sexta-feira, dezembro 26, 2008

Engarrafamento no Reveillon

             Os deputados estaduais estavam já de malas e cuias prontas para passar as festas de fim de ano em seus municípios, mas foram alcançados pela convocação extraordinária, até o dia 31. Há projeto de Executivo em regime de urgência para ser votado.


A convocação extemporânea da AL informada pela Franssinete Florenzano, sempre em cima do lance,  obrigou também o Chefe da Casa Civil a desafivelar mala da curta viagem programada pra descanso no final do ano. Cláudio Puty foi instado pelo Diretor-Geral do DETRAN, Lívio Assis, da necessidade de ter aprovação dos deputados, ainda este ano, de projetos de interesse do órgão, para seus efeitos vigorarem a partir de 2009.

Ainda está sendo um corre-corre na Casa Civil e na presidência da Assembléia.

Se tivesse a mesma eficiência demonstrada ao longo do ano para publicar editais de licitação meio enjambrados, o DETRAN bem que poderia ter encaminhado o presente projeto de seu interesse no time certo, evitando essa convocação extraordinária.

Humor grosseiro

Goste-se ou não do ator Lúcio Mauro, é impossível não lhe reconhecer enormes qualidades. De entre as várias, habituamo-nos a vê-lo como um profundo divulgador das coisas boas do Pará, além de ser razoavelmente engraçado como contador de causos.

Mas, enfadonhamente repetitivo, em gestos e caretas.

Por isto não deixa de ser surpreendente que ele tenha cometido comportamento mal educado durante encenação de peça de teatro, em Belém, ao lado dos filhos, criticando as ausências no espetáculo da governadora do Estado e do prefeito de Belém – apesar de terem sido convidados, conforme teria dito o ator no palco, em meio às críticas.

Para muitos dos que estavam lá, mais do que mal-educado, o humorista paraense foi grosseiro.

Partindo do pressuposto de que as presenças no teatro de Ana Júlia e Duciomar Costa, como espectadores, valorizariam a performance da família de atores, poderíamos compreender como um desabafo natural, as críticas de Lúcio. Só que as mesmas revelaram sentimentos embaraçosos, pontuando auto-suficiência, orgulho cheio de nobreza e muita presunção.

O pôster confessa não entender qual a razão de tamanho finca-pé.

Ora, se a governadora e o prefeito não foram ao espetáculo, deixando os atores indignados, uma carta de próprio punho encaminhada aos dois ausentes, com as justificativas do desencanto (com cópias à imprensa), repercutiria de forma mais elegante, preservando o humor sadio que fez de Lúcio Mauro reconhecido nacionalmente.

A postura de sobrançaria, ao contrário, passou a leve impressão de que tal gesto iria ter mais exposição mediática. E Lúcio, decididamente, não precisa disso.

Em verdade, é um erro tradicional das pessoas com grandes egos desprezarem os sinais de perigo diante da falta de humildade. Claro está que se pode dizer ninguém esperava essa aparente “chapelada” do consagrado ator, mas aconteceu.

Surpreendentemente.

Lendo recente entrevista de Roberto Carlos – o maior ídolo do país nos últimos 40 anos – ele deixa claro que grande parte da fidelidade de seu público vem não apenas do carisma pessoal que contagia muitos, mas também de sua própria formação humilde. E, para comparar os dois casos, conta ter sido aconselhado por alguns assessores a criticar a ausência num espetáculo dele, em Fortaleza, do então governador Tasso Jereissati.

Como reação natural, Roberto disse que “o governador vai ao meu show se achar que deve ir, não podemos interferir e nem manchar a vontade pessoal de ninguém”

Cinco dias depois do show no Ceará, Roberto receberia uma carta com pedido de desculpas de Jereissati, explicando as razoes de sua ausência ao espetáculo que teve mais de 30mil pessoas.

Já disseram por aí que os humildes são sábios, pois sabem que não sabem tudo, com a mente sempre aberta para aprender mais.

O orgulhoso, ao contrário: é auto-suficiente. E, por isso, medíocre; parou no tempo; seu conhecimento é inversamente proporcional ao tamanho de sua soberba.

O que aconteceu no palco do teatro ridicularizou um pouco o velho e sempre respeitado Lúcio Mauro.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Juiz responde ao blog

Juiz de Direito de Marabá, César Dias de França Lins, envia esclarecimentos a respeito do post   Ana, Albanira e César:

Sobre este assunto não respondi a nenhum jornal, pois não quero polemizar sobre a justificativa do Sr. Secretário. Agora, por ser seu leitor e respeitá-lo como jornalista sério, vou esclarecer o fato! Primeiro, que a Desa. Albanira nunca ligou para mim, pelo simples fato que decisão judicial é imune à intervenção administrativa, devendo os insatisfeitos recorrerem da decisão judicial, e isto não foi feito. Segundo, foi determinado que a Polícia consertasse os seus pedidos para se enquadrar inclusive a Resolução do CNJ, já que o nível dos pedidos estava altamente deficitário. Nada feito.Terceiro, que a Polícia encontrou outro juiz para conceder as interceptações, tanto que no próprio jornal eles dizem que estavam monitorando, com o NIP, os assaltantes do BB de Itupiranga. Não havia por que consertar o determinado! Quarto, só se tem antipatia quando a gente conhece alguém, e no expediente por escrito à Presidente, eu he disse que, para rebater provocação do Sr. Secretário, entendia que os cargos de juiz e/ou promotor não eram menos importante do que os do Sr. Secretário e Governbadora para não se ter segurança como eles têm. Isto está gravado. Nunca houve qualquer falta disciplinar de minha parte, e nem sairei da minha Vara por pressão ou punição, mas sim, em primeira mão, para outra Comarca, por concurso de remoção que estou inscrito, mas perto de Belém, o mais breve possível. O pior é que no outro dia queimaram o forum de Igarapé-Mirim, e ele não pode colocar a culpa no Judiciário, pois diriam que ele estaria contribuindo para a destruição dos Foruns do Pará. Desta vez assumiu a falta de efetivo para violência! Vou ser pai, e o meu filho, qualidade de vida, trabalhar ainda mais, paz, é o que me interessam. Feliz Natal e abraços do seu leitor assíduo e que lhe admira pela clareza da sua qualidade jornalística. 

César Dias de França Lins.
Juiz

Um "rato" na estrada

Vila Palmares, município de Moju. São 15h40, dessa terça-feira, 23.

O sol ainda arde amenizado pelo vento forte soprando sentido Tailândia.

De longe dá para ver, no céu, o tempo escurecendo sobre os arredores de Moju. Nesse  horário, é corriqueiro a chuva desmanchar-se naquela região, talvez para regar as plantações de coco e palmas. Ou os açaizeiros ainda restante, que servem de alimento para a maioria da população.

O poster pára numa baiúca para tomar cafezinho.

Apenas o dono do negócio e um rapaz de mais ou menos 17 anos povoam a casinha de madeira coberta com zinco.

O dono do quiosque aparenta 50 anos, e tem cara de sono. E de pouca conversa.

O rapazola, sentado numa cadeira fornida com coro de jacaré,  toma cachaça pura. Vestido de calça jeans, camisa azul de meia e uma sandália havaiana, o olhar dele se perde na extensão da PA-150. Ao levantar  os braços levando  o copo à boca, aparece em sua cintura o cabo de um revólver. Não dá para identificar o calibre.

Mas, para o blogger, todo revólver é de calibre grosso. Todos vomitam balas.

Nosso caubói pede mais uma dose de 51.

Desconfiado, e temeroso da imagem um tanto quanto agressiva, termino de tomar uma  coca-cola (não havia cafezinho), pedindo a conta.

 

                   - Padim,  tu ta indo pra onde nesse embalo?, pergunta, o caninha.

 

                   -  Aqui para o km 65 (trevo que dá acesso a Tomé-Açu, 15 km adiante).  É a resposta,  para evitar negar alguma carona rumo a Belém ou Moju.

 

                - Pois to indo pra lá, mérmão. Pode dar carona?

O caubói estava armando, a experiência garantia ao blogger.

Ao olhar para o dono da baiúca, recebendo o troco do refrigente, ele faz um discreto sinal negativo com a cabeça, com olhar preocupado. Imaginava a próxima resposta a dar para o rapaz alcoolizado,  tudo numa questão de segundos.

É aí que aparece um rapaz numa moto, buzinando de longe.


               - C..., onde tu andava firula?, grita da moto ainda em aproximação.

 

               - Aqui esperando. E já ta passando da hora. A parada não espera; a parada não espera.

 Diz o caubói dirigindo-se ao parceiro,sem pagar a conta. Monta na garupa, olha para o poster:


                - Ainda vamos nos ver por aí....

Os dois arrancam rumo a Talilândia.

O dono da baiúca, suando forte, balbucia:

 

                 - Esse aí é o “Rato”, assaltante conhecido aqui. Já deve estar indo fazer algum roubo. Eu estava preocupado do senhor dar carona a ele, não ia ser coisa boa.

O poster agradece,  entra no carro, e zarpa. Olhando pelo retrovisor, rumo a Belém. 

Bandalhice de um prefeito

Laurival Magno Cunha, prefeito de Barcarena, vulgo Marivalzinho, é mesmo irresponsável.

Além de estar  deixando ao sucessor débitos astronômicos e  muitas empresas do município quebradas, o caraíba permitiu o aniquilamento de 20 km da PA-151, trecho do trevo da Alça Viária até o Porto do Arapari. E aqui não vale a desculpa esfarrapada de que a estrada é de responsabilidade estadual. Um administrador sério, preocupado com o ir e vir de seus munícipes - e com arrecadação suficiente para promover simples serviços de tapa-buracos -,  tem a obrigação de zelar pelo patrimônio e facilitar o transporte de sua gente.

Quando a Alça foi inaugurada, estava mais do que evidente  a redução do fluxo de veículos pelo Porto do Arapari. Mas também ficou escrito nas estrelas ser mais em conta para trabalhadores das empresas de Barcarena, residentes em Belém, ou até mesmo para a população daquele entorno sempre com os pés na capital, atravessar a baia em balsas, cruzando os 20 km da rodovia.

O poster gastou 30 minutos do trevo até o Porto do Arapari, ao optar pela balsa, ao invés de cruzar os 68 km da Alça. Mais tempo do que o percurso feito do Moju ao trevo.

Pior de tudo isso é que um bandalha do gênero ainda corre o risco de voltar à prefeitura do município.

"Opinião não se discute"

Se não engana a memória um pouco “traíra” deste poster, o título acima denominava  a coluna esportiva que o saudoso  Edir Proença veiculava diariamente na Rádio Clube.  Sereno, ele atraía audiências, inclusive deste blogger, que tinha nele um dos seus ídolos do rádio, pela confiança transmitida em comentários durante acirradas disputas de Remo e Paissandu.

Bicolor de quatro costados – como se dizia -, jamais descobri por qual time Edir torcia, mas hoje temos a leve desconfiança de que ele amava o Remo e os Roling Stones.

O Flamengo, sim, era um amor declarado dele.

Fixadas , como recall, as imagens  de Edir, com seu bigode aportuguesado, fazem parte de um tempo gostoso da juventude deste escriba -, como adora usar o termo, Gerson Nogueira.

Neste Natal, as lembranças de Edir Proença fluíram ao link disponibilizado pelo  Quinta Emenda que nos abriu belíssima crônica de Edyr Augusto Proença, um dos filhos todos talentosos do velho Edir.

Ao recomendar o blog Opinião Não se Discute, deixamos a seguir  avant-premier de alguns temas abordados pelo filho de nosso ídolo:

 

Sobre a meia entrada

Ninguém vai conseguir mudar essa lei exdrúxula. É políticamente incorreto. Os jovens vão se revoltar. Os políticos, ao contrário, vão defendê-la até o fim. Os artistas que se fodam. Porque estudantes não pagam meia nas passagens de avião? Nos saquinhos de pipoca? Nos super mercados? Porque somente os poderosos, riquíssimos artistas abrem mão de metade do que têm a receber, por seu trabalho, para que outros fiquem bem? Afinal, alguém tem que pagar aos artistas e empresários do setor, os 50% recolhidos, não é? Meia entrada para todos! Mas alguém vai pagar isso, não? Meia conta nos postos de gasolina, já! Tudo isso gerou imensas distorções. Uma delas está nas leis culturais, federal, estadual ou municipal. 

Sobre o futebol paraense em ruína

Ao Paysandu, a série C. À Tuna, que segue na frente de seus adversários, parece nada mais restar, já que sequer para o campeonato estadual se classificou. As razões são muitas, mas sobretudo incúria, falta de clubismo, serenidade, bom senso e profissionalismo. O mundo se modernizou lá fora, o futebol tornou-se uma máquina de fazer dinheiro. Menos aqui. Quer dizer, para os clubes, claro. Há muita gente rica. Que se deu bem e ainda posa de grande benemérito.

Sobre Belém

Meu pai dizia isso, de Belém. É uma cidade difícil, despreparada para as mínimas exigências da civilização, sob um clima hostil para o ser humano, que o piora ainda mais. Não, pior que tudo são as pessoas. Talvez seja da nossa índole, a mistura do português com o indio. Essa desconfiança eterna. Esse não obedeço, faço do meu jeito, quando quiser e se quiser. E também esse enfeitar-se, gostar de dançar, cantar, fazer Arte e ao mesmo tempo, a dificuldade em aplaudir o outro, cantar seus heróis. Todos os que moram aqui sabem disso, mesmo os que não sabem que sabem. 

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Azul da cor da arara

Waldir Silva manda avisar lá de Parauapebas: 


Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) descobriram um refúgio de araras azuis grandes, espécie ameaçada de extinção, na Floresta Nacional de Carajás (Flonaca).

Durante as pesquisas de campo foram encontrados 28 ninhos da ave, com dez filhotes. A equipe também coletou dados que poderão estabelecer o grau de vulnerabilidade da população de aves na região.

Os pesquisadores já adiantaram que existe um número elevado de aves e que é necessário descobrir meios de proteção para a preservação da espécie nesta região.

De acordo com Flávia Presti, pesquisadora do Instituto Arara-Azul, a população de araras em Carajás é maior do que se imaginava, por isso a importância do trabalho para evitar que a espécie desapareça do planeta.

Mídia para Beira-Mar

Vocês viram a pose do Fernandinho Beira-Mar, falando ontem ao Domingo Espetacular (Record) ?

O bandido reclamando de não ter à disposição dele Internet e nem poder receber livros indicados, para que ele possa fazer um curso de direito à distância...

Sinceramente, um assassino do potencial desse Fernando não merece espaço de 4 minutos no horário nobre de televisão!

Sefer em dois tempos

O poster recebe de leitor Oswaldo Chaves, preocupado com o cheiro de pizza pairando sobre a CPI   da Pedofilia,  cópias de dois importantes documentos. Ambos são extensos, mas justificam suas publicações no momento em que a sociedade precisa estar atenta aos passos dos deputados estaduais paraenses na apuração de denúncias contra o colega  Luiz Seffer (DEM),  de abuso sexual a uma menor de 9 anos.

 

1- Relatório da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal das investigações realizadas em Portel sobre denúncia de exploração sexual a crianças e adolescentes, em 2006.

 

No dia 10 de abril de 2006, o Monsenhor Dom José Luiz Azcona, Bispo da Ilha do Marajó, denunciou ao Chefe de Gabinete do Presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, Dr. Gilberto Carvalho e ao Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), que, dentre outros problemas sociais preocupantes, adolescentes estariam sendo vítimas de exploração sexual no Município de Portel, Estado do Pará, na região do Arquipélago de Marajó.

De imediato a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal adotou providências designando a mim, Amarildo Geraldo Formentini, para representar a referida Comissão, na qualidade de assessor, no acompanhamento da tomada de depoimentos, recolhimento de provas sobre trabalho escravo e exploração sexual infantil na região da Ilha de Marajó e adjacências, além de levantamentos referentes à situação das comunidades remanescentes de quilombos. (Ofício nº 10/06-S, de 11/04/2006 - anexo).

No dia 14 de abril de 2006, cheguei a Breves e procurei o Escritório Regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA de Breves, onde fui atendimento pelo Chefe do referido Escritório, apresentando o mencionado Ofício, que "solicita colaboração para o adequado cumprimento" da função a mim delegada. Por ser 14/04/06 um dia de feriado nacional (Sexta-feira da Paixão), o Escritório contava com apenas dois servidores de plantão, por isso o Chefe do Escritório do IBAMA, Senhor Antônio Carlos Moura da Silva, de pronto prestou todo o apoio necessário, levando-me até a cidade de Portel numa lancha voadeira do IBAMA. No mesmo dia (14/04) cheguei a Portel, por volta das 17:00 horas, dirigindo-me ao Hotel Marino, localizado na Avenida Augusto Montenegro, na orla fluvial da cidade, confronte à Praia de Arucará, onde fiquei hospedado. A partir desse momento empenhei-me em cumprir a função para a qual havia sido designado objetivando o recolhimento de provas e acompanhamento na tomada de depoimentos referentes às denúncias apresentadas pelo Bispo do Marajó junto aos órgãos competentes, conforme passo a expor os seguintes FATOS:

1. A Senhora CINELMA MARIA DE FREITAS COSTA, contou a mim, em sua residência, que sua filha, a adolescente JANAINA COSTA DE ARAÚJO, foi vítima de estupro praticado pelo Vereador da Câmara Municipal de Portel, ROBERTO ALAN DE SOUZA COSTA, no dia 05 de abril de 2006. Cabe ressaltar que outras meninas, todas menores de14 anos, também foram vítimas, como está contido nos depoimentos gravados. Sendo assim, relato brevemente alguns casos, dentre eles o de CÉLIA DE SOUZA GOMES, que teve um breve relacionamento com o Vereador, e o mesmo ofereceu dinheiro para ter relações com sua irmã de 13 anos, demonstrando as atitudes do denunciado. Em outro caso que chama bastante a atenção, CLÁUDIA MAIARA NASCIMENTO relata que ao sofrer abusos e todos os tipos de atos sexuais possíveis, foi ameaçada de não poder voltar à escola e que ela e sua mãe passariam fome caso não fizesse o que ele mandava. O Município de Portel está sofrendo com a exploração sexual infantil, os adolescentes são oferecidos livremente em vários lugares, acarretando descaso das autoridades. SABRINA DO VALLE DA SILVA, está escondida na casa do seu pai, no interior, fugindo da exploração onde foi vítima de estupro, denunciando ROBERTO LOBATO DA SILVA, conhecido como Beto. Seu maior medo de voltar é principalmente, por presenciar um homicídio, sendo ameaçada à prestar falso testemunho por MARLÚCIA CALDAS DE ALMEIDA, conhecida como " Catuta" e SHIRLEY SANTOS PAIVA, conhecida como "BIBI".

2. Constatei que ROBERTO ALAN DE SOUZA COSTA, brasileiro, solteiro, é de fato vereador da Câmara Municipal de Portel com mandato iniciado em 01.01.2005, mais conhecido como "BOB TERRA", nascido em 25/12/1970, com endereço à Avenida Floriano Peixoto, no bairro do Centro, ou Rua Santos Dumont, casa 06, apt. 02, (área do residencial da empresa AMACOL). Possui 2º grau completo, Cédula de Identidade 1603344, SSP/PA e CIC/MF 264884692-15.

3. É importante frisar que o autor é filho legítimo do Vice-Prefeito da Cidade, Senhor ADEMAR TERRA DA COSTA.

4. Diante de tal constatação pedi autorização à genitora da vítima para desta tomar o depoimento, a qual se identifica pelo nome de JANAINA COSTA DE ARAÚJO, brasileira, paraense, estudante com 13 anos de idade, nascida no dia 15.09.1992, filha de Aldemir Rodrigues de Araújo Júnior e de Cinelma Maria de Freitas Costa, com endereço à Rua Coronel Severiano de Moura, nº 57, bairro Centro, na Cidade de Portel, Pará.

5. Conforme comprovação de imagens produzidas a partir do depoimento da vítima e outros depoimentos reveladores, além de documentos comprobatórios, confirma-se que a mesma foi violentada, pois o Vereador "BOB TERRA" trancou o cadeado da grade da porta do quarto e também trancou a porta do quarto à chave, forçando-a a manter relação sexual.

6. O fato ocorreu no dia 05 de abril de 2006, a partir das 13:30, na residência de outro vereador: ADSON DE AZEVEDO MESQUITA, brasileiro, paraense, solteiro, com 42 anos de idade, portador da Cédula de Identidade RG nº 1659203, SSP/PA e inscrito no MF sob o CIC nº 165862042-91, residente e domiciliado na Cidade de Portel, com endereço à Avenida Augusto Montenegro, s/nº, no Bairro da Vila Velha (local onde ocorreu o fato delituoso).

7. OUTRO AGRAVANTE: na prática de aliciamento estão envolvidas outras duas menores, sendo: 01. MARLÚCIA CALDAS DE ALMEIDA, conhecida como "Catuta", de 15 anos de idade, residente na Passagem Flores, nº 81, Centro; e, 02. SHIRLEY SANTOS PAIVA, conhecida como "BIBI", de 16 anos, também residente na Passagem Flores, nº 86, Centro.

8. Torna o caso ainda mais grave e estarrecedor o fato de que a adolescente de apenas 13 (treze) anos de idade foi retirada de sua sala de aula aliciadas por outras duas menores (M.C.A. "Catuta" e S.S.P "Bibi") pagas pelo Vereador "Bob Terra" para executarem o serviço de exploração de prostituição infantil utilizando para isso a residência de um outro vereador (Adson Mesquita).

9. A respeito deste vereador ADSON MESQUITA (citado no item 6), que cedeu sua residência para o autor do crime praticar abuso sexual contra uma menor de idade, existem fortes suspeitas de que o mesmo armazena na memória de seu aparelho telefônico celular imagens de várias crianças nuas, sendo, dentre outros, vários alunos e alunas seus, o que, havendo apuração e confirmação, poderá a vir configurar crimes que podem ser tipificados como pedofilia, aliciamento e corrupção de menores, exploração de prostituição infantil, dentre outros.

10. Todos esses fatos foram imediatamente levados ao conhecimento do Conselho Tutelar do Município de Portel, pela vítima (JANAINA COSTA DE ARAÚJO), devidamente acompanhada de sua mãe (Sra. CINELMA MARIA DE FREITAS COSTA), sendo que o referido Conselho constituiu TERMO DE DECLARAÇÕES e encaminhou à Delegacia de Polícia Civil de Portel, ao Delegado Adalberto Pereira Cardoso, através do Ofício nº 018/CTP (Encaminhamento), datado de 05/04/2006.

11. Importante frisar que todo este relatório está embasado em depoimentos gravados e/ou documentos, os quais vão em anexo, não apenas como comprovação do que aqui é relatado, mas para propiciar a análise que se fizer necessária e para que sejam tomadas todas as providências cabíveis.

12. Faço constar que devido a mãe da adolescente (vítima) está bastante preocupada com o andamento do caso, foi necessário acompanhar a referida Senhora até a Capital do Estado, Belém do Pará, afim de que a mesma pudesse relatar os fatos ocorridos às autoridades competentes. Ressaltando que devido tratar-se de uma família com carência de recursos financeiros, os membros da família fizeram coleta para custear a viagem da Senhora Cinelma Maria de Freitas Costa.

13. Em Belém/PA (19/04/06), acompanhei a Senhora Cinelma Costa até os seguintes órgãos: Procuradoria Geral de Justiça, Ordem dos Advogados do Brasil — OAB e Delegacia Geral de Polícia Civil.

14. Na OAB fomos recebidos pelo Dr. OPHIR CAVALCANTE JÚNIOR, Presidente da Ordem, o qual, em entrevista a um jornal de grande circulação no Estado do Pará (O Liberal, 22/04/2006), afirma textualmente que "o que chamou a atenção da OAB foi o fato da exploração sexual infantil ter se tornado um caso comum no Município de Portel, na Ilha do Marajó"e na Delegacia de Polícia foram prestados depoimentos pelo escrivão e o Delegado ao adentrar na sala leu os depoimentos e rasgou alegando que estavam errados, quando então sentou-se ao computador, digitou outros depoimentos os quais fez as testemunhas assinar, sem que tenham lido ou dito algo. No dia 17/04/2006, estive presente no Fórum sendo atendido por um assessor, pelo qual me relatou que o Promotor não se encontrava no Município desde o dia 05/04/2006, somente obtive uma reunião para mostrar meu material e relatar às denúncias no dia 24/04/2006. Posteriormente o mesmo Promotor não atendeu às minhas expectativas, não demonstrando muito interesse, repetindo o pouco caso das autoridades que deviam fiscalizar os abusos cometidos no Município de Portel.

15. Para o Presidente da OAB, o caso da adolescente vítima do estupro praticado pelo vereador "Bob Terra" é "emblemático". "Temos conhecimento de que qualquer pessoa que chegue ao município recebe a oferta de uma ‘diversão’ com meninas de 10 a 12 anos de idade." (Ophir Cavalcante, em "O Liberal", de 22/04/2006)

16. As constatações reveladas pelo Presidente da OAB do Pará e também pelas fortes denúncias do Bispo do Marajó podem ser realmente comprovadas, uma vez que se configura, além de envolvimentos de políticos locais em exercício de mandato, o envolvimento de taxistas e até mesmo pessoas do Hotel Marino, localizado na Avenida Augusto Montenegro, na orla fluvial da cidade, confronte à Praia de Arucará, onde fiquei hospedado, tendo como comprovar através de gravações.

17. Fator bastante preocupante é o tratamento que a Câmara Municipal de Portel vem dando ao caso, ou seja, não tomou nenhuma providência referente ao caso. Aliás desde que foi noticiado o ocorrido os vereadores recusam-se a reunir em sessões ordinárias.

18. Até o presente momento apenas a Vereadora Simone Moura da Silva se posicionou oficialmente pedindo manifestação por parte da Presidência e da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Portel.

19. Outro fator igualmente preocupante são as ofertas que vem sendo feitas a família da adolescente violentada, como bens para que esta "esqueça o caso".

20. De acordo com depoimentos comprovados um dos advogados do autor do crime, Sr. EVANDRO SOUZA CRUZ, conhecido como "Dr. EVANDRO", chegou a oferecer o valor de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), pelo "silêncio" da família, fato este que carece, no mínimo, de abertura de uma sindicância na esfera competente.

21. Conclui-se, portanto, que o procedimento e a conduta do Senhor ROBERTO ALAN DE SOUZA COSTA (Vereador "BOB TERRA") são totalmente incompatíveis com a função de vereador que o mesmo exerce na Câmara Municipal de Portel, recomendando-se o imediato afastamento do Sr. Bob Terra da função de vereador e instalação do competente processo de cassação, além da tomada de todas as providências necessárias como forma de puni-lo judicialmente pelo hediondo crime cometido.

22. Quaisquer informações a mais, disponho de provas, e coloco-me à inteira disposição de qualquer órgão, em qualquer instância, para oferecer elementos capazes de instruir os processos cabíveis.

23. Recomenda-se, por fim, que esta competente Comissão possa também designar um assessor jurídico (advogado) para dar acompanhamento a todo o processo como forma de prestar o devido auxílio à família da vítima (família carente) e evitar que abusos e descasos sejam praticados para que não se tenha mais um caso de impunidade no País. Gostaria de informar acerca da existência das Comunidades Quilombolas, no município de Portel, onde visitei três com as respectivas denominações; Comunidade Acuti Pereira, Comunidade Nossa Senhora do Carmo(Cipual) e Paraná dos Pretos. Pude constatar que existem dezenas de comunidades Quilombolas, encontrando dificuldades para legalização, devido a burocracia dos órgãos competentes(INCRA e INTERPA). Sugiro que possa ser feito um estudo de identificação para posteriormente buscar a regularização, visto que, essas comunidades já perderam a esperança.

É o Relatório. Ilha de Marajó, 26 de abril de 2006

AMARILDO GERALDO FORMENTINI

 Assessor da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal

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2- O segundo documento registra, em plena sessão da Alepa, em maio de 2006,  a postura do deputado Luiz Afonso Sefer de defesa do vereador de Portel, acusado da prática de crime sexual. Na oportunidade, a então deputada  Araceli Lemos (PSOL) repercutiu as barbáries ocorridas na Ilha do Marajó:


A presidente da Comissão de Direitos Humanos na Assembléia Legislativa, deputada Araceli Lemos (PSOL), anunciou na sessão ordinária desta quarta-feira, 10, que foi convidada a acompanhar o grupo que estará amanhã (11) no município de Portel, na Ilha do Marajó, para apurar as denúncias de existência de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes, que envolveria políticos e empresários da região. 

O grupo é formado por representantes da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Secretaria Nacional de Direitos Humanos e Ministério Público Federal. A denúncia de exploração sexual  infanto-juvenil em Portel foi feita pela TV Record, em matéria veiculada na última segunda-feira, dia 08. 

Antes disso, matéria do jornal O Liberal de 28 de abril passado denunciou o caso envolvendo o vereador de Portel, Roberto Alan de Souza Costa, o Bob Terra, acusado de ter estuprado uma menina de 13 anos de idade, no dia 5 de abril deste ano. O crime teria acontecido na casa de um outro vereador, Adson de Azevedo Mesquita. 

A denúncia consta em relatório da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, que pediu o imediato afastamento do vereador e abertura de processo de cassação contra ele. Bob Terra, sobre o qual pesa outras acusações de abuso sexual contra menores, está foragido do município. Antes disso, Bob Terra teria oferecido, por duas vezes, R$ 25 mil para a família da adolescente abafar o crime. O vereador já foi pronunciado pelo juiz Roberto Valois, da Comarca de Portel. 

Foi o bispo Dom Luiz Ascona, da Ilha do Marajó, quem levou a denúncia à Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que no dia 14 de abril enviou a Portel um assessor, Amarildo Formentini, para elaborar um relatório minucioso sobre o caso. Nos cinco dias em que ficou no município, Formentini ouviu testemunhas e coletou provas. 

Da tribuna da Alepa, Araceli Lemos alertou para a gravidade das denúncias sobre a exploração  sexual de crianças e adolescentes, que assola não apenas Portel, mas municípios como Altamira e outros daquela região, com o envolvimento de políticos locais. 

A parlamentar explicou que a ação conjunta da Câmara dos Deputados, Governo Federal, MPF e Assembléia Legislativa tem o propósito de buscar soluções para os problemas existentes em Portel. Araceli anunciou que fará um relatório sobre a situação no município, para que a Casa se manifeste sobre o caso. 

Na avaliação de Araceli Lemos, a pobreza e a falta de perspectiva de vida podem ser alguns dos fatores que empurram crianças e adolescentes para a prostituição. E, no caso de Portel, a parlamentar lamentou “o descaso” das autoridades locais ao problema. “Não é possível que uma denúncia em nível nacional choque apenas o Governo Federal. Lamentavelmente, nós não vimos nenhuma manifestação das nossas autoridades estaduais, quando isso é um problema do Estado do Pará”, disse ela.
 
Araceli Lemos alertou que o problema exige atenção “muito especial” diante do crescimento da rede de exploração de crianças e adolescentes no Pará. “Essa situação só existe por causa da situação socioeconômica da maioria das famílias, sobretudo na região do Marajó. E aí chegam os oportunistas e exploram as nossas crianças”, desabafou a deputada, que disse ter ficado também “indignada” com o comportamento da polícia, na matéria jornalística (veiculada pela TV Record), ao ignorar o aliciamento de menores no município. “Queremos punir os culpados envolvidos nesta rede”. 

Deputado Sefer defende vereador

O deputado Luiz Afonso Sefer, líder do PFL na Assembléia Legislativa, usou hoje (10) a tribuna da Casa, para defender a inocência do vereador Bob Terra, mas não sem enfatizar que é a favor de qualquer investigação que apure as denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes. Mas é preciso que isso seja feito “de forma serena, sem misturar o joio com o trigo”, disse o parlamentar. 

Para Sefer, Bob Terra está sendo vítima do momento político eleitoral. “É comum nesses momentos que o emocional tome conta e que se acabe cometendo injustiças, principalmente quando se tem o nome de uma autoridade no exercício de mandato”, argumentou, para arrematar: “Lá em Portel, o clima político é muito avivado. Então, qualquer coisa que qualquer pessoa cometa, de um grupo, é usado pelo outro grupo para conotação política”. 

O deputado alegou que Bob Terra namorava normalmente a adolescente e que a relação sexual entre eles era conseqüência desse namoro. “A moça foi levada a exame de conjunção carnal e foi visto que a perda de virgindade dela não era recente, já datava de muito tempo atrás”, apontou Sefer, para quem o problema reside no Código Penal, que, na opinião do parlamentar, precisa ser revisado. 

“Quantas mulheres de 17, de 16 anos, já têm vida sexual normal? Todo mundo sabe disso. Se algo está errado são as nossas convenções sociais, o nosso costume social”, disse Sefer. Ele assegurou que Bob Terra é uma “pessoa de bem”, de bom convívio social. “Se tem autoridades envolvidas (com exploração sexual ) em Portel ou em qualquer outro lugar do Estado, com certeza não se pode pegar o vereador Bob e jogar como uma pessoa deste saco, deste balaio”.


Fonte: Tiana Moraes - DRT/PA 1.575


Nota: os grifos são do poster.

domingo, dezembro 21, 2008

Na voz de Caetano

Araçá Azul é sonho, segredo.
Não é segredo
Araçá Azul fica sendo
O nome mais belo do medo

Com fé em Deus
Eu não vou morrer tão cedo


Presença de risco

Mino Carta, explicando as razões de sua ausência como um dos entrevistadores do presidente do STF, Gilmar Mendes:


- Não fomos convidados para o Roda Viva. Obviamente. O programa sofreu algumas modificações. Mudou o âncora e diminuiu o número de entrevistadores. Creio, porém, que submeter ao entrevistado os nomes dos escalados para interrogá-lo continue a ser de praxe. Excluo que Gilmar Mendes pudesse considerar aprazível a presença de um jornalista para representar CartaCapital. Mas também receio que a própria TV do governador Serra não se dispusesse a nos colocar na roda. Muito risco, não é mesmo? E para que corrê-lo?

Quanto pior, melhor

No poleiro, os "galos" do pedaço continuam querendo soltar titica pra cima da diplomacia:


O projeto de decreto legislativo que autoriza o ingresso da Venezuela no Mercosul vai atear fogo no Senado no início de 2009.

Na Câmara, a despeito de uma discreta oposição do PSDB, a proposta passou com a suavidade de uma votação simbólica. Deu-se na última quarta (18).

Entre os senadores, o governo terá de arregaçar as mangas. Sob pena de ser surpreendido.

A oposição já esboça a barricada. "Somos contra", diz José Agripino Maia (RN), líder do DEM. "Faremos o que for necessário para impedir".

"Não vemos razões -nem políticas nem econômicas- que justifiquem a admissão da Venezuela no Mercosul", ecoa Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB.

Aqui tem mais.

Sangue de gênio

O neto do Pixinguinha esteve no Jô Soares. E eu tive o prazer de assistir sua entrevista, jovem simpático, estudioso da obra do gênio multimúsico -, primeiro brasileiro a misturar clássico e popular. Dizem até que Jobim começou a ser o que foi, colado na obra do autor de Carinhoso.

Marcelo Vianna, além de já ter alguns CDs gravados, contou detalhes do belo e poético curta documental “Nós Somos um Poema”, da diretora Beth Formaggini em parceria com Sérgio Sbragia, que recupera através de depoimentos e imagens, a histórica parceria de Pixinguinha e Vinicius de Moraes para criação da trilha sonora do filme “Sol Sobre a Lama”, do diretor Alex Viany (1963).

Pequeno trecho do curta mostrado no programa do Jô é uma mostra do maravilhoso material recuperado, com participações de nomes de peso da música brasileira através de números musicais de Elza Soares, Diogo Nogueira e As Gatas, Jards Macalé, Mariana de Moraes, o próprio neto de Pinxinguinha, Marcelo Vianna e Céu interpretando canções da saudosa parceria - além de depoimentos inéditos de Betina Viany, Sérgio Cabral, Orlando Senna, Suzana de Moraes, Quarteto em Cy, Gessy Gesse, Ian Guest, entre outros.

Os CDs de Marcelo Vianna, já consegui localizá-los pela Internet, fazendo o pedido de todos. O documentário Nós Somos um Poema” (falha do Jô não ter dado nenhuma dica sobre onde assisti-lo), quem souber de seu paradeiro, favor deixar comentário aqui.

Pelos becos da Cidade Velha

Samoel foi a melhor pessoa que conheci. (Ele escrevia Samuel, mas assim como digo fica mais terno.) Conheci-o no Colégio Moderno, em Belém, onde estudei por cinco anos seguidos.

Aconteceram dessas coisas vulgares, inúteis de narrar, que nos separaram. Cada qual tomou seu rumo. Dele o que persistiu comigo foi aquela sensação  de bondade total, inteiriça, sem costuras. Bondade que só não chegava à monotonia  porque o sorriso de Samoel punha tudo uma doçura de amaciar pedras, de nos deixar parando acima de qualquer análise.

Ido, ele ficou sempre comigo. Companheiro de todas as horas, principalmente as de amarguras ou de intensas alegrias quando derrotávamos nossos adversários jogando pela seleção colegial.

Samoel era incapaz de ferir um colega com uma expressão minimamente dura.  Se lhe brotassem asas dos ombros  levemente curvos, levemente arredondados, como se a bondade pesasse  nele como um fardo, haveria – eu pensava,  às vezes – certo ridículo; os anjos não são deste mundo. Nenhuma surpresa, porém. Nem, o que era principal, qualquer quebra de bondade.

Tão capaz de querer bem, pareceu-me sempre que Samoel fosse incapaz de amar.

Explico: amar como nós outros, os sem iluminação nem massa angélica, amor com ganga carnal, perturbado na essência divina primitiva.

Podia-se imaginar Samoel suspirando, escrevendo soneto ou simplesmente esperando numa esquina, ramo de flores pendendo da mão, olhos no relógio esquecido de caminhar?

Samoel, no entanto, amou. Amou como nenhum de nós conseguiria amar.  Só que sua bondade tirou o gosto ao amor, não lhe deu a porção indispensável de pecado, de coisa terrena, humana e defeituosa, pitada de imperfeição necessária  à perfeição do amor.

Isso eu soube na tarde deste sábado, 20, através de um primo do querido personagem, casualmente encontrado no aeroporto de Marabá.

Contemos.

Um dia do ano 2000, sentado num barzinho da Praça do Carmo - a Cidade Velha era ponto de nossas andanças, de bar em bar, bastava sairmos  do Moderno -, Samoel se encontraria.  Não no sentido do cotidiano, pois ele jamais se perdeu de si, era inseparável dele mesmo, a bondade lhe dava uma segurança que estamos longe de sentir, nós mortais comuns.

Foi quando entrou Arlete. Capaz de invocar Samoel, bouliversá-lo,  hipnotizá-lo. Capaz de fazer dos céus se misturarem com a terra, o espírito de Deus voltando a se mover sobre a face das águas do Porto do Sal.

Achada naquele momento único, quando a ternura de Samoel  foi mais ternura, quando a bondade de Samoel  foi bondade mais que a sua própria bondade, a maior até então existente.

Um superar-se. 

Nessa ternura se banhou Arlete. Que passou, daí por diante, a banhar-se com sais perfumosos, a vestir-se nas lojas finas, a comer nos restaurantes de luxo. 

Nem nas boates a bondade de Samoel se ajeitava menos. Percorreu-as todas, puxado pelas mãos ávidas e insaciáveis de Arlete. 

Foi feito por Samoel, o circuito da futilidade elegante, e nem um minuto sua ternura se sentiu deslocada. Com o sorriso e as ocultas asas abria as portas mais difíceis. Liquidou com a lenda da porta estreita. Passou por todas. Perdoavam-lhe até que as transpusesse levando Arlete. 

Mas também o dinheiro das criaturas angelicais acaba. Acabou-se o de Samoel. 

Imediatamente, a lenda voltou a vigorar. Foram-se estreitando as portas, terminaram por fechar-se, às vezes em sua cara e com violência. 

Quando viu Samoel, terno como sempre, bondoso mais que nunca, de novo sentado ao meio-dia de sábado num botequim da Cidade Velha, Arlete retomou suas asas e voou, em companhia de Ivaldinho, que se brevetara havia pouco. 

As asas de Arlete, inútil esclarecer, eram de borboletas, embora ela pedisse, aos mais íntimos, em categoria de favor especial, que não a mencionasse como mariposa. 

Samoel passou a sofrer, sofreu com intensidade jamais experimentada por qualquer de nós, e nós a cada passo perdemos a nossa Arlete, nossas borboletas, nossos sonhos amados. 

O que Samoel não perdeu foi a bondade, foi a ternura. Sofreu fundo e desgraçado, mas com ternura, com bondade. Não perdeu também o sorriso. Deste, conforme o declarou às autoridades competentes, durante o inquérito, jamais se esqueceria  o garçom que lhe serviu o guaraná, ao qual adicionou violento tóxico, ganhando, em conseqüência, nos jornais do dia seguinte, o título de tresloucado. Esse sorriso haveria de perseguir  o garçom através das horas e dias e semanas e meses, até que também ele, em desespero de causa e privação de sentidos, embreou-se com Samoel na generosa distribuição de títulos nos jornais. (Disso, Samoel nunca soube. O fato seria capaz de lhe abalar a ternura e mesmo de lhe empanar o brilho manso do sorriso.) 

Depois de um longo tempo que para ele não houve, com tudo branco em redor, paredes, roupas, caras, Samoel se sentiu suspenso no ar. 

Olhando pelo rasgão dourado da janela, compreendeu. Lá fora, o Irmão Sol esplendia. Não o quente e abafado da Cidade Velha, mas o de uma primavera sem fim e nem começo. Era o reinicio do mundo, a promessa de outros encontros, de outras probabilidades e possibilidades de sorrir para a vida e para as primas-donas. 

Foi quando o anjo apareceu. Voava lá fora, fazia piruetas graciosas no ar, nada de loopings secos e  brutos, tudo em harmonia e ritmo. Não surpreendeu a Samoel  que aquele fosse exatamente como os dos quadros renascentistas e das estampas coloridas que o vigário lhe dava na infância.

Jamais os concebera de modo diverso. Viu-lhe mesmo no rosto aquela expressão mista de leve tristeza e luminosidade. 

Acompanhando, pela janela, as evoluções do anjo, Samoel não percebeu o par de asas que, sub-reptício, ia crescendo em suas próprias costas. Quando deu por si, estava branco, diáfano, difuso, tinha um rosto suavemente triste e violentamente luminoso. O corpo era mais leve que o ar, as mãos servindo de âncoras no rebordo da cama. 

Sua ternura e sua bondade mudaram de tom, desligaram-se da terra, do peso da terra, da sujidade da terra. Sorriu, e sorriu luz, o que em absoluto o espantou.

Sem saber que o esperava, esperava por isso. 

Caminhou então, deslizou ate a janela. Galgou, sem o mínimo esforço, a sacada. Sentia-se, sobre ela, como balão que se vai inflando de gás, prestes a largar no rumo do infinito.

Largou. 

Apesar  de todas as transformações, não pôde deixar de surpreender-se um pouco, o que o fez ficar parado no ar, como um helicóptero sem motor, domando leis físicas que então conheceu irreais e enganosas, em prejuízo dos compêndios lidos no ginásio. Entendeu enfim – e aí foi um novo-riquíssimo angélico. 

Samoel dançando no ar, em ritmos redondos e sutis, rabiscando rondós no espaço, desenhando geometrias inventadas na hora, de harmonia absoluta, mensuráveis por metros que não eram deste mundo. 

Seguro de si, experimentou várias direções, voltou ao ponto inicial, avançou, volveu, desceu, subiu. Manobrava com uma perícia  que lhe parecia adquirida antes dos séculos. Como que nascera apto para todos os movimentos, todas as tênues acrobacias.  

Tomou, levado por uma súbita inspiração, o rumo da Cidade Velha, saindo da Pedreiras, bairro de sua última morada. 

Antes, apreciou do alto o Ver-o-Peso, onde invariavelmente terminávamos a madrugada tomando caldo na baiúca de Dona Glória, sobrevoou o Porto do Sal e seus pecados, isento deles, puro lá em cima, enquanto o pó, o sangue, o suor e o esperma campeavam aqui em baixo. 

Medroso de ver tocada a fímbria de sua túnica pelos eflúvios que subiam do bairro, arrancou, célere, em direção às nuvens, aos astros, às constelações, ao céu que havia por trás das constelações, por trás do céu. 

De repente, no entanto, paralisado pelo pasmo e pelo terror, viu que alguma coisa – o quê? – não funcionava mais. Caiu, numa vertical não ortodoxa, direto sobre o negrume do asfalto.  Durante o trajeto, por indiscritivelmente rápido que este fosse, teve tempo de arrepender-se da bondade e da ternura e também renegar o sorriso, o velho companheiro de sempre. 

Em seguida, esborrachou-se, balofamente sólido, de encontro ao solo – massa sanguinolenta e ainda palpitante.

Por mera coincidência, passava, naquele momento, o último ônibus para a Cidade Velha.

 

          PS-  Minha homenagem à família e a todos os amigos que tiveram o privilégio de conviver com Samuel. Com atraso de oito anos, mas saudosa.