sábado, janeiro 26, 2008

Acertaram a Vale

Esta notícia oferece mais impacto do que o afastamento do prefeito Tião Miranda.

O CNPJ da Vale, ex-Companhia Vale do Rio Doce – foi inscrito na dívida ativa da União.

A poderosa Vale perdeu a batalha para a prefeitura de Parauapebas na ação que esta lhe vem movendo havia anos para atualização dos roialtes de minérios recolhidos a menos para os cofres do município que tem Serra dos Carajás em seu território.

O valor de atualização é da ordem de R$ 460 milhões.

Os desdobramentos dessa disputa são imensuráveis.

No exterior, o fato já estaria repercutindo.

Ainda no inicio desta tarde o poster tentou localizar a assessoria de imprensa da Vale em Belém, sem êxito.

Em Parauapebas, o efeito da inscrição do CNPJ da Vale na dívida ativa da União foi comemorado pelo prefeito Darci Lermen e sua assessoria jurídica.

Sabe-se que Darci contratou uma das mais conceituadas empresas de consultoria da área tributária, do Paraná, autora do levantamento e análises que levaram ao desenvolvimento com êxito da ação.

Marabá, próxima vítima

De acordo com informação colhida da mesma fonte, a prefeitura de Parauapebas quer rever também valores em roialtes creditados indevidamente pela Vale à prefeitura de Marabá.

Sentença dessa outra ação deve estar sendo publicada agora em fevereiro.

Dizem que é altíssimo o valor da grana a ser reposta pela prefeitura de Marabá à prefeitura de Parauapebas.

Corrigida a cobrança dos roialtes, a arrecadação de Marabá cairá significativamente na mesma proporção em que aumentará a receita do vizinho município.

Guerra à vista

Consumada essa disputa jurídica patrocinada pela prefeitura de Parauaebas, estará definitivamente declarada guerra a Marabá. A avaliação foi feita por importante assessor de Tião Miranda e dois empresários ouvidos agora a pouco.

A partir da gestão de Darci Lermen, as escaramuças por delimitação de poder na região ficaram bastante delineadas. Sempre com o prefeito do vizinho município à frente.

Com a posse de Ana Julia, o prefeito de Parauapebas, dizem as fontes, passou a adotar postura de “líder natural” das iniciativas político-administrativas na região, apadrinhando pleitos de colegas e cabalando a migração dos grandes investimentos para seu território.

Começou com a tentativa de tentar esvaziar o Distrito Industrial de Marabá apressando-se em instalar um DI no Pebas. Com muita pompa, lançou a pedra fundamental do empreendimento, concedendo inclusive licença para as primeiras empresas ali se instalarem, sem cuidar primeiramente de realizar audiências públicas para obtenção do EIA-Rima.

A batalha pela implantação do DI continua a todo vapor, não obstante o desrespeito às normas básicas da legislação ambiental. E com os avais do Ibama e Sema, que não se atreveram, até agora, colocar a colher na questão.

Ao ser eleito presidente da Amat, Darci Lermen pousou de primeiro-ministro do Governo Estadual no Sul do Pará. Conseguiu a proeza de afundar ainda mais a associação que mais poder amealhou no Estado, em temos não muito distantes.

Atualmente, a Associação dos Municípios do Araguaia-Tocantins é uma pálida instituição a oferecer exatamente nada aos prefeitos associados.

Definha a cada dia.

As conseqüências dessa disputa megalomaníaca de Darci Lermen são estimadas.

Como ele, o prefeito, não tem jogo de cintura para agregar forças políticas representativas ao seu entorno, corre o sério risco de expor Parauaebas numa guerra de proporções perigosas e criar um batalhão de cabeças pensantes unidas todas contra os interesses do município.

Em Marabá, uma elite bem articulada, que despertada para o jogo de poder exercitado por Darci, começa a se mobilizar.

Daqui a pouco, pelo menos dezenas de municípios estarão seguindo os ventos soprados a partir de Marabá.

Cidade contra justiça

O poster nem bem colocou os pés na cidade, nste sábado, sentiu a reação inflamada da população em relação ao afastamento de Tião Miranda (PTB) da prefeitura de Marabá.
Direto pro Bar do Chico, almoçar gostosa galinha-caipira que o Juvencio Arruda tanto adora, a efervescência ali era geral.
Ninguém assimilando a decisão da juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati.

Depois do almoço, um giro pela cidade, na orla, bares da Nova Marabá, Terminal Rodoviário, Km 6, av. Nagib Mutran, o papo não estava diferente.

De repente, o blogger passou a temer pela segurança da juíza.

Há um sentimento de revolta nos cidadãos.

Fica difícil, para leigos, gregos e troianos, entender as seguintes imagens:

1- Ministério Público pede o fechamento dos abatedouros clandestinos de carne bovina, que são fechados; alguns dias depois, a juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati concede liminar para abertura das pocilgas transmissoras de todo tipo de doença -, chegando a ameaçar prender agentes sanitários que tentassem fiscalizar os açougues vendedores de produtos originários dos criatórios de enfermidades contagiosas.
Ou seja, fica a convicção geral do desejo da juíza em ver a população consumindo carne suspeita, em favor de dois comerciantes do setor de abate.

2- O prefeito de Marabá é afastado do cargo, pela juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati, pelo fato do mesmo ter repassado à Polícia Militar R$ 240 mil para atendimento à estrutura de segurança públicas nos distritos e vilas mais importantes do município.

Independente do que esteja escrito nos autos, não cabe na cabeça de Marias e Joãos que alguém seja apenado ao dar sua contribuição para melhorar a área que justamente mais vítimas vem fazendo no Sul do Pará: segurança pública.

Este post situa a questão nos limites do calor popular. Nada mais que isto. A avaliação da juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati é a pior possível. A população de Marabá, em questão de dias, criou imagem péssima da magistrada.

Por isso, acima, o alerta do blogger quanto seu temor em relação a segurança física da autoridade.

Estratégia de Inocêncio

A defesa de Tião Miranda, nesta segunda-feira, recorrerá junto ao Tribunal de Justiça do Estado, com pedido de suspensão de liminar diretamente a presidencia do TJE.

Fundamentos do advogado Inocêncio Mártires:

Incompetência do Juízo:
Reconhecido pelo STF ações de improbidade administrativa envolvendo prefeitos deverá ser processada originalmente e privativamente no TJE do respectivo Estado;

Impossibilidade jurídica no afastamento:
Afastamento previsto na lei de improbidade administrativa, e invocada na decisão da juíza Aldecy de Souza Pissolati, “não se aplica a agente político, mas sim, somente a servidor público”.

Decisão fora do pedido:
Segundo Inocêncio Mártires, o Ministério Público não formulou em sua denúncia o afastamento do prefeito, “assim a decisão é tecnicamente nula”.

Surpresa e espanto

Quando o blogger localizou o prefeito Sebastião Miranda no inicio desta tarde, pelo celular, aparentemente, ele estava tranqüilo.
Não deixou, todavia, de registrar seu descontentamento e surpresa com a decisão judicial.

- Os recursos foram repassados através de convênios assinados com associações de moradores dos distritos e povoados beneficiados com os R$ 240 mil. São lugares esquecidos, que não tinham nenhum tipo de segurança. As próprias associações administram o dinheiro fornecendo mantimentos e todo tipo de benefício aos policiais militares. Sempre pautei minha relação com a polícia nesses limites. Nunca fui nem a solenidade de passagem de comando de militares, e nunca visitei sequer uma delegacia de policia.
A decisão da juíza é terrivelmente equivocada.

Do mato pra cidade

Os distritos e vilas beneficiados pelos convênios de R$ 240 mil, assinados pela prefeitura com as associações de moradores, são Vila União, Brejo do Meio, Vila Santa Fé, Capistrano de Abreu e Vila Itainópolis.
Pelo telefone, o poster conseguiu falar agora a pouco com Arnaldo, da Associação de Brejo do Meio; e Maria de Lourdes, da Associação de Vila União.

O que disseram:

Arnaldo:Depois que assinamos o convenio com o Tião Miranda, passamos a ter mais segutrança aqui na Vila. A Polícia Militar nunca mais deixou de mandar efetivo policial pra cá, e a alimentação e transporte deles agora não faltam. Essa decisão dessa juíza é um afronta ao povo e aos nossos direitos. Vamos levar a comunidade de Brejo do Meio pra frente do Fórum de Marabá. Não aceitamos essa injustiça com o Tião.

Maria de Lourdes:Essa juíza não pode fazer isso. Nós temos um convenio com a prefeitura de Marabá que nos permitiu assegurar a presença da Polícia Militar em nossa comunidade. Só depois que recebemos esse apoio do prefeito de Marabá, a segurança melhorou aqui.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Tricotando on line

Arroyo, do Gabinete da governadora, anda falando demais ao telefone.
Coisas que nao deve falar.
E, principalmente, com quem não deve falar.
Não é mesmo, Arroyo?!

Made In Carajás

Está nos jornais:

O Pará ganha destaque como uma das rotas do tráfico de mulheres para prostituição no Suriname, Guiana Francesa e Europa.

Principalmente trancafiadas na Espanha e França, as preferidas são garotas de Redenção, Marabá e Jacundá.

Homem da grana

Tião Miranda e João Salame almoçavam na Estação das Docas, na tarde de ontem, acompanhados dos deputados Junior Hage e Adamor Aires, quando chegou o deputado Asdrúbal Bentes.
O deputado estadual do PPS cumprimentou o federal dizendo que naquele momento estavam falando no nome dele.
O prefeito de Marabá completou:

- Estava contando aqui que terminei de assinar mais um convênio de R$ 1 milhão conseguido por você para Marabá, Asdrúbal.

Pronto pra guerra

A direção estadual do PMDB comemora a conclusão do trabalho de organização do partido nos 143 municípios paraenses.
Jader Barbalho esteve à frente da operação durante os últimos meses.

A estrela pisca

Darci Lermen deve estar comemorando os números positivos de duas ultimas pesquisas realizadas em Parauapebas.
A máquina trabalhando começa a surtir efeito.

Área livre

Há anos o poster é amigo de um delegado de polícia da mais elevada seriedade.
É dele a garantia de que o efetivo da Polícia Civil, de modo geral, absorveu com tranqüilidade as nomeações de Geraldo Araújo e José Sales para o comando da Secretaria de Segurança Pública do Pará.
Os descontentes, diz, serão sempre os descontentes.

Terra de ninguém

Colonos da região de Vila Santa Fé, localizada no km-75 da estrada municipal Rio Preto-Aquiri, neste município, estariam sendo instados a vender suas terras por conta da construção de uma barragem no rio Itacaiúnas, obra da Vale. Fala-se também que uma estrada pavimentada ligará Vila Santa Fé ao vizinho município de Parauapebas para escoamento do cobre retirado das minas do Salobo, em Marabá. Primeiro caso, aparentemente nenhuma consulta pública foi realizada sobre o represamento do Itacaiúnas, nem nada foi divulgado sobre a implantação de obras neste município que vão gerar emprego e renda lá no vizinho Parauapebas.

A Vale, com a palavra.
Pelo menos para dizer se tem ou não alguma coisa a ver com a rolha no Itacaiúnas, como conta o Quaradouro.

Na boutique dele

Somente ontem à noite o blogger leu parte do depoimento do auditor do TCM Luís Fernando Gonçalves da Costa, reproduzido pelo Diário do Pará na quarta-feira, 23.
O patrimônio do auditor impressiona, considerando a faixa salarial paga a um profissional de seu nível no tribunal.
Está lá:

Cinco veículos, dois apartamentos em Belém, um em Fortaleza, uma casa em Mosqueiro e outra em Salinas, além de cinco salas comerciais na avenida Santo Antônio.

Como sempre ocorre nessas paradas, Luiz Fernando diz que herdou grana preta do papai, na faixa de R$ 5 milhões.
Ah, bom.

Enquanto isso em Goiânia...

Jornalista Neilton Gomes Carneiro, no Diário da Manhã, de Goiânia, edição 18 de janeiro, publica artigo “Carajás é Preciso”.

“Carajás” e “minérios” são as duas palavras que mais se pronuncia no Sul do Pará. De Conceição do Araguaia a Marabá, de Xinguara a Tucumã, de São Félix do Xingu a Parauapebas só vê moradores eufóricos com as novas descobertas de ouro e níquel e otimistas com a possibilidade de divisão do Estado. A presença de supostos representantes da Vale vasculhando as serras amplia ainda mais a expectativa de que a região será uma espécie de Eldourado para um mundo que mais consome ferro do que a natureza foi capaz de produzir. Os sintomas dessa febre começam a aparecer. O preço dos imóveis mais que dobraram nos últimos anos. O valor dos aluguéis explodiram. Hotéis e pensões estão lotados de forasteiros.
Em Xinguara, por exemplo, o preço de um lote no paupérrimo e poeirento Setor Marajoara saltou de R$ 1 mil para R$ 15 mil em dois anos, segundo o motorista de ambulância Edmilson Sousa. Na pacata Água Azul do Norte, a comerciante Ivanilde Cordeiro diz que refugou R$ 50 mil por uma chácara adquirida por R$ 3 mil dois anos atrás. Em Parauapebas, cobra-se R$ 900 reais por uma salinha de cabeleireiro na avenida principal, de acordo com informação do comerciante Cleyton Alencar, mesmo preço de um espaço similar na Avenida 24 de Outubro, em Campinas, uma das mais movimentadas de Goiânia. Em Tucumã, o prefeito Alan Azevedo paga quase R$ 2 mil de aluguel em uma casa comum de 200 metros quadrados.
Os minérios são apenas um dos combustíveis do otimismo do Sul do Pará. Começou uma corrida também pelo gado, com instalação de grandes empreedimentos, como frigoríficos (já são dois só na pequena Água Azul). Tudo isso gera emprego, que atrai gente de todos os cantos do País.
CaraJÁs!, pedem adesivos fixados em caminhonetes último tipo, carros velhos, motos e bicicletas. O prefeito de Xinguara, Davi Passos, professor que escreve sua tese de doutorado nas horas vagas, é um dos que trazem o adesivo pregado no veículo. “O Carajás sai em oito a dez anos, um dia sai”, garante. O mesmo adesivo enfeita a caminhonete do prefeito de Tucumã. A riqueza mineral que enriquece a região, no entanto, também atrapalha. O comerciante Avilton Marques, de Tucumã, argumenta: “A independência do Tocantins, um Estado pobre, demorou 200 anos para acontecer. Precisamos urgente da independência, mas sabemos que não será fácil, o Pará não vai abrir mão do ouro, do ferro e do níquel de Carajás”.
O Carajás é mesmo uma necessidade urgente. As cidades do Sul do Pará não contam com a infra-estrutura mínima, como água tratada e asfalto. Esgoto? Só a céu aberto, que é mais cheiroso. Agora, com a intensificação da campanha pela independência, a governadora Ana Júlia começou a liberar obras de pavimentação. Os 20 quilômetros de asfalto destinados a Xinguara vão ajudar a garantir a reeleição de Davi Passos. É que, antes do atual prefeito, somente um pequeno núcleo da cidade contava com pavimentação.
Conceição do Araguaia tornou-se uma cidade fantasma por falta de investimento estadual e como conseqüência de sucessivos maus prefeitos, nem de longe fiscalizados. Enquanto as rodovias do vizinho Tocantins estão tinindo de novas e boas, a PA-150, que liga o Sul do Pará a Belém, está esburacada, sem acostamento, com o mato invadindo a pista e pontes nas quais passa apenas um carro de cada vez. A comparação é inevitável e só aumenta o desejo de independência. Na cabeceira de uma dessas pontes assassinas, uma homenagem ao popular juiz de Direito Manoel Costa, morto em um acidente automobilístico em 2004. Apesar da vítima importante, a ponte só não está do mesmo jeito porque piorou.
A segurança perde de dez a zero para a violência onde vai nascer o Carajás, placar impulsionado inclusive pelas questões fundiárias. Foi nessa região que ocorreu o massacre de 19 sem-terra nas proximidades da cidadezinha de Eldorado dos Carajás, entroncamento das rodovias que dão acesso a Marabá e a Parauapebas. É lá que mora a maioria dos homens e mulheres marcados para morrer, como foi a doce freira Dorothy Stang e o é o frei Henri de Roziers. Frei Henri, que mora numa casa simples de muro baixo e sem cerca elétrica, está na mira dos gigantes do latifúndio. Seu pecado mortal foi descobrir que parte das fazendonas do Pará não tem título de propriedade, argumento que abre as porteiras das ocupações do MST.
A macabra freqüência dos assassinatos e assaltos cometidos por motociclistas inverteu a norma de trânsito que ordena o uso de capacete. Lá, quem usa é suspeito que provoca medo – se tiver a má sorte de passar pela polícia, fatalmente será parado e revistado. As cadeias estão superlotadas e o policiamento é insuficiente. Na segunda-feira, 7, ocupantes de duas motocicletas “tocaram o terror” em chácaras nas imediações de Xinguara. Apesar da violência e do número de vítimas, a polícia sequer pôde comparecer ao local do crime por absoluta falta de contingente. Tinha coisas mais importantes para fazer – no dia seguinte à denúncia, o filho de um conhecido ex-prefeito de Rio Maria, Adilson Laranjeira, denunciado pela morte de sindicalistas, havia sido assassinado a tiros.
As estradas boas e a melhora na prestação dos serviços públicos conquistadas pelos tocantinenses após a divisão de Goiás exercem grande influência sobre os ativistas do Carajás. Eles acham que serão capazes de construir um Éden com o dinheiro do minério farto que garante o desenvolvimento do Brasil e dá uma força até ao macro crescimento da China. Por enquanto, parte do empresariado responde com sonegação à indiferença do governo de Belém. Quer ver um vendedor de cara amarrada? Peça nota fiscal. É que o dinheiro não volta em forma de obras. A identidade com Belém é zero: fala-se muito mais em Goiânia, onde os mais endinheirados cuidam da saúde e fazem compras.
É preciso, sim, dividir a Amazônia, antes que americanos, judeus e europeus venham ocupá-la. Criar Carajás e outros estados na região amazônica, e desenvolver neles um modelo de desenvolvimento sustentável, deve ser parte de uma política de defesa da soberania do território nacional, do crescimento econômico do Brasil, do desenvolvimento regional e social. O resto é conversa de gente que só pensa no poder, não gosta do País e não se importam com as pessoas.

* Neilton Gomes Carneiro é advogado e foi editor de Política e Justiça do DM

Sábado à tarde

Atualização agora somente amanhã, sábado. Viagens do titular do blog o afastam 24 horas de sua base.
Bom final de semana.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Mochileiro navegante

Uma capelinha abandonada sugere que melhores tempos já teve a religião neste trecho, que fica perto de Jambu-Açu, onde chego logo depois.

Agradável, sob qualquer prisma, a narrativa do Alencar em sua triunfal caminhada pela rota da Estrada de Ferro de Bragança.
Em cada lugar, uma nova emoção, novas caras & costumes.

Dá inveja esse percurso que o blogeiro faz.

116 anos de casamento civil

Há exatos 118 anos, como uma das principais conseqüências da Proclamação da República, que propiciou a separação entre Estado e Igreja Católica, o Decreto 181, de autoria de Ruy Barbosa, e promulgado no dia 24.01.1890 instituía o casamento civil no Brasil, como o único ato válido para a celebração de matrimônios.

Por este decreto, que causou alvoroço entre a população católica, principalmente nos meios rurais, instituiu-se o casamento civil, negando-se efeitos civis ao matrimônio realizado perante a Igreja, ou seja, em face da Lei, o mero casamento religioso passou a gerar apenas concubinato. A partir do regime republicano, o catolicismo deixou de ser a religião oficial e com isto tornou-se necessário mencionar o casamento civil como o vínculo constituinte da família brasileira.

Desde então, o casamento civil passou a fazer parte da vida da população brasileira e hoje em dia, ao contrário do que muitos imaginam, seu crescimento é vertiginoso, ano após ano. Visto como um contrato de reconhecimento civil entre duas pessoas, com papel fundamental na formação da instituição social maior, a Família, para a grande maioria dos brasileiros, o casamento civil é a melhor escolha no momento do pacto nupcial.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Brasil
De lá pra cá, a instituição entrou em decadência?
Segundo as Estatísticas do Registro Civil de 2006, divulgadas pelo IBGE, o número de casamentos registrados no Brasil vem aumentando. Nos últimos 10 anos, houve um crescimento de cerca de 21%. De 2005 para 2006, o aumento de casamentos registrados no Brasil foi de 6,5%.

Paraquedistas

Nas eleições de 2006, os deputados federais Zé Geraldo (PT) e Gerson Peres (PP), tiveram em Marabá, respectivamente, 7.380 votos e 4.513 votos.
Com tantos eleitores, esses dois parlamentares poderiam enumerar o que levaram de benefícios para o município, até agora?

Desatar cintos

No RD de hoje, Diário do Pará:

Novos aeroportos
Totaliza R$ 19,4 milhões o investimento que a Infraero vai fazer nos aeroportos de Santarém e Altamira. Para Santarém, serão R$ 10,3 milhões, dos quais R$ 1,6 milhão aplicados, este ano, no novo terminal de passageiros. Mais R$ 8,7 milhões vão, em 2009, para a modernização de todo o aeroporto. Já Altamira terá R$ 9,1 milhões, que começam a ser liberados ainda este ano. Lá, só na recuperação da pista de pouso e decolagem, serão investidos R$ 8,3 milhões. Palavra da Infraero.

E o aeroporto de Marabá?!
Está faltando representação política para tirar a grana a fórceps?

O Pará que funciona

Poster nutre extrema admiração pelo trabalho e a figura humana de Noé von Atzingen, presidente da Casa da Cultura de Marabá. Tudo o que ele faz na instituição é bem feito.

Agora mesmo o blog recebe comunicação do reconhecimento do Museu Municipal, edificado pelo biólogo, como entidade museológica nacional integrada ao Sistema Brasileiro de Museus.

Depois de notícia tão gostosa como essa, melhor mesmo só passar um final de semana na floresta do Noé, maravilhoso sítio onde ele mora reflorestado a partir de uma área degradada.

O cientista levou vinte anos para concluir seu belo projeto, localizado na zona rural de Marabá, em Murumuru.

Cercado de açaizais recuperados, o lugar paradisíaco é uma intensa floresta onde o silencio pleno só não existe porque sons de pássaros e águas correntes permeiam a natureza recomposta.

Noé von Atzingen é um eterno construtor de belezas.

Para prefeito, Noé.

Massa fedorenta

Por onde anda o prefeito de São João do Araguaia deixa coco.
Sem medo de errar, Marisvaldo Campos (PDT) é o pior prefeito do Pará.
De longe, ganha o de Brejo Grande.
O gabiru transformou-se na Geni regional.
Descobriram mais uma canalhice do bacurau: em sua gestão o município acumula dívidas da ordem de R$ 1 milhão à Celpa.
R$ 1 milhão, para uma célula do porte de São João, representa seu orçamento anual.
Marisvaldo quebrou o município. Literalmente
Pior é a Câmara Municipal do lugar. Assiste a tudo sem mover uma palha para conter os saques, que ela certamente está ajudando a avolumar, omissa.

Dois mais três dá Tião

Sebastião Ferreirinha oficializou a pré-candidatura a prefeito, com aval presencial de Ademir Andrade (PSB).

Asdrubal Bentes (PMDB) trabalha dia e noite querendo encerrar sua carreira política na prefeitura.

Vereador Maurino Magalhães (PR) juramentou aos quatro ventos que desta vez vai à luta. Câmara Municipal, nunca mais pra ele.

Bernadete ten Caten, aclamada pré-candidata do PT, já colocou o bloco na avenida.

Afora os nomes citados, surgem outros de bagagem menor.

Quer saber?

Com mais de dois candidatos, Tião Miranda faz seu sucessor sem fazer campanha.
Que pode ser Ítalo Ipojucan ou João Salame.

Ou ele tem outro nome?

Cheiro forte da poeira

Há quase 500 mil homens a mais do que mulheres no Pará. A estatística pode provocar brincadeira, mas é, antes de tudo, o quantitativo de uma tragédia. São cidadãos que abandonam sua terra natal, onde deixam as famílias, para aventurar uma situação melhor no lugar que lhes é apresentado como um Éden, ou pelo menos um campo aberto a novas possibilidades, que se acham interditadas na origem. Há muita coisa acontecendo no interior do Pará, quase sempre grandiosa. Imagina-se que esses “ grandes projetos” abram possibilidades para todos. Não por acaso o Pará é o terceiro principal destino migratório do país.


Fragmento do artigo Pará: campeão de problemas, da lavra de Lúcio Flávio Pinto, no Jornal Pessoal, parágrafo sintetiza a visão sempre atualizada do jornalista sobre nossos dilemas interioranos.
O poster costuma comentar com os mais chegados a necessidade de grande parte dos profissionais de imprensa da capital andar um pouco o Pará, sentindo suas curvas e retas.
São raros os que fazem isso.
A dimensão de nosso território, suas demandas e conquistas, precisam ser compreendidas.
Olhando puramente de Belém, os coleguinhas jamais distinguirão entre miragem e realidade.
Como diserta no artigo, Lúcio, conhecedor, sim, de cada canto desse chão.

Sai de baixo

Aguarda-se para a próxima semana decisão da Justiça sobre o pedido do Ministério Público para interdição da carceragem de Parauapebas. O prédio não oferece nenhum tipo de segurança.
Se balançar pouco mais, vai ao chão.

De onde vem o motosserra

João Lima reage, em comentário ao post "Visão antagônica":


Visão antagônica ou constatação da realidade?
A atividade florestal na Amazônia, pelo menos nos últimos quarenta anos, obteve vários sinônimos, mas estes foram muito mais ligados aos efeitos do sistema do que aos seus processos ou até mesmo às suas causas. Na verdade, como acontece na maioria das vezes, trata-se o problema desmatamento, por conveniência ou por falta de conhecimento, com uma simplicidade e superficialidade desproporcionais à gravidade da situação. Quem desmata a floresta amazônica nem sempre segura o machado ou acelera a motosserra. Muitas vezes, o desmate de vastas áreas de floresta tem suas origens em outros lugares e não necessariamente na floresta.
A evolução chegou a tal ponto na Amazônia que hoje existem pequenas unidades de produção familiar espalhadas por um amplo território que se denominou de “fronteira” onde o campesinato foi se instalando a partir de políticas de integração. O Estado tem funcionado como o principal indutor do desmatamento, através de grandes projetos, aberturas de estradas, sem que, no entanto, fosse realizado o devido planejamento estratégico dessa ocupação territorial, que culmina em um paradoxal estado de desenvolvimento, devendo-se considerar a necessidade de reconhecer o desmatamento legal como uma forma de alcançar o desenvolvimento sustentável (Alencar et al., 2004).
Essa ocupação nem sempre se estabeleceu considerando a principal função estrutural da madeira. A madeira que é um precioso bem florestal, amplamente utilizado pela humanidade, apesar de haverem outros que a superam em várias qualidades, ainda estará presente no mercado por um longo tempo (Lino et al., 2005). É por essas e outras razões, que muitos na Amazônia viveram o fenômeno do “sol vermelho”, quando observavam o sol através da fumaça espessa oriunda das queimadas, que lançaram toneladas de gases na atmosfera. Geralmente os fatores socioeconômicos que resultam na conversão de florestas em outros tipos de uso da terra não são considerados no desenho de ações governamentais de combate ao desmatamento (Alencar et al.,2004), como se observa com a produção da mandioca no Brasil que chegou a gerar quase R$ 5 bilhões em 2004, com cerca de 14milhões de toneladas produzidas, com produtividade média de 13,4toneladas por hectare no Brasil, que pode ser considerada baixíssima quando se observa a produtividade média do Estado de São Paulo que foi de 28,4 toneladas por hectare, por conta das diferenças tecnológicas, climáticas e de solo entre as demais regiões brasileiras em relação aquelas de São Paulo (Parreiras, 2007).

Os estudos publicados por Hébette (2004a) demonstram ao longo de uma análise de trinta anos que os processos políticos e os projetos de investimento e, principalmente numa visão mais política, as intervenções e incentivos através da ação do poder público por intermédio da legislação, foram importantes para a transformação da paisagem amazônica e tiveram profundos impactos sobre o campesinato e sobre as populações tradicionais, muitos deles negativos, como o êxodo rural, o desmatamento, a ocupação territorial desordenada e o trabalho escravo, sendo que algumas medidas propiciaram os grandes conflitos agrários, a exemplo do massacre de Eldorado dos Carajás.

É neste contexto que Andrade (2001) reconhece a importância do poder público como indutor do desenvolvimento sustentável na Amazônia e recomenda aos governos, estadual e federal, que definam claramente os pólos de desenvolvimento socioeconômicos e as suas vocações específicas, priorizem a elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), em escalas compatíveis para esses pólos, criem mecanismos capazes de incentivar a adoção de inovações tecnológicas aos processos de uso da terra e apóiem as atividades de pesquisa para o aprimoramento das práticas de manejo integrado no uso dos recursos naturais. As pequenas atividades rurais devem ter acesso a tecnologias produtivas e aos bens públicos e privados adequados para comercializarem seus produtos, sendo que os investimentos privados, melhorias tecnológicas e bens públicos requerem que as essas pequenas atividades rurais ganhem o bastante para que eles possam poupar, investir e pagar as taxas para o governo para que este último possa manter tais despesas (Barret, March 1-2, 2007).

Vale ressalvar que o Estado funciona como um indutor no processo de colonização da região Amazônica como aconteceu com a abertura da Belém-Brasília no processo de integração territorial à capital de Juscelino Kubitschek, de acordo com as análises de Hébette e Marin (2004), ou no que concerne a sua ação direta ou indireta e seus efeitos nos investimentos privados.

A ocupação territorial também é um fator que contribui de modo efetivo para os índices de desmatamento na Amazônia e conforme observado anteriormente poderá afetar as áreas sob regime de concessão, principalmente quando as forças indutoras do processo ocupacional são flagrantes, no caso da Amazônia. Esta região já não é mais como foi um dia. Quatrocentos anos atrás, ninguém monopolizava o solo; a terra era um bem comum; servia a todos para todos plantarem, caçarem e colherem as frutas (Hébette, 2004b). Lele et al. (2000) já observaram uma redução na taxa de desmate da região durante a década de 90, que era de aproximadamente 13.000km² ano-¹, sendo que as causas dessa redução eram ambíguas, pois apesar dos subsídios à expansão agrícola terem sido reduzidos, a agricultura cresceu devido à globalização, liberação das políticas de mercado, desvalorização da moeda e avanços tecnológicos, incluindo aumento das exportações e da lucratividade da agricultura.

Os retornos da agricultura são tão poderosos na Amazônia Oriental que a conversão de áreas tende a continuar mesmo se as políticas florestais forem modificadas para aumentar a lucratividade e a produtividade do manejo florestal Lele et al. (2000). Isso, no entanto, se potencializa quando se percebe na Amazônia um fenômeno sem fim sobre a migração e a necessidade constante de novas áreas resultante ou do êxodo dos filhos de agricultores, como é o caso constatado no início do Movimento dos Sem Terra (Hébette e Marin, 2004).

Assim, esses pequenos e pobres da Amazônia, na ponta do que, erroneamente, sob a ótica do autor, se chama de “garimpo”, poderiam ser os milionários ou “euronários” se as políticas fossem mais locais, através de um processo de descentralização em co-responsabilidade entre município, estado e União, sem atritos desnecessários.

Poderiam também ser os ricos capazes de gerar pagamento de taxas e impostos oriundos da renda do Carbono seqüestrado ou da neutralização de emissões se os CDM deixassem de significar “Chinese Development Measures”, já que praticamente só os chineses acessam os recursos disponíveis no mercado. Poderíamos vivenciar uma nova realidade onde o pequeno agricultor teria qualidade de vida, com uma renda advinda da regeneração natural ou induzida das suas áreas de preservação permanente ou da sua reserva legal de oitenta por cento.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

De novo, o Pará tem Idesp

Cláudio Puty denunciou discreta emoção ao declarar o contentamento da equipe de governo com a recriação do Idesp. Sua fala de abertura da solenidade revelou sentimento de dever cumprido. Afinal, ele esteve à frente de todos os encaminhamentos, a partir da fase de transição de Governo, quando a governadora anunciou disposição de recuperar a capacidade de planejamento do Estado através de renascimento do órgão.

Enquanto Puty resenhava o longo caminho percorrido até a tarde/noite de hoje, Ana Julia não parava de observar a imensa platéia formada por pesquisadores, professores universitários, praticamente todo o primeiro escalão de governo, empresários, dirigentes de entidades não governamentais, entre tantos outros.

De pé, o público aplaudiu demoradamente quando a governadora declarou o professor Roberto Santos patrono do evento. Sentado no auditório do CIG, o respeitado pesquisador foi encaminhado até a mesa, sentando-se ao lado de Carepa.

Minutos depois, Ana Julia prestou outra homenagem ao nomear a presença de Afonso Chermont, último presidente do Idesp até 1999, quando Almir Gabriel fechou a instituição.

Esses três momentos diferenciaram a solenidade de posse de Peter Mann de Toledo na presidência do Novo Idesp.
Que o pôster assistiu.

Pedaço da história
Poucas horas antes de Peter Mann de Toledo ser empossado, funcionários do CIG encontraram jogado em algum local do prédio a placa de inauguração do Idesp, datado de 1967, durante o primeiro governo de Alacid Nunes.
Com a extinção do órgão, em 1999, deram sumiço na placa.
Um documento histórico agora exposto ao público no hall principal do CIG.

Biografia
A academia estava em peso no auditório do CIG.
Alex Fiúza, Reitor da UFPA, atento aos pronunciamentos de Puty, Peter Mann e de Ana Julia, demonstrou ter gostado do extenso currículo do presidente do Novo Idesp, lido pelo cerimonial.

Futuro
No hall do CIG, depois da solenidade, Lutffala Bittar comentava com alguém sobre a importância de renascimento do Idesp. Para ele, em futuro não longe, a história reconhecerá o ato de Ana Julia.

Gol de quem?
Habilmente, Cláudio Puty fez uma pergunta pertinente, a propósito das razões que motivaram a extinção do Instituto:

- O que melhorou no Pará depois da extinção do Idesp?

“Rasteira”
O que deu mais trabalho para a recriação do instituto, disse Puty, não foi a sua formatação. Mas quem escolher para ocupar a presidência.
A Segov havia meses analisava vários nomes.
Um dia descobriu-se que Peter Mann de Toledo estava de malas prontas para assumir a secretaria Adjunta da Sema, a convite de Valmir Ortega.
“Praticamos essa traição com o Ortega”, disse Puty, ao formalizar o convite para o cientista trocar o Meio Ambiente pela presidência do Idesp.

Produzindo
O Novo Idesp foi instalado em ritmo de trabalho.
Nem bem Ana Julia declarou empossado Peter Mann, o presidente e a governadora assinaram com o Banco do Estado do Pará termo de doação ao instituto de acervo bibliográfico e de cooperação técnica.
O Museu Emilio Goeldi anunciou também a doação ao órgão reinstalado de acervo bibliográfico.

Sobriedade
Elegante e conciso.
O discurso de Peter Mann de Toledo deixou boa impressão.
Não se limitou a relembrar as produções de pesquisas confeccionadas no passado.
Avançou ao anunciar pretender colocar o instituto atuando na fronteira do conhecimento, aprofundando reflexões sobre o modelo de desenvolvimento idealizado pelo atual governo.
Peter foi enfático ao declarar o Idesp como parte do patrimônio intelectual do Pará.

"Exército de Napoleão"

Superada mais uma trincheira com a assinatura do contrato com a prefeitura de Tucumã, a companhia de saneamento e água do Estado do Tocantins avança em território paraense. Agora mira os municípios de Curionóplis e Marabá.

Quem deterá a Saneatins?

Quem sabe, a própria comunidade, com o tempo, ao perceber a prioridade do lucro nas ações da empresa. Quando o corte do produto ocorrer com a rapidez das águas em suas torneiras, a reação da comunidade baterá à porta.

O rio vai virar sertão

No domingo, o blogger percorreu de lancha o rio Tocantins, de São João do Araguaia a Marabá. Numa bobeira de esquecimento, a máquina digital não estava na bagagem para registrar o que já sabíamos, mas não com a dimensão constatada.

O assoreamento do valente rio modifica a cada inverno o cenário das suas duas extremidades.

No momento em que fazíamos o trajeto, ainda havia desmoronamento de barreiras e árvores provocado pelas fortes chuvas da madrugada.

Barro e areia levados de oitão, formando imensas crateras de até 50 metros pastos de fazenda à dentro.

Não apenas nas derrubadas feitas por fazendeiros.

Colonos vazanteiros também aprenderam a lição e repetem a tragédia. Na mesma escala dos grandes proprietários, porque em todos os lotes o assoreamento existe. De cabo a rabo.

Por isso o belo Tocantins, no verão, ameaça transformar-se num deserto. De lado a outro, sem que haja nesgas d´água para o ir e vir das embarcações.

Passivo ambiental

Bastou três enxurradas para as águas arrastarem tubulações abaixo centenas de garrafas pet. Resultado: a drenagem da Velha Marabá canalizadora das águas até o rio Tocantins (sem nenhum tipo de tratamento, diga-se) expôs uma desgraça antiga.

Quem passava na manhã de terça-feira,22, olhando cuidadosamente à parte inferior da orla dava de cara com imagem degradante de centenas de garrafas plásticas e de vidro povoando o leito do rio.

Em apenas um trecho da orla, degradação ambiental sem precedente. Imaginem a medição desse mal em toda a extensão da beira-rio, pegando todos os bairros da Velha e Nova Marabá, pelo Tocantins. E na extensão urbana do Itacaiúnas.

É o lixo produzido por uma cidade que cresce a assustadores índices de 9%.

Mais âncoras ao rio?

A primeira licitação engolida pela Delta Construções foi no valor de R$ 44 milhões.

Obras de recuperação da Pa-150, cujo trecho Moju-Marabá está quase concluído, mas necessitando de reparos em grande parte do asfalto recomposto no território de Tailândia.

Asfalto esfarelando, conforme denunciou ano passado a coluna do poster no Diário do Pará.

A segunda licitação papada pela Delta Construções foi homologada dia 10 de janeiro de 2008, no valor de R$ 11 milhões: pavimentação de 13 km da Pa-252, ligando a Alça a Acará.

No forno, agora, um edital no valor próximo a R$ 50 milhões. Esse é daqueles batizados pelos empreiteiros de 3 em 1. Diversas obras numa só licitação.

Por exemplo, nesse edital está incluído o asfaltamento das rodovias que ligam a Transamazônica a sede de São João do Araguaia; Transamazônica a sede de Palestina, além de outras em regiões diferentes.

Os iluminados fazem um bolo só, para uma única construtora sair pelo Estado recuperando e pavimentando rodovias.

Só que a “abençoada” (sempre há uma empreiteira ‘abençoada’), garantida a vitória na disputa, sub-contrata outras empresas para ajudá-la na árdua tarefa.

Seria mais ou menos assim a configuração da próxima.

E os ruídos se espalham. Ecoam fortemente.

Adivinha quem estaria de novo no corredor da Glória para abocanhar mais R$ 50 milhões?

Bingo!

De baixo pra cima

A legitimidade dos diretórios em confronto com resoluções do TSE.
Esse teor do comentário de Anônimo na esteira de sessão do TRE que julgou a cassação de uma vereadora de Rio Maria:

Eis que mais um mandatário perde a vaga por decisão do TRE-PA. Trata-se da vereadora MARCIA LOPES DO NASCIMENTO, de Rio Maria, por decisão unânime.
O julgamento, que tive a felicidade de assistir, chamou a atenção pela discussão de duas questões: a legitimidade dos diretórios municipais e inconstitucionalidade da Resolução do TSE.
Após os debates, o TRE-PA firmou entendimento pela Legitimidade dos Diretórios e Comissões Provisórias Municipais para pedir a decretação de perda da vaga junto aos TRE's e reconheceu também que não há inconstitucionalidades na Resuloção do TSE.
A decisão do TRE de reconhecer a Legitimidade dos Diretórios e Comisões Provisórias Municipais para pedir a decretação de perda da vaga junto aos TRE's deu frio na barriga em muitos mandatários que apostavam na tese de que somente os Diretórios Estaduais poderiam fazer tal pedido.
Esta tese utilizada por muitos mandatários era vista como uma solução paliativa, fazendo com que os INFIÉIS permanecessem nos cargos por mais alguns meses.

Visão antagônica

O que diz João Lima, adicionando comentário ao post Nos dentes de motosserras:


É verdade que existe esse avanço sobre a floresta. O que não concordo, todavia, é com a visão "garimpeira". Primeiro porque a floresta é renovável. Toda floresta tem um determinado grau de resiliência, coisa que o garimpo não possui, já que o ouro e até o petróleo não são renováveis.
Segundo, porque muito dos avanços não cresceram somente sob a pressão de quem, supostamente "garimpou" a floresta. Existe uma lacuna histórica da presença do Estado na região, como se constata até hoje. Outro fator importante é que a maioria das políticas públicas adotadas por determinados ministérios é completamente antagônica a outras adotadas por outros ministérios, como se verifica atualmente, considerando o conflito INCRA X MMA X MME, e por aí vai.
O que derrota a resiliência da floresta é a demanda sobre a matéria-prima cada vez maior, cuja retirada tanto em volume quanto em freqüencia, dado o número de espécies e produtos reduzidos, é muito maior do que a flroesta consegue regenerar. Alia-se a isso, a falta de políticas direcionadas ao saneamento do passivo ambiental, que se muito, na garantia de pleitos, a pobreza e a devastação ajudam a "garimpar" votos.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Hiato perigoso

O “buraco negro” surgido da demora da substituição de Vera Tavares na secretaria de Segurança está desarticulando ações de combate à violência. Principalmente no interior, onde prevalece a insegurança psicológica dos servidores.
Como não sabem se ficarão em seus cargos com a troca de comando na secretaria, os delegados perderam o time.
E a bandidagem ganhou mais fôlego.

Trem sem trilhos

Equipes da Vale concluirão hoje à tarde os trabalhos de remoção de terra que cobriu os trilhos da Estrada de Ferro Carajás, à altura de Bom Jesus do Tocantins, após o desabamento de barreiras durante intensa chuva na região.
Desde ontem, o tráfego de trens está suspenso na EFC.

O Meio e o Ambiente

Comentário do advogado Ronaldo Barata identifica serviços de péssima qualidade oferecidos aos usuários pela secretaria estadual de Meio Ambiente:

A SEMA, visando, conforme propagou através de informativo, um atendimento mais rápido, simples, concentrado e eficiente e com maior grau de padronização, criou a CENTRAL DE ATENDIMENTO AO PÚBLICO, e após, informou que todos os atendimentos referentes ao andamento e orientação de processos em tramite naquela Secretaria, só seriam realizados por meio de agendamento prévio, com data e hora marcada. o que deveria ser realizado pelo usuário na página eletrônica da SEMA, mediante o preenchimento do Cadastro de Agendamento e/ou pelos fones 31843377/3399. Tal determinação começou a vigorar em 10.12.2007 e, na prática, tornou-se ineficaz.Os usuários, presentemente, só encontram pauta de agendamento para o próximo mes de março, o que determina a paralização de seus processos. Tentar agendar pelos telefones indicados, é um verdadeiro suplício, pois quando atendem, o que é raro, informam para usar a página eletrônica.A adoção de tal medida é um ato de desrespeito aos usuários, principalmente aos vindos do interior, que aqui vão permanecer por muito tempo a espera de serem atendidos. O pior, é que quando o atendimento ocorre, via de regra, que o faz não conhece o processo o que obriga que nova audiência seja solicitada.O que mais causa espécie, é que os órgãos de classe (OAB e CREA)que congregam os engenheiros agrônomos e florestais e os advogados, constantes usuários, não tenham até o presente momento se posicionado contra tal decisão, arbitrária e cerceadora dos direitos assegurados pela CF, DE LIVRE ACESSO A QUALQUER PROCESSO E/OU DFOCUMENTO QUE TRAMITA EM ORGAO PÚBLICO.Em última análise, as justificativas para adoção de tal procedimento por parte da SEMA, não podem vingar, pois o que não existe e celeridade e eficiencia, talvez por incapacidade gerencial da SEMA.

Em resposta, comentarista Anônimo identifica o problema não na falta de cidadania, mas na postura de maus cidadãos:


Até onde sei, o problema maior não está extamente na Sema, mas nos maus cidadãos que passam o dia no sistema agendando os horários e ocupando-os para atender os processos de seu interesse. Talvez seria interessante pensar numa forma de bloquear esses interesseiros, quem sabe divulgando seus nomes publicamente para que todos saibam quem sabota o sistema. De toda forma, se há problema, ele precisa ser enfrentado, pois as pessoas de bem não podem pagar pela má-fé de uns e outros.

Nos dentes de motosserras

O gado derruba a floresta.

Os projetos de assentamentos seguem o mesmo ritmo -, acelerado ainda mais em algumas áreas.
O gusa estimula o afogamento das matas com duas práticas predatórias: o corte das árvores e a emissão de gases estufa das carvoarias, interferindo em biomas cada vez mais desprotegidos.

Qual o pecuarista interessado em dedicar-se exclusivamente a investir no uso de pastagens degradadas?

Sonho.

Na conta de somar, sai mais barato pra eles avançar na floresta do que investir em mecanização e nutrientes do solo.

Uma lógica garimpeira que não tem mais como se sustentar no tempo e no espaço”, como registra a diretora do Instituto de Florestas do Pará, Raimunda Monteiro.

Questão de assinatura

Impossível deixar de reproduzir o apimentado post “Sobre o Hospital de Santarém”, da jornalista Ana Célia Pinheiro, no A Perereca da Vizinha, a propósito de denúncia formulada pela Procuradoria da República contra o secretário Halmélio Sobral.

Ao que diz a jornalista:

Queridinhos: Tá certo que ando meio balada, que tô me despedindo do Diário, enrolando a bandeira e coisa e tal.

E que até estou mandando uns sinais de fumaça pro lado daí, né mermo?
Mas, há certas coisas que não dá pra engolir.
Me desculpem, mas, não dá!...
Essa história da tal da procuradora da República, Carmen Sant’anna, querer dizer que irregularidades foram cometidas em Santarém devido à ruptura do contrato com a OS Maternidade do Povo, para a gestão do Hospital de Santarém, é o fim da picada!
Pô!... Pera lá!...
Com base em que a douta procuradora acredita na tal da experiência afirmada - no papel - pela tal da OS?
Como é que ela pode referendar a continuidade de um contrato que a própria Sespa, em alentado parecer, mostrou ser ilegal?
A douta procuradora fez, de fato, o dever de casa?
Leu o processo da Sespa, ou, simplesmente, quis fazer um “agá” com a língua mátria – mas, às custas dos lesos dos contribuintes?
Mas, que lári-lári é esse já?
Os procuradores da República já estão se prestando a isso, é?
Conheço a advogada que comandou a dispensa da OS Maternidade do Povo.
É séria, honesta, competente, “rata” em licitação.
Além disso, entre todas as irregularidades do contrato com a OS Maternidade do Povo, pelo que me disse a Sespa, havia uma incontornável – porque, simplesmente, imoral!
Pelo que me disse a Sespa, o então presidente da OS, que assinou o contrato, era, também, assessor, DAS, da Secretaria.
Quer dizer: é só Mateus, aos meus, é? Mermo que com dinheiro público, é?
É o meu pirão primeiro, né mermo?, ainda que com dinheiro de imposto, com o dinheiro de cada um de nós...
Mas, para que é que existe a 8.666/93?
Essa lei e todas as demais não valem um chavo, até para o douto Ministério Público, o “fiscal da lei”, é?
Então, para que serve o Ministério Público?
Mas, para mim, esse caso é de facílima solução.
estivesse no lugar do secretário de Saúde, Halmélio Sobral, chamaria a douta procuradora, para uma reunião pública.
Com um montão de gente. E, se possível, acompanhada pelo Corregedor do órgão - se é que existe isso, porque isso já tá começando é a parecer com a casa da mãe joana, né mermo?...
E diria: Então, maninha, você tá dizendo que tá tudo certo nesse contrato, né mermo? Que fizemos mal em rompê-lo, né mermo?
Então, maninha, façamos o seguinte: Tá aqui um documento, retomando esse contrato, porque tava tudo bonitinho, né mermo?
Mas, vamos - eu e você - assinar isso daqui... Você, também, vai assinar dizendo que tava tudo bacana...
Você vai pegar essa sua mãozinha bem tratada, lindinha, com os não sei quantos mil que ganha, e assinar dizendo que isso daqui tava tudo “certinho”...
Aí, né mermo maninha?, você vai poder dizer que as dispensas de licitação que foram efetivadas, em função dessa ruptura contratual, não estavam corretas...
Quero é ver se a doutora Carmen Sant’anna assina!
Quero é ver!...

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Faixa de Pedestres – a vida pede passagem

No Repórter 70 de hoje (21) :

Dono de carro particular que transita diariamente pela nova Duque concorda em gênero, número e grau com nota aqui publicada na sexta-feira passada, sobre a sugestão para que se instalem semáforos que poderão ser acionados pelos próprios pedestres, nos locais onde existe a faixa cidadão. Com isso, o trânsito poderá fluir melhor e serão evitadas freadas bruscas e batidas na traseira.

Com todo o respeito à idéia do escriba, então qual o sentido educativo da faixa cidadão?
Em todos os lugares onde foi implantada, inclusive Marabá, está funcionando.
De início, ocorreram todos esses problemas (“freadas bruscas e batidas na traseira”), mas com o tempo foram sendo corrigidos por motoristas e pelos próprios pedestres.

Semáforos em faixa cidadão, é a antítese do foco que se pretende dar ao exercício de cidadania.

O máximo que se poderia alterar na configuração do espaço é a iluminação com luzes amarelas nos postes voltadas para a calçada e para a via, com o objetivo de melhorar a visualização do pedestre pelo motorista e vice-versa. Este padrão foi adotado em Brasília, onde a faixa de pedestre é plenamente respeitada.

A iluminação das faixas possibilita maior segurança para todos, reduzindo o número de acidentes nos locais implantados.

O que deveria ser feito agora é uma campanha educativa sobre o respeito à faixa.

De resto, pedestre e motoristas se entenderão com o tempo.

No cadafalso

Perguntaram ao poster que não soube responder “na lata”: quem perde o mandato por infidelidade partidária, obrigatoriamente terá de cumprir a quarentena da inelegibilidade?Quantos anos? Oito? Três?
A pergunta foi feita por moradores de Curionópolis, eleitores do vereador Wenderson Chamon – líder nas pesquisas para a prefeitura -, também no cadafalso, esperando a hora de seu julgamento.

atualização às 14:01

15 minutos da publicação deste post, comentarista Anônimo esclarece:

A perda de mandato por infidelidade é uma causa diferenciada, não inserida no rol das elencadas na Constituição e Lei Eleitoral, as quais importam na aplicação conjunta da perda e inelegibilidade.
Assim, o mandatário que perder o cargo em razão de infidelidade não está inelegível, podendo se recandidatar ainda neste pleito de 2008.

"De Longo Prazo"

Reação do sertanista Sydney Possuelo à proposta do ministro de Assuntos Estratégicos da Presidência, Mangabeira Unger, para desenvolvimento de projetos de mineração na Amazônia como forma de garantir distribuição de renda.

Toda vez que se pensou na entrada de empresários na floresta se pensou em saques nos territórios indígenas. O projeto do ministro (parece ter essa característica. Vamos tirar madeira, água, regulamentar a retirada de minério... Nada disso é novo. A biodiversidade da região continua sendo saqueada e o amazônida continua um ribeirinho carente. O que se quer é usar a Amazônia para produzir soja e criar bois para exportação. A idéia de desenvolvimento do ministro é violenta. Ele diz que a solução não é reverter o desmatamento, mas usar áreas desmatadas para agricultura e pecuária. Tudo me lembra coisas que já estão acontecendo. Agora quer levar as águas 'inúteis' da Amazônia. É uma mentalidade preconceituosa, uma visão de fora. Suas idéias são de quem não conhece a floresta, quem acha que o verde significa atraso.


Sobre a gestão de de Márcio Meira na Funai:

Márcio Meira tem se mostrado sensível. O problema é que o governo destina recursos para várias organizações, mas pouco para a Funai. Eu, porém, estou otimista. Meira é um homem de qualidade, capaz de buscar de forma sensível novos caminhos para a Funai. Ele é de muito diálogo. O governo tem de lhe dar mais apoio.

Pineis do volante

Finalmente, o Detran anuncia que vai intervir nas ruas que tem mais gente doida dirigindo no país. Já não era sem tempo.
Marabá precisa urgentemente de um planejamento de tráfego.
No Brasil, proporcionalmente, é o trânsito que mais mata.

Tocantins é aqui

A Saneatins, companhia de água e saneamento do Tocantins, continua esticando os braços no Pará. Agora foi com a prefeitura de Tucumã contrato de concessão assinado para distribuição de água na cidade.
É o quinto município paraense.
Aos poucos, a Cosanpa vai sendo afastada do processo.

Quem são os pais de Thiago?

Soraya Kátia Rodrigues Pereira preside o Projeto Aconchego, grupo de apoio à adoção e ao apadrinhamento, de Brasília. É dela e-mail com apelo para localizar os pais de Thiago (foto), a fim de evitar a adoção da criança.

Em novembro de 2005, foi encontrada na rua uma criança de aproximadamente dois anos -, muito bem cuidada e muito bem vestida. Disse chamar-se Tiago. Levado ao juizado, foi encaminhado ao 'Nosso Lar', onde trabalho. Temos informações de que diligências foram feitas na região onde a criança foi encontrada, e nada. Todas as delegacias notificadas, e nada. Não foi possível nenhum tipo de informação dessa criança. Como o tempo está passando, ela logo será encaminhada para adoção.
Não acredito que Thiago não tenha ninguém nesse mundo, pois quando ele chegou chorava muito e apresentava bons costumes. Já tentei com um amigo, na Globo, veicular a sua imagem, na tentativa de localizarmos a sua família, mas não é possível: a política da emissora não permite a divulgação de crianças desaparecidas, o que não é o caso, pois essa é 'aparecida'.

O Idesp que a sociedade paraense quer

O texto de apresentação do Novo Idesp já está pronto. Cláudio Puty, secretário de Governo, faz retrospectiva do antigo e projeção para o novo órgão, a ser refundado, oficialmente, nesta quarta-feira, 23, às 17 horas, no auditório do CIG, com a posse de seu presidente, Peter Mann de Toledo.
A seguir, a apresentação do Novo Idesp.


O futuro do Novo IDESP


Cláudio Puty, secretário de Governo



A posse do novo diretor do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará marca, finalmente, a refundação do Idesp, nove anos depois de sua extinção. Aproveitemos, então, a ocasião para discutir o que este novo instituto pretende e pode ser. Mais do que uma tentativa de replicar experiências passadas, nos interessa definir que funções um instituto estatal de pesquisa sócio-econômica pode cumprir no processo de afirmação de um novo modelo de desenvolvimento para o Pará.

Nove anos se passaram
Desde que foi decretada sua extinção, certamente muita coisa mudou no Brasil e no Pará. O país, após tantos anos de restrições externas ao crescimento, marcada por baixa capacidade exportadora e seus reflexos comprometedores nos indicadores de solvência internacional, vive condições nunca vistas nos últimos trinta anos.
O Brasil que vivemos em 2007 contou com um certo populismo cambial, que aumenta artificialmente nosso salário real e garante controle inflacionário a partir do barateamento de importações. No entanto, apresentou números surpreendentes, fruto de um cenário internacional muito favorável e de mudança de rota na política econômica do Governo Federal. Nossa balança comercial, apesar do câmbio, manteve superávits robustos, assim como os expressivos fluxos de capital garantiram um resultado positivo em conta corrente, que não devem se manter em 2008. Como conseqüência, nossas reservas internacionais quase quadruplicaram desde 2004, garantindo uma sustentabilidade externa que poucos sonhariam a alguns anos atrás e que nos posiciona em condições ligeiramente confortáveis frente à desaceleração da economia mundial prevista para 2008. Nossos indicadores de solvência pública também melhoraram: a relação dívida/PIB chegou a 42,6%, o menor valor desde 2008, não obstante os efeitos negativos da política monetária.
Associado à volta do crescimento econômico, há hoje forte percepção, na opinião pública nacional, de que os frutos prometidos pela liberalização financeira e pela privatização de importantes empresas estatais não foram colhidos pela maior parte da população. Como conseqüência, multiplicam-se pelo país afora novas experiências de formulação e gestão da política pública que posicionam novamente a ação estatal reinventada, assim como a própria noção do planejamento estratégico em áreas cruciais para o desenvolvimento nacional. Consequentemente, voltam à pauta do debate nacional questões associadas não só ao necessário protagonismo público em temas como política industrial, científico-tecnológica e de desenvolvimento regional. Talvez ainda mais importante, retoma-se o debate sobre os limites e possibilidades dos arranjos institucionais existentes para levar adiante programas, ações e metas declaradas nos distintos planos existentes para cada uma dessas áreas.
A chamada agenda ambiental assumiu relevância ainda maior, ao mesmo tempo em que os mecanismos de controle público sobre o desmatamento avançaram consideravelmente.
Obviamente, apesar dos avanços, o mundo parece marchar rumo à catástrofe ambiental. Revela-se, mais uma vez, a necessidade de uma mudança profunda das próprias noções que orientaram a relação homem-natureza na modernidade e de uma transformação radical dos nossos sistemas produtivos - na organização técnica e orientação tecnológica, nos padrões distributivos e, porque não, nas próprias relações de propriedade.
Mais concretamente, a Amazônia paraense, nestes últimos dez anos, assistiu o avanço das fronteiras agrícola e pecuária, com a consolidação de uma nova elite formada a partir da extração pouco qualificada dos nossos recursos naturais.
Os conflitos fundiários se aprofundaram e hoje, apesar de contarmos com cerca de 900 assentamentos para fins de reforma agrária, grande parte deles sofre com a falta de estrutura mínima que garanta a sua sustentabilidade econômica e ambiental. A grilagem de terras ainda faz parte do quotidiano de nosso estado.
Nossas cidades aumentaram, constituíram redes e os problemas de desenvolvimento urbano explodiram. Em meio a tudo isso, o estado viu diminuir sua capacidade de compreender os processos de desestruturação territorial em andamento e consequentemente de intervir de forma estratégica e preventiva. Os poucos instrumentos informacionais existentes foram desmantelados ou pouco utilizados, dentre eles, o Idesp.

O que não é verdade sobre o “velho” Idesp

Certamente um balanço mais rigoroso das causas profundas que levaram ao fim do instituto ainda deve ser escrito. Entretanto, o que nos parece claro é que ambos os motivos comumente levantados pelos defensores da extinção do Idesp não resistem aos fatos. Lembremo-nos: alegou-se que o instituto teria deixado de cumprir o seu papel ao não produzir estudos com a qualidade necessária à orientação estratégica, que culminaram com a divulgação de dados “falsificados” (ou em desacordo com os interesses do governante de plantão).
Parece-nos, então, que razões alegadas revelam problemas que não residiam no instituto, mas principalmente no seu entorno político. A inexistência de medidas corretoras de rumos da gestão, que leva à deterioração da qualidade do trabalho, tem, não raramente, sua origem na asfixia financeira (vide tabela abaixo). Fruto da percepção típica do período, de que o planejamento estatal faria parte do museu das idéias. Posição essa que, na prática, transforma a gestão estratégica do estado em administração do quotidiano, a partir de ditames orçamentários orientados, no curto prazo, pelas demandas da conveniência político-partidária e, no longo prazo, pelo mercado.
Em uma região periférica, como a Amazônica, hoje é claro, novamente, que cabe à ação pública muitas tarefas fundamentais para o desenvolvimento sócio-econômico. Destas, ao menos duas foram funções onde o Idesp muito contribuiu: a) a formação de quadros qualificados para atividades de pesquisa e gestão pública e b) a produção de indicadores e estudos nas várias áreas de pesquisa social aplicada. Perguntemo-nos: quantos dos quadros de destaque na gestão pública paraense vieram das fileiras do instituto? Quantos de nossos melhores pesquisadores por lá passaram? Que avanços significativos na produção de dados sócio-econômicos no estado do Pará ocorreram depois da extinção do instituto?
O fim do Idesp revela as complexidades de manter uma instituição vibrante, flexível, atualizada e consequentemente legitimada pela sociedade. É sempre mais fácil destruir instituições do que construí-las.


Rumo a um novo Idesp

Passamos um ano preparando a volta do Idesp. Um longo processo, que se iniciou, ainda na transição administrativa, com a delegação dada pela governadora eleita a uma pequena comissão da futura Secretaria de Governo, de reorganizar o instituto.
Alguns nomes foram muito importantes nesta retomada: Danilo Araújo, José Júlio Lima, Tarcísio Ribeiro, Edilson Rodrigues de Sousa, Affonso Vianna, José Raimundo Trindade, Renato Francês, dentre outros. Contribuíram no debate e ajudaram muito a desenvolver o conceito do novo instituto.
Elaborado o projeto de lei, tivemos um processo de espera da conclusão da reforma administrativa empreendida pelo governo, com a aprovação final pela Assembléia Legislativa do Estado do Pará no fim do primeiro semestre de 2007.
O próximo passo, o mais difícil, foi encontrar um novo diretor-presidente para o instituto que expressasse o desejo da governadora Ana Júlia Carepa, de que o instituto seja robusto cientificamente e afinado aos grandes temas da política pública, nacional e amazônica. O nome de Peter Mann de Toledo foi efetivamente considerado no final de setembro de 2007, quando soubemos de seu interesse de voltar a Belém, após alguns anos trabalhando no Instituto Nacional de Pesquisa Espacial, em São José dos Campos. Com a sua liberação pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, efetivada no fim de dezembro do mesmo ano, finalmente marcamos a data de sua posse e da efetiva instauração do novo Idesp para o final de janeiro de 2008.
Mas que tarefas cabem ao novo instituto? Podemos arriscar alguns eixos fundamentais, baseado na idéia central de que o Idesp não pode correr o risco de se tornar rígido demais, a ponto de não conseguir incorporar avanços nas suas áreas prioritárias de pesquisa assim como em campos novos, cuja existência mal podíamos vislumbrar quando de sua retomada. Necessitaremos, então, de uma gestão que, do momento de sua retomada, afirme compromisso com a qualificação constante de seu corpo de pesquisadores, através da saudável competição acadêmica e com o contato com centros de excelência em pesquisa de todo o mundo.
Alguns eixos que nos parecem de suma importância:
Estatísticas e sistemas integrados de informação: o estado hoje não conhece o estado. Não existem estatísticas consistentes e integradas que permitam a tomada de decisão por parte dos governantes, assim como a informação da sociedade civil. Existem núcleos distintos de produção estatística, onde os servidores fazem esforço heróico para manter a freqüência e divulgação, muitas vezes sem o necessário apoio institucional. Citaria como exemplo a Diretoria de Estudos e Pesquisa Sócio-Econômicos (DIEPI) da Secretaria de Planejamento, orçamento e finanças, cujas atribuições remontam ao antigo Idesp. Outros núcleos importantes de produção estatística estão na Secretaria da Fazenda, na Secretaria de Meio Ambiente, no Instituto de Terras e na Agência de Defesa Agropecuária, dentre outros. Hoje existem mais de quinhentos sistemas de informação distintos dentro do governo do estado e uma primeira tarefa para o Idesp seria a criação de padrões unificados de produção, sistematização e divulgação de dados. Numa primeira fase, o novo instituto deve ser o “espelho” de todos os focos de produção de dados, que podem ser divulgados de forma eletrônica.

A produção de indicadores e estudos estratégicos
Compreendendo sua função como centro produtor de conhecimento em Ciências Sociais, existem pelo menos três áreas onde existe a necessidade urgente de formação de capacidade técnica e orientação da ação do estado. O estado abriu mão de ter informação, na forma de indicadores e avaliações, na forma de artigos e relatórios nas importantes áreas de planejamento urbano, estudos sócio-econômicos aplicados (desejavelmente a combinação criativa de Economia, Ciências Sociais, Estatística e História) e estudos ambientais. Dentre esses estudos, sugeriria, de imediato:

a) Estudo sobre as novas elites do Pará: uma tarefa imediata para o Idesp, ainda no ano de 2008, seria lançar luzes sobre o processo de transformação que as elites paraenses sofreram nos últimos anos. Um amplo estudo sobre nossas novas elites e suas distintas relações políticas e sociais nos municípios do Pará ajudará a entender inclusive o processo de ocupação do território paraense e a dinâmica sócio-econômica do fenômeno de destruição ambiental.
b) Participação no detalhamento do Zoneamento Econômico e Ecológico do estado do Pará: em 2008, iniciaremos o processo de zoneamento econômico ecológico em escala mais detalhada, que é uma iniciativa que permitirá ao Estado definir atividades produtivas a partir de uma visão integrada do território estadual. Este trabalho é uma das bases para programas de ordenamento territorial e de reforma agrária e o Idesp deve ter participação destacada na condução e análise de seus resultados.
c) Sistematização e ampliação dos diversos estudos sobre cadeias produtivas e atividades econômicas do estado do Pará. Nos últimos anos multiplicaram-se estudos sobre arranjos produtivos locais e cadeias produtivas, que levaram à constituição de políticas de fomento à produção nem sempre coerentes entre si. O Idesp pode sistematizar e comparar os resultados dos distintos estudos e propor estratégias de desenvolvimento agrícola e industrial baseado em atividade econômicas prioritárias.
Atração e formação de pessoal qualificado
Um dos grandes desafios do estado é a formação de uma carreira de pesquisadores que consiga sintonizar o quadro de funcionários do governo do estado aos avanços alcançados pelas carreiras federais na mesma área. O concurso para o preenchimento de vagas de funcionários permanentes do instituto deve ser feito ainda em 2008.

Participação no Sistema Regional de Inovação

Estamos constituindo um Sistema Regional de Inovação, onde novos órgãos da administração foram criados com o intuito de constituir um ambiente propício ao fomento de atividades produtivas de base tecnológica. O Idesp, junto com a Fapespa, a futura Seplan, a nova Sedect e a Uepa podem constituir, se tiverem o foco necessário, a base institucional para uma substancial mudança no perfil produtivo do estado do Pará.

Conclusão e alguns passos adiante

O Idesp que a sociedade paraense quer é provavelmente muito mais flexível, aberto e robusto do que algumas experiências dos institutos de pesquisa que constituem o sistema de planejamento brasileiro.

Não confundamos, entretanto, flexível, inovador e aberto com precário e dependente das vicissitudes políticas. Portanto, é necessária a abertura imediata de um diálogo com a sociedade civil, a partir de um conselho gestor do Idesp e de diálogos com universidades, conselhos de classe e personalidades, e que elabore um estatuto à altura desta instituição. Esse estatuto ajudará a definir, em grande medida, o caráter desta instituição, que deverá estar voltada à contribuição para que a Amazônia seja o centro das preocupações nacionais no século XXI.

domingo, janeiro 20, 2008

Idesp, o Renascimento

Depois de longos meses trabalhando a formatação do novo órgão, Cláudio Putty deu a boa notícia ao marcar para a próxima quarta-feira, 23, o renascimento do Idesp.
Os quadros pensantes do Pará estão de volta.
Acima, a logomarca do novo Idesp.

Tamanho do sapato

Cristovam Buarque costuma afirmar que o Brasil é um país dos que podem e o país dos que não podem. Usa a expressão ao analisar a questão dos desiguais, defendendo a necessidade dos cidadãos conquistarem a mesma oportunidade em matéria de informação.

O tema aparece aqui a reboque de denúncia feita sexta-feira, 18, em minha coluna no Diário do Pará, sobre indícios de carta marcada numa licitação da secretaria estadual de Transportes beneficiando a Delta Construções S.A. Nunca, nesses três anos escrevendo a coluna do jornal, recebi tantos e-mails comentando um mesmo tema, ficando explícito nesse comportamento dos leitores, espécie de contentamento à divulgação da denúncia.

Ao todo, até às 13 horas deste domingo, quando escrevo o post, 27 mensagens acessaram a caixa postal hiroshyb@gmail.com referindo-se ao caso. Dos 27 e-mails, onze elogiam a linha editorial do Diário do Pará, ao permitir a publicação, por um colunista, de provável irregularidade no processo licitatório de uma secretaria de governo que recebe apoio do jornal.
Doze mensagens são de leitores confiantes na conduta da governadora Ana Julia em mandar apurar a qualidade da licitação; enquanto quatro e-mails classificam o colunista autor de “denúncia vazia” – com objetivo exclusivo de queimar o secretário Valdir Ganzer.

Esclarecimentos:

1- Para grande parte do público, os jornais são protagonistas de enganos e imprecisões. Alguns mais imprecisos que outros. Mas eles espelham a sociedade em que são produzidos.
No caso do Diário do Pará, deixo testemunho da preocupação de seus diretores em valorizar a notícia, mesmo que ela, em alguns casos, contrarie interesses políticos do próprio grupo de comunicação. Dá pra perceber claramente que a direção do DP, nas relações com o poder público, está sempre em busca de encontrar uma maneira de conviver com as suas diferenças, sabendo que entre o veículo e governos jamais haverá ume relação perfeita.

Por diversas vezes registrei neste blog minha condição de escrever no Diário sem jamais ter sido “orientado” pelo Diretor de Redação a excluir esta ou aquela nota. Por assim dizer, o jornal me concede plena liberdade de expressão. Talvez esse seja um dos fatores a conduzir o Diário na conquista preferencial do leitor paraense, assumindo a liderança de circulação no Estado. Não tenho receio de parecer porco-chauvinismo afirmar que o leitor, ao longo desses anos, conseguiu pluralizar as influencias sobre o Diário do Pará, fazendo dele produto de um conjunto de pessoas que representa de certa forma a sociedade, e não produto de uma ou algumas cabeças iluminadas.

Dia desses, Lucio Flávio Pinto, numa rápida troca de e-mails comigo, registrou a importância de nossa coluna brindar os leitores do restante do Estado com notícias do Sul do Pará. Sua manifestação, pelo significado próprio que ele representa para todos nós profissionais da informação, é a prova insofismável de que a comunicação é verdadeiramente elemento indispensável à cidadania, e, em conseqüência, um fator de governabilidade.

2- Durante os doze anos em que o Pará foi administrado por Almir Gabriel e Simão Jatene, pelo menos na relação Imprensa X Poder, particularmente eu sofri pressões de diversos segmentos para atuar numa linha de “enquadramento”. Jamais recebia retorno de contatos que fazia com secretários de governo em busca de informação ou para esclarecer fatos.
Havia uma espécie de reserva de mercado segunda a qual quem estava dentro – cada vez mais ficava; quem de fora assistia (quando conseguia assistir!), invariavelmente era visto como “do outro lado”. Essa seqüência de acontecimentos -, tipo Piston de Gafieira de Billy Blanco (“Quem está fora não entra, quem está dentro não sai” ) -, me fazia pensar muito na questão do direito à informação, entendido não apenas no sentido de um direito que garanta à sociedade e aos cidadãos o direito de ser informado corretamente, mas também o direito de produzir informação e ter a possibilidade de divulgá-la adequadamente, para que seja objeto da atenção da sociedade e tenha chance de ser tratada devidamente – inclusive para propiciar soluções, quando for o caso.

3- De um ano pra cá, tenho observado mudanças significativas. Primeiro, inexistência de qualquer tipo de pressão de auxiliares do governo do PT sobre a pauta de meu trabalho. Ao contrário, já fui contemplado dezenas de vezes com e-mails e telefonemas de secretários agradecendo determinados tópicos publicados no Diário do Pará ou neste blog , com a garantia de apuração dos desvios apontados.
Foi assim nas denúncias que fiz sobre a situação das delegacias de policia abandonadas em cidades do sudeste, no descaso da saúde na área do Lago de Tucuruí, no destempero de brigas políticas de dirigentes de órgãos do Estado no interior, na indicação de que se fazia necessária auditagem de contas de unidades de educação, só para citar alguns casos.

Cláudio Puty, Charles Alcântara, Suely Oliveira, Carlos Guedes (quando ainda era auxiliar de Ana), Ademir Martins, Vera Tavares, assessores da Setran. Quase sempre recebo manifestação desse pessoal registrando a altivez de determinar apuração de supostos desvios apontados neste blog ou na coluna do Diário.
Puty e Alcântara, com mais frequência, estão sempre a monitorar o que ocorre nas entranhas das secretarias, enviando e-mails na solicitação de subsídios sobre temas abordados na coluna ou neste blog. Ou seja, os dois interagem, pensando no conjunto do governo e no direito à informação. Um fato novo, sim.

4- Quanto às críticas de uma minoria de leitores que entenderam as notas divulgadas sexta-feira como tentativa deste colunista em “queimar” Valdir Ganzer, secretário da Setrans, não procede. Basta fazer pesquisa nos arquivos de post e nas edições do jornal para constatar o volume de notas positivas assinadas por mim, divulgando a atuação da Setran na recuperação de algumas rodovias estaduais.

O direito da sociedade à informação, na minha simples visão de profissional interiorano, é sagrado. Se há indícios de que a Setrans montou edital com nítido objetivo de beneficiar uma construtora, engabelando dezenas de outras concorrentes, a população precisa saber disso. Se por acaso, as minhas notas publicadas no Diário do Pará contenham inverdades, o governo do Estado pode perfeitamente desmentí-las ou me acionar juridicamente. Esse é o risco que correm, profissionais trabalhando nos limites restritos de suas consciências.

5- Finalizando, gostaria de relembrar historinha bem conhecida em nosso meio.
Acostumado a conviver de forma promíscua com alguns setores da imprensa, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães disseminou expressão segundo a qual há três tipos de jornalistas: os que só querem a notícia; os que só querem dinheiro; os que só querem um emprego.

O jornalista pernambucano Ivanildo Sampaio, em resposta ao velho cacique baiano, não mediu a altura. Segundo ele, “o segredo é não dar emprego para quem quer dinheiro, não dar dinheiro para quem quer notícia, e nem dar notícia para quem quer emprego”.