sábado, janeiro 29, 2011

Estado de Carajás: a resposta de Val

Educadíssimo por formação, o jornalista Val-André envia respeitoso emeio ao blog pontificando sua visão sobre a criação do Estado de Carajás.

A luta de Val  pelo surgimento da nova unidade federativa, o poster conhece de perto.

Ele exala idealismo, interesses coletivos e preocupações puras com o desenvolvimento da região.

Intenções genuinamente voltadas para o Bem.

Com maior respeito a ele, publico a íntegra do comentário, solicitando alto nível dos possíveis comentaristas.

Se pintar baixaria, jogo fora, no lixo.



Boa noite caro Hiroshi,

Sei que não é elegante de minha parte te enviar um e-mail sobre minha modesta opinião quanto ao debate levantado no teu blog sobre o Estado do Carajás. Porém, o faço, para deixar claro que não se trata de uma crítica conclusiva, de um cidadão que se considera o "dono da verdade" sobre o assunto. Longe, muito longe disso.

Muito menos, deixar qualquer suspeita que possa aludir meu descontentamento sobre opiniões que criticam ou desabonam o processo – inexorável – da criação daquele que será o 27º estado brasileiro.

Um comentário de minha lavra numa ou outra caixa de comentários de meus antecessores, poderia transparecer a direcionamentos equivocados dos teus milhares de leitores. Portanto, minha opinião não é uma carta para o Hiroshi Bogéa. É a minha exclusiva opinião ao editor do blog Hiroshi Bogea On Line.

Li atentamente as colocação do advogado e ex-deputado Plinio Pinheiro Neto. Assim como, o fiz, sobre a opinião do engenheiro Dário Veloso e do senhor Carlos Trocate, líder do MST.

Com o devido respeito, uma vez que não considero anônimo algo palpável para se discutir, debater ou até mesmo, responder. Não citarei qualquer um deles nesse meu pequeno arrazoado sobre o tema.

Já conversamos muito sobre o assunto Estado do Carajás, e sabes muito bem qual é o meu papel nessa luta. Deixarei bem claro aos leitores o que penso e ponto.

Os três leitores acima citados têm razão e não têm qualquer razão.

Não acho razoável fazer aqui, um jogo de palavras. Muito menos um manifesto sobre quem é o culpado do descalabro em que se encontra o sul/sudeste do Pará. Em razão de meu sobrenome, seria excitante para muitos, malhar-me até a exaustão. Adianto que podem fazê-lo. Sei quem sou e o que faço para ganhar a vida.

Para ficar bem didático, visto que não estou entorpecido pelo componente ideológico; não tenho cangalha pendurada na jugular; muito menos envolvimento que não seja rigorosamente técnico sobre o tema. Estou afeito, esclareço, à articulação da comunicação do Projeto que tramita no Congresso Nacional. Apresentado na Câmara dos Deputados pelo meu assessorado, deputado federal Giovanni Queiroz (PDT-PA), hoje apensado ao Projeto apresentado e já aprovado no Senado Federal pelo senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), por nossa articulação e atento assessoramento.

Existem dois tipos, bem claros, de entusiastas do projeto e apenas um tipo de pensamento que é contra.

Nos dois tipos que são favoráveis. Há aqueles que, de alguma maneira se sentiram ou se sentem alijados do processo, criticam com muita contundência, no entanto, nunca fizeram absolutamente nada sobre as tarefas a serem realizadas. Quando o fazem, logo alegam algo, como para que sentir importantes. Mas, na primeira trovoada, retiram-se como que por encanto.

O outro tipo, participa, com uma singular diferença: além de criticarem. São atores ativos. Ligam-me. Muitos a cobrar – o gabinete do Giovanni é de todos os sulparaenses, independente de partido, ideologia, cor de pele, origem, nível educacional, orientação sexual ou tamanho de conta bancária. Nunca, jamais, Giovanni tratou mal uma pessoa. Seja ela quem for. E o que me impressiona, sempre. Nunca guarda rancor de ninguém.

Esses últimos, entusiastas ao projeto: perguntam, questionam, sugerem e principalmente cobram o andamento do mesmo. Afinal, são muitos anos que o assunto vai e volta. Como a natureza do Mar. Enche e seca. Enche de novo e novamente volta a secar.

Alguns colocam a mão no bolso e, por conta própria, mandam imprimir em gráficas, o material básico que produzimos. Os não possuem situação financeira folgada. Puxam conversa com o vizinho sobre o tema. Conversam com os amigos. Explicam aos familiares algumas das básicas razões para a adesão à luta. Colam o adesivo no carro, na moto, na bicicleta, na sela do burro que os leva para a lida. Na proa da pequena canoa ou no popopó movido à diesel. Na rabeta à gasolina e agora à álcool combustível.

Os dos contra são do contra. Sabemos muito bem. Muito mais que os próprios pensam sobre seus argumentos. Com uma diferença. Colocaremos nossas razões de maneira pragmática. Já não estamos – há alguns anos – namorando. Casamo-nos com ela.

Para quem “acha! Agora um pedido. Ao dicionário para a boa compreensão do verbo “achar”. Sob o risco de que uma hora não vai mais achar nada. Porque quem acha procura e se não acha, acaba perdido! Se sente lesado.

                                      – Quem acha é porque procurou algo ou alguma coisa.

Nós que somos a favor da criação do estado, não achamos nada! Nós pensamos, desde o princípio, como procurar nossa independência. Simples assim.

Giovanni, Leonildo Rocha, João Salame, Tião Miranda, Luciano Guedes, Dário Veloso, Valmyr Matos Pereira, Maurino Magalhães, Hiroshi Bogéa, Vanda Américo, Nagib Mutran, Zé Fera, Ademir Braz, Manoel Veloso, Gilberto Leite, Mascarenhas Carvalho, Valmir da Integral, Zé Dudu, Bel Mesquita; meu irmão Markus Mutran; minha irmã Flavya Mutran, nunca mandamos matar ninguém. Escravizar ninguém. Pelo contrário, nas adversidades de nossas vidas, fomos homens e mulheres o suficiente para tocar as nossas vidas e observar com muita atenção, aqueles que cultivam o ódio de gente humilde contra a iniciativa de se fazer algo para mudar e romper o ciclo vicioso de décadas que nos subjugam e subestimam nossa capacidade de construção, reconstrução e trabalho.

Ao equivocado, raivoso e jovem líder do MST já citado. Pergunto. O senhor por um acaso já deixou um pouco de lado a leitura de seus postulados ideológicos e pegou firme no trabalho?

Posso, se quiseres. Te recomendar uma lista interessante de pensadores.

Quem me conhece sabe que não tenho duas caras. Adoraria tomar um cafezinho contigo aqui na Câmara dos Deputados, quando vieres visitar o teu patrão João Pedro Stédile. Quem sabe eu não te convenço a convencê-lo a tirar o MST da mais gritante irregularidade jurídica, jamais vista ( ooops!) – na história desse país. Uma entidade receber recurso público e internacional, sem ter, sequer, um CNPJ? Vocês são muito persuasivos.

De minha restrita biblioteca, posso te emprestar – devolva, viu? De São Thomaz de Aquino a Eric Hobsbawm, passando por toda a obra de Ruy Barbosa.

Continue lendo Leonardo Boccio. Releia Maquiavel. Leia a trajetória, de Salvador Alliende. Stalin, Roosevelt. Mussoline, Hitler, Fidel. Jimmy Carter, Mandela. Leia Mao Tsé Tung e leia, atentamente o prêmio Nobel da Paz de 2010, Liu Xiaobo. Leia Javier Pérez de Cuéllar, o “Gabo” Gabriel Garcia Marques ou o mexicano Octavio Paz. Leia Ghandi. Leia a Bíblia, seu moço. Não precisa de tanta distância. Leia Ademir Bráz.

Leia, principalmente, o estudo publicado há cinco anos atrás do IPEA, sobre o Estado do Pará, Carajás e Tapajós. Leia, o diagnóstico da Vale sobre a região. Leia os Cadernos do NAEA da UFPA. Há teses de doutorado sobre a nossa região. Aproveite o seu exílio (tá certo!?).

Quando escrever cartas aos amigos. Não os induza ao erro crasso. Não diga que não há estudos sobre a criação do Estado do Carajás.


                             – Você. No exílio. Vai pega mal para a companheirada, visse.

Talvez seja a distância que te separa da lida. Ou de uma gostosa rede num barraco de um de mais de uma centenas de Favelas Rurais que vocês chamam de Projetos de Assentamento no sul do Pará. Talvez.

Fica mufino não. Posso te enviar por e-mail o estudo: Assimetrias Regionais no Brasil: Fundamentos para Criação do Estado de Carajás. Seja um bom menino e pare de mentir aos seus amigos, dizendo que nunca, jamais, houve um estudo sobre o Carajás. Fica feio o seu patrão saber disso. Olha que ele lhe puxará as suas orelhas.

Já pensou o Stédile dizer:

                 – Pôrr#$@%%%%%a Trocate. Que cara#$%####o de estudo é esse que eu não sei?

Quem quiser o Estudo. Basta enviar um pedido na caixa de comentários do blog do hiroshi informando o e-mail. não precisa se identificar.

Até a próxima e aguardo os comentários.

Por favor, acrescente à lista:

Na pessoa do Prefeito Wenderson Chamon, Darcy Lermen e Álvaro Brito, ao qual fui adversário político nas duas campanhas que o elegeram Prefeito de Conceição do Araguaia, o mais completo estudo sobre a viabilidade do Estado do Carajás, não seria possível ter sido publicado.



Os seus nomes já estão reservados no Panteão de nova estrela da Constelação Nacional brasileira. Da mesma forma que os milhares de anônimos que não fazem questão de aparecer, porém, muito contribuem pela causa de todos.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Não era bem isso

A qualquer momento, o deputado estadual Sebastião Miranda (PTB) devolverá ao governador Simão Jatene o cargo de Secretário Estadual de Obras, que ele aceitou sem querer aceitar.

A direção do PTB já foi comunicada dessa posição do ex-prefeito de Marabá, e, numa reunião que deverá ocorrer neste final de semana, o partido  indicará o nome do deputado estadual  Eduardo Costa para ficar no lugar de Miranda.

Enquanto Joaquim Passarinho, primeiro suplente de deputado, não for colocado na Assembleia, o PTB não descansa.

A não ser que Jatene volte a causar encantos no sempre sizudo espírito do deputado marabaense, como conseguira quando o convenceu a trocar a Setran pela Obras, a disposição de Tião é deixar, o mais rápido possível, o cargo que ele desconfiava não disponibilizar de  nenhuma estrutura de peso orçamentária capaz de bombar as pretensões dele de sair tocando obras pelo Estado, particularmente em Marabá onde se candidatará à prefeitura -  mas acreditava, num curso de convencimento,  mudar o status de pasta esvaziada.

Passados pouco mais de vinte dias antenado com o dia a dia da secretaria, Sebastião Miranda está convencido de que é uma verdadeira furada manter-se no cargo.

Ele ficaria imensamente agradecido, e terrivelmente risonho, se a Setran caisse em suas mãos, mas como isso é sonho impossível, o famoso "Trator D-6",como é chamado Tião em Marabá, deve ficar só na AL.

Se mudar de opinião daqui para segunda-feira, a responsabilidade do recuo será, de novo, dos hipnotizantes sussurros de Jatene.

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atualização às 11:50 (29/01)

Passaram batidos, os jornais de Marabá (Opinião e Correio), além do Diário do Pará, da capital.

Ambos amaheceram sábado nas bancas sem dar uma nota sobre a desistência de Tião assumir  a secretaria de Obras.

Pontos para "Em Poucas Linhas" (Repórter 70), de O Liberal, que faz registro.

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atualização às 11:57

Como o poster não havia lido a edição d´ Opinião de quinta-feira, 27, em cima da bucha voltamos pra fazer a  correção.

Naquele dia, o colunista João Carlos Rodrigues antecipava a saída de Miranda

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Atualização às 13:48

Diário do Pará, na coluna Repórter Diário, registra também a desistência de Tião Miranda.

Faculdade de Jader

O prédio da futura faculdade que Jader Barbalho Filho constrói em Marabá, segue de vento em popa.

Pelo tamanho do empreendimento em edificação, tudo indica que o núcleo terá dezenas de cursos.

Virá para concorrer com a Metropolitana?

Não binquem com ela

Parsifal, ao seu elegante estilo, comenta no blog chamada pro limpo de Dilma Roussef, advertindo a ministra de Planejamento, Miriam Belchior:


Nesta chuvosa tarde de quinta-feira a ministra do Planejamento Miriam Belchior, sentiu as duas mãos da presidente Dilma Rousseff puxando-lhe as duas orelhas.

A reprimenda se deu devido à fala de Miriam Belchior, ontem, sobre possíveis cortes no PAC 2.

“Nós não vamos, nós não vamos - vou repetir três vezes - nós não vamos contingenciar o PAC”, disparou Dilma durante uma coletiva onde anunciou doação de moradias para flagelados da tragédia do Rio de Janeiro.

Se o Planejamento quiser passar a navalha no PAC 2, que o faça em silêncio. Se quiser que o distinto público veja o reluzir da lâmina, que procure outra dotação para decepar.

Minha avó Ciló já dizia: “em boca fechada mosca não entra.”

Atualização lenta

Fora da base, o poster atualiza lentamente o blog.

Outros compromissos afastaram o poster do batente.

"Cerpasa" espalhada na Rede

A denúncia da Ana Célia Pinheiro ganhou a blogosfera nacional.


O blog Amigos do Presidente, o mesmo que levou à rede as denúncias contra o ex-governador  de Brasília, Roberto Arruda, repercute o Caso Cerpasa.

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atualização às 18:15

Paulo Henrique Amorim linkou do Amigos do Presidente, espalhando para quase cem  mil  acessos dia.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Enquanto isso, em Parauapebas...

Queda de braço
Em Parauapebas, setores de forte influência opinativa estão apoiando decisão do prefeito Darci Lermen de peitar a Vale em relação ao espaço  requisitado pela mineradora, em território do município, para esticar uma linha ferroviária.

A corda entre o município e a Vale foi esticada a tal ponto que  diversas reuniões de  representantes da prefeitura e da empresa foram realizadas, em dez dias.

Até Darci esteve no Rio de Janeiro, na terça-feira, a convite dos diretores da multinacional, para reafirmar sua posição, exigindo da Vale compromissos de compensação realmente executáveis, para suavizar o fosso social produzido pela exploração mineral.

Mina do Alemão
Executivos da Vale realizaram, em dois dias, encontros com o Executivo e Legislativo de Parauapebas, expondo, através do que eles chamam  "Reuniões Prévias", o projeto Mina do Alemão, seu mais novo empreendimento de exploração de cobre em Parauapebas.

O projeto é pequeno, em relação aos demais. Mas, como tudo o que a Vale expõe estimula a migração de brasileiros, os problemas sociais só tendem ganhar volume.

E, de royalties, sabe quanto a mineradora deixará anualmente em Parauapebas? Nada mais de R$ 8 milhões.

A Mina do Alemão tem vida últi curtíssima.

Futuro negro
Tema a merecer análise aprofundada, em posts futuros: a vida útil da exploração de ferro em Serra dos Carajás não passa de 30 anos.

Projeções recentes da mineradora, confirmados por importantes executivos, dão conta de que o ferro existente na província deve ser explorado em 40 anos. Como a China projeta aumentar a compra dos produtos Vale em até 30%, a partir de 2012, isso equivale a uma redução de 12 anos no cenário de 40 anos.

O que está sendo providenciado, pelas autoridades dos governos do Estado, municipais e seus atores produtivos, para a criação de alternâncias de matriz econômica ?

O tema será recorrente aqui no blog.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Estado de Carajás

Ainda sobre o debate em torno do Estado de Carajás, o blog reproduz carta enviada por Charles Trocate, um dos coordenadores regionais do MST, ao blogueiro Ribamar Ribeiro Junior.

Companheiro desse tempo!

Quando começo te escrever essa carta estou pensando, nesse tempo de estreiteza e leviandade filosófica, a política é um pacto sem sabor, não que assim sempre foi, mais a julgar pela sua oferenda, os homens imaginários perderam a disputa, e o que havia de mais admirável desceu a torre da mesmice e julgados não podemos fazer mais nada?

Penso a distância e isso por conseqüência me faz menos cego, e se me perguntam se quero destronar alguém, engulo a seco a resposta, não tenho nenhum compromisso com o medíocre, das maledicências do poder, só os apoderados podem responder, não tenho poder algum, e isso não me faz menos fraco, mais hoje estou em exílio impelido de buscas que me fazem bem. Não perdi nenhuma batalha porque não está em disputa o que realmente imagino serem as lutas do nosso tempo, da tua e da minha geração. Chega ser enfadonha as afirmações histéricas, da pseudo-burguesia, que de aço e de capim se fartam hoje.

Não tenho paciência para as - rasas - explicações que tomou de assalto o senso e a inteligência das pessoas, e admito que esteja a quem a nossa batalha, mais não posso aceitar que a inteligência da nossa região, seja só isso, um estado de coisas ignorantes, estamos voláteis as mais perniciosas elucubrações, e a direita faz a sua festa, está hegemônica até na quitanda, já passou ilustre por vários salões do baile, indicando uma direção política e intelectual de tacanha uniformidade sempre pronto a defender o obvio e só, e assim do auto da sua –elegância escravocrata- eles anunciam seu programa, um -Estado de Carajás-, transloucada aventura? Não, eles estão falando a verdade e como remédio, porque não entendem de dialética, serve para curar as dores da taxa de lucro dos seus negócios, apenas isso.

Oscar Wilde, num debate sobre a arte, defendeu a importância da arte medíocre, aquela que diverte aos que nada se opõem na construção da humanidade. Porque ele fez isso? Agora só me importa o exemplo. Mais não acredito ser essa vocação, dos que ainda pensam na região, se o incomum é isso, o que faremos contra os mastigadores de plantão, ir a mesma ceia é impossível, deitar na mesma cama nem pensar, construir uma casa cujo alpendre hospedará os pobres são de uma estreiteza sem precedentes, mais não dá para ficarmos dispersos e mudos, assombrados com a engenharia dos tolos, em todo caso essa hegemonia de pilhadores, como diz meu amigo Tito, é um gigante de pé de barro, é só derramar água em sua banca de equilíbrio, e ele vem abaixo, fácil, né?

Durante algum tempo refutei a idéia da criação do Estado de Carajás e hoje estou mais convencido e armado de muitos questionamentos e proposições. Devemos fazer militância contra essa invenção bestial, as razões são muitas, e penso que possível propor uma alternativa ao debate, principalmente porque esse tema divide rebaixando a natureza da questão. Há que considerarmos, os apaixonados que nada sabem dizer em relação, e os que se fazem com o jargão, e há mesmo os chantagistas e oportunistas de discurso vago e sem preâmbulos. Todas essas lástimas estão encasteladas nos seus interesses e não cederão, por quê? Porque o estado de Carajás pode ser uma verdade em outro tempo histórico, que não esse. Mais eles se contentam com uma fábula, dizem lutar a mais de trinta anos por essa providência (?!)

Mais eu diria, esse mito, essa fabula de conotação rasteira e sem altivez não passará. Se um mágico agrada ao publico pela qualidade da sua mágica, os mágicos do Estado de Carajás nada podem oferecer ao publico, algo de mais valor, do que uma mágica de segunda categoria, embora o público ainda, de muito exigente nada tenha. Nunca vi absolutamente algo de sério nesse debate, algo que realmente levasse a sociedade a se manifestar, em todo caso, não vejo absolutamente nada de civilizatório e amplo, que animasse um surgimento de uma força política e moral, uma força dirigente sem vícios e que dotasse o debate de princípios estratégicos (se enganam os que pensam que são), assim prevalece o mesmo, decide as elites e o povo é avisado depois. O programa da criação do “Estado de Carajás” é como organizar uma fazenda, ou uma siderúrgica, porque que não avisam ao povo, que os fazendeiros que querem o estado de Carajás são contra a reforma agrária? Porque não avisam, que os donos de siderúrgicas desmataram até a última árvore para colocar no seu forno, alimentando a sua ganância e criando uma fissura no ecossistema da região irreparável? Porque não dizem que querem ser leais amigos da CVRD, quando ela arrebenta a região com um projeto mineral monopolizador e deveria ser contestada? Porque não dizem que adoram a selvageria desse modelo de barbárie do capital, instalado na nossa região pelos mega-investimentos, e que eles idolatram mesmo sabendo as manhas do santo?

Indiferente ao que eles dizem por que não há nada de sério, tudo feito de uma absoluta empiria, e cada vez mais pirotécnico e que se confrontasse com a realidade, estimulando ela falar algo, se ao menos se possibilitassem uma pesquisa profissional, sem anomalias e sem informações duvidosas, se assim se posicionarem, sugiro que façam apenas uma pergunta aos cidadãos apelidados de – opinião publica-, perguntem se eles estão precisando de mais deputados, governador, prefeito, vereador, juiz desembarcador e o raio que o parta, vão ouvi uma única resposta, - querem dignidade- que esse modelo democrático burguês os priva, pois de tão representativo, representa apenas os interesses alheios as suas necessidades.

Claro, meu caro Ribamar, essa é apenas uma carta entre amigos, sobre esse tema hoje indissociável das nossas posições, e há outras questões a considerar, que agora estou pesquisando para se municiar para debates mais ousados e seguramente mais decisivos, (pois estamos debatendo projetos) o que não me esquivo, apenas quis dizer-te da minha indignação frente aos riscos que corremos dessa empáfia se colocar mais agudizada, o que não descarto. Como sabe estou distante e me faço de muitos momentos e lembranças, também não deixei de viver, de alargar os horizontes, vou desenvolto por esses lugares, aprendendo o possível e celebrando na distancia os amigos e o que importa, podendo um dia desses retornar para onde nunca deveria ter saído à região que teima, se enlutar por essa lógica abrupta aos nossos olhos.

Por ultimo não sou - anexionista - e nem estamos tratando de algo dividido, embora os marcos da integração discordo, o estado já existe na região sobre os seus mais exclusivos interesses, e ele é isso mesmo que estamos vendo, gerente dos interesses tão identificáveis e o resto é balela (não há política pura nesse jogo sem juiz) e nem sou – divisionista - desbundado, o sentido do Pará é mais amplo do que os aloprados dotados de uma visão apequenada imaginam, não sabem nada de história, a nossa encruzilhada é outra, tem mesmo uma outra origem. Só penso e tenho muitas razões para isso, eu e todos aqueles, que estudam, analisam se mobilizam e lutam de que a pauta da criação do Estado de Carajás é tão atrasada quanto ao modelo de concentração de riqueza na grande região Carajás, esse binômio, - progresso e desenvolvimento- não se realiza sobre as marcas desse atual e inóspito capitalismo tardio, reivindicado a quatro patas e a forno de carvão, capitaneados por uma vulgar extrema direita, sinceramente, analisando a conjuntura histórica, esse tempo ainda não é o seu lugar. A Plataforma urgente, ainda que mínima é outra e não virá desses predecessores do risível, fico feliz, pelo menos isso desafia a tosca vontade em voga, aprendi que na fronteira nada está decidido, tudo está em disputa, é ai que estou, pode acreditar, impávido. Sei, nasci numa região que a política não pensa, é embrutecida desde sempre, aliás, é extinguível o seu valor, desde que ela pergunte, questione e se auto-gestione.

Tenho acompanhado a sua batalha diária reivindicando mesmo um lugar para o debate, a sua disposição e camaradagem, que fere os hipócritas e animam os que estão distante. Obrigado!

Abraços por dias melhores

Charles Trocate

Dezembro, ultimo dia do ano de 2.009

Guerra contra desmatamento em Anapu

Ministério Público Federal participou ontem (25/01) da audiência pública em Anapu que discutiu o conflito de assentados do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança com madeireiros que fazem derrubadas ilegais na área desde 2010. A audiência ocorre num momento de tensão na região, depois de protestos contra e a favor da retirada de madeira no assentamento.

“Quem retira madeira do assentamento está cometendo crime, o desmatamento no PDS Esperança é ilegal”, avisou o procurador da República Bruno Gustchow, de Altamira, que representou o MPF na audiência. O Incra já identificou pessoas que estão no assentamento mas não são clientes da reforma agrária e podem estar agindo a mando de madeireiros. O Incra obteve ordem judicial para a retirada deles.

O procurador da República avisou aos presentes: “nossas principais preocupações são a segurança das pessoas, a apuração dos crimes que vêm ocorrendo no assentamento e a garantia de que a área seja destinada verdadeiramente a clientes da reforma agrária”. Para garantir a segurança, o MPF têm enviado ofícios desde agosto do ano passado, a autoridades federais e estaduais solicitando presença na área.

Ao Ibama, por exemplo, o MPF enviou ofício em setembro do ano passado solicitando fiscalização na área, diante das ocorrências de incêndios de veículos de madeireiros. Na mesma época também foi enviado ofício ao Ouvidor Agrário Nacional, solicitando a presença da Força Nacional. Apenas em janeiro de 2011, após novos alertas do MPF de que a tensão aumentava, a PM, a Força Nacional e a Polícia Federal chegaram a Anapu.

Gutschow aproveitou a audiência para reforçar que apóia a presença da PF para apurar qualquer ilegalidade cometida no PDS Esperança, inclusive calúnias e ameaças contra quem se opôe ao desmatamento ilegal. Outra garantia dada pelo Incra é a instalação de uma guarita de segurança no PDS para coibir a saída de madeira. Já a representante do IBAMA, questionada pelo MPF se poderia disponibilizar servidores para essas guaritas, se comprometeu a levar o assunto ao presidente do Instituto.

Fonte: Ascom MPF

Belo Monte: construção liberada

Ibama anuncia a liberação  da nova licença para a construção da Usina de Belo Monte.

Aqui.

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atualização às 20 hs

Nem bem o Ibama anunciou o início das obras de Belo Monte, o Ministério Público Federal reagiu.

Quem conta é Ana Célia Pinheiro.

Jatene promete endurecer com PMDB

Pelo menos a quatro  interlocutores da base aliada reunidos com Simão Jatene (PSDB) nas últimas horas,  cobrando dele atitude mais incisiva contra a manifestação de alguns deputados dispostos a votarem numa candidatura do PMDB à presidência da Assembleia Legislativa, o governador demonstrou não estar disposto a passar recibo de mofino, diante da situação.

Uma das cenas: deputado de partido contemplado com cargo no governo, fez a seguinte colocação:

  - Governador, é inadmissível o PMDB querer também ficar com a presidência da AL. Já foram beneficiados com secretarias importantes de seu governo, e brigar agora pelo controle do legislativo...


Reação de Jatene, ipsi litteris:

   - Eu não vou aceitar isso, nao! Eu tenho a caneta na mão. Se for preciso ir ao extremo, demito quem quer seja. Vou pro f.... - se.

E completou a frase com um sonoro palavrão.

Salame assumirá Prefeitura

É quase certo que o deputado João Salame (PPS), ao desembarcar neste final de semana em Marabá, irá direto assumir o cargo de prefeito.

As garantias jurídicas das quais ele precisa para definir seu futuro político estão sendo postas à mesa, a cada reunião que ele mantém com seus advogados, em Belém.

Se decidir assumir ainda em janeiro, o parlamentar do PPS renúnciará aos últimos dias do atual mandato.

A partir de  1o de fevereiro,  quando tomará posse a nova Assembleia Legislativa,  Salame terá até 60 dias para assumir o cargo, por força de regimento que faculta esse prazo a cada parlamentar.

Durante 60 dias, ele exercerá o cargo de prefeito enquanto aguarda  efeitos dos recursos com os quais Maurino Magalhães tentará reverter seu afastamento da prefeitura de Marabá.

Curionópolis ganha moderna FM

Curionópolis ganhou sua primeira estação de rádio.

Trata-se da Liderança FM, funcionando desde a semana passada em estágio experiental, com três quilowates de potência.

A programação da emissora está sendo sintonizada em diversos municípios do entorno de Curionópolis, através da frequência 102.1

Maurino: - "Minhas contas foram aprovadas"

Direto de Belém, pelo telefone, Maurino Magalhães disse que seus advogados entarão com recurso ainda hoje no Tribunal Regional Eleitoral, tentando reverter a decisão do juiz Cristiano Magalhães, que lhe cassou o mandato de prefeito de Marabá baseado em denúncias de formação de caixa dois, durante a campanha de 2008.

Confiante de que o TRE "restabelecerá a verdade nessa questão",  Maurino entende que a decisão do juiz da 23a Zona Eleitoral  foi equivocada, ao alegar reconhecer a existência de caixa dois. Para ele há um despropósito na questão, considerando que "a minha campanha eleitoral foi  uma das poucas que tiveram as contas aprovadas, minhas contas foram aprovadas!"

Aparentando tranquilidade, Maurino Magalhães declarou lamentar que "isso tudo ocorra no exato momento em que as contas da prefeitura foram praticamente todas pagas, e estarmos vivendo  clima de otismismo em relação ao número de obras que iremos deslanchar este ano", marcando de vez, positivamente, a sua administração.

"Eu não tenho nenhuma dúvida de que o pior já passamos, temos aprovado um calandário de obras importantes para a cidade e que nos próximos dois anos iremos mudar totalmente a cara urbana de Marabá", disse, acrescentando estar confiante em seu retorno à prefeitura nos próximos dias.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Nagib já assumiu prefeitura

No meio da tarde desta terça-feira, 25, o presidente da Câmara Municipal de Marabá, Nagib Mutran Neto (PMDB), assumiu interinamente o cargo de prefeito do município, por determinação da justiça eleitoral que cassou o mandato de Maurino Magalhães (PR).

Antes de ser comunicado da decisão, Nagib reuniu-se por mais de três horas com Maurino. Em seguida, os dois receberam notificação do juiz Cristiano Magalhães, titular da 23a Zona Eleitoral.

Neste momento (17 hs), Nagib encontra-se na secretaria de Obras, onde provisoriamente funciona a prefeitura de Marabá já que a sede do município passa por reforma.

Em rápido contato com o blog, Nagib procurou tranquilizar a população e a própria máquina administrativa:

     - Não farei nenhuma mudança. Apenas não deixarei que os diversos setores da máquina pública parem de funcionar. Minha missão aqui é provisória, até que o deputado estadual João Salame decida se aceita ou não renunciar ao seu mandato para ocupar o cargo.

Salame tem cinco dias para se manifestar, a contar desta terça-feira.

Os advogados de Maurino Magalhães preparam recurso para dar entrada  no TRE, tentando a devolução do cargo ao ex-titular, através de mandado de segurança.

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atualização às 17:26

A cassação de Maurino Magalhães repercute intensamente na blogosfera.

Aqui.     Idem.    Aqui também.

Noite de autógrafos

Maurino e vice afastados

Confirmado: o juiz Cristiano Magalhães afastou o prefeito Maurino Magalhães, e seu vice, Nagilson Amoury.

Deatalhes, mais tarde.

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atualização às 14:14

Em verdade, Maurino Magalhães foi cassado,  baseado em denúncia de caixa dois, formalizada pelo PPS.

O juiz Cristiano Magalhães, da 23a Zona Eleitoral de Marabá,  exarou agora há pouco ofício ao presidente da Câmara Municipal de Marabá, Nagib Mutran Neto, determinando sua investidura no cargo de prefeito até que o deputado estadual João Salame (PPS), segundo colocado na eleição de 2008, decida se assume ou não o cargo.

Mais nformações, dentro de alguns minutos.

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atualização às 14:37

Ofícial de Justiça ainda não localizou o presidente da Câmara Municipal, Nagib Mutran Neto, para certificar-lhe da cassação do prefeito Maurino Magalhães, e sua imediata investidura no cargo de prefeito interino.

Logo mais  voltaremos, com mais informações.

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atualização às 14:45

Através de sua assessoria, o prefeito Maurino Magalhães disse que recebeu a notícia de sua cassação "com serenidade, uma vez que não se discute decisão judicial". No entanto, garante que já está trabalhando recurso para encaminhar ao Tribunal  Regional Eleitoral, em Belém, de onde espera decisão desfavorável à setenção do juiz Cristiano Magalhães -, com a sua consequente recondução, e do vice Nagilson Amoury,  ao cargo.

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atualização às 15:15

Deputado estadual João Salame encontra-se em Belém, a par de tudo o que está ocorrendo em Marabá.

Falando ao blog, ele disse que ainda não foi oficiado da decisão do juiz Cristiano Magalhães, mas que terá cinco dias, a partir  da notificação, para decidir se assume a prefeitura de Marabá, já que terá de renunciar ao mandato de deputado.

Como  Maurino Magalhães está entrando com recurso no TRE, Salame correria o risco de ficar sem mandato caso o tribunal reconduza Magalhães à titularidade do cargo,  sob força de liminar.

A legislação é clara: o parlamentar tem que renunciar ao mandato para assumir o Executivo.

João Salame revela, no entanto, haver divergência nessa matéria. "Há entendimento jurídico, em algums casos, de que o deputado não pode ser punido no cumprimento de uma legislação em situações onde as diversas instâncias do judiciário  tem decisões conflitantes".

Ou seja, abdicar do mandato parlamentar para ocupar a titular do executivo e, lá na frente, ficar sem o mandato de prefeito (e de deputado) mediante decisões antagônicas dos tribunais.

Salame diz que analisará a questão com frieza, dentro do prazo estabelecido em lei.

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Nota do blog: dezenas de comentários acabam de ser recusados. Uns contendo textos em caixa alta (tudo com letra maiúscula) e outros carregados de insultos e baixarias. Todos que vierem com esse perfil serão deletados.

Amat celebra sede reformada

Agendado para 10 de fevereiro a reabertura da sede da Amat (Associação dos Municípios do Araguaia-Tocantins), em Belém, totalmente reformada pela gestão de Wenderson Chamon.

No mesmo dia, haverá eleição para a escolha da nova mesa diretora, com a provável consagração do prefeito de Pau D´Arco, Luciano Guedes (PDT), em substituição a Chamonzinho -, além da apresentação do Estudo de Viabilidade Sócio-Econômica do Estado de Carajás.

O prefeito de Curionópolis fechará sua gestão em grande estilo.

Além da reinauguração da sede da Amat, sorteará uma ambulância, entre os municípios associados.

Odores neuseabundos (*)

Reproduzido, Ipsi  literis,  do blog Na Ilharga:


Editoriais
Nunca mais a virulência no ataque mútuo, entre Jader e O Liberal, tinha atingido o ponto a que está chegando. A matéria de ontem, publicada no Diário, dando conta de um possível julgamento dos irmãos Rômulo Jr. e Ronaldo Maiorana por desvios de recursos da Sudam, foi respondida com um editorial e uma matéria a respeito de possível sonegação de imposto de renda do ex-deputado.

Pelo andar das ofensas, chegaremos aos anos 40 e 50, quando o embate entre Folha do Norte e O Liberal era travado em linguagem tão agressiva, capaz de fazer corar o mais desbocado dos geraldinos dos nossos estádios. Quanto à repetição do banho de fezes, lamentavelmente já foi dado no leitor desses jornais. Lamentável! 

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(*) -  Em alguns dicionários, a palavra nauseabundo  (feia, mas representativa),  é "traduzida"  da seguinte forma:  Nojento ou repugnante a ponto de causar náuseas.

Considerações sobre o Estado de Carajás

Chamando para si também o debate em torno do post "Contra a divisão do Pará", o engenheiro Dário Veloso mexe mais ainda a panela, enviando o seguinte emeio:


Quanto mais busco informações em fontes confiáveis sobre os municípios que compõem o futuro Estado de Carajás, mais se cristaliza a idéia de que deveremos colocar em funcionamento, um ESCRITÓRIO TECNICO MULTIDISCIPLINAR com ,pelo menos as seguintes preocupações:

1-Infra- estrutura
2-Área Social
3-Área Produtiva
4-Área Estratégica

Detalhadamente, teríamos as seguintes preocupações:

Infra-Estrutura:

Detalhar, por município, a situação atualizada de:

Saneamento básico (água, esgoto)

Drenagem Pluvial

Pavimentação de Ruas

Estado de estradas Vicinais (quais estradas vicinais podem se tornar estaduais?)

Prédios Públicos e praças

Comunicação de voz e dados

Quais distritos tem condição de se tornar novos municípios?

Área Social:

Situar prioritariamente os seguintes tópicos:

Estado geral dos hospitais e centros de saúde (equipamentos,RH,etc)

Levantar situação de Escolas (todos os níveis) com aferição de conhecimentos de Professores,alunos e criar política de interferência positiva

Estudar distribuição espacial de mecanismos de inclusão de rendas (bolsa escola,etc), aposentadorias e inclusão de mercado de trabalho

Verificar programas e ações de qualificação de Mão de obra

Mapear o efetivo de Policias militar,civil, sistema carcerário e organizar a inteligência de informações


Área Produtiva:

Verificar nossas potencialidades:

Mapear ,por município, suas vocações produtivas para planejamento estratégico(exemplo:Eldorado de Carajás- industria cerâmica)

Buscar parcerias para fomento de tecnologia e financiamento produtivo

Articular junto as grandes mineradoras utilização de tecnologias de sub- produtos ou reciclagem

Organizar a Cultura Regional para que a mesma se torne industria de lazer e sirva como atratividade de capital financeiro

Potencializar o turismo como renda internalizada nos vários ramos da industria turística

Reflorestamento (tanto para industria moveleira como matriz energética) são possibilidades que falta convergência


Área Estratégica:

Possivelmente a mais importante da áreas:

Criar a ESCOLA ESTADO de CARAJAS para orientar os gestores municipais,secretários de governo e , inicialmente, começar a irradiar conhecimento administrativo do novo Estado

Começar a estudar a fundamentação legal para elaboração da Carta Magna do novo Estado (equipe de advogados e juristas)

Implantar centro de TI para otimizar o transito de dados e informações entre todos os municípios do futuro estado

Em cada cidade montar um grupo de Técnicos para abastecer de informações o Comitê Gestor Central (em Maraba)

Montar equipe para a transição Tributária e Fiscal do novo Estado

Equipe para elaborar o levantamento Patrimonial (do antigo Estado para o novo Estado) e também em relação a transição do funcionalismo publico


Agora, isso tudo deve acontecer com um suporte financeiro e logístico por trás para dar condições de trabalho.O tempo já esta muito curto pois as informações estão dispersas, descentralizadas, sem padronização e sem equalização temporal (tem informações antigas misturadas com novas o que não apresenta parâmetros confiáveis de gestão).

Se continuar dessa forma, temos grandes possibilidades de começar o novo Estado de Carajás com direção,metas e foco totalmente distorcidos podendo a situação piorar ao invés de melhorar .Portanto, devemos minimizar o risco investindo agora em estudos e organização.

O desafio de se estruturar um Estado completamente novo vai requerer ferramentas de informação bem modernas e bem abastecidas de informações consistentes e confiáveis e isso não se consegue instantaneamente.Precisa-se de tempo e de bons profissionais para se montar uma estrutura confiável, ágil e competente.

Minha preocupação vai nesse sentido.Estamos quase conseguindo o objetivo do Plebiscito e estamos ignorando que a vitoria nesse escrutínio vai nos trazer uma demanda enorme de problemas que precisam ser pensados agora para que tenhamos as melhores soluções possíveis.

Por enquanto é somente isso. Coloquei de forma mais sintética possível, mas poderemos ampliar as ideias de forma mais analítica.

Fico no aguardo de seus comentários.

NOTA: As preocupações do nosso amigo, advogado Plinio Pinheiro são extremamente consistentes em sua postagem “CONTRA A DIVISÃO DO ESTADO DO PARÁ” pois esse é um assunto muito sério e deve ser conduzido com a melhor e mais atualizada gama de informações.Mas acredito que seja fruta madura: uma hora cai do pé. 

segunda-feira, janeiro 24, 2011

A posteriori

Uma das notas apresentadas pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), um dos xerifes, no Congresso,  da moralidade mentirosa,  como prova de que doou para a caridade sua aposentadoria de ex-governador é datada de 30 de novembro de 2011.

Mais.

Sindifisco alerta sobre contingenciamento

Documento assinado pelo Sindifisco entregue aos secretários da Fazenda e de Governo, manifesta apoio às medidas de contingenciamento determinadas pelo governador Simão Jatene (PSDB), mas ressalta preocupação com a performance da máquina arrecadadora diante dos cortes de recursos anunciados.

Num dos arrazoados, diz a nota:

Ao tempo em que defende, por imperativo ético, o uso racional, zeloso e responsável dos recursos públicos, isto é, a eficiência do gasto público, que age em favor da sociedade, posto que, em tese, esta se beneficia com mais e melhores serviços oferecidos pelos governos, o SINDIFISCO-PA defende, com a mesma ênfase, a necessidade de que a Administração Tributária, cujas atividades são, por força da Constituição Federal, essenciais ao funcionamento do Estado, seja plenipotenciária e escorreita em sua missão constitucional.

Íntegra do documento:


Prezado Secretário-Adjunto de Receitas Nilo Noronha (no exercício interino da Secretaria de Estado da Fazenda do Pará)

Vem, o SINDIFISCO-PA, cordial e respeitosamente, em face das medidas de contingenciamento e de controle dos gastos públicos no âmbito da Administração Direta e Indireta do Estado, baixadas pelo executivo estadual por intermédio do Decreto publicado na edição de hoje (20/01/11) do Diário Oficial do Estado do Pará, apresentar-lhe as seguintes considerações tendentes a salvaguardar o pleno funcionamento da Administração Tributária Estadual e, por conseguinte, a colaborar com o meritório esforço do governo estadual no sentido de equacionar as alegadas dificuldades financeiras por que passa o Estado:

1. Ao tempo em que se associa e louva quaisquer medidas político-administrativas que se destinem a enfrentar a cultura do desperdício e do mau uso do recurso público, por parte, quer dos agentes políticos, quer dos servidores públicos em geral, o SINDIFISCO-PA sente-se compelido a ressaltar que à Administração Tributária incumbe a nobilíssima missão de prover, mediante a aplicação da legislação tributária, os cofres públicos dos recursos financeiros indispensáveis para a satisfação das necessidades públicas;

2. Ao tempo em que defende, por imperativo ético, o uso racional, zeloso e responsável dos recursos públicos, isto é, a eficiência do gasto público, que age em favor da sociedade, posto que, em tese, esta se beneficia com mais e melhores serviços oferecidos pelos governos, o SINDIFISCO-PA defende, com a mesma ênfase, a necessidade de que a Administração Tributária, cujas atividades são, por força da Constituição Federal, essenciais ao funcionamento do Estado, seja plenipotenciária e escorreita em sua missão constitucional;

3. O equilíbrio das contas públicas estaduais e a recuperação da capacidade de investimento do Estado do Pará, se depende das medidas de contingenciamento e de contenção do gasto público em comento, depende, não menos, do bom desempenho da Administração Tributária, razão pela qual rogamos pelo vosso empenho com vistas a, no ensejo da efetivação das medidas administrativas para dar cumprimento ao Decreto do Exmo. Governador Simão Jatene, atue no sentido de assegurar que não haja redução ou comprometimento das atividades desenvolvidas pelo Fisco Estadual, que pr ecisa atuar fortemente para incrementar, com justiça e equidade, a receita pública;

4. Houve-se muito bem o constituinte derivado quando, por intermédio da Emenda Constitucional nº42/2003, introduziu o inciso XXII ao artigo 37 da Carta Magna, determinando que as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios terão recursos prioritários para desenvolverem suas atividades;

5. O dispositivo constitucional que reproduzimos a seguir, senhor secretário, mais do que justifica e legitima a adoção, em relação às atividades do Fisco Estadual, de medidas administrativas excepcionais às baixadas pelo executivo, o que, ao contrário de negá-las ou enfraquecê-las, acaba por reforçar o seu desiderato, que é o de equilibrar as contas públicas e o de potencializar o investimento público, o que se dá, inexorável e simultaneamente, pelos dois lados: despesa e receita.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
“Art. 37....
“ ...

“XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.”.

Cordialmente,
Charles Alcantara
Presidente do SINDIFISCO-PA

Contra a divisão do Pará

Do advogado Plínio Pinheiro Neto, colaborador deste blog, comentando o post Amarrando em saco encauchado:


Sei que vou desagradar a muitos, porém, sempre fui contra a criação do novo Estado, pois conheço a história do Pará e tenho profundo orgulho de ter nascido nesta unidade da federação representada na bandeira nacional, pela estrela que brilha, sozinha, acima da frase "Ordem e Progresso".
Os problemas que enfrentamos, não os enfrentamos por sermos paraenses ou por habitarmos o território do Pará e sim pela omissão de alguns representantes da classe política eleitos por nós ao longo do tempo e, também, por fazermos das eleições uma colcha de retalhos, elegendo ou votando (desperdiçando votos) em pessoas sem nenhum compromisso com o sul e sudeste do Pará, sendo inegável que Marabá, fora de dúvidas, é um dos Municipios que mais pulveriza os votos nas eleições para a Assembléia Legislativa e a Câmara Federal.
De que adianta criar um novo Estado se os políticos continuarão sendo os mesmos? Eles apenas serão promovidos a cargos que não tem condições de alcançar no contexto político paraense.Será que já pararam para analisar que nas últimas décadas os donos do poder tem impedido o surgimento de novas lideranças e que não temos peças de reposição para substituirmos os inoperantes (com rarissimas exceções)que aí estão?Do Pará recebemos a parte mais rica de seu território e queremos pagar com a separação?
No entanto há algo mais grave que vem sendo fomentado nas vielas escuras dos subalternos interesses eleitoreiros e que devemos combater vigorosamente, que é a idéia de criar novos Municípios a serem retirados do território marabaense.Estes novos Municipíos não tem nenhuma condição de sobrevivencia e serão meros penduricalhos de Marabá, de cuja infraestrutura se aproveitarão.
A criação só favorecerá aqueles que pretendem ser prefeitos, vices e vereadores, inclusive alguns que, ultimamente, tem visto os seus horizontes politicos de afunilarem cada vez mais em Marabá.É de se ressaltar que Morada Nova é bairro de Marabá e não Distrito, pois o perimetro urbano se estende até o igarapé Fleixeiras e bairro jamais poderá ser elevado à categoria de Municipio.Vamos cerrar fileiras contra este crime que se quer cometer contra Marabá.

Governo itinerante

Há movimento dentro do Palácio dos Despachos estimulando o governador Simão Jatene a realizar suas primeiras viagens ao interior passando por Marabá e Santarém, onde ele aproveitaria para assinar as portarias de nomeações regionalizadas dos  auxiliares do segundo escalão.

A agenda seria cumprida na metade de fevereiro.

Sedurb esclarece

Reportando-se ao post Cabelo Seco, Priante, caveira de burro...,  o secretário-Adjunto da Sedurb, Márcio Spíndola, envia emeio esclarecendo que “por determinação do Governador e a pedido do Deputado José Priante”, o órgão iniciou levantamento de todas as obras inacabadas, “para apresentarmos uma solução planejada e definitiva, inclusive para a obra do Cabelo Seco”.

Informa ainda que começará a visitar municípios onde algumas obras estaduais ficaram sem complemento, a fim de apresentar relatório sobre a situação de cada uma.

Incra no Sul do Pará

Dentro de dez dias, nem bem os novos congressistas tomarem posse, elegendo, também, as mesas diretoras da Câmara e Senado, atenções dos petistas paraenses se voltarão para a indicação dos cargos do segundo escalão.


Pelo menos a superintendência do Incra do Sul do Pará será disputada à unha, entre os deputados do "PT Pra Valer" e a DS.

Hipoteticamente, a turma da DS leva vantagem já que o Ministério da Desenvolvimento Agrário tem ministro indicado pela Democracia Socialista.

Nos morros cariocas

A violência nos morros cariocas, adormecida uns dias no lusco fusco, voltou às manchetes, na manhã desta segunda-feira, 24, quando um helicóptero da TV Globo foi atingido por disparos supostamente impetrados por traficantes, enquanto a equipe de reportagem cobria operação policial na região do Estácio, zona norte do Rio.

Pode parecer ilógico, paradoxal, mas não é.

A incerteza da guerra nos morros cariocas é esta. Nada é definido, nada é claro. Tudo se torna verdade somente quando acontece. Não há, nas dinâmicas do poder paralelo, nada que vá além dos fatos concretos. E, assim, fugir, ficar, escapar, denunciar tornam-se escolhas muito aleatórias.

Só mesmo um acontecimento concreto pode fazer alguém tomar uma decisão. Mas quando ela é tomada é porque já não há mais escolhas.

Transmitindo pelo twitter a ocupação do Complexo do Morro do Alemão pelas forças legais,  o garoto René Silva, do jornal Voz da Comunidade, em determinado momento, relembrou o ambiente favelado quando traficantes saiam matando pessoas nos becos ocupados pela bandidagem – antes da ocupação do morro pela polícia:

                  - “Quando alguém morre na rua, provoca uma gritaria horrível ao seu redor”.

Só faltou o garoto completar: a violência é tanta que temos calos no coração e couro forrando o estômago.

Tempos atrás, antes da operação no Morro do Alemão, sempre que assistia pela TV as populações dos morros dominados pelo tráfico reagindo às invasões da polícias, mulheres saindo às ruas queimando pneus, lixeiras, jogando objetos contra os carros da polícia, o pôster não conseguia ver naqueles rostos, naquelas palavras de raiva, uma solidariedade criminosa.

Aquelas rápidas e violentas mobilizações das forças militares (Bope pelo meio) que chegavam de repente depois de dezenas de mortos, somente depois de corpos carbonizados, eram verdadeiras encenações.

As comunidades sentiam cheiro de tapeação.

As prisões, as movimentações não eram feitas para mudar o estado de coisas, mas para satisfazer quem precisava prender e derrubar paredes. Como se de repente alguém mudasse as categorias de interpretações até então existentes e concluísse que o modo de vida daquelas pessoas era um equívoco.

Sabiam muito bem que ali estava tudo errado.

Não era preciso chegar de helicópteros e carros blindados para que a população percebesse ou se lembrasse disso. Aquela forma de vida errada desde sempre era a sua forma de sobrevivência.

Além disso, ninguém, depois daquelas irrupções que complicavam e muito a vida deles, procuraria realmente mudá-la para melhor. E, então, aquelas mulheres queriam (mães de menores puxados à marginalidade pela força dos grandes traficantes), elas mesmas, dar conta daquele total esquecimento, daquele total isolamento, daquelas vidas erradas e expulsar quem de repente tinha se metido naquela escuridão.

Depois do controle pelo Estado do conjunto de favelas que circunda o Morro do Alemão, tudo mudou.

Pelo menos até agora, as mães faveladas sentiram cheiro de esperança no ar.

domingo, janeiro 23, 2011

Erundina: "Não se intimide"

Íntegra da entrevista da deputada federal Luiza Erundina (PSB) ao Congresso em Foco, estimulando a presidente Dilma Roussef a encarar os preconceitos com força e determinação. Ela falou ao repórter Edson Sardinha:




Mulher, solteira, migrante nordestina e filiada a um partido temido por determinados setores da sociedade à época. Contra todas essas adversidades, Luiza Erundina fez história ao se tornar a primeira mulher eleita para comandar a maior cidade do país no final dos anos 80, então pelo PT. Duas décadas depois, a ex-prefeita de São Paulo é uma das principais coordenadoras da bancada feminina no Congresso e uma entusiasta confessa do governo da primeira presidenta do Brasil. Do alto de sua experiência política, Luiza Erundina pede a Dilma Rousseff que não se esqueça que a sociedade, apesar dos avanços dos últimos anos, ainda é menos tolerante com os erros de uma mulher na vida pública do que seria com os desacertos de um homem.

“A sociedade é mais complacente com os homens. É mais tolerante com o homem do que com a mulher. Por isso a gente acerta, na média, mais que os homens, porque somos submetidas a mais exigências. Nós temos de dar certo. É praxe o homem nem sempre dar conta da responsabilidade, trair o voto popular. Como não temos precedentes, a responsabilidade que cai sobre nossos ombros é maior.”

Reeleita para seu quarto mandato de deputada federal pelo PSB, a ex-petista, baseada na sua experiência na administração de São Paulo, Erundina dá conselhos a Dilma sobre como enfrentar o eventual preconceito. “Primeiro, não se sentir vítima. Sei que ela não se sente. Nunca me senti vítima, transformei a discriminação em bandeira de luta. A gente só vai eliminar essa desigualdade de gênero quando houver mudança de cultura. Segundo, não se intimidar. Tem de ir para cima. A bandeira da luta é permanente. Acredito que ela administrará isso muito bem. Para uma mulher com o nível de politização e vivência dela, isso não será problema”, afirma a deputada.

Nesta entrevista ao Congresso em Foco, Luiza Erundina diz que a participação política das mulheres evoluiu consideravelmente desde sua eleição para a prefeitura de São Paulo, em 1988, mas que não é possível dar a luta por vencida. “Temos de ampliar nossa participação política no Parlamento. Na Argentina, por exemplo, as mulheres já ocupam 40% das cadeiras do Congresso. Mas o nosso quadro partidário é pior que o de lá e o de outros países da América Latina. Não há democracia interna nos partidos.”

Carta com fezes

Dezoito anos depois de ter deixado a prefeitura de São Paulo, Erundina ainda se lembra das dificuldades que enfrentou no comando da maior cidade da América do Sul. “No meu caso ainda era pior, porque eu era mulher, nordestina e do PT. Eram várias condições pessoais minhas que se somavam e reforçavam o preconceito. Sofri muito boicote e agressão. Recebi inúmeras mensagens ofensivas. Chegaram a me mandar uma carta com fezes dentro. Não foi fácil. Mas isso foi há 20 anos. Hoje, embora haja muita resistência em relação à participação das mulheres na política, o cenário é diferente”, avalia. “Dilma não se elegeu só por ser a candidata do Lula. Mas também por ser mulher”, acrescenta.

Na visão de Erundina, a presidenta terá como principal desafio inicial em seu governo envolver um novo ator na interlocução com o Congresso: a sociedade civil organizada. Com o apoio de movimentos populares, por exemplo, Dilma ficará menos dependente do Legislativo e dos partidos políticos, entende a deputada. “Esse quadro partidário está esgotado e muitos dos problemas nessa relação se devem ao esgotamento dos partidos como propostas políticas”, considera. Para ela, os partidos e o Congresso perderam autonomia, identidade e projeto próprio.

Veja a íntegra da entrevista de Luiza Erundina:

A senhora foi a primeira mulher a comandar a maior capital do país. A senhora se sentiu discriminada enquanto foi prefeita?

Luiza Erundina – Com certeza, enfrentei várias situações. No meu caso ainda era pior, porque eu era mulher, nordestina e do PT. Eram várias condições pessoais minhas que se somavam e reforçavam o preconceito. Sofri muito boicote e agressão. Recebi inúmeras mensagens ofensivas. Chegaram a me mandar um carta com vezes dentro. Não foi fácil. Mas isso foi há 20 anos. Hoje, embora haja muita resistência em relação à participação das mulheres na política, o cenário é diferente. A luta das mulheres ganhou em visibilidade e avançou. Dilma não se elegeu só por ser a candidata do Lula. Mas também por ser mulher.

Mas a participação feminina no Congresso continua uma das mais baixas da América Latina...

Não é porque Dilma foi eleita presidenta que a questão da mulher está resolvida. Só elegemos uma presidenta quase 80 anos depois de termos elegido a primeira prefeita, no Rio Grande do Norte [Alzira Soriano, prefeita de Lajes em 1929]. A luta não está vencida e consagrada. Temos de ampliar nossa participação política no Parlamento. Na Argentina, por exemplo, as mulheres já ocupam 40% das cadeiras do Congresso. Mas o nosso quadro partidário é pior que o de lá e o de outros países da América Latina. Não há democracia interna nos partidos.

Que tipo de preconceito Dilma pode enfrentar por ser uma mulher na Presidência?

É a primeira mulher a chegar à Presidência. Apesar de ter filha e neto, ela não tem uma família dentro do padrão. Isso pesa. Mas é assim que se vai mudando a cultura, porque a gente foge do padrão tradicional de família, de faixa etária, de gênero e coisas que reforçam o preconceito. A sociedade é mais complacente com os homens. É mais tolerante com o homem do que com a mulher. Por isso a gente acerta, na média, mais que os homens, porque somos submetidas a mais exigências. Nós temos de dar certo. É praxe o homem nem sempre dar conta da responsabilidade, de trair o voto popular. Como não temos precedentes, a responsabilidade que cai sobre nossos ombros é maior. Foi a partir da minha vitória em São Paulo que as mulheres passaram a acreditar mais na possibilidade de ampliar o espaço político.

Que diferenças a senhora acredita ter levado ao seu governo?

Foi, sobretudo, na forma de governar, de se relacionar com o povo, no sentido de desmistificar a governabilidade, de dar rigor absoluto na ética e soluções criativas para os problemas.

Que conselhos a senhora daria a Dilma para enfrentar eventuais preconceito?

Primeiro, não se sentir vítima. Sei que ela não se sente. Nunca me senti vítima, transformei a discriminação em bandeira de luta. A gente só vai eliminar essa desigualdade de gênero quando houver mudança de cultura. Segundo, não se intimidar. Tem de ir para cima. A bandeira da luta é permanente. Acredito que ela administrará isso muito bem. Para uma mulher com o nível de politização e vivência dela, isso não será problema.

A bancada feminina acabou não crescendo no Congresso com a mudança de legislatura. Mas nunca houve tantas ministras como no governo Dilma. A participação das mulheres no ministério corresponde às expectativas da bancada feminina?

Não só pelo número, mas pelas características dessas companheiras que assumem. Isso me deixa muito contente e com uma expectativa muito positiva. O governo Dilma já começa com um diferencial. Embora não tenha chegado a 50% de participação feminina, um dia chegaremos. Talvez não tenha chegado a 30%, como pretendia a presidenta, mas temos um número maior e com a característica delas. Elas já vêm com muita experiência, com trajetória e uma presença forte na luta pela cidadania, pelos direitos de gênero, pelos direitos humanos. São lideranças políticas. Isso vai fazer diferença no governo.

Quais serão os principais desafios da presidenta Dilma neste início de governo?

Será mobilizar a sociedade civil para estabelecer um diálogo permanente com um dos atores que devem influir nas decisões de governo. Além do Legislativo e do Executivo, é fundamental que haja uma interlocução do governo com a sociedade civil organizada.

Faltou essa interlocução durante os oito anos do governo Lula?

Faltou. O método de gestão que o presidente adotou estava de acordo com o feitio de liderança dele e de seu carisma. Deu certo. Mas a democracia pressupõe um protagonismo da sociedade civil organizada para além das instituições políticas, como o Congresso e o Executivo. Isso aí pode ser uma grande contribuição que a nova presidenta dará à democracia no país, estimulando a democracia direta e participativa.

Conquistar o apoio dos movimentos sociais para pressionar o Congresso seria uma forma de compensar o carisma que falta a ela e sobrava em Lula?

Sim. Não só por isso, mas para não ficar tão dependente do Congresso. A base de sustentação precisa ser preservada, é necessário ter uma relação propositiva com o Congresso. Mas uma dependência absoluta não é algo bom. Uma forma de mediar essa relação - já que a base é tão larga, tão heterogênea, tão pouco definida ideologicamente – e de compensar essa dependência tão grande é ter um terceiro ator interferindo nessa relação, que é a sociedade civil organizada. Pela experiência que tivemos nos oito anos de governo Lula, temos condição de avançar nessa direção.

O que vai mudar essa relação do Executivo com o Legislativo na prática?

É exatamente essa presença de um terceiro interlocutor, a sociedade civil organizada. Mas as determinações serão as mesmas. Dificilmente, a nova presidenta conseguirá não ficar tão dependente das injunções e das exigências das forças que estão aqui no Congresso. Mas o perfil dela pode alterar um pouco essa forma com que Lula lidava, que era baseada no tipo de liderança e no carisma dele. A conjuntura política e o perfil de cada um interferem nessa relação. O fato de ser outra pessoa, com outro tipo de experiência, vai trazer dados diferentes. Se não forem inovadores, pelo menos diferentes serão.

Que erros cometidos nessa relação com o Congresso no governo Lula não podem ser repetidos por Dilma?

Essa relação do Executivo com o Congresso e os partidos teria de ser mais transparente. Tem de haver um investimento muito alto na reforma política. Esse quadro partidário está esgotado e muitos dos problemas nessa relação se devem ao esgotamento dos partidos políticos como propostas políticas. São legendas, umas mais antigas, outras menos, umas mais fortes e maiores, outras com menos tempo de experiência política, mas todas têm uma relação com o governo que não é boa. Os partidos perdem sua autonomia, sua identidade, seu projeto próprio. Uma democracia forte, plural, pressupõe partidos identificados ideológica e programaticamente, mesmo sendo base do governo. Partido da base do governo deve ter seu próprio projeto, embora identificado com o projeto que está sendo exercitado no governo. Se abrir mão disso, não é partido, porque partido existe para disputar poder. Para isso, tem de ter projeto próprio mesmo com identidade em relação a outros. Senão, daqui a quatro ou oito anos, esse partido continuará na mesma condição de ser uma força auxiliar, e não principal, a disputar o poder do país.

A senhora espera também mudança de comportamento por parte da oposição?

Vai depender da forma com que a presidenta Dilma vai estabelecer essa relação. Porque há uma prática de oito anos - e até anterior, do outro governo – que faz o Congresso se ressentir de preservar, afirmar e exercitar sua autonomia como um dos poderes da República. Hoje fica submetido a medidas provisórias em número exagerado. O Judiciário substitui muitas prerrogativas do Legislativo até em matérias de exclusiva competência do Congresso, como as questões ligadas a partidos políticos e eleições. O Congresso está se ressentindo de uma relação mais soberana, que preserve a harmonia entre os poderes, que permita a ele ser um poder identificado como tal, exercitando sua soberania. Ele precisa se afirmar e ocupar o espaço dele no Estado democrático de direito numa república verdadeiramente democrática. Há muito que avançar da parte do Legislativo. Invisto nisso como deputada, sobretudo, numa reforma política que seja fruto de um pacto da sociedade com as instituições políticas para aperfeiçoar o processo democrático no país.

Era um, era dois, era cem...

Terminei de assistir ao documentário “Uma noite de 67”, de Renato Terra e Ricardo Calil, relembrando a final do 3º Festival de Canção Popular, patrocinado pela TV Record.

É memorável a performance da dupla, entusiasmada com o público favorável à obra que concorria com outras criações consagradas ao longo do tempo.

Os versos de “Ponteio”, na voz de Marília Medalha e Edu Lobo, sintetizavam, de forma implícita, os momentos de escuridão pelos quais passava o país.



Parado no meio do mundo
Senti chegar meu momento
Olhei pro mundo e nem via
Nem sombra, nem sol e nem vento
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola pra cantar
Quem me dera agora
Eu tivesse a viola pra cantar
Era um dia, era claro, quase meio,
Era um canto calado, sem ponteio
Violência, viola, violeiro
Era a morte, em redor mundo inteiro
Era um dia, era claro, quase meio
Tinha um que jurou me quebrar
Mas não lembro de dor nem receio
Só sabia das coisas do mar

Corria 1967, três anos depois do golpe militar, a repressão nas ruas e nos calabouços, perseguindo e matando jovens.

No palco da TV Record, uma infinidade de compositores e intérpretes, em início de carreira, que logo se transformariam na fase mais criativa da musica brasileira.

Dori Caymmi, Pixinguinha, Hermínio Bello de Carvalho, Johnny Alf, Geraldo Vandré, Chico Buarque, Edu Lobo, Gilberto Gil, Nana Caymmi, Sérgio Ricardo, Renato Teixeira, Toquinho, Sidney Miller, Martinho da Vila, Caetano Veloso, Erasmo Carlos, Roberto Carlos (sim, ele também!), Elis Regina, Claudete Soares, Jair Rodrigues, MPB4, Ronnie Von, Wilson Simonal, Elza Soares, Sílvio César, Gal Costa, Márcia, Jamelão, Agnaldo Rayol, Maria Creusa, e até Hebe Camargo também estava no palco do III Festival.

Num dos extras do DVD, Chico Anysio, jurado do festival, revela que votou em “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso, como a melhor música da noite. “Perdi, ela chegou em quarto lugar”, conta Chico. “Mas o tempo mostrou que eu fui vencedor. Ninguém é capaz de cantar ‘Ponteio’ hoje em dia. Nem o autor”.

Deixando o exagero de lado, o humorista tem razão.

Após ouvir os depoimentos de Edu Lobo, co-autor de “Ponteio” (com Capinam), de Gilberto Gil, classificado em segundo lugar com “Domingo no Parque”, de Chico Buarque, terceiro lugar com “Roda Viva”, e de Caetano, a conclusão que cheguei é a de que Veloso merecia ser o vencedor.

Só Caetano Veloso parece olhar para aquela noite com um sentimento positivo, até com alguma nostalgia. Canta e toca ‘Alegria, Alegria’ até hoje, em seus shows, e não reclama de nada.

Na verdade, o período mais fértil, criativo e revolucionário de nossa MPB foi exatamente aquele que vai de 64 a 71 e que compreendem: popularização da Bossa Nova (via shows do teatro Paramount), sua encampação pela TV, início da Jovem Guarda, grandes festivais da Record, Tropicalismo e o último F.I.C (Festival Internacional da Canção”, da Globo.

Nesse festival se tornaram conhecidos do dia para a noite: Walter Franco, Sérgio Sampaio, Fagner, Belchior, Maria Alcina, Ari do Cavaco, Raul Seixas, entre outros.

Isso tudo se deu do golpe de 64 ao início da chamada “distensão” em 72, isto é, na época de maior repressão e obscurantismo político de nossa história recente.

De toda a América Latina, o Brasil é o país que possui, sem dúvida, a música mais interessante e criativa. Aquela avalanche de renovação de ano para ano que se sucedeu na década de 60 foi realmente um caso único em termos de música popular.

Por isso estranho, e já me reportei aqui, que de duas décadas para cá, não se tenha mantido aquele ritmo de renovação como prometia ser.

Uma vez, o insuperável badoneonista Astor Piazzolla, o kitsch mais excitante e consequente músico argentino depois dos anos 70, construiu uma frase que, partindo de um hermano, só nos dá orgulho:
                    
                                      -  “Quanto ao nível literário da composição popular do Brasil, acho que vocês (brasileiros) atingiram um estágio não superado por nenhuma outra musica popular do mundo”.