sábado, março 22, 2008

O desespero do grande devedor

Na coluna Coisas da Política, da lavra de João Carlos Rodrigues, do jornal Opinião:

Prefeito Darci Lermen (PT), acompanhado de sua equipe, deslocou-se para Belém com o objetivo de solicitar da governadora Ana Júlia (PT) revisão nos índices do ICMS em desfavor de Marabá e, naturalmente, a favor de Parauapebas. Assessoria do prefeito identificou incorreções na aplicação dos índices. A polêmica promete.

Promete.
E promete muito desgaste à imagem da governadora Ana Julia caso ela seja convencida de que vale a pena penalizar o município de Marabá em atendimento a pleito de correligionário que não está tendo competência de gestão no gerenciamento do município mais rico do Pará.

À exemplo do que já vem ocorrendo na esteira da ruidosa cobrança de R$ 175 milhões de supostos royaltes devidos pela Vale, os passos de Darci Lermen seguem o mesmo ritmo: subtrair dinheiro de quem está sabendo gerir com eficiência e responsabilidade para cobrir clareiras de dinheiro público mal aplicado.

Esse moço está a merecer, com a máxima urgência, uma ação enérgica dos Ministérios Público Federal e Estadual. Ou há forças muito mais poderosos colocando peias nas pernas dessas autoridades?

Algo terrivelmente de grave permeia o lerdo e contraditório mundo fantasioso darciniano.

Restrições no ninho

O sociólogo Raimundinho da Cruz Neto, ex-vereador pelo PT, em artigo publicado no jornal Opinião, expressa ponto de vista sobre as diversas pré-candidaturas a prefeito de Marabá. Baixa o sarrafo em todas.
O que ele diz a respeito das pretensões da deputada estadual Bernadete ten Caten (PT), até agora, único nome de esquerda disponibilizado para encarar o eleitorado:

Bernadete ten Caten, o seu mérito de deputada está vinculado ao seu tempo como superintendente do Incra. A sua turma, a contar com seu cônjuge, tem feito muita lambança, o que faz com que haja uma rejeição muito grande a essa candidatura. São muito poucos os que querem ver essa turma na prefeitura.

Nas ondas da Arara Azul

Atualmente, Parauapebas deve ter uma das emissoras de rádio mais completas do Estado, com muita tecnologia e bons profissionais. Inclusive Wanderley Mota, audiência garantida no Sul do Pará.

A Arara Azul FM cobre imensa região, especialmente Xinguara, Água Azul do Norte, Piçarra, Eldorado, Canaã, Serra Pelada, Curionópolis, parte do território de Marabá e todo o município de Parauapebas.

O dono da emissora é velho amigo do poster, ex-deputado no Maranhão: Raimundo Cabeludo, empresário do ramo, que entende mesmo do traçado e toda emissora dele é bem montada.

Parauapebas não poderia ter algo melhor.

O site da emissora: http://www.araraazulfm.com.br/

Luzindo águas

O conjunto do ecossistema do Lago de Tucuruí é indescritível. Na foto batida quinta-feira última, o sol procurando encosto para dormir.

Na calmaria das águas

Enquanto a chuva caía quietinha, a noite toda, sem fazer alarde, o som macio sobre telhados adocicava o sono. Mistura de querer dormir e, ao mesmo tempo, resistir um pouco mais sob lençol, ouvindo o barulho da água caindo.

Lânguido e indolente, o som de gotas d’água no encontro com a terra reaviva na memória tempos antigos que nem sei por onde andam.

Foi assim, sem trovões nem raios, a chuva da madrugada do Sábado de Páscoa.

São 10 horas. O Sol ainda não saiu. Quem sabe, esticou o sono embalado pelo som macio da chuva a molhar – sem fazer alarde - a cidade.

À noite toda, mansa e tímida.

Pistoleiro no pasto

Familiares, amigos e a própria viúva estão receosos de que o pistoleiro que matou o sindicalista José Dutra da Costa – Dezinho – apareça, de repente, e faça mais cadáveres.
Wellington de Jesus Silva, condenado a 29 anos de prisão pelo assassinato do sindicalista de Rondon do Pará, foi beneficiado com direito à liberdade temporária por decisão da juíza Tânia Batistello, da Vara de Execuções Penais de Belém. No entendimento da magistrada, o criminoso merece o benefício pelo cumprimento de um sexto da pena.

Libertado em 24 de dezembro último, Wellington nunca mais voltou à Colônia Heleno Fragoso.

Agora, a família do rapaz morto teme – e pede ajuda, desesperadamente -, pelo pior. A viúva Maria Dias da Costa tem suspeitas de que o criminoso pode tentar assassiná-la.

Aliviando tensões

Transformada em Seccional Urbana, a delegacia de Polícia da Nova Marabá estará apta a encarar crimes potencializados. Os investimento do governo do Estado na Superintendência do Sudeste, priorizando estruturação da sede, em Marabá, deram novo animo à delegada Silvia Mara, que não se cansou de citar, em todos os veículos de comunicação onde concedeu entrevistas, o empenho do Delegado de Polícia do Interior, Miguel Cunha, na adequação de demandas.

O setor de recursos humanos da superintendência ganhou novos policiais, o que permitirá o afrouxamento da escala de serviços, às vezes coberta por um mesmo policial por até 48 horas, sem direito a descanso.

Lógica da competência

Dilma Rousseff, Chefe da Casa Civil de Lula, tem sempre uma frase dura para espantar a malandragem da Oposição. Mais uma de sua competente trajetória na vida pública:

- Não venham dizer que o PAC é um programa eleitoral. O planejamento de infra-estrutura não cai do céu.

Para presidente, Dilma. O resto é perfumaria.

sexta-feira, março 21, 2008

Coluna do Diário do Pará

Destaques da coluna do poster no Diário do Pará de hoje:

1- Aula inaugural do Programa de Vivência Estudantil Camponesa em 16 de abril. Dia seguinte, 17, completará 12 anos o Massacre de Eldorado dos Carajás;
2- Celpa vai ativar a energização da subestação de Nova Ipixuna;
3- Orlando Silva, Ministro dos Esportes, deve garantir recursos para a conclusão do moderno estádio de Marabá;
4- Do jeito que está indo, a família Andrade – Ademir e o filho Cássio -, terminará formando o “Bloco do Eu Só”;
5- Prefeito de Canaã dos Carajás cercado de inimigos por todos os lados.

Febeapá marajoara

Está no Contraponto da Coluna JB:

Soletrando
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) interrogava a equipe do TCU, em depoimento ontem na CPI dos Cartões Corporativos, sobre dados de auditorias nos gastos do governo federal, especialmente da Presidência da República. O senador destacava o que lhe parecia ser mais grave:
- Há notas fiscais calcadas! - exclamava, indignado.
Diante da expressão intrigada dos colegas, ele insistiu:
- Vocês não sabem o que é? Pois todos deveriam saber!
E seguiu com perguntas sobre as notas "calcadas", até que um assessor lhe passou um bilhete.
Ribeiro corrigiu:
- Aliás, não é "calcada", mas calçada -, disse, referindo-se à prática de adulterar o valor da nota em uma das vias.
O plenário da CPI quase veio abaixo com as risada.

O Pará não merece isso. Não, não merece!

Silencio assustador

Parece ter sido tudo combinado. Não foi, mas parece.

Sem suíte - assunto sem continuidade no jornal -, até hoje, a fuga do pistoleiro Wellington de Jesus Silva, assassino confesso do sindicalista Dezinho.

Ademir Braz bem que se esforça pra não deixar no esqueciento a monstruosidade.

Salto triplo

Igual canguru, o promotor José Furtado pulou de todo jeito - sem jeito -, para se livrar de ricocheteio dos oito tiros disparados por ele contra a companheira, na intimidade do quarto do casal.
Não teve jeito, conforme novidade descoberta pelo Juvêncio Arruda.

Lembram do José Furtado, aquele promotor de Marabá que disparou acidentalmente oito tiros na mulher? Pois bem. A Corregedoria do MPE instaurou inquérito disciplinar contra ele, considerando a existência de indícios que....leia mais aqui.O site do MPE não se permitiu fornecer a informação à seus concidadãos.

Aeroporto João Rocha

Marcelo Marques é quem traz a boa nova:

MARABÁ - Finalmente a Infraero vai investir uma grana no aeroporto de Marabá. Com crescimento de mais de 150% no fluxo de passageiros, se torna necessário a ampliação.Serão investidos 1 milhão no setor de embarque, inclusive dotando o aeroporto de 250 novas cadeiras de espera.Já é um começo...
Isso já é resultado dos avanços de seguidos contatos da Associação Comercial e Industrial de Marabá com o governo Ana Júlia e a superintendência da Infraero.

quarta-feira, março 19, 2008

Pelo retrovisor

Deputado João Salame (PPS) sabe trafegar muito bem pela sensível rota do jogo político. E operacionaliza ações como poucos.

Enquanto sua colega Bernadete ten Caten (PT) insiste com um discurso surrado, amarelado pelo tempo, ele abre alas não apenas criando fatos novos -, mas fazendo acontecer por onde anda.

A inauguração, em Tucumã, de salas de informática para jovens do município, em que ele foi a atração, é a prova disso.

Quem tiver tempo basta olhar nos arquivos deste blog, em dezembro de 2006, onde o poster assinala que João Salame poderia ser o diferencial na Assembléia Legislativa.

Vai longe esse moço.

Que nem caviar

Quem tem menos dinheiro no bolso, bebe tão-somente água ou come apenas arroz com feijão -, na Semana Santa.

O preço do pescado, em Marabá, entrou a semana batendo recorde inflacionário. O quilo supera a marca de 53 % a mais do preço normal.

Os atravessadores sempre levam a melhor com a desculpa da lei da oferta e da procura.

Bem vindo, Tamires

No final da tarde de segunda-feira, 17, Alcione Pereira dos Santos, 25 anos, deu à luz Tamires Santos dos Santos, primeiro bebê nascido no Hospital Materno-Infantil de Marabá, recentemente inaugurado.

A unidade de saúde está muito bem estruturada. À altura da importância do município.

Dimensão de Carajás

O recorde é de 220 vagões.

Agora em maio, a Vale coloca nos trilhos da Estrada de Ferro Carajás uma composição de 330 vagões e quatro locomotivas.

A mineradora se prepara para a produção de 225 milhões de toneladas até 2012, o dobro em relação ao que será produzido este ano.

Números da licitação

O consórcio formado pelas empresas MAC/Martins apresentou a proposta de R$ 79.586.676,51;

A curitibana CR Almeida propôs R$ 78.412.700,29;

As construtoras Cidade e Camter, de Belo Horizonte, R$ 78.008.910,56;

O consórcio CMT/Egesa envelopou a proposta de menor valor: R$ 74.422.724,87.

Na próxima segunda-feira, concluídos trabalhos de análise técnica dos documentos, a Comissão de Licitação da secretaria de Obras da Prefeitura de Marabá anuncia o vencedor da disputa para duplicação do trecho urbano da Transamazônica, numa faixa de 6 km, construção de dois viadutos e da segunda ponte sobre o rio Itacaiúnas. Valor das três obras é de R$ 80 milhões.

Contra a raiva

A Sespa realiza hoje (19) e amanhã (20), no auditório da secretaria municipal de Saúde de Marabá, capacitação de agentes comunitários e de endemias para a campanha anti-rábica, anunciada para abril. Objetivo é reduzir número preocupante de 50 animais infectados pelo vírus da doença no período de 2006/2007.

Teatro & Criação

Duas boas novidades anunciadas na região para quem gosta de Teatro e Criação Artística.

A Secult – Secretaria Estadual de Cultura -, abriu inscrições para oferta do uso dos teatros Waldemar Henrique, Margarida Schivasappa, Teatro da Paz e Estação Gasômetro.
Também abertas inscrições ao Concurso de Bolsas de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística do IAP – Instituto de Artes do Pará.

Informações:
www.secult.pa.gov.br
iap2@prodepa.gov.br
iap3@prodepa.gov.br

terça-feira, março 18, 2008

Ela está chegando

Bel Mesquita desembarca quinta-feira, 20, em Parauaebas. À noite, reúne o partido para dizer a seguinte frase:

- O PMDB está indo para as cabeças.

Não anunciará, é claro, sua candidatura. É muito cedo ainda. Mas acomodará todo o rebanho em torno dela, pré-candidatos a vereador, partidos e as principais lideranças políticas do município.

Bel Mesquita “está adorando ser deputada federal”, mas seus compromissos com Parauapebas são maiores do que as vontades pessoais.

Fincando pé na cidade, a parlamentar do PMDB fará aquilo que mais gosta: andar nas ruas, residências adentro, percorrer bairros, e ser abraçada pela comunidade que ela ajudou a formar e construir.

A partir desta Sexta-Feira Santa, a política em Parauapebas voltará a ter flagrância feminina no ar. Mais suavidade e discurso coerente.

Bom demais para Parauapebas!

Erratas

Na coluna do Diário do Pará, de hoje, involuntariamente o poster omitiu o nome do deputado João Salame, presente à reunião dos vereadores de Marabá com a cúpula da segurança pública do Estado. O texto correto deveria ter sido este:


Chamada ausente
Pegou tão mal a entrevista de Bernadete ten Caten que onde se andava na cidade, ontem à tarde, flagravam-se comentários depreciativos ao teor de suas declarações. Os marabaenses questionam por que a parlamentar se mantém sempre ausente das questões que envolvem a segurança pública, lembrando que ela não participou de duas reuniões com a alta cúpula do governo que debateram o problema. Na primeira, quando o Delegado Geral era ainda Raimundo Benassuly, presentes vereadores, o vice-prefeito Ítalo Ipojucan e o deputado João Salame. A segunda, semana passada, num debate que envolveu o secretário Geraldo Araújo, Justiniano Alves, vereadores de Marabá e os deputados João Salame e Asdrúbal Bentes.

Licitação
Ao contrário do que foi publicado, também na coluna, o resultado da licitação de duplicação da Rodovia Transamazônica ainda não foi homologado. A CMT venceu no quesito Menor Preço, mas ainda há critérios técnicos em análise.
Oficialmente, somente na próxima segunda-feira, a defnição da disputa.

Parauapebas em números

Post Checando Números continua repercutindo. O blogueiro William Bayerl mete também sua colher na panela, em comentário no blog:

Depois de uma grande trapalhada ocorrida ainda na época do Chico das Cortinas (qdo fornecedores chegaram a ficar 6 meses sem receber e os funcionários 3), havia muito tempo que não se falava em crise nas finanças da Prefeitura de Parauapebas.Afinal ñ é para menos, a pacoteira que entra é muita e é preciso 'rasgar' dinheiro para dar conta de tanta grana.
Acontece que Darci - segundo fontes - muito mal influenciado pelo Procurador Municipal, Dr. Ernandes Margalho começou a gastar por conta e aí se perdeu todinho com o tombo que a Vale lhe aplicou.
Desde junho do ano passado a cidade virou um canteiro de obras, pois era preciso apagar os 30 meses de paradeira, e os cofres públicos começaram a se abrir para os acordos políticos, foi por isso que as coisas saíram do prumo, mas não se enganem, a máquina ainda é forte e mesmo capenga poderá ser decisiva na campanha.
Agora para poder dar um jeito na situação, ou o Loirinho recebe da Vale ou então terá que começar a devolver carros, entregar casas alugadas, rasgar contratos e demitir 'companheiros'.
Triste sina!!!

Desenterrando cabeças

Junho de 2010. Este o prazo previsto pelo secretário Maurílio Monteiro para a conclusão das eclusas de Tucuruí e do trecho Belém a Marabá da Hidrovia Araguaia-Tocantins. Se isto ocorrer, o governo Ana Julia entra para a história por ter conseguido, em seu período, desenterrar diversas cabeças de jegues.

Ó de casa, sou eu!

Sebastião Curió tem aparecido em alguns locais de Curionópolis com uma Bíblia à mão. De casa em casa, explica à população o processo de seu afastamento da prefeitura, depois de reconduzido ao cargo por força de liminar concedida parcialmente pelo ministro Marcelo Ribeiro, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Espertíssimo, o prefeito usa estratégia de vitimização enumerando os prejuízos que supostamente a cidade teve com sua passageira retirada da função.

Afastado do cargo pelos desembargadores do Pará, Curió retornou à prefeitura pelo entendimento de Ribeiro de que a representação contra ele foi feita fora do prazo determinado por lei. O caso ainda será analisado em definitivo pelo TSE.

No segundo mandato de prefeito, Curió alegou em defesa apresentada ao TSE que não foi acusado diretamente de comprar eleitores no último pleito. A representação ao TRE do Pará feita pelo adversário dele, João Chamon Neto, acusa vereadores eleitos que apoiavam Curió de distribuir lanches e cestas básicas no dia da eleição.

Aliados de Curió reclamaram que a decisão do TRE de levantar um caso arquivado ainda em 2004 pelo juiz eleitoral de Curionópolis teve conotações políticas. Eles reclamaram que as denúncias foram montadas pela oposição. O prefeito, no entanto, preferiu o silêncio e orientou os aliados a respeitarem a decisão dos desembargadores paraenses e esperar a análise do TSE.

Esquerda & Direita

O secretário de Segurança Geraldo Araújo está colocando em prática toda a sua experiência para equilibrar a disputa interna na Polícia Civil entre dois grupos em sedenta luta por disputa de espaço. O mais atuante é integrado por policiais originários do movimento sindicalista, que tem à frente Raimundo Benassuly, Justiniano Alves, Miguel Cunha – entre outros.

O grupo oponente representa o conservadorismo.

A disputa é como se fosse entre esquerda e a direita da política.

Os vanguardistas, por assim dizer, pregam reformas completa nas estruturas da PC e são simpáticos aos discursos de respeito aos direitos humanos.

Os outros, mais antigos, defendem a tese de que “bandido bom é bandido morto”, e tem entre seus ícones o ex-policial Robocop, assassinado em Itupiranga, e o delegado aposentado João Moraes.

A disputa é acirrada.

Coluna do Diário

Destaques da coluna do poster no Diário do Pará de hoje:


1- Deputada Bernadete ten Caten assume (PT), também, paternidade da Duplicação da Transamazônica e tromba com Superintendente do Sudeste de Polícia Civil;

2- Ex-cantor Valmar Rossi e um funcionário do Incra, Carlos Roberto, vulgo “Jacaré do Incra”, são os chefes das invasões urbanas em Marabá;

3- Virgulino Ferreira, “Lampião”, foi morto em 1938. A valentia dele, não. Continua se reproduzindo no interior do Pará. Em São Domingos, a família do comerciante Jaime Modesto, manda e desmanda no lugar, sob a égide da violência;

4- Emissários do governador Blairo Maggi (PR) estão sendo aguardados no Sul do Pará para organizar militância contra a Operação Arco de Fogo;

5- CMT vence licitação para duplicação da Transamazônica;

domingo, março 16, 2008

La Vie En Rose


Não há como ouvir Madeleine Peyroux cantando La Vie En Rose, e não se ver, de repente, vivo, naquilo que te justifica e perdoa, toda graça e doçura. O resto é história, matéria de esquecimento. Eu prefiro esses retratos súbitos que são a música a me lembrar de olhos suplicantes e não o duro registro que o rancor insiste em guardar de erros a dois.

Ouvindo Madeleine, toda doçura que há.

O resto, dane-se o mundo. Porque bem já sei que a vida é vestibular pra santos e neste momento não quero lembrar senão o melhor.

E que tudo o mais vá pro inferno.

Antonio Maria, o belíssimo pernambucano que compôs “Ninguém me Ama”, disse que “só se ama com a vida inteira”. Então... Se já são tantos os fardos, incertezas presentes, os mistérios, para que guardar também o lixo?

Que "de tudo fique um pouco" para ir compondo o chão da alma.

Sem alguma dor não há poesia -, e a gente se aprende, é na ausência e na falta.

Vida e Morte da Castanha

Duas fotos de meu arquivo digital lançam sobre mim dois tempos de Vida e Morte.
Drama banalizado pela rotina dos fatos em quem viu nascer e morrer nossos castanhais

A primeira – abaixo -, a Vida, num batelão.
Alguns o chamavam de “bote”, usado para o transporte de mercadorias, pessoas e castanha-do-pará. À época, 1920, o tipo de embarcação era tocada à vara porque não haviam motores de popa à disposição. Uma viagem de Marabá a Belém, ida e volta, demorava quase três meses. Na munheca. Cada braço representava 1 hp de potência.

Observem a elegância de nossos heróis sobre grãos de castanha, nos pedrais do Tapitariquara, abaixo de Jacundá.

Cada traço é um mundo em movimento; pessoas em atos e fatos, refugiando-se na barra da saia da solidão, mas com fôlego e tempo infinito a dispor.

A castanha acabara de ser descoberta como riqueza a suceder o caucho (borracha).

Cada personagem do bote tinha meta a cumprir na viagem. O mundo não os afrontava.

Vidas sobre água em momento terno de descanso nas corredeiras bravias do Tapitariquara -, assustadora cachoeira que tantas vidas tragou.

Reanimar lembranças em preto-e-branco, com as quais dialogo, enquanto a memória, em passos titubeantes, consome gota a gota o caminho de volta ao tempo.

A foto me cerca e pulsa dentro em ritmo frenético. Vai e vem ensandecido, o qual ignoro, porque eu me habito.

Nossos avós foram heróis nesse rio, cursando a história desconfortavelmente.

O diálogo com lembranças é breve, tão abreviado quanto o ato de submetê-las ao moedor do tempo.

Imagino mais ou menos o que conversavam, enquanto algum companheiro batia a foto.
As lembranças, conduzo-as ao meu modo. Depois miro o pó em monte a que foram reduzidas.

Folha morta
A foto a seguir, é o avesso do avesso.
Agora a ganância afronta o que foi vida, serrando-as ao chão: milhares de castanheiras destruídas, 60 anos depois da primeira foto.

Pessoas as machucam usando perfuro-cortantes. Feridas sem chance de cicatrizá-las na umidade da saliva.

Aqui, a imagem despe-se de sentimentos e emoções para melhor visualizar as marcas deixadas em corpo-esconderijo da alma em frangalhos. E a Floresta em chamas, desesperadamente sem saber chamar socorro.

Mapa ardente de feridas vivas de ardência. Fogo a não caber no véu grosso do silêncio.

Eles podiam até nem saber, mas nossos antepassados eram felizes. Hoje, sabemos disso.