sábado, outubro 17, 2009

A Vale e o Pará

Recebo email de amigo contendo comentários a respeito da postura da Vale em sua relação com os governos federal e estadual. Email têm caráter estritamente pessoal mas o poster decide public-a-lo pela qualidade de seu conteúdo, preservando, logicamente, a identidade do autor.

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A grande imprensa mais uma vez mostrou serviço do lado errado.


E a Vale, mais uma vez, escolheu o lado errado. Com essa iniciativa revela mais uma vez falta de ética nas relações com o público e com parte dos acionistas. Com o Estado do Pará e conosco que aqui vivemos, estamos acostumados , não estranhamos mais.


Mas desse episódio tiro uma lição: a Vale deixou de ser sustentável. Não é sustentável quem não tem ética. Ela é a Enron dos minérios. Um dia ela vai quebrar, não por falta de minério ou de recursos financeiros, mas por falta de ética.


No momento, temos que apoiar a Presidência da República, ainda que por razões táticas, pois não somos ingênuos para não perceber que há interesses eleitorais também na pressão sobre a Vale.
Como havia na lua de mel entre ela e o Governo.
Aqui no Pará, os políticos deveriam ter o cuidado de desprezar a contribuição financeira da Vale para eleições e fazer disso um mote eleitoral. Deveriam recusar ostensivamente qualquer contribuição dela (quando digo dela digo de todas as empresas do grupo). E os que recebessem deveriam ser execrados pelos outros. Acho que seria um bom mote de campanha.

Coluna Diário do Pará

Coluna do poster publicada neste sábado, 17, no Diário do Pará:

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Tecnologia de ponta
A partir do momento em que o Denatran liberar o licenciamento das carretas para trafegar com os equipamentos e operá-los na compactação de sucata, a SINOBRÁS disponibilizará aos seus fornecedores cinco prensas-móveis que serão usadas em vários estados do Brasil, além das duas que já operam em diversos estados das regiões norte e nordeste. Sem nenhum custo para os fornecedores, as prensas-móveis operam na compactação da matéria-prima facilitando o deslocamento da sucata de seus locais de origem até a usina.

Sustentabilidade
Um dos insumos mais reciclados do mundo, cerca de 300 mil toneladas/ano de sucata metálica são consumidos pela SINOBRAS na produção de aço, o que representa 70% da matéria prima utilizada. Os outros 30% são de ferro-gusa na forma líquida para a fabricação de 300 mil toneladas/ano de aço laminado. Para estimular o setor de coleta de sucata, a SINOBRAS investiu aproximadamente US$ 5 milhões e 300 mil na compra das cinco prensas-móveis.

Almir retorna ao cenário
Nas reuniões que manterá neste sábado, em Marabá, com dirigentes do DEM do Sudeste do Pará, Valéria Pires Franco deverá passar alguns detalhes da conversa que teve com o ex-governador Almir Gabriel, no meio da semana, quando ouviu dele o anúncio de que pretende mesmo lançar a pré-candidatura ao governo do Estado. Valéria recebeu apelos para que reforce as pretensões de Almir, mas prefere manter-se como espectadora auscultando a opinião de alguns aliados. Para pessoas de seu círculo de confiança, a ex-vice-governadora já revelou considerar a opção Simão Jatene mais competitiva.

Revertendo tendência
O tititi, à boca miúda, durante a realização do Painel Empresarial, em São Luís, promovido pelo Governo do Maranhão, foi o risco do vizinho Estado perder potenciais investidores para o Pará no vácuo da siderúrgica da Vale projetada para ser construída em Marabá. A própria governadora Roseana Sarney, em conversas reservadas, fez apelos a alguns amigos dela empresários no sentido de que não migrem seus investimentos. Entre alguns pesos-pesados, bateram ponto, em São Luís, Flanklin Feder (Alcoa); José Carlos Martins (Vale); Eike Batista (EBX); Antônio Maciel Neto (Suzano); Victorio de Marchi (AmBev); Ricardo Nascimento (Ferroeste), além do diretor de Inclusão Social e Crédito do BNDES, Élvio Lima Gaspar.

Aspones federalizados
Criada bolsa de apostas para saber o nome da pessoa que ocupa o cargo de secretário Extraordinário de Representação da prefeitura de Marabá, em Brasília, até o presente momento misterioso personagem cujo salário é de R$ 6 mil, acobertado por dois assessores especiais que recebem R$ 2.327,00. Para uns, o cargo reforçado por dois DAS é uma necessidade inadiável para o acompanhamento das demandas do município na capital federal. A maioria, no entanto, vê na ação mais um ralo aberto para a queima de recursos públicos.

Estrebucho moreno
O Governo do Estado mostrou o quanto vale o poder da caneta no caso da desapropriação da Gleba Quindangues, escolhida para acolher a futura siderúrgica ALPA. Começaram a ser publicados no Diário Oficial os editais de depósitos prévios de pagamento dos bens desapropriados e suas benfeitorias, totalizando R$ 1.345.000,00 -, os dois primeiros imóveis, cujos expropriados são Vinicius Suriane Santos e Geraldo Teotônio Pereira. A partir de agora, os depósitos prévios serão publicados com freqüência, numa demonstração de que o interesse público deve estar sempre acima de qualquer ambição pessoal. O esperneio natural agora vem do estímulo de espertos advogados que sabem muito bem que Inês já é morta.


Umas & Outras
Ítalo Ipojucan, secretário de Indústria, Comércio, Mineração, Ciência e Tecnologia de Marabá, anuncia visita às instalações da Usiminas, em Ipatinga (MG) de um grupo de empresários marabaenses.
Deputada Bernadete tem Caten (PT) recebeu apelo da população da Palestina para que lute pelo asfaltamento de 7 km da estrada a rodovia Transamazônica à sede do município.

É provável que a partir de 2010, os organizadores do Círio de Nazaré, em Marabá, realizem a Romaria das Crianças, como já ocorre em Belém, há 19 anos.

Sedurb publicou edital para licitar empresa que pavimentará 5 km de ruas de Curionópolis. Abertura do envelopes está marcada para dia 29 de outubro.

Governo do Estado analisa 120 processos formalizados em Marabá para concessão de microcrédito.
Demorou, mas chegou. A ex-prefeita de Novo Repartimento Laurelúcia Pereira Borges foi condenada pelo TCU a devolver aos cofres públicos R$ 166.032,49. Falta de comprovação de aplicação de verba federal.

DMTU anuncia implantação de projeto de vídeo-monitoramento da área urbana de Marabá, com implantação de 50 câmeras de vídeo em pontos estratégicos da cidade. Mais uma iniciativa do diretor Antônio Ferreira de Araújo.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Ademir Andrade denunciado por fraude

O ex-senador pelo Pará e hoje vereador em Belém Ademir Andrade foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por inserção de informações falsas no banco de dados da Companhia Docas do Pará (CDP), onde atuou como presidente de 2003 a 2006. A denúncia foi feita contra Andrade e oito de seus ex-chefiados na CDP. A pena prevista para o crime de inserção de dados falsos em sistema de informações da administração pública é reclusão, de dois a 12 anos, e multa.

A ação criminal foi encaminhada à Justiça Federal nesta quinta-feira, 15 de outubro, pelo procurador da República André Sampaio Viana. Citado como “máfia da CDP”, o grupo é acusado de ter excluído diversas operações portuárias no banco de dados da companhia, o que gerou um prejuízo aos cofres públicos de aproximadamente R$ 7 milhões.

Outros crimes praticados pelo grupo . Entre as irregularidades apontadas na primeira denúncia estão formação de quadrilha, corrupção, estelionato e fraudes em licitações. O processo aguarda julgamento.

O caso é conhecido como “caso Galiléia” em decorrência de operação da Polícia Federal (PF) e do MPF de mesmo nome realizada em abril de 2006, quando foram presas 18 pessoas acusadas de envolvimento em fraudes na CDP. O nome da operação (Galiléia é o nome de um mar em Israel), é uma referência ao "mar de lama" que assolava a estatal.


Inelegível

Em parceria com a PF e a Controladoria-Geral da União, o MPF analisou dois sistemas de processamento de dados da CDP e conseguiu confirmar que a exclusão de informações no sistema não se justificava, já que os serviços realmente tinham sido prestados pela companhia. Segundo depoimento de testemunhas, muitas vezes alguns dos denunciados emitiram ordens verbais e escritas para que os faturistas dos portos apagassem do sistema serviços efetivamente prestados pela CDP.

Em escutas telefônicas, foram gravadas conversas do então diretor de gestão portuária Nelson Simas em que ele se referiu à questão como “um faturamento que não foi feito de sete milhões de reais”. Ainda segundo Simas nessas gravações, Ademir Andrade achava “que isso pode até tornar ele inelegível”.

“De todas as consequências, a mais grave é o custo social, tendo em vista que o governo, em decorrência da evasão de receitas, é levado a gastar menos na saúde, na educação, na segurança, por exemplo. Com isso, a sociedade sofre duplamente: tem de conviver com o crime e é mal atendia em suas necessidades primordiais”, critica na ação o procurador da República André Viana.


Os denunciados e os cargos que ocupavam na CDP na época das irregularidades:

Ademir Galvão Andrade, presidente

Nelson Francisco Marzullo Maia, assessor jurídico

Nelson Pontes Simas, diretor de gestão portuária

Marcos José Pereira Damasceno, diretor administrativo financeiro

Hélia Souza de Oliveira, gerente de gestão portuária

Cáritas Juçara Muniz Adrian, supervisora de faturamento

Paulo Geraldo R. Damasceno, gerente financeiro

Sílvio da Silva e Silva, supervisor de informática

Aldenor Monteiro de Araújo Júnior, diretor administrativo financeiro



Fonte: ASCOM PRPA




Nota do Blog:
Ademir Andrade já havia sido denunciado, no “Caso Galiléia”, por formação de quadrilha, corrupção, estelionato e fraudes em licitações. Agora o MPF denuncia o vereador em Belém por falsificação de dados.

A utopia de Almir cerca Valéria

Almir Gabriel deixou claro a Valéria Pires Franco sua intenção de disputar o Governo do Estado.

Na demorada conversa que manteve com a ex vice-governadora, Almir lhe fez consultas sem usar meios termos. O que ele quer mesmo é tentar reconquistar o poder estadual.

Nem bem saiu do encontro com o ex-governador, Valéria não perdeu tempo.

Tratou de convidar correligionários e aliados políticos para conversas em seu apartamento, na Doca. A todos trocou informações, revelando sua reunião com Almir.

Valéria está sentindo a temperatura.

E pelo que indica o termômetro, a maioria tem deixado a ela a convicção de que a candidatura de Almir Gabriel é uma aventura.

Um risco sem tamanho embarcar na utopia almirista.

Tem ouvido isso de alidos do DEM e do PSDB.

Em Marabá, no final de semana, Valéria Pires continuará auscultando a platéia.

Se alguem perguntasse a ela - e Valéria se propusesse responder - qual a tendência registrada, até agora, do que ainda resta da "União Pelo Pará" como candidato preferido ao governo paraense, Simão Jatene leva grande vantagem sobre Mário Couto e Almir Gabriel.

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atualização às 15:21



As articulações de Almir Gabriel na busca de outro mandato popular, vem de longe. E foram reveladas primeiramente pelo blog, dia 4 de agosto, quando publicou teor de uma conversa dele com pessoa residente no Sudeste do Pará.

Apenas para reavivar a memória, um desses anônimos que adoram entrar nos blogs fazendo comentários recheados de boçalidade e arrogância, chegou a suspeitar dos objetivos do post, provavelmente, na visão dele, de conteúdo improcedente.

O que ele disse?

Anônimo disse...
Não acredito muito em narrativas com essa história de fonte fidedigna que não aparece. Mas, se verdade for, Almir Gabriel é nome fortíssimo para o Senado. É páreo duro prá qualquer um desses que andam se anunciando por aí. Afinal Dr. Almir é nome forte em todas as regiões por força de sua biografia e dos bons governos que fez. Sôbre a separação, ningém tem nada a ver.
8:20 AM, Agosto 05, 2009




Como já se tornou regra o blog ignorar abestalhados, o moço anônimo ficou sem resposta. Não merecia nenhum tipo de atenção.

Os fatos, hoje, provam a idoneidade da notícia.

Mais: Almir Gabriel avançou em seu projeto.

Não se contenta mais em ser apenas candidato ao Senado, como dissera naquele dia ao seu interlocutor.

Ele só pensa naquilo: de novo, o Governo do Estado.

Guerra a Vale

O blog estava se sentindo sozinho no alerta que fez à campanha aberta pelos jornalões do Sul Maravilha de apoio à Vale contra a luta que Lula trava com a direção da mineradora pela implantação da siderúrgica no Pará. Contrários, claro, a tudo que represente a descentralização industrial do país.

Acabo de ler, com satisfação, o Quinta Emenda ecoando, também, seu berro.

Que bom!

A Vale contra o Pará

Comentando o post Cai ou não?!, José de Alencar entende que o Presidente da República tem ferramenta eficiente para enfrentar a atual diretoria da Vale:



O Presidente da República, que é o representante legal da União, tem um trabuco poderoso para encarar essa parada. O nome em inglês pode dizer pouco: golden share.
Mas quando o dono desse trabuco decide fazer uso dele prá valer, é tiro de muitos megatons. Agnelli sabe disso. E como sabe.

É que desde a privatização esse trabuco nunca foi usado pela União, como devia sê-lo.

Agora é apostar que vai sê-lo e que disso resulte um novo rumo da prosa para o Estado do Pará.




Observação de Alencar procede.

Inda mais quando observamos a rápida mobilização poderosa da Vale para enfrentar a pressão de Lula a favor da interiorização da industrialização siderúrgica.

Roger Agnelli foi rápido no gatilho.

A antecipação, para ontem, em Belo Horizonte, da assinatura do protocolo de investimentos com o governo de Minas Gerais, estimado em R$ 9,5 bilhões, faz parte do jogo de buscar aliados. Hoje, Aécio Neves amanheceu dando entrevistas condenando a exigência do Palácio do Planalto por mudança na presidência da Vale.

Não apenas Aécio Neves. O Democratas também se alinhou ao lado da Vale.

Enquanto isso, não aparece um deputado ou senador paraense defendendo o mesmo pensamento de Lula. Qual deles quer perder o apoio financeiro que recebe a cada eleição da mineradora em busca de suas reeleições?

O Pará e seu povo que procurem resolver a parada!

Condenação moral

José de Alencar, no seu conhecido blog, conta decisão da 8ª Região da TRT que pode condenar a Eletronorte por assédio moral.

Novos dirigentes do Democratas

Neste sábado, a partir das 09 horas, no auditório Eduardo Bezerra, da Secretaria Municipal de Saúde, a presidente do DEM Mulher, Valéria Pires Franco, dá posse à nova executiva municipal de Marabá dos Democratas. Pesentes também no encontro, os deputados estaduais Márcio Miranda e Gualberto Neto e o presidente do DEM Jovem, Gilton Paiva, além de outras lideranças vinculadas à legenda.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Vicente Zico em Marabá

Ascom da Prefeitura de Marabá é quem informa:


Confirmada a presença, no Círio de Marabá, de uma das maiores autoridades episcopais do país. O ex-Arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Vicente Zico, acompanhará a procissão do município no palanque montado em frente à prefeitura e após isso, no Santuário de Nazaré (Folha 16).

A presença do sacerdote é resultado de uma articulação entre o secretário municipal de Cultura Melquíades Justiniano e o Arcebispo de Marabá Dom José Foralosso, os quais foram responsáveis pelo convite.

Dom Vicente também participará da celebração da missa em homenagem à padroeira dos paraenses nesta sexta-feira, 16.

O Círio deste ano também contará com a presença da cantora Fafá de Belém, que se apresentará ao fim da romaria. O evento tem o apoio da Prefeitura de Marabá, através da Secretaria de Cultura.

Prefeito na TV

De Marabá, chega informação de entrevista concedida pelo prefeito Maurino Magalhães à TV Livre (Rede TV) refutando todas as notícias negativas envolvendo a administração pública.
Resumo da fala do prefeito.

1-Situação financeira da prefeitura sob controle: não está com fornecedores atrasados nem corre o risco de romper o ano em descontrole fiscal.

2- Contas da prefeitura junto ao governo federal sem nenhuma restrição. Ou seja, município apto a receber todas as certidões negativas.

3- Mas diz, mais à frente, estar encontrando dificuldades para fechar as contas do 30 quadrimestre, razão maior de fechar a sangria das despesas suspendendo compras. Em outras palavras, a receita é de menos para despesas a mais. Não tem calculadora que faça milagre aí nesse barato.

4- Também garante que o tempo de austeridade não afetará o andamento das obras.

5- Voltou a tocar na questão da merenda escolar, segundo ele, indo “bem até demais”. Fez até convite a quem quiser fazer o teste da farinha, para ir a uma escola provar da qualidade do alimento servido nas escolas.

Quanto a isso, há controvérsias.

Até tu, menina?!

Olha esta triste novidade que o Altino Machado conta lá do Acre: viúva e filha de Chico Mendes teriam desviado recursos do Instituto Chico Mendes.

Algo em torno de R$ R$ 685 mil.

Aqui.

Cai ou não?!

Repórteres Flávia Barbosa e Gerson Camarotti, de O Globo, assinam hoje, o seguinte texto no jornal:



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comanda, nos bastidores, uma ofensiva para desestabilizar o executivo Roger Agnelli na presidência da Vale, a maior empresa privada do Brasil.

Nos últimos 15 dias, ele deu sinal verde aos fundos de pensão estatais sócios da mineradora e à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para publicamente cobrar e criticar a gestão da empresa.

A estratégia foi reforçada com a adesão cuidadosamente pensada do empresário Eike Batista.

Estimulado por Lula, o dono do grupo EBX deu entrevistas contundentes no fim de semana atacando as escolhas de Agnelli — que, ontem, viajou às pressas a Brasília para tentar uma audiência com Lula, que lhe foi negada.

O Palácio do Planalto alegou que a agenda do presidente da República estava lotada.
No núcleo do governo, a percepção é que Agnelli ficou muito preocupado com as investidas de Eike.

A avaliação reservada é que isto é positivo, pois, mesmo que não resulte na saída de Agnelli, pressiona o atual comando da Vale a retomar uma atuação mais afinada com os objetivos da União. Por isso, não existe articulação oficial ainda sobre nomes para substituir o executivo.

— O Roger Agnelli começou a correr atrás do prejuízo — resumiu um interlocutor do presidente Lula.

Desde o início do ano, quando a companhia foi fortemente afetada pela retração da economia mundial, Lula questionou — até mesmo publicamente — a estratégia da Vale para escapar da crise.

A demissão de cerca de quatro mil funcionários sem comunicação prévia ao governo, em fevereiro, foi a primeira fonte de descontentamento.

A segunda foi o pé no freio em investimentos domésticos de longo prazo, como o Pólo Siderúrgico de Marabá, avaliado em US$ 5 bilhões e que deixaria a empresa menos dependente da comercialização de matéria-prima. O projeto permitiria maior valor agregado à produção da Vale, ao entregar aço.

Siderúrgica: pagando expropriados

O juiz Andrei Simão Santos, da 3ª Vara Cível de Marabá, mandou publicar (DOE 31523, 13 de Outubro/09) edital do depósito prévio de R$ 1.020.000,00 (um milhão e vinte mil reais), como pagamento do bem desapropriado e suas benfeitorias, localizado na Gleba Quindangues, sentido Marabá –Itupiranga, em nome de Vinicius Suriane Santos e Geraldo Teotônio Pereira

No mesmo Diário Oficial do Estado, datado de ontem, também publica edital do depósito prévio da quantia de R$ 325.000,00 (trezentos e vinte e cinco mil reais), como pagamento de outro bem desapropriado também de Geraldo Teotonio Pereira Jota.

Os dois imóveis integram a área desapropriada pelo governo do Estado para implantação da siderúrgica Alpa, da Vale.

Desapropriação por Utilidade Pública.

A partir de agora, cada proprietário começará a ser notificado dos depósitos prévios que o governo está efetuando como valores referentes ao pagamentto dos imóveis desapropriados.

Do jeitinho que o blog contou aqui dia desses: quem achar bom, coloque a grana no bolso. Quem quiser piar, procure o Papa.

Na corda bamba

Hoje, em Brasília, o assunto é a pressão por parte do governo pela substituição de Roger Agnelli da presidência da Vale. Informação passada agora é de que desde ontem as investidas contra Agnelli partem de todos os lados.

Sempre bom lembrar: embora a Vale seja uma empresa privada desde 1997, 11,5% das ações do bloco de controle pertencem ao BNDES e outros 49% estão nas mãos de um grupo de fundos de pensão liderados pela Previ, dos funcionários do BB.

Girando a roda

Assistindo a entrevista de Ana Júlia, nesta segunda-feira, 12, no Roda-Viva, da TV Cultura de São Paulo, o poster sentiu-se como se estivesse num túnel de tempo retornando aos anos 80/90 quando o programa vivia seu apogeu de jornalismo público de qualidade, oferecendo aos telespectadores a possibilidade de conhecer verdadeiramente o pensamento e o trabalho de personalidades nacionais e estrangeiras com profundidade, em debates acalorados cujos integrantes da bancada mais pareciam inquisidores.

Era pau em toda cabeça, sem pena.

Na segunda-feira, ficou essa impressão, porque, de uns dez anos pra cá, a maioria dos integrantes da bancada de jornalistas do programa é selecionada de acordo com os interesses editoriais do governo paulista, cujo presidente da Fundação Padre Anchieta (mantenedora da Rádio e TV Cultura), jornalista Paulo Markun, é pessoa da mais extrema confiança de José Serra.

Semana passada, quem assistiu a turma do Roda-Viva entrevistando a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB) sentiu o freio-de-mão puxado por grande parte da bancada, como se a intenção do debate fosse criar uma espécie de consenso em torno das respostas da governadora gaúcha, enrolada até o bob dos cabelos sob denúncias de corrupção.

Mais parecia um convescote qualquer prestando um desserviço ao jornalismo e ao telespectador. Ação entre amigos.

Ao contrário desta segunda, o Roda-Viva da semana anterior, com Crusius no meio, de certa forma mostrou, sim, falência do jornalismo, naquela roda sonolenta, mais morta do que viva, pronta à adulação.

Mas tudo bem, tudo certo. Ninguém pode desmanchar clima de compadrio.

Ontem, não! A turma partiu pra cima da governadora do Pará que nem pitbulls acuando a presa.

Foi legal!

Permitiu a Ana Julia desencadear, também, firme reação, desmontando o que se tentou, já na primeira pergunta, sobre o resultado de uma pesquisa em que ela aparece com alta rejeição: deixá-la, de cara, escorada num canto do ringue.

Só que a governadora soube fazer a leitura imediata do lance:



- “Pesquisa é retrato de um momento”, disse, sem deixar de acrescentar a expectativa criada ao assumir o governo no sentido de que ela seria capaz de resolver as broncas existentes, pontuando considerar normal que todos pensem que tudo estará resolvido rapidamente. “Mas não posso fazer milagres”, rezou.


Titubeou sim, quando tentou explicar ações de seu governo na área de Saúde, que, sinceramente, não avançaram. Se houver acuidade pelo menos na análise do que foi feito pela saúde, a gestão do PT está perdendo o jogo, mesmo somando a construção do novo hospital da Santa Casa, que ofertará 189 leitos.

Mas Ana foi verdadeira ao devolver, incisiva, a acusação de que não cumpre mandatos de reintegração de posse – tema tão caro aos “pensadores do holocausto rural”, reacionários por natureza.

A maioria ruminante esquece – ou faz de conta - do clima de chororô e revolta existente nos últimos anos do Governo Jatene, pontuado por pecuaristas e congêneres acusando-o de se negar a autorizar a Polícia Militar a cumprir os mandados de reintegração de posse no Sul do Pará. As liminares acumulavam-se numa gaveta qualquer aguardando o momento apropriado para serem cumpridas.

Nas contas da governadora, em torno de 170 mandados encontravam-se adormecidos quando ela assumiu o governo, problema herdado por Jatene desde a época de Almir Gabriel, que se acovardou a partir da chacina em Eldorado de Carajás, lavando as mãos diante de tudo que envolvia retirar invasores de áreas rurais.

Então o poster dizia da verdade embutida na resposta de Ana.

Pelo menos no Sul do Pará, diversas reintegrações de posse já foram cumpridas neste governo petista. O que não pode, e não pode mesmo, é a Faepa querer currar o Governo – com o apoio da Rainha do Desmatamento, senadora Kátia Abreu -, para forçá-lo a cumprir mandados de reintegração de posse priorizando fazendas cujos proprietários integram o ciclo fraternal de seu secular presidente, Carlos Xavier -, entre as muitas, as outras muitas de Daniel Dantas.

A governadora também foi pressionada a falar sobre quais ações tem feito para acabar com o desmatamento.

Expôs os esforços que realiza para, inicialmente, acabar com a grilagem, raiz de todos os males fundiários, através do projeto que trata da concessão de terras públicas para fins de reforma agrária, inclusive com a distribuição real de títulos a agricultores assentados em áreas do Estado.

Quem até hoje teve coragem, e vontade política, para combater a grilagem de terras no Pará, geralmente aliada a outros crimes, como desmatamento ilegal, trabalho escravo e assassinatos no campo?

Pelo menos no Sul do Pará, muitos escritórios de pistolagem que funcionavam em Marabá, São Félix do Xingu, Redenção, Xinguara e Novo Repartimento, a serviço de poderosos grileiros – e do conhecimento público -, fecharam suas portas e foram grilar em outra freguesia.

Isto está acontecendo agora!

O aperto dado pelo governo do Pará na fiscalização cartorial, com o apoio do judiciário, chegou a descobrir, não faz muito tempo, cerca de 6 mil títulos de terra irregulares registrados nos cartórios estaduais que, somados, representavam mais de 110 milhões de hectares grilados e quase um Pará a mais que o território real.

Toda essa bandalheira está sendo desmanchada por uma decisão de governo.

Ana citou também, tratando da regularização fundiária, que o Pará está combatendo o desflorestamento, ao tornar obrigatório a cada proprietário de imóvel rural o plantio de espécies nativas para a recomposição da reserva legal desmatada.

Voltou a falar do programa de 1 Bilhão de Árvores para a Amazônia, cuja implementação, pelo menos para o blog, ainda não está muito clara como funciona e quais ferramentas serão utilizadas para monitorar essa intervenção.

Da maior valia para combater o desmatamento, o acordo de cooperação técnica firmado com a Vale para o monitoramento de incêndios florestais no Pará, através do uso de um sistema utilizado pela mineradora para processar e classificar imagens de satélite de todo o território paraense e identificar focos de calor para prevenir incêndios florestais.

Pode-se dizer, também, que a regularização fundiária avançará com a instituição do Cadastro Ambiental Rural e o Zoneamento Ecológico e Econômico.

No momento em que foi instada a falar sobre a relação do governo com a Vale, faltou à governadora desferir um golpe reto, um jab, para medir a distancia entre ela e a bancada. Porque é exatamente aí onde poderá se situar o marco referencial de seu governo: a industrialização do Pará.

No contexto da pergunta, foi correta a posição dela em falar do termo de cooperação para a construção da siderúrgica de Marabá, relembrando que a crise econômica internacional afetou principalmente o Pará por ser exportador de matéria-prima.

Só que com a evolução das tratativas intensificadas nos últimos dias, inclusive referendadas na semana que passou pelos mais expressivos executivos da Vale em audiência com a governadora, indica não haver mais retrocesso, o início das obras da Alpa, em maio de 2010, acabando de vez com o relacionamento viciado que sempre guiou, envolto a conflitos, os “interesses” de outros governos com a Vale, e, definitivamente, transformando o Pará em Estado industrial.

Faltou Ana Júlia explicar isso, enumerando o promissor futuro refletido no processo de industrialização, beneficiado pelas eclusas de Tucuruí a ser inaugurada no inicio do próximo ano, e a hidrovia que ligará Marabá a Barcerena, também em fase de implantação, com a primeira leva de recursos já garantidos.

No vácuo dessas projeções, igualmente passou batido, os esforços da governadora junto ao governo federal no sentido de incluir nos processos licitatórios a reserva de um quarto da potência da hidrelétrica de Belo Monte para os autogeradores, ou seja, àqueles projetos de verticalização a serem implantados no Pará.

No geral, pode-se considerar oportuno, e bom, o desempenho de Ana, no Roda-Viva.

terça-feira, outubro 13, 2009

Coluna Diário do Pará

Coluna do poster desta terça-feira, 13, no Diário do Pará:

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Vale garante Alpa
Diretores da Vale levaram ontem à Ana Júlia, no Palácio de Governo, a palavra final de consolidação de todos os compromissos assumidos para inicio da construção da siderúrgica Alpa, a partir de maio de 2010, em Marabá, apresentando relato do calendário de atividades que antecedem as obras, executadas até agora dentro dos prazos. Presente à audiência, o diretor de Capital, Sustentabilidade e Relações Institucionais da Vale, Guto Quintella; diretor nacional de Siderurgia, Aristides Corbelins; diretor executivo de Logística, Gestão de Projetos e Sustentabilidade, Eduardo Bartolomeu; e o diretor da área de Minerais Ferrosos. A Sinobrás estava representada pelo presidente Vilmar Ferreira; vice-presidente, Ian Correa; e o diretor de sustentabilidade, Cleiton Labes.

Aço em escala
Embalada pelo clima de otimismo predominante na audiência, Ana Júlia desafiou os diretores da Sinobrás a investirem na ampliação da siderúrgica integrada, industrializando as placas de aço e bobinas a serem produzidas pela Alpa. A provocação encontrou eco duplo: a direção da siderúrgica em funcionamento em Marabá, e a Vale, prometeram apresentar à governadora, no prazo de quatro meses, estudo de viabilidade econômica da planta industrial sugerida. O desafio implica transformar a Sinobrás em fabricante de produtos para o setores automotivo, eletrodomésticos, ferroviário, além de outros segmentos -, mediante a verticalização da matéria-prima que BA siderúrgica da Vale colocará no mercado.

Contatos imediatos
Na quinta-feira, 8, reunido com empresários e políticos na sede da Associação Comercial e Industrial de Marabá, o diretor nacional de Siderurgia da Vale, Aristides Corbelins, já havia antecipado o cumprimento do cronograma da Alpa. Para um auditório lotado, disse também que o EIA-Rima da siderúrgica será liberado na próxima semana, dia 16. Numa aeronave da mineradora, o executivo da Vale, acompanhado da diretoria da ACIM, sobrevoou a área onde será construída a Alpa e os portos público e particular da siderúrgica. Em novembro, durante a 15ª FICAM, a Vale lançará o programa de capacitação de mão-de-obra para a construção da Alpa.

E agora, José?
Se já não bastassem os sérios problemas que vem enfrentando em diversos setores, o prefeito Maurino Magalhães tomou conhecimento de decisão judicial de uma questão que se arrastava há mais de 28 anos, transitada e julgada no Superior Tribunal de Justiça. Trata-se de indenização de vida pela prefeitura de Marabá da área onde surgiu o bairro KM-07, um dos mais habitados da cidade, a cujo proprietário, Valmir Matos Pereira, é dado o direito de receber R$ 89 milhões. Valmir deverá agora protocolar pedido de execução da sentença.

Grana a devolver
Mais um ex-prefeito do Sul do Pará é condenado a repor dinheiro surrupiado dos cofres públicos. Trata-se de Antônio “Levino” Paulino da Silva, que administrou por oito anos (1997-2004) o município de São Félix do Xingu, denunciado por desviar cerca de R$ 100 mil de recursos do programa Agente Jovem do Desenvolvimento Social e Humano destinados a diversas atividades dos jovens da cidade. Relatório do TCU mostra que o verdugo passou a mão em tudo.

Parada Gay
Se este ano faltava Marabá realizar a sua, a data está definida. A II Parada do Orgulho LGBT ocorrerá no próximo dia 25 de outubro, levando às ruas da cidade o tema “Um Outro Mundo Só é Possível Sem Machismo e Homofobia”. Organizadores do evento propagam a passeata como forma de alertar a sociedade sobre os preconceitos que ainda enfrentam, principalmente a homofobia, que é a aversão a homossexuais. Ao final do trajeto, haverá show de drag queens, go go boys, DJs, distribuição de preservativos e teste rápido de HIV.

Umas & Outras
Em seu blog www.pautacidada.blogspot.com, o prefeito de Parauaoebas, Darci Lermen, tem postado artigos estimulando a população paraense a transformar-se em militante ambiental para a construção de um novo modelo de desenvolvimento.

Prefeitura de Igarapé-Miri divulgou edital para o preenchimento de 527 vagas (5% reservadas a pessoas com deficiência) para todos os níveis de escolaridade, com salários de R$ 465,00 a R$ 2.000,00. As inscrições serão somente pela internet, no site da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (www.fadesp.org.br), no período de 20 de outubro a 10 de novembro.

Quinta-feira, 8, foi publicada no DOE a sanção da governadora Ana Júlia à Lei nº 7.309, de autoria da deputada Bernadete Caten (PT), que institui a Sancionada, ontem, pela governadora Ana Júlia a Política Estadual de Fomento à Economia Popular e Solidária no Pará.

Assessoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB) intensificou no Sudeste do Estado a aprovação, na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC) da Câmara dos Deputados, projeto de que cria uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), em Marabá.

Organizadíssimo o Encontro de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial de Curionópolis, quarta-feira (7), tocado pela Sedect e prefeitura municipal.

Feliz Círio, leitores!

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segunda-feira, outubro 12, 2009

Ana no Roda Viva

Bombardeada por uma sequencia de perguntas feitas por variados jornalistas e internautas interativados, Ana Júlia bateu firme também, no início da noite durante o Roda Viva Participativo. Dentro de meia hora, a entrevista sem edição, na TV Cultura.

Os entrevistadores: Palmério Dória, jornalista; Antonio Prada, diretor de Midia Latam - Portal Terra; Catia Seabra, repórter especial do jornal Folha de S.Paulo; Ricardo Mendonça, editor-assistente de Brasil da revista Época.

A TV Cultura, em seu site disponibiliza, inclusive, uma enquete nacional para saber quem é a favor da divisão do Pará em outros Estados.

Estudos de Belo Monte questionados

Um painel de 40 especialistas lançou documento com análises do projeto hidrelétrico de Belo Monte, no Rio Xingu, previsto pelo governo para ser oferecido em leilão em novembro. Os pareceres foram entregues ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no dia 01 de outubro de 2009, para servir como insumo da análise sobre a viabilidade ambiental do projeto, e ao Ministério Público Federal (MPF), que verificará se há violações da lei, dadas as graves consequências do projeto.

O painel identificou, primeiramente, diversas omissões e falhas nos estudos de impactos ambientais, que dificultam análises mais conclusivas sobre temas considerados chave. Apesar do pouco tempo que tiveram para a análise dos documentos, os especialistas concluíram que Belo Monte deve causar graves consequências para a região, seus habitantes e os ecossistemas da floresta amazônica e, ainda, que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) ignora a dimensão da maioria desses impactos.

Para os especialistas, a inédita ineficiência energética do projeto e o processo acelerado e atropelado das audiências públicas mostram que o governo e as empreiteiras pleiteiam uma grande obra a qualquer custo. O Painel de Especialistas, de maneira cidadã, alerta o governo e a população para este grave equívoco, cujos custos reais não são conhecidos e os estudos incompletos e subdimensionamentos do EIA não permitem afirmar.

Texto completo dos pareceres dos especialistas para baixar, Aqui.