sábado, dezembro 08, 2007

A outra face da Guerrilha

Nomes: Sinésio. Alda. Alfredo. Lourdes. José Patrício. Vanú. Barbadinho. Creuza. Pedro Borba. Abdias. Manoel da Mata.

Idade média: 65 anos.

O que cada um tem a ver com cada qual?

Abdias “perdeu o juízo”.

Sinésio, arrancado 5 da manhã de casa, nem teve tempo de se despedir. As marcas no corpo ficaram. Pernas. Braços. Costas. Marcas físicas e espirituais.

Alda perdeu o marido e ficou perambulando pela mata com três filhos ainda pequenos, sem chegar a lugar algum. Sem cobertor para abafar o frio. O filho mais velho, encontrado apenas restos de corpo sobre pedrais de Santa Isabel, hoje é apenas uma foto na parede ampliada da carteira de identidade achada meses depois n’algum lugar da mata.

Alfredo até hoje pede ajuda da filha de 55 anos para lembrar de trechos da história. Não consegue completar uma frase sem o auxilio de Maria que de crescer ouvindo cada lance da tragédia nos cantos da casa, tudo sabe. E quando conta, a emoção a faz chorar.
Como por osmose, sente cada choque aplicado no corpo do pai nos idos setembro de 1973.

Pedro Borba era quem ajudava a curar as feridas abertas por todo o corpo de Abdias -, o vizinho das gostosas conversas nas noites mornas e silenciosas das casas simples de São Domingos – naquela época ainda “das Latas”.

Cada porrada de um “negão de dois metros de altura” nas pernas e mãos de Abdias abriu imensos buracos carcomidos por bichos a andar seu corpo. O amigo Borba, menos torturado, reservava forças para lhe dar sobrevida. Os dois fizeram também o “trajeto do terror”, que saía da então São Domingos das Latas, fazia a primeira parada no “Angelim” (Incra de Marabá), esticava até a Bacaba (km 50 da Transamazônica), voltava a Marabá, jogados depois num Búfalo da Aeronáutica com destino a Araguaína.

Lurdes só lembra do marido jogado em um Jeep por dois indivíduos identificados rapidamente como “homens da mata”. Ela nem sabia tratar-se do Exército, ficando depois 90 anos esperando, esperando, esperando pela volta do chefe da família. Esperando como Pedro-Pedreiro.

"Barbadinho", comerciante conceituado, sem saber quem eram os clientes “paulistas”, fez amizade com Osvaldão e Zé Carlos, de comer o mesmo frito quando os visitava no interior da floresta levando o rancho do mês que os “homens da mata” compravam religiosamente em sua mercearia de São Domingos. Por comer esse mesmo frito, percorreu o “trajeto do terror”.
Ele garante nunca ter levado um tapa, “mas choque peguei todo enquanto estive lá”.

Creuza tirava o filho de dois anos que levava na cangalha do jumento e, suspendendo-o, mostrava o rebento aos ocupantes do helicóptero a sobrevoar insistentemente sua cabeça quando ela se dirigia pela estrada da colocação de castanha até a residência em São Domingos das Latas. O marido não via fazia cinco meses. E até hoje.

Ficaram na memória poucos traços do rosto do pai de seus cinco filhos. O único homem de sua vida, ela não lembra como era.

José Patrício é o mais falante. Parece nem ter feito cinco vezes o trajeto do terror.
Chora e ri ao contar seu drama, reunindo humor e frases de efeito interessantes. Seu estado de espírito impressiona.
Comparando-o aos outros dez farrapos humanos, paira suspeitas da veracidade de suas histórias. Mas ele as viveu igualmente aos outros. São vizinhos de mesma rua e cidade desde 1960.

Uma pilha de livros numa prateleira da sala de sua casa arrumadinha, habitada por Machado de Assis, Olavo Bilac, Álvares de Azevedo, Jorge Amado e uma Bíblia -, pode explicar o “milagre". São quinze volumes dos autores citados, consumidos ao longo dos últimos 30 anos – “depois que saí do Juliano Moreira, onde passei seis meses”.

Manoel da Mata quer falar. Ensaia contar alguma coisa, mas a mulher, calada e com olhos frios fixos nos olhos quase mortos do esposo, o censura.
Silencio. Só o ruído de um galo a cantar no terreiro limpo sob a sombra de imenso sítio rico em laranja, tangerina e goiaba.

O casal vive sozinho. Pouco fala entre si, conta Zuleide, irmã de Rosilda, a mulher do negro

Manoel, hoje com 92 anos, exercita auto-censura desde quando foi carregado de casa, às 5 da manhã, para ‘conhecer’ Angelim, Bacaba, e Araguaína.

Apesar da pressão psicológica de Rosilda, o negro Manoel da Mata ainda consegue dizer uma frase: - “Os homens da mata só queriam nos ajudar”.

Vanú não olha nos olhos das pessoas, quando conta o que viveu. Levado de casa também antes do galo cantar, poderia hoje estar repetindo o mesmo roteiro. Diz não ter sido espancado. Diz não ter levado choques.

Depois do curto interrogatório na Bacaba, aceitou ser “guia”. Acha que isso o salvou, mas não da dor de lembrar as atrocidades que ele ( sem dizer textualmente, deixa escapar ao evitar dirigir seus olhos às pessoas ) ajudou a construir, conduzindo pela mata os bárbaros agentes do SNI, tateando pegadas de uma turma de jovens que sonhavam em salvar o Brasil da ditadura.

Testemunhos
A decupagem dos depoimentos de onze vítimas da Guerrilha do Araguaia vale por todos os livros e entrevistas até hoje publicados.
É chocante ouvi-los, vendo no vídeo a herança deixada pelo Golpe de 64. Barbárie cometida contra cidadãos pacatos vítimas de um processo injusto originário de toda ditadura.

Atualmente, os onze entrevistados vivem mal, com problemas de saúde. E Brasília se nega a conceder-lhes uma pensão digna. Tão pouco pelo crime que seus agentes do Mal praticaram contra brasileiros indefesos.

Os depoimentos serão postados na Net. O mundo precisa ver com seus próprios olhos o que fizeram Curió e sua gang de assassinos 'piti-yanquis'.

Sem camisinha

No aeroporto de Marabá, o blogger conversou com Bráulio Lima, técnico do Ministério da Saúde, de passagem, ao se alongar até cidades do Sul do Estado efetuando levantamento de informações sobre o crescimento da Aids no Pará.

O que mais preocupa o governo é Marabá. Os casos no município crescem de forma incontrolável.

Bráulio fez uma rápida exposição: em 13 anos, de 1985 a 1998, o município teve sete casos da doença. A partir de 1998, entrou numa escalada assustadora. Em 1999, foram 16 casos (mais que o dobro dos 13 anos anteriores). Em 2000, oito casos. Nos anos seguintes: 13, 10, 20 e em fase ascendente, os anos posteriores.

“Isso quer dizer que Marabá atravessou metade das décadas de 80 e 90 registrando oito casos de Aids, mas entrou no século XXI com 67 novos casos da doença”, diz.

Sem medo de errar, ele aponta o município como um dos que registram maior incidência da doença, no Brasil.

Pensando bem

A suplente de deputada estadual Elza Miranda não pretende mais disputar a eleição de 2008. Nem candidata a prefeita de Nova Ipixuna. Nem candidata a vereadora em Marabá.
Elza tem certeza de que o PSDB elegerá pelo menos dois prefeitos de candidaturas originárias da atual Assembléia Legislativa.
Et pour cause, assumirá vaga na AL.

As vermes, aos vermes

Os estudos da FGV são precisos: a taxa de acesso à rede geral de esgoto tratado no Amapá é de apenas 1,42%. O menor índice de todos os Estados do país.
Enquanto isso, Sarney e sua troupe se reelegem quantas vezes querem a custas desses índices vergonhosos, distribuindo gratuitamente medicamentos para verme. Quantos menos rede de esgotos, mais eleitores ‘baratos’.
Acorda, Amapá! Espanta as lombrigas daí!

Ama Belém

Terminou às 11h20 deste sábado, reunião da prefeitura de Belém com os dirigentes dos oitos clubes da capital que disputarão o Torneio Ama Belém, agora dia 23 de dezembro.
Como o torneio será no sistema mata-mata, pode ser que surja antes de janeiro um Re-Pa. Os clubes serão remunerados através de recursos de patrocínios do evento.
Torcedor terá acesso ao estádio doando um brinquedo para ser distribuído entre as crianças pobres da capital.
Bem bolado!

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Acomodação

Confirmado: Eva Abreu, recém demitida da diretoria Administrativa da 11a Regional de Proteção Social, será nomeada coordenadora de implantação do Projeto Cabelo Seco, investimento de quase R$ 15 milhões a serem aplicados na urbanização do bairro mais antigo e pobre de Marabá.

Parabéns, Correio!

O Correio do Tocantins completa 25 anos. Certamente, o mais longevo jornal do Sul do Pará.

Desde quando surgiu, a folha nunca deixou de circular aos finais de semana. Virou símbolo de informação regional, conduzido com mão de fogo pelo casal Mascarenhas/Lourdes Carvalho, verdadeiros leões-de-chácara do filho querido.

Cercados pelo calor efervescente de toda Redação de jornal, os filhos do casal enveredaram também pela área de comunicação social.

Hoje, o jovem Patrick Roberto, formado em Brasília, é Editor-Adjunto. Os demais, em pouco tempo, certamente se unirão ao restante da família.

Não é comum um jornal fazer 25 anos. São raros.

O Correio comemora Bodas de Prata, cercado da admiração de todos aqueles que tem como hábito abrir suas páginas, agora duas vezes por semana, em busca de informação.

Mascarenhas conseguiu, ao longo dos anos, imprimir uma marca singular em seu veículo, até contrariando a suspeita de que todo jornal procura sempre ter uma razão para trair a boa fé dos leitores.

O CT construiu traços de fidelidade às características dos fatos.

Só isso basta para festejar os 25 anos iniciais do Correio.

Reação energizada

Fulminante a reação do setor produtivo de Marabá a interrupção geral de energia elétrica anunciado pela Celpa para vigorar em pleno sábado com objetivo de proeder ajustes em sua rede. Nesta manhã, o Sindicato do Comércio deu entrada a um pedido de liminar para suspender o corte.

Como o comércio vem contabilizando pesados danos com os seguidos feriados, sofrer a interrupção de energia elétrica em pleno sábado de dezembro é acumular prejuízos incalculáveis, principalmente considerando o perfil automatizado da maioria das empresas locais. Sem energia, nada funciona.

Empresários questionam as razões da Celpa realizar serviços em sua rede em pleno sábado, quando poderia fazê-lo aos domingos. A maioria acha que a concessionária simplesmente quer fugir do ônus de pagar hora extras aos seus funcionários, trabalhando domingo.

Não é bem assim

Declarações do economista Armando Soares colocam em seu devido lugar o frágil discurso da corte tucana sobre a reserva legal de 80% da área das propriedades rurais e a eficiência do Zoneamento Econômico-Ecológico.
Faltava alguém dizer o que ele disse.

Redenção na mira

Governo bateu o martelo: Redenção terá recursos especiais a partir de 2008, para implantação de estrutura regional na área de segurança.
Foram definidas construções de uma Seccional de Polícia Civil, Delegacia de Combate à Violência Contra a Mulher e implantação da Deca - Delegacia de Conflitos Agrários.

Habeas Corpus

A propósito, o blogger constatou pessoalmente.
Dependendo do bairro, o prefeito JPC (PMDB) voltou a andar pelas ruas de Redenção sem ser molestado pelo seu povo indignado. Há sinais de que ele estaria reduzindo os índices de rejeição constatados em três pesquisas. Seus auxiliares entendem que até final de junho, quando se define escolha dos candidatos à eleição municipal, o destrambelhado alcaide se habilitará à reeleição.

Eletronorte de sempre

A Eletronorte colhe os frutos do desrespeito às famílias residentes na área alagada pela barragem de Tucuruí. A destruição de máquinas pesadas de empreiteiras que trabalham na construção das duas eclusas é o desfecho de uma crise prolongada estrategicamente sem o cumprimento, por parte da empresa, dos termos de intenções assumidos com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

É condenável, sob toda avaliação, os atos de vandalismo registrados. Só que o flagelo chegou a tal nível que a turma invocada só entende a máxima do “dá ou desce”.

E vão ter que dar por indenização muito mais do que os R$ 15 mil iniciais propostos por família. O MAB não abre mão de R$ 60 mil. E está de bom tamanho, pelo que já sofreram deslocados como povo sem pátria.

Lavagem cerebral

No momento em que a Justiça passa a reconhecer em diversos países – inclusive o Brasil -, o direito de herança por união homossexual, uma tal de Frente Parlamentar Evangélica, cujo vice-presidente é o deputado federal Zequinha Marinho (PMDB), anuncia grande barulho para o dia 14 de dezembro, em Belém, sob forma de seminário e manifestação pública, que tem por objetivo explícito discutir pedofilia, aborto, eutanásia, drogas, prostituição infantil e, veja só, homofobia.

Na mesma data, seria interessante a mobilização da sociedade gay do Pará para se opor ao festival de hipocrisia projetado. Não é de bom tamanho deixar os espertos marmanjos “evangelizadores” cantando de galo.

Chico Buarque lembra que “malandro é o Rei da ralé”.

De Lula pra Agnelli

“Nós precisamos produzir aço aqui para gerar emprego aqui e distribuir renda aqui. Temos que aproveitar a chance de transformar o Pará num Estado produtor de coisas com valor agregado”. (Lula em discurso na Ilha do Marajó)

Agora, presidente, é apertar a rolha. No embalo da festiva mudança de marca da Vale.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Questão de tempo

Atualização do blog somente a partir das 14 horas desta sexta-feira, 7, quando esperamos, então, perenizar o ritmo das postagens.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Pára e acelera

O blog não foi atualizado, nesta quarta-feira. Excesso de compromissos na Produtora/Agência afastou o blogger da redação.

Dezembro é sempre assim. Mas havaremos de fazer esforços para manter a média de posts diários. Se não for possível, avisaremos com antecedência.

Sem pestanejar

O governo foi rápido. Demitiu a diretora Administrativa da 11a Regional de Proteção Social, Eva Abreu, apontada como fonte de todos os atritos que levaram o órgão à paralisação. POde ser que agora as ações de saúde sejam executadas e os casos de dengue, malária e outras endemias, em franco crescimento, seja controlados.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Caminho das pedras

A possibilidade de Miguel Cunha assumir a Delegacia Geral de Polícia Civil é bom para o Sul do Pará. Ele conhece os problemas locais na área de segurança e tem o apoio das principais lideranças políticas e sociedade organizada.
No governo Ana Júlia, de quebra, seria único representante de Marabá no primeiro escalão.

Crise na Saúde

Lá vem confusão.
Como a bagunça não tem prazo nem sinal de que será um dia debelada, os próprios servidores decidiram assumir atitude em nome da saúde pública.

A 11ª Regional de Proteção Social, com sede em Marabá, pode parar sem tempo determinado nos 21 municípios de sua jurisdição como forma dos funcionários alertarem o governo da vergonhosa situação pré-falimentar na qual se encontra o órgão em conseqüência dos conflitos internos administrativos gerados pelos diretores Eva Abreu e Demerval Silva, refratários a qualquer tipo de relacionamento com a direção geral.

Pertencentes ao PT, os personagens ocupam os cargos de diretores Administrativo e Técnico, que cuidam dos fluxos financeiros e de combate às endemias. Como os dois não aceitam submissão ao diretor geral indicado pelo PMDB, simplesmente nada funciona.

O primeiro diretor, Ademir Viana caiu sob acusação de irregularidades. O segundo, Luiz Sérgio, competente médico responsável pela organização do Hospital Municipal de Marabá, anunciou que entregará o cargo, estressado por não conseguir até agora realizar nenhuma ação na 11ª RPS, totalmente desestabilizada.

Detalhe: Luiz Sérgio, substituto de Ademir Viana, não conseguiu emplacar inda 40 dias como diretor da Regional de Saúde.

Prazo de validade

Servidores de Marabá e dos demais municípios denunciam a paralisação das ações de saúde e o atraso no pagamento de fornecedores e das gratificações devidas aos funcionários. Fazem também alarmante denúncia: a devolução de R$ 700 mil por falta de aplicação da Diretoria Administrativa na esteira dos conflitos com o diretor geral do órgão. Consideram a devolução de expressiva quantia um crime à saúde pública do Sudeste do Pará num momento em que o setor passa pela sua pior crise.

Combatida com eficiência nos 21 municípios até o inicio de agosto, a dengue voltou a ganhar corpo em razão da falta de continuidade das ações preventivas. Tudo conseqüência da briga travada pelos diretores do PT com o diretor do PMDB.

Sesmaria

29 dezembro comemora o aniversário de emancipação do município de São João do Araguaia. Por conta disso, o prefeito Marisvaldo Pereira Campos já começou a torrar dinheiro em divulgação de eventos programados.

Ao mesmo tempo em que a festa é o tom maior de sua gestão, o gabiru-mor fecha os olhos para o lixo da cidade jogado diariamente, pelos caminhões da prefeitura, a 20 metros do único hospital existente na sede do município.

Tipo de verdugo a merecer uma prensa do Ministério Público que, diante dos sinais aparentes, não está muito preocupado com essas coisas “menores” registradas em cidade de baixíssimo IDH.

Ricos & Livres

A polícia não prendeu ainda nenhum bandido da quadrilha que assalto três agências bancárias em Carajás. Apesar do cerco na floresta, onde provavelmente ainda se encontrariam, nem sinal dos assaltantes que levaram mais de R$ 50 milhões.

Águas turvas

Das seis pessoas de uma mesma família desaparecidas nas águas do Tocantins, até o final desta manhã haviam sido localizados apenas dois corpos.
O naufrágio da embarcação ocorreu próximo a Itupiranga.

Pra acordar boi

Imazon detectou o crescimento do desmatamento no Pará durante os meses de agosto, setembro e outubro.

Apesar de todos os dados científicos disponíveis, os carvoeiros não desistem do discurso de que a produção de carvão usa matéria-prima originária de resíduos florestais remanescentes de antigas derrubadas.

Os grileiros também fazem a festa nas terras indígenas dos Apyterewa e Mankaragnoti, atravessando a venda de madeira.

Corja desumana

Pesquisa fresquinha do IBGE aponta o Estado de Alagoas como o de pior desempenho nacional quanto a expectativa de vida do brasileiro ao nascer.

Nenhuma surpresa. Afinal, o Estado é dirigido por caciques da pior origem: Collor, usineiros e Calheiros.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Tô nem aí

Escorado em sua imunidade, o deputado Wladimir Costa (PMDB) não quis nem saber de comparecer ao Fórum de Barcarena para a audiência inicial do processo que lhe move o prefeito Laurival Cunha, por calúnia, injúria e difamação -, supostos crimes cometidos através de sua rádio Metropolitana.
Opositores de Wlad denunciam que a concessão de sua emissora é de caráter exclusivamente comunitária, mas que a mesma teria sido transformada em veículo de cunho comercial.
Promete, muito, essa disputa.

Mal-estar na mesa

Durante a visita de Ana Julia a XIV Ficam, sexta-feira, 01, a tônica foi o festival de constrangimento na mesa em que se encontravam a governadora, prefeito Sebastião Miranda, deputados Asdrúbal Bentes e Bernadete Caten, Luiz Carlos – Adjunto da Seplan -; André Farias, secretário da SEIR; Miguelito Gomes, presidente da Câmara Municipal -, além de seleto grupo empresarial representante do PIB local, entre eles, Demétrius Ribeiro.

Sentado à frente de Ana Julia, o dono da Usimar, em determinado momento, dirigiu-lhe a palavra:

- Governadora, como a senhora sabe, sou primeiro suplente de senador do Mário Couto, do PSDB. Já telefonei pra ele dizendo que não concordo com a oposição ferrenha que ele está fazendo ao seu governo, solicitando, inclusive, que ele pare de lhe fazer críticas da forma como vem fazendo.

Ana Júlia não perdeu tempo em agradecimentos. Foi fulminante:

- Não tomo conhecimento de críticas feitas por quem não merece respeito, nem meu nem do povo paraense. . O passado de algumas pessoas por si fala por elas.

Outras duras palavras dirigidas pela governadora, batendo pesadamente em Mário Couto, deixaram Demétrius do jeito que as ouviu: quietinho-da-silva.

Mal-estar na mesa (2)

Outro constrangimento seria registrado minutos depois.
Demétrius Ribeiro demonstrava impaciência. De novo, voltou ao ataque.

- Governadora, eu sou um homem sério, um empresário ético e cumpridor de meus deveres. Inclusive, em toda campanha eleitoral, faço doações a todos os políticos. Já financiei a campanha do Tiao Miranda, da Bernadete....

E o empresário foi citando nomes de políticos beneficiados pelo dinheiro dele.

Não chegou a terminar a relação. A primeira pessoa a deixar a mesa foi o prefeito Sebastião Miranda, seguido de outros. Até a governadora levantou-se para conversar com pessoas sentadas em outra mesa próxima.

Mal-estar na mesa (3)

O “show” não havia terminado. Faltava o tiro fulminante para o constrangimento maior fazer abalo geral. E ele veio após os convivas retornaram à mesa, depois de alguns minutos perambulando pelo gostoso ambiente do restaurante da XIV Ficam.

Demétrius Ribeiro, tentando transmitir alguma coisa a Ana Julia, que outra vez sentada à sua frente se segurava num papo com Tiao Miranda, dirigiu então a palavra a esmo, para quem quisesse ouvi-lo:

- Eu não entendo até hoje por que essa retaliação contra minhas empresas...

André Farias, à esquerda de Ana Julia, não se conteve e respondeu, duro, olhando para Demétrius:

- O senhor mesmo construiu essa situação. Só o senhor é o culpado do estágio em que se encontra, ao fazer declarações públicas de que os guseiros não tem obrigação de plantar, ao condenar a política de meio ambiente do governo federal e se achar no direito de causar danos ambientais impunemente. Se os governos anteriores permitiam isso, saiba que o nosso governo não permitirá. Jamais.

Percebendo que o clima estava caminhando para nível de insustentabilidade, Gilberto Leite, presidente da Associação Comercial e Industrial, educadamente convidou a todos se dirigissem ao camarote da arena de espetáculos para assistir ao show de Lenne Bandeira, prestar a começar.

Primeiro golpe

O PT perdeu a eleição de Nova Ipixuna por incompetência. Principalmente, perdeu para si mesmo.

A diferença de 656 votos favoráveis a Edison Alvarenga (PTB) não é pequena. Nas duas últimas eleições municipais, polarizada entre o Partido dos Trabalhadores e o grupo político liderado pelo prefeito eleito, a margem de diferença foi mínima.

Zezão, o ex-prefeito petista cassado, eleito por duas vezes, talvez pelas suas origens, priorizou obras excessivamente na zona rural, esquecendo-se de que a população urbana, com mais acesso à informação, poderia um dia se rebelar. Como se rebelou, dando a maioria de votos à oposição que vinha prometendo em discursos “reconstruir” a sede de Nova Ipixuna.

O resultado de ontem é um aviso. Luz vermelha acesa na rota de alguns municípios dirigidos pelo PT, no Sul e Sudeste do Pará.

Poder de articulação

Alguns políticos demonstram preocupação com a desenvoltura do presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, Gilberto Leite, junto a representantes do governo do Estado e dirigentes dos movimentos sociais. Movimentação, diga-se, bem articulada, resultando sempre em benefícios para o município.

Em suas andanças, Gilberto defende os interesses não apenas de comerciantes e empresários, como presidente da ACIM. É chamado também para ajudar amenizar crises diversas, entre muitas a do setor guseiro e madeireiro-, e até casos de invasão de propriedades.

O último golaço do líder empresarial foi levar a governadora Ana Julia para conhecer a área destinada à construção da Escola da Produção e Trabalho, obra sobrestada na administração de Simão Jatene. Seis dias após bater fotos do local e receber todas as informações de Gilberto Leite, a governadora retornou a Marabá anunciando o reinicio do empreendimento a partir de janeiro, com recursos definidos da ordem de R$ 3,7 milhões.

Com forte poder de persuasão, o executivo tem raro perfil de transitar pelos diversos segmentos sem representar qualquer tendência política. Pelo menos oficialmente, já que Gilberto Leite não é filiado a nenhum partido.

Fé cega...

Perceberam o nome da embarcação que naufragou às proximidades da Ilha de Cotijuba resultando na morte de seis pessoas?

“Ajuda de Deus”.

...Faca amolada

Tragédia pode ter provocado a morte de quatro membros de uma família residente em Itupiranga, com o naufrágio da embarcação que a conduzia em passeio no final da tarde de ontem, no rio Tocantins. Hoje, bem cedinho, o Corpo de Bombeiros de Marabá se deslocou até o município para dar inicio às buscas dos corpos.

Poder de foto

A Vale está divulgando nota nas emissoras de rádio do Sudeste anunciando a suspensão, por tempo indeterminado, da linha de trem de passageiros, no trecho Parauapebas- São Luís. Motivo: o clima de violência implantado pelo MST no corredor da Estrada de Ferro Carajás.

Trecho da nota diz que a mineradora está preocupada com a “integridade física de funcionários e dos passageiros”, e que a linha será normalizada somente após as autoridades garantirem o restabelecimento da ordem.

Pressão maior do que esta, não existe.

Testemunhos

O poster tem em mãos depoimentos gravados em vídeo de onze pessoas testemunhas e participantes da Guerrilha do Araguaia. Pessoas com idade acima de 60 anos, sofridas, até hoje traumatizadas com a negritude dos tempos vividos.

Depoimentos espontâneos. Cheios de emoção. Reprodução de filmes antigos de terror.
De tudo o que já publicaram sobre a guerrilha, o blog tem certeza faltar ainda explicação para muitos fatos.

Exemplo? O local exato onde os corpos dos guerrilheiros foram queimados em fogueiras de pneus velhos, depois de sumariamente executados pelos agentes do SNI.

Não foi possível publicar o único post redigido para publicação ontem, 02, abrindo uma seqüência sobre o confronto no Bico do Papagaio. Problemas por todo o dia no provedor da Internet, impossibilitaram a atualização do blog.

No próximo domingo, abriremos a série.