sábado, fevereiro 09, 2008

Que delícia!

18h09.
Juiz Clauber Miranda apita o final de jogo: Pedreira 1 X Remo 0.

Evasão de criminosos

Com a permissão de Juvêncio Arruda, três momentos interessantes de comentaristas do Quinta Emenda opinando sobre um mesmo post, inspirado em artigo do Lúcio Flávio.

Anônimo 1
No Pará tem bandido brincando pira, inúmeros seqüestros acontecem, tiroteios a inocentes. Tirando o sossego de muitas famílias. E isso td com apoio da polícia do estado. Na verdade, bandido fazendo bico de polícia é o que não falta por aqui.O que falar da política pública de segurança? Bancamos os bandidos do Pará.E não é só policia, é investigador, advogado, detetives e muita gente da elite da cidade que patrocina barbaridades contra seus adversários.Belém, Pará, Bandidos.


Anônimo 2
Enquanto isso, na "Liga da Justiça" , num imponente e revitalizado prédio da Av Alte. Barroso, dentro de uma impenetrável redoma de vidro a prova de povo...

Anônimo 3
Enquanto não se instituir a figura do Caça Recompensas, dinheiro a justiça tem para pagar, os 3.000 foragidos estarão por aí exercendo suas profissões livres, leves e soltos. Sugestão extra seria o TJ publicar um site aos estilos dos mais procurados do FBI,uma consulta sobre esses "cidadãos", que não estão nos seus devidos domicílios, que é a cadeia!

Lei do Faroeste

Um juiz federal e um procurador, marcados para morrer. A vida de ambos vale R$ 50 mil.

À espera do assassino

Em Nova Ipixuna, por ser pobre e esquecida na floresta, a vida de Maria do Espírito Santo, líder de um projeto Agroextrativista, deve valer bem menos. Bem menos.
Dizem, por lá, existir gente contratada por R$ 2 mil para matá-la.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Meninas animalizadas

Menina de 14 anos presa com outros 110 homens na cadeia pública de Planaltina (GO), aí na foto.

Peso da responsabilidade

Com todo respeito, a nova secretária estadual de Saúde, Laura Rosseti, não precisava ficar com cara tão apreensiva e tensa, durante solenidade de sua posse, entre a governadora Ana Júlia e Halmélio Sobral. (foto DIÁRIO DO PARÁ)
Pra cima, doutora!

Proposta extensão da BR-222

A Câmara analisa o Projeto de Lei 2200/07, que propõe pontos de passagem para a BR-222 em trecho ainda não construído que vai ligar Marabá (PA) à BR-158, ainda no Pará. Atualmente, a BR-222 se estende de Marabá a Fortaleza (CE). A proposta é de autoria dos deputados Giovanni Queiroz(PDT-PA), Bel Mesquita (PMDB-PA), Zequinha Marinho (PMDB-PA) e Asdrubal Bentes (PMDB-PA).

De acordo com o projeto, o traçado do trecho da rodovia a ser construído deverá passar por Brejo do Meio, Vila Santa Fé, Vila Trindade, Vila Novo Progresso, Vila Capistrano de Abreu, Vila São Pedro, Vila Cruzeiro do Sul, Vila Josenópolis, Vila Plano Dourado e Vila Sudoeste.

Os parlamentares alegam que apresentaram o projeto porque a definição dos pontos de passagem do novo trecho é condição para sua implantação. Eles lembram que, no mapa do Plano Nacional de Viação (Lei 5.917-73), existe somente uma linha pontilhada que sugere apenas por onde se dará a ligação.

A construção do trecho final da BR-222, segundo os deputados, vai promover o desenvolvimento de uma região que, apesar das riquezas naturais e do grande potencial econômico que possui, é atendida apenas por estradas municipais e estaduais em condições precárias.


Fonte: Assessoria Dep. Giovanny Queiroz

Felicidade marciana

A vida em Marte pode até ser apenas & tão-somente microscópica. Garante a Ciência.

Prefiro acreditar em vidas bem mais evoluídas do que as terráqueas. Vidas em risos.

Como a marcianazinha a nos emitir seu rosto risonho desenhado por mãos infantis, orbitando na infinitude do Universo.

Linda imagem!

No encalço da Vale

Ainda desdobramentos do “furo” deste blog ao levar à público a inscrição da Vale na dívida ativa da União, o poster está sendo acionado por alguns jornais do país para contribuir na construção de matérias sobre a atuação da mineradora no Pará.

Pedro Carrano, repórter do jornal Brasil de Fato, mergulha, principalmente, nas seguintes questões:

Aumento da dívida da companhia contraída em quatro bancos internacionais, a partir de aquisições como a canadense Inço;

Falta de informação aos governos de outros países e à Comissão de Valores Imobiliários sobre as aquisições em outros países. A Vale está sub judice em 62 ações populares questionando o seu leilão;

Na pauta de Caio Junqueira, do Valor Econômico, as relações da Vale e a política paraense.

Em campo, o premiado repórter revela que a utilização deste blog “ tem sido uma fonte muito útil”. Caio passará uns dias no Pará levantando informações.

Ademir Andrade, biografado.

Do advogado Ronaldo Barata, comentário ao post Lambanças de um ex-Senador:

É necessário que fique registrado, que foi o Paulo Fonteles quem levou o Ademir Andrade para atuar no Sul do Pará. Este aproveitou-se da conhecida desorganização do Paulo e começou a solapar seus redutos eleitorais e, mais, produzindo um discurso anti-comunista, passou a combater a ação do Paulo Fonteles, tendo encontrado na figura do padre Rezende, um grande aliado, pois era do interesse da Igreja desestabilizar a força força política do PC do B junto aos sindicatos dos trabalhadores rurais de Xinguara, Rio Maria e Conceição do Araguaia.

Ninguém pode esquecer que a CPT NASCEU COM A MISSÃO DE IMPEDIR o crescimento dos comunistas no campo. Foi neste cenário que o Ademir cresceu politicamente, fazendo um discurso demagógico de aliado dos camponeses.

A derrota do Paulo Fonteles é fruto deste quadro, que merece ser aprofundado. Dou tal depoimento, pois fui observador e ator de muitos acontecimentos na zona rural do Sul do Pará.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Surfando no Pará

Agora é oficial.

A primeira fase do Surf da Pororoca (Torneio Intermediário) será dias 9 e 10 de fevereiro, neste final de semana.

A pegada das estrelas, no período de 21 a 23 março.

Até mais se ver por lá.

Navegar é preciso, sim

Cada vez mais países se aproximam entre si através de acordos de cooperação para o desenvolvimento das Artes, Cultura, Ciência, Tecnologia e Comércio. No Brasil, esse tipo de intercâmbio ganhou impulso nos Estados do Sul, principalmente a partir de Porto Alegre, Paraná e Florionópolises, desde o ano 2.000, resultando na troca de experiências e conquista de linhas de financiamentos para diversos programas sociais.

Depois, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia, entraram na ciranda.

No Pará, não se sabe motivado pelo temor do patrulhamento antropofágico ou pela própria falta de perspectiva de oportunidades, essa prática ainda é tímida. Secretários do governo Ana Julia precisam avançar nessa direção, manter pulsação com secretários de governos externos na busca de várias frentes de acordos de cooperação.

A exposição de artesanato e jóias paraenses, na Itália, no segundo semestre de 2008, é um bom exemplo de como isso pontua ações positivas.

Deixem o vento entrar, e bater

O blogger reproduz o grito de Franssinete Florezano:


Belemenses, uni-vos!
Vem aí mais uma tentativa de construir monstrengos na orla de Belém. Temos que organizar um levante contra a especulação imobiliária antes que, na contra-mão da História, a cidade permita que sejam erguidas muralhas ao seu redor.



Coberta de razão, a blogueira. Sua preocupação tem a ver com a qualidade de vida das pessoas que residem horizontalmente.

Fechar o espaço aéreo do rio Guamá, através da verticalização de prédios, é tão criminoso quanto o processo de urbanização invertida praticado ao longo dos últimos 60 anos, culminando com o soerguimento de casas, casebres e grandes barracões em toda a extensão de sua ex-orla, que agora o Duciomar tenta ressuscitar.

Enquanto é tempo, a prefeitura de Belém precisa entrar de sola nessa questão. Usar o Código de Posturas. Se ele não regulamenta o tema, convocar a Câmara Municipal para trabalhar.

Anjo 45

A calmaria deverá ser restabelecida nas próximas horas nas imediações do Gabinete da governadora. Charles Alcântara, Chefe da Casa Civil, está de volta ao batente.

Getúlio e Jader

Antes do carnaval, o poster se encontrou com Jader Barbalho em seu gabinete, na RBA, numa conversa amena sobre política e o Sul do Pará.

Enquanto conversávamos, o deputado federal descansava seu óculos sobre um exemplar aberta do livro “Getúlio”, de autor desconhecido. Jader falou de sua curiosidade em conhecer em profusão a figura do ex-presidente.

Mais à esquerda

Pedro Carrano, do Brasil de Fato, na área. Vai levar adiante a questão dos Royaltes devidos pela Vale às prefeituras do entorno de Carajás.

Repercutir além-mar e fronteiras, o objetivo é exatamente esse.

Lançado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 2003, o jornal Brasil de Fato, circula semanalmente em todo o país, com tiragem de 50 mil exemplares.
Ou seja, marreta pra cima da Vale.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

A sujeira das licitações

Quando um órgão público convoca, mediante edital, empresas empenhadas em apresentar propostas para a aquisição de bens e serviços em geral, supõe-se que princípios de moralidade, eficiência e impessoalidade sejam levados em conta. Pelo menos em respeito à Constituição Federal.

O princípio da isonomia, que significa oferecer tratamento igualitário a todos os participantes da disputa, é condição essencial a ser garantida. Parece que na Setrans – Secretaria Estadual de Transportes -, esses valores não são levados em conta.

A coluna do poster no Diário do Pará já provou isso, ao antecipar o resultado de uma licitação ganha pela Delta Construções, no valor de R$ 11 milhões para pavimentação da rodovia que liga a Alça Viária à Acara.

Aqui mesmo no blog, dia desses, expressamos preocupação com os rumos de novos editais preparados pelo mesmo agente público, porque todos os ruídos dali emanados sugerem a mesma empreiteira como vencedora. Pelo menos até as denúncias formuladas solitariamente pelo blogger, com apoio de corajosos colegas da blogosfera, entre eles, Juvêncio Arruda, Quinta Emenda.

Delta, campeã de bandalheiras

Empresa pernambucana com matriz no Rio de Janeiro, a Delta Construções S.A. tem filiais em Recife, Fortaleza, Brasília, São Paulo, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Piauí, Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo, e Pará. Atualmente, ela cumpre à perfeição o papel que durante longos anos esteve sob a batuta da OAS: manipular e forjar licitações.

São montadas verdadeiras quadrilhas dentro dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais trabalhando em favor de sua marca.

Cada dia com novas ferramentas criadas para ‘facilitar’ o transito de seus prepostos, a Delta Construções fincou pé na Setrans durante o governo de Simão Jatene. “Venceu” a licitação para recuperação da Pa-150 no valor de R$ 44 milhões, mas o contrato foi revogado no apagar das luzes da gestão tucana, não dando tempo à empresa iniciar os trabalhos de recapeamento da rodovia.

Com a desculpa de que a Pa-150 necessitava urgentemente de serviços, a gestão de Valdir Ganzer à frente da Setrans, já no governo Ana Júlia, considerou caminho mais curto para legalizar a contratação de outra empresa, a readequação do resultado da licitação vencida pela Delta. Ou seja, reutilizando-a com a simples revogação do contrato revogado na gestão de Jatene.
Fez-se novo contrato, entregando a bagatela de R$ 44 milhões à poderosa empreiteira.

Dia 10 de janeiro passado, o agente público estadual homologou em nome da Delta o resultado de outra licitação, no valor de R$ 10.501.407,34 -, para asfaltamento de 13 km da Pa-252, ligando a Alça Viária a Acará.

Em quase todos os Estados onde se instalou, a Delta faz patifarias, corrompendo agentes público a favor de seus interesses. Quinze dias atrás, a Polícia Federal desmontou esquema na prefeitura de São Gonçalo (RJ), onde a Delta aparece como agente ativo das safadezas. Até funcionários da construtora foram presos pelos agentes da PF.

Mudança de rota

Com a antecipação do resultado da licitação 004/2007, para asfaltamento de 13 km da Pa-252, e postagem de notas dando conta da existência de ruídos indicando a Delta na primeira fila do grid de largada para papar mais uma concorrência, em fase de formatação no valor de R$ 50 milhões para asfaltamento de diversas estradas em pontos distintos do Estado, houve corre-corre na Setrans. Luz vermelha, acesa em estado permanente.

O presidente da Comissão de Licitação do órgão andou fazendo ligações telefônicas a executivos de construtoras paraenses, com ameaças veladas e explícitas. Aproveitando para tentar identificar a fonte do poster.

Parece haver nova estratégia em curso. Descoberta na pocilga, fica combinado que a Delta não “vencerá” o futuro riquíssimo Edital. Adotar-se-á esquema de revezamento de vencedores, entre duas construtoras. Ela no meio, claro!

Essa estratégia é bastante conhecida entre os Piccolos da máfia de algumas empreiteiras.

O senador Flexa Ribeiro, dono da Engeplan, conhece muito bem esses caminhos. A prisão dele, por ocasião da descoberta da Operação Macapá, originou dessa patifaria. A Engeplan fazia parte das licitações públicas apenas para dar maior credibilidade ao processo, que era sempre vencido pela construtora Método Norte Engenharia. O combinado, no entanto, era de que lá na frente, a Engeplan teria a sua recompensa em outro Edital. Claro, de menor porte.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

No lusco-fusco do carnaval

Em meio a pensamentos de confete, o amor fantasiado de cigana.

Terminar a noite numa cama, é o que se pede mais rápido. Os dois, arrepiados de salivas.

Com jeitinho, tira-se a fantasia. Usando dentes, enquanto o sono não chega nesta terça de carnaval.

De longe, dentro do meu carro que paro na lateral da avenida, observo o casal trôpego. Um querendo segurar o outro.

Foi bom te ver outra vez, está fazendo um ano,
foi no carnaval que passou...


Mais longe ainda, escuto uma bandinha dissonante formada por metais (instrumentos de sopro) tentando tocar marchinhas antigas de carnavais antigos, mas são 6 horas e o resultado é o pior possível.

Músicos amanhecem bêbados de tocar a noite inteira.

Enquanto os ponteiros do relógio no alto do prédio da VP-8 não param de andar, os músicos querem ir pra casa.

No vazio do embalo coxo de uma dança coxa com poucos movimentos, calam-se juras carnavalescas. Cigana inamável travestida de amante.

Mas mesmo fantasiados, não se pode amar.

O casal não se agüenta em pé e senta-se no banco da praça da prefeitura.

Eu sou aquele pierrot,
que te abraçou, que te beijou, meu amor...

O sol já faz barulho de expectativa.

Duas crianças aparentando oito anos olham a cena obscena dos adultos. Não tiram os olhos do banco da praça enquanto a mãe sai puxando-as pelas mãos.

Devem ir à Igreja evangélica mais próxima. Em cada esquina existe uma.

Sentados no banco da praça, o casal esfaqueia sombras. A mão de um passeia os seios da outra.

A mão da outra penetra a braguilha do parceiro aberta pelo desejo de serem reconhecidos pela própria emoção.

É engraçado fotografar personagens de festas de carnaval. Cegos andantes de uma enxurrada de sonhos noturnos.

Parece que só brincam, sem ofender a madrugada.

Agarrado a um poste perto da rótula da Verdes Mares, um cidadão de cabelos grisalhos com restos de fantasias no corpo -, tenta urinar. Motoristas em carros passam próximos a ele, ouvindo qualquer coisa ininteligível de nosso andante mijão.

Cai-não-cai, ele segue, seguro de que sua casa não deve estar distante.

No rádio, escuto o locutor lendo convite para o enterro de Francisco Vargas Leite, “que ocorrerá às 10 horas da manhã desta terça-feira, no Cemitério da Saudade, Nova Marabá, e desde já agradecem a todos que comparecerem a este ato de fé e caridade cristã”.

Os antropólogos dizem que em toda passagem há um antes e um depois. Há uma ruptura. Os que fazem a passagem se transformam.

Diante de mim, restos de vidas depois do carnaval. Mas vidas em alegria.

Do outro lado do dial da emissora, a antítese de tudo aquilo “fotografado” pela lente das minhas retinas: o rito da morte.

Travessias perigosas com os riscos que este fenômeno existencial implica. Travessias para o abismo; travessias para a culminância.

A mesma máscara negra que esconde seu rosto,
Eu quero matar a saudade...

Na cidade, o clima mistura sol e chuva.

O sol, tocando surdo. A chuva, reco-reco.

Já na beira do Itacaiúnas, onde estou viçando tomar café com tapioquinha, próximo a casa onde nasceu o Maior dos Poetas marabaenses, Ademir Braz, antes de saltar do carro, observo dois casais “entrudos” rumando fantasiados ladeira abaixo.

Estão exaustos.

Devem buscar o banho de água gelada do rio barrento.

Cura porres homéricos.

O jeito dos quatro é engraçado. Sorrio deles, silenciosamente.

Rua e casas na beira do Itacaiúnas continuam iguais. Nada ali muda. Parece em ritmo de um mundo onde as coisas arrastavam tudo sem ritmo, interior de anos que não passaram, fixos, travados no mesmo lugar.

O cenário deveria pelo menos ter ficado deitado, como os bêbados de carnavais, nos bancos de praças sussurrando nomes antigos. Mas parecem olhos necrosados pelo sentimento do mesmo mundo faminto.

Tão perto, tão colo, tão longe, tão calo, apesar de nosso, que é hoje e sempre.

Tomando café com beiju na cozinha da senhora que faz gostosamente os quitutes, dá para observar os quatro carnavalescos subindo ladeira. Param. Sentam-se na ribanceira íngreme e lisa.

Beijam-se. Molhados de rio barrento.

O Itacaiúnas não é mais o mesmo do tempo do Ademir.

Hoje é mercúrio-rio.

Vou beijar-te agora, não me leve a mal,
hoje é Carnaval! (Zé Keti)

Não me leve a mal, hoje é carnaval

Amava as mulheres: brancas, negras, amarelas. Não importava.

Só valia ser mulher para merecer seus “traços” e abraços.

Contagiado pela alegria natural de nordestino, era do samba. E do forró.

Homem do mundo de todos os sons, o batuque da zabumba lhe enfeitiçava muito mais.

Dançava xote como ninguém. E amava saber que as pessoas sabiam ser exímio dançarino nos salões de terra batida nas noites enluaradas do sertão maranhense.

Aos 20 anos, veio ao Pará e ficou, transformando-se em “cidadão paraense” por tempo de casa.

Todos os dez filhos de Paulo Vinhas Lima nasceram no Pará, entre eles, o mais conhecido da prole, o publicitário Glauco Lima. Que amava o pai, que amava o filho que tinha cuidados especiais com Paulo -, principalmente nos últimos meses quando a saúde deste passou a exigir mais atenção.

Paulo Vinhas e Glauco só divergiam num lance.

O pai, remista doente. O filho, torcedor do Passandu sem igual. A paixão oposta de ambos no futebol era do tamanho da paixão que os dois nutriam um pelo outro.

Conheci Glauco há seis anos em Parauapebas, apresentado pela Bel Mesquita, então prefeita do município.

De lá pra cá, não apenas passamos a realizar alguns trabalhos juntos, como nos transformamos em amigos verdadeiros.

Gosto muito do Glauco, como figura humana extraordinária, doce, atenciosa e o mais criativo publicitário do Pará.

Nesta manhã de terça-feira de carnaval, fui despertado pela minha filha Sílvia comunicando a morte do pai do meu grande amigo.

Quebro meu descanso momesco para deixar esse sentimento registrado.

Aos 72 anos, Paulo Vinhas Lima se vai. No dia em que ele adorava sair pelas ruas de Belém, tomando uma aqui e acolá, totalmente entregue aos encantos da alegria do carnaval.

Minha solidariedade, Glauco. Do coração.