sexta-feira, março 30, 2007

Pra suiço ver

Comentando o post IDH chinfrin, Ademir Braz vai de com força ao âmago da questão. Sente só:

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Brasil é uma avaliação que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) criou no início da década de 1990 para avaliar o bem-estar de uma população.Três componentes
básicos do desenvolvimento humano são levados em conta nesta avaliação:a longevidade, que também reflete, entre outras coisas, as condições de saúde da população; a educação;a renda; medida pelo poder de compra da população. A metodologia de cálculo do IDH envolve a transformação estas três dimensões em
índices de longevidade, educação e renda, que variam entre 0 (pior) e 1 (melhor), e a combinação destes índices em um indicador síntese.Aplicado a todos os Estados,esta avaliação traçou um perfil socioeconômico bastante revelador do nosso município. Por
exemplo:Entre 1991 e 2000, a população de Marabá teve uma taxa média de crescimento anual de 3.60%, passando de 123.668 (1991) para 168.020 (2000).No mesmo período, a taxa de urbanização diminuiu 3.45, caindo de 82.83% para 79.97%, enquanto encolheu em 23.41% a taxa de mortalidade infantil, passando de 58.18 (por mil nascidos vivos) em 1991 para 44.56 (por mil nascidos vivos) em 2000, e a esperança de vida ao nascer cresceu 3.28 anos, passando de 61.80 anos em 1991 para 65.08 anos em 2000.E numa
demonstração de crescente desigualdade social, a pobreza (medida pela proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 75,50, equivalente à metade do salário mínimo vigente em agosto de 2000), atingiu 44% da população de 168.020
habitantes.Este conjunto de fatores – aumento da população e da pobreza, mais a queda da taxa de urbanização, entre outros – aponta para graves problemas urbanos, principalmente no que respeita à falta de moradia, saneamento básico,acesso de milhares de famílias a serviços públicos como energia elétrica, água tratada, transporte, telefonia, escola etc.Recorda-se que, em 1995, calculava-se um déficit habitacional da ordem de 5.000 moradias apenas na área urbana de Marabá, já submetida a invasões crescentes desde 1974.São frutos dessas invasões os bairros Cidade Nova, Laranjeiras, Liberdade, Independência, Folha 33, 34 e 35, entre tantos outros espaços precariamente incorporados à malha urbana.Ainda assim,permanece como um problema, não devidamente colocado em pauta, a falta urgente de uma política habitacional para a cidade. E poderia estar pior, se o município não tivesse perdido DE GRAÇA terreno e população para as emancipações de Parauapebas, Canaã dos Carajás, Eldorado de Carajás, Água Azul do Norte e Curionópolis - todas, claro, em função dos negócios de Mama Afríca do Rio Doce.
Falar agora em IDH (Ixi, Deixe de História!) avançado como resultado de investimentos em patrimônio imobilizado em mina,transporte e porto concentrados numa só empresa é tirar sarro da nossa cara.

Tá danado...

Gente, nem bem começaram a trabalhar, há indícios dos primeiros desentendimentos entre diretores de determinada regional do governo do Estado. Parece coisa de ciúme doentio ou incompatibilidade com a sistemática coletiva de se pensar Grande. As primeiras trombadas surgiram, e a coisa pode enveredar para um clima de pura convivência improdutiva.
Sabe aquele procedimento tácito de cada um ficar atento para não atentar o outro? Pois lá não existe e nunca existirá!
Alguem dança. E se dançar, o pau vai comer gerando consequencias imprevisíveis para o governo de Ana.
O blog acionou seu sistema de monitoramento. Diariamente medirá o nível de aturação entre ambos para contar aqui no espaço.

Troca -troca

Se confirmado o post de Mauro Neto sobre a saída de Lúcia Penedo da secretaria de Esporte e Lazer e consequente nomeação para seu lugar de representante do PR (Partido da República), integrante do G-8, não passam de rumores informes dando conta de que o deputado Joao Salame (PPS) teria pleiteado o cargo para colocar gente de sua estrutura partidária. Minutos atrás, Salame garantiu a este poster não ter nenhum fundamento o envolvimento de seu nome na questão. Também não negou haver negociação no sentido do PR indicar o sucessor de Lúcia, caso Ana Julia aceite seu pedido de demissão.
No blog do Mauro Neto, mais informação.

De fazer inveja a China

Ao expor aos empresários de Marabá estudos sócioeconômicos dos efeitos dos investimentos do Projeto Salobo em Marabá e região, a CVRD fez uma revelação multiplicadora de otimismo: nos próximos dez anos o município terá crescimento anual de 20%, enquanto a média regional ficará em torno de 18%. Números extraordinários se comparados aos dados do IBGE que mostram somente 11,9% dos municípios com crescimento anual superior a 3%, o que corresponde a 15,1% da população.
Estudos foram apresentados em primeira-mão para a sociedade de Marabá, demonstrando os grandes desafios que todos terão para o acompanhamento da explosão demogrática e suas demandas sociais, aí inseridas a segurança pública, saúde e educação.

IDH chinfrin

O índice nacional de Desenvolvimento Humano Municipal, mediano, é de 0,76. No Pará, Belém aparece como município de melhor valor, com 0,80 -, enquanto o IDH de Marabá é de 0,71.
Estudos da Vale do Rio Doce apontam para os próximos dez anos um índice marabaense não superior a 0,80 – o que convenhamos, torna-se bastante discutível a compreensão desse extratosférico índice de crescimento em torno de 20%.
Sabemos que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa de natalidade, esperança de vida, educação, alfabetização, pobreza, e outros fatores para os diversos países do mundo. Seu valor mede o bem-estar de uma população, especialmente bem-estar infantil.
Uma década de pesados investimentos na implantação de mega-projeto para exploração de cobre, com as diversas oportunidades que ele oferece aos empreendedores e geração de empregos, é um período onde uma geração estará buscando se firmar na vida. Se nessa faixa de tempo, o municípiop com invejável taxa de cescimento não consegue ser incluído no grupo de IDH alto (a partir de 0,800), mais uma vez se evidencia a convicção de que o crescimento não caminha de mãos dadas com a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Processo migratório

Chegando atrasado ao encontro da CVRD com os empresários, este poster não teve tempo de fazer alguns questionamentos aos palestrantes, principalmente no que se refere a questão do processo migratório inevitável. Irracional imaginar criar muralhas para impedir a ida e vinda de pessoas, mas é necessário discutir com profussao ações estratégicas voltadas para acompanhar essa movimentação nos municípios inseridos na área de influencia do Salobo.
Enquanto do solo de municípios do Sul e Sudeste do Pará afloram riquezas, a maioria dos prefeitos de municípios maranhenses e piauisenses procura amenizar seus baixos valores de IDH “exportando excluídos”. É comum às secretarias de assistência social de muitas cidades daqueles estados organizar nas estações rodoviárias ou nos terminais de trem levas de famílias desamparadas que vivem perambuladas pelas ruas com destino a Marabá, Parauapebas e Canaã. Descobriu-se agora a extensão dessa rota até Ourilândia e Tucumã, com o início do projeto Onça-Puma.

Tema relevante

O que fazer com todas essas gentes inundando a região? Inicialmente, tratamento humano digno a todas elas, párias de um sistema político incapaz ainda de oportunizá-las. Ocorre que esse tratamento não pode ser assistencialista, e como inserí-las no processo produtivo se todos carregam as digitais como único instrumento de comprovação de sua cidadania?
Junte-se a essa fabulosa âncora de fomento migratório que será o Salobo, o aumento populacional estimulado agora pelo garimpo de Serra Pelada, cujos trabalhos de exploração mecanizada deverão começar este ano.
Está engatilhada aí a receita para o aumento da violencia mais do que estamos experimentando, o crescimento do número de garotos cheirando cola nas praças e portas de supermercados, o bate-pronto na parada de onibus com os roubos relâmpagos, e uma geração de jovens-velhos perdidos e esturricados zanzando que nem alma penada.
Não aceito argumentos de que toda regiao com alto índice de crescimento está fadada a experimentar seus dissabores. Correto é discutir a questão não apenas como responsabilidade da Vale do Rio Doce ou das prefeituras. E encontrar soluções. O governo do Estado e demais agentes públicos, em parceria com a iniciativa privada, necessitam olhar isso com prioridade.
Antes de se discutir qualquer postura no set de filmagens, recomenda-se estudar cuidadosamente os efeitos do processo migratório. É ele quem acrescenta a miséria e reproduz bêbados e ladrões pelas esquinas das cidades.

Ilusão à toa

Sarney Filho, em conversa com empresário de Marabá, na tarde de quarta-feira (28), não demonstrou otimismo quanto ao risco de cassação de mandatos dos deputados e senadores envolvidos na troca de partidos. Palavras do experiente político filho de José Sarney revelam existir jurisprudência no TSE respaldando a “ legalidade” da troca-troca de legenda baseado na lógica brasileira de que o mandato é do indivíduo e não da agremiação. Tomando café com o poster nesta manhã (30), o empresário contou ter sentido em Sarney Filho a firme convicção de que o auê todo não passará disso mesmo: auê!

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Conteúdo da conversa de Sarney Filho com o empresário de Marabá bate com informação de Fernando Rodrigues, no UOL. Está lá:


"O Tribunal Superior Eleitoral já julgou casos de deputados que saíram e seus partidos reclamaram", diz o jornalista. "Mas o que disse o TSE? Que o deputado estava livre para mudar de partido, não tinha nenhum problema", informa Fernando, sobre a posição dos magistrados da maior corte eleitoral do país no passado. "O fato é que, como houve o julgamento no passado, esses deputados que hoje trocaram de partido vão argumentar que mudaram de partido porque havia decisões do TSE que permitiam essa troca, portanto, não podem ser punidos."

quinta-feira, março 29, 2007

O lado bom

Sem hipocrisia. Foi assim que José Gomes Temporão fez sua estréia pública como ministro da Saúde. Chutou o balde da mesmice dos governos ao defender a legalização do aborto sem meias palavras:

- "Isso é, antes de mais nada, uma questão de saúde pública, porque milhares de mulheres morrem todos os anos submetendo-se a abortos inseguros. Sei que é uma questão polêmica (a legalização), que envolve aspectos morais, religiosos, sociológicos, mas diz respeito, fundamentalmente, à política de saúde".
Pronto. Não falseou, não se escondeu da Igreja, provando com sua honestidade ser possível transformar essa joça de país encarando os dinossáuricos porta-vozes do atraso. Corre o risco de ser chamado atenção pelo Vaticano, mas aí são outros quinhentos.
Extemporâneo, esse Temporão.

O lado ruim

Dez vez em quando, representantes da mediocridade no governo Lula pululam caso a caso. Agora mesmo, a secretária especial de Política da Promoção da Igualdade Racial (sic) mostrou sua cara com uma declaração recheada de preconceito. Disse a ministra Matilde Ribeiro:

- Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Que peru! A democracia racial poderia prescindir dessa ineficaz manifestação passional.

terça-feira, março 27, 2007

Tempo quente

Neste momento, 12h10, membros do Sindicato dos Metalúrgicos estão reunidos com donos de caminhões carvoeiros para definir os rumos a serem tomados depois do confronto entre motoristas transportadores e agentes da Sectam e Polícia Civil. -, fato ocorrido ontem à tarde (26) no Distrito Industrial, quando caminhoneiros reagiram à tentativa do governo guinchar seus veículos estacionados em frente as guseiras -, carregados de carvão vegetal.

Mobilização organizada

Até então sem se posicionar oficialmente, o Simetal (Sindicato dos Metalúrgicos) decidiu engrossar o grito do caminhoneiros prometendo mobilizar os trabalhadores das usinas. O poster entende não ser essa a saída para o impasse. Há uma legislação a ser obedecida e para a qual somos obrigados ao seu cumprimento. Só que da parte do governo não apareceu até agora alguém com autoridade para fazer uma negociação capaz de desanuviar espíritos e baixar a bola.

Olha, olha!

Radicalizar ações contra entidades de trabalhadores de Marabá é uma furada. A história prova isso, inclusive com resultados desastrosos. Todas as associações são aguerridas e reagem com dureza a simples provocação. Ademais, as pessoas envolvidas no processo, além de estarem desesperadas diante da iminência do fechamento de suas atividades profissionais, são alimentadas com recursos de alta monta para tocar qualquer movimento de rebeldia o tempo que for necessário. Como num efeito dominó, colocar milhares de pessoas nas ruas é questão de horas.
Não custa repetir, a lei tem que ser cumprida. Mas bater de frente, agora, deixará somente o governo em maus lençóis. Este filme eu já vi por aqui, inclusive, reprisado.

Conversar é preciso

Nessa questão Governo X Setor Siderúrgico não se têm conhecimento até agora de nenhum encontro de técnicos governamentais com as entidades representativas dos metalúrgicos, transportadores e de uma infinidade de outras funções vinculadas a produção de gusa, inseridos aí donos de borracharias, pequenos comerciantes dos lugares mais distantes, e atividades similares dependentes hoje da produção de carvão.
Não basta apenas dar prazo - e prorrogá-lo – aos usineiros. É preciso dizer àquela outra platéia por que o governo enquadra os empresários e fazê-la compreender a existência dessa queda-de-braço como condição sine qua non para a sobrevivência de seus próprios negócios. Do jeito que está sendo feito, produtores alheios às questões ambientais são vistos como vítimas de perseguição do governo do PT.

Puxando pra sardinha

É perfeitamente possível conscientizar os trabalhadores de que as medidas em execução são destinadas a exigir a origem legal do carvão consumido no DI, fato que, ao fim e ao cabo, beneficiará também os menos favorecidos. O que não se compreende é esse destempero, apressado e sem coordenação, alimentador de desgastes gerais.
Outro detalhe: enquanto o governo não se comunica com os atores postados na ponta da linha desse imbróglio, a maioria dos veículos de comunicação da região volta suas baterias para dizer apenas o que interessa. O envolvimento de interesses comerciais e políticos, embola tudo num mesmo saco, consolidando unicamente, para o público externo, a barafunda de que “estão tirando o emprego dos pobres”.

segunda-feira, março 26, 2007

Último dos Moicanos

As mudanças no Sebrae do Pará, por enquanto, só podem ser observadas em Belém. Aqui pelo Sul e Sudeste, as mesmas caras & bocas norteiam a entidade sob um processo de letargia irritante. Hildegardo Nunes bem que poderia dar uma sacudida nos escritórios regionais até para tornar o Sebrae mais eficiente em seu objetivo fim. Tem gente no comando fazendo mais de década de aniversário.
Oxente!

Longe de encrenca

Em Brasília, numa conversa com Renan Calheiros, Jader Barbalho descartou qualquer interesse em participar da disputa pelo controle da Sudam. O deputado paraense desautorizou também sua inserção na briga pela direção do órgão a dois parlamentares do Pará ligados a ele.

Pérola de civilidade

"Não tenho projeto para melhorar a delegacia. Tenho para ampliar o cemitério".

A frase de Sebastião Curió em conversa com o jornalista Waldir Silva, em Parauapebas, não merece comentários. Melhor indignar-se.

A caneta de quem sabe

Quem também meteu a colher no post Ou Planta, ou Sai foi Ademir Braz, com a propriedade de quem se tornou decano do jornalismo local, como diz o Juvêncio de Arruda. No blog dele, está escrito:

O Luiz Flávio está certo. A produção de gusa no Distrito Industrial de Marabá começou em 1988 (há 19 anos), tempo suficiente para que as guseiras tivessem plantado e alcançado sustentabilidade no carvão vegetal. Nada foi feito. Apenas a Cosipar, a primeira em funcionamento, diz ter apresentado ao então IBDF, em Belém, um projeto chamado "Programa Integrado de Floresta (PIF)", que em 1992 estaria produzindo 50% de carvão sustentado e 100% em 1997. Nada foi plantado. Tudo foi embromação. Estou formatando uma pesquisa sobre arquivos pessoais a partir de 1986 que, espero, dará uma visão mais ou menos próxima do grau de destruição da floresta representado, até aqui, pelo carvoejamento clandestino e a falácia de guseiros quanto aos benefícios sociais do seu trabalho. O objetivo é estimular a discussão, lançar uma luz sobre este segmento obscuro da economia regional e desnudar a enorme chantagem emocional que se vem tecendo em torno da suposta necessidade da permanência de um carvoejamento predatório e escravizador de mão-de-obra, inclusive infantil.

Ademir Braz acumula conhecimento nessa área, além de ter o maior acervo de notícias sobre o tema.

Agenda ambiental

Comentando o post Ou Planta, ou Sai -, o deputado estadual Parsifal Pontes (PMDB) vai no âmago da questão: a agenda ambiental a ser cumprida.

"O assunto das guseiras precisa ser discutido e entendido de um ponto de vista mais amplo, sem restringir a defesa das mesmas à geração de emprego puro e simples, sem alcançar a qualidade e a sustentabilidade deste emprego e sem centrar o ataque no estrago que o redutor, o carvão, está causando no meio ambiente, aí contextualizada a saúde pública, pois, em municípios como Tucuruí, Breu Branco, Goianésia e Jacundá, só para exemplos, o ar é de péssima qualidade devido às carvoeiras.
No meu artigo desta semana, abordo o tema. Ou os empreendedores mudam o método e o Estado muda a lógica, ou, de fato, os dois lados perdem.
É preciso que todos entendam que há uma agenda ambiental a ser cumprida através de uma legislação a ser respeitada e que não é impraticável em sua implementação.
De, fato, um município com o perfil econômico de Marabá, e uma região como é o meso sudeste, não têm 60% da sua economia adstrita às siderurgicas. Elas são apenas um componente no produto interno da área, que não deixa valor agregado maior que 10 a 15% daquilo que movimentam. Falar em mais que isto é incorrer em equívoco ou apenas repetir a falácia de político quando vai contar a quantidade de pessoas que tinha em seu comício: aumenta, e às vezes inventa."