sexta-feira, julho 25, 2008

ônibus cubanos

Se demorar um pouco mais, a empresa Transbrasiliana completa cem anos monopolizando os transportes municipais e interestaduais do Pará. Uma pocilga de enésima categoria a desequilibrar a paciência de usuários desprotegidos.

Não existe um veículo dessa empresa a oferecer o mínimo de conforto, nem nas linhas urbanas e nem nas estradas.

Lixo que nenhum governante tem peito de colocar freio de arrumação.

Insosso e pra baixo

A indigência se prepara para retornar ou permanecer na Prefeitura de Santarém. Durante uma hora e meia, no debate na Rádio Rural, os três candidatos que compareceram disseram tanta coisa quanto a candidata que se ausentou: nada! É de meter medo a falta de idéias, de propostas, de alguma coisa nova.


O comentário crítico é do jornalista Manuel Dutra, a propósito do primeiro debate entre os candidatos a prefeito de Santarém, que não teve a participação de Maria do Carmo. E quem foi não disse o que deveria dizer ao eleitorado.

O quadro de Santarém, quanto ao nível de debates dos candidatos, deverá se repetir nas principais cidades paraenses. Em Marabá, até agora, não se encontra um traço sequer de entusiasmo do eleitorado.

Risco de explosão

Quando governadores, prefeitos, vereadores, deputados, juízes, promotores e empresários poderosos convivem pacificamente numa redoma de promiscuidade moral, quem corre sempre o risco de pegar lambadas é a população.

O jornalista acreano Altino Machado, diretamente de Rio Branco, nos mostra um desses exemplos.

Ondas na ribanceira

Na Secretaria Estadual de Transportes, está provocando um remelê dos diabos -, o pedido de exoneração do advogado Manoel Aroucha, que num curto período ocupou a secretaria-Adjunto e a diretoria de Planejamento da Setran. Há comentários dos mais variados tamanhos, cores e cheiros.

Bom lembrar que Aroucha deixou o cargo de Adjunto de Valdir Ganzer, antes de assumir o Planejamento, sob vai e vem de queixumes que o ligavam maldosamente aos processos licitatórios do órgão.

O que sairá agora da demissão definitiva do advogado?

Inferno de Dantas, começa agora

Mais de mil pessoas estão ocupando, desde a madrugada desta sexta-feira, a fazenda Maria Bonita, localizada no município de Xinguara, uma das 14 propriedades adquiridas por Daniel Dantas no Sul do Pará. A data escolhida para a invasão é simbólica: 25 de julho, Dia Nacional do Trabalhador Rural.

Maria Bonita foi comprada pelo Grupo Sata Bárbara ao fazendeiro Bené Mutran.

Esta é a primeira de uma série de outras invasões às propriedades de Daniel Dantas programadas pelo MST.

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atualização às 14:07:

A fazenda Maria Bonita fica localizada no município de Eldorado do Carajás, a 27 km de sua sede, às margens da Pa-150.

De volta, à tarde

O blog volta a ser atualizado a partir das 16 horas.

quarta-feira, julho 23, 2008

Cores difusas no ar

Na PA-150, entre Sapucaia e Xinguara, imensa área de pasto incendiado por cigarro jogado de algum veículo de passagem deixou um rastro de fogo na lateral da estrada.

O céu não ficou cinzento nem escuro.

Abriu-se um leque de cores sobrepostas alaranjadas como se fosse a saia do dia se apresentando silenciosa sem a frieza da manhã.

Passava de 17 horas.

Abafado clima asfixiante confundia atentos observadores ao som de ruídos de rastilhos do fogo correndo o capim.

Barracos de palha foram apressadamente desocupados, restando, atada, uma solitária rede puída pelo tempo. E uma bibicleta, quase escondida.

Em épocas de fogo, até homem brabo foge das labaredas.

Qual dos três?

Ao denunciar suspeita de superfaturamento na obra do Fórum de Marabá, inaugurado em 5 de novembro de 2004, o advogado Erivaldo Santis , da diretoria da subseção de Marabá da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em entrevista à Clube AM (matéria também no Diário do Pará), disse que o dono da empresa Engetel Engenharia Ltda, vencedora da licitação e construtora de um prédio em risco de desmoronamento, “é filho de um desembargador aposentado, que na época da licitação da obra, coincidentemente, era presidente do Tribunal de Justiça do Estado”.

O advogado pecou por não citar o nome da autoridade, deixando no ar a suspeita de tratar-se de um dos três desembargadores: José Alberto Soares Maia - presidente do TJE no período de 1999/2001; Climenié Bernadette de Araújo Pontes (2001/2003); ou Maria de Nazaré Brabo de Souza (2003/2005), levando em consideração a data de inauguração do Fórum e o prazo legal de publicação do edital licitatório.

Conforme denunciado tempos atrás aqui no blog, o fórum vive em constante processo de reforma, consumindo mais de R$ 3 milhões na construção e subseqüentes quebra-constrói.

A subseção de Marabá da OAB está encaminhando pedido de providências ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Seria interessante, agora, se pelo menos dois dos três desembargadores viessem a público dizer que não tem nada a ver com o barraco armado.

Na ilharga de Dantas

Repórter Henrique Batista, de O Globo, desembarcou em Marabá com um mapa à mão rastreando as pegadas de Daniel Dantas pelo Sul do Pará.

Durante uma hora, Henrique conversou com o poster em busca de informações.

O repórter quer encontrar novidades além das já conhecidas de Daniel no Pará. E vai encontrar.

terça-feira, julho 22, 2008

Estagiários de Direito

Continuam abertas, até 11 de agosto, as inscrições para o processo seletivo de estagiários de Direito, da Procuradoria da República (PRM) em Marabá. A bolsa-auxílio é de R$ 700, para uma carga de quatro horas diárias.

Podem concorrer estudantes matriculados no curso de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA) que estejam cursando, no mínimo, o quinto período ou terceiro ano. As inscrições serão realizadas de segunda a sexta-feira, das 12 às 18 horas, no prédio da PRM Marabá (rua Antônio Chaves, 861, bairro Novo Horizonte).

É preciso entregar cópia da carteira de identidade acompanhada da apresentação do original ou cópia autenticada, declaração emitida pela instituição de ensino informando que o aluno está regularmente matriculado no curso, indicando o ano ou o semestre que está cursando, ou procuração e cópia do documento de identidade, no caso de inscrição por terceiros.

Na inscrição, o candidato também deverá entregar um quilo de leite em pó integral (pacote ou lata), que será encaminhado para entidades filantrópicas do município. Os candidatos que não tiverem condições de arcar com tal ônus poderão ser dispensados da exigência, desde que em requerimento específico justifiquem tal situação.

A prova será realizada em 17 de agosto, das 9 às 12 horas, em local e horário a serem previamente divulgados no site da Procuradoria da República no Pará (www.prpa.mpf.gov.br) e no mural existente na sede da PRM Marabá.

O edital do processo seletivo, com o conteúdo programático, está na seção Concursos do site ou pelos telefones (94) 3324-1077/1028.

Fonte: Assessoria de Imprensa PGR

Aqui ou acolá

O governo do Estado gostaria muito de anunciar a siderúrgica da Vale em Marabá.

A mineradora encaixaria legal a visita do presidente Lula ao Pará, inaugurando a terceira etapa de alumínio da Alcoa, em Barcarena.

Hoje, entre Belém, Marabá e Barcarena, há fortes indícios de que Lula pouse mesmo em Barcarena, dia 12 de agosto. Com essa decisão, além de ativar a expansão do empreendimento de alumínio e anunciar o pacote de boas novas para o Estado, evitaria tensões políticas em Belém e Marabá, onde existem candidatos a prefeito da base aliada do governo federal.

segunda-feira, julho 21, 2008

100.000 abraços!

O blogger festeja o acesso 100.000 usando este comentário do amigo Juvêncio de Arruda:

- Puxa...fui o visitante 100.002! Parabéns, camarada. Bela marca. Abs

Agora é só agradecer a todos. Principalmente ao Juvêncio, com quem tenho aprendido muito a percorrer esse caminho maravilhoso da blogosfera.

A estrada segue.....

Mandante na cadeia

Repercutindo o Manifesto de Manuel Dutra, jornalista de Santarém, a propósito do atentado à casa da família de Jeso Carneiro:



Não deixar esfriar. O mandante Já!

Mandar botar fogo na casa de um jornalista é um crime que extrapola a sua segurança pessoal e a de sua família! Estes merecem imediata proteção do Estado - da Polícia e da Justiça. E do Legislativo também.

Mas a questão é mais profunda: atentar, na escuridão da noite, contra quem quem age às claras, pois o papel do jornalista é agir às claras, é atentar contra todos nós, contra toda a sociedade, é atentar contra a Democracia que a tanto custo procuramos construir neste País.

O atentado à casa e à família do Jeso atinge a todos nós jornalistas. Se agora nos omitimos, se calamos, amanhã a vítima poderá ser qualquer um de nós que vivemos de produzir notícias, boas e más, como bons e maus são os procedimentos das pessoas, dos políticos, do homem e da mulher comum, das autoridades.

Por isso é que esse episódio não pode esfriar. E não cabe só ao Jeso procurar a solução. Somos todos nós, jornalistas e todos os cidadãos os responsáveis, por pressionar por uma solução imediata. Nesta segunda-feira tudo deve ser feito: acompanhar de perto a investigação policial, procurar e instigar uma ação firme do Ministério Público, exigir um pronunciamento da Câmara de Vereadores e da Assembléia dos Deputados, mesmo em férias, a fim de pressionar a máquina estatal a encontrar, já, o mandante desse crime que não é o primeiro. É Preciso envolver a governadora do Estado para que, do alto de sua autoridade, determine imediatas e eficazes ações para trazer a público o nome desse ou desses inimigos públicos que, se hoje tentam destruir um jornalista e a sua família, amanhã poderão fazer muito mais, do muito que, provavelmente, já fizeram contra a ordem pública e contra o bem público, inimigos que são da convivência democrática.

Ao mesmo tempo, é hora, e já passou da hora, de todos os jornalistas de Santarém e do Pará inteiro se unirem, a despeito de suas eventuais diferenças político-partidárias, e denunciarem essa selvageria e exigirem a investigação completa até chegar à cara do mandante ou mandantes. Cada jornalista que se calar ou será conivente ou estará criando a possibilidade de também virar vítima amanhã.

Embora não tenha mandato por eleição, o jornalista é uma pessoa pública pela natureza de seu trabalho. Atentar contra um desses profissionais é atentar contra todos e ferir a liberdade de expressão. Se alguém não gosta das coisas que o Jeso ou qualquer outro jornalista escrevem, que vá se queixar na Justiça. Fazer diferente, merece a repulsa geral.

Por isso, sugiro aos colegas jornalistas de Santarém que não deixem a peteca cair: comecem hoje a coletar assinaturas de colegas e de todas as pessoas de bem de Santarém, a fim de remeter essas assinaturas de repúdio e pedido de sérias providências à governadora, aos presidente dos tribunais, aos parlamentares locais e estaduais, aos órgãos de imprensa nacionais. A ação deve envolver o Sindicato dos Radialistas, o Sindicato dos Jornalistas do Pará, a OAB, as igrejas, os demais sindicatos, associações empresariais e populares, os dois cursos de Jornalismo de Santarém, as Universidades, Ongs, enfim, todos os grupos da sociedade civil organizada no sentido de botar na rua a cara de quem fez e de quem mandou tocar fogo na casa do jornalista.

EU GOSTARIA QUE ESTE MEU MANIFESTO SAÍSSE DAS PÁGINAS DO BLOG DO JESO PARA OUTROS BLOGS, PARA AS REDAÇÕES DE TODOS OS JORNAIS DE SANTARÉM E DE BELÉM, PARA AS RÁDIOS, PARA AS TELEVISÕES, QUE FOSSEM FEITAS CÓPIAS E DISTRIBUÍDAS NAS RUAS, NAS FEIRAS, NOS MERCADOS, NAS IGREJAS. SUGIRO QUE, NO PRÓXIMO FIM DE SEMANA, ESTAS FORÇAS SOCIAIS PROMOVAM UMA CONCENTRAÇÃO EM LOCAL PÚBLICO, PARA FINALIZAR O DOCUMENTO CONTRA ESTE CRIME E CONTRA A CORRUPÇÃO DE MODO GERAL, COLETANDO ASSINATURAS PELAS RUAS DA CIDADE. Assim, demontraremos, todos, que não mais aceitamos o mandonismo daqueles que querem continuar impunes, traindo a confiança do povo.
Façamos um cruzada contra o crime e a corrupção. O MANDANTE, JÁ!

Ass: Jornalista Manuel Dutra

Dia 12, em Belém

Sem pé nem cabeça rumores de que o governo poderia transferir de Belém para Marabá, o local onde o presidente Lula, governadora Ana Júlia e Roger Agnelli, anunciarão a siderúrgica da Vale.

Será mesmo em Belém, dia 12 de agosto.

Atentado contra Jeso é inaceitável

O blogger lamenta e condena com todo vigor o atentado contra o jornalista Jeso Carneiro, que teve parte de sua residencia e de sua família incendiada por integrantes de grupo criminoso certamente a mando de algum político mocorongo. É alarmante o estado de descontrole a que chegou a criminalidade em nosso país e chocante que ela atinja, de forma terrorista, um profissional da imprensa que trabalha, com destemor e determinação, exatamente com o objetivo de denunciá-la.

Este poster presta sua inteira solidariedade a Jeso e seus familiares. Ao mesmo tempo, exige das autoridades imediata apuração do bárbaro atentado, identificação dos culpados e seu encaminhamento à Justiça.

Todo atentado contra a vida humana é revoltante e deplorável. Mais ainda quando se busca, por meio dele, atingir a liberdade de expressão dos meios de comunicação, o livre exercício de seus profissionais de informarem à sociedade e o direito desta de ser informada. O covarde crime contra o blogueiro mocorongo atinge a todos os cidadãos de bem, em favor de quem ele trabalha procurando informar com imparcialidade e denunciando os desmandos praticados pelos políticos corruptos de plantão.

Os orgãos de segurança pública, MP e o Judiciário tem o dever de apurar, à exaustão, esse fato que só enlameia a imagem cada vez mais chamuscada do Estado do Pará, descobrindo autores e mandantes do atentado.

O blogger acompanhará com especial rigor a apuração do caso, na convicção de que, em benefício da sociedade e da liberdade de informação, é imprescindível seu completo e rápido esclarecimento.

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atualização às 13:00


Lunfa-lunfa
Está no site do Jeso:

O blog detectou movimentação no processo n° 200510022673, em tramitação na 8ª Vara Civel de Santarém.

A peça jurídica, uma ação civil de improbidade administrativa, da lavra do MP (Ministério Público) do Pará, via promotor público Raimundo Nonato Brasil, não é uma qualquer. É VIP.
Tem como réus o ex-prefeito e atual candidato a prefeito pelo DEM, Lira Maia, e o ex-secretário municipal João Clóvis Lisboa (Finanças). Os dois são acusados de causar prejuízo aos cofres públicos de Santarém por aplicação de cerca de R$ 2 milhões do extinto IPMS (Instituto de Previdência do Município de Santarém) no Banco Santos.

A ação foi acatada pela Justiça. Os dois acusados foram notificados a apresentar defesa.

Para quem não sabe, Lira Maia é aquele um quem pediu à Justiça que proibisse o Jeso Carneiro de citá-lo em seu site, diante do turbilhão de denúncias que pesam contra ele.

Uma semana depois de outra instância do Judiciário ter restabelecido o direito do jornalista exercer com soberania a liberdade de expressao no mesmo site, atearam fogo à casa de Jeso.

Estrita coincidência?

Morte consorciada

A Polícia acredita na existência de um "consórcio do crime" atuando em Marabá. O tal modus operandi dos executores é idêntico e as vítimas são bandidos de pior espécie.

domingo, julho 20, 2008

Parsondas, jornalista do mundo

Há uma polêmica entre críticos e historiadores maranhenses sobre o verdadeiro autor do clássico "O sertão: subsídios para a história e a geografia do Brasil". Para alguns, quem escreveu a obra foi Parsondas de Carvalho, enquanto outros a atribuem a irmã do poeta, Carlota Carvalho, que em duas edições se apresenta como autora.

Eu acabo de ler o livro "Parsondas de Carvalho: um novo olhar sobre O sertão", escrito pelo advogado e membro da Academia Maranhense de Letras, Sálvio Dino, que de passagem por Marabá, durante o mês de junho, deixou um exemplar com dedicatória amável de próprio punho.

Nascido em Grajaú, Sálvio Dino conhece o sertão maranhense como poucos. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, protagonizou inesquecíveis júris em cidades do Maranhão.

Em longo período, eu tive o prazer de conviver pessoalmente com ele em Imperatriz, ocasião em que o mesmo ocupava uma cadeira na Assembléia Legislativa, e, posteriormente, elegeu-se prefeito de João Lisboa, distante 12 km de Imperatriz.

Foi ele quem liderou a luta pela demarcação de limites entre Pará e Maranhão.

Além do que acaba de lançar, Sálvio publicou vários outros livros: Clarindo Santiago; Luzia: quase uma lenda de amor; Nas Barrancas do Tocantins; O Perfil Histórico do Rio Tocantins; Onde é Pará, onde é Maranhão?; Semeando Manhãs; Trilogia da emoção e Verde; Sertões e Vidas.

Depois de 20 anos pesquisando a vida de Parsondas de Carvalho – extraordinário jornalista que teve vida atuante também em Marabá e Belém -, Sálvio Dino trabalha no livro uma narrativa sobre as viagens a vários estados por onde o protagonista passou.

Em Belém, Parsondas foi redator do Correio Paraense, trabalhando em seguida com Rui Barbosa, no Jornal do Brasil, quando se mudou para o Rio de Janeiro.

Sálvio Dino esclarece – e deixa isso bem claro em Parsondas de Carvalho: um novo olhar sobre O sertão -, que o objetivo da obra não é tirar dúvidas de décadas sobre quem de fato escreveu O sertão. Ele nos remete a ricas informações resultantes de pesquisas aprofundadas em fontes documentais e orais, sobre a vida de Parsondas: o nascimento em Riachão, a infância e juventude, a morte, passando pela viagem a cavalo ao Rio de Janeiro, com o fim de denunciar os desmandos do governo do estado, e o processo a que teve de responder por suposto desacato a autoridades, que de qualquer modo eram reconhecidamente arbitrárias e corruptas.
Ao final da obra, é possível atribuir a Parsondas de Carvalho a verdadeira autoria de Sertão: subsídios para a história e a geografia do Brasil . Sálvio Dino, com extrema competência, comprova, em diversos trechos, um autor masculino, não feminino, e observa a impossibilidade, digamos cultural, de Carlota o ter escrito. A motivação do verdadeiro autor, ao dar o crédito da obra à irmã, estaria em relação incestuosa entre eles, de mais difícil comprovação, embora haja relatos disso na tradição oral da região.
Autêntico sertanejo, Sálvio Dino tem um estilo delicioso de escritor andado, consciente de sua missão cultural. Parsondas de Carvalho: um novo olhar sobre O sertão é mais uma contribuição que ele deixa para as novas ( e antigas) gerações entenderem a dimensão desse país multifacetado e terrivelmente cheio de contrastes.

Dois prá lá, dois prá cá.

Cresci ouvindo Trio Los Panchos - "Tanto tiempo dusfrutamos de este amor ..."(Sabor a Mi) -, e minha mãe cantando “La Malagueña”.

Tenho ainda boas lembranças de tias dançando bolero na casa de meus avós. Cheguei a pensar em praticar aulas de dança.

Achava encantador casais rodopiando no salão ao som da música que nos aquece o corpo e nos desperta os sentidos. Deixar-se enlaçar à cintura de alguém, o corpo em leve movimento na insustentável leveza do ser, encostar peito ao peito, sentir o cheiro de cabelos, o calor da nuca ...

Em passos sincronizados, deslizar pelo tablado dos sonhos, como se mais ninguém existisse, como se o mundo se resumisse a um casal.

Com os corpos em simbiose, sair pela janela aberta, dançar no espaço sem fim em movimento uno e perpétuo num singular desejo de estar juntos para todo o sempre!