do Tropicalismo faziam parte a Bossa Nova e a Velha, a guitarra elétrica e o bandolim, a música medieval e a eletrônica, a música fina e a cafona, o portunhol e o latim, a música de vanguarda e a do passado, o baião e o benguine, o berimbau e o teremim, o celestial Debussy e Vicente Celestino, os versos de Cuíca de Santo Amaro e a Poesia Concreta, o som e o ruído, o canto e o grito, indo provocar terremotos, por extensão, no artístico e no cultural, no político e no social.

Curiosamente, aqueles que jamais falaram em “a terra deve ser do povo” e, ao contrário, cantavam as águas azuis de Amaralina e o passeio no parque de José, o rei da brincadeira, é que foram presos e humilhados pela ditadura.

Ouvir “Saudosismo”, na voz de Caetano, durante show na Boate Sucata, em 1968, cantando ao lado de Os Mutantes, nos remete a todas essas considerações.

Sem escangotar

Quando eu tinha 20 anos, certamente defenderia e participaria da Marcha da Maconha, organizado para ocorrer em diversos estados brasileiros com intuito de reunir os defensores da descriminalização da droga.

Fizeram bem os tribunais de Justiça. Vias públicas não são locais adequados para a discussão de tema tão polêmico.