sábado, março 13, 2010

E quem disse que baiano é preguiçoso?!

Neste sábado, abro meus emails e deparo com uma mensagem enviada por amigo contemporâneo dos anos 70.

Leonizar Cunha havia mais de 30 anos não sabia onde me encontrar. Nem eu a ele.

Emails daqueles de deixar o dia abertamente límpido.

Fomos amigos dividindo quartos e moradas de variados naipes, no Rio de Janeiro. Por exatos dezoito meses moramos juntos, sofremos, passamos fome também, aprendemos e, o melhor de tudo, nos divertimos adoidadamente.

Leonizar reatou contato através do Google, esta ferramenta maravilhosa da Internet que não deixa mais ninguém na mão. Pode até demorar a pesquisa, mas ninguém mais se esconde, depois de sua aparição.        Explica Leo, a forma como acessou meu email, localizado no perfil do blog.

- Estava esta noite (sexta-feira, ontem) lembrando das loucuras que fizemos no Rio e deu saudade. Quis saber onde te encontrar, porque eu continuo por aqui, ora no Rio, ora na Região dos Lagos, Belo Horizonte, essas estradas que tanto nos atraem. De repente, escrevo Hiroshi Bogéa no Google e eis que uma sequencia de registros mostra como te encontrar. Daí em diante foi fácil. E aqui estou.

Fátima, irmã de meu amigo, foi Miss Imperatriz. E, se não me engano, ficou entre as três finalistas do concurso estadual.

Com ela, andei tendo um, digamos assim, chamego de verão. Mas nem bem começou, já estava no fim da linha.

Guardo de Leonizar agradáveis recordações. Dele, principalmente, a lembrança de um sujeito calmo, tranquilão mesmo, daqueles de falar baixinho e usar a paciência como arma fulminante para derrotar as piores adversidades.

Morávamos, primeiramente, em Santa Teresa. Depois descemos, contrariados, o morro pra ficar entre carros e zumbidos, na Rua Paissandu, mais precisamente num quarto dividido de um apartamento no 12º andar de propriedade de um casal de idosos. O aluguel do quarto ajudava na renda mensal dos aposentados, “dona” Guilhermina e “seu” Cassiano.

Imagine, três machos num quarto de 16 m2: eu, Leonizar e Roberto, um baiano de Itabuna que ficava azarolhado quando o chamavam de “vida mansa”, em alusão ao imaginário popular de que o povo da Bahia é tocado pela preguiça.

            - Isso é um mito. É discurso de colonizador!

Preparando-se para vestibular de Antropologia, na Católica, Roberto adorava falar sobre o tema, dando aulas de como surgira a “concepção da preguiça”. Repetia a tese para quem o provocava.

De tanto repetir, eu e Leo aprendemos rapidamente que a tal preguiça baiana fora um perfil construído historicamente. Desde o século XVI, a elite local depreciava os negros escravos, descritos como desorganizados e sujos, depois como analfabetos e sem conhecimento, e, finalmente, como preguiçosos.

Hoje, em seu email, Leonizar lembra de Roberto, e da viagem que fizemos a Salvador num daqueles finais de semana prolongado, dentro de um fusquinha cinza que jogava mais fumaça do que percorria a Rio-Bahia, naquele tempo perfeitamente pavimentada.

Foram cinco dias de agradáveis sensações, e absorção de muito conhecimento.

Roberto é mais velho do que nós oito anos. Já havia cursado Direito, trancando a matrícula quando faltavam dois anos para a conclusão do curso.

Em Salvador, não podia faltar, longos e proveitosas homilias de Roberto, se esforçando ao máximo para provar que baiano não é preguiçoso.

Sem dizer nada, num inicio de noite, nos levou até a famosa Ladeira da Preguiça, cantada em verso e prosa, inclusive por Gilberto Gil.

Empolgado, ele subia e descia a bichinha como se fosse um guia turístico, dissertando sobre a origem do nome da ladeira.

Então, para quem não sabe, a Ladeira da Preguiça, em Salvador, ganhou este nome por ter sido a via de acesso de mercadorias vindas do porto para a cidade, levadas em carretões puxados a boi e empurrados por escravos. Do alto de seus casarões, ao verem os escravos tomando fôlego para subir com sacos de 60 quilos nas costas, as elites gritavam: "sobe, preguiça! sobe, preguiça!".

Adorável Roberto, adorava tirar partido com minha cara. “O do Norte”, como ele me chamava.

Na rua Paissandu, naquele belíssimo calçamento de cerâmica, sobre as calçadas (nem sei se ainda restou alguma coisa dele, atualmente), costumávamos percorrê-lo saboreando cigarros, num ir e vir que se arrastava pelas madrugadas.

Nessas andanças, tirando sarro comigo, Roberto sapecava:

          - “Do Norte”, essa cerâmica foi trazida de Portugal exclusivamente para fazer o caminho da Princesa Isabel mais macio...

Dizia e tragava, olhando para os pés andando sobre a calçada, enquanto seguíamos absortos em suas estórias.

Um dos passeios prediletos de Roberto era pegar o trem na Central.

Sem rumo, adorava percorrê-lo aos sábados, nos levando com ele, na marra.

         - Vocês precisam respirar o sofrimento do povo brasileiro....

Quem já andou de trem saindo da Central do Brasil sabe a brabeza que é o barato.

Cada um se vira como pode. Loucura.

Antes da locomotiva parar, já tem gente dentro.

Gente de todo tipo: negro, branco, cafuzo, operário, comerciário, ladrão, jovens, idosos, a salada social mais completa do país. Todos loucos para chegar em casa, ou ao trabalho, dependendo da hora em que nele se apeia.

Na pressa, ninguém pode mosquear. Mosqueou, dançou, fica em pé.

Por isso, a guerra braba, tão braba quanto encarar a britadeira com o sol na moleira o dia todo. E vale tudo, até xingar a mãe, manifestação corriqueira dos que disputam um lugar sentado para poder dar uma morgada de leve até chegar ao destino, invariavelmente de Deodoro pra cima.

(Uso o verbo no presente porque deve ser do mesmo jeito de 30 anos atrás. Ou pior.)

Ríamos demais de toda aquela loucura.

Ao mesmo tempo, o cenário emprenhava em nossas visões de jovens do interior do Brasil uma nova consciência do mundo-cão, vivo e real, a inicializar inquietações que nos acompanhariam por muitos anos.

Numa dessas “viagens introspectivas” de Roberto – como assim ele batizou a transação de sábado no interior dos trens da Central -, aparece, certo dia, numa das locomotivas, uma linda mulata.

O povão ali, em pé, cheirando nucas e sovacos uns dos outros, levando mão, tirando sarro do dia e muito cuidado com as carteiras, documentos. A lei do trem é outra e quem não estiver muito atento fica sem o trocado.

A linda mulata no meio do bolo de vez em quando lançava olhares chegados ao charme pro Roberto, cara boa pinta.

Leonizar, esperto, adiantou-se um pouco, no meio do vuca-vuca, para conferir, e vê o maior mulato do lado da mulher, dando uma de guarda-costa da rainha, aquela pose de “olhaí, manera, a mulher é minha e muito minha”. Era grande, forte, cara de mau, justamente para piorar as coisas.

Discretamente, Leo retorna, aos trancos e barrancos, e dá a dica, falando próximo ao ouvido de Beto:

       - O negão ali parece que controla o pedaço. Melhor ignorar, aqui a barra é pesada.


       - Que se dane o macho dela. Tá se jogando, vamos ver como é que fica.

A mulata ali, olhando pro Roberto de rabo de olho, rindo sozinha e escondido.

Roberto conseguiu chegar perto da rainha, começando um lance de esfrega-esfrega que levava preocupação a nós, meio distantes da transação. O sacolejo do trem ajudava a muvuca dos dois, estimulando-os a uma apalpação discreta. De repente, a mulata leva a mão ate a região genital de nosso agradável amigo, ficando por ali bom tempo.

Ele, estático, olhar de paisagem.

O parceiro da distinta ali, grande, meio de lado, meio de frente, conferindo, cuidando. Mas querer que alguém não encostasse em sua mulher, com o trem cheio daquele jeito, era pedir demais.

O trem seguia, o mulatão segurando-se, no balanço, meio acordado, meio dormindo, em pé que nem cavalo. Ninguém é de ferro. Mas a mulher se entregou.

Lá pela altura de Engenho de Dentro, ela encostou a cabeça no peito de Roberto como se fazendo dormindo. Num dos solavancos, o negão acordou e viu a cena: nosso amigo com as mãos no seio da rainha, e ela ali, encostadona em Beto.

             - Que isso, ô meu, com minha mulher não. Enfio-lhe a mão na cara.

O trem estava cheio, mas nem por isso deixou de abrir uma pequena clareira naquela multidão, o que gerou reclamações mis.

      - Pô, quer brigar, salta em Madureira e briga lá, ora.


      - Joga pela janela, joga pela janela.

     - Tem nada disso – berrou o mulatão – vou sambar esse cara aqui mesmo.

     - Qualé, ô cara. Tô na minha, cochilei e houve um descuido da minha mão....


     - Descuido o caralho!

Nisso, eu e Leo estamos nos afastando da muvuca, pensando no pior. Um tiro, uma briga generalizada.

Saindo à francesa, o Beto que se cuidasse da bobeira.

Bate, não bate, nessa altura, o baiano parceiro tentando uma fuga estratégica, e nós torcendo pro trem chegar em Engenho de Dentro; e o mulatão já dando decisão em todo mundo, querendo encaçapar alguém.

Mas prevaleceu o bom senso geral e a briga acabou não acontecendo. Melhor dizendo: Roberto escapou de ser dizimado. E nós, no meio, idem.

Acalmado o barraco, os três próximos um do outro, ainda ofegantes, chegamos a ver quando o casal saiu pela porta do trem mais próxima, aberta na plataforma de Engenho de Dentro. Metade dos passageiros naquele vagão também desembarcou.

Sentamos os três, num banco vago em nossa frente.

De olhos fechados, permanecemos algum tempo, respirando fundo em busca de relaxamento.

Quando o trem deixou Engenho e parou em São Cristovão, eis que nosso querido baiano se vira, batendo a mão nos bolsos da calça:

         - Meu deus! Minha carteira! Meus documentos! Meu dinheiro....

Roberto entrara numa roubada, literalmente.

A linda mulata serviu como atrativo para ele se aproximar do mulatão e ser tungado.

Tunga carioca perfeita.

Durante bons dias, nos divertíamos demais curtindo o mico do Beto.

Nunca mais ele quis saber de nos convidar a novas “viagens introspectivas”.

Leonizar lembra desse lance, no email enviado hoje a mim.

Saudades dos dois.

A voz de Adriano

Oportuna entrevista de Adriano a jornalistas setoristas repõe a verdade.


Pelo menos, dá pra sentir que o atleta imprime sinceridade no que disse à imprensa sobre os últimos problemas envolvendo ele, a namorado e a bebida.

A seguir, resumo da entrevista publicado no UOL, para todos os flamenguistas e torcedores brasileiros que torcem pelo Adriano:


Bebida
“É normal tomar cerveja. Só falam por ser o Adriano e acabam aumentado. Como sou da favela, dizem isso. As pessoas colocam no jornal e esquecem que tenho família. Se eu bebesse tanto como falam, não conseguiria jogar.”

Drogas
“Minha mãe vai a algum jogo do Flamengo ou mercado e dizem que seu filho é drogado. Meu filho sai e dizem que o pai é drogado. Antes de colocaram as coisas no jornal, precisam saber o que aconteceu.”

Joana Machado
“Quem nunca brigou com uma mulher? O carinho dela me fortalece. Disseram que eu pedi para acorrentá-la (aos traficantes no baile funk). O problema foi que ela ficou nervosa, pois não cheguei na hora marcada. Ela me empurrou e discutiu com o Bruno. Ela gosta de mim.”

Mundial 2010
“O Dunga me conhece bem e está passando confiança. O Jorginho (auxiliar técnico da seleção) conversou comigo (na praia, na última quinta-feira) e disse que está comigo. Não tem esse oba-oba de ficar fora da Copa do Mundo. As pessoas sabem do que sou capaz e muitas querem o meu bem. Tudo isso me deu ainda mais motivação.”

Abandono da carreira
“Nada disso. Este episódio me deu ainda mais força. Você precisa cair para aprender a se levantar. Acaba ficando malandro para isso não acontecer mais. Nunca pensei em desistir (conforme o seu empresário, Gilmar Rinaldi, confirmou ao UOL Esporte). Eu iria decepcionar a minha família.”

Peso
“Falaram que eu estava com 106 quilos, mas estou com 101. Meu peso ideal é 99. Estou falando a verdade e as pessoas inventam muitas coisas.”

Conversa com Patrícia Amorim
“Tive com ela. A presidente quis saber qual era a verdade, pois tinham muitas notícias na imprensa. A diretoria do Flamengo disse que está comigo.”

Motivo do silêncio
“Para que eu vou falar se já sabem tudo de mim? Ano passado estava vindo com frequência, mas começaram a falar muitas coisas e acabei parando de dar entrevistas."

sexta-feira, março 12, 2010

E aeê?!

Até agora (15h20), a grande imprensa nacional não deu destaque à decisão do  STF de determinar o arquivamento de cinco pedidos de intervenção no Estado do Pará.

Parace que a legalidade não se encaixa muito bem a determinados órgãos de imprensa, ao virarem as costas para manifestação de tamanho vulto do  Supremo Tribunal que mandou pro fundo do baú o desejo vociforante de algumas saúvas da atividade rural de quererem tirar o cargo da governadora paraense, eleita pelo voto popular.

É de se imaginar, sob o ângulo da curiosidade, como se encontram, agora, Kátia Abreu, a senadora do Tocantins, e o fossilizado dirigente da FAEPA, Carlos Xavier, diante da decisão unânime do judiciário.

Também o poster está ávido para auscultar o sentimento de uma cambada de babacas agropecuaristas que lotaram área do Sindicato dos Produtores Rurais de Marabá, ano passando, com a missão de ovacionar a Miss Desmatamento , em passagem triunfante pela cidade, falando em intervenção federal.

Vergonhosa cena!

Roda-Viva eleitoral

A sexta-feira, em Marabá e região, virou ponto de encontros de políticos do Estado.

Neste momento, Cláudio Puty, ex-Chefe da Casa Civil de Ana Júlia,  desembarca com destino a Rondon do Pará.

Desde ontem, deputado federal Vic Pires Franco (DEM) e Valéria Franco mantém contatos com lideranças partidárias democratas em Marabá, Rondon e, logo mais, em Itupiranga.

Anuncia-se a presença de Paulo Rocha, futuro candidato ao Senado pelo PT, também em cidades do Sudeste.

Reativadada a Roda-Viva eleitoral, com intensidade.

Justiça Federal intima Tião Miranda

O juiz federal de Marabá, Carlos Henrique Borlido Haddad, mandou notificar o ex-prefeito Sebastião Miranda Filho e sua ex-secretária de Educação, Kátia Américo Garcia, para apresentarem defesa prévia na Ação Civil Pública por Atos de Improbidade Administrativa que lhes move o Ministério Público Federal (MPF). Haddad também intimou a União e o Município para dizerem se têm interesse na causa.



Quem tem mais detalhes sobre essa encrenca é o jornalista Ademir Braz, no Quaradouro.

quinta-feira, março 11, 2010

LFP está no Yahoo

Lucio Flávio Pinto é agora um dos colunistas do Yahoo, fazendo observações na área de Meio Ambiente..
O segundo artigo dele postado no portal começa com este parágrafo:

Como você reagiria ao chegar à Amazônia e receber um convite para comer uma costela assada de aviú? Se reagir com bom humor à “pegadinha”, é porque tem um conhecimento mais íntimo da região. O aviú é o mais minúsculo dos camarões, de uns 3 centímetros, que se come cozido. Cada garfada deve carregar mais de uma dezena deles. É saboroso, mas só aparece em dois rios amazônicos. Um, é o Tapajós, em cujas margens foi fundada – há quase 350 anos – a terceira maior cidade do Pará, Santarém, que lidera a campanha para criar um novo Estado, desmembrado do atual (o segundo da federação, com tamanho equivalente ao da Colômbia), ela como sede.

Mais,  aqui.

O primeiro artigo de LFN no Yahoo  foi publicado há quinze dias.

Jornal Pessoal: mastodonte incontrolável?

Na medida - aliás, na "bitola", como dizem nossos povos de ribanceiras -, a matéria "Vale:  o mastodonte ficou incontrolável?", publicada na última edição do Jornal Pessoal, do Lúcio Flávio.

O poster está autorizado, pelo Lúcio, a reproduzir integralmente o excelente artigo, mas vocês devem procurar o JP, nas bancas, circulando com outros assuntos importantes regionais:



Vale:  o mastodonte ficou incontrolável?

                 - Lúcio Flávio Pinto 




No ano passado a Vale, a segunda maior mineradora do mundo, vendeu 247 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, de cujos produtos específicos é a número um do mercado global. Foi bem menos do que os 296 milhões de toneladas de 2008, por conta da crise internacional, com ênfase nos Estados Unidos e na Europa. Mesmo assim, é um volume impressionante. Ainda mais porque as tonelagens continuarão a crescer – e de forma mais acentuada no Pará, conforme já ocorreu no primeiro bimestre deste ano.

A contribuição atual da mina de Carajás para a produção total da Vale de minério de ferro, que é ainda a sua principal mercadoria (responde por 61% do total), tem sido de menos de um quarto da soma. Mas se os investimentos em curso ou previstos se consumarem por inteiro, no final de 2013 Carajás, sozinha, estará produzindo 200 milhões de toneladas de minério de ferro, graças a um investimento de pouco mais de 14 bilhões de dólares (mais de 25 bilhões de reais, o equivalente ao incerto valor da hidrelétrica de Belo Monte, projetada – no papel – para ser a segunda maior do Brasil e do mundo, com prazo de maturação do investimento sendo mais longo).



Adição de 10 milhões de toneladas à atual capacidade da mina (de 90 milhões) já entrará em operação neste primeiro semestre. Outros 30 milhões de toneladas (com investimento de US$ 2,5 bilhões) começarão a ser lavrados no segundo semestre de 2012. Mas a grande ampliação começará a dar frutos no segundo semestre de 2013, quando, ao custo de US$ 11,3 bilhões, a Serra Sul estará em condições de dobrar a capacidade atual de Carajás, com mais 90 milhões de toneladas.



Esses números já seriam o bastante para provocar o interesse dos cidadãos sobre cuja jurisdição federativa está essa riqueza monumental, pois se trata do minério de ferro mais fico da Terra. A província mineral de Carajás receberá outros grandes investimentos em não-ferrosos. A Vale aplicará US$ 2,3 bilhões para o Onça-Puma produzir 58 mil toneladas de níquel já no segundo semestre deste ano. Outros US$ 1,8 bilhão permitirão à mina de Salobo duplicar sua produção de concentrado para 254 mil toneladas. Assim, Carajás, até 2013, absorverá mais de US$ 18 bilhões (mais de 32 bilhões de reais).



O prospecto da antiga Companhia Vale do Rio Doce nesse período ainda contempla o Pará com US$ 2,2 bilhões com a CAP, a nova refinaria de alumina de Barcarena, que começará no 2º semestre de 2013 com 1,86 milhões de toneladas, podendo chegar a 7,4 milhões (e ser a 1ª do mundo, junto com a vizinha Alunorte), e mais US$ 487 milhões para a terceira ampliação da jazida de bauxita de Paragominas (mais 5 milhões de toneladas de minério), que suprirá integralmente as duas fábricas de alumina.



Consolidação de todos os investimentos previstos pela Vale para o Pará durante os próximos quatro anos: US$ 21 bilhões (ou R$ 37 bilhões). O horizonte precisa ser modulado pelo desempenho dos mercados, que condicionará as decisões, pelo licenciamento ambiental pendente em relação a algumas dessas iniciativas e pela aprovação do conselho de administração da empresa em outras situações. Pode ser que alguns desses projetos não se materializem ou sejam executados apenas parcialmente. Mas o planejamento da empresa é ainda maior do que ela o revela no press-release que divulgou na quinzena passada.



No ano passado a Vale aplicou US$ 70 milhões no prosseguimento da termelétrica de Barcarena, sua alternativa imediata à carência de energia naquele pólo industrial. Mantém firme a aplicação na hidrelétrica de Estreito, no rio Tocantins, na qual tem direito a 30% dos 1.087 megawatts de energia que serão produzidos. Já se apresentou em um dos consórcios que tentarão arrematar a hidrelétrica de Belo Monte, para a qual o orçamento anterior, de 16 bilhões de reais, já foi deixado para trás. Seu interesse pela energia é, portanto, muito alto, atitude coerente com o desenvolvimento intenso do seu setor de logística, que foi responsável por 5,7% do faturamento bruto do ano passado (5% no ano anterior).



Vai ampliando também sua rede de transporte, criando um sistema como talvez nenhuma outra empresa privada controle em qualquer parte do mundo. Em 2008 pagou R$ 216 milhões da segunda parcela da concessão da Ferrovia Norte-Sul, com a qual (e mais a Centro Atlântica) interligará por trem os sistemas Norte e Sul de escoamento, cuja capacidade poderá ser medida, dentro de alguns anos, por algo próximo a meio bilhão de toneladas de carga.



O Brasil ainda é a base física principal da Vale, mas sua internacionalização é crescente, o que dará uma complexidade tal aos seus negócios que talvez venha a ultrapassar a capacidade de acompanhamento (e, quem sabe, de controle) dos governos nacionais, inclusive o do Brasil. Ela deu os primeiros passos para ser uma produtora de fertilizantes de dimensão mundial, assim como terá posição destacada na venda de carvão, tanto o metalúrgico quanto o energético (a China, que passou de uma exportação de 4,6 milhões de toneladas em 2008 para uma importação fantástica,de 104 milhões de toneladas de carvão no ano passado, também será decisiva nesse mercado, já que a alternativa hidrelétrica do país não terá o desenvolvimento pensado inicialmente). Ingressou ainda na área do biocombustível, através da Biopalma, com 41% das ações, que lhe dão acesso a 160 mil toneladas de biodiesel.



Em plena época de crise econômico-financeira e deterioração dos preços das commodities, que constituem sua especialização, a Vale não cancelou nenhum projeto. Prevê US$ 12,9 bilhões de investimento para 2010, sendo US$ 8,6 bilhões no desenvolvimento de novos projetos. Aposta no seu crescimento, uma vez superada a borrasca. Mas está perigosamente dependente do mercado asiático, que no ano passado ficou com 180 milhões dos 247 milhões de toneladas comercializados de minério de ferro e pelotas (sendo 140 milhões de toneladas da China, que teve um consumo recorde, de 628 milhões de toneladas).



A empresa teve acentuada queda de receita, ainda assim faturou US$ 24 bilhões (contra US$ 38,5 bilhões em 2008). Seu lucro líquido sofreu desabamento pior entre os dois anos (de US$ 13,2 bilhões para US$ 5,3 bilhões), mas decidiu remunerar bem seus acionistas, com US$ 2,75 bilhões. Corresponde a metade do lucro líquido, numa aposta da empresa para manter o interesse por suas ações nas bolsas (e assim continuar a emitir novos papéis e se capitalizar). Pôde agir assim graças à sua excelente geração de caixa, mas o endividamento bruto mais do que dobrou entre 2008 e 2009 (de um para 2,5 bilhões de dólares). O endividamento total chegou a US$ 22,8 bilhões e só sua amortização neste ano absorverá US$ 2,17 bilhões.



É um jogo audacioso e arriscado. Está modulado por uma criteriosa análise de fatores ou projeta uma ambição exagerada? É difícil apresentar uma resposta satisfatória a essa pergunta porque o crescimento da Vale é incomparavelmente maior do que o de qualquer estrutura que poderia ombrear-se a ela, tornar-se interlocutora necessária e interferir no seu planejamento, de tal forma que ele não seja apenas o reflexo dos desejos e apetites de uma empresa, mas o produto do seu diálogo com a sociedade, franco e profundo. Só assim seria possível combinar a estratégia empresarial com as necessidades sociais e a função pública. Essa relação, porém, está cada vez mais desequilibrada.



Contas parciais

Como tem feito nos últimos anos, a Vale distribuiu um substancioso press-release sobre seu desempenho no último trimestre do ano passado e os números comparativos entre 2009 e 2008, acrescidos de informações e análises. Mas não o balanço do exercício anterior, com todas as demonstrações contábeis. Quem acessar o site da mineradora só encontrará as demonstrações de 2008, fracionadas por trimestre. A Comissão de Valores Mobiliários devia obrigar a empresa a seguir o modelo tradicional do balanço anual e recomendar à antiga Companhia Vale do Rio Doce que voltasse a publicá-lo em papel. Não fica bem a uma corporação da sua importância praticar uma técnica de manipulação tão primária. Ela só é eficiente porque os jornalistas, em especial os da área econômica, não cumprem sua obrigação. E as empresas jornalísticas, de olho no borderô, dizem amém.

Bernadete X Raimundo

Anônimo faz apelo na caixa de comentário, pedindo publicação:


Publica ai no seu blog que a depudata Bernadete (ten Caten-PT) e seu marido Luiz Carlos mandou fazer 1000 mil planfletos e distribuir na regiao sul e suldeste do pará. propagando que raimundo oliveira foi expulso do pt pra valer. uma tentativa desesperada por q o oliveira esta muito forte na região.

Está publicado!

Do jeitinho que foi escrito.

"Mulheres de 20"

A pré-estréia do documentário Mulheres de 20, nesta segunda-feira, (8), no Atrium Hotel teve platéia lotada, em maioria mulheres que participam do Encontro da Mulher de Parauapebas, evento criado há vinte anos. Mulheres, como as que foram homenageadas prestigiaram a exibição em primeira mão do documentário dirigido por Ivan Oliveira. A noite foi abrilhantada por relatos emocionantes das pioneiras do Encontro no documentário que levou muitas da platéia às lágrimas. Mulheres de 20 aborda a história da construção do evento que se tornou patrimônio cultural de Parauapebas.

A narrativa é reconstruída sob o ponto de vista da memória de pioneiras, que vivem o Encontro desde o primeiro ano com muita emoção, criatividade, determinação e principalmente garra, para vencer a cada ano novos desafios deixando um legado para as próximas gerações.

“A memória é um recurso muito especial para contarmos uma história como esta, que está registrada em pesquisa no meio acadêmico e em especial na história de Parauapebas, porque o município não seria o mesmo sem o Encontro da Mulher, para mim que vi a idéia surgir se tornar realidade e chegar a seu vigésimo ano é mais que uma emoção é a realização do sonho de ver cada mulher assumindo seu papel na sociedade e assim transformando sua história. Mulheres de 20 sem duvida é uma homenagem justa a nós que fazemos de Parauapebas uma cidade mais gostosa de viver. Por isso parabenizo o Ivan Oliveira o Gilson Mesquita e o Edinam Costa que deram seu melhor para contar essa bonita história, afinal ninguém melhor que eles para relatar esses vinte anos, pois além de serem do município são um exemplo que Parauapebas é um celeiro de pessoas com muito talento”, declarou Bel Mesquita.

Fonte: Line Cássia

Olha o Tremonte aí, gente!

Luiz Carlos Tremonte, madeireiro no Oeste do Pará, colocou o bloco na rua, pré-candidato ao governo do Estado, pelo PSC.

Uma pérola, a mensagem de lançamento do blog do moço:

Somos um grupo de pessoas honestas, trabalhadoras, íntegras que não vive do mundo da política. Estamos todos cansados dos descalabros, da corrupção, da incompetência administrativa, da falta de compromisso com a sociedade. Estamos cansados de pagar tantos impostos e não ver este dinheiro ser revertido em benefícios, mas servir para engordar o bolso de alguns bandidos.   

Queremos mudança. Por isso defendemos o nome de uma pessoa que nunca foi político, um empresário, sindicalista, trabalhador como a gente, que sofre para pagar seus impostos e sabe muito bem o quanto o Estado pode ser ruim quando decide atrapahar ao invés de ajudar. Defendemos uma mudança de paradigma, no qual a política sirva para melhorar a sociedade e não para enriquecer uma minoria.

O empresário Luiz Carlos Tremonte preenche este perfil. É uma pessoa honesta, séria, trabalhadora. Sempre defendeu a legalidade, a transparência e a geração de emprego e renda para um estado que possui um dos maiores estoques de riquezas naturais do mundo, mas têm um povo pobre e sofrido. Defendemos a candidatura de Tremonte ao governo do Pará e convidamos todos a se juntarem a este movimento cívico.

Acessem o nosso blog (www.tremonte17.blogspot.com), comentem, participem deste debate para mudar a política do Pará.

Zinho fechado

Estádio Zinho Oliveira ficará com os portões fechados pelo período de 15 dias, quando será corrigido um problema na subestação elétrica, o que suspenderá o fornecimento de energia para aquela praça esportiva. O trabalho faz parte dos itens do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado junto ao Ministério Público e Corpo de Bombeiros.

A previsão, de acordo com o secretário, é de que o problema esteja resolvido até o dia 21 de março, três dias antes do jogo entre Águia e Cametá, pela primeira rodada do segundo turno do Parazão 2010.

Fonte- Secom PMM

quarta-feira, março 10, 2010

JT condena Vale em R$ 300 milhões

Pela primeira vez, a Vale e cerca de 38 empresas terceirizadas são condenadas pela Justiça do Trabalho a pagar indenização que passam de R$ 300 milhões, por prática de dumping social, dano moral coletivo, e outras lesões trabalhistas praticadas pela mineradora e demais empresas nos projetos em implantação na área de influência de Carajás.
A decisão é histórica.

A sentença determina que a Vale reverta as indenizações às próprias comunidades lesadas em seus respectivos municípios, “por via de projetos derivados de políticas públicas, de defesa e promoção dos direitos humanos do trabalhador”.

A sentença, com 198 páginas, pode ser lida neste link.

Altamira quer Belo Monte

Em Altamira, o povo respira Belo Monte.

As divergências quanto aos efeitos da obra na vida de ribeirinhos e povos indígenas, são restritas aos segmentos que se dizem alvo maléfico do empreendimento.

Conversando com motoristas de taxi, motoqueiros, comerciantes, donos de pequenos estabelecimentos informais, o discurso é de apoio total ao inicio imediato da hidrelétrica.

Em diversos pontos da cidade se lê pichações condenando a barragem, mas há outras frases escritas em muros pedindo seu inicio.

Motorista de taxi conta que na semana passada “muitos estrangeiros” estiveram em Altamira “dando corda” para que o povo local de rebele contra a obra. Ele se referia a encontro organizado pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre destinado a discutir estratégias que possam impedir a implantação da usina (ler post abaixo)

Modo geral, a população de Altamira defende Belo Monte apaixonadamente.

Luta contra Belo Monte continua

Cerca de 50 pessoas, representantes de 31 organizações locais, nacionais e internacionais e povos indígenas, estiveram reunidas nos dias 03 e 04 de março em Altamira, Pará em torno da questão de Belo Monte.Vindos de diversas regiões do país, dos Estados Unidos e da Noruega, preocupados com o futuro do rio Xingu e de seus povos, os participantes debateram a respeito da conjuntura atual e da necessidade de coordenar esforços para a realização de ações conjuntas para impedir a implantação da usina de Belo Monte.

Durante o encontro foram discutidas estratégias de luta e fortalecidas alianças e parcerias. Num momento tão crítico, marcado pela concessão da licença prévia pelo IBAMA no dia 01 de fevereiro de 2010 apesar de todas as irregularidades e ilegalidades do processo, a reunião trouxe motivação e esperança para as lideranças de Altamira e da Volta Grande do Xingu que estiveram presentes. A luta em defesa do Xingu está ganhando novos espaços, atores e vozes.  

Nesta ocasião, ambientalistas, ribeirinhos, indígenas e representantes dos movimentos sociais prestaram uma homenagem ao ambientalista Glenn Switkes, da organização International Rivers que lutou por mais de 30 anos em defesa dos rios da Amazônia, contra a implantação de barragens como a de Belo Monte no rio Xingu. A cerimônia carregada de simbolismo e emoção, contou com a presença de Selma e Gabriel, esposa e filho do ambientalista, que à bordo de voadeiras e rabetas, depositaram suas cinzas nas águas da Volta Grande do Xingu, reforçando a luta em defesa do rio com a energia deixada por esse grande e imortal amigo dos povos do Xingu.

Fonte: Movimento Xingu Vivo para Sempre

Retrato na parede

Ao centro, Hamilton Bezerra. À esquerda, Adelina Braglia.


Ex-prefeito e vice de Marabá, em 1985.

Os dois foram eleitos depois do município passar quase duas décadas sob Área de Segurança Nacional, sem o direito de eleger, pelo voto popular, seus mandatários.

Prefeitos, os chamados "Pró-têmpores", era nomeados pelo Presidente da República, atendendo indicação do chefe político de plantão.

A foto tem forte significado histórico.

Democratas na área

A semana política em Marabá promete.

Começou com muitas articulações e terminará recheada de eventos programados por alguns partidos.

Quem desembarca nesta quinta-feira na cidade é o deputados federal Vic Pires Franco (DEM) e esposa, Valéria Franco.

Em pauta, reuniões com dirigentes regionais do DEM e encontros com mulheres da cidade, numa programação ainda alusiva ao Dia Internacional da Mulher.

À tarde, o casal Franco segue para Rondon, onde Valéria dará posse à diretoria da Juventude Democrata e  da Democrata Mulher.

Sexta-feira, nova prgramação em Marabá e, depois, Itupiranga.

Bate e assopra

Numa rápida passagem por Altamira, a trabalho, deu para sentir o clima de populares criticando o deputado Domingos Juvenil, presidente da Assembléia Legislativa.

Mais precisamente, o discurso que ele teria feito do plenário abordando a invasão do prédio da AL por manifestantes, durante o dia de ontem.

No interior de um taxi do aeroporto até o centro, motorista comentava notícia ecoada naquele instante  numa emissora de rádio local, contando detalhes do pronunciamento do ex-prefeito municipal.

Foi duro nas críticas, o moço do volante:
- O Juvenil não perde a mania de corre-esconde. Num dia ele elogia o governo do Estado. No outro, mete a lenha falando o que bem entende. Por que ele não entrega os cargos que tem aqui em Altamira dos órgãos estaduais, a maioria, controlado por ele?!
A indagação do motorista aguçou a curiosidade do repórter, que não perdeu a oportunidade de se inteirar dos ares políticos da região do Xingu.
- Mas os cargos dos órgãos do Estado não são indicados pelo pessoal do PT, aqui em Altamira?
- Conversa, moço! O pessoal do PT aqui, inclusive, é revoltado com o governo porque só o Juvenil quem faz as indicações.
Ouvindo calado, calado ficou - o poster. Mas antes resmungou pra si mesmo:
 - Ah, bom!

Parque dos dinossauros

O mandato mesozóico de Carlos Xavier à frente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa) lhe confere o direito à reinado. Nem bem precisava deslocar associados da entidade para a "recondução"  ao cargo do fossilizado dirigente.

Reeleito ontem para o sexto mandato, agora Xavier passa dos trinta anos mandando e desmandando  na entidade de fazendeiros.

Cláudio Puty na estrada

Puty virou o capeta.

Durante a semana, o ex-chefe da Casa Civil está amanhecendo e anoitecendo em cidades diferentes.

Botou mesmo o pé na estrada, regando o caminho que o leve  à Câmara Federal

Na sexta-feira, 12, o foco dele é o sudeste do Estado, onde participa de eventos em Rondon do Pará e Bom Jesus do Tocantins.

Nas andanças pela região, Cláudio Puty terá a companhia do ex-superintendente do INCRA, Raimundo Oliveira, candidato a deputado estadual pelo PT.

Cena eleitoral

A terça-feira, em Marabá, foi de movimentação política de bastidores.

Teve de tudo.

Gente até então quieta, apenas  observando o movimento dos barcos, passou a articular encontros com significativos agentes do processo político estadual.

Durante o dia, soube-se também que o ex-prefeito de Marabá, Sebastião Miranda (PTB), já definiu mesmo  a candidatura dele a deputado estadual.

Tião é peça estragégica nos planos do PTB paraense para a formação de uma bancada significativa na AL.

Ítalo vai à luta

Daqui a pouco, mais precisamente no horário vespertino, quando reunir-se em Belém com Maurílio Monteiro, secretário da SEDECT, Ítalo Ipojucan, presidente do SEBRAE-Pará e secretário municipal de Indústria, Comércio, Mineração e Tecnologia,  entre assuntos administrativos da prefeitura de Marabá, comunicará seu desligamento do Sebrae.

A carta de devolução do cargo será protocolada nesta quinta-feira.

Quem ainda tinha dúvidas de que Ítalo ficaria de fora do processo eleitoral de outubro, trate de tirar a jumenta da chuva.

A desincompatibilização do Sebrae é a sinalização explícita de que o chefe da SICOM de Marabá vai mesmo emprestar seu nome à avaliação popular, candidato a deputado estadual pelo PR.

Sujo que nem Geni

Ontem à noite, no horário nobre da televisão, o poster jantava com amigo num restaurante de Marabá.

De repente, em aparelho fixado estrategicamente na parede do ambiente, surge no vídeo um comercial do vereador de Belém Ademir Andrade, usando o tempo do PSB permitido pela legislação eleitoral. Tema da fala do ex-senador: transparência na gestão de recursos públicos.

Parecia até combinado.

Ao mesmo tempo, todos os presente ao restaurante soltaram ensurdecedora vaia.

E daí para os comentários, foi um pulo.

    - Um sujo desse falando em honestidade...

     - Isso só acontece no Brasil que não tem Justiça.

Certamente, à memória dos comensais, vieram as imagens de Ademir Andrade algemado pela Polícia Federal sob acusação de roubar dinhero da Companhia das Docas do Pará.

terça-feira, março 09, 2010

Carajás, em Brasília

Apesar dos esforços do deputado federal  Zenaldo Coutinho (PSDB) tentar atropelar a tramitação da votação do pedido de realização de plebiscito para criação do Estado de Carajás, os parlamentares defensores da proposta estão tranquilos.

Eles sabem que o requeriemento, apresentado por Zenaldo, solicitando à mesa diretora do Senado a tramitação  do Projeto de Decreto Legislativo (aquele do senador Leomar Quintanilha  - PMDB/TO) na Comissão de Meio Ambiente - que nada tem a ver com a matéria - tem objetivo específico de procrastinar o processo legislativo.

Esse tipo de Decreto Legislativo, segundo o Regimento Interno da Casa, tramita na CCJ, na Tributação e Finanças e na Comissão da Amazônia.

Elas (as matérias), são regimentalmente distribuídas para as comissões -- obrigatória só tem uma: a CCJ --, de acordo com o assunto tratado.

Diante disso, e conscientes das armas que possuem para evitar a procrastinação, os mesmos parlamentares estão tranquilos - e seguros do poder de fogo afivelado.
 
A matéria pode ir à votação em abril.

Guerra à vista

O PT do Pará já conta como quase certa uma batalha a ser travada contra o PMDB, nas eleições de outubro.

Esforços para tentar uma reconciliação, não serão suspensos. Mas a grande maioria do partido entende que chegou a hora de viabilizar novos caminhos.

Jatene no Baixo-Tocantins

A caravana do projeto “O Pará que Queremos”, do Instituto Teotônio Vilela, fez reuniões, no último final de semana, nos municípios de Moju e Abaetetuba, com a presença do pré-candidato ao governo, Simão Jatene (PSDB).

Participaram da comitiva os deputados federais Zenaldo Coutinho, Nilson Pinto e Wandenkolk Gonçalves, dos deputados estaduais Tetê Santos, Ana Cunha, José Megale, Manoel Pioneiro e Bira Barbosa, dos senadores Mario Couto e Flexa Ribeiro, da prefeita de Abaetetuba, Francinete Carvalho, o ex-governador Simão Jatene e do deputado estadual Arnaldo Jordy e do professor Abreu, representantes do PPS.

Armas em punho

“É mais fácil um remista passar a torcer para o Payssandu, ou vice-versa, do que o PMDB apoiar a Ana Júlia”.

Declaração é de José Priante aos jornalistas Denise Rothenburg e Flávia Foreque, do Correio Braziliense, está no blog do Val-André.

Saindo do forno

Vereador Miguelito Gomes (PP), coordenador do grupo formado para criar a Agência de Desenvolvimento Regional, reuniu, na noite de segunda-feira, 8, vereadores, empresários, secretários municipais de Marabá e lideranças comunitárias num grande debate em torno da proposta.

Na próxima segunda-feira, 15, o ex-ministro  da Fazenda e Planejamento, Paulo Haddad, profere palestra na cidade sobre a importância da ADR, que está sendo  idealizada para a coordenação de ações dos diversos atores no processo de desenvolvimento de Marabá e microrregião.

Quem é ele
Para quem não sabe, Paulo Haddad foi  ministro durante os governos de Fernando Collor e Itamar Franco, atuando ainda como secretário de Planejamento do Estado de Minas Gerais. Economista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui especialização em Planejamento econômico pelo Instituto de Estudos Sociais em Haia, na Holanda, foi professor titular da Faculdade de Economia da UFMG, onde fundou e dirigiu o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional.

Haddad também foi consultor da Organização dos Estados Americanos (OEA), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Companhia Vale do Rio Doce, Acesita e CDL/BH.

Desde 1989 é consultor da Fiemg, do Banco Mundial, do Sebrae, nas áreas de metodologia de promoção e desenvolvimento de arranjos e sistemas produtivos locais.

Lula e a Alpa

26 de março.


É essa a data sugerida para Lula desembarcar em Marabá com o propósito de oficializar o início das obras da Aços Laminados do Pará (ALPA), planta metal-mecânico que a Vale edificará no município.

Se a agenda palaciana tiver brecha para aquela data, a viagem presidencial terá como estrela do evento a ministra Dilma Roussef, uma semana antes dela desincompatibilizar-se do cargo para disputar a Presidência da República.

Do jeitinho antecipado aqui no blog.

Prefeito relapso

O prefeito de Floresta do Araguaia, Alsério Kazimirski (PSC), deve explicações à comunidade.


Atividades corriqueiras de um administrador municipal, como executar serviços de limpeza pública, não são cumpridas.

A cidade está suja, mal cuidada e com a auto-estima da população beirando o chão.

segunda-feira, março 08, 2010

Mulheres, sábias, duras e suaves...

A mulher Patrícia Amorim, lindérrrima presidente do Flamengo, endureceu o jogo em relação ao tratamento que a comissão técnica vem dando ao Adriano.

Olha a beleza de declaração dela, admitindo rescindir o contrato do atleta!


– É claro que esses acontecimentos são ruins para a marca Flamengo, quando isso acontece eu preciso entrar em campo. Deleguei à comissão técnica a solução do problema, e isso não aconteceu. Eu não posso ficar satisfeita com isso. Eu tenho coragem para admitir (o problema) e também rescindir (o contrato do jogador). Até porque o Flamengo é maior do que eu e o Adriano juntos. A mim cabe o comando do clube e a gente estabelece o que é melhor para a instituição. Se não for possível resolver (os problemas), vou ter que tomar uma postura que pode não agradar a todos.

A mulher é assim mesma: tem sensibilidade para tomar decisões suaves ou duras, quando o momento exige.

Já está na hora da diretoria tratar a questão Adriano com o profissionalismo que se espera de um clube grande como o Flamengo.

Ajudar o jogador, sim!

Confundir isso com paternalismo e concessão de regalias irresponsáveis, jamais.

Uso a declaração de Patrícia para homenagear as mulheres de nosso país.

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atualização às 23:00

"Se ele (Vagner) me bater um dia, eu meto a porrada nele. Pior é virar moda o homem colocar a mulher amarrada numa árvore! Falei para o Vagner, se ele pensar em me amarrar um dia numa árvore, ele tem que pensar antes para qual país ele vai se mudar!". ( Marta, esposa de Vagner Love, fulminando declaração do goleiro Bruno segundo a qual "todo o homem já saiu na mão com a sua mulher".

Grande Marta!

Quanto ao Bruno, bem que ele merece ter seu contrato também rescindindo por fazer apologia à violencia contra a mulher.

domingo, março 07, 2010

Descendo igarapés

Neste domingo, acordei com imagens nítidas do tempo em que meus pais viviam nos igarapés  tocando a atividade de extração de castanha-do-pará.

Tempos bons.

Menino de 10 anos, lembro,  amava tudo aquilo: ser acordado bem cedo do fundo de uma rede coberta por um ´mosqueteiro´(espécie de imenso véu por mim batizado de "casinha de pano", que nos protegia de muriçocas e malária) e levado pelas mãos de minha mãe até o barco que já estava carregado de castanha.

Ali, sob forte frio e névoa dominando todo o cenário, mal dava pra ver o rio Vermelho, igarapé  pelo qual nossa rota seria feita até o Itacaiúnas, e dali pra Marabá.

Durante a viagem, admirava a coragem de dona Lourdes, vestida tal e qual um homem, revólver no coldrer, realizando as mesmas atividades masculinas que exigiam  destreza e coragem nas curvas do rio, na hora de proteger a embarcação carregada até o "passeio" (limite físico de segurança da carga), e que descia o igarapé em velocidade.

No leme, meu pai, João.

Ele conhecia todos os canais.

Quantas vezes, subimos o rio Vermelho altas horas da noite, ele guiado apenas pela experiência, intuição e excessiva carga horário de transposição das cachoeiras.

Mas eu amava mesmo era viajar deitado sobre bagos de castanha, sentir  o cheiro da comida preparada num fogareiro tocado a querosene quando se aproximava a hora do almoço ou jantar.

Já por volta de cinco da tarde, dobrando a "curva do Pimenta" (propriedade onde hoje se localiza parte da Cidade Nova), quando a gente avistava o bairro do Amapá, cansado, sabia que estávamos a poucas horas de dobrar o Itacaiúnas, subindo o Tocantins, rumo de casa.

Subir o Tocantins era outro momento de satisfação.

Todos ficávamos de pé sobre a castanha coberta por lonas: mãe, pai, eu, e os trabalhadores, sob olhares de quem morava na Marechal Deodoro (hoje orla).

O "Marabazinho", como se chamava a beira-rio, estava sempre infestado de outras embarcações descarregando castanha ou sendo preparadas para retornar aos igarapés.

Esse era o instante da exposição consagradora, quando a  gente se sentia "o máximo", triunfalmente chegando de mais uma batalha, sob a admiração de quem nos olhava das ribanceiras.

A saudade agora me levou a revirar  velhos baús, encontrado essa foto maravilhosa que guardo com muita paixão.

Pai e mãe, lado a lado, e mais quatro castanheiros, subindo o rio Vermelho, em época de safra da castanha.

Na popa do barco, observem: um Archimedes, motor tocado a gasolina que durante três décadas facilitou o transporte dos homens da floresta. Se fosse hoje, com o preço da gasolina aos píncaros, esse tipo de motorização quebrava todo mundo.

O Archimedes "bebia" demais.

Geisy, “puta” liberdade

Na semana do Dia Internacional da Mulher, bem que Geisy – aquela garota expulsa da Uniban por ter entrado na faculdade com “trajes de puta”, como disseram seus algozes -, poderia servir de mote a todas as manifestações de valorização do sexo feminino.

O Caso Geisy provou o quanto nossas mulheres ainda são desrespeitadas pelo machismo e excesso de educação autoritária grassando na maioria dos lares

O problema, no caso, é o do respeito à mulher como sujeito de sua sexualidade.

Quem ainda não pensou no problema, e segue reproduzindo uma mentalidade que muitos, por excesso de otimismo, julgavam ultrapassada, é o conjunto não apenas dos estudantes da Uniban, mas grande parte da “opinião pública”, já que houve quem levantasse a possibilidade de justificar a violência coletiva contra a moça a partir de tal ou qual conduta por ela assumida.

E compraram a estratégia de culpabilizar a conduta moral da Geyse,

Comentários desairosos, para todos os gostos, ouvi até mesmo no meu círculo restrito:


- “Aquilo é jeito de puta”!


-“Geyse não se dá ao respeito”.


A pergunta: faz diferença se ela é ou não puta?

Só que isso não muda o fato de que puta também merece respeito.

De que todos e todas merecem.

Ou, pra resumir de vez: “Aquele que não tiver pecados, atire a primeira pedra!"

Considerando o que segue

Alguns parceiros freqüentadores do blog questionam o silêncio do poster na caixinha de comentários, apontando raras manifestações do autor deste espaço no processo de interação. Em resumo, querem saber por que eu não adoto postura antiga de responder a todos os comentários.
Em verdade, tenho procurado responder àqueles temas que não podem mesmo ficar sem respostas – desde que abordados com seriedade pelos meus comentaristas.

Já foi dito várias vezes que aqui não é preciso partilhar das mesmas opiniões, apenas dos mesmos princípios de ética, respeito e amizade.

A partir do momento em que o blog é invadido por seres que não sabem respeitar os diferentes pontos de vista, usando baixarias, violência verbal, atitudes duvidosas, expressões chulas, mau caratismo e outros métodos repugnantes para fazer valer suas verdades, o desprezo e a lixeira -, são os melhores caminhos.

Sabemos da amplitude da palavrinha verdade e do perigo que ela representa.

Aqui, a vivência de cada um tem muito valor, bem como a presença e a palavra.