quinta-feira, outubro 18, 2007

Slow motion

A agenda "externa" pesada dos últimos dias tem tirado o poster do disciplinado compromisso de atualização do blog. Até sexta-feira será assim. Nesta quinta, as postagens serão a conta-gotas.
Desculpas sinceras.

quarta-feira, outubro 17, 2007

CVRD repudia MST

Assessoria de imprensa da Companhia Vale do Rio Doce liberou nota a respeito da ocupação da Estrada de Ferro carajás pelo MST.

"A Companhia Vale do Rio Doce informa que:
1) A Estrada de Ferro Carajás foi invadida, na manhã de hoje, por um grupo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Cerca de 200 pessoas ocuparam as margens dos trilhos da ferrovia na altura dos distritos Vila dos Palmares I e II, no município de Parauapebas (PA).
2) O último trem a passar na ferrovia, por volta das 10h45, foi apedrejado pelos manifestantes, levando a CVRD a suspender a circulação na EFC, a fim de garantir a integridade física dos passageiros e de seus empregados.
3) Há dez dias, a CVRD informou à Justiça Federal de 1a instância a ameaça de invasão. No dia 8, a Justiça concedeu uma liminar de interdito proibitório, proibindo qualquer ato atentatório contra a EFC e estabelecendo multa diária no valor individual de R$ 100 reais. O juiz Arthur Pinheiro Chaves autorizou, ainda, requisição de reforço policial para a execução da ordem, oficiando a Polícia Federal e a Polícia Militar para que dessem auxílio ao aparato da Polícia Judiciária Federal para o cumprimento da diligência.
4) No dia 15, a intimação da Justiça Federal foi entregue aos responsáveis pelo movimento.
5) Além disso, a CVRD alertou sobre a ameaça de invasão todas as autoridades estaduais e federais.
6) A EFC transporta diariamente cerca de 1.300 passageiros e é responsável pela distribuição do combustível que abastece as cidades do Sudeste do Pará.
7) A CVRD está comunicando a invasão à Justiça Federal para que sejam tomadas as medidas judiciais cabíveis, inclusive quanto à mobilização de força policial, para retirada dos manifestantes. A CVRD espera que as autoridades tomem, o mais rapidamente possível, as providências necessárias para pôr fim à invasão e destaca sua perplexidade por ser alvo de manifestantes que apresentam reivindicações que não têm qualquer vínculo com a Companhia, como a “defesa da reforma agrária e protesto contra o imperalismo”.
8) A CVRD repudia, com veemência, qualquer ato de violência que ameace o funcionamento de suas operações, causando, inclusive, prejuízos financeiros para o país, com a interrupção de exportações, além de comprometer a imagem das empresas brasileiras diante de clientes de todo o mundo."

A guerra é aqui

O clima aqui em Parauapebas está tenso. Os donos de lojas comerciais não fecharam suas portas como se chegou a anunciar, mas funcionam sob estado de apreensão diante dos boatos de que o MST iria promover quebradeira na cidade. Os rumores maiores, desde o inicio da semana, davam conta de que a agencia local do Bradesco seria depredada pelos manifestantes durante marchas realizadas nas vias publicas.
O deslocamento, hoje cedo, de grande parte da militância do MST para o local onde a Estrada de Ferro Carajás foi ocupada amenizou mais o ar. A harmonia normal da cidade, no entanto, vai demorar a ser restabelecida, caso se prolongue a programação da jornada de luta pela reforma agrária oficializada pelos líderes dos sem-terra.

Confronto inevitável

Próximo ao “cenário de batalha”, o blog registrou milhares de pessoas assentadas nos trilhos da estrada de ferro. Cálculos pessimistas feitos por um oficial da PM que se encontrava à paisana no local indicam em torno de três mil manifestantes, entre adultos e crianças, de ambos os sexos, falando a mesma linguagem de críticas aos governos federal e estadual e de insultos à Companhia Vale do Rio Doce.
A ira do MST lançada contra a mineradora nunca tinha antes atingido tons tão elevados. Escolhida como alvo principal das palavras de ordem, a agencia do Bradesco simboliza, na visão do movimento, a maioria acionária da instituição dentro da atual estrutura administrativa da CVRD.
Até às 11h35, quando o blogger deixou o local, não havia entre os ocupantes dos trilhos nenhuma expectativa quanto o tempo de permanência na ferrovia. A coordenação do MST aguarda respostas dos governos federal e estadual quanto às reivindicações envolvendo a definição da regularização de algumas fazendas invadidas.
A Vale do Rio Doce também não se pronunciara. Rumores aqui em Parauapebas dão conta de que um contingente do Exército estaria saindo de Marabá com destino ao local interditado, com a missão de desobstruir a ferrovia, um patrimônio da União. Nada disso, no entanto, tem caráter oficial.

Ingovernável

- Este incidente prova que a presença do Estado na região Amazônica é débil e não consegue sequer garantir direitos constitucionais básicos, como a segurança e a locomoção das pessoas. Sem governança, a floresta Amazônica continua vulnerável à destruição.

A declaração que está correndo o mundo é de Marcelo Marquesini, coordenador da expedição do Greenpeace que foi cercada dentro da sede do Ibama por madeireiros, em Castelo do Sonho, município de Itaituba.

Brincadeira tem hora

Um mês atrás o blog expôs a movimentação do Movimento do Atingidos por Barragem (MAB) voltada para ocupar o canteiro de obras das eclusas de Tucuruí. O Exército reagiu, cinco dias depois, desmentindo em nota a existência de indícios do movimento radical mesmo diante da mobilização de militares em torno da Barragem.
Ontem, agora sob a sensata liderança de Euvanice Furtado, 300 integrantes do MAB ocuparam as obras reivindicando uma pauta mais do que justa. O nó da questão é o valor sem-vergonha de apenas R$ 8 mil que a Eletronorte se dispõe a pagar a cada família inserida no espaço a ser alagado pelo canal do elevador fluvial, que exigia até bem pouco tempo R$ 30 mil mas agora briga por R$ 60.
Em sua relação com os alagados do entorno de Tucuruí, ao longo dos anos a Eletronorte sempre levou a melhor usando a tática do cansaço. Sabe que cada morador da área é pobre, portanto, sem fôlego suficiente para digladiar com o tempo -, porque os efeitos no organismo da miséria matam a resistência dos pacientes.
A história se repete. As pobres famílias aguardam há dias respostas da empresa estatal que faz ouvidos de mercador. Provoca. E o resultado está aí.

Descaso com vidas

A ocupação de ontem foi pacífica, com uma simpática sinalização de que os manifestantes só querem mesmo ser atendidos em suas humildes reivindicações.
Quem conhece a cultura do povo ribeirinho entende perfeitamente o quanto lhe tira o prazer de viver a possibilidade do mesmo passar a morar em terras sem ‘cheiro de água’. A Eletronorte tenta matar duas vezes os moradores do “Poeirão” – bairrro da Matinha: de banzo e de fome.
A ridícula proposta indenizatória de R$ 8 mil por família é uma dessas ações revoltantes de governo a indignar corações. Inda mais se pegarmos a própria Eletronorte como exemplo vivo de órgão irrigador de polpudas verbas para a classe política formar seu caixa 2. A soma de uma justa indenização às trezentas famílias do corredor das eclusas representa, certamente, ficha de moeda dada numa esquina ao primeiro cego passante.

Voz da experiência

Simples como dois mais dois são quatro. A resposta de Jader Barbalho a Mauro Bonna, defendendo o plebiscito para a criação dos Estados do Carajás e Tapajós:
“Isso vai permitir um amplo debate envolvendo a população. Essa é uma longa caminhada e que não será decidida pelos políticos ou lideranças, mas pelo povo do Pará”.

Cuspindo na cara

Dia seguinte à publicação de matérias sobre a ameaça do Ministério Público ir à Justiça contra a construção de uma usina movida a carvão mineral, em Bacarena, por considerar o empreendimento danoso ao meio ambiente, o presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, concedeu entrevista em Nova York dizendo que a mineradora estuda a construção de fábricas de alumínio no exterior “para contornar as dificuldades que tem encontrado no Brasil para o fornecimento de energia”.
Isso é tática do capital selvagem para colocar o MP na parede?
Se não for, mais uma prova de que a mineradora está pouco se lixando para os efeitos positivos que ela poderia deixar no país - particularmente no Pará -, em contra-partida aos altos lucros obtidos nos últimos anos explorando as riquezas do subsolo nacional.
O lixo industrial pode. A exclusão pode.

terça-feira, outubro 16, 2007

Depois das 17:00

O blog e comentários serão atualizados nesta terça-feira,16, somente a partir das 17 horas. Compromissos pelo Sul do Pará tiram o poster do ar por um dia.

segunda-feira, outubro 15, 2007

O grito do MST

O MST não descansa enquanto não arranjar uma encrenca das mais pançudas. Depois da ameaça de arrancar os trilhos da Estrada de Ferro Carajás, a entidade planeja fazer muito barulho durante o chamado Encontro das Famílias Acampadas e Assentadas da Reforma Agrária, programada de 15 a 19 de outubro, na Vila Palmares Norte, para o qual espera aglutinar milhares de sem-terras.
Entre dezenas de reivindicações, o movimento exige a instituição de consórcio mineral de áreas de garimpo na região; controle pela sociedade organizada dos recursos naturais;
mudança no relacionamento do Governo do Estado com a CVRD; suspensão definitiva, por parte da Vale do Rio Doce, de minério granulado às usinas de ferro-gusa localizadas no corredor de Carajás; e reestatização da Vale do Rio Doce. O MST oficializa também ser contra a criação do Distrito Florestal de Carajás.
Em nota enviada ao blog, a entidade anuncia caminhada de sua militância pela Pa-275, saindo de Vila palmares até Parauapebas, onde realizará ato público.

A Justiça lá...

O Ministério Público do Maranhão denunciou e a Justiça do município de Buriti realiza, nesta quarta-feira (17), o julgamento de Pedro Royer, Gabriel Introvini, Nelson Antonio Burin e Raimundo Agostinho Pressi, Jorge Nelson Pressi e Isadora Hermann, proprietários de terras na região denunciados como autores de crime ambiental. Talvez seja o primeiro julgamento do gênero no país.
Produtores de soja e de carvão em larga escala, segundo o juiz João Pereira Neto, "os acusados ignoraram a proibição da derrubada de pequizeiros e aroeiras observada na licença para desmatamento das áreas para uso alternativo concedida pelo Ibama. Eles teriam utilizado 'correntões' – sistema que utiliza dois tratores unidos por corrente e derruba tudo o que encontrar pela frente. Não escapa nada”, enfatiza o magistrado.
"Na audiência será feita possível transação penal ou suspensão condicional do processo visando aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multa, desde que haja prévia composição dos danos ambientais, exigência da lei."
Além de cortarem aroeiras e piquizeiros, "os acusados transformaram a madeira em carvão, o que configura duplo crime ambiental sem direito a audiência de transação penal. O crime é punível com reclusão de um a dois anos e multa para o corte e transformação de madeira de lei para fins industriais, energéticos ou qualquer exploração econômica ou não."

... E cá.

Enquanto no Maranhão a Justiça comprova o ar de sua graça, no Pará os grandes grupos produtores e compradores de carvão vegetal caçoam das autoridades destruindo matas nativas compostas de jatobá, ipê, amarelão, guajará, maçaranduba e outras madeiras seculares.
Como pano de fundo, a sociedade ainda assiste ao Sindicato das Indústrias de Ferro-Gusa (Sindiferpa) saudar a destruição através de filmetes exibidos nas TVs em nome de um desenvolvimento social que só existe no cenário fantasioso pintado pela “indústria suja”. O rastro de destruição, os vídeos escondem.
A esperança continua sendo os promotores públicos comprometidos com o futuro de nossos jovens. São eles, em última trincheira, quem podem evitar a ampliação do campo de ação dessa criminosa atividade.

Na mira

A disposição do deputado João Salame (PPS) é usar, sem cerimônia, o poder do parlamento para ajudar o Ministério Público a apurar a fundo as denuncias de corrupção formuladas contra o Tribunal de Contas dos Municípios. Esta semana o parlamentar marabaense manterá contatos nesse sentido.

“Papai” Lobão

Principais “lideranças” dos garimpeiros de Serra Pelada fazendo figa para o senador Edison Lobão, recentemente filiado ao PMDB, assumir o Ministério das Minas e Energia, conforme espera e luta para que isso aconteça, o senador José Sarney. Vai ser uma festa (a safadeza maior ainda) para aqueles que usam a miséria do garimpo como forma de ganhar dinheiro fácil, o maranhense no ministério.
Lobão é chamado de “Pai dos Garimpeiros” de Serra Pelada.