sábado, abril 26, 2008

Carne contaminada

A questão do abate de carne em locais clandestinos com sérios riscos à saúde da população de Marabá virou bandeira de luta da vereadora Vanda Américo (PV). Ela garantiu ao blogger que na próxima terça-feira, 29, durante audiência pública na Câmara Municipal, solicitada pela parlamentar, os debates “serão acalorados”.

Vanda Américo convidou o veterinário Neuder França da Silva, coordenador do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), Ministério Público do Pará, Ordem dos Advogados do Brasil, representantes da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), Secretaria Executiva de Agricultura do Pará (Sagri), e Secretaria Municipal de Meio Ambiente para passar a limpo a questao.

Diante de ação dessa natureza da vereadora, o custo-benefício da atividade parlamentar, para o bolso do contribuinte, cai. E a classe política justifica a sua existência.

Ingressos esgotados

Quem ainda pensa em ir ao Zinho Oliveira assistir Águia X Paissandu, esquece. Os ingressos foram todos vendidos.

O jogo começa às 19h30, com ligeiro favoritismo do Águia. No entender da torcida local.

Censura ou não?

A polêmica juíza eleitoral Maria Aldecy Pissolati condenou um comerciante do bairro Morada Nova, distante 12 km da sede do município de Marabá, ao pagamento de 30 mil UFIRs, por crime de propaganda extemporânea negativa.

Daniel Resende é acusado de ter permitido a fixação de faixa em frente ao comércio dele, e de inscrição da mesma frase (“Quem conhece Maurino, não votará nele”) em uma cerca de imóvel de propriedade do comerciante.

No entender da magistrada, o pré-candidato a prefeito Maurino Magalhães teve a imagem dele denegrida com a manifestação pública, havendo, portanto, crime de calúnia, injúria e difamação -, conforme reza o artigo 243, Inciso IX, do Código Eleitoral.

Depois dessa decisão dura da juíza contra um comerciante, a classe política está com pulgas atrás da orelha. A maioria entende que Maria Aldecy, por sua forte amizade com o vereador marabaense, inclusive de caráter religioso, deveria se afastar do processo eleitoral.

Bola cheia

Deputada estadual Bernadete ten Caten (PT) marcou gol de placa ao apresentar, esta semana, projeto de lei incluindo no programa de capacitação dos educadores, o treinamento de professores para identificação de vítimas de maus tratos e até de abuso sexual nas salas de aula.

A iniciativa de Bernadete chega em boa hora.

Equipe 850

Uma novidade no jogo de logo mais entre Águia e Paissandu, não sairá dos gramados.

A Rádio Itacaiúnas, que estava sem transmitir futebol local, apenas retransmitindo jogos de campeonatos nacionais em link com a Bandeirantes, colocará outra vez sua equipe na cabine, formada pelo jornalista Nilson Santos (narrador), do Jornal Opinião; comentários de Milton Faria – radialista experimentado e líder de audiência em programa da TV Fox (Record) – e de Demétrius Ribeiro, dono da emissora.

Enquanto vaza o rio

Na tarde cinzenta de quinta-feira, 24, o Tocantins afina de tamanho.

Desce, lentamente, água por água, boto por boto, barco por barco.

Na cinzenta tarde de ribanceira, a orla enxerga o rio, que enxerga a cidade morna depois de uma noite de chuva sequencialmente mansa.

Sem novidades além de sua cor opaca, a tarde segue sua caminhada rumo ao anoitecer.

De um banco da cobertura alaranjada, na orla urbanizada, olhos curiosos brilham no visor da digital querendo luz, querendo água, querendo cores mais fortes no além-rio dessa chama humana ávida por ribanceiras.

"Bodum do vacum" incomoda, sim!

Talvez o presidente da Companhia Docas do Pará tenha mais resistência ao bodum do gado vacum – é uma rima, mas está longe de ser uma solução – e de outros gados que exala dos galpões próximos à Estação das Docas, durante o embarque do boi em pé.
Mas ao restante do pessoal que freqüenta a Estação – seja da zelite ou não – falta a mesma resistência ao asco que, presume-se, o dirigente da CDP demonstra ter.
Quem sabe se direcionar o fedor para dentro do gabinete dele não seria uma solução para os demais, que se sentem nauseados?


Resumo do post "Bodum do vacum não incomoda o presidente da CDP", do blog Espaço Aberto, encaixa-se à perfeição no meio de um papo que o post teve com Luiz Antonio Fayet, consultor dos mais renomados, que atende oito entre dez dos maiores pecuaristas do país, de passagem pelo aeroporto de Marabá.

O que disse o profissional:

- Com todo o respeito que devemos ter sempre por Belém, aquele mau-cheio, pra não se falar merda pura, na Estação das Docas, envergonha. É tão forte que distancia cada vez mais o bom conceito que a população deveria ter sempre dos produtores rurais.

Fayet sabe o que diz. É do ramo.


Nota do blog: nas próximas horas, publicaremos matéria sobre logística e transportes do agronegócio, na esteira de longo bate-papo com o competente consultor.

sexta-feira, abril 25, 2008

Chorões de Canhoto da Paraíba

Você já sentou para ouvir chorinho? Diante de um grupo de instrumentistas – violões, cavacos, pandeiro, bandolim -, apreciando a concentração de cada solista-harmônico, embalado pela indolência do som mais brasileiro de todos os sons?

O poster já. É gostosamente adorável de bom.

O poster varou madrugadas fazendo harmonias para solos de composições de Garoto, Jacob do Bandolim, Toninho Ramos, Radamés Gnatalli, Dilermando Reis, Pinxinguinha, entre tantos, sentido-se como se pisasse em nuvens. Agradavelmente céu

Só quem sabe tocar um instrumento já provou desse gozo.

Com mais de 130 anos de existência, o Choro - ou Chorinho, como o poster prefere -, é o entrosamento de improviso mais lúcido-surreal que se possa ter de música. Ninguém no mundo sabe tocar choro como o brasileiro.

Tudo é improviso, criação de hora, com o desenvolvimento de elementos fraseológicos que chamamos de baixaria. As baixarias são melodias feitas pelo violão, diferentes das melodias principais executadas pelo instrumento solista - não só a flauta, mas também o bandolim e outros - e que se tornaram uma das peculiaridades do choro.

Aliás, o que faz o blogger gostar de Brasília – quando por ali anda -, são as suas casas de Choro. Há tantos chorões ali, maravilhosamente encravados no coração do Brasil!

Tocam de tudo: Horondino Silva (o mestre da "baixaria" no violão de 7 cordas), Dino 7 Cordas, Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Época de Ouro, Altamiro Carrilho, Benedito Lacerda, Luperce Miranda, entre outros. O grande Waldir Azevedo (estava esquecendo!), instrumentista e compositor que ajudou para o desenvolvimento e crescimento do choro.

Somente agora, de tão desligado das coisas ‘anormais’ do mundo, tomo conhecimento da morte de um grande mestre: Canhoto da Paraíba, vivente havia anos próximo do respiro final. Pobre, sem ajuda, abandonado numa cidade da região metropolitana de Recife.

É triste, demasiadamente, quando o Brasil perde um talento. Dá pra sentir nas entranhas, nós que vivemos cercados de tanta estupidez, e devaneios do selvagem mundo pela sobrevivência.

Quando o poster ouviu pela primeira vez Canhoto da Paraíba, foi amor de perdição. Tão imenso e apaixonante que aprendeu logo a acompanhar no violão “Tua Imagem”, saboreando noites e noites ao lado de amigos a pedirem a repetição do maravilhoso solo do paraibano arretado.

Só pra se ter idéia da dimensão desse artista, Canhoto da Paraíba é um dos raros casos de violonistas e virtuoses brasileiros que tocam violão canhoto sem inverter as cordas. Quando ele se mudou para o Rio de Janeiro, todos ficaram assombrados com sua técnica e a qualidade das composições.

Seus choros têm um sabor nordestino com uma linguagem harmônica incomum para a época, lembrando muito o estilo de Garoto.

Ao morrer, Canhoto da Paraíba deixa obra imortalizada e a saudades de muitos fãs, entre eles, o blogger.

Ao som de “Tua Imagem”, com solo do próprio compositor, o blog apodera-se do texto “Oração Por Chico Soares, Canhoto da Paraíba”, de autoria de um rapaz pernambucano, chamado Urariano Mota, para reverenciar o Grande Mestre.



ORAÇÃO POR CHICO SOARES, CANHOTO DA PARAÍBA
Urariano Mota
(Fecho os olhos, para melhor falar, abro-os e ergo-os para um céu deserto de tudo, até da esperança. E por isto mesmo, por mais sem razão e sem nexo, o peito que desejaria gritar, fala e balbucia baixinho, ainda que seja inútil o afã de encontrar uma razão para o que vejo.)
Minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro mostrai que sois verdadeiramente mãe de todos artistas caídos em desgraça na terra. Existe um homem que é grande no tocar, existe um sereno e augusto artista que é largo e alto de coração, existe um violonista de nome Francisco Soares de Araújo, que a simplificação da gente achou por bem chamar de Canhoto da Paraíba.
Minha Nossa Senhora, esta súplica seria inútil se tivésseis a graça de ouvi-lo, um só minuto. Então saberíeis como ele transporta o céu para a brutalidade e para a angústia de todos animais que somos. Então sorriríeis com ele, e como ele, porque irradiante e empática e comungante sempre foi a sua ventura no tocar.
Esta prece poderia ser tão-só e somente um insulto à dignidade de Francisco Soares de Araújo, se Canhoto da Paraíba não se encontrasse no estado e no ânimo em que se encontra. Sabei, erguida e nobre Senhora dos sonhos dos desesperados, sabei que Canhoto se acha numa cadeira de rodas, com a voz falha, e todo lado esquerdo do corpo, e toda a mão esquerda, cruel e certeira maldição, paralisada. (É assim que a Providência castiga os bons da alma? Se um homem canta pela mão esquerda, será ela a ferida? Se um artista se expande pela voz, será na garganta o seu câncer?)
Sabei, Senhora, que Canhoto está mal falando, a tropeçar nas sílabas, como uma grande criança que cresceu para ser coroada por uma cadeira de rodas, sabei, Senhora, que Canhoto ainda assim sorri. Com quase o mesmo sorriso com que o vi um dia, à luz do dia, ao meio-dia na Avenida Guararapes.
Minha Senhora, o guitarrista Pedro Soler, aquele mesmo guitarrista flamenco a quem Miguel Angel Astúrias declarou, “os teus dedos, Soler, são os cinco sentidos da guitarra”, este Pedro um dia esteve no Recife, em 1975. E disse, “Canhoto da Paraíba é um dos três grandes guitarristas do mundo”. E por ser lembrado desta referência, ao ser encontrado na Guararapes, Canhoto assim respondeu, com o mesmo sorriso de menino bom, que agora insiste na paralisia em que se encontra, com o peito bom de menino que recebe pedras e se alarga, para abraçar as pedras como abraça facas e elogios:
- Num foi? Eu disse a ele, “Tu é doido, Soler?”
E como eu lhe repetisse o elogio de vexame, e para não ficar com a cara gorda e limpa exposta à luz, como uma criança que se descobre nua em rua de adultos, Canhoto assim respondeu à consagração:
- Tu quer um confeitinho? Toma um de menta. É bom, rapaz.
E desta maneira a receber caramelos, a vez de se encabular foi minha. Agora sinto, agora percebo que na pessoa de Canhoto aura nenhuma poderia ser posta, porque o seu maior elogio era a sua própria pessoa: Canhoto, a sorrir, a tocar.
E digo isto, Senhora, quase que em estado de raiva e convulsão, por entre estremeços. Porque o vejo agora e me vem num assalto: Não é assim que se trata um homem. Não é assim que se destrói um artista. Não é assim que se faz reduzir e insultar a memória da gente.
Este a quem encontro em Maranguape I, periferia do Recife, para lá de Olinda, é o mesmo homem que era convidado como estrela máxima de saraus, shows e banquetes? Este, na obscuridade de sua sala, olhando um disco na parede, como um mamute, como um gordo pacífico sem fala, é o mesmo genial violonista de Pisando em Brasa?
Algo procuro, busco uma razão, e para não ser tão cru e cruel como a Providência, que assim pune os nossos grandes, prefiro balbuciar essas desrazões:
- Imaculada Virgem e Mãe minha, Maria Santíssima, a vós que sois a Mãe de meu Salvador, Rainha do Céu, Advogada, esperança e refúgio dos pecadores, recorro: Canhoto da Paraíba tem a perna, as articulações sacrificadas, porque não dispõe de recursos para fazer uma... terapia.
Não essa terapia que ora faço, da súplica do milagre, da clemência aos céus, mas a mais elementar, humana, elementar, uma fisioterapia. Por isto, por falta desta, já reclama, reclama, não, que ele sequer se queixa, por isto já se refere a dormência nas pernas, porque passa o dia entre a cadeira e a cama. Mas disto ele não se queixa – está em repouso, não é?

Sabei, Senhora, que Canhoto é homem de grande resignação. Minto. Menti para ficar dentro da forma beatífica do requerimento a Seus poderes. O que toda a gente toma por resignação (digo-o baixinho, bem baixinho, como um chorinho solado, murmurando) o que toda gente toma por resignação é uma imensa generosidade.

Canhoto sempre foi um deus de fertilidade, tocava e distribuía seus dons com louca e desmedida prodigalidade, como se os seus recursos, porque lhe chegavam, fossem inesgotáveis. Depois do derrame, do AVC, esses recursos subitamente se esgotaram. Mas disso ele não se deu conta. É um Buda que vive e se alimenta dos restos e da sombra do seu nirvana. Daí que não se queixa, daí que de nada reclama.
Canhoto espera que de uma hora para outra seus dedos esquerdos voltem a se articular como antes, e aí, que bom que será! Todas as portas voltar-se-ão para ele, todas as graças, todos os violões, até mesmo a Santa, que acorrerá para ouvi-lo sem necessidade de invocação.
Nós, que não somos Canhoto, é que percebemos que o Rei perdeu o seu cetro, seu poder, seu trono. Nós, que o vemos transparente pela bonomia de sua fala de criança, é que sabemos: à causa “natural” da isquemia, da idade dos seus 76 anos, soma-se a natural organização do mundo.
Canhoto vive de uma modesta aposentadoria que não lhe dá margem para um tratamento de luxo, e o luxo, Imaculada, é uma fisioterapia. Sabei, Santa sobre as santas, que ele recebe aposentadoria por suas atividades de burocrata, de funcionário do SESI, por ser Francisco Soares de Araújo. Da sua razão de ser - da sua razão de viver, da sua razão de morrer – do gênio de ser Canhoto da Paraíba ... nada, nada, nada.
Assim não são os bens espirituais? Nada, nada, nada. Dos políticos, dos deputados, senadores, governador do estado, prefeitos, nada, nada, e minto. Minto, minha Santa: destes tem recebido uma segura e intransponível distância. Ou melhor, nesta altura, fui injusto.
Agora em junho deste ano, o nosso violonista foi a Brasília, para inaugurar, com chave de ouro, o Projeto Pixinguinha. Ali, Canhoto recebeu um aperto de mão do Presidente. Por isto, minha Santa, por isto, Imaculada, já que sois tão poderosa diante de Deus, fulminai para sempre e eternamente com vossos raios a insensibilidade humana. Porque existe um homem, que um dia foi Canhoto da Paraíba, que jaz numa cadeira de rodas, em Maranguape I, Paulista.

Sem se queixar e a sorrir, e por assim estar, a machucar o coração da gente.

quinta-feira, abril 24, 2008

Entre gritos e correrias

Direto de Eldorado - O MST radicalizou de vez. Foi às extremidades do tensionamento. Não apenas fechando rodovias paraenses, nesta quinta-feira, 23.

Por volta de 7h30, numa ação relâmpago, integrantes do movimento se apoderaram de um carro da Polícia Rodoviária Estadual, depois de colocarem os policiais que trafegavam no veículo, pela Pa-275, em situação humilhante. O seqüestro da viatura policial foi promovida pelos sem-terra do acampamento "Joel Teixeira", onde supostamente vivem 500 famílias.

O “Triângulo das Bermudas” está vivendo momentos de tensão e de total insegurança, apesar da forte presença policial na área desde os últimos 15 dias. Os manifestantes, através de uma onda de rumores alimentada pelos seus principais dirigentes aqui em Eldorado do Carajás, prometem fazer quebra-quebra caso não seja revogada determinação para a reintegração de posse da fazenda São Marcos e Joel Teixeira.

A tomada de assalto da viatura policial causou indignação dentro do governo. Pelo telefone, esta manhã, graduado secretário estadual disse que a governadora, aliada de longos embates dos movimentos sociais, sentiu-se traída com a radicalização extremada dos manifestantes, considerando o ato tentativa de desestabilizar gestões em andamento com objetivo de serenar os ânimos na região.

Jogo bruto
O espírito agressivo dos manifestantes, aqui no local onde a rodovia foi bloqueada, é de apreensão. Há divisão entre os próprios manifestantes.
Uma turma, os ultra-radicais, quer partir pro tapa com a polícia. Os radicais, defendem o tensionamento com alguma margem de negociação – desde que “não se abra muito”. Os mais sensatos, são favoráveis a suspensao dos bloqueios das rodovias com negociação seqüencial com os governos Estadual e Federal.

Até jornalistas com posição crítica as ações agressivas do MST estão no alvo dos manifestantes. Por volta de 10 horas, uma liderança com quem o poster mantém boas relações, ao avistar o blogger próximo ao bloqueio da estrada, demonstrou preocupação com nossa segurança, aconselhando retirada estragégica para evitar ações de enfrentamento.

Agradecido pela demonstração de amabilidade do militante dos sem-terra, o poster recusou retirar-se do palco das operações. Não há razão para isso. Se entre a função de exercer com hombridade a profissão, correndo o risco de ser molestado pelos manifestantes, ou abandonar o ‘campo de batalha’ em favor de um comportamento acovardado, preferimos enfrentar a turba.

E aqui estamos.
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Atualização às 14:47

A calma do oficial
O blog acaba de conversar com o tenente-coronel PM Mário Solano. É ele quem está executando com paciência franciscana as operações no “Triângulo das Bermudas”, tentando persuadir -, através do convencimento -, as lideranças do MST a recuarem de ações contundentes.

Evitando fazer qualquer tipo de previsão do que pode ou não ocorrer no cenário de confronto, o atencioso militar também sofre. No olhar dele, e até nos gestos, há interrogações variadas. “Trabalhamos para um governo que tem concepção de total respeito aos movimentos sociais, restando, por isso, tão-somente, usar o máximo de argumentos , nessas horas”.

Mas se preciso apertar, partir para o enfrentamento, o que fará a PM?

- Não pensamos nisso ainda. Só que chega num ponto em que alguma atitude prática precisa ser tomada, diante da falta de bom senso. O que não pode mesmo é o governo Ana Júlia ser desmoralizado em face da radicalização de uma minoria.

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Atualização às 13:16 hs

Acordo para desobstrução
O blog conseguiu localizar o Diretor de Polícia de Interior, Miguel Cunha, ocupadíssimo nos contatos com os integrantes do MST que bloquearam a Br-010 (Belém-Brasília) à altura do Km 302, próximo a Irituia.

Pelo celular, o delegado informou que já existe um pré-acordo para os manifestantes deixarem a rodovia dentro de alguns minutos.

Ali, cerca de 200 pessoas fecharam as duas pistas em protesto contra a reintegração de posse da Fazenda São Marcos, em Parauapebas.

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Atualização às 13:37

Buscando área
Uma comissão formada pelo governo busca alternativas em áreas públicas do Estado para alojar as famílias ocupantes da Fazenda São Marcos, cuja reintegração de posse deverá ser executada ainda hoje. Cláudio Puty monitora toda a movimentação da comissão e dos dirigentes dos órgãos de segurança envolvidos nas operações de pacificação do campo, no Sudeste do Estado.

Contrário às manifestações de discriminalização dos movimentos sociais, Puty sempre defendeu posição de paciência diante das ações radicais do MST, mas desta vez ele mesmo reagiu com frustração e decepção. “Se concordarmos com atos como esse de seqüestro de um carro da policia, perdemos a governabilidade”.

O secretário da Casa Civil quer uma definição imediata para a localização da área onde seriam assentadas as famílias atualmente ocupantes da fazenda São Marcos.

O secretário de Segurança Público encontra-se aqui, correndo o trecho que sai de Eldorado a Parauapebas. Minutos atrás, ele parou rapidamente em Curionópolis, deu ordens para policiais de plantão na cidade e seguiu rumo a Eldorado do Carajás.

A ponte e a bandalheira

Por quase meio século, a família Sarney prometeu construir uma ponte sobre o rio Tocantins, ligando Imperatriz – segunda cidade mais importante do Estado -, à localidade de Bela Vista, município de São Miguel, no Estado do Tocantins. Durante os anos de promessas, passaram pelos governos maranhenses o próprio chefe do clã, José Sarney , sua filha Roseane (oito anos) além de fiéis escudeiros do condomínio. Isso sem contar os cinco anos de Presidência da República -, somados à carreira polícia de JS.

Nenhum promesseiro ligado a ele cumpriu as bravatas.

Adversário histórico dos sarneystas, o atual governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), elegeu-se com votação histórica em Imperatriz (70% dos votos), prometendo durante campanha de 2006 realizar o sonho da comunidade: construir a ponte.

Confiando em compromissos assumidos publicamente pelo governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), de manter parceria com o governo maranhense para a construção da obra, Jackson Lago não contava com uma pedra no caminho: a influencia sarneysta sobre o colega.

José Sarney colocou todo seu prestígio a desserviço do interesse público, convencendo Miranda a não mais dividir os custos da obra. Resultado: Lago ficou falando sozinho, mas não desistiu.


Viabilizou, nos primeiros meses de seu governo, em 2007, 60 milhões do total de R$ 100 milhões do investimento. Só que não contava com outra ação arquitetada por Marcelo: disponibilidade de ponto, do outro lado do território tocantinense, para a ponte ser interligada. O governador criou dificuldades de toda monta, inclusive negando recursos para desapropriações de imóveis e autorização para a outra ponta da ponte ser interligada ao território.

Foi preciso alteração no curso inicial do projeto, com a entrada em cena de um fazendeiro com terras em solo tocantinense que autorizou o governo do Maranhão a sair com a ponte em sua propriedade, num local bem mais acima do ponto inicialmente indicado.

José Sarney e Marcelo Miranda não contavam com o envolvimento da população para a realização da obra. O fazendeiro perderá grande área de seu patrimônio (ganhando em sua valorização) mas ajudará a realizar o sonho de muita gente.

Quando ficar pronta, a ponte facilitará a circulação de pessoas e mercadorias, integração de mais de 50 cidades da região do Bico do Papagaio, movimentando as economias do Tocantins, Pará, Maranhão e até do Piauí. Serão mais de 2 milhões de pessoas beneficiadas.


A ponte tem extensão de 1.020 metros, com 16 metros de largura, orçada em R$ 100 milhões, dos quais R$ 60 milhões já foram aplicados.


Inovação do projeto é a disponibilidade de três faixas de tráfego -, além de passeios laterais de 2 metros e meio para pedestres e ciclistas. As três faixas têm o objetivo de oferecer aos controladores de tráfego a possibilidade de optar por duas faixas num sentido e uma em outro, nas ocasiões em que o fluxo do tráfego numa determinada direção for mais intenso. O projeto também prevê a construção de dois viadutos sobre a BR-010 (Belém-Brasília), que viabilizarão o acesso de veículos a essa rodovia.

O clima em Imperatriz é de inauguração da obra em dezembro próximo.

José Sarney, definitivamente, é um mal para o Maranhão.
Jackson Lago, ao centro, conhecendo na maquete detalhes da ponte, antes de sua construção, em julho do ano passado.

À moda antiga

Maranhenses mais antigos nascidos em Imperatriz contam, com profundo orgulho, o grau de honestidade de um de seus ex-prefeitos mais amado: Simplício Moreira.

Com a missão de construir uma grande escola na cidade, o alcaide recebeu do governo estadual cerca de setecentos mil réis (moeda da época). Aperta aqui, aperta dali, teve a proeza de não apenas construir a obra como também economizar trezentos e oitenta mil réis.

Do alto de sua grandeza moral, Simplício determinou à tesouraria da prefeitura que sacasse o saldo em banco. Pegou os trezentos e oitenta mil réis, colocou num envelope e, ele próprio, foi até o Palácio dos Leões, em São Luís, entregar ao governador as sobras da construção.

Boca-de-flande

Os separatistas tapajônicos avisam: chama-se 1º Salão do Livro do Oeste do Pará.
E não 1º Salão do Livro do Baixo Amazonas, como a imprensa belenense, à frente a entourage mediática do governo Ana Júlia (PT), quer batizar goela abaixo o evento.

O alerta é do Jeso Carneiro, totalmente procedente.

A insensibilidade da maioria de bacuraus em pontos de decisão importantes de governo causa descontentamentos sem tamanho, pelas bandas de cá e de lá do Tapajós, no seio da sociedade, principalmente nessas questões de semântica enviesada.

Convém pensarem de fora pra dentro, antes de latirem.

quarta-feira, abril 23, 2008

Novo Player

O blog mudou e gostou.

Mudou do Ijigg para o Goea, novo player de músicas postadas aqui -, criteriosamente sugerido pela blogueira - duas vezes -, Cris Moreno.

Até agora, nada a reclamar.

Aguardo comentários dos amigos que nos visitam.

Mulheres assustam Aiatolás

Essa graciosa jovem da foto é a jornalista Nasrin Afzali.

Militante feminista iraniana, a garota acaba de ser condenada a seis meses de prisão e a dez chibatadas pelo governo sanguinário dos Aiatolás.
Razões da sentença: perturbar a ordem pública por ter participado de uma manifestação em frente ao tribunal revolucionário de Teetã!
Em verdade, a bela Nasrin apenas exercia a sua função de repórter na cobertura do julgamento de outras feministas levadas a júri.
No Irã, as feministas estão passando momentos difíceis na luta pela liberdade das mulheres.

Sem fôlego para resistir

Não passa de 1o de Maio, Dia do Trabalho.

Maria Aparecida Barros Cavalcante será destituída do emprego, na secretaria de Administração. O poder de pressão dos Andrade foi mais forte.

E o governo não pode se dar ao luxo de perder um deputado estadual do PSB.

No braço do mais fraco, com lamentações internas de secretários próximos a Ana Júlia, quebrará a onda. É assim mesmo, desse jeito, que caminha a política. E não adianta estribuchar.

Confiram.

Céu de tempestades

Fortes tempestades no entorno de Belém impediram o pouso da TAM procedente de Marabá. Até agora, 17 horas, passageiros que embarcariam às 14 horas com destino a Brasília, escalando Marabá, aguardam o pouso da aeronave, que retornou ao aeroporto da capital do Sudeste depois de alguns preocedimenros sobre Val-de-Cans, sem sucesso.



Aforamente

E agora, Cosipar?

A Companhia Siderurgica do Pará- Cosipar -, teve o seu regime especial de recolhimento de impostos estaduais cassado pela Secretaria Executiva de Estado da Fazenda-SEFA.

O Processo leva o n.º 182004730000400-9.

Está no D.O.E. de hoje.

terça-feira, abril 22, 2008

Quem segura a alça?

O senador tucano Flexa Ribeiro é incontrolável.Suas gestões para trancar a pauta do senado até que a Operação Arco de Fogo seja suspensa é mais um passo em direção ao estrelato político paroara e nacional. Deixará um fulgurante exemplo nos anais da história do baixíssimo clero do Senado, até que vire quarto suplente de deputado federal em 2010.

Da lavra do Juvencio de Arruda, no Quinta.

Na lama, como suíno

Veja continua afundando. Não em conceito, porque isso já acabou tempos muitos atrás. Afundando na lama, como verdadeira pocilga que é.

O texto a seguir foi extraído do blog do José de Alencar:


No atual estágio do nosso processo civilizatório - incipiente, reconheça-se - há uma instituição estatal para julgar as pessoas, físicas ou jurídicas. É a Justiça ou, se preferir o leitor, o Poder Judiciário. Em um ou outro caso, será sempre o Estado que fará isso, o Estado-juiz. É essa a regra do jogo, democrático - e limpo - inclusive. Fair play, diria a FIFA. É assim que funcionam as coisas sob o estado democrático de direito. Ou pelo menos deveriam funcionar assim.
Pode até ser que o casal Nardoni tenha cometido um crime. Hediondo, talvez. Pode até ser que deva pagar por ele, segundo as regras do nosso Código Penal, que é - também ele - uma conquista do mesmo processo civilizatório que assegura direitos e liberdades, a de imprensa aí incluída. A revista Veja que está circulando pretende usurpar uma função estatal e julgar o casal. E já sentenciou que foi eles. Só faltou fixar a pena para a tentativa de usurpação ser mais completa.
Felizmente para nossa civilização, penas sumárias - lapidação (apedrejamento), por exemplo - executadas por turbas não mais existem, pelo menos juridicamente e legalmente reconhecidas. Nunca as tivemos e onde elas existiam foram progressivamente abolidas, salvo raras exceções que podem sobreviver em alguma civilização em estágio diferente do nosso (Nigéria, por exemplo).

Abolir a lapidação midiática, no que depender da juíza - leiga e de fato - Veja, ainda vai demorar algum tempo.
= = = =P.S.: Hoje mesmo Luis Nassif tratou do crime aqui. Até agora são treze comentários na caixinha.

Ratos de porão

Principalmente em gestões de segundo mandato seguido, prefeitos de vários municípios não deixarão pedra sobre pedra. Só não levarão o prédio das prefeituras porque, tecnicamente, é impossível.

O que o Guilherme Augusto conta, hoje, na sua coluna, é apenas um trailer do que está ocorrendo neste ultimo ano de administração.

Promotorias públicas, uni-vos!

Com cara de Justiça

As relações do deputado federal Asdrúbal Bentes com alguns setores do PMDB não estão boas. A bronca é originária de Eldorado do Carajás no vácuo de uma disputa entre ele e a sua colega, Bel Mesquita.

Asdrúbal endossou a filiação do prefeito-desastre João da Madecastro, que foi refugada por Bel, atendendo apelos de seu aliado Jair da Campo, ex-prefeito-também-desastre de Eldorado e inimigo declarado de Madecastro.

Os dois, trocando um pelo outro, “não valem o que o gato enterra”.

Duas apostas inegavelmente desastrosas. E desgastantes!

João da Madecastro é considerado um dos piores prefeitos entre todos os anteriores sinistros alcaides de Eldorado, inquilinos da prefeitura especializados em desviar recursos públicos.

Jair da Campo, como exemplo, recentemente foi condenado a recolher R$ 612 mil do FNDE que ele colocou nem sabe onde. Ou seja, inelegível, conforme novo entendimento do TSE quanto a candidaturas condenadas por desvio de granas, mesmo não transitado e julgado seus recursos.

Quase impossível Jair obter antecedentes da Justiça Eleitoral para carimbar registro de candidatura.

Como o endosso de Asdrúbal Bentes não está sendo reconhecido por alguns drigentes do PMDB estadual, a filiação de João da Madecastro pode ir parar na Justiça ainda esta semana.

Prioridade Zero

A direção nacional do PR decidiu: a candidatura de Maurino Magalhães à prefeitura de Marabá será levada à sério, com todos os cuidados que ela merece. Primeira ação priorizada, com vistas a aparelhar a campanha do vereador marabaense, foi a contratação de uma equipe marketing de Brasília.

Publicitários, inclusive, já estiverem prospectando na cidade.

Enquanto Maio não vem

Tião Miranda pretende definir até metade de maio o nome do candidato à sua sucessão. Uma coisa ele já sabe: em quem não votar.

Pelo menos dois nomes, dos pré-candidatos de sua base aliada na ribalta , estão fora de cogitação. Tião quer vê-los, sim, distante da prefeitura.

Antes de escolher quem receberá sua benção, Miranda dará o pontapé de algumas obras de grande efeito eleitoral: duplicação da Transamazônica, construção de dois viadutos e mais uma ponte sobre o Itacaiúnas. Além da Via Expressa, ligando a Nova Marabá ao Núcleo Pioneiro, margeando o Tocantins.

Diagnóstico

Também em Maio, Tião Miranda coloca nas ruas equipe de pesquisadores para medir o pulso do eleitorado marabaense.

Será a primeira de uma série de cinco até as eleições.

Coluna do Diário do Pará

Destaques da coluna do poster no Diário do Pará, hoje:


1- Executivo da Vale contesta teor das declarações do procurador Geral de Parauapebas, Hernandes Margalho, sobre ação relativa ao pagamento de royalties supostamente apurados no período de 1991 a 2007;

2- MST e do MTM pedirão audiência ao prefeito Darci Lermen para agradecerem a atenção dispensada pelo poder público aos movimentos sociais durante a “Semana Vermelha”, em Parauaoebas;
3- Os nomes do médico Jorge Bichara, presidente da Fundação Zoobotânica de Marabá e da Unimed Sul do Pará, e da vereadora Vanda Américo, foram disponibilizados pelo Partido Verde à disputa eleitoral;
4- Acordos para compensação de crimes ambientais, já possibilitaram plantio de cerca de 2.500 mudas de plantas nativas (entre elas centenas de castanheiras) fna área da Fundação Zioobotânica de Marabá, numa parceria da FZM, Justiça e Promotorias;
5- Com a parada das chuvas, inicia temporada de obras de todos os naipes nos municípios paraenses. Caça aos votos. Mas isso tem um preço.

segunda-feira, abril 21, 2008

Siderúrgica: Hidrovia e Ferrovia

Se for confirmada a definição do local para a construção da Siderúrgica da Vale, em Marabá, às margens da rodovia Transamazônica, sentido Itupiranga, conforme o blog divulgou em primeira mão na sexta-feira, 18, escolha técnica deve-se a pretensão da mineradora -, e de seus parceiros no empreendimento- , utilizar o sistema multimodal Hidrovia-Estrada de Ferro, para escoamento da produção do parque industrial.

Com ar de contentamento incontido, Gilberto Leite, presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, ao ser comunicado por um não menos feliz secretário de Ana Julia, dos avanços das negociações para a siderúrgica ser mesmo implantada no município, já tinha conhecimento até de um outro provável desdobramento da decisão: a necessidade de alteração do curso da rodovia Transamazônica, a partir de Marabá, até próximo à fronteira com o município de Itupiranga.

A mudança de rota da estrada deve-se ao pesado tráfego futuro de veículos nas imediações da siderúrgica e da necessidade de espaço para o manejo de locomotivas no pátio que a Vale deverá construir no local para a formação do eixo multimodal Ferrovia-Hidrovia.

A área escolhida seria uma fazenda próximo ao rio Tocantins, cujo proprietário já teria sido, inclusive, procurado por executivos da mineradora. O blogger conhece a propriedade, à esquerda da estrada sentido Itupiranga.

Informações de cocheira em poder da ACIM demonstram confiança da Vale nas ações conjuntas dos governos Federal e Estadual para a conclusão das eclusas de Tucuruí dentro do prazo anunciado. E esta seria uma alternativa que a Vale passaria a dispor para ampliação da sua capacidade de transporte, não apenas de produtos siderúrgicos industrializados, mas de minérios, em suas operações de logística, utilizando a hidrovia até Barcarena.

Riqueza ao dobro

Coincidentemente, quando Gilberto Leite recebeu o telefonema do secretário de Ana Júlia comunicando avanços na definição de Marabá para a construção da Siderúrgica da Vale, ele estava no meio de uma reunião da ACIM, com dezenas de empresários marabaenses debatendo a escolha dos dez delegados que representarão o município durante as reuniões do Fórum Paraense de Competitividade (FPC), criado mês passado pela governadora Ana Julia.

Representando setores de mineração, metalurgia e siderurgia, futuros delegados debaterão propostas para viabilizar a implementação de ações e metas para superação de entraves, aproveitamento de oportunidades e aumento da capacidade competitiva das cadeias e arranjos produtivos locais, visando, sobretudo, ao desenvolvimento auto-sustentado da economia.

Saíram todos da reunião ricos, literalmente, de felicidade.

Olha o Odair aí, gente!

Mais um escândalo à espreita.

Precisamente do vice-governador Odair Corrêa, que gosta de viver sob o manto de fortes emoções.

Rumo ao Haiti

Aviões Búfalos do Exército não param de aterrisar em Marabá. Foi assim durante toda a semana que passou e deverá continuar sendo pelos próximos dias.

O transporte diário de militares para treinamento na 23ª Brigada de Infantaria e Selva da tropa que seguirá para Haiti, é intenso.

O 23 BIS é o mais bem treinado núcleo do Brasil para atividades militares do gênero.

Respiração boa a boca

Globo Metais pode parar de investir em Breu Branco, conforme conta executivo do empreendimento em contato com o blog.

Seguidas invasões das áreas de reflorestamento da empresa canadense estão tirando o fôlego de seus investidores. Os algozes da GM são bandoleiros de um denominado Movimento dos Sem-Tora, saqueadores das árvores plantadas e vendidas aos madeireiros de Goianésia e Tailândia.

Se virar moda, em pouco tempo não restará nenhuma empresa de grande porte no Pará para contar histórias. Ninguém suporta tanta pressão.

Aos poucos, abre o bico e fecha tudo.

domingo, abril 20, 2008

Bug no provedor

Durante todo o dia de hoje, os playeres das três músicas postadas no blog não foram acionados em razão de problemas no iJigg, provedor no qual postamos nossas músicas para serem carregadas pelos visitantes do endereço. Ou seja, o player de risinho simpático em sua logomarca só raivas provocou neste domingos.

Neste momento, 18h51, por exemplo, ele encontra-se fora do ar.

Nossas desculpas.

A saga de Sagarana

Trinta anos depois, reler pela terceira vez Sagarana é absorver a obra de Guimarães Rosa num grau de compreensão bem mais maduro do que quando nos deparamos com o livro ainda jovem.

Compreender e absorver a obra, degustando cada página dos nove contos carregados de aventura, morte, animais forizados em gente.

Contextos de reflexões subjetivas e espiritualistas a nos embalar por peripécias de antigas histórias épicas e heróicas dos sertões das Minas Gerais -, principalmente no meio de cinco contos: O Burrinho Pedrês, Duelo, São Marcos, A Hora e a Vez de Augusto Matraga e Corpo fechado.

Contos narrados em tom de histórias de fada.

Por exemplo: o Burrinho Pedrês e Conversa de Bois nos lembram narrativas de fundo de rede quando éramos colocados para dormir, ao som de “Era uma vez...”

Era uma vez um burrinho pedrês
Miúdo e resignado, vindo de Passa-Tempo
Conceição do Serro, ou não sei onde no sertão.
Chamava-se Sete-de-Ouros,
E já fora tão bom,
Como outro não existiu
E nem pode haver igual.

Animais transformados em heróis, questionando o saber dos homens com o seu suposto não saber.

Delícia!

A genialidade de Rosa alterna focos narrativos no diálogo de instrumentos - uma clarineta insinuante, fanhosa e meio fraca [associada ao personagem Turíbio] e uma tuba solene, penetrante, mas arquejando pelo esforço, em Duelo.

O matuto Manuel Fulô, de Corpo Fechado, contando histórias do sertão ao homem da cidade.

Emocionante sentir o estilo Guimaraniano num dos contos mais bem tramados do livro: Minha Gente, que tem a história principal emendada, alterada, recontada por pequenos detalhes e elementos dados pouco a pouco ao leitor.

Extraordinário o lance da partida de xadrez, narrada no início, mostrando como devemos entender o enredo em si: um xeque, dado pelo protagonista, acaba se virando contra ele próprio.

Tipo de narrativa a insinuar ao leitor que as aparências dos fatos escondem, mais que revelam, sua verdadeira intenção.

Repletos de histórias dentro de histórias, de monólogos interiores desvendando o universo dos homens, dos bichos e das coisas, os contos de Sagarana nos permitem uma espécie de ritual de iniciação, ao longo da leitura. Esta iniciação ocorre se conseguirmos compreendê-los em sua simbologia, na falta de lógica, mítica e poética que humaniza em sentido profundo os protagonistas - aparentemente apenas sertanejos dos Gerais - e universaliza o sertão.

- “O sertão é o mundo”, diz Riobaldo de Grande Sertão: Veredas.

De Sagarana, podemos afirmar o mesmo. Porque a obra é um conjunto de sagas, histórias épicas, folclóricas, amor, mistério e aventura – universalizando o sertão, misturando popular e erudito, fecundando de vida o mundo primitivo e mágico dos Gerais.

Na tarde de sábado, a releitura de Guimarães Rosa nos enfurece de emoção. Juazeiros espalhados no verde Graciliano. Como macambiras a enveredar Sertões.

Sertões Guimaranianos.

Assim como nos deixa terrivelmente fecundado, a transposição dos nove contos a ritmos Gerais, magistralmente resumidos numa peça musical de Paulo César Pinheiro na voz de sua saudosa esposa, Clara Nunes.

Afinidades com o violão

Quando se afina violão, o ritual é o mesmo: diapasão na boca, a busca do som gêmeo, escutando, tentando inúmeras vezes agregar entre si o tom perfeito.

É mágico e gostoso: dedos suavemente dedilhando cordas. Uma por uma.

Pequena diferença de tonalidade, entre o diapasão e o som das cordas, é um desgosto para quem quer ouvir o som perfeito.

Afinação de cordas. Do violão e da voz.

As da voz, com exercícios repetidos.

As do violão, com a calma dos marinheiros em tempestades.

Eu sempre digo: o toque certo nas cordas do violão tem que ter suavidade, macieza e carinho. A busca da posição certa, a pressão certa, o movimento certo no tempo certo.

Assim como se faz amor.

Violão, corpo de mulher nua, no peito de quem sabe amar.

Nessas manhãs domingueiras

“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas quando parte nunca vai só nem nos deixa a sós. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada." (Saint-Exupéry -, meu escritor preferido de infância.)
Acordo neste domingo contemplando o quanto o tempo aplaca nossas vidas. Verdade que amadurecemos, mas também perdemos coisas. Pior: as perdas somente são sentidas depois de ocorrerem. Poderia ser ao contrário. Dessa forma, nos seria dada a oportunidade de evitá-las.
Contemplando o tempo a nos devastar, descobrimos a qualidade de vida absolutamente rotineira. Repetição de tarefas e experiências em favor da sobrevivência.
É isso: estamos apenas passando, humanamente medíocres, previsíveis.
Hoje, acordei bem cedo, não passava ainda das 6 horas. E pra não fazer tudo igual nessas manhãs domingueiras, fui até a orla sentir brisa do Tocantins em processo de vazante.
Belíssimo, água morna, calmamente seu leito desce buscando o mar.
O Tejo é mais belo que o rio que corre
Pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio
Que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre
Pela minha aldeia
Os versos de Fernando Pessoa traduzem essa sensação de manhãs de domingo na beira do nosso rio amazônido.
Parei em frente a casa onde nasci, sentei-me no calçadão da orla, de costas pro rio, e fiquei a espiar o local onde pisei tantas noites e dias consumindo meus tempos de menino peralta, onde nada se repetia.
Lembrei-me de Odilonzinho, Ademar, Lúcio Miranda, Arthur, Salim, minha primeira namoradinha, Vera Lúcia, de quem fugi, em desespero, ao ser beijado no rosto pela menina de 11 anos.
Não há objetividade quando se trata do afeto, mas de impressões, pequenos lampejos que impregnam a alma de algum sentimento esparso, aspectos que suscitam em nós algumas incertas reflexões no exercício do convívio da amizade.
Desperto de lembranças. E viro as costas para a casa onde eu nasci.
De frente pro rio, do outro lado do Tocantins, uma canoa ruma sentido porto. Mais à direita, a casa da fazenda do Senhor Farid, intacta, do mesmo jeito que foi construída a nem sei quantos anos.
Do outro lado da cidade, ali eu achava ser a casa dos mistérios, um mundo distante no meu entendimento de menino de 8 anos.
Do outro lado do arvoredo, onde marrecos sobrevoavam a espessa mata impenetrável de minhas visões.
Quantas noites fiquei ali, perto da ribanceira, contemplando estrelas enfeitando o céu, lua cheia, a figura de São Jorge, montado em seu cavalo branco.
Era como se eu flutuasse no espaço iluminando densa floresta que ainda existia do outro lado.
Pra mim, ali havia índios bravos, animais ferozes, fantasmas, duendes e almas penadas.
O vento frio, do início desta manha de domingo, soprava forte a revirar a folhagem do arvoredo do outro lado do rio.
Virei as costas, e voltei para o meu mundo corriqueiro, olhando dois alegres bem-te-vi passando sobre minha cabeça, cantando em direção a Fazenda do Senhor Farid Salame.
Entrei no meu carro, rumando (e ruminando saudades) para escrever este texto.