sábado, fevereiro 23, 2008

Marcha à ré

Informação é de fonte bem vermelhinha: Edilza Fontes está perdendo terreno dentro da Democracia Socialista. E no governo.

A mais recente baixa no grupo de Edilza foi a exoneração do professor João Evangelista da diretoria de Ensino do Interior da Seduc, um dos afilhados preferidos de Fontes.

Mesmo com apoio de Edilza, João Evangelista perdeu na disputa interna da DS pela vaga de pré-candidato a prefeito de Rondon do Pará.

Centenário de Octavio Meira

Edson Franco soltando convite para a Sessão Especial em homenagem ao Centenário de Nascimento do acadêmico Octavio Meira, na Academia Paraense de Letras. O acadêmico João Carlos Pereira será o orador oficial.

Dia 28 próximo, na sede da APL, às 18 horas, na João Diogo, 235.

Internet lá e cá

Enquanto a maioria das cidades brasileira ainda depende da Embratel oferecer estrutura tecnológica de sofrível qualidade para os pequenos provedores locais permitirem a usuários conexão com a Internet, a Agência Aeroespacial de Prospecção do Japão (Jaxa) colocou neste sábado, 23, o satélite da internet de alta velocidade "Kizuna".

Função do equipamento: melhorar a comunicação de alta velocidade e alta capacidade em locais de difícil acesso à internet, permitindo melhor acesso à rede em regiões montanhosas e ilhas remotas nas quais a construção de infra-estruturas de acesso à internet é muito complexa.

A Embratel ainda é soberana no tráfego de dados de internet. Grande parte dos médios e pequenos provedores dos municípios brasileiros depende da infra–estrutura da empresa –, por onde se estima que passe cerca de 85% do tráfego de dados da web no país.

Em Marabá, como exemplo, os dois provedores legalmente instalados (Skorpionet e Leolar) não podem evoluir seus serviços em razão da política de desprezo da Embratel para com seus clientes. O prejuízo final quem paga sempre são os usuários da web que dependem dos dois provedores.

Em qualquer lugar, todo mundo depende da Internet, definitivamente consolidada também no Brasil. No futuro que já chegou a diferença se dará no processo de aplicação dessa tecnologia na sociedade. A sociedade que melhor aplicá-la ganhará diferencial competitivo em relação às outras. Isto também se aplica às empresas, às escolas, aos governos e às pessoas. Aquele que melhor aplicar a Internet terá mais benefícios.

Os japoneses, que já sabem disso há várias décadas, correm atrás do diferencial, ofertando conexão até nas montanhas longínquas do país.

Nota de Bernadete

Segunda-feira, aqui no blog, íntegra da Nota de Esclarecimento da deputada estadual Bernadete ten Caten (PT) . Terça-feira, na coluna do Diário do Pará.

Nota ratificando tudo o que o poster divulgou na edição de sexta-feira, 22, na coluna do jornal.

Aliás, ficou faltando alguns detalhes que agora o blogger acrescentará. Com todas as letras.

E Aêê?!

O Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Luppi esteve hoje em Belém participando do seminário "Trabalho e Trabalhismo", na sede da Câmara Municipal de Belém, reunindo a cúpula regional do PDT.

Será que os coleguinhas aproveitaram a presença do ministro para chamar pro limpo o escandaloso caso de trabalho escravo na Pagrisa?

Ou passaram batidos?!

Na porrada

O pré-candidato do PT a prefeito de Rondon do Pará, César Rosa Cunha foi agredido fisicamente por adversários. O clima político esquentou nem bem começaram as articulações em torno de pré-candidaturas.

Avant premier do que virá.

Depois do jantar

Viagem de última hora do poster adia para à noite deste sábado atualização do blog.

Bom final de semana a todos.

Depois do almoço

Atualização do blog, a partir das 14 horas.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

O que não se explica

A assessoria de imprensa da deputada Bernadete Caten (PT) enviou Nota de Esclarecimento tentando contestar notas publicadas na coluna do poster no Diário do Pará, edição de hoje, inclusive com cópias ao Diretor de Redação, Gerson Nogueira; e a colegas colunistas do jornal - como se o blogger não a publicasse em seu próprio espaço do Dário.

Amanhã, destrincharemos a bichinha aqui, tintin por tintin, enquanto chega terça-feira para a mesma nota sair na coluna do jonal.

Os patos na floresta

Excerto do post O Haiti não é aqui. Tailândia é aqui, do blogueiro João Lima.

Só nos últimos dois anos o sistema de licenciamento para a extração madeireira passou da ATPF, para o DOF e deste último para o SISFLORA.

Os instrumentos econômicos que financiaram a Amazônia, todavia, jamais se direcionaram à valorização da floresta e tanto menos a tornaram tão competitiva quanto a pecuária e a agricultura, pois jamais ocorreu o financiamento de um único plano de manejo florestal sustentável.
Os poucos FNOs que foram direcionados ao reflorestamento se limitaram basicamente à teca, em frações irrisórias, tanto para gerar material lenhoso estrutural quanto energético.
Agora, com a necessidade de reduzir os índices de desmatamento, se abordam os efeitos, nunca o sistema. Paga o pato quem é usuário e não quem o cria.

Coluna de Hiroshi Bogéa

Hoje, na coluna do poster no Diário do Pará:

1- R$ 68milhões para água de Marabá.

2- R$ 90 mil. Este o valor da multa que a deputada Bernadete Caten deverá pagar por desrespeito a legislação.

3- Quem é elite e quem é popular na disputa pela prefeitura de Marabá.

4- Secretário da Sefa continuará dando blitz nas coordenadorias do órgão.

5- Flexa Ribeiro e Mário Couto, quem diria, defensores da moralidade pública.

6- Em Tailândia, madeireiros preferem ser fiscalizados pelos agentes do Ibama do que pelos da Sema. Consideram aqueles , digamos assim, mais pragmáticos.

7- TRT reconhece trabalho forçado na Fazenda Rio dos Bois, de Pacajá.

Gente séria

Quem conhece o presidente da Associação Comercial e Industrial de Tailândia (Acita), Flávio Medeiros, sabe que o perfil dele é de defesa da legalidade.

O Repórter Diário, de hoje, ratifica isso.

Cuba não é aqui

Liminar do ministro Carlos Ayres Britto, do STF suspende alguns artigos da Lei de Imprensa (Lei 5.250/67), determinando a juízes e tribunais suspenderem, em conseqüência, andamento de processos e os efeitos de decisões judiciais ou de qualquer outra medida que versem sobre alguns dispositivos da legislação.

Enquanto isso...

A guerra da mídia contra o governo federal toma dimensões jamais vistas. Não me lembro de tantos ataques e de tamanha virulência contra um governo, como os que vêm sendo desferidos contra o governo federal. Talvez somente a campanha de Carlos Lacerda contra Getúlio Vargas tenha sido de tal monta.

Extraído do post Assédio Judicial assinado pelo mestre Francisco Junior, no Flanar.

O ódio, principalmente, dos grandes jornais de Rio e São Paulo, historicamente ligados aos interesses maiores do PIB dos dois Estados.

Dormindo com a filha

Era um chamego da doutora com a menina.
(...) Certo dia eu vi a minha filha dormindo na cama da doutora Anna Falcão enquanto ela tomava banho.
(...) A doutora, um dia, brigou para minha filha abrir a porta do banheiro enquanto a menina tomava banho.
"A doutora" chamou-a para dormir com ela "e acabei dormindo e quando me acordei ela estava passando a língua na minha costa".

Trechos acima são narrativas de Maria Eunice, mãe de uma menor de 15 anos, denunciando como a ex- delegada de Polícia Civil, Anna Shirlene Modesto Falcão, assediava sexualmente a menina em sua própria casa.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Cultura mórbida

Outro naufrágio nos rios da Amazônia.
Agora são sete as vítimas após o naufrágio de um barco em Itacoatiara (AM).

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atualização às 14:00

Confirmada agora a pouco pelo comando Geral do Corpo de Bombeiros do Amazonas a morte de nove pessoas em decorrência do naufrágio, acontecido por volta das 22h de ontem.

atualização às 21:17

O naufrágio do barco Almirante Monteiro, na madrugada desta quinta-feira (21), em Itacoatiara (AM), já produziu 10 mortes.

atualização às 21:39

Encontrada a 11ª vítima do naufrágio ocorrido no rio Amazonas.

atualização às 12.14 (22/02)

Já são 13 os corpos encontrados de vítimas do naufrágio do barco Almirante Monteiro.

atualização às 09.11 (23/02)

No total, 14 corpos de vítimas foram localizados. Seis pessoas estão desaparecidas e 92 sobreviveram.

Irresponsabilidade eterna

As duas grandes estradas federais que cortam o oeste do Pará, a BR-230 (Transamazônica) e a BR-163 (Santarém-Cuiabá), estão nesta época do ano na mesma situação dos anos anteriores: tomadas por atoleiros, buracos e muita lama. O governo federal liberou recursos para a manutenção da estrada, mas o dinheiro chegou atrasado e está sendo gasto somente agora, no inverno, sendo transformado literalmente em barro.

Assim começa o texto do Paulo Leandro Leal sobre a situação das rodovias Transamazônica e Santarém-Cuiabá. Cena repetida há mais de 35 anos.

Quatro em uma

Franssinete Florenzano, bem rapidinha, nos conta quatro interessantes:

1- Sabe quem está segurando o PSB na base de apoio ao governo?

2- O que difere a capivara do ser humano?

3- Deputada Regina Barata (PT) prevê vitória de Manoel Pioneiro (PSDB).

4- Um voto de repúdio da Frente Parlamentar Pró-Hidrovias e Portos do Pará cabe bem?


Cabe. Ela conta por que.

Regularização fundiária

Foi aberta agora de manhã, em Marabá, a primeira oficina do ciclo de capacitação e assistência técnica, com vistas à elaboração de planos municipais para a regularização fundiária urbana. “A idéia, segundo a secretária de Estado de Desenvolvimento Urbano, Suely Oliveira, “não é só capacitar os municípios para que elaborem seus planos municipais de regularização, mas, ajudá-los na elaboração de projetos”. 70% das áreas dos municípios paraenses são ocupadas irregularmente.

O Ministério das Cidades disponibilizou R$ 1 milhão para esse trabalho. Mas a Sedurb também conta com recursos do Pará Urbe, por meio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e do próprio PAC, para ampliar essa demanda,.
As oficinas ocorrerão em Belém, Marabá, Castanhal e Santarém, nos meses de fevereiro, abril, junho e culminância em agosto.

A primeira oficina de Marabá se estende até amanha, 22.

Fonte: Rosangela Gusmão

Festa popular

O deputado Robgol (PTB) estará em Marabá no final de semana, levando a tiracolo os ex-jogadores Oberdan, capitão do Paissandu na conquista do Campeonato Brasileiro, e o ídolo corintiano Biro-Biro.
Os três participarão de um jogo Senior à convite do deputado João Salame (PPS).
Detalhes na coluna do Diário do Pará desta sexta-feira,23.

Perde e agrada

- O Águia de Marabá, até agora, foi a melhor equipe que vi atuar no Campeonato Paraense deste ano.

Depoimento é do insuspeito especializado na matéria, Carlos Castilho, experiente comentarista da Rádio Clube.

Até agora, o Águia fez três jogos: duas derrotas e um empate.

Nos três jogos, segundo comentaristas, atuou melhor do que os adversários. Só não tem quem faça gols.

Batendo de frente

A Associação dos Delegados do Pará (Adepol) entrará outra vez em campo. Agora para posicionar-se quanto ao caso do promotor José Luiz Furtado.

Águas turvas

Na coluna do poster no Diário do Pará de amanhã, publicaremos informação nada agradável para pré-candidato a prefeito de Marabá.

Dor-de-cabeça à vista.

Bem-aventurados

Comentaristas enriquecem a blogosfera. Uns produzem informações inéditas, outros geram questionamentos produtivos.
No recente caso do promotor de Marabá, José Luiz Furtado que baleou sua esposa com um tiro na mão, leitores continuamk participando ativamente do blog, indignados com a violência praticada pela autoridade do Ministério Público.
A seguir, dois comentários a posts com perguntas procedentes:

Anônimo 1:
No Jornal Liberal, de hoje, o Presidente da Associação do Ministério Público diz que a entidade já tinha conhecimento de outras violências praticadas pelo Promotor Furtado, em Marabá. Agora é de se perguntar: o Dr. Francisco Barbosa, marabaense, ex-Procurador Geral de Justiça, e com familiares e muitos amigos em Marabá, nunca soube de nada? Será?

Anônimo 2:
O Ministério Público deveria se pronunciar, informando que iria afastar o Promotor de suas funções, até a apuração final dos fatos. Caso contrario, é a desmoralização total do Ministério Público. E lembrar que meses atrás os Promotores de Justiça Elayne Nuayad e Mauro Mendes, acusaram-se mutuamente de crimes que vão desde corrupção a estelionato, e nada ocorreu. Os grandes jornais da capital publicaram a matéria.

Ódio à democracia

Fidel Castro deixou muitos seguidores.
O chefão da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, é um deles.

Tailândia em Raio-X

O setor produtivo de Tailândia dependente de licenças dos órgãos ambientais apresenta reduzido número de atividades legais. Se alguém conferir a quantidade de serrarias e carvoeiras existentes apenas no entorno da cidade, a olho nu encontrará universo extraordinariamente assustador, principalmente de carvoeiras.
O poster teve o cuidado de levantar na Sema quem está realmente apto a produzir ou em fase de licenciamento. Um resumo:

Empreendimentos licenciados:
Madeireiras licenciadas: 22
Carvoeiras: 6
Indústria: 2

Em fase de licenciamento na Sema:
Madeireira: 77
Carvoeiras: 38
Indústria: 4
Postos de Gasolina: 5
Fazendas: 29

O pedido de licenciamento de fazendas inclui Planos de Manejo Florestal, reflorestamento e supressão vegetal (situações em que poderá haver desmatamento). Até o momento foram autorizados apenas um Plano de Manejo Florestal no município, da Florapac Indústria Ltda e um de reflorestamento. Os demais projetos possuem pendências de documentos.

Todos os empreendimentos foram notificados pela Sema, que aguarda as empresas apresentarem documentos necessários para o licenciamento, exigidos pela legislação.

É ou não é?

Pessoas ligadas a ele dizem que o deputado Manoel Pioneiro (PSDB) não terá nenhum obstáculo de elegibilidade para se candidatar à prefeitura de Ananindeua, em razão das contas rejeitadas pela Câmara Municipal.

Não é bem isso o que conta Marcelo Marques, em seu Blog.

Cabelos de Odair

Esta é do Jeso Carneiro. Imperdível, claro!

Enquete pautada para o site do tapajônico pergunta se o vice-governador Odair Corrêa fica melhor de cabelos:

a) Acaju com reflexo: Porque é uma cor atual. Ele rejuvenescerá uns 10 anos. Deve compor o visual com um leve topete. Com a sorte que tem, pode ser convidado para fazer comercial de goma de mascar.

b) Loirinho escuro com uma mecha azul. Em homenagem ao futuro Estado do Tapajós e ao movimento brega tão popular em Santarém.

c) Cor de chocolate. Em time que está ganhando não se mexe.

d) Pretos brilhantes, para combinar com os da governadora nas fotos oficiais. Afinal, eles têm que combinar em alguma coisa.

e) Deve raspar a cabeça, para que não pensem que ele não tem capacidade de mudar.

Quer participar? Clique aqui!

O que é bom se aplaude

Lúcio Flávio Pinto do Grão Pará.
Esse o título do post com o qual o jornalista-blogueiro Walter Rodrigues reverencia o talento de Lúcio Flávio, apontado por ele como o maior jornalista do Pará e um dos melhores do Brasil.


Antes que alguém no Pará discorde, esclareço que saí de Belém há 30 anos e tenho menos que uma vaga idéia de quem são os expoentes das novas gerações paraenses, incluindo essa gente que escreve na Internet e pouco a pouco arrebenta para sempre com a reserva de mercado dos profissionais. Pode ser que um ou outro escreva melhor, ou raciocine com mais sensatez ou fareje melhor uma boa notícia. No conjunto, duvido muito. Mas não discuto.

Na íntegra, Aqui.

Zé e o desmatamento

Um protesto de madeireiros, no município de Tailândia, conflagrou esta pequena cidade do Pará e obrigou o governo, a adiar o início da Operação Arco de Fogo, a maior já programada para se desenvolver em parceria entre a Polícia Federal (PF) e do IBAMA, contra o desmatamento predatório na Amazônia.
Desde 2ª feira eu falo aqui neste blog sobre esta operação e defendo sua realização. Meu receio era de que a operação não fosse desencadeada por contingenciamento (corte, ou adiamento do uso de verbas) no orçamento deste ano. Mas a suspensão da operação não ocorreu por este motivo.
Madeireiros concentrados em Tailândia impediram o IBAMA de retirar de serrarias 15 mil metros cúbicos de madeira ilegalmente apreendida pelo órgão. Nada menos que 10 mil pessoas, de acordo com cálculos locais, ocuparam as serrarias, incendiaram pneus e ameaçaram botar fogo também nos caminhões contratados pelo governo para retirar a madeira. Fiscais da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Pará (SEMA) foram detidos e mantidos em cárcere privado por duas horas pelos manifestantes.
Diante do que aconteceu, continua válido o alerta que faço há várias semanas: se o governo não parar com o contingenciamento orçamentário das verbas destinadas ao Pl,ano Nacional contra o Desmatamento, a ser desenvolvido naquela região envolvendo 13 ministérios, não haverá operação nenhuma que surta efeito naquela região.
Só recursos possibilitam a repressão e maior presença do Estado - União, estados e municípios - naquela área, para refrear o desmatamento, a grilagem de terras, a posse ilegal e à invasão pura e simples de áreas públicas e privadas na Amazônia. Sem essa liberação de verbas - mais a medida adicional, do corte do crédito bancário a desmatadores, inclusive nos bancos privados - não há como manter uma presença ostensiva naquela região das Forças Armadas, do INCRA e do IBAMA, das polícias Federal e Militar dos Estados, e da Receita Federal.

Texto é do ex-ministro José Dirceu, em seu site.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Quem sabe, sabe

Na edição de 9 de novembro/2007, a coluna do poster no Diário do Pará publicou a seguinte nota:


Caserna mau humorada
O ambiente não está dos melhores nos quartéis paraenses. A insatisfação dos oficiais com o comandante geral da Policia Militar, coronel Luiz Cláudio Ruffeil, não foi arrefecida, como indicam as aparências. À coluna, no final da tarde de ontem, um oficial garantiu que a saída de Ruffeil do cargo é questão de “breves meses”. Se o comandante permanecer na função mais do que 160 dias, garante, haverá rebelião generalizada.

Passados exatos cem dias da informação, o que se vê nos quartéis é exatamente o que a nota antecipou: destemperos com riscos de agressões físicas entre oficiais, contra-ordens às ordens superiores, intrigas, fofocas e a hierarquia afundando.

O governo precisa resolver essa bronca, urgentemente, sob risco de não colocar ordem na casa. E a administração perder-se completamente por força de uma rebelião militar.

Uh! cadê tu?!

A delegada Silvia Mara, Superintendente de Polícia do Sudeste, está precisando, urgentemente, da força moral da sociedade de Marabá no enfrentamento às forças poderosas, e ocultas, no rescaldo do Caso Furtado.

Ícone da luta em favor do respeito aos direitos das mulheres, a delegada foi vista, várias vezes, encarando com destemor a brabeza de machos de todos os tamanhos físicos e matizes sociais, destacando-se, principalmente, quando comandava a Delegacia da Mulher.

Outra vez, agora em função hierarquicamente superior, a destemida delegada não recebeu, ante a tantas pressões, pelo menos publicamente, manifestação de apoio de nenhuma associação feminina que ela tanto defende.

Quem conhece Silvia Mara, independente de apoios morais, sabe que ela não recua. Mas seria dignificante, para todos, se pelo menos uma entidade viesse a público dizer que o Caso Furtado precisa, sim, ser investigado até o fim.

Em tempo: as pressões contra a Policia não partem de superiores da Polícia. São ameaças veladas do corporativismo.

Fidelização

"Penso como Niemeyer que é preciso ser conseqüente até o final". (Fidel Castro)

Estranhos no Ninho

Observador da operação de fiscalização em pátios de serraria em Tailândia conta que não foi bem digerida pelos fiscais do Ibama a operação integrada com seus colegas da Sema. Experientes, os fiscais do órgão federal, que possuem quase duas dezenas de anos de experiência em operações nas costas, fizeram tudo para dificultar e colocar para escanteio a atuação dos fiscais da Sema.

Diziam que iam para um rumo e seguiam para outro, fizeram inclusive defesa veemente de empresas que não deveriam ser fiscalizadas, sob a alegação de que elas estariam regulares, mesmo sem terem checado a papelada. Não faltaram comentários maldosos na cidade, incluindo a cobrança de dividendos para fazerem vista grossa. Conta a rádio cipó, que a oferta ficou na casa dos R$ 30 mil. Jura, porém, que a empresa teria recusado a provocação.

Saída pela esquerda
É fato que na hora em que se negociou uma saída de emergência dos fiscais (do Ibama e da Sema), que ficaram impedidos de ir e vir dentro de uma serraria, os do Ibama, milagrosamente (ou seria espertamente?) conseguiram escapar rumo à Belém. Já os da Sema se perderam no labirinto dos ramais e demoraram horas para chegarem em um destino em que se sentiam minimamente seguros. Porém o rumo era outro: Sudeste do Estado. Deixaram para trás todos os seus pertences. Saíram de Tailândia como se fossem os bandidos da história.

Inversão de valores
Já os verdadeiros praticantes dos ilícitos afrontavam a opinião pública, usando como escudo a informação de que “famílias estão passado fome” e que a ação governamental vai gerar desemprego, numa safada tentativa de justificar o crime que praticam. É de se perguntar: as serrarias que operam ilegalmente em Tailândia foram instaladas no dia do início da operação? Não foram poucos os veículos de comunicação que embarcaram nessa.

Priorizando metas

O secretário de Governo, Cláudio Puty, coordena o planejamento das ações prioritárias do Estado para 2008, já em fase de acabamento. A primeira versão foi apresentada aos gestores no último dia 14 e a segunda, e última, sai no próximo dia 29.

A governadora Ana Júlia tem pressa e lembrou aos secretários que quer, além da integração entre os órgãos, a interiorização. E nada de privilégio a um outro município com base em cor partidária.

O monitoramento vai ser feito de perto pela Segov.

Gosto de sal

Deputados da base aliada do governo estão ariscos.
O clima na Assembléia não é bom. E pode piorar o humor em relação ao governo.
Alguns exemplos:

1- Os deputados Cassio Andrade (PSB) e Roberto Santos (PRB) se negaram a participar, ontem, da reunião dos lideres do governo. Disseram que esses encontros servem mais para dar secura na garganta, já que não se resolve nada.

3- O deputado Roberto Santos anunciou sua viagem a Brasiclia, esta semana, com objetivo de rediscutir com a executiva nacional do PRB a aliança com o PT, no Pará. Se depender dele, a legenda se afastaria da chamada base aliada.

3- Durante apreciação e votação de matéria com um veto da governadora Ana Julia a projeto do deputado Haroldo Martins (PT), o resultado da votação sinalizou fortemente a tendência de insatisfação.

Dos 25 deputados presentes, dez foram contrários ao veto, dez favoráveis e 5 abstenções. O próprio deputado autor do projeto, Haroldo Martins, se manifestou favorável ao voto.
A votação sobre o veto foi secreta, como determina o regimento interno da Assembléia Legislativa.

Intramuros, sabe-se que são várias as motivações para a rebeldia, com destaque para duas: não atendimento ao pleito dos parlamentares e tratamento diferenciado a prefeitos do Partido dos Trabalhadores.

Territórios da Cidadania

O Estado do Pará foi dividido em oito Territórios da Cidadania, novo programa de inclusão social do presidente Lula que será lançado dia 25 de fevereiro, com investimento estimado em 11,3 bilhões para 2008 para a execução de 135 ações de desenvolvimento regional e de garantia de direitos sociais.

Setenta municípios paraenses serao beneficiados com financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), ampliação da assistência técnica; construção de estradas com a ampliação do Programa Luz para Todos; recuperação da infra-estrutura dos assentamentos com a ampliação do Bolsa Família; implantação de Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) com a ampliação dos programas Saúde da Família, Farmácia Popular e Brasil Sorridente; e a construção de escolas com obras de saneamento básico e construção de cisternas.

Por sua concepção e gerenciamento, o Territórios da Cidadania difere de outros programas sociais por não se limitar a enfrentar problemas específicos com ações dirigidas. Ele combina diferentes ações para reduzir as desigualdades sociais e promover um desenvolvimento harmonioso e sustentável. Um exemplo concreto: não basta financiar a construção de um laticínio em uma região desprovida de eletricidade suficiente para fazer funcionar os equipamentos ou de estradas para escoar a produção. É necessário, antes, suprir a região com a eletrificação e as estradas. Por essa razão, o programa envolve 15 Ministérios.

Os oito Territórios da Cidadania no Pará são os seguuntes:

Território do Baixo Amazonas
Alenquer, Belterra, Curuá, Faro, Juruti, Monte Alegre, Óbidos, Oriximiná, Prainha, Santarém e Terra Santa.

Território da BR 163
Aveiro, Itaituba, Jacareacanga, Novo Progresso, Placas, Rurópolis e Trairão.

Território do Nordeste
Aurora do Pará, Cachoeira do Piriá, Capitão Poço, Dom Eliseu, Garrafão do Norte, Ipixuna do Pará, Irituia, Mãe do Rio, Nova Esperança do Piriá,
Ourém, Paragominas, Santa Luzia do Pará, São Domingos do Capim e
Ulianópolis.

Território do Sudeste
Eldorado dos Carajás, Itupiranga, Marabá, Nova Ipixuna, Parauapebas,
São Domingos do Araguaia e São João do Araguaia.

Território do Sul do Pará
Bannach, Conceição do Araguaia, Cumaru do Norte, Floresta do Araguaia,
Pau DArco, Redenção, Rio Maria, Santa Maria das Barreiras e Santana do Araguaia.

Território do Marajó
Afuá, Anajás, Bagre, Breves, Cachoeira do Arari, Chaves, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Muaná, Ponta de Pedras, Portel, Salvaterra, Santa Cruz do Arari, São Sebastião da Boa Vista e Soure.

Território do Baixo Tocantins
Abaetetuba, Baião, Barcarena, Cametá, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru,
Mocajuba, Moju e Oeiras do Pará.

Território da Transamazônica
Altamira, Anapu, Brasil Novo, Medicilândia, Pacajá, Senador José Porfírio,
Uruará e Vitória do Xingu.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Fábula horrorosa

O presidente de determinado órgão do segundo escalão do governo do PT precisa ficar de olhos abertos fotografando os passos do Obelix, um de seus diretores.

O caraíba passou grande parte dos doze anos dos governos tucanos em postos chaves e sobreviveu ao atual, todos sabem como. E não teve mágica. Apenas um link.

Diz ser amigo do personagem principal, e que comprovadamente possui uma força sobre-humana, como se tivesse num calderão de poção mágica do druida Panoramix, recebendo o poder de permanecer aonde realmente quis ficar, sem ser molestado.

As maiores diversões do Obelix tupiniquim são causar terror psicológico e perseguição direta a leais legionários do atual governo, e claro, fazer uma boa refeição, de preferência javalis assados em churrascarias de Brasilia que devora com enorme apetite, ao lado de espertos lobistas.


O Ideiafix dele não é o cãozinho inteligente e ecologista que acompanha nosso herói de quadrinhos. Sua Idéia Fixa é colocar a Tchurma dele dentro do órgão, através de concorrências publicas só Deus sabe como conduzidas.


Muita água, água demais vai rolar no enredo.


Que o blogger narrará com bastante entusiasmo. Sem se afogar.

Como lendo gibi.

Para restaurar a ordem

Agora a pouco, repórter de Tailândia informou ao blogger que o dono da serraria Taiplac foi quem incentivou seus empregados e de outras madeireiras a prenderem nas dependências do próprio estabelecimento cinco agentes do Ibama e quatro da secretaria estadual do Meio Ambiente, impedido-os de coordenarem a retirada de caminhões com a madeira apreendida no local, semana passada.

Ao constatar a gravidade do gesto, o madeireiro passou a adotar postura de negociador entre os trabalhadores tentando convencê-los a libertar os reféns, inclusive colocando-s numa sala refrigerada em seu escritório.

A rodovia Pa-150 continua obstruída pelos manifestantes.

O secretário da Sema, Valmir Ortega, disse esta tarde que a questão agora é exclusivamente de polícia, diante do clima de confronto estabelecido.

Na cidade de Tailândia foram apreendidos 10 mil metros cúbicos de madeira extraída irregularmente, cujo transporte para Belém necessita de 500 caminhões. Como na micro-região não existe transportadora estruturada à altura da demanda, a Sema está tendo dificuldades para cumprir sua programação.

O comando da Polícia Militar está neste momento reunido em Belém com assessores de Ana Julia para definir qual estratégia adotará visando resguardar a segurança dos agentes do Estado no transporte da madeira para a capital.

Uma coisa é certa: a bagunça em Tailândia não será permitida. Sinal de que muitas prisões estão por por.

46 milhões para Marabá

Nesta quarta-feira, 20, Governo do Estado e Cosanpa aterrissam em Marabá. Vão apresentar à população os projetos do PAC, que envolvem ampliação do sistema de abastecimento de água e implantação do sistema de esgotamento sanitário. Cerca de 42 mil famílias serão beneficiadas com essas obras, cujos investimentos chegam a 46 milhões de reais.

Culpa é do mordomo

O promotor José Luiz Furtado recebeu a imprensa em seu gabinete, no Ministério Público de Marabá, no final desta manhã.
Resumo da versão dele às acusações feitas por sua mulher de tentativa de assassinato:

Os fatos estão sendo deturpados pelo lado que eu chamo de “banda podre”da Polícia Civil. O que houve foi um acidente doméstico em minha casa em que a minha companheira acabou sendo lesionada na mão. Não (a esposa) prestou nenhuma ocorrencia policial, mas como se trata de um promotor , a polícia, com aquele sentimento de vingança porque há 13 anos eu combato essa banda podre da policia de Marabá, numa primeira oportunidade, cometeu uma série de truculencias e trâmites contra mim e contra meu patrimonio.
Invadiram minha casa e a casa de minha irmã sem ordem judicial. Meu caso nao estava em estado de flagrante . Eles queriam me prender para me apresentar como um trofeu. Agrediram um menor de 15 anos e prenderam meu caseiro sem justa causa,
Não havia nenhum comando na invasão, inclusive, um motorista de policia portando arma de fogo também invadiu minha casa, o motorisra Gilson Peres. Sumiu a arma autora dos disparos.Quando eu fui para Belem, ontem de manhã, a arma ficou dentro da casa e a arma sumiu.
O interessante é que haviam quatro funcionarios meus em casa e nenhum deles foi convidado para acompanhar as buscas nos quartos.
Subtrairam um computador da minha irmã que é auditora da Sespa com dados confidenciais. Dispararam armas de fogo dentro da minha casa, pegaram meus álbuns de familia,
Enfim a banda podre da policia fez tudo isso, mas tenho certeza de que tudo isso sera revisto. E a verdade permanecerá.

Você atirou em sua esposa? O que realmente aconteceu no seu quarto com ela?
Não, não, não, não! Não atirei. Foi um tiro acidental. Foi um tiro acidental durante uma discussao, um entrevero de casal. E tudo isso será devidamente esclarecido para a polícia. Até porque eu não quero falar nada porque ela ainda está no hospital e seria até leviano de minha parte dizer alguma coisa. Entao eu quero que ela se recupere para que ela diga o que realmente aconteceu dentro do quarto.

A policia diz que esta não foi a primeira vez que o senhor agrediu sua esposa.
Isso não é do meu desconhecimento. Eles estao dizendo que foi registrado uma ocorrência, isso eu nao tenho conhecimento. Mas se ela registrou ocorrência, por que a polícia nao apurou? A policia deveria ter apurado! Deveriam ter me ouvido. Deveriam ter me processado pra mandar para a corregedoria. Eu nao tenho conhecimento disso.
A policia apresentou à imprensa uma relacão de objetos retirados de sua casa: 4 cartuchos 1.40 de uso exlcusivo das forças armadas; 13 cartuchos calibre 32 intactos; 2 cartuchos 9 mm; 3 de arma 32. Oito cápsulas deflagradas de calibre 32 e uma de calibre 38. Também na delegacia, encontram-se uma CPU, 3 suportes para munição, um suporte para pistola; um suporte para arma longa, 12 caixas de uisque vazias e duas garrafas de uisque vazias, além do álbum de fotografias e documentos pessoais. No momento dessas aprensões, haviam dois delegados e policiais, acopanhados de peritos do IML, e, à tarde, estiveram em seu imóvel uma equiepe do Ibama para apreeender animais silvestres.
Alem desses objetos apresentados à imprensa, o senhor diz que sumiu a arma do acidente?
Sumiu a arma do acidente. E veja bem, das quatro pessoas que estavam lá, nenhuma foi convidada para acompanhar as buscas. Estranhamente, estranhamente.
De todos os projéteis apresentados nessa relaçao, eu so reconheço as capsulas 765. Das outras todas, a policia nao achou nada que pudesse me incriminar. Isso com certeza foi plantado pela policia dentro da minha casa porque lá nao tinha ninguém. Foi uma invasao ilegal e absurda. Meus funcionarios foram constrangidos e algemados, ninguem presenciou nada, não encontraram nada.
Isso é uma prova podre porque nao está revestida de formalidades legais.

Há um BO assinado pela sua esposa, em 2 de novembro passado, acusando-o de ter jogado um copo contra ela.
Eu nao tenho conhecimento, mas se houve o registro, por que a policia nao procedeu? Algo de estranho está acontecendo. Então prevaricaram! Eu vou saber quem prevaricou, certo? A “banda boa” da policia vai ter de dizer quem prevaricou para processar o prevaricador, ok?

Régua e compasso
Mancipor Oliveira Lopes, advogado do promotor Luiz Furtado, tem explicação no mínimo intrigante para justificar a série de disparos desferidos no interior do quarto do casal, resultando num bobo “acidente doméstico:

Em hipótese alguma o promotor atirou contra a sua esposa. Considerando o numero de disparos ocorridos no quarto do casal e considerando a habilidade pelos mais de 15 anos de Polícia Federal desenvolvidos pelo dr. Furtado, se eventualmente ele tivesse a intenção de matar, ou quissesse matar sua companheira, ninguem poderia impedir esse fato. Isso é verdade. Isso sem duvida foi um acidente iniciado por conta de uma discussao natural de qualquer casal.

Mancipor Oliveira aproveitou entrevista para dar o pulo do gato - ou melhor, do advogado -, para tentar desqualificar o depoimento de Maria Odinéia Rodrigues Farias, no qual ele confirma a tentativa de assassinato:

Ainda ontem, sob efeito de medicamentos e anestésicos por conta da cirurgia, foi (Odinéia) de forma acintosa procurada pela delegada para prestar esclarecimentos sem ter a noção de tempo e espaço necessário para prestar um depoimento com isenção
Com o tempo e a apuração dentro da legalidade será demonstrado o que de fato aconteceu e ficará esclarecido que foi apenas um acidente doméstico.

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Atualização às 14:28

A princípio, imaginava-se o promotor José Luiz Furtado ruim de tiro para dedéu, considerando disparos de diversos projéteis contra alvo encurralado num quarto, e apenas um acertar a mão da vítima.

Agora sabe-se que a autoridade é especialista em tiro, por conta do tempo servindo a Polícia Federal. Motivo, portanto, para a população de Marabá considerar os tiros deflagrados apenas como surto de raiva. Ou de terror mesmo.

Lembra até aquela velha história do Maluf: estupra mas não mata!

Governo de gente

Territórios da Cidadania. Esta a próxima atração de inclusão social do presidente Lula, que lança o programa dia 25 de fevereiro.

O Pará será contemplado com 4 territórios: Baixo Amazonas, Marajó, Transamazônica e Sudeste.

Novo programa reúne 133 ações de desenvolvimento regional e de garantia de direitos sociais, beneficiando cerca de mil municípios, somente este ano, onde se localizam 60 das áreas com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País. O investimento previsto é de R$ 11,3 bilhões em 2008.

Lamentavelmente...

... O TRE absolveu, nesta manhã, por infidelidade partidária, os vereadores de São Geraldo do Araguaia, Maria Félix e Raimundo Dias Filho.

Continuarão enganando o eleitorado do município.

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atualização às 19:21:

Comentarista restaura veracidade de teor do post:

Não foram absolvidos, não.A decisão do TRE foi a seguinte: "À unanimidade, o Tribunal acata a preliminar de decadência e extingue o processo com resolução do mérito, nos termos do voto do Relator. (Acórdão n.º 20239)."Os partidos tinham até 30 dias da publicação da resolução para entrar com pedido de perda do cargo. Se o partido não pedisse nestes 30 dias, o suplente e o MP tinham mais 30 dias.Passados estes 60 dias, sem ninguem pedir, não mais cabe a decretação de perda de cargo, por decadência.O TRE nada podia fazer já que o Partido traído e o suplente durmioco não entraram com pedido no prazo previsto pela resolução do TSE.

Promotor vai à guerra

Polícia de Marabá, durante busca na residencia do promotor José Luiz Furtado, recolheu 4 munições 1.40 milímetro; 13 balas calibre 32; 2 munições 9 milímetros; 1 bala 44 m, de uso exclusivo.

No arsenal do promotor, também três suportes para munição e 1 capa para arma de grande calibre.

Constararam também que haviam sido deflagradas 8 protéjeis em diversos pontos da casa, com marcas pelas paredes e móveis.

E numa guerra, como ninguém é de ferro, onze caixas de uisque, devidamente vazias.

Para surpresa dos policiais, diversos animais silvestres compõem também a residencia do promotor. Agentes do Ibama, acionados, efetuam o inventário do criatório.

atualização às 10:42

O promotor Luiz Furtado já está trabalhando normalmente em seu gabinete, no Ministério Público de Marabá. Na edição de hoje do Correio do Tocantins, declara que no momento em que concedia, pelo celular, entrevista ao jornal, encontrava-se no interior de seu carro dirigindo-se a Belém, onde se apresentaria ao Procurador- Chefe do MPE.

Como já despacha normalmente em sua sala de trabalho, conclui-se: 1) ou o promotor desisitiu no meio do caminho de sua viagem a Belem, retorndo à cidade; 2) ou, em verdade, ele nunca saiu de Marabá.

O blog fica com a última dedução, reforçando rumores de que ele estava realmente em sua sala do Ministério Público trabalhando durante todo o dia de ontem, enquanto a polícia corria-lacoxia por outros lugares.

O poster tenta uma entrevista com o promotor. Mais tarde, novidades aqui.

A voz do dono

O Ministério Público Estadual, através de sua assessoria de imprensa, distribuiu curta nota explicando que os fatos envolvendo o promotor José Luís Brito Furtado e sua esposa Maria Odinéia Rodrigues, 40 anos, "serão investigados conforme o disposto na Lei Orgânica Nacional do Ministério Público em seu artigo 40, inciso III, que determina que em se tratando de crime inafiançavel, em flagrante, envolvendo membro do MP, as autoridades policiais tem 24 horas para apresentá-lo ao procurador Geral de Justiça".

Pronto.

A voz do Promotor

Pelo telefone, o promotor José Luiz Furtado concedeu entrevista ao Correio do Tocantins.

Resumo:

1- Disse que o que ocorreu entre ele e a mulher foi um acidente doméstico, e que os policiais civis aproveitaram do fato dele ser uma autoridade pública para se promover.

2- Demonstrou irritação com a invasão da residência dele pelos policiais civis, em sua busca. “Foi um abuso de autoridade da delegada Claudia (Eli Seixas ), a mando da delegada Silvia Mara (Superintendente de Polícia)”.

3- Quanto ao seu caso, “um acidente doméstico”, o promotor disse que a polícia não tem competência para resolver o problema, uma vez que se houve uma pessoa lesionada deve ser apurado, “mas pelo órgão competente queé o ministério Público Estadual, representado pelos procuradores da corregedoria”.

4- Ao jornal, Luiz Furtado disse que “quem pode lhe processar e julgar é o Tribunal de Justiça do Estado do pará e que autoridade policial não tem competência para fazer isso, e que o fizeram para se promover, mas que todos serão responsabilizados”.

atualização às 10:11

Silvia Mara, Superintendente de Policia do Sudeste, falou agora com o poster, refutando a tese do promotor Luiz Furtado de que teria sido ilegal a busca na casa dele, sem ordem judicial.
O que ela disse:

Operação
Todos os procedimentos de busca na casa do promotor José Luiz Furtado foram feito dentro da legalidade. Ele estava ainda em estado de flagrante, por ter disparado vários tiros contra a sua esposa, inclusive um atingido sua mão. Na chácara onde ele mora com a família, a policia foi impedida de entrar pelo caseiro do promotor, apesar de várias tentativas de persuadi-lo para facilitar o acesso da diligência. Diante da insistência do funcionário em dificultar a operação, a polícia arrombou uma porta lateral do domicilio.

Ele alega que invadimos sua casa sem autorização judicial, mas em estado de flagrante esse instrumento não é necessário. No caso dele, inclusive, o promotor estava em fuga, ou seja, flagrante continuado que vai além das 24 horas.
E nós só fomos tentar prendê-lo em sua casa depois de ouvirmos a confirmação de Odinéia (esposa do promotor) de que sofrera realmente tentativa de assassinato.


Vítima confirma disparos
Segundo Silvia Mara, não procede o argumento do promotor de que teria havido apenas um acidente doméstico em sua casa. “A vítima, esposa dele, confirmou a agressão e os disparos contra ela”.

Investigadores perguntam como pode ter sido um simples “acidente doméstico” se foram encontradas marcas de disparos em diversas pontos da casa, inclusive em móveis.

A delegada confirmou que uma equipe de legistas também esteve acompanhando as diligencias policiais na propriedade de Luiz Furtado.

Voz oficial

Está marcado para às 10 horas coletiva no Ministério Público de Marabá.
Tema será o Caso Furtado. Não disseram quem falará pelo MP, mas pelo menos alguém do órgão de manifestará.
O blog vai conferir.

Como ferradura

Miguel Cunha, diretor de Polícia do Interior, em longa conversa com o poster, declarou sua indignação com a atitude do promotor José Luiz Furtado. “Não basta fugir do flagrante, porque a nódoa ficará impregnada para o resto da vida na biografia dele. O promotor Furtado cometeu um crime e por ele tem de pagar, como pagam todos aqueles que praticam delitos da mesma natureza”, disse.
Na coluna do Diário do Pará de hoje, mais detalhes.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Efeito Teflon

É bastante interessante, e agradável, perceber o quanto o povo brasileiro ri dos pulos de tucanos e demonianos querendo afundar o governo Lula – com apoio de grande parte da mídia preconceituosa de São Paulo. Quanto mais gritam, mais vivas a população dá.

Ao Lula, é claro!

Não por acaso, o bispo dom Flávio Cappio e Letícia Sabatella chegaram a ouvir breves vaias de populares ao deixar o Congresso Nacional após participação em ato contra a transposição do Rio São Francisco.

Ambos, padre e atriz, nunca passaram fome, e nem sede, no sertão brabo nordestino pra se darem a atitudes de transigência para com as circunstâncias sociais.

A reação do povo brasileiro em apoio ao seu presidente afunda, ao mesmo tempo, o discurso do próprio religioso, ao acusar Lula de ter “traído quem o ajudou”.

Policia procura Promotor

O que se diz na Polícia de Marabá é que o promotor José Luiz Furtado encontra-se foragido.
Dois delegados comandam operação de busca da autoridade que disparou cinco tiros de pistola 7.65 ( e não três, conforme post anterior) contra a sua esposa Edinéia. Graças a falta de conhecimento de manuseio da arma, dos cinco tiros queimados, a autoridade do Ministério Público acertou apenas um projétil na vítima.

O poster conversou dez minutos atrás com familiares de Edinéia que confirmaram informações da forma violenta com que Luiz Furtado às vezes investe contra a companheira, inclusive com registro de agressões físicas. Os motivos da tentativa de assassinato são desconhecidos.

Os delegados Luiz Paulo e Cláudia Eli, da Delegacia da Mulher, chefiam as diligencias para localização do foragido. A poucos instantes, na chácara do promotor, policiais deram buscas sem êxito.
Todavia, há rumores de que Luiz Furtado estaria trabalhando no prédio do Ministério Público, na Cidade Nova. O blogger não conseguiu checar informe.

A recepcionista do MP nega a presença de Furtado em seu local de trabalho, bem como outras duas pessoas consultadas pelo telefone.

Em verdade, dá pra sentir a existência de um véu encobrindo os desdobramentos do fato. É como se tentassem surfar em ondas bravias em mares de tempestade. A pedra quente jogada de mão em mão.

O mais provável é que o promotor apresente-se à polícia cumprido o prazo legal de flagrante.


Atualização às 13:40:

Curta-metragem: se realmente for confirmada a presença do promotor em seu local de trabalho, mais um remake transportado para a vida real. Do tipo Matou a Família e Foi ao Cinema.


Atualização às 15:59:

Edinéia, esposa do promotor Luiz Furtado, não corre risco de vida.

Sorte dela o marido não saber atirar.

Provavelmente o terceiro tiro atingiu-lhe as mãos, o que obrigou os médicos submeterem a vítima a demorada cirurgia de reconstituição de tecidos. Há probabilidade de Edinéia perder os movimentos manuais.

Em 2 de novembro de 2007, um BO assinado por Edinéia registra agressão física e humilhações verbais praticados contra ela pelo promotor.

Ficou por isso mesmo. Apenas registrado à posteridade, em papel.

Antologia porco-chauvinista

O Repórter 70 de domingo estava impossível.

De todas as traquinices, a boa foi a que registra a intenção da mesa diretora do Senado abrir licitação para “retransmissão das suas sessões para o Pará através da TV Senado".

Principal motivo dessa hipotética decisão:

Como o Senado tem três senadores de oposição ao governo estadual - Flexa Ribeiro, Mário Couto e José Nery -, não parece boa coisa para os governistas a sintonia do telespectador paraense na TV Senado.

Bizarrice

Algumas pessoas ficaram intrigadas com nota publicada em O Liberal dando conta de que o senador Flexa Ribeiro (PSDB) cortou a orelha, ao adentrar em sua adega para buscar um litro de vinho com o qual presentearia o arquiteto Paulo Rocha.
Está todo mundo ligado na TV Senado para ver como se apresenta a hélice do capitel coríntio de Sua Excelência.

atualização às 14:42:

Como o arquiteto Paulo Rocha não é o deputado Paulo Chaves, conforme sugere o post acima, fica valendo o nome verdadeiro do arquiteto: Paulo Chaves.

E as desculpas do poster, com a o hábito de escrever a mil por hora, sem corrigir depois.

Perdoem, deputado Paulo Rocha e arquiteto Paulo Chaves.

Vingança malígna

Humor fedorento de um pecuarista, numa rodada de amigos na sede da AABB, domingo, em Marabá:

- Quanto mais Belém se opõe à criação do Estado do Carajás, mais merda será solta na CDP. Todo dia temos condições de mandar pelo menos cinco carretas chapadas de bovinos para soltar “perfume” na Estação das Docas”.

O que o alegre produtor não disse é se ele gosta de pagar ICMs sobre o gado vendido ou tentar burlar a lei nas barreiras da Sefa.

Passsional

O promotor de Justiça de Marabá, José Luiz Furtado, disparou três tiros contra sua esposa Edinéia. Um dos disparos atingiu a vítima que se encontra hositalizada em Marabá.

A superintendente Silvia Mara informou agora a pouco não ser esta a primeira vez em que o promotor pratica ato delituoso contra a esposa.

Motivação do crime seria ciúme.

Agora, cabe a pergunta: o crime praticado pelo promotor será investigado como se investiga delito do gênero?

Parto-Elefante

Parto demorado como esse, nunca se viu.
Hospital Materno-Infantil de Marabá será inaugurado dia 29 de fevereiro.
Quase dez anos depois de iniciado.
Ano bissexto.
Ora, viva!

domingo, fevereiro 17, 2008

Mania de vencer

A sétima e a oitava maravilhas do mundo comemoram, antecipadamente, a Taça Guanabara.

Gostoso comer bacalhau.

É até covardia ganhar de um pato.

Nós, do Bifão, não nos responsabilizamos

com o que ocorrerá, no próximo

domingo, no Maracanã.

Foi nos bares da vida

Bom era no Batukão...

A gente chegava ainda claro, antes mesmo do pessoal armar as mesas. Inclusive não era raro esperar lugar pra sentar já com um copo numa mão e uma amostra de amendoim torrado na outra.

Para quem não conheceu o lugar, ficam minhas sinceras condolências e uma notícia ruim: o Batukão era o "seu bar". Todo mundo que ia lá pela primeira vez descobria isso rapidamente.

Funcionava na av. Antonio Maia, onde hoje parece existir uma sapataria, a Elos Calçados, na Velha Marabá.

Toda dia era palco de roda de samba da melhor qualidade comandada pelo Valvilson, eu, Bentinho e uns mais chegados sem pudor para segurar o tamborim ou o surdo na ânsia de aprender alguma batida.

Desafinavam e logo eram enxotados.

No meio do time: Osorinho, Antonio Pinheiro, Valdir, Gilvan Barreto, entre outros “batuqueiros”.
Quando não havia roda de samba, a “bolacha”de vinil de Frank Sinatra não parava de tocar.

Foi ali que ouvi pela primeira vez Sinatra. Amor à primeira ouvida.

Até hoje, ao escutar Moon River, lembro do Batukão. Entro no túnel do tempo. Uma saudade aperta forte.

Saudades de minha juventude louca, pirada -, mas gostosa.


No Batukão era assim.

De um extremo a outro. Do cavaco ao charme universal da voz de Sinatra.

Por isso o Batukão era o nosso mundo, o “seu bar”.

O Clube do Caju Amigo, idealizado por um time de primeira, era de altíssimo nível. Quem adentrasse ali e se entrosasse com os ‘bambas’, sabia que teria as melhores garotas e garotos aos pés.

Um dia conquistei Narinha, do Campus Avançado (Projeto Rondon), ao declarar minha paixão por Sinatra, que acabara de conhecer meses antes no nosso bar. Ela fez um desafio:

- Você me acompanha no violão cantar My Way?

A resposta imediata foi pegar o violão ao lado, medir a tonalidade de sua voz, e harmonizar a canção.

Narinha tem voz maravilhosa e sabia My Way, de cabo a rabo.

De repente, ela passou a estrela do bar. Todas as noites, eu e ela dávamos canja cantando Sinatra, Vinicius e João Gilberto.

My Way era unanimidade. Por noite, pelo menos umas cinco vezes, Narinha cantava Sinatra.

Zé Kéti, Candeia ,Cartola, Paulinho da Viola, Noel, muito samba de raiz que dava orgulho de viver. E tudo isso num lugar autêntico. Num bar simples, que não cobrava entrada, nem consumação mínima, que não tinha segurança troglodita de terno na porta, que não servia crepe ou qualquer coisa de salmão.

Não! O Batukão era um boteco-dançante. Coisa pra gringo entrar e não sair mais.

Copo canelado de vidro grosso com direito a bolhas, coisa de liquidação. O cardápio era escrito à mão e não inventava: batata frita, lingüiça, carne seca. Em vez de chef de cuisine, Dona Graça preparava o Caldo de Mocotó sambando, aliás, dizem que o segredo nunca esteve no refogado, mas no rebolado.

No fundo do boteco, onde havia uma área reservada usada também para se dançar no escurinho do cinema, pilhas e mais pilhas de caixa de cerveja. Tudo cuidadosamente desarrumado.

Tinha o poema do “gozo”.

Osorinho era pego sempre para declamar versos que ele compunha e, total entrega de olhos fechados, os declamava, enquanto eu solava “Samba da Benção”.

Apenas o solo, enquanto aguardava-o pronunciar o ultimo verso para começar a cantar “É melhor ser alegre que ser triste, alegria é melhor coisa que existe...”

De certa forma, pedir para Osorinho declamar seus poemas era a transação da boemia. Uns faziam por sacanagem, outros porque adoravam mesmo a poesia do velho amigo -, e sua total entrega.

Em qualquer lugar
Desejo-te.
Deito e me dispo.

Entrega sem ensaios,
Nosso amor é isso.
Sou teu, totalmente
Derramo-me em você,

E te recebo
entras em mim
Com delírios
Desejos antigos
Fantasias reais
- Gozamos!

De tanto Osorinho repetir, passados mais de 35 anos, ainda lembro do poema.

Bastava a turma tomar as cinco primeiras, aparecia um gaiato e soltava:

- O gozo, Osorinho... O gozo.

O velho amigo morreu aos 23 anos jogando futebol de salão em Goiânia, quando faltava um ano para se formar em Veterinário. Ele sabia que grande parte dos pedidos era bandalheira. Desconfiado, quase sempre se fazia de difícil, entre risadas gostosas:

- Hoje não tem “gozo”. Vão a puta que pariu!

Não demorava, ele cedia à interpretacao, enquanto eu dedilhava o hino da boemia do Vinicius:

Em qualquer lugar
Desejo-te.
Me deito e me dispo...


A zoeira não era apenas à noite. De dia e noite, estávamos lá.

Nem bem se chegava em casa, já nos levantávamos ao chamado de algum amigo “madrugador”. Nunca passávamos das 11 da manhã longe do Batukão.

A noite ia chegando e se perdendo. O bar estava sempre cheio.

Vivi no boteco momentos gostosos de minha vida. E várias histórias engraçadas.

Numa noite tocando violão desde as 9 horas, sem parar, passava de duas da madruga, avistei três lindas meninas sambando em volta de uma mesa. Visão que logo foi completamente abafada por uma travessa de carne seca injustamente abandonada.

Não pensei duas vezes. Aproveitei o lara-laraia do samba e chamei o garçom, falando ao seu ouvido:

- Tá vendo aquelas três ali sambando?

- Sim! - respondeu o garçon com aquela cara de "anda, me dá logo essa merda de torpedo que eu entrego, seus merdas..."

- Pois é. Agora olha aquela travessa de carne seca. Elas não estão comendo mais. Pecado estragar.

O garçom parecia já não acreditar no que ainda nem tinha ouvido.

- Então... Por que você não finge que vai limpar a mesa, retira ela e traz pra gente? Hein? Valeu?

Não lembro até hoje se a gente chegou a se sentir ridículo na hora. Só lembro que bastou uma piscada do garçom e um "deixa comigo" pra começarmos a morrer de rir.

Enquanto isso, o Gilvan Barreto, filho do ex-prefeito de Itupiranga, Edgar Barreto - que não ligava tanto para carne seca - oferecia com muito charme flor às belas cabrochas.

Sim, flor no singular. Era apenas uma flor (e retirada do enfeite da mesa) que ele dava e tomava disfarçadamente para presentear a próxima.

- Mas essa é a mesma flor que você deu para a minha amiga.

- É sim. Mas o que importa é o ato.

O Batukão era um momento feliz na vida de todo mundo que o conhecia. E só hoje, depois de tantos anos de fechado, consigo entender porque ele tinha tudo que um boteco de samba precisa para ser perfeito: magia para divertir, alma para envolver, uma imagem de São Jorge logo na entrada do balcão principal para proteger e um aviso aos desprevenidos: "fiado só amanhã".


O charme da João Alfredo
Confesso que vivi também os tempos gloriosos da Av. João Alfredo. Tempo de liberdades nas calçadas, sem camelôs.

Principalmente aos sábados, quando eu e Paulo Henrique nos encontrávamos na LR, concorrida lanchonete ao lado da Sapataria Carrapatoso.

Era ali no centro de Belém consumido o melhor chope da cidade.

Meninas bonitas, a rua empapuçada de gente bem vestida, exibindo a moda do dia.

Dentro do bar, controlado por comandas, outra novidade da época, chegávamos sãos e saíamos totalmente embriagados de tanto chope.

Paulo Henrique e eu éramos companheiros de farra e de futebol. Formamos, por muito tempo, dupla no futebol de salão e de campo.

Em Belém, ele jogava pelo Paissandu e eu era a “promessa” do Aloísio Brasil, na Tuna. Passamos a jogar juntos em Marabá.

No futebol de salão, Paulo chegou a ser bi-campeão pelo Paissandu.

Lembro de uma final histórica no Serra Freire, o Remo jogando pelo empate.

Faltando um minuto para encerramento do jogo, a torcida remista cantando “É campeão”, o jogo 1 X 1.

De repente, falta na linha demarcatória da área do goleiro.

(Durante todo o jogo, Paulo Henrique, que chutava fortíssimo, teve quatro faltas ao seu dispor, quase na mesma posição. Todas direto com potencia na barreira ou pra fora).

A torcida silenciou.

Era tudo ou nada.

Paulo repetiu os mesmos gestos das cobranças anteriores: arrumadinha carinhosa na bola, longas passadas para trás e a correria para o chute violento.

Na barreira, todo o time do Remo, inclusive o goleiro.

Paulo corre, enquanto todos esperamos o violento petardo.

Ele chega na bola e dá um simples toque embaixo dela. Preciosidade e pura sorte num toque em bola de futebol de salão, sempre mais difícil do que a de futebol de campo para fazê-la pegar altura a cair no ângulo, quase batendo na travessa da trave de ferro.

Paissandu 2 X 1. Bi-campeão paraense de futebol de salão.

A festa varou a noite na sede do Papão, na Av. Nazeré. Às 6 horas, zarpamos para o Bar do Parque.

Eu e Paulo Henrique esperamos apenas a LR abrir.

Às 8 horas chegamos na lanchonete para vivermos nosso dia de glória. Eu de intruso na parada.

Durante o sábado até às 15 horas, quando a LR fechava, a mesa onde estávamos ficou lotada de torcedores que viam o Paulo Henrique e iam abraçá-lo.

Não pagamos um chope. Havia sempre um empolgado que deixava dez tulipas pagas.

A LR foi um momento belo em minha vida.

Bar de Esquina
Em Imperatriz, no Maranhão, havia um bar numa alusão aos mineiros Milton Nascimento, Wagner Tiso, Márcio e Lô Borges, Fernando Brant, Beto Guedes, Tavinho Moura, Toninho Horta, Ronaldo Bastos e outros militantes do chamado Clube de Esquina.

Chamava-se Bar de Esquina.

Seu idealizador, um mineiro de Montes Claros, Francico, amigo de Klebinha, outro mineiro nascido em Januária, terra de Guarabira, que formou trio ao lado de Zé e Rodrix.

Francisco, pra ser mais preciso, era amigo de Beto Guedes, seu conterrâneo filho de um músico seresteiro chamado Godofredo Guedes, bastante conhecido no meio musical mineiro.

Chico viu nascer o Clube de Esquina, que data do final de 1972, mas segundo ele fincou raízes a partir de 1965, quando Milton Nascimento conheceu os irmãos Márcio e Lô Borges, este ainda com 13 anos.

Chico foi parar em Imperatriz por influencia de Klebinha, comerciante madeireiro devorador das obras de Lênin e Max, e que se entusiasmou com a Amazônia quando um dia veio para o Norte visitar o pai que há muito tempo já se encontrava em Imperatriz.

Primeiro, conheci Klebinha, em 1976. Um ano depois, Chico, dono de um barzinho numa esquina próximo ao Sesi, onde nos encontrávamos quase todas a noites para beber e provar um cigarrinho com mel vindo das aldeias de Grajaú..

Foi no Bar de Esquina que conheci o LP Clube de Esquina.

Chico contava histórias de seus contatos com a turma de Milton Nascimento e se orgulhava de mostrar o disco dedicado por todos seus integrantes, com texto especial de Milton: “Para um mineiro-nortista, desbravador das liberdades deste Brasil cada vez mais misterioso, e tolhido pela ditadura braba dos militares. Que nosso canto seja teu canto”.

E se seguiam as assinaturas dos “bambas”.

Quem na realidade fundou o Clube de Esquina foram os irmãos Marcio e Lô Borges, no bairro de Santa Teresa, em Belo Horizonte -, segundo Francisco. O nome foi sugerido pelo irmão mais velho que, sempre ao ouvir a mãe, Dona Maria, perguntar por onde andavam os meninos, o marido Borges dizia: "Claro que lá na esquina, cantando e tocando violão".

Os integrantes do CE, originários de classe média, tinham interesses comuns na música, cultura e nos debates políticos, privilegiando sempre temas sociais em detrimento do amor nas letras.

Francisco chegou a conviver com todos os músicos e garante que o Clube de Esquina nunca se formalizou como um movimento, assim como existiu a Tropicália.

Com uma capa destacando a foto de dois meninos, um preto e um branco, o LP apresentou ao país a alquimia sonora gestada por aquele grupo de mineiros, amantes dos Beatles, congadas, toadas, jazz, choro, Bossa Nova, folias de reis e rock progressivo.
Apelo universal e grande força poética.


Gosto muito da foto. Os dois meninos são parecidos com os cantores – um negro como Milton Nascimento e outro branco, meio Lô Borges. Ambos sentados num chão de terra batida, numa paisagem interiorana rural. Logo atrás se vêem um mato, um grosso tronco de árvore e um fio de arame farpado que atravessa a cena. Os garotos estão sujinhos, vestem roupas meio esfarrapadas e fazem pose de grandes parceiros de travessuras.

Um está descalço, e o outro, o negro, traz nos pés um indefectível e surrado Conga azul. Esse calçado é que, como verdadeira madeleine, desencadeou em mim todo um processo proustiano de memória.

Fui menino interiorano durante os anos 70 do século passado. Recordo-me de que, como para toda a minha geração, três espécies de tênis compuseram a história de meus pés durante a infância: Conga, Kichute e Bamba. Os três eram horrorosos mas baratos e duráveis.

Desapareceram no início dos anos 80, com o surgimento dos tênis aeróbicos, mais confortáveis, mais bonitos, com desenhos, cores e formas variadas, acessíveis e multiuso.

O Conga parecia um sapo. Levíssimo, de borracha e lona, ambas finas e pouco resistentes. Havia duas opções: ou todo branco ou azul com sola e ponta branca. Era o mais barato e mais ordinário dos três. Usei-o bastante para passear, ir para a escola, jogar bola.

Em tempo de reverenciar o Clube de Esquina, há coisas que a gente não esquece de dizer.

Como no Trem Azul.

Voltando ao Bar de Esquina.

Bebemos muito, ríamos mais ainda de Klebinha querendo fazer a revolução paralela a Guerrilha do Araguaia.

Chapados, ouvíamos ele declarar, aos berros:

- Basta nos organizarmos. Tenho duas áreas de terra próximo ao Trecho Seco, perto de Açailândia, onde extraio madeira, ideal pra fazermos treinamento militar. Posso manter contatos com os comunistas mineiros da faculdade que estão se preparando pra ir se encontrar no Araguaia. Eles podem mandar instrutores e nos preparar...

Klebinha amava Fatinha, mineira como ele. Ela ria dos discursos e das conspirações idealizadas pelo marido.

Depois da dialética, silencio geral.

Ao fundo, Clube de Esquina.

Com sol e chuva você sonhava
Que ia ser melhor depois
Você queria ser o grande herói das estradas
Tudo que você queria ser
Sei um segredo você tem medo
Só pensa agora em voltar
Não fala mais na bota e do anel de Zapata
Tudo que você devia ser sem medo
E não se lembra mais de mim
Você não quis deixar que eu falasse de tudo
Tudo que você podia ser na estrada
Ah! Sol e chuva na sua estrada
Mas não importa não faz mal
Você ainda pensa e é melhor do que nada
Tudo que você consegue ser ou nada


Tempos depois tudo desmoronou.

Chico fechou o Bar de Esquina e nunca mais o vi.

Fatinha não aguentou o full time viciado do marido, dependente cada vez mais de drogas para suportar a pressão da ditadura.

Não teve forças para superar os tempos de chumbo.

Fatinha retornou para as Minas Gerais.

Sem liberdade e sem seu grande amor, Klebinha "parafusou" de vez, apaixonando-se depois por uma jovem também drogada de Imperatriz, com quem não viveu bem uns dois anos depois.

Eu já estava em Marabá quando um dia anunciaram a morte de meu amigo, com um tiro na cabeça. Dizem, a mando de familiares de sua ex-mulher de Imperatriz.

Morreu sem sentir as rajadas dos ventos libertários pelos quais ele tanto sonhou.

Hoje lembrei de Klebinha. Uma inteligencia que o Brasil ajudou a matar.

Não deixaram ele acordar de seu “sonho estranho”.

Ao Klebinha, dedico este post.