sexta-feira, maio 23, 2008

Piscinas naturais

Na “canga” de Serra dos Carajás cores verde e azuis diferenciados integram três lindíssimas lagoas misturadas ao verde que serpenteia seu entorno. A vegetação rasteira forma o platô protegido, mais abaixo, pela imensa Flona.

Quem sobrevoa a área registra belíssimas imagens.

Tony, "Rei" da Transamazônica

População de Novo Progresso não se conforma com a sem-vergonhice do prefeito local em usar máquinas da prefeitura em obras de urbanização da entrada da chácara dele, “ no centro da cidade”, conforme comenta leitor, onde Tony Fábio (PT), sem nenhum constrangimento, também armazena madeira, cimento, telhas e outros materiais de construção, para o atendimento a populares.


O caraíba usa o dinheiro público escancaradamente em benefício próprio sem que haja ação de quaisquer autoridades.


Ao trabalho, Ministério Público!

Caminhos de Santa Bárbara

O poster conversou longamente com Armando Delidier, consultor do banqueiro Daniel Dantas, de passagem pelo Sul do Pará realizando tour pelas terras cada vez mais extensas do grupo Opportunity. Um dos objetivos da visita dele ao conglomerado agropecuário Santa Bárbara é o recolhimento de subsídios para um projeto extensivo de pecuária, em fase de elaboração, prevendo pesados investimentos no desenvolvimento da genética da raça nelore para abates mais precoces e mais rentáveis.

Armando Delidier conheceu o laboratório da SB montado no Pará, acompanhado de Rodolfo Rumpf, responsável pelos clones da Embrapa, orientador da montagem do centro de pesquisa. O consultor confirmou o que se comenta à boca miúda de que três conceituados executivos da empresa Lagoa da Serra, uma das principais centrais de inseminação do País, foram contratados por Daniel Dantas para cuidar da gestão de setores estratégicos da Santa Bárbara. A ordem é transformar o complexo em referencia mundial de altíssima tecnologia. “Dinheiro para isso, têm”, expressou Delidier. Aos montes.

À preocupação demonstrada pelo blogger de que a compra desenfreada de fazendas no Sul/Sudeste do Pará pode expor a região aos humores de um monopólio perigoso, controlando o mercado e fechando muitas atividades atualmente estimuladas pelo grande número de médios e pequenos fazendeiros – potenciais clientes de lojas de produtos agropecuários e afins -, o economista considera essa leitura improcedente.

O grupo Santa Bárbara não tem interesse em caminhar por essa estrada, até porque a idéia fecha oportunidades de competição tão importante nas grandes transações que visam o mercado de ações, objetivo maior do projeto de Daniel Dantas”, reagiu. Ou seja, o foco é mesmo superar um milhão de cabeças de gado para a formação de uma empresa de capital aberto na bolsa de valores.

O Opportunity, garante o consultor, não comprou até agora nenhuma propriedade de médio ou pequeno porte. Para checar a informação, sugeriu, basta consultar o Iterpa (Instituto de Terras do Pará) no sentido de ver se houve alguma solicitação de informação a respeito da origem de certidões falsas. “ Só queremos propriedade limpa, de primeira linha, com toda a documentação legal”

Revelação interessante do consultor: Daniel Dantas não entende bulhufas de gado, e se veio ao Pará mais de duas fezes, bateu recorde.

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atualização às 15:00, dia 24/05:

Onde se lê "se veio ao Pará mais de duas fezes", leia-se mais de duas vezes.

Conversa pra boi dormir

Na íntegra, e-mail da assessoria de imprensa da prefeitura de Canaã dos Carajás a propósito de nota publicada na coluna do pôster no Diário do Pará:


Gostaríamos de reportar que há um engano no que tange a nota publicada em sua conceituada coluna, na edição de terça–feira do jornal “diário do Pará”, caderno “regional”, pág. A10. Esclarecemos que não é verdade, não condiz com a realidade informação divulgada na coluna que ao citar diversos municípios também explicita que “... Canaã dos Carajás... são dirigidos por Prefeitos com altos índices de reprovação...”, ou seja, dispõe o município de Canaã em meio a uma comparação com um eventual quadro de Prefeitos, que seriam pouco apreciados pela população de suas cidades.

Pesquisas realizadas na região indicam que o índice de aprovação do Prefeito de Canaã dos Carajás, Joseilton Ribita, atualmente gira em torno dos 73%. Tal informação pode facilmente ser comprovada através de qualquer inocente passeio pelas ruas da cidade, por onde inclusive, o Prefeito costuma andar livremente e sem seguranças. Basta apenas perguntar ao povo.
Quanto ao fato do município de Canaã constar na folha de Prefeituras inadimplentes – divulgada em edição passada do jornal de mesmo nome – informamos que trata – se de um entrave meramente administrativo. O prazo para prestação de contas não foi perdido e sim cumprido.
O que ocorreu é que um dos formulários que foram preenchidos e enviados para o FNDE pelo correio, na data de 12/07/2007, referente ao exercício 2006, continha erros de preenchimento, sendo assim devolvido pelo órgão Federal. Esta devolução entravou o processo, o que provavelmente ocasionou que o nome de nossa cidade constasse na lista. A questão está no momento sendo resolvida, através de novo preenchimento do formulário incorreto, com novo reenvio para o FNDE.
Os valores estão absolutamente corretos e sem irregularidades. Cada centavo dos R$94.404,96 repassados pelo PNATE no exercício 2006, foi rigorosamente aplicado em despesas com o transporte escolar. Vale lembrar, que a despesa do município de Canaã dos Carajás apenas com o transporte escolar, engloba um valor que alcança um pouco mais de R$ 1.000.000,00.


Nota do blog: à insinuação de que “pesquisas realizadas na região indicam que o índice de aprovação do Prefeito de Canaã dos Carajás, Joseilton Ribita, atualmente gira em torno dos 73%”, o poster sabe que tal informação é falsa. A avaliação popular do prefeito não é das melhores, conforme levantamento científico realizado no município. Perguntando ao povo, nas esquinas, a sensação é a mesma.

Setor mineral

A Frente Parlamentar em Defesa da Infra-Estrutura Nacional, da Câmara dos Deputados apresenta a 1ª Semana de Mineração a ser realizada de 27 a 30 de maio. Evento discutirá a importância do setor mineral na economia brasileira em termos de geração de renda, divisas, empregos, adequação tributária, conjuntura internacional e perspectivas, bem como investimentos e a responsabilidade do Setor no que se refere à preservação do meio ambiente e terras indígenas.

A exposição apresentará as peças vencedoras do XIV Prêmio IBGM de Design de Jóias 2008. o Prêmio IBGM se destaca no setor joalheiro nacional por sua tradição e pela valorização da arte e cultura brasileira, nas pedras coradas e na gestão do design nas indústrias. As peças estarão expostas no Corredor de Acesso ao Plenário Ulísses Guimarães - Corredor de acesso ao Anexo I, do dia 27 a 30 de maio.

De acordo com a deputada federal Bel Mesquita (PMDB), vice-presidente da Área de Mineração da Frente Parlamentar em Defesa da Infra-Estrutura Nacional, o seminário “é uma alternativa para que os governos, a sociedade, os empresários, os trabalhadores, todos enfim, discutam as dificuldades e os impactos da mineração e aproveitem as oportunidades advindas deste setor, que proporciona produção de riquezas, geração deempregos e melhoria da qualidade de vida da população brasileira”.


Fonte: Assessoria de Comunicação da deputada federal Bel Mesquita

Coluna do Diário

Destaques da coluna do pôster no Diário do Pará, edição desta sexta-feira, 23:

1- Daniel Dantas comprou mais uma propriedade no Sudeste do Pará: fazenda Itacaiúnas, por R$ 34 milhões.

2- Aeroporto de Marabá transformado num velho pardieiro força passageiros a sentarem-se no chão.

3- Grupo de Trabalho ajudará a agilizar projetos de licenciamento e garantir a instalação da aciaria da Sinobrás, em Marabá;

4- A pergunta no ar: quando o governo concluirá os 15 km de pavimentação que faltam para ligar Marabá ao rio Araguaia? Deputado Zé Geraldo bem que poderia responder.


5- Em junho, audiência pública do MP para ouvir sugestões da sociedade em busca de da dinamização do órgão.


6- Assessoria de imprensa do comando da Polícia Militar diz que a esposa do coronel Luiz Cláudio Ruffeil não é candidata a prefeita.

terça-feira, maio 20, 2008

Esse poente desigual

Mistura de luzes refletidas no pequeno monte de areia do outro lado do Tocantins. Um cucurute da Praia do Tucunaré aparecendo, porque o verão chegou.

As águas do rio não têm pressa em vazar por que o mar está sempre à espera, nada de correrias.

O barco atravessa em mansos banzeiros os primeiros banhistas na tarde que se vai, formando o pôr do sol mais belo do mundo.

Cada um tem o seu poente em seu lugar amante, cada qual mais belo que o outro.
Igual ao de Marabá, não se discute.

Matemática selvagem

Uma chinelada sem dó, o reajuste aplicado pela Vale no preço do minério granulado vendido aos guseiros do Pará e Maranhão, que ainda nem foram comunicados do aumento de 100%. O blog conseguiu ter acesso à planilha elaborada pela mineradora com o percentual definido, antes mesmo dos clientes serem oficializados.

Fonte segura informa que somente a partir de amanha, 21, as siderúrgicas receberão ofícios com os novos preços.

Uma coisa é certa: o reajuste de 100% sobre o granulado levará a nocaute, se não todas as usinas, pelo menos a maioria delas.

Câmbio aquém da margem de segurança, aumento do preço de insumos e transportes, acrescentando o extraordinário passivo ambiental acumulado -, são ingredientes formidáveis para a promoção da quebra das empresa do setor.

Quem pode escapar desse terremoto à chinesa é a Sidepar, dona de uma jazida de
minério em Floresta do Araguaia, portanto, independente da política de preços praticada pela Vale.

Desvio de conduta

O blogger sempre admirou a atuação destemida do líder dos sem-terra Erivaldo Martins Carvalho, o Totó, pela postura coerente com que sempre pontuou as ações do MST na região Sudeste do Pará. Agora, ao ser flagrado, envolvido juntamente com outras lideranças dos sem-terra, numa ação destemperada de pilhagem da sede da Coomigasp, Totó dá margens para que o país inteiro passe a vê-lo como mais um arruaceiro a circular o Estado promovendo desordem.

Ao partirem para o tensionamento de relações com um governo surgido das forças populares, o MST está perdendo a grande oportunidade de obter conquistas e avançar com suas bandeiras em favor das classes oprimidas residentes na zona rural. Ninguém duvida de que Ana Julia e grande parte da equipe que a auxilia são identificadas com seus embates, apenas as lideranças de alguns segmentos sociais passaram a ignorar essa realidade.

A nota liberada pela Secom condenando a violência em Serra Pelada, é uma prova disso. Em todos os parágrafos, o cuidado de bater de frente com o MST e com outras entidades congêneres é evidente. Ou seja, manda avisar de que não aceita provocação mas se declara, sempre, aberto ao diálogo, “como principal ferramenta para a pacificação dos conflitos e não admitirá qualquer forma de desafio ao estado de direito".

Golpe na praça

Apenas para reforçar o que já foi publicado na coluna do Diário do Pará, edição desta terça-feira, 20. A seguir, transcrição de e-mail enviado ao blogger pelo advogado e ex-deputado Plínio Pinheiro:

Já há alguns anos venho sendo vítima de um perigoso estelionatário que, aproveitando, o bom e honrado nome que a Graça de DEUS me concedeu e a confiança que a maioria das pessoas nele deposita, apresenta-se como meu emissário para trocar cheques como se fossem recebidos por mim de clientes de meu escritório de advocacia.Por costume e para evitar fraudes, tão comuns, não uso cheques, sequer para pagamentos e compras e meus clientes, na maioria de outros Estados, sempre pagam os honorários através de depósito em conta.Ele estava sumido de minha vida há uns três anos, porém, na semana passada o empresário João Miranda (Correntão de Ananindeua/PA)por seu filho Fredson, contactou-me para dizer que todos os cheques que eu mandara trocar haviam voltado sem fundos,deixando-me preocupado, pois eu não tomara tal iniciativa e nem sabia do assunto.No dia seguinte o empresário Demetrius Fernandes ligou para dizer que alguém telefonara para ele, dizendo ser eu, pedindo para trocar um cheque de R$ 2.000,00.Ele não reconhecendo a minha voz, disse que a pessoa era um bandido e esta de imediato desligou o telefone. Pretendo alertar os comerciantes, empresários e povo, em geral, sobre a nefasta ação deste abutre da honra alheia, pedindo-lhes, ao final, que jamais troquem cheques que forem apresentados como de meu interesse ou meus,mesmo que alguém ao telefone identifique-se como sendo eu.

Depois das 3 horas

Atualização, depois das 15 horas desta terça-feira.

domingo, maio 18, 2008

Pessoal da gente

Quando o "Pessoal do Ceará" surgiu, não se resumia a um grupo pequeno e específico de pessoas. Principalmente para as bandas do Nordeste e Norte, de repente formou-se um pequeno movimento em torno de Belchior, Fagner, Téti, Rodger e Ednardo, espalhando uma nova linguagem musical surgida no Ceará. Até mesmo com pitadas de ferinas frases de provocação aos baianos liderados por Caetano e Gil.

Quem não se lembra desses provocantes versos de Belchior ?

Mas trago na cabeça uma canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia
Tudo é divino, tudo é maravilhoso


Na mesma canção, o complemento cortante:

Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve
Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve
Som, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém


Pessoal do Ceará era um grupo que tinha em cada um de seus integrantes proposta diferenciada, expressando identidade cearense extensiva às comunidades do Norte/Nordeste.

Fagner cantava as velas do Mucuripe, Ednardo trazia a figura do Pavão Misterioso, a literatura de cordel e o maracatu. Trabalhavam com símbolos de nossa cultura.

Era um pessoal super-antenado com a época, com a revolução musical que estava acontecendo. Não era apenas Luiz Gonzaga ou o Nordeste rural, era "Alegria, Alegria" do Caetano, os Beatles... Eles eram criadores que estavam envolvidos com o universal, e a partir daí procuravam uma forma que mostrasse o Ceará a partir de uma visão mais abrangente, mais multicultural.

Fagner, saído de Orós, Fausto Nilo (maravilhoso compositor), de Quixeramobim, Manassés, de Maranguape, todos originalmente da área rural, mas universitários, ligados ao cenário nacional. A identidade não é uma questão de ser regional, no sentido restrito, mas a partir do todo, ter uma visão local. E eles tinham.

Quando escuto Terral, enxergo nortistas nas asas do vento.

Gênio Luiz, analfabeto

Em agosto próximo, faz dez anos da morte de Luiz Gonzaga, o Velho Lua - Rei do Baião. O blog, amante da obra criadora do artista de Exu, aos domingos estará sempre relembrando algumas canções maravilhosas que ele compôs ao lado de Humberto Teixeira e de outros criadores nordestinos.

Gonzaga ajudou a fixar o baião e seus derivados no imaginário coletivo do brasileiro.
O pai dele, Januário Gonzaga, foi um dos melhores sanfoneiros da época, condição esta retratada na obra “Respeita Januário”, que conta, com muito humor, a reação do pai às qualidades do filho como instrumentista do velho fole.
O gostoso é o solo narrado de Luiz, valorizando as expressões do homem sertanejo e sua sincera identidade de falar a verdade somente a verdade.

Respeita Januário é uma obra prima do cancioneiro nacional.

Lua Azul

Blue Moon, a linda canção de Rodgers & Hart, escrita em 1933, na voz de Billie, eternamente incomum. Nem as mais lindas gravações da canção em versões jazzísticas, mexe tanto como na voz de Holiday. Feita para os improvisos do jazz, Blue Moon se universaliza com Billie.

Experimente fazer amor, então, tendo a canção como trilha....

Blue moon, you saw me standing alone

Entrevista: Alexandre Zucatelli

Quando decidiu largar o futebol para se dedicar exclusivamente às empresas dos pais Reinaldo e Regina Zucatelli, o jovem Alexandre Zucatelli estava iniciando uma trajetória que iria modificar totalmente sua visão de mundo. Antes, sonhava em ser escalado um dia para a seleção brasileira, chegando, inclusive, a jogar nas escolhinhas do Vitória, da Bahia, e do Guarani, de Campinas, sempre visto em campo como um futuro ídolo do futebol nacional.

Acordou num momento e disse a si mesmo não ser aquilo o que lhe esperava, passando então a acompanhar os pais dentro do Grupo Zucatelli – um conglomerado de 14 empresas ligadas aos setor automobilístico e de máquinas pesadas, com investimentos em quase todos os municípios paraenses e no Estado do Maranhão, além de sete fazendas em quatro municípios do Estado. Ao todo, o grupo emprega diretamente mais de mil pessoas.

Hoje, Alexandre Zucateli é diretor Executivo do grupo, com apenas 22 anos, certamente um dos mais jovens empresários do Pará, revelando-se administrador de resultados e com uma visão moderna da atividade empresarial. Nos últimos dois anos, ele manteve contatos diretamente naqueles países com executivos chineses, italianos, alemães e japoneses. Portanto, com uma visão abalizada dos costumes e culturas desses investidores.

Alexandre abre a seqüência de entrevistas que o blog publicará, aos domingos.


Na sua opinião, uma empresa familiar como o Grupo Zucatelli pode continuar crescendo até quando, considerando que os laços bastante estreitos entre família-propriedade-gestão às vezes dficulta sua administração?

Isso é muito relativo. Uma empresa familiar pode crescer ou não de forma acentuada, assim como uma empresa profissional pode não ter uma vida nem um tanto sadia. O importante é ter em mente que os laços familiares não podem estar acima das normas de mercado senão a empresa perde competitividade. E se isto ocorrer, ela afunda. É preciso estar atento para melhorar sempre sua gestão -, garantindo sua continuidade, evitando os atritos familiares e, ao mesmo tempo, profissionalizando-a paulatinamente, planejando da melhor maneira o crescimento e a sucessão do negócio.


Como é a relação Filho e Pai, num grande grupo econômico, como o de vocês?
Em nossa empresa, é normal. Eu sou cônscio de meus limites em relação a experiência de meus pais. Afinal, tenho apenas 22 anos, e eles quase o dobro da minha idade apenas na vida empresarial. Respeito demais essa experiência que eles carregam. E essa coisa de “pai para filho" é um lema cada vez mais difícil de se manter hoje em dia. As forças que existem para impedir a continuidade da empresa na família são inúmeras, e poucas serão as empresas que poderão manter esse lema e, ao mesmo tempo, crescer como uma empresa sadia.
Então a empresa familiar é fadada à extinção?
Não, de jeito nenhum. A proliferação de fontes de capital e financiamento tem auxiliado, como nunca, a criação de novos empresários. Na empresa, a relação pai-filho é fundamental para a sua preservação. As relações entre pais e filhos já são complexas hoje em dia no contexto normal. Os filhos de hoje são mais bem informados, possuem uma maior gama de relações com outros adultos e, via de regra, são mais maduros. Os pais de hoje provêm de uma educação rígida, de um mundo em rápida mutação e de uma sociedade ocidental que não respeita os idosos como as culturas orientais.Se reduzir o conflito de gerações já é difícil, imagine introduzir mais uma variável nessa relação: a de subordinado-patrão. Um pai patrão. Aí não funciona. Mas em nossa casa, cada um ocupa seu espaço com inteligência.

Jovem executivo, como você enxerga o seu país, Brasil, do ponto de vista de distribuição de renda?
Pelo que leio, melhorou muito de uns dez anos pra cá. Na verdade, considero que o Brasil cansou de ser o país das desculpas, das explicações, das justificativas, do jeitinho e da esperteza. As pessoas cansaram de ser enganadas e usadas. Queremos e podemos ter riqueza para todos. Apesar de todas as nossas riquezas naturais, é chegada a hora de uma revolução que acabe com o comodismo e crie fartura. Mas para que a revolução aconteça de verdade, é preciso que esperemos menos e nos comprometamos mais. Nosso ritmo é de urgência. Cansamos de ficar deitados eternamente em berço esplêndido. Depois de cem anos dormindo como a Bela Adormecida, acordamos querendo recuperar o tempo perdido. Sabemos que evoluir gradativamente não vai resolver os nossos problemas. O mundo não vai esperar por nós. Precisamos de jovens guerreiros, dispostos a ousar e dar o salto qualitativo, capaz de nos oferecer um país digno.

Qual a leitura que você faz do empresariado brasileiro?
Muitos empresários brasileiros ainda insistem em repetir velhas fórmulas que só funcionavam no passado. Acabam levando a empresa à falência, porque vendem com prejuízo, não calculam a entrada e saída de centavos, não ficam atentos ao fluxo de caixa, ou seja, não administram de acordo com a realidade atual. Vivem esperando o próximo passo do governo e dos concorrentes para decidir seus caminhos. Preocupam-se demasiadamente com o faturamento e se esquecem do mais importante para o sucesso de uma empresa: a sua receita líquida, que indica o lucro depois da retirada dos impostos e outros encargos. Os empresários precisam aprender a trabalhar com uma margem de lucro reduzida, que tende a ser a mesma no mundo inteiro. Na Alemanha, por exemplo, alguém que exija um desconto de 15% sobre uma mercadoria será taxado de louco, justamente pelo fato das empresas venderem com margens de lucro muito pequenas. A competência é o único caminho para a realização.

Faça uma fotografia do comportamento de clientes e consumidores em relação às empresas?
Hoje, o cliente é rei e as empresas necessitam encontrar uma forma de oferecer o melhor produto pelo menor preço. E como se não bastasse a concorrência nos moldes tradicionais, as empresas ainda têm de lidar com a competição virtual, motivada pelo excesso de serviços colocados à disposição do consumidor. Hoje, por exemplo, o dono de um cinema não perde os seus clientes para o seu concorrente direto, mas sim para as videolocadoras, TVs a cabo, TVs normais, até mesmo para a violência nas ruas (medo de sair e ser assaltado, seqüestrado ou atingido por uma bala perdida). Todas essas mudanças se constituem em indícios de que somos a primeira geração do que poderia ser chamada de a “Era do Caos”, onde aquilo que era tido como certo já não vale mais. As três grandes indústrias que controlavam o comércio de máquinas de escrever passaram décadas brigando entre si pelo domínio do mercado para, no final, acabarem sendo preteridas pelo advento do computador.

É fácil tocar uma empresa que emprega mais de mil pessoas?
Não, não é fácil. Não é fácil garantir o “lugar ao sol” em uma economia cada vez mais globalizada. Nós precisamos ter a ambição de sermos campeões, porque a memória jamais registra uma “vice-vitória”. Em 2002, o Brasil venceu a Alemanha na final e todos gritaram “É Campeão!”. Por outro lado, ninguém ouviu a torcida alemã gritar “É vice-campeão!”. Para chegarmos sempre em primeiro lugar, é necessário desenvolver uma mentalidade de excelência, como acontece no Japão, onde desde os primeiros anos escolares o indivíduo aprende a importância de “ser o melhor”. No Brasil, 70% dos programas de qualidade total implantados nas empresas são abandonados no meio do caminho, porque o resultado imediato não surgiu. Esta é uma visão equivocada, porque qualidade total pressupõe qualidade de vida, qualidade do ser humano, um verdadeiro processo de quebra de paradigmas e transformação cultural, algo que demanda tempo e muito trabalho.

Para se dirigir uma grande empresa, entender de gente é fundamental?
Pronto, você tocou no tema central! Esta é uma habilidade fundamental, porque clientes, funcionários, fornecedores, chefes, todos são gente. Todos eles são seres humanos com dois botões: um para ligar e outro para desligar. Assim, se os seus clientes forem bem recebidos desde a entrada, eles se encantarão e permanecerão dando preferência aos seus serviços.
Você fala muito em planejamento estratégico. Isso é fundamental atualmente nas empresas?
Sim. É cada vez maior o número de empresas que diante da complexidade no cenário empresarial e de tantas turbulências e incertezas, estão buscando ferramentas e técnicas para que as auxiliem no processo gerencial. O Planejamento Estratégico é uma dessas ferramentas. Nas empresas competitivas verificamos que, uma importante condição para sua sobrevivência está ligada à clara definição de seus objetivos e ao traçado antecipado dos possíveis caminhos a serem percorridos para atingi-los.
Exige-se planejamento na destinação de recursos avaliados visando atingir determinados objetivos a curto, médio e longo prazos num ambiente altamente competitivo e dinâmico. Faz-se necessário a participação das lideranças e uma visão generalizada da empresa em relação aos ambientes em que atua.
Planejar, sempre, para que saibamos para onde devemos caminhar. Se não soubermos para onde ir, não iremos para lugar nenhum. Seremos dragados e jogados para fora do mercado.

Em poucas palavras, como definiria seu pai, Reinaldo Zucatelli?

A pessoa mais trabalhadora que conheço, começando seu dia de trabalho às cinco da manhã e encerrando o expediente, às 23 horas. Persistente, sensível às mudanças do mercado, honesto demais em seus negócios e um exemplo de pai de família. Ele e minha mãe, Regina, não se separam nunca. Estão sempre ao lado um do outro, no trabalho, no lazer e no lar. Tenho orgulho de ser filhos deles.

Qual o futuro do Grupo Zucatelli?

Eu sempre imagino que teremos horizontes dinâmicos e desafiadores. Antecipar mais ou menos o que seremos amanhã, seria muita falta de humildade. Uma coisa é certa: o futuro cada vez mais denso de realizações do Grupo só depende de nossa capacidade de gerir o capital do conglomerado, força de trabalho e persistência, com cuidados especiais na formação de nosso maior patrimônio que são nossos colaboradores.
Esse é o futuro que antevejo.