sábado, abril 05, 2008

95 anos que te quero assim

Formando exatamente um triângulo, como mostra a foto, o bairro do Cabelo Seco é o começo de tudo.

No encontro do rios Itacaiúnas (à esquerda) com o majestoso Tocantins, Francisco Coelho aportou em 1913 e construiu a Casa Marabá, espécie de mercearia onde ele vendia de cachaça a mantimentos. As más línguas comentam que o maranhense criou ali também o primeiro rendez-vous. Ou a primeira casa de tolerância do município. Ou o bordel de nossos tempos.

Entre todo tipo de mulheres que freqüentavam as casas do pequeno lugarejo, destacavam-se fornidas negras de cabelos pixaim com quem os machos trabalhadores da roça das redondezas, aos finais de semana, adoravam se relacionar.

- Vamos ver as “cabelos seco”, diziam, em cima de embarcações rumando à vila de Francisco Coelho.

Hoje, Marabá completa 95 anos, acomodando em seu território 250 mil pessoas de todas as raças e credos distribuídas em quatro cidades: Nova Marabá, Cidade Nova, Velha Marabá e Morada Nova.

Marabá, certamente, é a cidade mais democrática do mundo.

Aqui é a terra das oportunidades. Há espaço para tudo. Até para ser feliz.
Que não é pouco, nos dias atuais.
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atualização às 21:11
Corrigida por amigo comum, a frase exata dita à época pelos homens que buscavam diversão às proximidades da "Casa Marabá":
- Vamos ver as mulheres de “cabelos seco”.
Por isso o bairro ficou com essa denominação até hoje. Oficialmente, chama-se Francisco Coelho, mas a consagraçào popular nunca foi vencida.

Rota de procedimento

O vice-governador Odair Corrêa (PDT) perdeu a esticada: Ana Julia garantiu, durante sua visita a cidade, que o helicóptero do Pan doado ao governo do Pará ficará baseado em Marabá.

Fecha o caixão

Semana passada, ao permanecer dois dias em Parauapebas, o poster ficou sabendo que o Banco do Povo – vendido aos quatro cantos na eleição de 2004 -, faliu.

Melhor esclarecendo: igual Conceição, ninguém sabe, ninguém viu.

Lá pela sede da “instituição”, atualmente, aparecem apenas os funcionários. Para nada fazerem.

Fazendinha, a menos ruim de Marabá.

De 23 escolas de Marabá submetidas ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a Fazendinha obteve as maiores médias, entre os outros três estabelecimentos privados avaliados, cravando 65.68 de média nas provas de Redação e Objetiva.

Em segundo lugar, ainda no ensino pago, destaque para o Centro Educacional Monte Castelo com 59.99 de média na mesma prova.

A escola Estadual mais bem avaliada foi a Rio Tocantins, com 49.25 em média nas provas de Redação e Objetiva.

Em Belém, os colégios privados mais bem avaliados foram o Nazaré e o Moderno.

O primeiro cravou média de 67.65 nas provas de Redação e Objetiva, enquanto o Moderno ficou com a média 65.50 nas mesmas provas.

O Paes de Carvalho superou seus concorrentes estaduais com média de 52.42.

Em Marabá, a média foi de 46.79 nas provas de Redação e Objetiva.

No Brasil, a média das provas de Redação e Objetiva foi 51.67.

No Pará, a mesma nessa mesma prova foi de 47.52.

sexta-feira, abril 04, 2008

Traços do candidato

Resposta de Tião Miranda (PTB) a Zeca Moreno, em entrevista na Rádio Clube, quando descreveu o perfil ideal de seu sucessor:

- Marabá tem suas contas saneadas, executa dezenas de obras em todos os cantos do município, paga servidores e fornecedores em dia. Portanto, a cidade precisa de político que não seja populista, compromissado com a população e que tenha noção mínima de administração. No momento certo, a população vai saber quem é meu candidato.

Volta do cipó de arueira

Cinqüenta congregações da Assembléia de Deus escolheram, democraticamente, dois pré-candidatos a vereador de Parauapebas numa disputa com outros cinco nomes apresentados. O ex-prefeito Chico das Cortinas foi o fona. Ou seja, menos votado.

Fenelon Alves Sobrinho, pastor-comandante da Assembléia de Deus do município, e influente liderança política local, recebeu dos pastores das congregações delegação para negociar a participação do PSC na eleição de outubro.

De cara, Fenelon sabe com quem não sentará para tratar do assunto: Darci Lermen, prefeito do Pebas.

O pastor não esquece sua exoneração da secretária de Obras, pasta conferida a legenda dos evangélicos na formação da coligação que elegeu o atual prefeito, em 2004, depois de submetido a intenso processo de fritura.

Fenelon Alves acha que agora o PSC dará o troco.

Quem também fala em “dar o troco” é o empresário Valmir Mariano, regionalmente conhecido por Valmir da “Integral”, em alusão a Integral, poderosa empresa local dele que emprega cerca de 1.500 pessoas.

Valmir destila arrependimento por ter apoiado Darci Lermen. “Esse moço não cumpre acordos”, diz, referindo-se ao contrato denunciado pela prefeitura de implantação do sistema de água e saneamento da cidade, cuja licitação foi vencida pela Integral, mas teve o contrato rescindido, meses depois.

Atualmente, o Darci me deve mais de R$ 2 milhões, além da ajuda financeira pessoal que lhe dei na eleição de 2004”, revela, sem pedir reservas.

Valmir da Integral, caso não seja candidato a prefeito (probabilidade que não descarta) e o pastor Fenelon Sobrinho caminham para fechar acordo com a pré-candidata Bel Mesquita.

De boca em boca

A propósito, o poster recebeu arquivo num e-mail com música enviada por amigos políticos de Parauapebas, anexado a um lembrete dizendo assim:

- Só toca isso no Pebas!!!
Nas emissoras de rádio, bocas-de-flande, em todo lugar.

Êxodo às Terras de Benvirá

Comerciantes estão fechando portas de seus estabelecimentos, migrando para Canaã dos Carajás, Parauapebas, Ourilândia do Norte e Marabá. Dizem que sobreviver em Curionópolis, impossível.

A economia - e o dinheiro circulante -, depende basicamente dos funcionalismo municipal, cada dia também raquítico.

Para o município voltar a respirar e espraiar esperanças, somente a partir da ativação do projeto Serra Leste, da Vale, voltado à exploração de minério de ferro.

Pindaíba total.

Na corda bamba

Comentarista de Parauapebas garante que nesta semana chegante o procurador-geral do município, será interpelado pela OAB local.

A bronca refere-se a posição anti-ética de Hernandes Margalho de manter um escritório particular de advocacia cuidando de ações de interesse da prefeitura. “Como no futebol, ele cruza e corre para cabecear”, diz.

Comentário prevê, inclusive, a partir do mês de maio, explosão de escândalosde proporções nacionais envolvendo o procurador -, inclusive com participação da OAB nacional”.

A conferir.

Firme na parada

Marcelo Marques, no Blog do Bacana, é quem garante:

CANDIDATO - Ítalo Ipojucan deverá mesmo concorrer a prefeitura de Marabá nas próximas eleições. Pelo PDT.

Pela conversa que o poster teve com ele,há dois dias, Ítalo Ipojucan está mesmo disposto a encarar as urnas, lutando pela sucessão de Tião Miranda.

quinta-feira, abril 03, 2008

Cosipar se segura com recursos

Danielle Redig Serra Nunes, Coordenadora de Comunicação do Grupo Cosipar, envia nota dizendo que a empresa vai recorrer da decisão judicial:


A Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar) informa que seu departamento jurídico está analisando a decisão judicial que revoga liminar que prorrogava sua licença de operação até outubro de 2009. A Cosipar vai tomar as medidas legais cabíveis, tendo em vista tratar-se de decisão de primeira instância.

A liminar foi concedida a Cosipar baseada no artigo 18, inciso III da Resolução nº. 237, do Conselho Nacional de Meio Ambiente que prevê licença de, no mínimo 04 anos, para a operação de empreendimentos como a Companhia. No recurso, a empresa vai demonstrar a legalidade de sua proposição quanto à validade do prazo mínimo de vigência da Licença de Operação (LO), concedida pela SEMA.

Nos últimos três anos, a Cosipar intensificou seu programa de reflorestamento tendo plantado mais de 10.000 hectares nos Estados do Pará e Tocantins. Além disso, estabeleceu uma política de redução do consumo de carvão vegetal na produção de ferro-gusa: passou a utilizar fontes alternativas como o babaçu, finos de carvão, coque metalúrgico e carvão de eucaliptos de suas próprias florestas e desativou um Alto Forno. O programa de implantação de novas florestas tem por finalidade alcançar 100% de biomassa para produção de 100% de ferro-gusa.

Registre-se que a Cosipar esta atrasada com seu programa de sustentabilidade, devido à invasão ocorrida em fazenda de sua propriedade, com 19 mil hectares e que assegurariam cerca de 50% da necessidade de biomassa da empresa através do plano de manejo florestal então existente nesta área.

A Cosipar criou também um setor de auditoria para controlar a origem e a legalidade do carvão vegetal que entra na produção de gusa, reduzindo o numero de fornecedores, trabalhando unicamente com produtores registrados como pessoas jurídicas.

A empresa está implantando as regras da norma estadual da SEMA – IN 08 de 2007 – e presta regularmente as informações estabelecidas pelo órgão ambiental do Estado.
O Grupo COSIPAR trabalha pela melhoria contínua em seu processo industrial, visando reduzir os impactos decorrentes do sistema produtivo e está associada ao Sindicato dos Produtores de Ferro-Gusa do Estado do Pará (Sindiferpa) no trabalho conjunto que visa assegurar a qualidade da água do Rio Itacaiúnas, projeto este apresentado a SEMA e custeado pelos produtores do pólo siderúrgico de Marabá.
Independentemente da Ação Judicial em tramitação, a direção da Cosipar vem negociando com a direção e técnicos da SEMA a renovação da LO em conformidade com a IN 08/2007. A empresa já recebeu vistoria do órgão ambiental e se encontra em atendimento às respectivas exigências.
A empresa acredita no seu papel de contribuir para o desenvolvimento da região, na introdução de inovações tecnológicas, tanto na área florestal quanto na área industrial, na geração de emprego e renda, dentro de seu compromisso de trabalhar sob o conceito de desenvolvimento sustentável.

Campanha eleitoral

O blogger não se encontrava na cidade por ocasião da visita de Ana Júlia, terça-feira, 01, a Marabá, oportunidade em que ela teria sido vaiada por universitários da Uepa.

A vaia existiu, sim.

O movimento foi organizado três dias antes da chegada da governadora por simpatizantes do candidato Silvio Gusmão – do jeitinho publicado no Quinta Emenda.

A militância foi reforçada por emissário da campanha de Sílvio vindo de Belém , que teve o cuidado de orientar os manifestantes a não baixarem o nível do protesto – limitando-se apenas vaiar a governadora.

Intenção do grupo do interior ligado a Silvio Gusmão – não se sabe se devidamente consentido por ele -, onde exista campi da UEPA, é repetir a manifestação de protesto em outras cidades a serem visitadas por Ana Júlia.

Poder de persuasão

A frase de Ana Júlia não sai da boca da população de Marabá:

- A siderúrgica anunciada pela Vale deverá ser instalada em Marabá.

Por onde se anda, a revelação da governadora feita durante visita dela ao município, na terça-feira, é relembrada com entusiasmo.

Mês passado, este blog anunciou que a implantação da siderúrgica em Marabá pode servir de forte ingrediente a favor da preservação da região Sul integrada ao territorial paraense, enfraquecendo o movimento separatista. A frase da governadora está reforçando o que foi publicado.

A dimensão dos investimentos da siderurgia, asseguram empresários, será de tal monta a amortecer descontentamentos históricos.

Em tempo de Águia

Do jeito que o poster anunciou, o ministro Orlando Silva se comportou esta manhã em Marabá, jogando todos os méritos de sua visita ao deputado Asdrúbal Bentes e fazendo uma declaração que agradou a todos: a garantia de recursos para o fechamento da conta dos custos do estádio de Marabá.

Na solenidade ocorrida no auditório de uma escola, Asdrúbal e Tião Miranda, diante de uma platéia de políticos e desportistas, ouviram o ministro dos Esportes declarar que pretende, até o final do próximo ano, retornar a Marabá para inaugurar a obra.

Para este ano, estão garantidos R$ 5,8 milhões.

Orlando Silva disse que já determinou a locação de mais R$ 3,5 milhões, valor que falta para a conclusão do empreendimento.

Armas poderosas

Depois de leitura dos números de uma quali, Sebastião Miranda estampa constante semblante risonho.

A pesquisa mostra o poder de fogo do prefeito de Marabá, para encarar a disputa eleitoral de outubro. Com a convicção de que fará seu sucessor.

Não importa quem seja.

Recado de marginal

Sebastião Curió mandou um de seus capachos dizer ao poster: - "Nunca é tarde para esperar o troco”.

Fuça a fuça com o capacho, o poster devolveu o recado a Sebastião Curió, dizendo que a Justiça – pelo menos é o que se espera dessa cada vez mais desacreditada instituição -, o aguarda para ajuste de contas, sem devolução de troco.

Crime no rio Parauapebas

Seguindo rumo a um lugarejo denominado Colônia Paulo Fontelles, o poster deparou com enorme depósito de lixo da cidade, no exato momento em que intensa chuva desabava, carregando ladeira abaixo resíduos de material contaminado em direção ao rio Parauapebas.

Muitas pessoas haviam advertido o repórter da necessidade de ver com seus próprios olhos o crime ambiental oficializado. Deu pra ver, sim, a verdade.

Há, inclusive, comprometimento com o Ibama, do prefeito Darci Lermen (PT), de investir na construção de um aterro sanitário. Termos de uma espécie de ajuste de conduta negociados há mais de dois anos sem que nada tenha sido feito pela prefeitura.

O prefeito não está nem aí para o Ibama. E o Ibama, também se lixando para essas questões de preservação ambiental.

Ou seja, ambos fazem de conta. Darci e o órgão federal.

Dragão da Maldade

É assim nos cafundós rurais brasileiros.
Há sempre um jeito feroz de se fazer a vida girar que nem roleta-russa. Selvageria de gestos. Desumanidade latente.
O viver em si gostoso, contando ou a escutar causos ingênuos, não convive com esse lado de maldade extrema.
As marcas no corpo do garoto da foto resgata imagens de um canto antigo de Vandré: Prepare o seu coração, para as coisas que vou contar, eu venho lá do sertão...

O ilegal engorda?

Nada fácil a situação atual da Cosipar, desamparada agora da liminar que lhe garantia a validade de uma licença ambiental.

Sem esse instrumento jurídico, certamente as atividades do grupo estão comprometidas.

De ilegalidade em ilegalidade, a empresa com mais de 20 anos de existência chega numa encruzilhada.

Foi sempre assim, trabalhando à revelia da legislação, mas fortemente apoiada em mãos amigas dos governantes de plantão.

Quando a impunidade envergonha

Vergonhosamente, para todos nós paraenses incrédulos, a Justiça do Estado foi pisoteada pelos âncoras dos tele-jornais brasileiros de final de noite, ao noticiarem decisão do Pleno do TJE de negar instauração de Procedimento Administrativo Disciplinar contra a juíza Clarice Maria de Andrade, em virtude da mesma não ter mandado apurar responsabilidades pela presença de uma menor de idade numa cela de delegacia de policia de Abaetetuba.

Os doutos desembargadores responsáveis pela votação construíram novas formas de mostrar que vivemos num país sem Justiça. Pelo menos é esse o entendimento expressamente repercutido pelos veículos de comunicação do país.

Louve-se, no entanto, voto favorável à punição da juíza da presidente do TJE, desembargadora Albanira Bemerguy.

Voto corajoso, bom se diga, no atual reinado de tribunais sintonizados com a violação de princípios de legalidade.

Além da presidente do TJE, Albanira Bemerguy, votaram pela instauração do Procedimento Administrativo os desembargadores Célia Regina Pinheiro, Constantino Guerreiro, Raimunda do Carmo Noronha, Luzia Nadja Nascimento, João Maroja, Eliana Abufaiad.

Ao lado da juíza Clarice Maria de Andrade, ficaram os desembargadores Dahil Paraense, Maria de Nazaqré Saavedra, Brígida Gonçalves, Maria de Nazaré Gouveia, Maria Helena Ferreira, Sônia Parente, Maria do Carmo Araújo, Cláudio Montalvão, Maria Rita Xavier, Rosa Portugal, Eronides Primo,Vânia Fortes, Raimundo Holanda, Ricardo Nunes, Marneide Merabet.

quarta-feira, abril 02, 2008

A força emana do Interior

Charles Alcântara foi rápido, ao ser acionado ontem, 01, pelo presidente do Águia de Marabá, Sebastião Ferreirinha. Meia hora depois estava com a decisão da governadora Ana Julia de atendimento ao pedido do dirigente aguiano.

Resultado: o governo isentou os dois times que disputarão o título do primeiro turno do Campeonato Paraense do pagamento de taxas cobradas no estádio Mangueirão.

Por sugestão do prefeito Helder Barbalho (PMDB), apoiado por Ferreirinha, os ingressos do jogo de domingo serão mais baratos: cadeira R$ 10,00 e arquibancada, apenas R$ 5,00.

O torcedor de Marabá tá que tá louco de vontade de ir a Belém incentivar o Águia. Ônibus estão sendo disponibilizados pela prefeitura.

Marabá faz aniversário sábado, dia 5. Maior presente ao município seria o título do 1º Turno.

Portas fechadas

Antonio Leite, coordenador do núcleo da Setran em Marabá rodou, rodou, mas não conseguiu um caminhão sequer de escória (resíduos da indústria de fundição do ferro gusa) nas usinas do Distrito Industrial. Com o material, ele pretendia melhorar a segurança da pista até o quilômetro 21 da estrada do Rio Preto, para onde a governadora se deslocou até o assentamento Palmeira Jussara, terça-feira 01.

Nenhum guseiro acionado se dispôs a colaborar com a secretaria de Transportes.

Que o diga o Antonio Leite.

Profissionalismo é isso aí

Em Brasília, de vero, dois assessores parlamentares dão show de bola quando são acionados para localizar políticos ou prestar informações dos mais variados temas.

Val-André, no gabinete de Giovanni Queiroz, não se furta em nenhum momento colaborar com a imprensa sempre que é alcançado.

Bem próximo de Val, só que na seara de Asdrúbal Bentes, seu assessor Cláudio Dutra também faz embaixadas com a bola, sempre bem humorado. É rápido nas informações e super competente.

Atendimento profissional mesmo.

Odoricadas em Augusto Corrêa

No embalo do post Terra com Lei, do Quinta Emenda, mais informações sobre o sucupirismo em Augusto Corrêa.

O Pleno do TRE decretou a perda do mandato de vereador pelo PDT de José Farias da Costa, a imediata vacância do cargo e convocação, diplomação e posse da 2º suplente da legenda, Lucinete Teixeira Marques, dia 18 de março passado. O 1º suplente, José Augusto Borges da Costa, perdeu o direito ao exercício do mandato, por ter também mudado de legenda após o dia 27 de março de 2007. O relator do processo, juiz José Rubens Barreiros de Leão, e o procurador da República José Augusto Torres Potiguar, representante do Ministério Público Federal, examinando o mérito, consideraram procedente a representação eleitoral e opinaram pela cassação de José Farias da Costa, seguidos pelo voto de todos os demais membros do TRE, ficando determinado o prazo de dez dias para a posse da 2ª suplente, Lucinete Teixeira Marques, perante a Câmara Municipal de Augusto Corrêa, explica a advogada Franssinete Florenzano, que resgatou o mandato para o PDT.

Dos nove vereadores na Câmara de Augusto Corrêa, o Partido Democrático Trabalhista elegeu dois em outubro de 2004. Com cinco membros, o grupo político integrado pela oposição, fortalecido, conseguiu vencer a disputa pela Mesa Diretora, cuja presidência coube ao PDT, tendo sido escolhido como representante do partido José Farias da Costa, que depois de ter disputado três vezes o mandato sem alcançar votos suficientes, com apenas 403 eleitores, foi beneficiado com os votos da legenda do PDT. Traindo as bases do partido que o elegeu, José Farias da Costa foi cooptado pelo PR, partido que integra a base governista no município, e abandonou a o PDT em 26 de setembro de 2007, após o marco para a aplicação da regra aos cargos proporcionais, que prevê a perda do mandato eletivo na hipótese de desfiliação, sem justa causa, relata a vereadora Romana Reis que, temendo pela segurança de sua família, não deixou que os filhos fossem à escola hoje.

O primeiro suplente de vereador do PDT em Augusto Corrêa, José Augusto Borges da Costa, também sem motivo que justifique o desligamento, abandonou a legenda pelo PR em 24.09.2007, e a justiça eleitoral interpretou que, com seu ato, abdicou do direito ao exercício do mandato.

A Câmara de Augusto Corrêa realiza quatro reuniões mensais, sempre às terças-feiras. Quando há 5 terças-feiras no mês, a última é liberada. Hoje, José Farias da Costa, mesmo sem legitimidade, cancelou a próxima sessão e fez a convocação somente para o dia 15 de abril.

Carreiro visto pela Academia

Domingo, o poster falou da importância de Tião Carreiro para a música instrumental do país.

Ontem, o boletim semanal do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD) saiu com o artigo Viola de Tião Carreiro proseia com a academia, baseado em estudos sobre o trabalho do violeiro -, feitos pela Unicamp .

Alguns trechos do artigo:

O universo sertanejo brasileiro abriga muitas lendas. Uma das mais conhecidas conta que se o violeiro quiser se transformar num virtuose do instrumento, ele precisará passar uma cobra coral viva por entre os dedos das mãos. Tião Carreiro, nome consagrado da música caipira nacional, certamente jamais colocou a vida em risco para obter tal habilidade. Ainda assim, assumiu a condição de instrumentista vigoroso e original, cuja técnica marcou época e influenciou as gerações seguintes.“A partir do trabalho de Tião Carreiro, a viola passou a ser olhada como um instrumento de grande potencial”, afirma o músico e pesquisador João Paulo do Amaral Pinto, que investigou o tema em sua dissertação de mestrado, apresentada no Instituto de Artes (IA) da Unicamp.

(...)Autodidata, o instrumentista, que também era cantor e compositor, apresentava algumas peculiaridades, conforme o pesquisador. A mistura de toques de viola e elementos musicais relacionados à catira e ao recortado, duas danças caipiras tradicionais, deu origem a um novo gênero, que ficou conhecido como pagode caipira ou simplesmente pagode.

(...) O toque de Tião Carreiro, reforça João Paulo, apresenta certo grau de sofisticação, sobretudo por conta da movimentação das mãos. Esse aspecto, associado à rítmica do violão, que faz parceria com a viola, estabeleceu uma polirritmia até então incomum na cena da música caipira. “O trabalho feito por Tião Carreiro pode ser considerado como um pequeno divisor de águas dentro do universo da viola”, sustenta o pesquisador. O pagode, prossegue o autor da dissertação, de certa forma favorecia a virtuosidade do artista, que fazia solos rápidos e empregava técnicas como o pizzicato, que pode ser traduzido como o ato de tocar as cordas do instrumento de forma semi-abafada, obtendo um timbre mais silencioso e percursivo. “É bem possível que Tião Carreiro sequer conhecesse esses termos técnicos, visto que ele era essencialmente intuitivo”, infere.

Na íntegra, aqui.

terça-feira, abril 01, 2008

Coluna do Diário

Destaques da coluna do poster no Diário do Pará de hoje:


1- Deputado Wandenkolk Gonçalves(PSDB) pretende se aliar às entidades exigindo eclusas na barragem de Marabá;
2- Médico Jorge Bichara foi eleito presidente da Unimed Sul do Pará;

3- No Maranhão, já é obrigatório o uso da nota fiscal eletrônica para os fabricantes e distribuidores de cigarros e combustíveis;
4- Pesquisa mostra o prefeito Adécimo Gomes em maus lençóis;
5- Ministro Orlando Silva anunciará em Marabá recursos para o estádio de futebol;

6- Marabá respira futebol. Tudo culpa do Águia.

Pocilga encomendada

Pato no tucupi
A governadora do Pará, Ana Julia Carepa (PT), que coleciona ex-namorados (e manicure e parentes e aderentes) em seu governo, já está de romance novo - o quarto, desde que assumiu o cargo.


Título e nota acima levam assinatura do colunista Cláudio Humberto.

Especialidades assim de “alfinetar” a vida pessoal da governadora engomam, com amaciante e tudo, a atividade do comunicador no mesmo pano aético e fedorento de profissionais de cor amarronzada.

Faz parte, sim, do link real da fofocaria alimentada pela oposição desmoralizada do Pará.

Não à toa, CH tem seu cordão umbilical ligado a Fernando Collor de Mello.

Direito ao estribucho

Dizendo-se advogada, Paula Sousa enviou essa pérola de comentário -, a propósito do post Bota na Rua!:


Sejam mais responsáveis em seus comentários. E mais humanos e éticos também. A informação é um veículo de poder e por isso deve ser utilizado com responsabilidade para não causar danos à imagem e à moral de alguém que podem ser irreparáveis e uma ação de indenização não seria pouco para quem faz isso. Conheço o Dr. Manoel Santino e ele está longe de ser incompentente, muito longe. Mais longe ainda de ser corrupto e após dadas averiguações serem realizadas quero ver vocês de cara no chão. Eu sou advogada e serei a primeira à denunciá-los e à colocar meus serviços à disposição do Dr. Manoel Santino.
Não pensem que podem usar como querem a comunicação. Ela é um instrumento de liberdade mas isso não lhe retira a limitação do respeito.E se você se acha democrático espero que poste meu comentário.
Ass: Paula Sousa


Nota do Blog:
Primeiro, o poster não se “acha” democrático. Ele é defensor, até a morte, de todas as liberdades disponibilizadas à raça humana. E, também, à raça irracional.

Segundo, a comentarista (sic) tem todo o direito de dizer que o Manoel Santino “está longe de ser incompetente”. Só que nós temos toda uma trajetória dele à frente da secretaria Especial de Defesa Social comprovando exatamente o contrário.

Ele foi incompetente.

Sim, demasiadamente incompetente -, a ponto de deixar grande parte do território paraense parcialmente dominado pelos bandidos.

Corrupto, o blog jamais afirmou isto dele. Quem suspeita de ações desgraçadamente satânicas do ex-secretário no manuseio de recursos público é o Conselho Superior do Ministério Público do Pará, baseado em parecer do Tribunal de Contas do Estado.

Se ao final das investigações, tudo isso for comprovado, para a tristeza de seus defensores e puxa-sacos, Manoel Santino pode até ser expurgado do MPE.

Finalmente, as ameaças de Paula Sousa (é esse mesmo o nome dela? Ou dele?) não cheiram e nem fedem aqui no blog.

Pode provocar, isto sim, no limite de cócegas, risadas de bobas tolices do tipo.

Relações nem tanto perigosas

Já está em post no Quinta Emenda.

Mas a matéria PT e Vale buscam superar rivalidades no Pará, publicada no Valor Econômico, com assinatura do jornalista Caio Junqueira Franco, merece repercussão. Caio deu um duro doido na região levantando as informações sobre a relação da Vale com os governos e sociedade paraenses:


PT e Vale buscam superar rivalidades no Pará

No primeiro contato entre a governadora eleita do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), e o presidente da Cia. Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, o protocolo foi quebrado logo de cara: "Roger, sou mais dona da Vale do que você", disse a governadora, na condição de ex-funcionária do Banco do Brasil, cujo fundo de pensão, a Previ, tem mais ações da Vale que a Bradespar, fundo de investimentos do Bradesco, de onde Roger ascendeu. Segundo relato da governadora, o executivo sorriu. Diferentemente do encontro que tiveram quando Ana Júlia ainda era senadora e o provocou, obtendo prontamente a resposta: "Roger, vou continuar articulando no Congresso para o aumento dos royalties da mineração". "E eu vou continuar articulando contra", rebateu o executivo.
Naquele encontro em meados de 2007 no Palácio dos Despachos, sede do governo paraense, iniciava-se a tentativa de aproximação entre a governadora que acumulara até ali um longo histórico de contestação a políticas da empresa e o principal executivo da Vale pós-privatização. Embora ainda se declare contra a venda ocorrida em 1997, o grupo que hoje governa o Pará, depois de 12 anos de domínio tucano, mudou a postura no poder. Tanto em relação ao comportamento militante antiprivatista anterior - agora moderado - quanto à forma com que pretende estabelecer o diálogo em comparação ao período em que o Estado esteve nas mãos do PSDB.
Sai o discurso tucano da necessidade de que a mineração no Estado forme uma cadeia produtiva e entra a pressão petista para que, além dessa cadeia, a atividade influencie positivamente a área em que está instalada, em especial nos aspectos social, ambiental e científico. "O problema não é só verticalizar, é o tipo de relação que se constrói no entorno dos investimentos realizados. Não queremos casas da Vale, queremos medidas que estruturem o local", afirma a governadora.
Com discurso semelhante, a Vale privatizada pretende afastar o viés assistencialista herdado da estatal desde a instauração do Grande Projeto Carajás, nos anos 70. O principal trabalho neste sentido tem sido feito nos municípios em que a empresa tem atividades direta ou indireta. A eles oferece técnicos que ajudem a elaborar projetos de interesse das prefeituras, além de sua influência em Brasília para a liberação de recursos que os viabilize. Com os petistas de Belém, a relação tem sido branda. Compôs com o governo grupos de trabalho e assinou protocolos de intenção para a formação de pessoal especializado em mineração, com a implementação de parques de tecnologia e de um fórum de competitividade entre empresários locais. E já há pelo menos quatro anos contratou o instituto Vox Populi para pesquisar sua popularidade no Estado. Os resultados, porém, não são divulgados.
"Toda empresa grande tem stress com seu entorno. No Pará, hoje temos um diálogo muito bom em relação ao que era há dez anos e provavelmente há dez anos tínhamos um relacionamento muito bom em relação aos dez anos anteriores", afirma Tito Martins, diretor de assuntos corporativos da empresa e responsável pela interlocução com o setor público e a sociedade. O executivo não critica políticos. No máximo, afirma que Ana Júlia é "intempestiva de vez em quando". "Ficamos surpresos em ver que, na grande maioria, os assuntos prioritários a ela também são nossa prioridade", diz.
A convergência de que fala o executivo é a necessidade de investimentos em pesquisas e uma maior interlocução com o setor produtivo paraense. Há opiniões divergentes, como as relacionadas ao reflorestamento. A Vale já tem um programa nesse sentido, mas o governo quer que, seguindo sua cartilha, seja realizado também em minifúndios. Para a empresa, é economicamente inviável. Mas nos 15 meses que se passaram desde a posse de Ana Júlia, as maiores divergências têm ocorrido quando os sem-terra ocupam a Estrada de Ferro Carajás, algo que dá à empresa um prejuízo diário estimado em cerca de US$ 15 milhões. A primeira vez em que isso ocorreu sob a gestão petista foi em outubro de 2007. Pelo telefone, Agnelli disse à governadora que as reivindicações do movimento eram absurdas. Ana Júlia contestou e disse que nem todos os pedidos eram assim, pois empresa e sem-terra vivem "mundos diferenciados".
No entanto, o MST não é capaz, por ora, de fazer com que a governadora altere sua postura de cautela com a Vale, que embute um cálculo político. Somando-se um Estado com alto índice de conflitos com madeireiros, mineradores, pecuaristas, sem-terra e indígenas, a uma gestão que se inicia, a conclusão do governo paraense é de que o momento não é propício para estimular tensões, mas para avaliar seus protagonistas. Esse pode ser um dos motivos pelos quais, depois desse tempo de mandato, o que se ouve nas ruas de Belém é que o governo Ana Júlia ainda "não mostrou a que veio". A principal reclamação é quanto à segurança, bandeira de campanha da petista, mas ainda sem grandes resultados. Ao contrário, a violência cresce: há fotos diárias nos jornais paraenses de pessoas assassinadas ou até mesmo linchadas.
O que também explica essa sensação de letargia é a prioridade que o governo deu a ações com pouco efeito imediato. Com um governo fundamentalmente composto por petistas acadêmicos, cujas figuras centrais são o secretário de governo, Cláudio Puty, 38 anos, e o secretário de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia, Maurílio de Abreu Monteiro, 42 anos, no primeiro ano o que se viu foi a elaboração do Planejamento Territorial Participativo, uma espécie de Orçamento Participativo estadual, com investimentos em ciência e tecnologia.
É justamente nessa área que eles pretendem que a Vale participe, em especial no Fórum Paraense de Competitividade, que deve reunir grandes empresas que atuam no Estado com empresários locais; nos parques de ciência e tecnologia; e na instauração de laboratórios de pesquisa em mineração. Todavia, o governo petista teme que o relacionamento com a Vale caia na mesma falta de grandes feitos concretos dos governos anteriores. Almir Gabriel (PSDB), que comandou o Estado entre 1995 e 2002, elegeu seu sucessor e continuou influente no governo seguinte, de Simão Jatene (PSDB), diz que "no nosso período tivemos momentos muito tensos, outros amenos, mas nada fecundo". Na mesma linha, Jatene afirma que Estado e empresa "conversavam, conversavam, mas sem nenhuma concretude".
A principal reivindicação nesse período era pela verticalização da produção, pleito que, para o executivo da Vale Tito Martins, depende de outros fatores. "Nunca fomos contra. Só que não dá para entrar sozinho em siderurgia por razões estratégicas e comerciais. Temos que arrumar quem topa entrar junto para ajudar na infra-estrutura".
No mandato de Jatene houve grandes crises, principalmente quando foi anunciada a opção da Vale de construir uma siderúrgica no Maranhão, e não no Pará. Os ataques à companhia foram exaltados, o que deixava indignada a cúpula da empresa. Por meio de suas subsidiárias, a Vale doou em 2002 R$ 1,2 milhão dos R$ 2,8 milhões que o PSDB arrecadou no Estado, segundo registro no Tribunal Superior Eleitoral - à campanha da petista Maria do Carmo não consta registro no tribunal. A despeito das somas repassadas ao candidato tucano, a tensão política se manteve e contaminou a população. O mote era que a Vale enriquecia às custas do Estado, sem deixar nada em troca.
O governo tucano cogitou revogar o licenciamento ambiental para o projeto de exploração de cobre da serra do Sossego em Canaã dos Carajás. À certa altura, o hoje deputado federal Jader Barbalho (PMDB) conta que tentou interceder pela companhia, com o aval de Agnelli. Ambos haviam se conhecido em um jantar em Brasília, ocorrido a pedido do executivo-chefe da empresa. Geólogo e ex-funcionário da Vale, o então secretário de meio ambiente de Jatene, Gabriel Guerreiro, hoje critica a postura dos políticos do Estado em relação à empresa: "Ficam reclamando da Vale, mas temos que reclamar é de nós. O Estado tem que profissionalizar a relação com a mineração e entender que ela não veio aqui fazer filantropia, veio ganhar dinheiro. Essa turma que quer dinheiro no caixa só sabe chorar", diz.Nas eleições gerais seguintes, em 2006, a Vale figurou como uma das maiores doadoras de campanhas do país. No Pará, a ajuda foi concedida tanto ao PT quanto ao PSDB, mas ambas feitas por intermédio do partido e, portanto, sem possibilidade de identificação do montante -as chamadas "doações ocultas". Por estarem na condição de governo, porém, os tucanos conseguiram uma ajuda a mais: no decorrer daquele ano a companhia repassou ao governo tucano R$ 26,1 milhões para obras de infra-estrutura e R$ 2,1 milhões para um programa estadual de financiamento de microcrédito. Nos dois anos anteriores, os repasses somaram R$ 8,5 milhões. Para as eleições de 2008, Tito afirma que nada está definido tendo em vista que em 2006 "deu tanto stress o negócio quando foi divulgado".
Na eventualidade de o atual diálogo em curso não surtir o efeito desejado, um plano B é traçado pelo governo do Pará, via tributação. Há uma conta da quantidade de tributos que a Vale deixa de arrecadar anualmente em razão de benefícios fiscais concedidos nas gestões anteriores: cerca de R$ 250 milhões, advindos principalmente do diferimento tributário, que permitiu adiar o pagamento do ICMS.
Com grande benefício para a Vale e em um bom exemplo do histórico de compensação que marca as suas relações com o Pará, em 1993 o diferimento foi concedido pelo então governador Jader Barbalho para todas operações referentes à extração, circulação, comercialização e transporte da bauxita, alumina e alumínio. Esses minérios e metais foram beneficiados por dez anos, desde que fosse feito um empreendimento que produzisse e comercializasse alumina. Daí nasceu a Alunorte, em Barcarena (PA). Em 2000, o governador Almir Gabriel (PSDB) prorrogou esse benefício até 2015 e ampliou sua abrangência para a mineração de ferro e manganês. Além dessa questão, também há constante cobrança pelas perdas que o Estado tem com a Lei Kandir, que isentou de ICMS produtos não-elaborados destinados à exportação. Como o Pará vive praticamente da exportação de minérios, estima-se que o Estado perca R$ 850 milhões anuais com a lei, dos quais R$ 595 milhões (70%) viriam com a Vale. Hoje, o orçamento paraense total é de R$ 7,8 bilhões. Da receita própria, R$ 4,2 bilhões, a Vale contribui com aproximadamente R$ 277,2 milhões (6,6%). O lucro da multinacional em 2007 foi de cerca de R$ 20 bilhões, grande parte advinda do subsolo paraense.
Em um dos grupos de trabalho formados em 2007 entre a Vale e o Estado, a empresa batalhou para que os benefícios do diferimento tributário fossem ampliados para o cobre, níquel e caulim, o que o governo não aceitou. Condicionou eventuais ampliações à forma como a relação entre ambos se desenrolaria. Em outras palavras, se a Vale colaboraria com a agenda apresentada. Em caso negativo, cogita-se uma hipótese mais agressiva: a revogação de alguns desses benefícios e conseqüente instauração de uma guerra jurídico-tributária. O que já ocorre na principal atividade mineral da Vale, do minério de ferro de Carajás, tendo por protagonista um dos principais aliados da governadora, o prefeito de Parauapebas, Darci Lermen (PT). Muito ligado a Ana Júlia, o prefeito desde a posse trava constantes embates com a Vale.
O primeiro desses entreveros foi de cunho simbólico: Lermen passou a autorizar, via prefeitura, qualquer cidadão a entrar na Floresta Nacional de Carajás. Antes, para entrar, era necessário autorização da empresa. O segundo, mais recente e mais relevante, refere-se ao pagamento da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Darci é um dos líderes dos municípios mineradores do país, que cobram cerca de R$ 2,2 bilhões pelos royalties que, segundo ele, não foram recolhidos devidamente pela Vale entre 1991 e 2004. Parte deste valor (R$ 428 milhões) está inscrita na dívida ativa da União e já está em fase de execução fiscal. A Vale alega que a legislação permite abater impostos e despesas com transporte da base de cálculo. O prefeito aumenta o tom: "Com as deduções que ela fez no pagamento, descobrimos que ajudamos a financiar o crescimento da Vale. E agora vem querendo oferecer know-how para liberar crédito em Brasília. Não quero que ela seja lobista nossa. Basta pagar a dívida que garantimos a nossa parte", afirma o prefeito.
O know-how ao qual Darci se refere é parte da nova estratégia da Vale para os municípios em que tem relação econômica direta e indireta no sudeste paraense: oferecer "cooperação técnica e política" por meio da indicação de técnicos que auxiliem as prefeituras na elaboração de projetos que serão posteriormente encaminhados aos órgãos federais em Brasília, onde a Vale atuará politicamente para conseguir a liberação dos recursos. Em especial o Ministério das Cidades, o Incra e a Caixa Econômica Federal.
Para fazer essa interlocução com os municípios e em Brasília, a companhia contratou um ex-prefeito de uma pequena cidade do oeste paulista, especializado em gestão pública: Silvio Vaz, que governou Jaborandi nos anos 90. "Chego aos prefeitos e digo: não somos Estado, mas sabemos da nossa função na sociedade e estamos prontos para contribuir com vocês. Vocês querem nossa ajuda?", diz Vaz, presidente da Fundação Vale, órgão interno responsável por essa interlocução.
A fim de facilitar esse diálogo e a indicação das áreas que serão afetadas, a Vale financiou um amplo estudo que traça um diagnóstico dos efeitos de sua presença na região entre 2003 e 2010, quando investirá cerca de R$ 25 bilhões na região. De acordo com o levantamento, a massa salarial passará de R$ 45,5 milhões em 2003 para R$ 455,5 milhões. Os empregos saltarão de 10 mil para 35 mil no mesmo período. Em termos demográficos, a previsão é que a população quase dobre em cinco anos: passe de 423,3 mil em 2005 para 817,2 mil em 2010, com a conseqüente ampliação do déficit social que esse intenso fluxo migratório acarreta. Basicamente, escolas e hospitais cheios e pessoas sem casa para morar.
Com o prognóstico em mãos, a empresa se posiciona junto aos prefeitos para captar recursos públicos que revertam esse déficit social. Após essa fase, serão criadas agências de desenvolvimento humano nesses locais, sob a coordenação da Vale. Todos os seis municípios, Parauapebas, Canaã dos Carajás, Eldorado dos Carajás, Curionópolis, Tucumã e Ourilândia do Norte, já apresentaram projetos, inclusive o petista Lermen, que tem apoio técnico para a construção de 2 mil casas.
Canaã dos Carajás, aliás, é tido pela companhia como local onde se "estabeleceu um exemplo de ação social para a mineração no mundo moderno", conforme seu relatório da administração disponibilizado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2003. Canaã lá aparece porque a companhia bancou a construção de um hospital e de uma escola, sem informar, porém, que o hospital não atende ao SUS e a escola é privada. A Vale afirma que precisou primeiro levar a estrutura de saúde e de educação para atender seus funcionários e que a idéia é que o hospital seja o início de uma agência de desenvolvimento humano.
O estudo também deu fôlego ao movimento separatista do Estado do Carajás, que há mais de 20 anos tenta apartar municípios da região. A principal alegação é de que "Belém nunca olhou para nós". O histórico de trânsito entre as pessoas também reforça o movimento, já que na população não há um sentimento nativista forte. A maioria dos "estrangeiros" são maranhenses pobres trazidos pelo trem de Carajás, pelo qual desembarcam mais de mil pessoas por semana em Parauapebas. Embora executivos da empresa na região já tenham manifestado simpatia pela causa, a defesa do Estado de Carajás não consta oficialmente das políticas institucionais da Vale.

segunda-feira, março 31, 2008

Chame a polícia

O que diz o Quinta Emenda?

Armação
Apoiados na impunidade, e definitivamente de braços dados com o crime, políticos do interior começam a articular as primeiras manobras bandidas para reabilitar candidatos nas eleições de outubro.
Em Canaã dos Carajás há cheiro de malandragem no ar.

Juvencio de Arruda flanou, ao seu estilo duro e cruel, mas com ternura, num fato verdadeiro.

Em Parauapebas, sábado, não se falava em outra coisa.

Os políticos do interior, aos quais se refere o blogger, são os vereadores Omilton Ricardo de Oliveira (PP), presidente da Câmara; Ana Gerlane de Almeida, Zito Augusto Correa (PT), Ademirson Borges, vulgo "Chefinho", José Correia Sales, vulgo "Zé Pequeno"; e Lourivaldo (PDT), que tramam reabilitar, juridicamente, o ex-prefeito Anuar Alves, tornado inelegível pelo TCM e pelos próprios vereadores do município - com a rejeiçao de prestação de contas.

Segundo voz corrente, os bacuraus planejam voltar atrás votando a revogação da pena, classificada agora pelos gabirus de "injusta" por não terem dado (eles memo vereadores) direito de defesa ao condenado.

Surto de surtação

O septuagenário Sebastião Curió endoideceu de vez!

Durante a semana que passou, Curionópolis viveu momentos de tensão e medo sob clima de terror provocado pelo prefeito, inconformado com a programação festiva de aniversário do vereador Wanderson Chamont (PMDB), pré-candidato favorito a prefeito do município.

A bagaceira teve inicio quando a assessoria de Chamont enviou ofício à prefeitura solicitando autorização para realizar dois shows em praça pública, prontamente negado pelo prefeito.

Impossibiltado de fazer a festa na praça, Wanderson pediu, então, autorização ao Detran para promover a manifestação às margens da rodovia Pa-150, prontamentge atendido.

Ao tomar conhecimento da decisão do órgão estadual, Curió telefonou para o diretor regional do Detran, lotado em Parauapebas, dizendo-lhe impropérios e garantindo que a festa não seria realizada. Aproveitou embalo da ira para dizer, também por telefonou, ao comandante da Polícia Militar que a festa não seria realizada, “só se passarem sobre meu cadáver”.

Como é de seu feitio, disse também ao comandante da Polícia Militar que mandaria buscar “meus homens em Serra Pelada” somente para mostrar quem mandava mesmo na aldeia. Chegou ao ponto de garantir a presença dele - prefeito -, armado no meio da multidão para fazer bagunça.

Sebastião Curió tentou ainda usar a Justiça, formalizando embargo da manifestação. O Juiz da comarca indeferiu o pedido dizendo que “o direito de ir e vir da população é consagrado pela Constituição”. Além de dizer não ao prefeito, a Justiça determinou ao comando da PM garantia de segurança ao evento.

Dois caminhões, originários de Marabá e Parauaebas, com policiais do Tático, desembarcaram em Curionópolis como se fossem à guerra, preparados para evitar qualquer tipo de bagunça anunciada pelo prefeito.

Na tarde de sexta-feira, antes da realização do show da noite, Curió colocou carros de som na rua convidando a população, e todo o secretariado, para reunião no teatro local, “oportunidade em que anunciaria importante decisão para o município”. Diante de 300 pessoas, Curió disse estar com a carta de sua renúncia redigida, mas que antes iria até o show, armado, “preparado para o que der e vier”.

Claro, ele nem foi ao show e nem apresentou a suposta “carta de renúncia”.

Mas fez pior, pelo menos para a população: mandou cavar imensas crateras em todo o entorno da rodovia Pa-150 com intuito de impedir a passagem de veículos pela estrada que liga Carajás a Marabá. Idéia do caraíba era inviabilizar, com engarrafamentos, o tráfego de veículos na importante estrada, iimpedindo de vez a realização dos dois shows, na sexta e no sábado.

O Detran, sensato, determinou então aos organizadores do evento a fixação do palanque na praça localizada em frente a uma loja de departamentos, às margens da rodovia, onde poderia haver pontos de fluxo de veículos para Parauaebas ou Marabá.

Em seu fervor satânico, Sebastião Curió tentou ultima cartada: mandou cortar a energia de toda a extensão da Pa-150. Assim mesmo, os dois shows foram realizados, com a energia garantida por dois grupos geradores instalados nas proximidades do palanque.

Por volta de 2 horas da madrugada de domingo quando este poster retornava a Marabá, vindo de Parauapebas, deu para constatar toda a extensão da Pa-150 às escuras. Mas grande concentração de populares em frente ao palanque dava o tom de alegria.

Surto de Surtação - 2

O ex-deputado Faisal Salmen (PSDB), surtou, de novo.

O destempero emocional do tucano passou a ser notado depois que a deputada federal Bel Mesquita, sua ex-esposa, anunciou disposição de encarar a eleição municipal de outubro, em Parauapebas.

O estilo agressivo do ex-parlamentar está sendo notado na cidade -, principalmente junto a pessoas que, de certa forma, tem ligação com Bel.

Dia desses, durante reunião da Amat, em Marabá, o destempero de Faisal foi presenciado por este próprio poster e prefeitos presentes ao encontro, quando uma funcionária da Associação desligou, aos prantos, seu celular, após atender chamada. A moça contou a uma colega ao lado que acabara de ser agredida, verbalmente, por Salmen, médico descendente de libaneses, com palavras duras e ameaças de todos os tipos, com destaque para a garantia de que, a partir daquele momento, a vítima seria perseguida até o fim de sua vida pelo agressor.

Apesar dos apelos de quem se encontrava próximo a funcionária – inclusive do blogger, seu amigo pessoal -, a moça não contou as razões do telefonema agressivo. Ontem, finalmente, soube-se que Faisal estava encapetado pelo fato da funcionária da Amat ter convidado o ex-presidente da entidade e prefeito de Parauapebas, Darci Lermen, a festinha de casamento do filho dela, semanas antes, declinando, ao mesmo tempo, da extensão de convite ao ex-deputado estadual do PSDB.

Moradores de Parauapebas contam que nos últimos dias Faisal Salmen passou a provocar entreveros com uns e outros na cidade, referendando seu perfil de homem desnorteado, e violento, sob pressão, capaz de fazer loucuras desproporcionais.

Candidato a vereador, o médico está se capacitando, outra vez, a encarar a campanha eleitoral distribuindo socos, pontapés e gritos. Seu alvo principal, desta vez, deverá ser sua ex-esposa, Bel Mesquita, provável candidata a prefeito pelo PMDB.

Exige-se das autoridades monitoramento desse moço, comprovadamente feroz e nocivo ao bem estar comum.

Enquanto isso, em Parauapebas...

O prefeito de Parauapebas, Darci Lermen (PT), resolveu dispensar de processo licitatório a execução de todos os serviços de natureza bancária que envolvam a movimentação de receitas públicas do município. Aí tem...

A observação acima é do jornalista Ronaldo Brasiliense, na edição de domingo de O Liberal.

Bala de metralhadora

O texto a seguir foi extraído da revista IstoÉ denunciando a guerrilha implantada no Norte do país por integrantes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), supostamentge treinados por ex-combatentes peruanos do antigo Sendero Luminoso:

Anhanga, na língua da tribo indígena uru-eu-wau-wau, que habita boa parte do Estado de Rondônia, significa inferno. Ireroa quer dizer guerra. Os dois substantivos traduzem de forma literal o clima que tomou conta dessa parte do País por causa das ações da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), uma organização de extrema-esquerda que treina homens armados em busca de uma "Revolução Agrária" e que já tem nove vezes mais combatentes que o PCdoB na Guerrilha do Araguaia. No sábado 21, mais três bárbaros assassinatos na área dominada pelos insurgentes elevou para 25 a trágica contabilidade do conflito nos últimos 12 meses.

Mas nessa última batalha, que aconteceu próxima à base da guerrilha, no distrito de Jacinópolis, a 450 quilômetros de Porto Velho, os três corpos que tombaram eram de militantes da organização clandestina: Aparecido Mendes de Oliveira (dois tiros calibre 12 na cabeça e no peito), Francisco Pereira do Nascimento (três tiros de 12, na cabeça, no rosto e no peito) e Otiniel Sampaio Souza (cinco tiros calibre 38 no corpo).

A gravidade da situação, denunciada por ISTOÉ na última semana, fez com que o governador Ivo Cassol (sem partido) solicitasse o desembarque da Força Nacional de Segurança para ajudar a combater esse grupo bandoleiro. "A reportagem de ISTOÉ serviu para mostrar ao Brasil o que nós já sabemos há muito tempo. Várias vezes pedimos providências para o governo federal e nada foi feito. Em vez de multar madeireiros, por que eles não vão combater esses criminosos? Quantas mortes inocentes ainda serão necessárias para que se tome uma atitude?", questiona Cassol. "Cabe às Forças Armadas lidar com este tipo de conflito. Eles estão numa área federal e o governo do Estado fará o que for possível para ajudar no combate a esses guerrilheiros."

No Congresso Nacional, deputados e senadores dos mais variados partidos foram à tribuna ou enviaram ofícios aos órgãos federais revelando a mesma indignação com o descaso. "Não entendo o porquê da conivência com esse estado de barbárie", diz o deputado federal Giovanni Queiroz (PDT-PA). "Não podemos mais conviver com a situação de medo, pavor e a insegurança que domina nosso Estado", emenda o deputado federal Ernandes Amorim (PTB). "Estamos vivendo a desobediência civil, uma verdadeira anarquia."

Na Esplanada dos Ministérios, optou-se pelo silêncio. A autoridade encarregada de acompanhar conflitos no campo, o ouvidor agrário nacional, Gersino José da Silva Filho, que desde 14 de dezembro do ano passado possui um dossiê sobre as ilegalidades da LCP, resume a inépcia oficial: "Nossos relatórios apontam que todas as classes, sem-terra e fazendeiros, estão altamente armados", explica ele, informando que repassa aos ministérios da Justiça e da Defesa tudo que sabe sobre o conflito em Rondônia. "Não sei dizer onde estão parando os documentos."

Seu superior, o ministro da Reforma Agrária, Guilherme Cassel, avisou pela assessoria que "não comenta sobre movimentos sociais". Se o ministro da Reforma Agrária acha que assassinatos são coisa de "movimentos sociais", então é o caso de saber o que pensa o ministro da Justiça, Tarso Genro. Mas ele nem sequer retornou as quatro ligações da reportagem. O responsável pela Defesa, Nélson Jobim, informou que não vai falar sobre o caso – mas haverá de chegar um dia em que ele terá de se explicar no Senado. Na quinta-feira 27 de março, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) apresentou um pedido de convocação do ministro Jobim para que ele dê explicações públicas sobre a guerrilha.

Cravada na Serra da Fortaleza, na divisa do Brasil com a Bolívia, a base de treinamento dos guerrilheiros é uma área de dificílimo acesso. Sob a bandeira da LCP, eles cantam hinos revolucionários e empunham armas orientados pela cartilha de Abimael Guzmán, o "presidente Gonzalo", fundador e líder do grupo peruano Sendero Luminoso, capturado em 1992 e condenado à prisão perpétua. Guzmán foi o líder de uma sangrenta adaptação do maoísmo para a América Latina, em que os camponeses eram aterrorizados para depois serem arregimentados para a causa. No Peru, essa fórmula genocida causou a morte de 75 mil pessoas entre 1980 e 1992.
Na construção dessa estratégia, a LCP arregimenta para suas fileiras miseráveis sem terras, jovens de classe média do movimento estudantil, através do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) e sindicalistas ligados à Liga Operária e Camponesa (LOC). Internacionalmente, os guerrilheiros brasileiros são ligados à International League of Peoples Struggle (ILPS), uma organização marxista com tentáculos espalhados por vários países. Na verdade, a Liga dos Camponeses Pobres, constituída em 1999 e sem registros oficiais, é o braço armado no meio rural da LOC, um grupo rebelde que dirige os sindicatos da construção civil e dos rodoviários em Belo Horizonte.

Esse grupo é contrário às eleições democráticas, que chama de "farsa burguesa", classifica o MST de conciliador e diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um "traidor da classe operária e vassalo do imperialismo". Sua estratégia de tomada do poder inclui a criação de um "Partido Revolucionário do Proletariado", segundo a cartilha copiada do Sendero: "Um Partido Comunista clandestino que desenvolva a estratégia de cercar a cidade desde o campo, através da guerra popular prolongada." É assim, dizem os documentos da entidade obtidos por ISTOÉ, que a LCP vai "fazer a revolução".

domingo, março 30, 2008

Águia perto do título

Sábado, dia 5, o município de Marabá festeja seu aniversário.

Domingo,6 de abril, só falta o Águia vencer o Ananindeua para presentear a cidade com um presente inesquecível.

Vamos lá!

O poder da criação

Interessante a imprecisão (e a imprevisão) do caminhar de um texto bem escrito, ou um poema delineado em todos os seus aspectos de construção. Interagir com ele, no próprio contexto dele.

Diante de um texto bem escrito, toda comunicação se faz de forma generosa. Encontro de emoções, lendo-o, ouvindo-o, saboreando-o, interpretando-o.

Assimilando, aceitando-o ou recusando-o.

O poeta, quando cria, sofre. O desgaste desesperado de entranhas.

Helena, ex-companheira de Ademir Braz, num depoimento concedido a mim para documentário de lançamento do livro dele “Rebanho de Pedras”, confessou sofrer junto com o poeta, quando ele entrava em processo de parição. Parição de poema, bem entendido.

- Uns cinco dias antes de começar a escrever, o Ademir se impacienta, anda de um lado a outro da casa, às vezes nervoso, brigando por bobagens dentro de casa. Quando ele fica assim, já sei, está saindo um novo poema. Quanto maior a inquietação, mais belo o poema.

É isso aí; criar um texto é tracejar, desenhar, delinear, modelar, sombrear as cores da existência com as cores do Amor. E sofrer.

A trilogia de Paulo César Pinheiro e João Nogueira ( Súplica, Missa Missão e Poder da Criação) fala disso. O momento raro da criação.

Como nos versos de Minha Missão, aqui na voz da afinadíssima Mariana Aydar, novo talento da MPB da qual já falei em post antigo.

O poder de cantar. Cantar versos lindos.


Quando eu canto
É para aliviar meu pranto
E o pranto de quem já
Tanto sofreu
Quando eu canto
Estou sentindo a luz de um santo
Estou ajoelhando
Aos pés de Deus

Canto para anunciar o dia
Canto para amenizar a noite
Canto pra denunciar o açoite
Canto também contra a tirania
Canto porque numa melodia
Acendo no coração do povo
A esperança de um mundo novo
E a luta para se viver em paz!

Do Poder da Criação
Sou continuação
E quero agradecer
Foi ouvida minha Súplica
Mensageiro sou da música
O meu canto é uma missão
Tem força de oração
E eu cumpro o meu dever
Aos que vivem a chorar
Eu vivo pra cantar
E canto pra viver

Quando eu canto, a morte me percorre
E eu solto um canto da garganta
Que a cigarra quando canta morre
E a madeira quando morre, canta!


O bom texto não se deixa aprisionar, em nenhuma forma rígida, em nenhuma idéia morta, em nenhuma identidade preguiçosa. Nem o texto. Nem os versos.

Sinta bem fundo, a beleza disto aqui:

De que adianta saber que lhe ateio
tremores na carne
calores nos seios
se todas as tardes
me odeio por não ter você?

São versos de A Gente Quase Não se Vê, de Celso Viáfora, esse craque paulista que adora o Pará e seus melhores criadores, entre eles Nilson Chaves.

O pavor da distância. A falta de pele em pele. O querer sentir suspiros, gemidos e calor.

De que adianta saber
que você treme só de pensar em dormir na minha cama
se a gente quase não se vê?
De que adianta escutá-la
dizer que me ama
pelo telefone
sozinho na sala
morrendo de fome
pensando em você?
De que adianta gritar por e-mails
diversas palavras bonitas
escritas
invés de vir aqui me dizer?
De que adianta saber que lhe ateio
tremores na carne
calores nos seios
se todas as tardes
me odeio por não ter você?
Era melhor ser alguém que gostasse pouco
mas que todas as noites, feito loucos
a gente pudesse chegar
pudesse se amar
e, depois, fritar um ovo
tomar um saquê
olhar a TV
dormir no sofá
pra quando acordar
a gente se amar
tudo de novo


É bom chegar ao êxtase de voar no meio de palavras, de se tocar e ser tocado.

Escorrer tinta e chorar imagens de pura emoção. Na moldura de um bom texto, nos deixamos fundir, como numa queda livre de nuvens e azuis, tinta fresca e palavra nova, inventada no gozo expandido de todos os sentidos da criação.

Usar palavras no emaranhado do texto, poder de criação.

Não sou poeta, porque não cabe em mim, tanto poder. Mas gosto de descobrir a beleza do poema.

Ritmos. Texturas.

Cores e matizes. Cheiros e intervalos. Inflexões.

Até letra de música ingênua, bem cantada, com arranjos criativos.

Não importa de onde venha.

Paulo Borges, por exemplo, compôs nos anos 50, Cabecinha no Ombro, falando de carinho e solidariedade, que na voz de Almir Sater transforma-se em obra-prima do canto regional.

Quando se fala em viola normalmente se pensa em música sertaneja e quando se fala em sertanejo normalmente se pensa em cornomusic. Igual aquelas ilusões de ótica em que a palavra verde está escrito em vermelho.

Almir Sater prova que isso não é verdadeiro.

Criativo artista surgido de dentro do rock, todo mundo pensa que ele é sertanejo,totalmente pop. E não é!

Numa entrevista à CBN, numa madrugada aí pra trás, o matogrossense declarou que é puro roqueiro, que não escuta música sertaneja nem em casa.

Mas escuta violeiro pontear a viola e não tem nada a ver com sertanejo.

Em verdade, todo violeiro é instrumentista, é bandeira brasileira.

Já escutaram Tião Carreiro ponteando viola? É puro rock’n roll, de boa pegada.

Neste domingo, quero que você encosta a sua cabecinha e sonhe. E cante. E seja feliz.