sábado, outubro 06, 2007

Bala na agulha

O PMDB disputará a eleição municipal de Marabá com chapa a vereador fortíssima. Entre outros nomes de intensidade eleitoral, são candidatos o ex-prefeito Nagib Mutran, Guido Mutran (atual coordenador local da Adepará), e o vereador Ademar Alencar. Previsão do partido é abocanhar em torno de 5 mil votos, somente com essas três candidaturas.

Em nome da paz

À exceção dos efeitos negativos do engarrafamento inevitável provocados, transcorreu pacificamente a “Caminhada da Paz” organizada por entidades da sociedade civil, percorrendo as principais avenidas de Marabá. O movimento simboliza grito da população contra a impunidade e o alto índice de violência.
Organizaram a caminhada a Prefeitura de Marabá; OAB/Subseção Marabá; Conselho Interativo de Segurança e Justiça de Marabá (Cisju); ACIM; Câmara Municipal de Marabá; Semed; Igrejas Católicas e Evangélicas.

Interesses bandidos

Inteiramente procedente informação do Repórter Diário de que lideranças da Fetagri estariam envolvidas na extração criminosa de madeira da fazenda Água Azul II. Na quinta-feira ultima, fonte da mais alta seriedade ligada a Fetraf revelou ao blog que a federação estava preocupada com a movimentação de “pessoas da direção da Fetagri na venda de madeira em Breu Branco”. As lideranças responsáveis dos sem-terra temem a propagação descontrolada do desgaste pelo qual estão passando os movimentos sociais em virtude da invasão do projeto de manejo da Globe Metais.

Decisão polêmica

A decisão da Justiça de liberar os matadouros clandestinos tem deixado a população de Marabá apreensiva. E a prefeitura, através de sua Assessoria de Comunicação, diariamente libera boletins esclarecendo a questão, devido aos riscos comprovados de pessoas de baixo poder aquisitivo contraírem doenças contagiosas. Quem tem disponibilidade de recursos, vai ao supermercado e compra carne mais cara abatida no frigorífico Bertin. O pobre, realmente, é quem leva lambada.
Eis o diz nota da PMM desta sexta-feira:


Carne bovina - Perigo Iminente
É interessante o despertar da população para o perigo iminente da carne bovina sem fiscalização. Marabá é uma cidade de onde prolifera muita tuberculose, câncer e outros males, cuja origem não é do conhecimento popular. Na carne bovina não inspecionada pode ter origem parte dessas doenças, conforme comprova o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) realizado em parceria da Secretaria Municipal de Agricultura (Seagri) e Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará).
Conforme o relatório do SIM, no mês de agosto deste ano, duas carcaças, oriundas da Fazenda Paloma, de propriedade de José Antônio Coelho, foram condenadas. Uma por contusão e outra por brucelose e tuberculose. A tuberculose tem efeitos bem conhecidos no ser humano; a brucelose, geralmente atinge a fertilidade masculina e provoca aborto nas rezes e também no ser humano. Em tempo: Antônio Coelho é proprietário de um dos matadouros clandestinos.
Também em memorando de 01/2007, de 28 de setembro, do SIM ao Secretário de Agricultura Rubens Sampaio, estão detalhadas as condenações de vísceras bovinas ocorridas no Frigonorte durante o mês de setembro. São 1035 pulmões, 77 corações, 337 fígados, 687 rins e 27 línguas.
Ainda de acordo com o veterinário Neuder França, responsável pelo SIM, alguns bovinos são condenados no pátio de acesso ao matadouro, sem a necessidade de abate, porque suas configurações são de animais doentes.
Na Justiça – Os despachos judiciais a favor dos matadouros considerados pela Seagri e Adepará como clandestinos têm prazo de 10 e 15 dias para recurso ao Tribunal de Justiça do Estado, por parte da Procuradoria Geral do Município e pelo Ministério Público do Estado.
Quanto à fiscalização da Divisão de Vigilância Sanitária (Divisa) nos açougues, segundo Carlos Nunes, procurador geral do Município, não existe impedimento legal. Mas, por uma questão de bom senso, o serviço foi temporariamente suspenso por conta daquela Divisão da Secretaria Municipal de Saúde.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Saúde da população em risco

"Embora contrariando interesses financeiros, é dever de quem lida com a imprensa primar pelo bem-estar da sociedade. O retorno ou não do serviço de inspeção municipal (SIM) da carne bovina ainda vai se manter por alguns dias na mídia, até uma decisão final do Tribunal de Justiça do Estado, prevista para os próximos dias, porque há muito que se publicar sobre os riscos de um produto contaminado por doenças como a raiva e a tuberculose.
Segundo a juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati, a carne em Marabá deve ser comercializada sem inspeção sanitária porque isso vem acontecendo há muitos anos e não deve ser interrompido abruptamente.
De fato, até o ano passado não se ouvia falar em inspeção de carne em Marabá, embora isso acontecesse no Frigorífico Bertin, ou seja, a carne produzida em Marabá para outras regiões do Brasil e para o mundo, passa por inspeção federal, enquanto àquela destinada a população local é comercializada de qualquer jeito.
Segundo o veterinário Neuder França, responsável pelo SIM e que também é servidor público do Estado, disse que no mês de agosto, no município de Jacareacanga, uma rês morreu vítima de raiva, no pátio de um matadouro, que não dispõe de inspeção.
Ainda de acordo com Neuder, devido a solicitação de um produtor, foram realizadas capturas de morcegos numa fazenda de Marabá, porque o proprietário alega a morte de gado com suspeita de raiva, provocada pela mordedura de morcegos hematófilos.
O veterinário do SIM explica que a planilha dos matadouros oficiais, com os números de reses, carcaças e vísceras condenadas, assim como os respectivos motivos das condenações, são enviados ao Ministério da Agricultura, com vista a implantação de políticas para a melhoria dos rebanhos.
Desta forma, Neuder acredita numa decisão favorável ao prosseguimento da inspeção da carne bovina em Marabá e conseqüente fechamento de matadouros clandestinos, porque a população está consumindo 100% das vísceras e carne do gado ora abatido, estejam doentes ou não".


Fonte: Ascom Prefeitura de Marabá

Cosipar se manifesta

Assessoria de Comunicação da Cosipar enviou ao blog o seguinte e-mail:

Sobre a reportagem veiculada pelo site ‘Congresso em Foco’, a Companhia Siderúrgica do Pará (Cosipar) tem o dever de esclarecer que:


1) Todas as doações de campanha feitas pela Cosipar nas eleições de 2006 cumpriram a legislação vigente e estão registradas nos órgãos competentes;

2) A Cosipar é comprometida com o combate ao trabalho degradante e/ou trabalho escravo, inclusive dispõe de auditores da Empresa para fiscalizar as operações de seus fornecedores;

3) A Cosipar, através da Associação das Siderúrgicas de Carajás (Asica), é signatária da Carta Compromisso pelo Fim do Trabalho Escravo na Produção de Carvão Vegetal e pela Dignificação, Formalização e Modernização do Trabalho na Cadeia Produtiva do Setor Siderúrgico. A carta é fruto da ação da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Instituto ETHOS;

4) A Cosipar é associada ao Instituto Carvão Cidadão (ICC) que tem como objetivo orientar, auxiliar e fiscalizar todas as atividades relacionadas com a cadeia produtiva do carvão vegetal com vistas ao cumprimento da legislação trabalhista.


O Grupo COSIPAR reafirma que está compromissado com as autoridades federais, estaduais, municipais e órgãos não governamentais na implementação de políticas que assegurem a sustentabilidade ambiental e social da empresa.

Desavergonhados

O PMDB jogou por terra todo esforço feito até agora para renovar seus quadros no interior com a anunciada filiação de Adelmo Azevedo (ex-PTB), aguardada para hoje. Esse moço representa o que há de mais asqueroso na política por protagonizar vergonhosos atos no exercício do mandato de vereador. É extenso o prontuário dele por quebra de decoro.

Recado explícito

A resposta da Companhia Vale do Rio Doce ao deputado Wandenkolk Gonçalves, (PSDB) publicada com exclusividade pela coluna do poster no Diário do Pará de hoje, cristaliza postura da mineradora em não retroceder em suas ações de responsabilidade ambiental.
O documento foi repassado à coluna em caráter sigiloso.

A floresta como bem geral

Sobre o post Encarando a Matilha, o blogueiro paraense-acreano Marky Brito faz considerações:


Nunca entendi o que é um "sem-tora". É um madeireiro sem floresta? É um grupo de paus-mandados de madeireiros? É tudo isso misturado?
Por lei é proibido invadir áreas sob manejo florestal, ainda mais se estiverem em áreas de reserva legal, onde só é permitido fazer exploração através do manejo. Todas essas áreas são averbadas em cartório para o uso restrito através da exploração florestal, madeireira e não-madeireira. Portanto, é crime retirar uma folha sequer de uma área de manejo florestal sem a devida autorização.
De novo, esta é uma situação que mostra claramente o despreparo e falta de sintonia do poder público no trato com o setor florestal paraense. Pois, a não ser por alguns heróis e malucos, não há gente e nem estrutura suficiente para monitorar de forma eficaz essas áreas. Além disso, infelizmente o Pará, assim como o resto dos estados amazônicos, não tem uma cultura florestal. Não, eu não fiquei maluco. A não ser pela comida e alguns costumes, não aprendemos nada de cultura florestal com os índios e ribeirinhos. Não há respeito algum pela floresta ou pela gente que mora nela. São reles entraves para o progresso.
Que me desculpem alguns xenófobos e nacionalistas leitores do “Máfia Verde”, mas países como o Canadá e Finlândia tem uma cultura fortemente enraizada na floresta, sua economia e meio de vida são florestais. No Canadá os vaqueiros são considerados gente fraca, pois a gente forte está no meio da floresta manejando. E no Pará, qual é a imagem de quem vive e cuida da floresta? Malucos, o coitadinho é índio, ribeirinho, madeireiro bandido.
A Finlândia comprou mais da metade do país dos russos, pois os finlandeses são índios que vivem da floresta. Eles pagaram a compra trabalhando na floresta e inventaram um troço chamado celular para se comunicar no meio do mato (se não me engano o nome da empresa que o inventou é Nokia). Já aqui o nosso BASA adora uma fazendona, um frigorífico, uma caninha, mas corre do manejo florestal, pois é muito arriscado esperar trinta anos para se ter uma nova colheita de madeira. Então vamos dar boi pra todo mundo.
Para nós a floresta é linda de longe, como paisagem de cartão postal. Mas só agüenta viver mesmo da floresta quem é índio, ribeirinho/colono ou madeireiro (que nem mora na sua “fazenda florestal”, mas vive dela). O resto quer ou só pode viver na e da cidade ou nas fazendas/fazendolas, como nossos conterrâneos do sul e sudeste do país. Hoje o modelo de gente amazônica ou é urbana ou agro-alguma-coisa. Quem mora “no interior” é atrasado.
É difícil viver na floresta amazônica, ela é muito mais agressiva que as florestas canadenses e finlandesas. Além disso, o poder público em quase nada ajuda e quando tenta, realizando, por exemplo, as concessões florestais, é acusado de privatizar a floresta que estava nas mãos de grileiros e outros seres infernais.
É crime retirar madeira de áreas de manejo. É crime devorar a floresta nativa para fazer carvão (loucos! Diriam os canadenses e índios finlandeses). Mas, quem se importa? Quem é o político paraense maluco de tomar o setor florestal como estratégico para o futuro do estado? Você consegue imaginar a região do baixo amazonas igualzinha a região do Rio Vermelho?

quinta-feira, outubro 04, 2007

Blogosfera bacana

Marcelo Marques achou também bacana e se rende à blogosfera. Isso significa mais fonte de informação aos paraoaras. Bem vindo!

Simara contesta inclusão na "Lista Suja"

A Simara se manifesta oficialmente através de e-mail enviado ao blog a respeito de matéria do site Congreso em Foco que a citou inclusa na "Lista Suja" do Ministério do Trabalho:

A SIMARA - Siderúrgica Marabá S.A. vem a público prestar os seguintes esclarecimentos: 1) Entende que a inclusão do seu nome na lista divulgada pelo Ministério do Trabalho (Portaria 540 de 15 de outubro de 2004), publicada no site oficial do órgão, é indevida, uma vez que as irregularidades encontradas foram de ordem administrativa e não referentes a condição análoga à de escravo. Além disso, as irregularidades administrativas apontadas pelo Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho em 25 de abril de 2006, foram sanadas conforme documento emitido, em 3 de maio de 2006, pelo próprio Ministério do Trabalho;
2) As doações feitas durante a Campanha Eleitoral de 2006 cumprem todas as disposições previstas na Lei Eleitoral;Em novembro de 2006, o controle acionário da SIMARA foi assumido pelo Grupo Aço Cearense, que tem entre seus valores a prática da política de responsabilidade social, ética e ambiental. Portanto, a SIMARA repudia todas as ações que possam resultar em degradação ambiental e desrespeito à legislação trabalhista.

Insatisfação retraída

Nem tudo está às mil maravilhas no interior da bancada governista na Assembléia Legislativa, apesar do almoço de estreitamento de relação oferecido por Ana Julia aos deputados. O centro dos aborrecimentos é o projeto de lei do PPA que o governo pretende ver aprovado em sua integridade e o legislativo idealiza emendá-lo. A animosidade não é pequena.

Crise institucional

A Câmara Federal está disposta a desrespeitar o judiciário caso, na sessão de hoje, o STF decida pela fidelidade partidária, determinando a perda do mandato de 46 parlamentares. E aí, tem que chamar o General?
Os bastidores dessa encrenca sem precedente está no blog do Josias de Souza.

Cenário de abandono

O estado de abandono no qual se encontram as comunidades localizadas ao longo da rodovia Transamazônica mereceu discurso do deputado Wandenkolk Gonçalves, na sessão de ontem da Câmara Federal. Entre as pendências fundiárias e de infra-estrutura, o parlamentar do PSDB citouas demarcações topográficas, titulação de imóveis, abertura e recuperação de vicinais, construção de pontes, de escolas e postos de saúde,eletrificação e telefonia rural.
Tudo a ver.

Jogos paraenses

De hoje, 4, ao dia 14 de outubro, realizam-se os Jogos Abertos do Pará na região sudeste do estado, com sede em Marabá. As modalidades em disputa são Handebol, Futsal, Basquete, Vôlei, Tênis de Mesa e Atletismo.
No ano passado, cerca de 8.270 atletas de 78 municípios participaram dos jogos. Este ano, a organização do evento espera a confirmação de 9.646 atletas inscritos nas seis modalidades disputadas, que representariam 91 das 143 cidades do Estado. No total, entre técnicos, chefes de delegação e representantes da SEEL, cerca de 10.750 pessoas vão estar diretamente envolvidos no evento.



Fonte: Ascom PMM

Baixo Tocantins

Na reunião do Conselho da Jusante (Conjus), marcada para esta quinta-feira, dia 04, o governo do estado deverá indicar o nome dos três conselheiros que irão representá-lo no Conselho. A participação do governo estadual promete impulsionar os projetos do conselho e fortalecer os municípios da região do Baixo Tocantins que fazem parte Plano Popular de Desenvolvimento Sustentável da Microrregião a Jusante da Usina Hidrelétrica de Tucuruí (PPDJUS). A reunião será realizada na Eletronorte, em Belém.

quarta-feira, outubro 03, 2007

Como um filho

"Eu posso alugar o meu mandato? Não. Posso dar garantias? Não. Olha que no direito tem de tudo, as idéias mais criativas, mas isso, não! Há coisas que não estão escritas, mas estão no seu ventre, no seu fundamento, nos seus alicerces.
Sou favorável a que o mandato é partidário porque ninguém pode ser candidato sem partido. O partido é um ser. Um ser necessário ao candidato".

O fulminante argumento é de Paulo Brossard, considerado um dos maiores juristas do país, ao defender a devolução dos mandatos na sessão do STF que ocorre neste momento, em Brasília.

Vale monopoliza ferrovias

A concessão para exploração comercial da ferrovia Norte-Sul arrematada a pouco em São Paulo pela Companhia Vale do Rio Doce, não é boa notícia para quem defende a livre concorrência nos diversos modais de transportes projetados para a região Norte. Isso porque a CVRD caminha para monopolizar toda uma estrutura logística necessária ao escoamento de cargas, mercadorias e produtos do Pará.
O setor ferroviário está agora, definitivamente, sob o controle da mineradora.
Mais uma razão para o governo do Pará e o setor produtivo continuarem lutando pela implantação da Hidrovia Araguaia-Tocantins, como corredor livre de monopólios.
Por ter sido a única habilitada, a CVRD arrematou um trecho de 720 quilômetros da ferrovia Norte-Sul pelo lance mínimo de R$ 1,478 bilhão, ligando Açailândia, no Maranhão, a Palmas, capital do Tocantins.

Bernadete também esclarece

O blog publica esclarecimento enviado pela assessoria da deputada Bernadete ten Caten (PT) ao Site “Congresso em Foco” sobre a doação feita à sua campanha eleitoral pela empresa Simara:


A respeito da inclusão da Siderúrgica de Marabá S.A (Simara) na lista “suja” do Trabalho Escravo, elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a Deputada Estadual Bernadete ten Caten (PT/PA) tem a esclarecer o seguinte:
Que recebeu R$ 4.990,00 de doação da Simara para a realização de sua campanha eleitoral, no ano de 2006, porém, à época, a empresa ainda não figurava na “lista suja” do Trabalho Escravo do MTE. A referida doação cumpriu todas as exigências legais, atendendo aos critérios de idoneidade, transparência e lisura que requerem o processo eleitoral. Além disso, a doação foi realizada pelo proprietário anterior da Simara, de pré-nome Edivaldo. Hoje a siderúrgica pertence a um grupo Aço Cearense.

Bernadete ressalta, ainda, que tem na Defesa dos Direitos Humanos, em especial o enfrentamento da prática de trabalho análogo à condição de escravo, um pilar da atuação pública exercida por ela há mais de 20 anos na região Sudeste do Pará.

Da mesma forma, a luta pela erradicação do Trabalho Escravo tem norteado o mandato da referida parlamentar, sendo que ela engrossa a defesa pela aprovação do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) nº 438/01, que determina a expropriação das terras em que for constatada a exploração do trabalho escravo. Considerando que, se for aprovado no Congresso Nacional, se constituirá num dos principais instrumentos de combate desse crime no País.

Frente ao debate nacional sobre a constitucionalidade ou não da citada proposição, Bernadete reforça a luta em defesa da proposta, especialmente no Pará, onde a elevada ocorrência do Trabalho Escravo é destaque internacional, com a apresentação do PEC nº 09/07, que altera o artigo 241 da Constituição Estadual também visando a expropriação de áreas em que se verifique a ocorrência de Trabalho Escravo, assim como o plantio de psicotrópicos, em favor da reforma agrária.

Paralelamente, Bernadete irá compor a Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo, na condição de representante da Assembléia Legislativa do Estado. A comissão será criada por meio de decreto da Governadora Ana Júlia Carepa, a ser assinado no próximo dia 20 de outubro, durante o Seminário Estadual para Consolidação do Plano Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo no Pará, em Belém. Vale ressaltar que esse plano foi construído em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Rio Vermelho agonizante

O Correio do Tocantins publica matéria sobre os efeitos da seca no Sul do Pará ilustrando com fotos a situação atual do Rio Vermelho (acima), outrora um igarapé perene e por onde a região escoava sua maior produção de castanha. O desmatamento está acabando com tudo.

Consumo indigesto

Na reta final do prazo para a troca de partidos (dia 6) para quem pretende disputar cargo eletivo em 2008, o prefeito de Itupiranga não consegue mapear a formação de futuras alianças. Avaliado como um os piores prefeitos da região, Adécimo Gomes encontra resistências para montar seu projeto de reeleição.

Dono do pedaço

Em Marabá, Tião Miranda (PTB) é quem dá as cartas. Ninguém troca de legenda sem conversar com ele. O prefeito assenta pessoas de sua confiança em todas os partidos ligados à base de governo com nítida intenção de eleger forte bancada de vereadores.
O explícito tête-à-tête nas últimas horas de Miranda com as lideranças partidárias sinaliza claramente que ele começou a montar o jogo de sua sucessão. A definição do candidato a prefeito, claro, só a partir de janeiro.

Força da coerência

Diante do intenso movimento de troca-troca de partidos da classe política, a deputada Tetê Santos (PSDB) defende a imediata instituição do controle de fidelidade como forma de resgatar a credibilidade da profissão. “Quem se mantém firme em seus partidos ganha a fidelidade também do eleitor”, ensina a parlamentar em seu quarto mandato consecutivo.
Tetê ainda não se decidiu se sai candidata à prefeita de São Geraldo, um dos municípios mais estratégicos da região em função de sua posição geográfica fronteiriça.

terça-feira, outubro 02, 2007

Giovanni esclarece doação

Val-André, assessor de comunicação do deputado federal Giovanni Queiroz (PDT), a propósito de matéria publicada no site Congresso em Foco citando o parlamentar como um dos políticos beneficiários de doação da chamada "Lista Suja", esclarece:

1- A doação à campanha do deputado foi devidamente declarada e a prestação de contas de sua campanha foi aprovada sem ressalva s pelo TRE-PA;

2- O deputado não tem qualquer ingerência na conduta administrativa da empresa Simara - Siderúrgica Marabá S/A;

3- O deputado não apóia a prática do trabalho escravo e não tinha conhecimento a época da campanha, que a referida empresa constava em qualquer lista que desabonasse sua conduta.

Nocaute

Dionisio Gonçalves, coordenador do Sintepp de Marabá, foi eleito esse fim de semana em Belém coordenador da executiva estadual da DS, durante encontro da tendência ligada a Ana Júlia. Ganha mais poder para isolar de vez a influencia interna do advogado Ronaldo Giusti, que já tinha perdido a disputa para impedir a filiação do professor ao Partido dos Trabalhadores. Com as bençãos de Charles Alcântara e Edilza Fontes.

Produtividade

A Globe Metais, empresa de Breu Branco que está com sua área de manejo florestal invadida por bandidos, é a única produtora de silício que figura no ranking das 200 Maiores Minas Brasileiras, seleção elaborada pela revista Minérios e Minerales, especializada em mineração. A mina da empresa no município de Mojú produz, segundo a revista, de 150 a 300 mil toneladas de quartzo, uma das matérias-primas utilizadas na cadeia de produção do silício.

Nas alcovas

O ex-deputado estadual Cláudio Almeida continua articulando contatos com lideranças partidárias de Parauapebas. Vai depender do saldo dessas negociações a candidatura dele à prefeito do município.

Ih, sujou!

Tem gente paraense focada na chamada “Lista Suja” do Congresso em Foco.

Encarando a matilha

Os invasores profissionais de terra – contratados para o cumprimento de missões a interesse de terceiros – não estão nada satisfeitos com o relatório do MDA atestando a legalidade do plano de manejo florestal executado numa fazenda da Globe Metais, em Breu Branco. Ontem, no final da tarde, corriam rumores de que eles iriam se insurgir à divulgação do laudo técnico do Ibama certificando a idoneidade do projeto de reflorestamento, o que torna a área imprópria à política de Reforma Agrária do Incra - conforme querem por que querem os foras da lei -, iniciando uma série estratégica de novas invasões da Ouro Verde.

Só que nas imediações da fazenda os “sem-terra” e “sem-tora” tem pela frente parada indigesta: o diretor de Polícia do Interior, Miguel Cunha Filho, linha dura no combate ao crime. Em poucos dias encarando a súcia, o policial, com ajuda da PM, enjaulou mais de 60 marmanjos, autuando-as.

Esse rapaz merece ser olhado com mais atenção dado o altíssimo nível profissional e seriedade com que enfrenta a criminalidade. Se derem amplo apoio a ele, há esperanças, sim, de redução da violência no interior.

Malta ensandecida

O interesse maior dos invasores da Ouro Verde não se destina em apliar a agricultura familiar, se repararmos o que foi apreendido com eles nas ações policiais. Nada mais, nada menos do que 570 m3 de madeiras cortadas, 132 m2 em tora e parafernália de equipamentos outros como motosserras e armas de fogo.

Comunicação estática

Alguns setores da área de comunicação do Exército Brasileiro provavelmente acham que vivemos ainda na era da Telegrafia, desconhecendo a agilidade do mundo on line. Só isso para explicar o esforço injustificácel da instituição em fazer o distinto público crer que a presença de centenas de militares nas dependências da hidrelétrica de Tucuruí é parte exclusiva de um calendário de treinamento. Observem o que diz o coordenador de comunicação social do 51 BIS, tenente Miranda:

'Nossa presença na usina nesta época é uma coincidência, até porque esta história de invasão é um boato que está ocorrendo na cidade e o Exército brasileiro não trabalha com boatos’.

Ouvida pelo jornal O Liberal, a Eletronorte desmentiu o oficial -, confirmando a ameaça de invasão aos prédios administrativos da vila residencial da empresa, em Tucuruí.
Do jeitinho que o blog divulgou na quarta-feira, com exclusividade.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Tropa estropiada

Sem querer botar fogo na parada, impossível deixar de se deliciar com as cenas do filme “Tropa de Elite” usadas na paródia “Tropa de Sofredores”.

Apoio institucional

A “indústria suja” de produção de ferro gusa sofreu um golpe com a proibição, pela Justiça Federal no Pará, das atividades de queima de madeira nas imediações do núcleo urbano de Jacundá, onde prosperam centenas de carvoarias, quase todas responsáveis pelo fornecimento de carvão a um dos maiores compradores do produto na região -, o prefeito do município, Adão Ribeiro.
Se o Ministério Público e a Justiça Federal estenderam seus braços descobrirão que o mesmo crime à saúde pública ocorre em Tailândia onde o prefeito “Macarrão”, concorrente de Adão Ribeiro a título de maior “atravessador” do produto no Sul do Pará, usa todo o seu poder político, e a fama de despótico, para consolidar o desordenamento ambiental.
Quase todos os centros urbanos de municípios da área padecem da influência de suas autoridades locais favoráveis – e ardorosas estimuladoras - à edificação de carvoarias nas cercanias das comunidades.
A tudo isso, o Sindicato dos Produtores de Ferro Gusa do Pará – Sindiferpa -, assiste,aplaude e dá guarida, já que são de ações desses investidores-prefeitos que saem a maior oferta de carvão às siderúrgicas do Pólo Carajás.

Ajustamento ambiental

Se for realmente colocado em prática a proposta do economista Mário Ribeiro de medição do PIB Verde, atividades tidas em nossas paragens como “redentoras” do desenvolvimento econômico do Estado (exemplo: proliferação de cidadelas de fornos de carvão nas áreas urbanas) aparecerão mesuradas como um grande mal.
Magistrado trabalhista e blogueiro, José Alencar conta sobre o desafio do ex-presidente do Banco do Estado do Pará.

Prescrição: Lexotan

Pelo menos no Pará, dezenas de deputados e vereadores terão dificuldades de dormir até o final da sessão desta quarta-feira (3) do Supremo Tribunal Federal (STF) que poderá decretar a perda de seus mandatos por infidelidade partidária. Otimistas quanto a tendência do tribunal em fulminar os “traíras”, alguns suplentes perdem igualmente o sono.

Informação privilegiada

Na quarta-feira (26) o blog divulgou a existência em Tucuruí de movimento de algumas entidades populares, sob a coordenação do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), destinado a ocupar o canteiro de obras das eclusas de Tucuruí. Conforme divulgaram, somente no domingo, alguns veículos, o Exército não perdeu tempo. Até hoje permanece nas instalações da hidrelétrica.
Apesar das manobras dos soldados nas imediações das eclusas e UHE, o MAB continua em estado de prontidão.

Saúde pública exposta

Ministério Público do Estado, secretarias municipais de Saúde, Agricultura e Meio Ambiente decidiram suspender as ações do município referentes à fiscalização de carne bovina nos açougues de Marabá, em razão de decisão judicial.
Segundo o secretário municipal de Agricultura, Rubens Borges Sampaio, os promotores ligados à questão da carne bovina consideraram absurda a decisão da juíza Maria Aldecy de Souza Pissolati, porém não há outra saída além de cumprir o mandado de segurança, enquanto a outra parte não requerer contestação. Com esse objetivo, o procurador geral da Prefeitura, Carlos Nunes, encontra-se em Belém ajuizando recurso contra a medida de Aldecy em favor dos matadouros clandestinos.


Fonte: Assessoria de Comunicação PMM

domingo, setembro 30, 2007

Enquanto as crianças não se tornam adultas ...

Reúna os filhos. Quanto menores, melhor. Netos.
Caso não tenha filho nem netos, os sobrinhos os substituem do mesmo jeito. Crianças, preferencialmente, ingênuas.
Ensaie uma estória de trancoso inventada com criatividade. É sempre bom vivê-las intensamente. Os adultos da lógica comum costumam ignorar esses pequenos momentos do lar.
Se não sabe inventar estórias infantis, busque o CD dos “Saltimbancos”, gostosos contos de fada dos irmãos Grimm, com a trilha sonora adaptada por Chico Buarque -, imprescindível em qualquer lar com crianças.
Que tal ouvir a faixa “História de uma Gata?“

Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora ou senhorio
Felino, não reconhecerás

Os filhos crescem rápido, tão depressa que nos deixam assim como se fossemos órfãos deles. Avançam progressivamente sem olhar pelo retrovisor, como pássaros doidivanas, estridentemente alegres, num processo de obediência orgânica.
De repente, olhando pra trás, sentimos vontade imensa de retroceder no tempo e fazer tudo de novo com mais intensidade. Não conseguimos, apesar da ininterrupta dedicação, esgotar neles todo nosso afeto.
Porque quando os filhos se tornam adultos nos sentimos exilados diante do divórcio deles definitivo. Solidão carregada de saudades daquelas crianças danadinhas.
E se viessem netos? Essa geração dita por alguém como a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Acho por isso, alguns vovôs dedicam tanto carinho. Eles devem ser a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.

Este domingo pode ser diferente. Se você quiser.
Aproveite suas crianças, antes que elas cresçam estouvadas como as nossas fizeram. Aproveite-as na cama ou rede, agarrando-as em cheiro & cócegas, porque depois de crescidas, por elas seremos esquecidos, ficando apenas lembranças do colo, o cuidado com a febre alta nas madrugadas de sofrimento, o cheiro de talco, o hálito gostoso saindo da boca em riso contagiante.
Desculpem a recaída. Negócio é que amanheci com saudade de ser pai com criança no colo.

Angústias de castanheiros

A tarde de sábado, 29, passo ao lado de meus pais, João e Lourdes. Papai se mostra revoltado com o que ouvira do amigo e ex-trabalhador dele nas matas da castanha, “Paraíba”, narrando o cenário atual da região do Rio Vermelho, afluente à direita do Itacaíunas onde os dois viveram praticamente suas vidas extraindo a amêndoa e plantando árvores frutíferas nas colocações trabalhadas. Meu pai é um desses amantes do hábito de cavucar o chão para plantar árvores.

- “Se plantar, sempre tem.”

A frase, João fala com freqüência, até hoje,ensinando a lógica de quem vive nas florestas.

Semi-analfabeto, meu pai escreve malmente o nome, cheio de garranchos. Eu adorava ler, entre gaitadas sonoras -, os bilhetes que ele escrevia para minha mãe ou endereçados a algum trabalhador dele enfurnado nas matas. Permeados de confusa troca de Ç por dois S, tinham de tudo, menos acentos, pontuação, e assim por diante.

Ao chegar a Marabá lá pelos idos anos 60 vindo do Maranhão, “Paraíba” me conheceu quando eu tinha 7 anos de idade. Até hoje não lhe perguntei por que um maranhense carrega o apelido de “Paraíba”. Abobado e nem pagador de mico ele nunca foi. Pelo contrário, é um daqueles castanheiros de pouca vivência na cidade, mas profundamente interessado em saber de tudo. Não se movimenta sem um rádio a acompanhá-lo. Sabe nomes dos presidentes de quase todos os países, o que se discutiu no Congresso Nacional, as últimas novidades da ciência no combate ao câncer, o processo de degelo na Antártida, etc.
Recordo com todas as cores uma frase do “Paraíba” dita por volta de 1987, ao constatar no dia a dia que a caça começava a exaurir-se:

- “Seu” João -, conversando à noite com meu pai, deitado numa rede próximo a minha -, faz tempo que não dou de cara com um bando de Caititu. A causa disso são essas invasões de terra, os bichos estão fugindo com medo das derrubadas. Não dou mais dez anos para a gente não encontrar nem jabuti aqui no “Sapecado” (ex-terra de meu pai, invadida dois anos depois).

Como eu dizia no início, papai contou que conversara com “Paraíba” na sexta-feira (o amigo dele ainda mora na região do Rio Vermelho numa gleba de 20 alqueires dada a ele pelo velho João).

- Ele disse que não encontra mais no Sapecado nenhum tipo de madeira de lei. Derrubaram tudo: sucupira, jatobá,cedro, jacarandá, nem um metro pra guardar de lembrança . Cupu no leite da castanha, nunca mais comeu. Jabuti não existe mais -, contou papai, angustiado.

Falei a ele de uma canção composto por um sujeito chamado “Jatobá” narrando a destruição das matas. Ele se mostrou interessado em ouví-la. Imediatamente fui buscar o CD do Xangai ( Saga Amazônica) em casa, reproduzindo pra ele ouvir “Matança”, a obra-prima de ‘Jatobá’.
Assisti meu pai derramar lágrimas dos olhos, silenciosamente, ouvindo, emocionado, a realidade da letra. Pediu para reprisar a canção várias vezes, o que o fiz.


Meu pai tem 78 anos e nunca mais pisou os pés na floresta. Já se vão 20 anos.
Perfeitamente lúcido e sem nenhum problema de visão (ainda não foi preciso usar óculos), ele deseja fazer uma viagem de barco comigo subindo o Itacaiúnas até próximo a sua nascente, percorrer o mesmo trajeto feito por ele centenas de vezes quando, ainda jovem, explorava os castanhais na região do Tapirapé.
Gabola, meu pai garante saber ainda os canais das corredeiras e cachoeiras que permeiam extenso trecho do rio. “Passo até de noite ainda”, vangloria-se. E eu sei que ele saberá cruzar, no leme da embarcação, de noite, os sinuosos canais perigosamente infestados de pedrais.
Vou me organizar para viver essa aventura, levando uma boa equipe para registrar tudo. Pode dar um excelente documentário.