sábado, maio 02, 2009

Inesperado dilúvio

Córregos, igarapés e rios do Sul do Pará transbordam como não ocorria havia doze anos. Água pra todo lado.

Em cinco dias de chuvas ininterruptas, numa extensão da Pa-150, do Mato Grosso a Goianésia, cidades estão sendo tomadas por cheias imprevistas.

Em Parauapebas, próximo a Rua do Comércio, antigo bairro Rio Verde, o nível das cheias pluviais está próximo a pista da rodovia PA-275.

Águas de chuvas represadas às margens dos igarapés invadem casebres construídos em áreas baixas da zona rural (foto).

A face oculta de Kátia

Semana passada, no exato momento em que Lula recebia em audiência o governador do Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), um assessor da Presidência da República pediu licença para entregar-lhe uma folha de papel contendo resumo de discurso que a senadora Kátia Abreu (DEM), aliada de primeira hora do governador peemedebista, fizera na noite anterior, em São Paulo, na sede da Confederação Nacional de Agricultura, para uma platéia de duzentos dos maiores ícones do agronegócio.

Trocando em miúdos, Lula soube naquela hora do pedido feito pela presidente da CNA, aos seus associados, no sentido de reduzirem a produção de grãos, que este ano deverá superar novo recorde. Durante discurso em tom apelativo, a Rainha dos Currais dissera, com todas as letras, seria um desastre para as pretensões de quem produz, a recuperação da economia (devidamente já identificada pela própria CNA) -, diante da crise instalada, já que este fato, fatalmente, será um dos obstáculos à vitória de um candidato da oposição, em 2010.

Lula reagiu na hora, comunicando a Marcelo Miranda sua indignação com o comportamento de Kátia Abreu. Decepcionado, lembrou ao interlocutor seu gesto de cortesia ao receber a presidente da CNA, dias antes, para tratar de pleitos encaminhados por ela à Presidência da República.

A face oculta de Kátia (2)

No Palácio do Planalto, ninguém tem mais dúvidas: Kátia Abreu movimenta-se pelo país para se credenciar à indicação do DEM como candidata a Vice-Presidente na chapa de José Serra (PSDB).

Além de usar, estrategicamente, o pedido de impeachment da governadora Ana Júlia para se projetar nacionalmente, Abreu se apodera de propostas de gestão da CNA, em seus discursos para o agronegócio, como bandeira política, destacando-se promessa de promover oito projetos inovadores para o campo, como a capacitação do produtor em Responsabilidade Ambiental (Projeto Terra Adorada), a capacitação em Legislação Trabalhista (Projeto Mãos que Trabalham) e os programas de Inclusão Digital Rural e Campo Futuro.

Segundo a presidente da CNA, o objetivo desses projetos é promover um choque de globalização nos produtores brasileiros.

Mas, o principal mesmo, é viabilizar a candidatura dela na chapa de Serra.

Virada salarial

O tema parece estar passando batido pelos próprios profissionais da área.

Mas, tal o ineditismo da surpresa que a descoberta causa, é preciso reproduzir: a Pnda (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) indica salários superiores de professores da rede pública em relação aos colegas das instituições privadas.

Diferença, aliás, considerável, de 11%.

Mais detalhes.

sexta-feira, maio 01, 2009

Tempo de jacumã

Eu vi o menino remando, dentro de uma xícara de borracha.

Como se estivesse numa canoa inflável, ele buscava porto seguro, pra si e para os dois gatinhos, driblando a rebeldia das águas misturadas do Tocantins e Itacaiúnas.

Eu vi o menino remando.

Eu vi o tempo fechado de água atrás de si.

O futuro brota

Bela sexta-feira, esta de 1º de Maio.

A Petrobras comemorou a extração com sucesso do primeiro óleo do campo de Tupi, no pré-sal da bacia de Santos.

Na íntegra.

15 anos depois

No meio do caminho havia um muro que se chamava Tamburello.

Sem vender ilusão

É papo furado, tudo o que está saindo na imprensa sobre contratações de jogadores, pelo Águia de Marabá.
Verdadeiro, apenas (prego batido, ponta virada), a chegada de Daniel, ex-volante do Vila Rica.
É regra institucionalizada dentro do clube não permitir o vazamento de informações enquanto o jogador não fecha com a diretoria.
Portanto, nomes como Marcelo Maciel, Adriano, Soares, Wando (Paraná Clube), Landu, Túlio Maravilha e até Bismarck, dados como certos, nada a ver.
Ferreirinha e João Galvão, em demorado bate-papo com o poster, riam do noticiário. Chegaram, inclusive, a comentar o que representaria para o Águia trazer jogadores com idade avançada, tipo Túlio e Bismarck.

- O salário de um jogador, como Túlio, beira a R$ 80 mil. A folha do time, na Série C do ano passado, fechou em R$ 80 mil. Imagina pagar mais uma folha apenas para um atleta que nem corre mais em campo! Os demais jogadores, revoltados com tamanha discrepância, jamais correrão por ele, e por ninguém. Todo mundo se escora e o time não rende. (Ferreirinha)

Os dois diretores já sabem o que querem. Onde colocar peças de qualidade em posições previamente identificadas. E, também, a quem contratar.

O Águia, do jeito que a diretoria está trabalhando, pode formar um time em condições de buscar sua vaga à Série B.

Confiram.

Podem me prender. Podem me bater...

O TAC assinado pelo prefeito de Marabá com o MP e procuradores do Ministério do Trabalho, permite a Maurino Magalhães (PR) contratar garis por mais 120 dias, mas não o proíbe de terceirizar a limpeza pública. Até porque a prefeitura pode escolher essa forma de gestão do setor, desde que realize licitação pública transparente, e dentro dos prazos estabelecidos.

E pelo que disse à Rádio Clube, Maurino não abre mão de entregar a uma empresa os serviços de limpeza da cidade.

Ou seja, igualzinho a música do Zé Ketti: não muda de opinião.

Sem berros

De passagem para Santana do Araguaia, Ana Júlia decidiu aterrisar antes em Xinguara. Não quer deixar nenhuma dúvida de que as reintegrações de posse serão cumpridas, sim, mas dentro de um planejamento feito pela SEGUP.

Daniel Dantas e sua trupe (inclua-se a Rainha dos Currais, Kátia Abreu) que aguardem o tempo certo.

Deve estar dizendo isso agora lá na terra do prefeito Davi Passos (PT), e, daqui a pouco, em Santana, numa reunião que ela mandou marcar com os pecuaristas da região.

Por favor, cartilha à mão!

Juízes, promotores e desembargadores paraenses – salvaguardando, aqui, as exceções de praxe -, bem poderiam mirar-se no exemplo do ministro Menezes Direito, do STF, que, ao proferir seu voto seguro pela derrubada da Lei de Imprensa, sapecou:


- O preço do silêncio para a liberdade dos povos é muito mais alto do que a livre circulação das ideias. Não é possível legislar com conteúdo punitivo que criem condições de intimidação. Por outro lado, a dignidade da pessoa humana deve ser assegurada para a liberdade de imprensa.

Fechado pra balanço

Usando o título “Dê férias para os seus pés”, blog do Alailson presta gostosa homenagem ao Leão Azul:


- Não é verdade que a Rider (dona do slogan acima) vai patrocinar o Clube do Remo.

Criatividade na aldeia

Desde que a crise apontou, em setembro de 2008, o empresário Italo Ipojucan começou a perceber que sua empresa poderia ser afetada pelas turbulências. Dono da Lokar, uma das maiores locadoras de carros do Pará, o empresário sentiu que o caixa poderia ficar mais magro do que deveria, e a companhia acabaria tendo dificuldades para investimento. Foi quando decidiu bater na porta da Vale do Rio Doce. A Lokar é parceira da Vale no Nordeste e, se a locadora passasse a prestar um serviço de pior qualidade, a principal afetada seria a mineradora.

Ipojucan soube, então, de um programa da Vale chamado Inove, lançado no fim de 2008 e que conta com frentes de incentivo aos fornecedores - de linhas de financiamento de capital de giro a ações de capacitação e qualificação, com apoio de bancos. "No começo do ano consegui captar por meio do programa cerca de R$ 1,2 milhão no Banco do Brasil, a uma taxa de juros de 1,25% ao mês, bem abaixo dos 2% que pagaria no mercado naquele período conturbado", conta Ipojucan. Sua empresa conta com 420 veículos e tem mais de 15 anos no segmento.

Em parceria com instituições financeiras, o programa começou a ser planejado pela Vale no início de 2008, antes de crise, portanto. Agora, tornou-se vital para os pequenos parceiros da empresa. "Nesse modelo de operação, a Vale entra como a garantidora do financiamento. Com isso, para o banco, o risco chega a ser de 50% a 60% menor do que se fizesse a operação com as empresas", conta Daniel Saldanha, gerente geral de suprimentos da Vale.

O programa Inove já beneficiou 26 fornecedores, somando R$ 11 milhões em valores liberados pelos bancos. A Vale possui cerca de 6,5 mil fornecedores ativos. A empresa informa que pelo menos mil deles são "totalmente elegíveis".


Andrea Guimarães, repórter do Valor Econômico, de São Paulo, inicia seu artigo citando oportuna estratégia do empresário Ítalo Ipojucan, superintendente do SEBRAE e secretário de Indústria e Comércio de Marabá, para enfrentar a redução de demandas nos negócios. Mais aqui ou somente para assinantes, aqui.

terça-feira, abril 28, 2009

Na cena do conflito

O problema da concentração fundiária é uma verdadeira balbúrdia no Pará. Lidamos com glebas estaduais, com áreas da união de distintas formas. No mais, o que existe é uma indefinição acerca da legitimidade da propriedade de muitas áreas supostamente privadas. Algumas foram griladas, outras compradas com contratos de gaveta e estão sob suspeição na Justiça. O centro do problema é que a concentração fundiária deixa muita gente sem terra. O problema tem se agravado com o movimentado liderado pela senadora Kátia Abreu, do Tocantins, e por outros opositores da governadora Ana Júlia Carepa. Num movimento de agitação política, esses adversários políticos vieram ao Pará para insuflar fazendeiros a fazer justiça com as próprias mãos. É um grupo político articulado, ligado ao PSDB e ao DEM.

O toque é de Cláudio Puty, Chefe da Casa Civil, interpretando a visão do governo do Estado sobre o aquecimento dos conflitos fundiários. Ele foi provocado no blog do jornalista Ronaldo Brasiliense.

Conta simples

Relegada por mais de uma década de ausência de certames públicos para preenchimento de vagas para a Polícia Militar, a seleção de mais 2.200 PMs, iniciada em fevereiro, permitirá ao governo Ana Júlia encorpar a tropa em 15.200 militares, até o final do mandato. Algo em torno de 33% homens a mais, em quatro anos.

A falta de investimentos na área de segurança até dezembro de 2006 transformou o Pará num dos Estados com menor número per capita de policial, recomendado pela ONU de um para 250 habitantes.

Papel carbono

Sidney Rosas, ex-prefeito de Paragominas, citado aqui no blog como Plano B dos tucanos, caso Simão Jatene não aceite disputar o governo do Estado, parece querer muito mais do que isso. Basta conferir a quantidade de comentários assinados por amigos do vice-presidente da Fiepa rejeitando a condição de regra três do empresário.

Não foge aos menos atentos o padrão- carbono dos comentários, o que leva o poster a supor ter sido a mesma pessoa a redigi-los.

Pés nos chinelos

A partir de maio, José Sales assume a secretaria de Segurança Pública do Pará em substituição ao titular Geraldo Araújo, que sai de férias inicialmente planejada para curti-la na Europa, ao lado de familiares.

Bom momento esse escolhido por Geraldo para descanso, exatamente quando as forças de segurança se esforçam no cumprimento das complicadas operações de reintegração de posse de áreas invadidas.

Como ele se afastará do cargo no período em que os órgãos sob seu comando passarão a encarar a difícil retomada de fazendas invadidas no Sul do Pará, a indagação correndo gabinetes questiona até que ponto Geraldo Araújo controla realmente, com autoridade, a SSP.

O desgaste dele se espraia.

A última entrevista coletiva na qual ele disse que o governo não trataria a onda de invasões como caso de polícia, caiu como uma injetável paralisante no animo da tropa que se encontra em campo cumprindo os mandados de reintegração. Na visão de graduados subalternos, o secretário pode até ter dito uma verdade, mas anunciada em momento impróprio.

Conseqüência da desastrada entrevista? Geraldo saiu de foco.

Quem está colocando a cara diante dos holofotes, observem, é o Delegado-Geral da Polícia Civil, Raimundo Benassuly.

Autoridade presente

Hoje, se fizerem pesquisa em Tucuruí, não haverá nenhuma dificuldade de detectar a satisfação da população beirando à unanimidade com a decisão da governadora Ana Júlia determinar a retirada dos manifestantes do Movimento dos Alagados pela Barragem, que ocuparam por dois dias o canteiro de obras das Eclusas. Além de inconformada com a paralisação dos serviços do importante empreendimento, a comunidade viveu momentos de apreensão com boatos espalhados pelos lideres da ocupação da disposição deles danificar o reservatório de amônia, caso a polícia tentasse usar a força para desalojá-los.

Na manhã de domingo, tão logo a cidade tomou conhecimento da retirada dos manifestantes pela tropa de choque da PM, populares comemoraram aliviados.

Sinais trocados

Parentes e amigos de Davi Passos (PT) estão intrigados e, claro, preocupados com as ameaças de morte que o prefeito de Xinguara recebeu, sob o clima dos conflitos agrários aquecidos nos últimos dias em seu município. Ligado aos movimentos sociais e interlocutor confiável junto ao MST, Davi seria o ultimo alvo de uma ação radical planejada pelas entidades de esquerda, avalia um de seus familiares. Por isso, a construção da ameaça na forma como está sendo sugerida, avalia, pode ter sido idealizada por algum proprietário de terra interessado em dividir a luta pela Reforma Agrária.

segunda-feira, abril 27, 2009

O depoimento de Edinaldo

Tirem suas conclusões, diante de algumas passagens do depoimento do repórter Edinaldo de Sousa (exclusividade do blog), transcritas ipsis litteris, com grifos do poster:

 

O contato

“Que no dia 18/04/09, por volta das 10:30hs, a advogada do Grupo Agropecuária Santa Bárbara, Dra. Brenda Santis, entrou em contato via telefone com o depoente e informou ao mesmo que os “sem-terra” da fazenda Espírito Santo haviam sequestrado um caminhão e o motorista do mesmo, e estavam indo em direção a sede, tendo a advogada perguntado ao depoente se o mesmo estava interessado  em cobrir a matéria; que a advogada informou que já havia procurado a polícia, no entanto não teve resposta.”

A viagem

“Que por volta do meio-dia a advogada ligou novamente para o depoente informando que estava se deslocando até a fazenda Espírito Santo em um avião e ofereceu a aeronave para levá-los até a propriedade, juntamente com Felipe Almeida, Victor Haor e João Freitas, além da advogada Brenda; que por volta de 13:10hs o avião deslocou do aeroporto de Marabá, e chegou a fazenda Castanhais por volta das 14 hs, tendo aterrizado em uma pista de pouso da fazenda, distante da sede da fazenda Espírito Santo, cerca de 10 km.

A recepção

Que ao desembarcarem do avião foram recebidos por uma funcionária do grupo, e em ato contínuo se deslocaram para a sede da fazenda Espírito Santo, onde o Sr. Oscar Boller, deu uma entrevista para os repórteres.

A pauta

Que após a entrevista na sede foram até um local informado pelo gerente Oscar Boller onde havia ocorrido abate de animais no di anterior, no entanto no caminho encontrou vários trataores fechando uma estrada vicinal que dá acesso a sede da fazenda, tendo o fato sido registrado pelos repórteres; Que ao chegarem no local do abate encontrou três animais mortos, e ainda vários urubus sobrevoando  o local, e nesse momento registraram ainda um gado ferido a bala; que o local, onde ocorreu o abate dos animais fica cerca de 2 km do acampamento;

O sequestrado

Que neste momento o motorista do caminhão chegou no local onde os animais foram mortos, ocasião em que o depoente entrevistou o  motorista Josué Edinaldo do Nascimento, o qual confirmou que estava conduzindo o caminhão quando foi abordado por cerca de 50 sem terras, dos quais quatro deles portando arma de fogo e arma branca entraram na gabine do caminhão e sob ameaáca obrigaram o motorista a conduzir o veículo em direção a sede, não sabendo informar o depoente como o mesmo conseguiu sair do caminhão. Que depois da entrevista todos se deslocaram até uma área  de pasto onde o caminhão estava abandonado, carregado de palha.

O encontro 

(...) Que no momento em que o depoente e demais repórteres cruzaram com os sem-terras, o depoente teve que sair da estrada para não ser  atropelado pelos sem-terras, ocasião em que um dos sem-terra pegou o equipamento do declarante (câmera digital) e ficou segurando a mesma, enquanto que outros tentavam pegar a filmadora do repórter cinematográfico João Freitas, sendo que um dos sem-terra disse que não eram para pegar pois o João Freitas era “chegado” dele;

No embalo da marcha

Que  os sem-terra em nenhum momento pararam a marcha em direção ao retiro, acrescentando o depoente que todos os repórteres se viram em meio aos sem-terras, tendo acompanhado a caminhada por alguns metros, inclusive os sem-terras impediram  a realização de imagens; (...) Que a cerca de 500 metros da porteira, os sem-terra disseram  para os repórteres que eram para os mesmos tomarem a frente da marcha, tendo entregue o equipamento do declarante e permitido que os demais repórteres filmassem os seguranças da fazenda; que o depoente ainda chegou a ouvir um dos sem-terra dizer que caso os seguranças começassem a atirar, os tiros iriam atingir primeiramente os repórteres; que o depoente ressalta que cerca de 50 metros da porteira a qual estava obstruída por um veículo tipo FIAT, de cor branca, todos os repórteres procuraram sair da linha de frente, tendo o depoente  se deslocado um pouco mais para a direita e atravessado a cerca, momento em que tirou algumas fotos dos sem-terra pulando a cerca, e neste momento passou a ouvir vários disparos, tendo o depoente se deslocado para trás de um dos veículos para se proteger.

Sem cárcere

Que perguntado ao depoente se foi mantido em cárcere privado cercado pelos sem-terras na sede da fazenda, respondeu que não houve cárcere privado, e sim não poderiam sair de carro da fazenda, pos os sem-terra haviam bloqueado a estrada que dá acesso a Pa-150, assim como não existia mais vôos. Que perguntado ao depoente se havia um outro meio de saída da fazenda, respondeu que haviam estradas vicinais que dão acesso ao Estado do Tocantins, no entanto, o trajeto se tornara inviável.

 

   Nota do blog: Edinaldo conta que não retornou no  mesmo dia do conflito a Marabá de avião em razão da aeronave ter partido lotada, transportando o cinegrafista Felipe Almeida, um segurança ferido e um sem-terra - também ferido.  Ele retornaria a Marabá dia seguinte (19/04), por volta de 14:30 hs, juntamente com o restante dos repórteres e a advogada Brenda Santis.

Hóstia & Biscoito

Fernando Lugo, aquele de fé inabalável que, enquanto Bispo, distribuía hóstias aos fiéis nas celebrações religiosas, e, nas alcovas, biscoito pras mocinhas, é alvo de singelo post da lindinha Waleiska.

 

O Bispo era paraguaio e se queria que ele fosse autêntico?

Fernando Lugo pelo menos manteve o ensinamento católico de "nunca usar preservativo".

Disso, ninguém pode discordar...

Mas acho que a moral da história toda é: Tem que acabar com o celibato dos padres. 

O Lugo, pelo menos, foi nas moças. Tem padre quando surta de tesão, faz coisa bem pior...

Sobrou pro Juiz

A pauta de reivindicações dos 350 manifestantes ocupantes do canteiro de obras das eclusas de Tucurui – retirados à força na manhã de domingo – pedia, entre outros temas, a substituição do juiz de Direito Cláudio Hernandes Silva Lima, titular da 2ª Vara Penal da Comarca de Tucuruí.  Foi ele quem concedeu, em 2008,  o pedido de prisão preventiva de Roquevan Alves da Silva, um dos líderes dos diversos movimentos deflagrados no município, inclusive o de ocupação das instalações da hidrelétrica de Tucuruí.

Depois daquele fato, Roqueven, com salvo conduto no bolso para garantia de sua liberdade, concedido pelo desembargador Milton Nobre através de liminar em habeus  corpus, passou a utilizar os veículos de comunicação locais para hostilizar o juiz, alvo, inclusive, de acusações infundadas disparadas pelo moço do Movimento dos Alagados pela Barragem (MAB)

No embalo da  ocupação das Eclusas, sexta-feira, oficialmente anunciada pelas entidades sociais em protesto contra a violência no campo, e forçando avanços nas negociações com a Eletronorte, o MAB incluiu a exigência  de substituição de Cláudio Hernandes.

Batendo tambor

Os índios Xicrins não desistem nunca.

Hoje cedo, eles voltaram a ocupar a sede da FUNAI, em Marabá, exigindo a presença do presidente do órgãol, para definir de vez   a assinatura do convenio com a VALE destinando repasse  de  aproximadamente R$ 450 mil  pela exploração do minério de ferro de uma área pertencente aos indígenas, em Parauapebas.

Atualmente o controle da verba é feito pela Funai. Os índios reivindicam que o repasse seja feito pela Associação Porekrô, formada por índios xicrins.

A verba atende a três aldeias xicrins, a dos Catetes, dos Djudjeko e a do Oodjo, localizadas em Parauapebas.

Pintados para guerra, eles estão lá, lembrando a luta dos gauleses  contra o Império Romano gostosamente contada em Asterix. 

É desse jeito a imagem fictícia transportada para a realidade.

Um conflito a se arrastar entre opostos literalmente distintos: os silvícolas cobrando ajuda financeira de uma poderosa mineradora, a segunda maior do mundo.

Ao longo dos anos, a VALE sempre demonstrou desinteresse em recompor parte das riquezas retiradas das terras dos rebelados índios, alegando ser vítima de chantagens e do consumismo incontrolável de suas principais lideranças. De outro lado, vozes da antropologia nacional apresentam resultados de estudos sobre o impacto da monetização sobre os hábitos de vida dos xicrins, constatando que ela trouxe problemas como a reprodução da desigualdade social do mundo capitalista nas aldeias e o consumismo.

E, sempre é bom lembrar, foi a própria Vale que, a partir de 1999, assinou contratos para repassar o dinheiro diretamente às associações indígenas, tirando da Funai o papel de intermediária. Dessa forma, os índios ficaram dependentes, cada vez mais,  da "mesada" da mineradora, endividando-se  no comércio por conta do que teriam a receber da empresa.

A história da Vale com os xicrins -e com outras tribos com igual potencial explosivo- tem uma sucessão de erros que comprometem cinco governos.

Bom senso

Parece confirmado o local escolhido pela prefeitura para a construção do estádio de Marabá, com capacidade para 20 mil torcedores: Km 9 da Transamazônica, sentido Itupiranga.

Se realmente for ali, finalmente, a equipe do Maurino acertou. Não há lugar estrategicamente melhor do que aquele, fora do centro da cidade.

As tentativas iniciais de posicionar a obra entre os bairros de São Félix e Morada Nova, do outro lado do Tocantins, era um risco muito grande.  Acarretaria demandas na estrutura de vias públicas, principalmente ao afunilamento de tráfego de veículos em dias de jogos nas imediações da ponte rodoferroviária. Sem falar de pesados investimentos num bem público destinado a fazer parte de território do futuro município de Morada Nova – mais cedo ou tarde uma realidade em via de tramitação no AL.

A suspensão das obras do estádio na Folha 16, atrás do ginásio Olímpico, determinada no inicio de janeiro tão logo Maurino Magalhães assumiu a prefeitura, foi decisão acertada. O ex-prefeito Sebastião Miranda escolheu, erradamente,  o local -, provavelmente na pressão de dar start, ainda em sua gestão, ao pleito exigido pela maioria da população.  Ali, o  novo estádio já nascia condenado, sem espaço para estacionamento, e expansão de sua capacidade, projetada para apenas 10 mil pessoas.

Desespero no ar

Quem conta essa aí é o Ademir Braz, na página dele,  Correio & Desenvolvimento, no Correio do Tocantins:

Passageiros do vôo 3870 da TAM, que partiu de Marabá para Belém às 12h35 de terça-feira, 21 de abril, viveram momentos de pânico  e angústia  quando a porta de emergência da aeronave se abriu a pelo menos dez minutos de decolagem. Entre os cerca de trinta passageiros encontravam-se os advogados marabaenses Antonio Francisco Filho e Claudio Corrêa Filho, a deputada estadual Bernadete ten Caten, seu marido Luis Carlos Pies e o universitário Elielson Souza da Silva, embarcados aqui.

Segundo Antonio Francisco Filho, com a força do vento o aviou arriou a traseira e obrigou os passageiros a correrem para a parte da frente tentando compensar o peso e reequilibrá-lo. Por sua vez, o comandante passou a voar a baixa altitude para evitar a descompressão total, reduzindo também  a velocidade. “Quando formos pousar em Val-de-Cães, diz o advogado, o piloto foi obrigado a arremeter para evitar um dano de proporções inimagináveis”. E, como se não bastasse o desespero de todos, a aeromoça entrou em crise.

Com muito custo realizou-se a aterrissagem e todos respiraram aliviados.

Todos louvaram a perícia e o sangue frio do piloto, do qual não se informou o nome. No aeroporto,  de onde os familiares acompanharam a arremetida da aeronave, ninguém no guichê da TAM deu qualquer explicação quando indagados. E, pelo visto, a única informação na imprensa sobre esta quase tragédia é esta reportagem aqui de Política & Desenvolvimento.

domingo, abril 26, 2009

Pantera come Leão

Deu o que todo mundo já sabia.

São Raimundo ( 2 X 1), campeão do Segundo Turno. Com Justiça e sobra.

Puniu a incompetência, a boçalidade e a empáfia.

Bem feito!

Para o acerto ser  geral, só falta agora o time de Santarém ser campeão paraense, derrotando o querido Paissandu, nas finais.

Para o bem do futbeol paraense.

Um certo Joãozinho grisalho

Foi numa madrugada de outubro de 1975 que ouvimos a primeira vez a voz daquele rapaz magrinho, tímido por natureza,  a nos acompanhar, caladinho, na boemia terminada sempre na Praça do Carmo, na Cidade Velha.

No dia em que soubemos da morte de Vladimir Herzog.

Todos cinco amigos ali em frente à entrada principal  do Colégio do Carmo, sentados num banco, embriagados de sonhos.

Entre choros e discursos inflamados, falávamos em ir embora do Brasil, viver na Argentina ou Chile.

Joãozinho, mais novo do que a maioria da turma, de repente, entrou em cena.

Tentando nos acalmar, construiu uma frase que depois ficaria famosa entre nós:

 

              - A liberdade floresce sempre da escuridão. Se a gente for embora, quem fica para combater a ditadura?


Ninguém nunca mais pensou em atravessar a fronteira.

Passados 34 anos daquele triste noite, a casualidade permitiu o reencontro meu com Joãozinho, na orla de Marabá, no final da tarde de sábado.

Era preciso o reencontro, para lembrar dos poetas e músicos que nos rodeavam, na fase mais dura do rochedo militar.  Para dizer, de novo, das canções e versos muito diferentes da linguagem  falada pela maioria submissa, entocada pelo medo em suas casas.

Era preciso o reencontro, lembrar dos tamborins usados nas batucadas de rua, sentados de cócoras  sobre a relva a permear  a pracinha de Marapanim, de frente pro mar.

Cada um de nós lançando gritos roucos, compondo canções  com a mesma forma e métrica. E o sentido sempre de apelo à liberdade.

No tempo em que a rua era nossa religião -, lembrou bem Joãozinho, no inicio da noite de ontem.

Nossas canções não eram canções de sensualidade, de gozo. Eram versos de protesto, canções contra a fome. Canções que falavam de quem estava nas prisões do país.

Também lembrou o agora grisalho companheiro: muitos de nossos antigos amigos, também poetas e músicos, tomaram novas estradas, revisaram sonhos. Alguns até condenados foram; outros, sem forças para dominar a loucura de suas aspirações, não saíram nunca das drogas, permanecendo nelas, até a morte, com seus olhares sombrios.

Porque eles queriam – filosofa Joãozinho, agora grisalho – sublevar-se contra a miséria e  contra os  deuses.

Àquela época que nos foi reservada viver nossa juventude, tinha, sim, um pouco da poesia universal.

Mas faltava-nos o essencial: o ar puro das liberdades.

Quando nos despedimos, passava das 7 da noite.

Joãozinho precisava pegar a estrada com dois amigos rumo a São Luís, onde constituiu família.

Antes, nos abraçamos demoradamente, lembrando o grito de guerra ensinado  por Geraldo Vandré, que cantamos, juntos, de frente pro Tocantins:

 

"No terreiro lá de casa

Não se varre com vassoura

Varre com ponta de sabre

Bala de metralhadora"

Feijão com arroz

               - Jornalista que faz cobertura de uma situação de conflito não pode se meter a negociador. A função dele é outra.
              
Simples, só isso. Como ensina Franssinete Florenzano, jornalista experiente e blogueira das mais visitadas.

É o "Diva" ou não?

"Diva" é um homem perigosíssimo. Seu nome verdadeiro, poucos sabem.

Mas "Diva" cria fama no Sul do Pará por envolvimento em pistolagem, provavelmente, também, em alguns assaltos a bancos na região, além de outras missões não menos radicalmente criminosas. 

As principais lideranças do MST conhecem o rosto de "Diva". Alguns repórteres, idem.

Há fortes suspeitas, com decclarações afirmativas de quem botou o olho no cara, da presença de "Diva" na fazenda Espírito Santo no momento do tiroteio entre seguranças e o MST.

Com a palavra, diretores da Agropecuária Santa Bárbara. 

Deu piti na advogada

Alberone Lobato, da DECA (Delegacia de Conflitos Agrários),  fazia as últimas perguntas ao repórter Edinaldo de Souza, quando foi surpreendido pelo ingresso à sala da  advogada da Agropecuaria Santa Bárbara,  Brenda Santis, em estado colérico. 

Bastante nervosa, Brenda cobrou as razões que levaram o delegado estar fazendo perguntas em excesso ao interrogado, revelando, principalmente, preocupação com o tipo de questionamento que pudesse levar o repórter a envolver o Grupo Santa Bárbara no inquérito instaurado.  Pela observação de quem estava na sala, deu para perceber a inquietação da advogada com perguntas destinadas a saber quem havia contratado a aeronave, descrição dos armamentos usados pelos seguranças da fazenda Espírito Santo, e se todos estes usavam fardas ou não, durante o conflito.

Mesmo sem ser advogada constituído do  repórter do jornal Opinião,   Santis rodou a baiana. E disse ao delegado Lobato sua disposição de denunciá-lo  à OAB.


Eclusas desocupadas

O canteiro de obras das eclusas de Tucuruí está livre para o retorno de seus dois mil trabalhadores.

A polícia acaba de retirar os manifestantes que ocupavam, desde sexta-feira, as instalações da Eletronorte e das empreiteiras envolvidas no empreendimento. No rescaldo, 14 pessoas presas -, entre elas oito líderes do movimento, inclusive Roquevan Alves da Silva.

A operação policial, determinada pela governadora Ana Júlia, foi acompanhada pelo Promotor de Justiça da comarca.

Os quatorze presos estão sendo transferidos para Belém, onde serão autuados.

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atualizaçào às 11:10

Tão logo a governadora Ana Júlia determinou a retirada dos 300 manifestantes das eclusas de Tucuruí, o Batalhão de Choque da PM repassou a estratégia de ação e, às 6 horas desta manhã, invadiu o canteiro de obras. 

A operação foi rápida, com uso de bomba de gás e posicionamento dos militares em pontos vitais da área. Um grupo de PM ficou responsável pela prisão dos principais líderes.

Estão sendo traneferidos para Belém: Odécio Monteiro Silva (Coordenador do MAB), Roquevan Alves da Silva (membro do MAB e pte. da Associação dos Moradores do Bairo Liberdade de Tucuruí), Aildo Ferreira Gonçalves (MAB),  Maria EdnaAlmeida Moreira(MAB), Domingos Ribeiro Gonçalves (MAB), Manoel Raimundo Campelo Cardoso(Colônia de Pescadores Z-32), Esmael Rodrigues Campelo (Z-32), Vanico Moraes Vanzels (Z-32) e Deolindo Marçal Barros (Z-32).

Por que a Folha é de Quinta Categoria

Paulo Henrique Amorim mostra, mais uma vez, a verdadeira face da Folha de São Paulo, decididamente, mais conservador do que o jornal Estadão:




A Folha (*) publicou hoje na primeira página uma notícia errada, em off, sobre o câncer da ministra Dilma Rousseff. Errada, porque não disse que era câncer.
Isso não é notícia que se dê em off.
Dar a entender que alguém tem câncer sem que a informação seja do doente, do medido ou do hospital.
Faz parte do jornalismo de quinta categoria que a Folha pratica. Muito parecido com a forma com que os adversários políticos vazaram para a imprensa que o candidato à presidência da República Mário Covas estava com câncer.
Segundo o que dizem os médicos de um hospital que deixa vazar uma informação dessa gravidade, a candidata do presidente Lula a presidência da República tem, hoje, depois de totalmente extirpado o câncer, tanta chance de ter outro câncer quanto qualquer pessoa.
A edição de hoje da Folha deve ser conservada em formol, porque se trata de uma antologia do jornalismo em decomposição que se pratica nesta subdemocracia.
Dois ou três domingos atrás a Folha praticou a fraude de sustentar, com apoio de uma ficha policial falsa, que um inexistente seqüestro de Delfim Netto poderia ser imputado às maquinações diabólicas da terrorista Dilma Rousseff. Isso foi num domingo, dia em que a tiragem da Folha é maior. Hoje, numa página par, menos lida, num dia de sábado, a Folha confessa que a “reportagem” era uma fraude: a ficha é falsa e não veio do DOPS, mas por e-mail de um leitor.
Quer dizer, o controle de qualidade da Folha vale tanto quanto o de um botequim de beira da estrada.
A Folha, se fosse séria, deveria perguntar a Zé Pedágio, membro da Ação Popular, se participou do atentado a bomba ao aeroporto Guararapes, em Recife, praticado pela AP.Se fosse séria, a Folha deveria perguntar se Aloysio Nunes Ferreira, candidato a governador de José Serra, assaltava ou ainda assalta bancos. Se fosse séria, a Folha passaria a dispensar o mesmo tratamento leviano sobre as doenças graves dos outros candidatos a presidente, se é que existem.
E poderia valer-se do sistema de preservação de confidencialidade que caracterizou o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Paulo Henrique Amorim
Em tempo: dirão os tucanos de plantão que a Folha cumpriu o dever cívico de divulgar uma informação que Dilma Rousseff provavelmente omitiria. Que é o mesmo que acreditar que numa situação comparável José Serra também cometesse o pecado da omissão. Os brasileiros e especialmente os eleitores paulistas não têm o direito de fazer essa suposição em um e no outro caso
.Em tempo 2: quando “noticiou” a ligação entre Dilma e o “seqüestro” de Delfim, a Folha honrou a fraude com o alto da primeira página do domingo. A confissão da fraude não pereceu a primeira página da edição de sábado.
(*) Já estava na hora de a Folha tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi “Cão de Guarda” do regime militar. Instigado pelo Azenha – clique aqui para ir ao Viomundo – acabei de ler o excelente livro “Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989”, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial, que trata das relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) com a repressão dos anos militares. Octavio Frias Filho, publisher da Folha (da Tarde), não quis dar entrevista a Kushnir.