sábado, junho 28, 2008

Nos finalmentes

Com duas chapas praticamente oficializadas -João Salame (PPS) e Pedro Correa (PTB) de vice; Bernadete ten Caten (PT) e Sebastião Ferreirinha (PSB) de vice -, falta muito pouco para se conhecer os protagonistas da eleição municipal de Marabá.

O PSDB fechou com a candidatura de Maurino Magalhães, que deverá oferecer a senhora Laila Ribeiro como candidata a vice na chapa do vereador do PR.

Definindo quem será o vice de Asdruba Bentes (PMDB), teremos uma guerra pela busca de votos jamais vista nas últimas décadas.

Bernadete na frente

A deputada Bernadete Caten (PT) saiu na frente.

Além do Partido dos Trabalhadores, outros seis legendas fecharam acordo de coligação em torno da candidatura dela a prefeito de Marabá. Agora a pouco, em votação secreta, o diretório do PDT aprovou apoio por 15 votos a Bernadete, contra 13 votos dados a Maurino Magalhães (PR).

Os outros partidos são: PSB, do vereador Sebastião Ferreira; PCdoB, PMN, PRB e, provavelmente PHS, cujas negociações estão bastante adiantadas.

O médico Jorge Bichara, presidente do PV, encontra-se neste momento conversando com a cúpula do PT.

sexta-feira, junho 27, 2008

PTB quase lá

Não existe a menor possibilidade da senhora Naila Ribeiro (PSDB) ser escolhida candidata a vice-prefeita na chapa de João Salame (PPS). O nome deverá sair doPTB, partido do prefeito Sebastião Miranda.

Os desdobramentos da política levam a isso.

Lata d’água na cabeça...

Jurema e Milton, com o filhote João nos ombros, pausa para descanso no topo de uma ladeira do Araguaia, em Palestina.

O rio, como sempre, fonte de todas as energias dos ribeirinhos. De prazer e de sobrevivência.

Coluna do Diário do Pará:

Destaque de hoje da coluna do poster no Diário do Pará:

1- Um simples chega pra lá acalmou a insubordinação petista de Parauapebas: está tudo quieto com o povo dentro.

2-Laila Ribeiro (PSDB), esposa do empresário Demétrius Ribeiro, seria o nome preferido para ocupar a vice-candidatura na chapa de João Salame (PPS);


3-Chico Braga, prefeito de São Domingos, não tem mais pendências jurídicas no TCE. Partirá para a tentar a reeleição em dobradinha com o PT.

4- A coluna conta detalhes da intervenção branca do governo na Sema.

5- Ministério Público Eleitoral quer que os partidos de Marabá entreguem no mesmo dia, ao final de suas convenções, as atas de suas decisões internas.

6- André Farias jogou teve papel importante na pacificação do PT de Parauapebas.

Batendo tambor

Asdrúbal Bentes e Jader Barbalho (PMDB) se encontram agora de manhã, em Belém. Eleição de Marabá é o prato principal das conversas.

Há fortes entendimentos para a formação de uma chapa na cidade reunindo seis partidos para enfrentamento das candidaturas de João Salame (PPS) e Bernadete Caten (PT).

Reserva Particular de Patrimônio saqueada

Com facões e foices, 250 pessoas invadiram no inicio dessa semana a sede da fazenda Pioneira até a área da Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), criada com autorização do IBAMA. Funcionários da Carajás Florestal, empresa do Grupo COSIPAR, foram ameaçados e expulsos da Fazenda Pioneira, no município de Marabá, enquanto trabalhavam no reflorestamento da área.

Parte dessa área total de 4800 hectares, inclusive a que pertence a RPPN, começou a ser desmatada e explorada ilegalmente pelos invasores que seriam ligados ao Sindicato do Trabalhador Rural de Marabá. “Boa parte dos 2,200 hectares já está plantado. Essa invasão pode destruir um trabalho de anos em prol da sustentabilidade de nosso negócio. Essas pessoas são os verdadeiros criminosos ambientais: pessoas que invadem, roubam e desmatam. Nos esforçamos muito para cumprir com o planejamento da sustentabilidade. Nosso plano de reflorestamento já foi muito prejudicado no passado pela invasão da Fazenda São Jose. O poder público foi muito tolerante no passado. Esperamos que dessa vez as decisões sejam diferentes e justas”, explicou Luis Fernando Mariano Monteiro, diretor de Sustentabilidade e Planejamento Estratégico, do Grupo COSIPAR.

A área é utilizada para manejo, reflorestamento e produção de carvão vegetal a partir de eucalipto. Parte do carvão utilizado na produção de ferro-gusa na Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar), em Marabá, vem da Fazenda Pioneira. Mas a perda de fornecimento de biomassa legal para a siderúrgica não é o único problema. A invasão ameaça o desemprego de 80 trabalhadores que têm carteira assinada e benefícios que atingem a eles e aos seus familiares. “Estamos falando de no mínimo 320 pessoas afetadas. Os prejuízos podem chegar a mais de R$ 12 milhões”, disse Luis Fernando.Não é a primeira vez que o Grupo COSIPAR vive uma situação como essa. Em 1994, a fazenda São José, também da empresa, foi invadida pelo MST. A área tinha 19 mil hectares destinados a reflorestamento e manejo florestal. Durante 13 anos, a Cosipar exauriu todas as vias administrativas e legais aguardando uma decisão do INCRA sobre o pedido de reintegração de posse. Em 2007, a justiça determinou a desapropriação da área. A lentidão e indefinição do processo prejudicaram gravemente o andamento do programa de reflorestamento da empresa, cerca de 50% da necessidade de biomassa da Cosipar sairia dessa área.O Grupo COSIPAR já comunicou, oficialmente, todos os órgãos competentes sobre a invasão e espera uma posição imediata para evitar o desmatamento de uma Reserva de Patrimônio Natural. “Estamos fazendo a nossa parte. Reflorestando milhares de hectares para alcançar a sustentabilidade de nossa produção. Não podemos permitir que um grupo de invasores destrua com facões e enxadas um trabalho de anos”, disse Luis Fernando.

Fonte: Danielle Redig -, Assessoria de Comunicação do Grupo COSIPAR

“Capitão Caverna”

A dupla de horror Raimundo Paizin (PMDB) e Edilson Alvarenga (PTB) decidiu caminhar juntos, para o mal de Nova Ipixuna. Separados, temem antecipar o sepultamento de suas carreiras políticas diante do favoritismo da médica Maria das Graças (PT).

O Partido dos Trabalhadores está a um passo de voltar ao poder no município.

Na boca da mata

No Quinta Emenda, do Juvêncio de Arruda:

O presidente do TSE que me desculpe, mas abrir questionamentos de ordem legal contra o aumento do Bolsa Família - 8% - é um acinte. Até parece que os preços ou a necessidade esperam as eleições.Todos os assalariados receberam reajustes neste primeiro semestre, mas os programas sociais não podem receber aumento sem algum tipo de algazarra safadinha da oposição. E se o aumento é superior a inflação - 6% - melhor ainda. Aumenta o poder de compra dos beneficiários do programa, os muito pobres.Depois se mordem com os índices de popularidade do presidente, quando deveriam fazê-lo com as próprias orelhas, enormes e ponteagudas.


As elites – oh, enfadonha expressão -, como sempre, fazendo esforço danado para deixarem os excluídos cada vez mais excluídos.

É por essas e outras que Lula fará seu sucessor. Quem ninguém duvide disso.

quarta-feira, junho 25, 2008

Prá lá, prá cá

Vida de ribeirinho é assim.

Na mansidão do Tocantins, o remo conduzido por mãos firmes no jacumã da canoa que leva a família de um lado a outro. Numa nesga de praia, alguém aguarda a volta do canoeiro para seguir o mesmo rumo.

Vida de ribeirinhos na paz das águas tocantinas em tempo de verão.

Ana no Pebas

Ana Júlia confirmou sua ida a Parauapebas. Na quinta-feira, 26,para despachos administrativos.

No embalo, a governadora senta-se à mesa com Darci Lermen e com a turma do vereador Wanterlor Bandeira, a maioria do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores que derrotou em prévia a pré-candidatura à reeleição do prefeito do município.

Essa dor-de-cabeça partidária não estava na agenda do governo do Estado.

Decisão partidária

O prefeito de Marabá, Ítalo Ipojucan, durante entro municipal do PDT, liberou o partido a tomar o rumo que achar conveniente para firmar alianças, caso não venha a ser ungido candidato do prefeito Sebastião Miranda (PTB). É o fato novo que pode fortalecer Maurino Magalhães (PR).

Majoritariamente, caso Ipojucan não seja candidato, o PDT sinaliza simpatia pela pré-candidatura do vereador marabaense.

Mergulho de sapo

Nos últimos quinze dias, quem anda com a cabeça debaixo d’água é o deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB). Conversando muito,na penumbra, sem dar sinais de quais rumos tomará caso não venha a ser o candidato do prefeito Sebastião Miranda, fato que ele mesmo não acredita mais – conforme conta pessoa ligada ao parlamentar.

Troca duvidosa

Em Rondon do Pará, a militância da sindicalista Maria Joelma, viúva do sindicalista Dezinho, acusa Edilza Fontes, da Escola de Governo, de manobrar para mudar os rumos das prévias do Partido dos Trabalhadores que escolheu a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais candidato do PT. Dizem que a assessora da governadora, antes defensora do nome de Joelma, tenta emplacar na convenção do final de semana o médico Ronaldo, derrotado nas urnas petistas de nove dias atrás.

Segundo e-mails enviados ao blog, Edilza não recebeu de Maria Joelma nenhum compromisso de apoiá-la para deputado estadual, em 2010.

A conferir.

terça-feira, junho 24, 2008

Passando a limpo

Politicamente, a quarta-feira, 25, será mais movimentada do que todos os demais dias. Ainda pela manhã, desembarcam na cidade, a Executiva Estadual do PT, secretários graduados de Ana e, provavelmente, a própria governadora. A ida dela depende ainda de conversas esta noite.

Em Parauapebas, a comitiva tentará salvar a candidatura de Darci Lermen, enroscado pela articulação competente do vereador Wanterlor Bandeira e a maioria de integrantes do Diretório Municipal.

Parauapebas pega fogo!

Dois comentários anônimos moderados a pouco, provavelmente originários de Parauapebas, traçando cenários distintos sobre as cotoveladas internas do PT e a pré-candidatura da deputada Bel Mesquita.

A eles:


1- A Executiva Estadual do PT, última esperança do prefeito DARCI LERMEN, Parauapebas, além de lavar as mãos, avisou ao prefeito que ele perdeu o passo e o prazo, pois não há mais tempo e que a decisão do diretório municipal pelo nome do vereador WANTERLOR é estatutariamente irreversível, somente a desistência do edil é que pode abrir vaga para o alcaide.Santa incompetência, pois o DM que enterrou DARCI LERMEN é presidido por seu amigo-irmão e secretário de fazenda MILTON SCHNEIDER.Isso é que ninguém entende, diante das circunstâncias, a Executiva reconhece que uma intervenção não tem respaldo legal, nem político. O desgaste seria maior ainda pra todos, podendo respingar na própria governadora, já muito chamuscada!Enfim, WANTERLOR é o candidato a prefeito de Parauapebas pelo PT.

2- Parece que as divergências internas no PT de Parauapebas é algo"contagioso".Seu maior oponente, o PMDB de Bel Mesquita,tem lá também suas "crises na relação". Em recentíssimo encontro com sua base local, a Deputada Bel Mesquita informou aos seus correlegionários,algo constrangida, que o "Dr. Jáder" havia lhe determinado o "recuo" em sua candidatura,tendo em vista que a mesma repercutiria negativamente junto ao acordo PT-PMDB em Ananindeua ,considerada a "mais importante" no âmbito estadual,pois envolve o destino de seu rebento Helder,e que não anda muito bem das pernas..Ao transmitir o recado, a platéia restrita ficou "indócil.."E praticamente obrigou a Deputada a romper com aquele que foi o responsável por sua eleição para a Camara Federal. O problema, hiroshi, é que o "Dr. Jáder" não gosta de ser contrariado.


A respeito do primeiro comentário, o blogger ainda não conseguiu falar com nenhuma fonte do PT de Parauapebas ligadas aos dois lados. Portanto, fica valendo o teor do comentário.

Quanto ao segundo, não tem nenhum fundamento a informação. O poster conversou agorinha com a deputada Bel Mesquita, que se encontra, neste momento, numa audiência com o deputado federal Jader Barbalho acertando a organização da convenção do partido.
Explicação textual de Bel: - "Pelo contrário, cada dia mais recebo palavras de incentivo do Dr. Jáder. Minha candidatura não tem volta".

Vale terá que revisar estudos de UTE

O Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) apresentado pela Vale para a instalação no município de Barcarena de uma Usina Termelétrica terá que ser revisado. É a conclusão da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), após constatar alteração de concepção do projeto relativo á destinação das cinzas e que o EIA/RIMA não apresenta os subsídios necessários para a conclusão da análise do projeto.

A decisão do Governo vai ao encontro de Recomendação expedida à Sema pelo Ministério Público do Estado no início do mês de junho, no sentido de determinar a rejeição dos estudos apresentados e indeferir o pedido de licenciamento ambiental da usina termelétrica da Vale. A recomendação foi assinada pelos Promotores de Justiça Sandra Fernandes de Oliveira Gonçalves, Lea Cristina Mouzinho Rocha, Paulo Ricardo de Souza Bezerra, Eliane Cristina Pinto Moreira, Frederico Augusto de Morais Freire e Raimundo de Jesus Coelho de Moraes.

A Vale foi comunicada pela Sema por meio de ofício assinado pelo Secretário Valmir Ortega, endereçado a sede da empresa no Rio de Janeiro, no dia 25 de abril.
Após instaurar do procedimento administrativo para acompanhar o processo de licenciamento ambiental do projeto. O Ministério Público apurou que as atividades de implantação e operação implicarão em riscos e danos de elevado custo para o meio ambiente e para a sociedade.

A conclusão dos promotores de justiça que assinam a recomendação é decorrente da análise das informações e dados, e principalmente, as omissões do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresentados como requisitos para licenciamento ambiental.

Segundo o texto da recomendação, não foram apresentados todas as informações, dados, conhecimentos e esclarecimentos necessários e suficientes à sociedade e aos cidadãos interessados no debate e avaliação de viabilidade ambiental do projeto. Isso ficou comprovado pelas profundas deficiências dos estudos apresentados, tanto nos aspectos relativos ao diagnóstico e às alternativas, quanto na análise e integração dos riscos ao meio ambiente natural e social. Também não ficou claro a identificação e tratamentos dos impactos e medidas compensatórias, destacadas por profissionais do Imazon e do Ministério Público, e expostas nas sete audiências públicas realizadas nos municípios de Abaetetuba, Barcarena, Acará, Moju, Marituba, Ananindeua e Belém.

Para o Ministério Público foi descumprida a Lei Ambiental do Estado do Pará, no que diz respeito à participação da comunidade na elaboração do termo de referência dos estudos ambientais apresentados. A complexidade do projeto em relação a outros empreendimentos já instalados também não foi considerada. Outra falha encontrada é que o EIA/RIMA não apresenta, nem discute alternativas de fontes para geração de energia elétrica como a queima de diesel, de gás, de biomassa e a geração de energia a partir da força eólica ou da recepção da energia solar. ?A forma da queima de carvão pulverizado, proposto pelo Projeto da UTE Vale, é comprovadamente já obsoleta e mais poluente em relação a outras opções?, afirmam os promotores

O Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) apresentado pela Vale para a instalação no município de Barcarena de uma Usina Termelétrica terá que ser revisado. É a conclusão da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), após constatar alteração de concepção do projeto relativo á destinação das cinzas e que o EIA/RIMA não apresenta os subsídios necessários para a conclusão da análise do projeto.

A decisão do Governo vai ao encontro de Recomendação expedida à Sema pelo Ministério Público do Estado no início do mês de junho, no sentido de determinar a rejeição dos estudos apresentados e indeferir o pedido de licenciamento ambiental da usina termelétrica da Vale. A recomendação foi assinada pelos Promotores de Justiça Sandra Fernandes de Oliveira Gonçalves, Lea Cristina Mouzinho Rocha, Paulo Ricardo de Souza Bezerra, Eliane Cristina Pinto Moreira, Frederico Augusto de Morais Freire e Raimundo de Jesus Coelho de Moraes.

A Vale foi comunicada pela Sema por meio de ofício assinado pelo Secretário Valmir Ortega, endereçado a sede da empresa no Rio de Janeiro, no dia 25 de abril. Após instaurar do procedimento administrativo para acompanhar o processo de licenciamento ambiental do projeto. O Ministério Público apurou que as atividades de implantação e operação implicarão em riscos e danos de elevado custo para o meio ambiente e para a sociedade.

A conclusão dos promotores de justiça que assinam a recomendação é decorrente da análise das informações e dados, e principalmente, as omissões do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresentados como requisitos para licenciamento ambiental.

Segundo o texto da recomendação, não foram apresentados todas as informações, dados, conhecimentos e esclarecimentos necessários e suficientes à sociedade e aos cidadãos interessados no debate e avaliação de viabilidade ambiental do projeto. Isso ficou comprovado pelas profundas deficiências dos estudos apresentados, tanto nos aspectos relativos ao diagnóstico e às alternativas, quanto na análise e integração dos riscos ao meio ambiente natural e social. Também não ficou claro a identificação e tratamentos dos impactos e medidas compensatórias, destacadas por profissionais do Imazon e do Ministério Público, e expostas nas sete audiências públicas realizadas nos municípios de Abaetetuba, Barcarena, Acará, Moju,

Outra falha encontrada é que o EIA/RIMA não apresenta, nem discute alternativas de fontes para geração de energia elétrica como a queima de diesel, de gás, de biomassa e a geração de
energia a partir da força eólica ou da recepção da energia solar. ?A forma da queima de carvão pulverizado, proposto pelo Projeto da UTE Vale, é comprovadamente já obsoleta e mais poluente em relação a outras opções?, afirmam os promotores.


Fonte: Assessoria Comunicação MPE

Beijo de águas

Rio Araguaia, mansamente faceiro, beija o Tocantins, no encontro de ambos pouco acima da sede de São João do Araguaia.

Chamem o Capitão Nascimento

Na coluna de hoje do Diário do Pará, o poster conta que a delegada Silvia Mara começou a arrumar as gavetas para deixar a Superintendência de Polícia Civil do Sudeste. Dizem até que a corajosa policial já teria encaminhado à Diretoria de Polícia do Interior seu pedido de demissão, alegando problemas de saúde. A questão, no entanto,é bem mais abaixo da linha que divide o certo e o errado.

Em verdade, há raros mocinhos nesse filme gerado na área de segurança pública. O cerne da bronca é de ordem cultural mesmo. Tudo o que se realiza de investimento na compra de armas, equipamentos, construção de prédios, é jogar dinheiro fora.

Há de se construir uma nova policia no país. Nem o Capitão Nascimento, o anti-herói com caráter, antípoda de Macunaíma, salva.

Talvez seja por isso que Capitão Nascimento incomoda. Tem postura de herói, é incorruptível, denuncia a podridão policial.

Tem caráter - mas tortura, mata, humilha, subjuga. Não oferece soluções, mas paliativos cada vez mais ineficazes.

Para desgraça maior, portanto, não adianta nem chamar o Capitão Nascimento.

Capitão Nascimento 2

Ninguém duvida da idoneidade moral do secretário de Segurança, Geraldo Araújo, um profissional com boas idéias e conceitos modernos de gestão. Mas o tempo começa a atravessar a sua administração.

Desde quando assumiu o cargo, os índices da criminalidade só tem aumentado, no Sul do Pará. Diariamente isso é sentido nas ruas e dentro de casa.

Numa amostragem superficial do cenário de desesperança regional, as duas principais autoridades da área, o próprio secretário e o delegado-geral da Polícia Civil, Justiniano Alves Júnior, jamais estiveram em Marabá – principal cidade pólo a irradiar bons e perigosos ventos para o restante da região. Em diversas reuniões promovidas pela sociedade organizada para debater a insegurança geral, nunca deram a cara para o embate – preferindo a cômoda, e, às vezes, desprezível delegação de poderes a assessores inexpressivos.

Enquanto isso, proliferam denúncias do aumento de extorsão dentro das delegacias e de casos comprovados de corrupção de policiais.

A gestão de Geraldo Araújo necessita, urgentemente, ser redirecionada. O governo Ana Júlia tem compromissos com a instituição da paz nas ruas e no lar, e essa conquista jamais será festejada caso a carruagem continue trilhando a mesma estrada.

Gente grande

De cara, o vereador Maurino Magalhães (PR) quer mostrar que a sua candidatura a prefeito de Marabá não é nenhum factóide. Nem blefe. Mandará esse aviso na convenção de seu partido, domingo, 29.

A começar pelo local escolhido, o ginásio olímpico Renato Veloso, com capacidade para 15 mil pessoas -, enquanto os demais encontros partidários, quase todos na mesma data, ocorrerão em pequenos auditórios e escolas.

Mais: Maurino havia contratado, até o final da tarde de ontem, 23, cinqüenta ônibus para transportar a militância dos quatros pontos cardeais. Quer sair do ginásio aclamado favorito da corrida.

Paciência esgotada

Durante rápido bate-papo no auditório da secretaria de Saúde com o vice-prefeito de Marabá, o blogger sentiu o espírito de Ítalo Ipojucan demasiadamente incomodado com as mexidas de xadrez da classe política. Acostumado à praticidade das ações empresariais, Ipojucan revelou enfado e decepção com o jogo bruto de bastidores. Inclusive, lembrou conversa que teve com o blogueiro Juvêncio de Arruda, dias atrás, no aeroporto, quando ouviu sugestão para “preservar-se, e ao patrimônio maior dele, sua idoneidade”.

Desencantado, essa pode ser a expressão para definir o espírito momentâneo de Ítalo, gente fina em toda extensão.

Coluna Diário do Pará

Destaque de hoje da coluna do poster no Diário do Pará:

1- Delegada Silvia Mara está de saída da superintendência de Polícia Civil do Sudeste;

2- Deputada Bernadete Caten (PT) propõe vice ao prefeito Sebastião Miranda (PTB) e cargos do segundo escalão do governo do Estado;

3- Chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, realiza viagem de emergência a Marabá;

4- Briga pela paternidade de obras gera tensão em audiência pública. Presidente da Câmara, Miguelito Gomes (PP), retira-se brabo da reunião;

5- Promotor de Justiça Júlio César quer saber se DNIT construirá ciclovias em obras viárias de Marabá.

domingo, junho 22, 2008

O riso no rio de Rosilda

Às 6 da manhã, dona Rosilda leva ‘Zazá’ e ‘Fifi”, dois papagaios de sua estimação, para sentirem o frescor do Araguaia, em frente a São Geraldo, onde ela reside à beira d’água.

Moradora em ribanceiras, a simpática senhora é contadora de causos, conhecendo a vida do lugar como poucos.

Bem cedinho, na casa de Rosilda, tomando café com peta, de frente pro rio ainda orvalhado, faz bem à saúde.

Rejuvenesce também.

O “Rei” da miséria

O tráfico de drogas sempre exerceu forte influência nas escolas de samba do Rio de Janeiro. Isso, todos sabem.

Vez por outra, alguns corajosos da grande imprensa estampam denúncias do envolvimento de graduados cabeças da bandidagem decidindo eleição de diretorias de escolas, aclamação de determinados samba-enredo, e assim por diante.

Recordo que nos anos 90, não lembro qual o jornal carioca, diversas matérias foram publicadas, com inserção de fotos dos poderosos chefões, mostrando as agremiações carnavalescas financiadas de cabo a rabo pelas máfias dos morros, à medida que o tráfico de drogas crescia naquela década. E de lá até hoje, essa ramificação de espalhou de forma profissionalmente organizada -, visto que quase todas as escolas estão sediadas em comunidades dominadas pelo narcotráfico.

De modo geral, no entanto, as empresas de comunicação passam ao largo, optando às vezes pelo silêncio, algumas preferindo denunciar a existência de campanhas contra o carnaval do Rio, na esteira de denúncias mais graves emergidas dos subterrâneos do samba. Recentemente, vocês devem lembrar, o país inteiro ficou sabendo que um dos autores do samba da Mangueira, “Tuchinha”, alcunha de Francisco Testas Monteiro, já foi chefe do tráfico naquela comunidade, condenado a diversos anos de cadeia e em liberdade condicional.

O careta passou a ser vedete preferida dos colunistas de TV e revistas, concedendo entrevistas como se fosse um exemplo belo a ser seguido.

Não é atoa que a consagração do filme Tropa de Elite expõe a hipocrisia da sociedade brasileira, e a sórdida, porque extremamente velada, cumplicidade entre bandidos letrados, bandidos iletrados e bandidos fardados.

O malandro do bom partido, Bezerra da Silva (falecido) foi fotografado várias vezes ao lado de bandidos famosos. O principal deles, Escadinha , ex-chefe do tráfico do Morro do Juramento, virou verve de inspiração, quando Bezerra imortalizou a sua amizade com o temido traficante, gravando “Meu Bom Juiz” , de autoria de Beto Sem Braço e Serginho Merity.

Na música, o chefe da bandidagem é chamado de "rei coroado pela gente". E, em um dos versos, ele pede ao juiz para não bater o martelo nem proferir a sentença. "Pois este homem (Escadinha) não é tão ruim como o senhor pensa". O refrão do samba faz a associação direta do traficante com seu morro de origem: "Eu vi todo o Juramento, triste chorando de dor, se o senhor também presenciasse, chorava também".

Manias em mesas de bares

“Caro Bogéa, decididamente sou um ciclotímico em tempo integral que alterna estados de depressão e euforia, agressividade e fraternidade, ânsia de ser amado e medo do contato humano, momentos de paranóia e uma incapacidade quase absoluta de lidar com atividades práticas corriqueiras”.


O texto acima foi encontrado entre tantas folhas de papel, ontem à noite, 21, vasculhando meu implacável arquivo de reminiscências. É um bilhete escrito por Leonizar, querido amigo de madrugadas vividas em Imperatriz, nos fins dos anos 70, e com quem dividi apartamento no Rio de Janeiro, morando em Santa Teresa.

Carioca de nascimento, não sei como Léo foi parar no Maranhão, vivendo bom tempo na cidade que também me acolheu durante importante período de minha vida. Homem culto, devorador de toda obra de Jorge Amado e amante da literatura francesa, Leonizar era exatamente como descreveu de próprio punho numa foha de papel almaço, durante uma noitada de violão no bar do Trovão & Relâmpago -, um casal humilde que preparava o melhor pacu-manteiga da beira-rio de Imperatriz.

Textos antigos guardados a sete chaves, geram saudades imensas. Inda mais quando vinculam a vida da gente a alguém.

Eu e Léo tínhamos a mania de escrever a quatro mãos. Ele dava o mote e eu completava. Ficávamos assim a noite inteira, cercado de amigos no barzinho. localizado numa ruazinha íngreme que ligava a beira rio a uma das pistas principais de Imperatriz, e que nos acolhia com intensa fraternidade.

Extremamente calmo, nos gestos e fforma de alar, meu amigo odiava os militares ditadores. Vivia sonhando em conspirações, sempre fazendo discursos de “conscientização da plebe rude”, como ele se expressava.

Uma noite, para surpresa de quem estava no Bar do Trovão, Léo chegou agitado, lamentando que a polícia acabara de fechar a boate Fly-Back, localizada a poucos metros do barzinho, usando de ação truculenta.

- Os “macacos” chegaram apontando armas pra todo mundo, dizendo que o barulho da boate não deixa ninguém dormir, e que haviam pessoas fumando maconha no recinto. Uns macacos, uns macacos!

A rebeldia de Leonizar contaminou o bar, abrindo espaço para cada freqüentador dar opiniões diversificadas. Léo não se calava:

- Ninguém pode esperar silêncio e quietude numa boate. Todas as músicas da moda são atordoantes. Quanto à maconha, não vejo por que alguém iria procurar a droga na Fly-Back quando em várias esquinas de Imperatriz, a qualquer hora do dia, qualquer pessoa com algum dinheiro no bolso pode adquirir quantos gramas queira da erva que não faz espirrar.

Ninguém conformava meu amigo, que se revelava naquele noite um rebelde agitado nunca visto. As lamentações dele só ganharam unanimidade após uma triste revelação feita por ele.

- Pior, é que a ‘trouxinha’ que havia escondida na cozinha da boate pra gente dar uns pauzinhos, fulano jogou fora com medo do flagrante... Macacos! Macacos!

Tímido, meu saudoso amigo que não sei por onde anda encontrava dificuldades para namorar. A timidez o afastava do mulherio. Mas quando carimbava alguém, entrava em pandemônio. Desesperadamente, se apaixonava.

- Eu sou um cafajeste. Qualquer rabo-de-saia me pega pelo coração.

Várias vezes flagrei Leonizar chorando, aos prantos, sempre que alguma namorada terminava a relação com ele. Socorrê-lo naquele estado de comoção espiritual, havia apenas uma pessoa: isto mesmo, o gente fina aqui.

- Amigo, tô na pior. Com vontade de me matar... Fulana terminou comigo.

Todos os dias, as sessões de terapia etílica começavam pouco depois das 20 horas. Era este o horário que Léo chegava à redação do jornal O Progresso para rumarmos em direção ao Bar do Trovão & Relâmpago. Chegando a uma mesa que o casal dono do barzinho guardava para convidados especiais, o ritual era o mesmo: Léo descascava diversos limões, cortando-os em pequenos pedaços que, misturados a sal, serviam de tira-gosto dele.

Antes de servir-se, abrindo com extremo carinho a garrafa de cerveja, Leonizar olhava demoradamente para o corpo em sua mão, dizia frases poéticas e lembrava dos versos de Gilberto Gil e Chico Buarque:

- Nunca esqueça, nunca esqueça que “num corpo vazio, a dor ocupa metade da verdade,a verdadeira natureza interior...”. '

E virava a cerveja, mordendo o pedaço de limao.


É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar.
É sempre bom lembrar
Que o ar sombrio de um rosto
Está cheio de um ar vazio,
Vazio daquilo que no ar do copo
Ocupa um lugar.

É sempre bom lembrar,
Guardar de cor que o ar vazio
De um rosto sombrio está cheio de dor.

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar.
Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho,
Que o vinho busca ocupar o lugar da dor.
Que a dor ocupa metade da verdade,
A verdadeira natureza interior.
Uma metade cheia, uma metade vazia.
Uma metade tristeza, uma metade alegria.
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor.A
magia da verdade inteira, todo poderoso amor.