sábado, fevereiro 02, 2008

Enquanto a ressaca se vai...

Marcha-Rancho
Ruídos captados na Setran: recuo estratégico, enquanto a caravana passa.
Ainda hoje, mais detalhes. Aqui no blog

Rango regado a tamborim
Tião Miranda, advogado Inocêncio Mártires e José Priante conversavam alegremente num restaurante de Belém. Por mais tenha se aproximado do trio, fonte não conseguiu ouvir o papo.

Não posso me amofinar
Maurino Magalhães, textualmente, para o poster:

- Com dinheiro ou sem dinheiro, sou candidato a prefeito de Marabá. Ganharei a eleição apenas com votos do povo. Não recuarei nessa missão.

Quem são eles
O blogger aguarda a postagem em domicílio de documentos (diz-se fartos documentos) que abrirão portas para uma série de denúncias neste espaço. A transação tenebrosa envolve auditor de um órgão.
Expectativa é grande.

O quê que a baiana tem?
A baiana não sei, mas o Quiosquinho do Chico (ele não gosta de ser chamado de Zezão, nome verdadeiro. Entenda-se o Zé-Chico) tem sarapatel de bode, buchada, cozidão, galinha caipira, assado de panela e um baião-de-dois com feijãozinho regional quentinho, saído na hora. Dá pra ver a fumaça subindo, cheirosa.
Já sei! Vou cair de boca no sarapel e buchada.
O corpo pede. Urgentemente.
Depois de um soneca, o poster volta a interagir.
Boas Chicadas a todos.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Nova cara

"Baixinho invocado, doce como uma carambola. Tem o travo do muruci e o exotismo do bacuri.."

Jeso Carneiro migrou para novo endereço.

E, aqui prá nós, ficou maneiro. Bem maneiro.

Trabalho escravo

Deveria existir uma lei pela qual um prefeito municipal, atrasando em dez dias o salário do funcionalismo, ficasse automaticamente impedido de administrar o município -, até a conclusão de auditoria para averiguação dos motivos do atraso. Caso a força-tarefa criada no rastro da lei de impedimento constatasse malversação na aplicação dos recursos, o afastamento do malandro seria definitivo.

O que não pode é prefeito ladrão ficar rindo da miséria de seus servidores.

Em Floresta do Araguaia, por exemplo, os funcionários da área educacional estão a dois meses sem ver a cor do dinheiro.

Vai ver o caraíba dedica mais suas preocupações para cuidar do gado e plantio de abacaxi de suas fazendas.

O "X" do problema, em Floresta, é o próprio X, prefeito.

Debaixo do edredon

Juvêncio Arruda identificou ruídos nos passos do federal Zé Geraldo:


A emenda do deputado federal Zé Geraldo ( PT ) para a construção de poços profundos em Itaituba, oeste paroara, precisa ser acompanhada. Em profundidade.
Come-come votos dos marabaenses, o estilo do nobre federal Zé Geraldo (PT) é assim, dizendo o mínimo, cheio de esquisitices.
Até ele, do alto de sua boçalidade, é esquisito.
Não é a toa o patrocinador ferrenho da candidatura da deputada Bernadete Caten (PT) à prefeitura de Marabá.
Pore culpa da Cosanpa, vai ver, o município carece, também, da perfuração de proços profundos.

Cosanpa em Marabá

R$ 36 milhões serão investidos pela Cosanpa, a partir do dia 15 de fevereiro, em Marabá. Grana significativa para resolver a deficiente distribuição de água no município.

Com o aporte desses recursos, certamente a Saneatins (companhia de água do Estado do Tocantins) encontrará dificuldades, agora, para trafegar pelos gabinetes oficiais de Marabá.

Aqui pra nós: seria desmoralizante para o Pará, empresa de economia mista do Tocantins cuidar da distribuição de água no segundo mais importante município do Estado.
Ou não?

Detalhe: o contrato da Cosanpa com o município, como concessionária do fornecimento de água, venceu há tempos.

Antes seja tarde demais

A saída de Halmélio Sobral demorou.

Os grandes problemas na área de saúde no interior, principalmente, vinham da incapacidade do ex-secretário em tocar ações.

Ou da própria falta delas.

Terror na estrada

No inicio desta semana, o blog registrou a ocorrência de estupro de uma mulher na estrada.

É uma jovem técnica agrícola funcionária da Cooperativa de Prestaçao de Serviços (Coopserviços), uma Ong que executa trabalhos no campo.

Contam horrores, os amigos da vítima.

A garota estava à serviço do Incra, quando retornava a Marabá com um colega de serviços, numa moto. Alcançadas por sete bandidos, ambos foram assaltados.

A jovem foi violentada sexualmente pela quadrilha.

Ainda se encontra recebendo atendimento médico, inclusive dedicada atenção de uma psicóloga.

Quase lá

Marabá, não demora muito, supera Tailândia. E ganha facilmente o título de cidade mais violenta do Pará.

Falta pouco. Muito pouco.

Em plena sexta-feira, 01, emissoras de rádio amanheceram o dia contando os cadáveres.

Na Folha 22, como exemplo, jovem supostamente chefe de organização de tráfico encontrava-se morto na avenida. Assaltos à mão armada nos quatro núcleos, piratas na estrada.

Sitiada. É essa a expressão: Marabá está sitiada pelos bandidos.

Questão de prioridade

Ao assumir a cadeira, o futuro secretário de Segurança, Geraldo Araújo, precisa voltar-se, imediatamente, para Belém e Marabá. Voltar-se de corpo e alma com um plano duro de enfrentamento da bandidagem.

O caldo está para entornar em Marabá.

E aqui é assim: se a população decidir sair às ruas contra o governo, o clima de insatisfação correrá o Estado em questão de horas. Marabá irradia boas e más notícias.

NB: durante sua visita a Marabá, Ana Julia anunciou a implantação na cidade de um pelotão de elite da Polícia Civil.

Tambores na Taba

Ontem à tarde, mais de 500 pessoas receberam Tião Miranda, no aeroporto de Marabá. Festa à altura das vitórias eleitorais, com direito a foguetórios e discursos.

Centro de Convenção

Idêntico ao que será construído em Santarém, um centro de convenções foi anunciado por Ana Júlia para Marabá, com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES).
A boa nova deixou empresários em estado de graça.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Cultivando lutas históricas

Prometido ontem, a seguir, trecho do discurso de Ana Júlia na Câmara Municipal, ao receber o título de Cidadã Marabaense:


A fundação da vila de Itacayunas, no final do século dezenove, coincidiu com um momento em que o Brasil empreendia reformas sociais e econômicas e se adaptava aos ideais da república.
O país estava vivendo a desagregação do sistema escravista e a organização do poder dos estados federados, que foram, nesse momento, investidos como agentes principais do desenvolvimento. Estava passando da condição imperial e centralizadora para uma condição republicana e federativa.
A Constituição de 1891 permitia que os estados contraíssem empréstimos externos e dispusessem das terras devoluta do seu território, organizando o seu próprio serviço de terras e colonização.
Nesse momento em que Marabá foi criada o país vivia uma luta partidária intensa. E Marabá foi criada em função dessa luta e em função do sonho e do trabalho de construção de uma república justa e democrática.
O primeiro governador constitucional do Pará, Lauro Sodré, foi o único, em todo o Brasil, que teve coragem de se opor ao presidente Deodoro da Fonseca, no episódio da dissolução do Congresso, em 1891.
Nesse momento, o Pará se tornou sinônimo de liberdade para todos aqueles que acreditavam num modelo republicano justo e para cá migraram muitos brasileiros que acreditavam nesse projeto.
Foi esse o caso de Carlos Gomes Leitão, o fundador de Itacayunas, em 1884. Leitão, que era um deputado florianista em Goiás e que estava sendo perseguido pelas forças políticas do seu estado, tomou o rumo do norte, acompanhado por algumas dezenas de cidadãos que acreditavam na liberdade.
Naquele momento, o Pará era sinônimo de liberdade.
O governo Lauro Sodré estava empenhado em acolher esses brasileiros e em integrá-los a um projeto de desenvolvimento que, no Brasil de então, era inovador.
Lembremos que o governador Lauro Sodré, naquele momento, estava empenhado em desenvolver uma política educacional – criando a primeira escola técnica do Brasil e modernizado toda a rede escolar do estado -, um política agrícola e uma política de ordenamento territorial sem igual no país.
E Marabá, nas suas origens, está inserida nesse projeto. Nesse projeto de liberdade, de democracia e nesse projeto de construção de um modelo de desenvolvimento que, no começo da república brasileira, muito se parecia com o nosso projeto de um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia.
Todos sabemos que esse projeto inovador foi subtraído, nos anos seguintes, pelo modelo concentrador de riquezas que foi o modelo do projeto da oligarquia lemista, sucedida pela oligarquia baratista e, depois, pelo regime militar.
Porém, todos sabemos que Marabá foi criada porque havia gente que acreditava naquele outro modelo de desenvolvimento. Porque havia gente que acreditava na educação, na diversificação da produção e numa sociedade mais justa.
Marabá foi criada porque havia gente que acreditava num modelo de desenvolvimento que é muito parecido com o modelo de desenvolvimento que nós estamos implantando no estado do Pará, porque nós também acreditamos na democracia, na participação social, na educação como condição para a liberdade.
Marabá é terra de todos e não pára de crescer. Junto com o progresso dos últimos anos, vieram também os diferentes problemas para a cidade.
Cabe a mim, como governadora, implementar medidas necessárias para fazer desta cidade um lugar onde cada cidadão e cidadã tenho orgulho de morar e viver.

É mentira o que foi dito aqui

Não tem fundamento o teor do post "Saindo de Fininho".
Agora a pouco, Fábio de Castro telefonou desmentindo a veracidade de ameaças anônimas que ele estaria recebendo.
A fonte que repassou ao blog a informação, contatada em seguida, disse que fizera "uma brincadeira, achando que a mesma não seria publicada".
Antes de trazer à blogosfera, o poster tentou confirmar o informe através de telefonemas ao secretário de Comunicação, cujo celular encontrava-se fora de área.
Confiando na idoneidade testada em vezes anteriores do informente, a nota foi publicada.
Fonte a não merecer mais nenhum tipo de crédito.
Peço desculpas, pela " barrigada".

Lambanças de um ex-Senador

De boa memória, político lembra que nas eleições de 1986, o deputado federal Ademir Andrade, em sua busca para ser o parlamentar mais votado do Estado, não pensou duas vezes. Baixou a matraca, com discursos ferozes e anti-comunistas, prejudicando e encerrando a carreira política do deputado estadual Paulo Fonteles (PCdoB) à Câmara Federal.

Acha, inclusive, que depois desse episódio, por se encontrar fragilizado sem mandato, Fonteles perdeu a vida.

Ademir Andrade voltaria a usar a mesma tática, ao massacrar em campanha eleitoral o deputado estadual João Batista(PSB), assassinado posteriormente.

Trágico, diz, foi a tentativa do ex-senador do PSB, “mesmo tendo prejudicado aquelas duas incontestes lideranças”, dar o último adeus aos seus antigos companheiros, e passar pelo constrangimento de ser expulso do ambiente pelos familiares das vítimas.

Assessorias & Empresários

As assessorias, redações, empresários e políticos do Pará começaram a receber nesta semana a revista Pará Industrial, da Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa). A primeira edição aborda assuntos como qualificação profissional, meio ambiente, empreendedorismo, exportações e tecnologia, além de artigos e entrevistas com os principais políticos e empresários paraenses. A revista é uma iniciativa do presidente da Fiepa, José Conrado Santos, desenvolvida em parceria com a Temple.

Saindo de fininho

Juvêncio Arruda mostra que está quase nos finalmente a Licitação da Propaganda do governo do Estado.
Das três agências que recorreram, duas são ligadas ao espertíssimo Vadinho.

Em tempo: nas últimas semanas, o secretário de Comunicação Fábio de Castro tem recebido ligações telefônicas com ameaças. Na noite de terça-feira, 29, horas antes dele embarcar para Marabá na comitiva da governadora Ana Júlia, uma voz ao celular com IP nao identificado aconselhava o chefe da Secom a não fazer a viagem, "pois corria o risco de morrer".

Quem conhece as ambições desenfreadas de alguns personagens desse mundo de agências, não tem dúvidas: parte daí as ameaças a Fábio.

Vale o que pesa

O valor de R$ 2,5 bilhões devidos pela Vale a título de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) não recolhida no período de 1991 a 2006, foi divulgado ano passado na coluna do poster no Diário do Pará.
A questão dos Royaltes está pegando. Tem novidades no blog do Val André.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Tião volta à prefeitura

Não demorou cinco dias.
A presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Albanira Lobato Bemergüy, acaba de tornar sem efeito a decisão da juíza de Marabá, Maria Aldecy de Souza Pissolati, que havia afastado do cargo o prefeito de Marabá, Sebastião Mirando, por improbidade administrativa.
A decisão da juíza repercutiu negativamente no Tribunal de Justiça do Estado, conforme declarações de desembargadores feitas esta manhã.
Tião Miranda retorna a Marabá amanhã, para reassumir o cargo.

Peraltices de Arroyo

Há algo estranho, muito estranho, nas andanças do chefe de Gabinete do governo, João Cláudio Arroyo.


O blog recebeu na noite de ontem e-mail de empresário de Belém, amigo de longas datas do poster, relatando que amigo dele, também conhecido empresário da capital, recebeu dois telefonemas de Arroyo comunicando-lhe que a governadora gostaria de conversar com ele.


Ao chegar no Palácio dos Despachos, o empresário foi comunicado que, infelizmente, naquele momento a governadora deixara seu gabinete para cumprir agenda de ultima hora, delegando a João Arroyo a missão de repassar ao iluestre convidado o motivo do encontro.


Estranhamente, para o empresário visitante, Cláudio Arroyo começou a falar de um projeto desenvolvido pela Chefia de Gabinete denominado “Economia Solidária”. Após alguns minutos destrinchando o tal programa, Arroyo disse que o governo, através dele, iria depois apresentar mais detalhes ao empresário sobre o projeto.


Terminada a reunião, e já na solidão noturna da cama acomodado num travesseiro, o empresário entregou-se a pensamentos. Acha que tem coisa no Projeto Economia Solidária.



Coisa estranha, melhor dizendo.

Ana em terras tocantinas

Ao receber o título de Cidadã Marabaense, governadora Ana Julia fez um discurso enriquecido de informações históricas. Muito bem escrito, há um paralelo das lutas libertárias e democráticas do então governador Lauro Sodré e Carlos Leitão – em verdade, o precursor das habitações no entorno de Marabá (antes desta ter sido formada com a chegada, anos depois, de Francisco Coelho na confluências dos rios Itacaiúnas/Tocantins), fundador do Burgo do Itacaiúnas, talvez o primeiro projeto de desenvolvimento agrário que se tem noticia na região -, com o atual governo estadual.

Como a historia narra, aquela época Lauro Sodré liderou a luta contra o Império, estimulando brasileiros a rumarem em direção ao Pará, empolgados pelo discurso de liberdade do então governador.

Carlos Leitão foi um deles.

Largou-se de Grajaú com cerca de 200 homens para participar do “novo modelo de desenvolvimento” que se queria para o Brasil, com o Pará na vanguarda.

O autor do discurso da governadora foi muito feliz com a ligação de imagens históricas.

Amanhã, o blog expõe trechos da fala de Ana Julia na Câmara Municipal de Marabá.

Agenda apertada
Cuidados de assessores da governadora foi pelo cumprimento da programação dentro do tempo projetado. Ana Julia precisava estar em Belém até às 17 horas, para participar de outros compromissos.
Na Câmara Municipal, o cerimonial foi seguido tão à risca que a solenidade terminou antes do tempo previsto.

Primeira vez
Ana Julia foi bastante aplaudida quando o presidente da Câmara, Miguelito Gomes, revelou que pela primeira vez um governante estadual adentrava o prédio do legislativo marabaense.
Antes, abrindo a série de pronunciamento, o vereador Sebastião Ferreirinha já havia dito que outros dois governadores, também agraciados com título de Cidadão de Marabá, foram mal-educados o suficiente para nem mandarem representantes receber as comendas.

Ademir, o melhor
A governadora soltou largo sorriso quando o vereador Miguelito Gomes citou o nome do ex-vereador e atual Diretor da secretaria de Integração Regional, Ademir Martins, “melhor vereador que já passou por esta Casa”.
Ana tem carinho especial pelo fundador do PT em Marabá.
Ademir e ela comeram o pão que o diabo amassou, no inicio de suas carreiras políticas na região.

Campeã de votos
Ana Julia sempre teve votação histórica em Marabá.
Para o Senado e ao governo do Estado, esmagou seus adversários. Há forte ligação da comunidade com ela e vice-versa.
Talvez por isso, tenha repercutido tanto o momento em que a homenageada fez sua declaração de amor à cidade, denunciando emoção nos olhos:

- Tenho carinho muito especial, especialíssimo por Marabá. Minha ligação com a comunidade é forte e sincera. Em todos os níveis.

Pequenas e grandes
No primeiro ano de governo Ana Julia, o Estado liberou e estão sendo liberados recursos para 34 obras em Marabá. De canalização de águas atexpert em planejamento de campanhas. Cuidava das campanha de Ana e do marido Ademir, diversas é a urbanização do bairro Cabelo Seco.
Ana enumerou os investimento.

Emoção na escola
Quando inaugurou a Escola Albertina Sandra Moreira dos Reis, a governadora emocionou-se, e levou às lágrimas a família da ex-professora, que morreu depois da eleição de 2006, vítima de câncer.
Casada com Ademir Martins, Beta Moreira teve intensa militância na esquerda.
Ela chegou a Marabá levada pelas mãos de irmã Dorothy Stang , que viria a ser assassinada dois anos antes da morte de Beta.
Todas as batalhas políticas de Ana Júlia no Sul do Pará eram organizadas pela dupla Ademir/Beta.
Com o tempo, a professora revelou-se expert em planejamento de campanhas, cuidando das de Ana e do marido Ademir, diversas vezes eleito vereador e candidato a deputado estadual.
Em toda a sua vida, Beta apenas lutou. Primeiro para sair da pobreza, depois pela melhoria das condições de vida das pessoas e, finalmente, a maior de todas as batalhas, travada com determinação e altivez. Pela própria vida.
Quando o câncer teimava em definhar sua vida, em suas piores crises, beta reagiu com sorrisos. Ou escrevendo artigos para os jornais da região falando da beleza de viver. Intensamente. Até o ultimo momento.
Textos pra cima, sem denunciar sofrimento.
Quem lia seus artigos jamais imaginava tratar-se de uma mulher lutando contra a morte que lhe chegava lentamente, ao nascer de um novo dia.
Quando foi descerrada a placa de inauguração da belíssima escola de tempo integral, construída num bairro pobre de Marabá -, Ana Julia, Ademir Martins e suas duas filhas – Luciana e Rita -, não seguraram a emoção.
Justa homenagem se faz a uma guerreira.

Ponta de Pedras
A localidade onde Ana Julia cumpriu a ultima etapa de sua visita foi na zona rural de São João do Araguaia.
Ponta de Pedras é um projeto de assentamento quase à beira da Transamazônica, a 20 km de Marabá.
A creche entregue à comunidade era aguardada e prometida a muitos anos.
As duas obras, escola Beta Moreira e a creche de Ponta de Pedra, foram construídas pela Sedurb.

Caneladas no principado

Nunca esteve tão mal o relacionamento dos secretários Suely Oliveira (Sedurb) e Edílson Moura (Cultura).
Ambos não se toleram mais nem em publico.
Motivo: disputa pela candidatura do PT à prefeitura de Belém.

Sem amarras

Fábio Castro, secretário de Comunicação, fazendo ponte com a imprensa do interior.

Ontem à tarde, pessoalmente, ele telefonou para o poster passando a agenda da visita da governadora a Marabá e São João.

E fez o mesmo em contato com outros colegas.

Do jeito que foi sempre colocado aqui: o governo Ana Julia conversa com a sociedade.
Sem panelinhas.

E isso tem um significado muito forte para quem mora distante da capital.

Ululante obviedade

Está no Blog do Brasiliense:

Lá vem o governo Lula, de novo, com a criacionista Marina Silva à frente, tentar brecar os desmatamentos na Amazônia com canetada. Não adianta: enquanto houver mais fiscais do Ibama em Brasília do que na Amazônia toda; enquanto a grilagem de terra não for extirpada; enquanto não se colocar madeireiro na cadeia, enquanto não se engajar a sociedade civil na luta contra a destruição da floresta, toda medida de força será inóqua. Oxalá eu esteja errado.

Certíssimo, o Brasiliense.
Afora isso, apenas o bom discurso da Marina pro público internacional.
Ela é especialista nesse jogo.

Não é bem assim

Comentarista anônimo esclarece que ainda não se consumou a inscrição da Vale no Cadin:

O DNPM notificou, administrativamente, a Vale, após decisão do STJ, que considerou procedente a existência de débito do CFEM.
Foram 39 notificações,uma para cada lavra,dentre elas as de Serra do Carajás.
A Vale,imediatamente, recorreu, através de manados de segurança.Um deles, foi acatado e ainda não derrubado.(proc 2007.3400.033235-3-TRF1). NÃO HOUVE, PORTANTO, ATÉ AGORA, A PROPALADA INSCRIÇÃO DA VALE NO CADIN,POR ESTE DÉBITO ESPECÍFICO.

Mando-te, abaixo,a legislação que institui o CADIN:
Como é feita a inscrição no Cadin?
R- Primeiramente o órgão responsável pela administração do crédito deve comunicar ao devedor sobre a existência de débito passível de inscrição no Cadin, fornecendo-lhe todas as informações pertinentes. Se a dívida não for regularizada dentro de 75 dias, contados a partir da data de comunicação, o nome do devedor será inscrito no Cadastro. Quando a comunicação for efetuada por via postal ou telegráfica, dirigida ao endereço indicado no instrumento que deu origem ao débito, será considerada entregue após 15 dias da sua expedição, contando-se, a partir de então, o prazo de 75 dias.
É possível suspender registros efetuados no Cadin?
R- Sim, desde que o devedor comprove que:
- tenha ajuizado ação, com o objetivo de discutir a natureza da obrigação ou o seu valor, como o oferecimento de garantia idônea e suficiente ao Juízo, na forma da lei;
- esteja suspensa a exigibilidade do crédito objeto do registro, nos termos da lei.
A Vale já foi inscrita antes na dívida ativa e no Cadin. A última vez, por causa de uma ação do CADE.Resumindo: muita água ainda vai rolar até a Prefeitura de Parauapebas ver a cor dessa grana.
E esse suspense, em ano eleitoral, caro Hiroshi, com a prefeitura “já tendo gasto por conta”, ainda vai nos proporcionar fortes emoções.

E bota emoção nisso!

terça-feira, janeiro 29, 2008

Aos jornalistas, o texto

Quase passava batido. Igual ao Dia do Compositor, lembrado pelo blog dois dias depois.

Homenagem aos coleguinhas, por este 29 de janeiro.
NB: criação da Canomedia

Pra não perder a boiada

É assim mesmo que se faz, no jogo bruto da política.
No jogo mais bruto ainda de enfrentamento da criminalidade.
Não tem perdão. Se errar, vira monturo.

Depósito de escória

O poster mantém postura crítica totalmente desfavorável à atividade garimpeira em Serra Pelada, preservando-se o atual status quo dos chamados líderes da classe.

No meio daquela laia de falsos dirigentes, existem pistoleiros, aproveitadores, malandros e uma infinidade de marginais de diversas estirpes.

Quase todos emoldurados no Maranhão.

Não existe um paraense entre as chamadas lideranças.
Patifes de toda ordem usando seus prepostos na turfa, enquanto, de longe, administram Sodoma.
A ultima da pocilga explodiu nesta segunda-feira, 28, quando o ex-presidente da Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada, Josimar Barbosa – preposto de Sebastião Curió -, tentou retornar à vida associativa (depois de expulso da entidade por pressão de outros grupos) sob a guarda de liminar concedida pelo juiz da Comarca de Curionópolis.

O cara – bem feito! -, foi escorraçado da porta da Cooperativa, em Serra Pelada.
Pistoleiros devidamente equipados com suas ferramentas de trabalho saíram à caça do bacurau, que na fuga arrastou também dois Oficiais de Justiça pela estrada afora.

O grupo conseguiu chegar ileso ao km 16, na Pa-150, depois de louca perseguição pela vicinal de Serra Pelada com extensão de 30 km.

Ao ser comunicado do ocorrido, um major da PM deslocou-se com pequeno efetivo até Serra Pelada e, também, nada fez. De quatro, entregou os pontos.

À porta da cooperativa, pistoleiros exibiam suas armas com cara de maus.

À par do escarcéu, o juiz de Curionópolis, desrespeitado em sua determinação, exigiu da PM o deslocamento de policiais acompanhados de oficiais de Justiça para a inserção de Josimar Barbosa.

A PM não foi. E nem vai de novo. Somente com ordem expressa do comando da Polícia Militar.

Sugestão do blog: o governo não deve mandar nada de polícia pro vilarejo de Serra Pelada.
Solução mais prática para resolução definitiva desse faroeste terceiro mundista, é o problema ser resolvido entre os próprios pistoleiros, seus mandantes e aderentes.

Que tal distribuir mais armas a cada um deles e dizer que a exploração do garimpo será dada àquele que sair vitorioso numa disputa à bala?!

Não sobra ninguém da laia!

O trabalho depois e só enterrar a turba.

Entregando-se, posteriormente, o garimpo aos homens e mulheres de bem.

Duro de viver

Apavorante concluir que os órgãos de segurança, até agora, perderam a luta contra os piratas de estradas. É impossível acreditar numa reviravolta nessa guerra, cada dia favorável aos bandidos saqueadores de ônibus, veículos particulares e caminhões.
O mais recente envolveu tiros e o estupro de uma senhora na estrada do Rio Preto, ligando Marabá à região do mesmo nome, à altura do município de Parauapebas.

Tudo Vale

José Antonio, comentando o post “A Verdadeira História”, faz indagações.

1- Se está inscrita no CADIN (a VALE) então a dívida é da União e não da Prefeitura de Parauapebas?
2- Como é que a prefeitura de Parauapebas entrou na história?
3- Se é o DNPM que vai receber o dinheiro, como é que vai ter honorários com a prefeitura do Pebas?


A dívida é da união, sim. A ela compete fiscalizar e arrecadar os recursos dos Royaltes, conforme determina o artigo 21 da Constituição Federal e a Lei 8.001.

Ao município cabe 65% do que for arrecadado pela União, através do DNPM que é quem tem a competência para executar todas as ações relacionadas com as questões de mineração.

No caso deste débito, como relatado no post, Parauapebas, através da então Prefeita Bel Mesquita, fez um convênio com o DNPM para possibilitar as ações de fiscalização que redundaram no auto de infração inscrito na Dívida Ativa da União.

O Município de Parauapebas, como os outros municípios mineradores, nãotêm nenhuma gestão sobre os recursos e os processos, pois tal atribuição é apenas do DNPM. Parauapebas somente irá receber sua cota parte se o DNPM obtiver sucesso na ação de execução fiscal que tem um rito próprio, definido pelo Código de Processo Civil.

Portanto, qualquer manifestação da prefeitura de Parauapebas de que já irá receber os recursos é improcedente, visto que à mesma não é dado sequer o direito de fazer acordos com a Vale, pois não tem competência para isto.

Quanto aos honorários, nenhuma empresa trabalha por filantropia. Principalmente empresa do porte da Polis Consultoria, renomada nacionalmente nessa área tributária. Há um contrato de resultados entre ela e a prefeitura de Parauapebas para remineraçao dos serviços prestados. Logicamente, a ser efetuado pela própria prefeitura caso a ação resulte em ganhos para o município.

Este, aliás, o X da questão num momento em que a atual administração denunciou o contrato com a Polis Consultoria, anunciando meses depois a contratação de outra empresa, que seria do Paraná, para realizar trabalhos feitos pela consultora anterior.

Logo ela, gente!

Ainda em fase de investigação, mas quando o tema segue para a Controladoria-Geral da União, há algo extremamente grave. Muito grave.

Pulmões enfiados em sujeiras

Existem nos seres humanos mecanismos de destruição que não é preciso compreendê-los, não aceitá-los, e nem tolerá-los.
O cigarro é o pior deles.
Quando se fuma, não se tem senso de ridículo.
O viciado invade ambientes fechados sem pedir licença. Nem pergunta se a presença dele, de cigarro aceso, faz bem ou mal.
O poster fumou dos 15 aos 36 anos. Fumava duas carteiras por dia.
Sem contar outro tipo heterodoxo de cigarro. Este tragado até os 22 anos.
Razão de prazer e desgraça, o cigarro faz parte hoje de alvo preferencial do escriba.

Na família do blogger, uma irmã e um irmão vivem soltando fumaça que nem charuto de alto forno. Chegam a consumir próximo a duas carteiras diariamente, cada.
Ex-fumante, o titular do blog não tem dúvida em afirmar que viciados em cigarro são seres arruinados, lânguidos, tristemente vivos.
O tabaco é uma sagrada aliança com o Mal: Infertilidade. Impotência. Câncer. Enfarte.
Pior é que ninguém deixa de fumar por causa do fanatismo de terceiros. Isso sempre acaba numa terivel inutilidade. Contraproducente, até.

Se tivesse tempo, o blog criaria uma patrulha higiênica de combate ao fumante. Pela sua própria vida.

Nem que fosse preciso humilhá-lo, enfiar o sujeito – ou sujeita -, numa vitrine em praça pública com imensos cartazes a cortejá-lo:

- Peste do mundo. Decadente!

Yes, não temos prefeito

Marabá continua sem prefeito. Pelo menos em atividade.
A juíza determinou o afastamento de Tiao Miranda mas até agora não apareceu nenhum Oficial de Justiça para determinar o cumprimento da sentença.
Enquanto isso, a cidade parou. Literalmente.

Ó, Glória!

A propósito, o blogger tomou conhecimento que a juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati, por ser evangélica praticante, costuma pregar a Bíblia em cultos de sua Igreja.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Pelo direito de andar

Presidente Vargas, livre.
Fazia tempo, particularmente, o poster não via essa imagem de Belém, em plena tarde de segunda-feira.

A verdadeira história

Todos os trabalhos de depuração dos débitos fiscais da VALE em relação aos Royaltes devidos a Parauapebas foram realizados pelaPolis Consultoria Ltda., contratada pela então prefeita Bel Mesquita, e não pela atual administração de Darci Lermen, que apenas "herdou" o crédito tributário.

O processo se originou no ano de 2.001.

Àquela época, o município de Parauapebas, de forma inovadora, celebrou convênio com o DNPM e propiciou condições para que os trabalhos de fiscalização fossem realizados tanto em Parauapebas, quanto em São Luis, Rio de Janeiro e Vitória.

Realizados os trabalhos de fiscalização, o DNPM e o município de Parauapebas constataram a existência do passivo dos Royaltes, tendo sido lavrado o respectivo auto de infração que hoje se tornou em uma dívida ativa da união, conforme inscrição processada pelo DNPM.

Também não procede a informação de que os trabalhos foram realizados por uma empresa do Paraná, visto que a mesma sequer participou dos procedimentos relatados.

Em 2001, a prefeitura obteve o suporte técnico e jurídico da Polis Consultoria Ltda, sediada em Belo Horizonte, com sucursal em Marabá, conforme contrato celebrado à época e ainda em vigor junto à administraçãode Parauapebas.

Atualmente, a Polis presta serviços de consultoria tributária a várias cidades do sul e sudeste do Pará, inclusive para a AMMEPA - Associação de Municípios Mineradores do Pará.

Desdobramento da história

O trabalho da Polis Consultoria já dura seis anos. A empresa prestou serviços também a prefeitura de Marabá junto as siderúrgicas.

Fonte segura revelou agora ao poster que cerca de três meses atrás, quando estava para sair a inscrição da VALE na dívida ativa, o prefeito Darci Lermen rompeu unilateralmente o contrato com a Polis, surgindo em seu lugar, como num passe de mágica, um suposto escritório do Paraná.

À boca miúda, pessoas antenadas com a questão garantem haver algo estranho por trás das notícias universalizadas dando conta da contratação da consultora paranaense. Categorizada fonte, mantida em sigilo pelos cuidados que o fato merece, garante que alguém na jogada deverá faturar honorários -, que a base de 10% representa cerca de R$ 50 milhões, sem ter feito absolutamente nada. “Num caso desse, a taxa de retorno será altíssima”.

Outra informação: a própria Polis Consultoria Ltda, autora dos estudos e processos tramitados, deverá ajuizar ação de indenização. “O valor dessa indenização a quem realmente executou os serviços, é milionário”.

O blog apurou que, até o presente momento, a Polis não recebu nenhum tostão da prefeitura, considerando que o caráter de seu contrato era de resultado.

Puxando cabelos

Até o presente momento, o poster não conseguiu falar com o procurador de Parauapebas. Hernandes Margalho encontra-se reunido desde a manhã desta segunda-feira com a assessoria jurídica da Vale.

Entra e sai no prédio da PGM de executivos da mineradora é a prova de que a sua inscrição no Cadin pegou todo mundo desprevenido.

É a primeira vez que a Vale tem sua razão social inscrita na Dívida Ativa da União.

Linha direta

O blog apurou agora a pouco que a inserção da Vale no Cadin estourou no momento mais impróprio para os interesses comerciais da mineradora. Exatamente quando sua diretoria trava disputa com poderosos clientes internacionais pelo aumento do preço do minério.
De tão grave o momento, Roger Agnelli escalou seu staf direto para sintonizar os contatos da área jurídica com a prefeitura de Parauapebas.
O próprio presidente da Vale mantém contatos telefônicos frequentes com Carajás.

E por falar em Cadin

O poster fica imensamente grato sempre que algum post de nossa autoria é reproduzido ou linkado pelos colegas da blogosfera. Até agora, tem sido de exemplar ética a inter-relação dos inúmeros parceiros a trafegarem diariamente nesses espaços internéticos.

Em razão desta co-existência pacífica ( e leal), não repercute legal terceiro pegar o vácuo de alguma nota postada aqui ou alhures, apoderando-se dela como seu fosse o furo.

A suíte é um necessário recurso para universalização da informação com seus detalhes e desdobramentos, desde que a origem da notícia seja respeitada.
E aqui, tão fácil fazer isso... Basta lincar uma palavra!
O Juvêncio tem nos ensinado a usar a blogosfera dessa forma. Parece falta algum aluno ser mais atencioso.
Ou falta mesmo é cobrança pública da esperteza?

One man show

Quase todo dia Juvêncio Arruda desfila o Quinta Emenda arrasando de cima a baixo.
De bom tamanho, às vezes até passando dos limites de bom.
Ontem e hoje.

Balas esperam por Maria

Moradora de um projeto Agroextrativista de Nova Ipixuna e integrante do Conselho Nacional dos Seringueiros, Maria do Espírito Santo da Silva está ameaçada de morte.

Ano passado o poster denunciou o risco da ambientalista ser assassinada.
Ela mobiliza trabalhadores rurais, por isso mesmo incomoda interesses. Principalmente de madeireiros.

Organizar trabalhadores rurais, sem-terras, bóias-frias, seringueiros, isso incomoda estruturas de poder.

Maria incomoda.

Ela quer ajudar pessoas a criar melhores condições de trabalho.

Assustadoramente, cada dia fica mais evidente a defasagem entre as demandas da sociedade no mundo agrário e a capacidade de reação e antecipação do governo às atividades criminosas. A vontade política aparece quando acontece uma tragédia. Dificilmente se antecipam a algum tipo de ação.

O Estado está sempre a reboque dessas coisas.

A mobilização só ocorre com intensidade quando o sangue se espraia, como na morte de Chico Mendes, Eldorado do Carajás, assasinato de irmã Dorothy Stang, entre outros casos não menos insanos.

Nessas horas, o mundo todo se volta contra o Estado do Pará, as cobranças se multiplicam Planeta afora.

Espera-se sempre uma reação preventiva de efeito positivo, que não vem. E a história prova que a maioria dos casos trágicos recrudesceu pela falta de antecipação aos acontecimentos.

Especificamente em Nova Ipixuna, existe a questão da exportação ilícita da madeira e de suas variantes perversas. Há uma disputa muito forte de espaço entre grandes corporações lícitas e ilícitas.

Maria do Espírito Santo da Silva, no meio da boiada, corajosa, líder de pequenas comunidades, com a vida a fio.

domingo, janeiro 27, 2008

Eu preciso dizer que te amo

No amanhecer escuto no rádio o desbocado locutor de notícias policiais gritar literalmente o assassinato de uma jovem de 19 anos. Um tiro certeiro à altura do coração desferido pelo namorado da vítima.
O fato aconteceu em Novo Repartimento.
Mais uma jovem vida extinta -, sensacionaliza o destemperado moço ao microfone.
Depois solta a entrevista feita na delegacia com o criminoso:

- Eu a matei por ciúmes, ela me fazia ciúmes e aquilo me maltratava. Não sei o que deu em mim que decidi dar um tiro. Foi raiva. Foi por amor. .

“Foi por amor”.
Mata-se por uma manga.
Mata-se por uma divida de R$ 20,00.
Mata-se por amor.

Quando se ama algum, é prazeroso falar de seu amor para a pessoa amada. Mas quando não se gosta, dificilmente sai a expressão eu não te quero mais.
Falar desse modo causa rejeição, ofende?
Dizer ou não que se ama ou não se quer alguém, esse deveria ser o caminho natural de uma relação.
O amor não pode ser uma condenação perpétua. Fica-se com alguém enquanto não se descobre o fim de sua ludicidade. Porque o encanto quando acaba, acaba a pulsação.

Lembro de uma grande paixão em minha vida, a partir dos meus 18 anos. Forte demais, até surgir Sonia.
Um dia, ao descobrir a inexatidão do amor, entrei em desespero shakespeareano.
Sentia-me como um dependente de drogas de quem se tirava subitamente o “barato”.
Síndrome de ausência.
Por um bom tempo, foi custoso recuperar o estado clínico.
Foi nessa fase que ouvia compulsivamente Danilo Caymmi e Ana Terra cantarem:

Se um dia você for embora
Não pense em mim
Que eu não te quero meu
Eu te quero seu.

Se um dia você for embora
Vá lentamente como a noite
Que amanhece sem que a gente saiba
Exatamente
Como aconteceu

O ciúme do rapaz tirou a vida da garota de 19 anos.
Um tiro em seu coração.
Amor enterrado por ciúme. Como em Othelo.

Olhando bem, desde pequeno ouvimos isso de antepassados: quem não sente ciúme não ama.
Também, bem cedo, somos educados ao machismo.
Por isso o ciúme como motivo forte desencadeador de trágicos e feios desfechos amorosos.
Principalmente quando o ciúme parte de uma relação autoritária -, a violência deságua.
Não querer morrer de amor. Nem ficar louco a ponto de matar o objeto de amor.
Quem sabe, sofrer toda a dor possível no amor sem envolvê-lo na morte dos destemperados.
Sentir a dor do ciúme sem perder a razão nem destruir aos outros.

Penso ser perfeitamente possível viver de amor sem ciúmes.
Defender-se dos riscos de aprisionar o amor, e não dos riscos do próprio amor.

À loucura do ciúme, à tragicidade da morte – viver ludicamente a paixão.

Canções que você fez pra mim

Minona Carneiro foi um dos maiores cantores de embolada, em suas andanças pelo agreste nordestino.
Também é responsável por ter incentivado Manezinho Araújo a aprender o gênero e transformar-se no maior divulgador de uma das formas mais criativas de música brasileira.
O embolador, inspirado nos versos de cordel, usa temas diversos para narrar fatos de forma bem alegre e cheia de humor.
O embolador é um cronista.
Manezinho Araújo, o maior deles.
Tivemos também o alagoano Jararaca, que formou famosa dupla com Ratinho.
Antes, porém, compunha emboladas e as cantava.

De Jararaca, a embolada "Sapo no Saco" ganhou engraçada (e gostosa) interpretação de Pedro Miranda, ex-integrante do grupo Semente que acompanha Teresa Cristina em suas gravações.

O primeiro disco recém lançado, “Coisa com Coisa”, é especial. Confirma tudo o que se falava do jovem cantor e percussionista.

Seguro o balanço do sambista cantando com intensa simplicidade – certamente inspirado em seus ídolos e mestres.





O Sapo no Saco
(Jararaca)

E era o sapo dentro do saco
E o saco com o sapo dentro
E o sapo fazendo papo
E o papo fazendo vento

Eu agora vou falar é desse noivo
Zé Perneta
Que era vesgo de uma perna
E de um olho era maneta
A noiva fazia mala, ele fazia maleta
Ela tocava trompa
Ele tocava trombeta

Ele escrevia de lápis e a noiva de caneta
A noiva cortava vara
Ele tocava vareta
Ela dormia no carro
O noivo na carreta
Ele fazia carinho e ela fazia careta

No dia do casamento, na casa do Zé Fulo
Agora que vou dizer
Aquilo foi um horror
Os dois se recolheram e ele logo estranhou
Ela foi se desmanchando e ele logo se espantou


Ela foi tirando um olho, depois um braço tirou
Arrancou a cabeleira, ele aí se apavorou
Ela ai tirou uma perna, ele aí logo gritou:
- Minha filha, minha noiva, vê pra mim o que sobrou

Jogando pião, fazendo ‘troca-troca’...

De Chico Buarque, Pedro Miranda comparece no CD regravando "Doze Anos".
Quem teve infância, mergulha no túnel do tempo.
Um 3 X 4, brincadeiras ingênuas dos tempos da fruta no pé, jogando pião e botão, ou repetindo hábitos de antepassados – gestos politicamente incorretos de passarinhar com uma baladeira.
No solo da música, o sax e a maravilhosa flauta do experiente Eduardo Neves nos levam aos céus. É o diferencial.



Essas lindas Mulheres

Já ouviu falar de Dorinna?
Mariana Bernardes?
Nise Carvalho?
Luciane Menezes?
Se já ouviu, parabéns! Estar antenado com o que há de melhor no samba de qualidade, faz parte também.

Dorinna colocou dois discos no mercado. Adora gravar Almir Guineto.

Mariana integra o conjunto Garrafieira. Para completar, filha do saxofonista e flautista Marcelo Bernardes .
Da novíssima geração surgida nos bares dos Arcos da Lapa. A nova Lapa repaginada.
Fera, a garota.

Vocalista do grupo Sururu na Roda, a afinadíssima Nise Carvalho deixa o couro comer interpretando Amor à Natureza, do Paulinho.

Elas se integram ao time que já tem Teresa Cristina e Maria Rita, sambistas que miram no passado, acertando o futuro.

Faz assim.
Se por outro lado, não conheces, busca essas meninas por aí.
Numa loja de discos ou pela Internet.
Joga mais sementes no repertório de tua casa.

Tipo assim ouvindo Teresa Cristina falando da força do desejo.

Desejo contido nos olhos.
Num toque de mãos.
Ou imensurável desejo de se rever amigo distante.
O desejo sem freio, escondido entre dedos dos pés, enfurecido com um simples toque.
Nas mãos ou na boca.
O desejo novo ou velho.
Porque, como diz Paulinho da Viola, o desejo é bom demais.

Bom domingo.




Mais que a lei da gravidade
(Paulinho da Viola/Capinan)

O grão do desejo quando cresce
É arvoredo, floresce
Não tem serra que derrube
Não tem guerra que desmate
Ele pesa sobre a terra
Mais que a lei da gravidade
E quando faz um amigo
É tão leve como a pluma
Ele nunca põe em risco
A felicidade
Quando chegar, dê abrigo
Beijos, abraços, açúcar
Só deseja ser comido
O desejo é uma fruta
E com ele não relute
Pois, quem luta
Não conhece a força bruta
Nem todo mal que ele faz
Satisfeito, é uma moça
Sorrindo, feliz e solta
Beije o desejo na boca
Que o desejo é bom demais