Tantas praias a povoá-lo, transformam o rio Araguaia no santuário mais procurado por turistas durante o verão. Do alto, dá pra ver as densas manchas claras de areia seguidamente pontuadas sobre o leito das águas formando colossal arquitetura divina criminosamente descuidada pelo homem.sábado, junho 07, 2008
Do alto, o belo e o feio
Tantas praias a povoá-lo, transformam o rio Araguaia no santuário mais procurado por turistas durante o verão. Do alto, dá pra ver as densas manchas claras de areia seguidamente pontuadas sobre o leito das águas formando colossal arquitetura divina criminosamente descuidada pelo homem.Mexe-mexe
Há reuniões de variados quilates marcadas para o longo do dia. Conversas de bastidores entre os pré-candidatos a prefeito.
Apenas isto. Nada se decidirá até o último minuto do jogo, antes das convenções.
Fato novo
Em Parauapebas, fatos indicavam que a disputa pela prefeitura seria polarizada entre as candidaturas de Darci Lermen (PT) e Bel Mesquita (PMDB), com esta apoiada por uma forte coligação.
Pode não ser mais.
O empresário Valmir “da Integral” (PTB), pessoa respeitada na cidade pela dimensão honesta de seus negócios que empregam cerca de 1.500 pessoas, decidiu mesmo oferecer seu nome à análise do eleitorado. Está tão inclinado a este propósito que já montou diversas equipes para o planejamento da campanha.
O decidido posicionamento de Valmir muda todo o processo eleitoral, encorajando, de cara, o desejo de Darci lutar por mais quatro anos de mandato, já que as oposições divididas hipoteticamente o beneficiam.
Até a semana retrasada, havia fortes indícios de que Bel Mesquita receberia o apoio do empresário e do pastor Fenelon Alves Sobrinhos (PSC), pastor-comandante da Assembléia de Deus, e influente liderança local.
O fato, por si, merece aplausos. Além de decisão corajosa, a pré-candidatura de Valmir da Integral, se confirmada, permitirá ao eleitorado de Parauapebas visualizar outra opção de escolha.
Esquerda bovina
sexta-feira, junho 06, 2008
Todos pelo Altino
Nadando contra a correnteza dos rios amazônidas, a excelentíssima autoridade expeliu fel ao pedir à Justiça o indiciamento do competente profissional a partir de uma foto postado mostrando a poluição de um rio do Acre. O ranço da ditadura e o peso da força da lei contra a liberdade de expressão.
Infelizmente, ainda se produzem promotores com perfil conservador, exatamente num momento em que a maioria dos MPs valorizam a atuação da imprensa como aliada preferencial na luta pela consolidação do Estado de Direito e respeito à preservação do Meio Ambiente.
Contra o golpe
Segundo a AEBA, várias das emendas pretendidas na Reforma Tributária contribuirão para racionalizar a enorme pilha de normas atualmente desconectadas, em especial o ICMS, as quais levam à guerra fiscal entre os estados. Outro ponto positivo é o tratamento às empresas de menor porte, que ganharão ainda mais destaque, com benefícios robustos a esse segmento que é o que mais emprega na economia. O problema é a redução do percentual destinado ao FNO e sua retirada das mãos do Banco da Amazônia, que possivelmente sofrerá um esvaziamento.
Tribo do Sol
Chave de fenda
Constrangimento
Desastre ecológico!
Qual delas?
Detalhe: as três últimas pesquisas foram realizadas por institutos sérios de Belém.
Sem compadrio
Coluna do Diário
2- O PT quer Maurino Magalhães (PR) na chapa de Bernadete Caten (PT) e Maurino Magalhães sonha em ter Bernadete em sua chapa. Como só tem vaga para um cabeça de chapa, conversas de surdos se multiplicam. Agora foi em Belém.
3- João Salame (PPS) e o vice-prefeito Ítalo Ipojucan (PDT) tantaram se “acertar”em longo bate-papo na tarde de ontem.
4- O gangster Celso Lopes, ex-prefeito de Tucumã, enviou advogado a Belém na desesperada tentativa de abrir brechas jurídicas para registrar futura candidatura a prefeito do município. O caraíba é todo torto.
5- Enquanto persistirem a quase inexistente presença de policiais nas cidades de pequeno porte, os assaltos a bancos continuarão a todo vapor.
quinta-feira, junho 05, 2008
De volta, amanhã
terça-feira, junho 03, 2008
Siderurgia definida
Na surdina, técnicos da Vale trabalham em Marabá coletando dados para a elaboração da sugestão de planta industrial a ser configurada.
O local, ratifica o blog, será às margens da rodovia Transamazônica, próximo aos limites com Itupiranga.
Vamos conferir depois?
Cultura Underground
Em determinado momento, extrapolou a irritação de Demétrius ao deixar claro que se ele não indicar o candidato a vice na chapa de Maurino Magalhães (PR), seus veículos de comunicação passarão a fazer campanha ostensiva contra os caciques tucanos. O ex- governador Simão Jatene, senador Flexa Ribeiro, deputados José Megale e Suleima Pegado se entreolharam, pasmos com o que ouviam. Quem pode sofrer maiores conseqüências é o próprio Maurino Magalhães, no olho do furacão.
JPC ‘surta’ de novo
Outra vez, o prefeito de Redenção, João Paulo, alcunhado de JPC (PMDB), abriu a estrebaria de sua formação.
O dia seguinte às agressões do gabiru contra os organizadores da Exposição Agropecuária do município foi recheado de mais insultos. O prefeito deixou a cidade em polvorosa.
Em outubro, bem aí pertinho, o povo terá excelente oportunidade de encerrar a carreira política do troglodita. Basta querer.
Nome ideal
Verde na praia
Plantio da FZM contou com o apoio da Sagri e Unimed Sul do Pará.
Boca grande
Jeso, onde 'tá tu', hôme?
http://www.jesocarneiro.com.br/ . Esse endereço o poster não tem conseguido acessar para ler notícias de nossa querida e linda região Oeste.
Quem disse que blog não faz falta? O do Jeso, principalmente, está fazendo.
O que houve com a URL de nosso mais acessado blog paraense?
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atualização às 14:48:
O Juvêncio de Arruda indica o novo caminho para se ler o Jeso.
segunda-feira, junho 02, 2008
Licenciamento sob risco
Segundo a recomendação, foi apurado no procedimento administrativo do Projeto UTE Vale, que as atividades de implantação e operação implicarão em riscos e danos de elevado custo para o meio ambiente e para a sociedade. O Ministério Público chegou a essa conclusão após análise das informações e dados, e principalmente, as omissões do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresentados como requisitos para licenciamento ambiental.
Os promotores de justiça consideram que não foram apresentados todas as informações, dados, conhecimentos e esclarecimentos necessários e suficientes à sociedade e aos cidadãos interessados no debate e avaliação de viabilidade ambiental do projeto. Isso ficou comprovado pelas profundas deficiências dos estudos apresentados, tanto nos aspectos relativos ao diagnóstico e às alternativas, quanto na análise e integração dos riscos ao meio ambiente natural e social. Também não ficou claro a identificação e tratamentos dos impactos e medidas compensatórias, destacadas por profissionais do Imazon e do Ministério Público, e expostas nas sete audiências públicas realizadas nos municípios de Abaetetuba, Barcarena, Acará, Moju, Marituba, Ananindeua e Belém.
Vôo tucano
1- Simão Jatene, Mário Couto, Flexa Ribeiro, Wandenkolk Gonçalves, Suleima Pegado e José Megale reuniram com o PSDB na sede da Loja Maçônica, com participação de outros políticos de demais partidos.
2- Oficialmente, o partido anunciou que deverá lançar o empresário Demétrius Ribeiro candidato a prefeito. Debaixo dos panos, até a data da convenção, a opção de verdade será de apoio a dobradinha Maurino Magalhães (PR)/Ítalo Ipojucan (PDT), atual vice-prefeito de Marabá.
3- Representando outros partidos, estiveram na reunião o prefeito Sebastião Miranda (PTB), e deputados Asdrúbal Bentes (PMDB) e João Salame (PPS).
4- Sebastião Miranda e Asdrubal Bentes chegaram juntos à Maçonaria e demoraram pouco. Saíram os dois, também juntos. Quem estava no local afirma que o prefeito de Marabá refugou no momento em que foi chamado para integrar a mesa, deixando transparecer seu incômodo. Ao discursar, falou pouco mais de dois minutos e foi embora.
5- O tititi do dia é que o emoresário Demétrius Ribeiro estaria inconformado com rumores dando conta de que o candidato à vice de Maurino Magalhães seria Ítalo Ipojucan, e não ele. A saída da cúpula tucana foi anunciar candidatura própria. Até o dia da convenção.
6- Amanha, a coluna do poster no Diário do Pará tem mais detalhes.
Penalizando inocentes
Pior é que agora as crianças sofrerão as conseqüências de atos falhos de prefeitos e secretários municipais, caso se confirme o corte dos recursos aos núcleos penalizados.
Ih, sujou!
domingo, junho 01, 2008
Pirados noturnos
Como noturno sempre foi meu forte, lá estava eu, ao lado de Valvilson Santos, Bentinho e Divino, sentados numa mesa bem ao fundo, na penumbra, ouvindo João tocar no palco. Os quatro integravam o ‘conjunto’ “Os Brasas Seis” (o termo banda veio predominar muitos anos depois), cada qual originário de um Estado: Pernambuco, Minas e Goiás.
João era um baixista quase à perfeição. Igual à ele, vi poucos. Até hoje. Baixista e exímio violinista.
Na hora de “pegar” uma música nova, tínhamos sempre de tê-lo ao lado, com sua sensibilidade para a busca da nota musical que se encaixasse melhor na harmonia.
Quando João morreu, pescando, entranhado numa tarrafa no Lago de Tucuruí, praticando o lazer que mais gostava, depois da música, o sonho acabou. “Os Brasas” e o “Pingüim” esvoaçaram -, como nuvem passageira de verão.
Voltando ao que eu ia contar.
Ao fundo, contritos, ouvíamos João tocando João Gilberto. “Chega de saudade, a realidade é que sem ela não há paz...” De repente, encosta ao meu lado um sujeito vestido de preto: sapatos, calça, camisa e um chapéu panamá, também preto. A boca próximo ao meu ouvido:
- Sou contra a muitas coisas que a sociedade acha normais.
- Como assim?, pergunto, sem entender nada.
- Isto aqui é um inferno. Fumaça, bebida, som alto, prefiro uma caverna confortável. Se tiver janelas para o oceano, melhor ainda.
Não podia mais curtir a bela voz de João. O sujeito enigmático, sem emitir qualquer bafo de bebida alcoólica ou sintoma de drogas, agora estava ao meu lado puxando pelo ombro e soltando a língua.
- O cheiro de fumo misturado a álcool causa-me asco. Como é que vocês suportam isso?
Cercado por um estranho cujo nome nunca soube, tentei pedir socorro aos colegas da mesa, falando baixinho para Valvilson.
- A “mala” aqui, como faço para me livrar dela?
- Pelo amor de Deus, suporte a dor, o rapaz freqüenta aqui há uma semana gastando muita grana. Parece que ele veio do além, mas o que importa é a bufunfa que está deixando.
A observação de Valvilson me pôs a tergiversar. A partir dali, a tudo que o sujeito de preto falava, simplesmente eu balançava afirmativamente a tudo que dizia. Mesmo expressando alguma opinião, não me entenderia.
- Tem muita mulher aqui, mas todas acompanhadas. Isto aqui parece uma ilha com muitos, mas para poucos.
- Questão de oportunidade, parceiro. Mulher tem que estar disponível -, tentei filosofar com minha visão de pensador chinfrim.
- Qual nada, qual nada! Faz dias procuro alguma que me dispense um olhar, um segundo de atenção, mas ninguém se dispõe a isso.
- Não vá querer encontrar aqui sua cara-metade. O lance é de fugacidade. Uma aventura fugaz pode dar mais resultado. Tentei consertar, ao mesmo tempo em que pedia ao Divino que me chamasse no palco para antecipar minha canja. Não dava pra aturar o pentelho.
- Por isso lhe digo. Se eu morasse numa caverna, resolveria isso rapidamente. Bastaria um tacape e pronto. Esse negócio de ter arte pra conquistar, não e comigo....
Não dava pra não deixar de rir do cara, insistentemente a tocar no meu braço:
- Você também não acha?
- Acho. Claro que acho.
- Pois, então, tenho ou não tenho razão?
- Ôôô...
Não lembro como me desvencilhei do camarada, naquela noite fortuita. O lance ficou marcado. Sempre recordo da figura quando o assunto é mesa de bar, do romantismo necessário em torno de quem gosta de noite.
Gilvan Barreto, meu singelo e saudoso amigo morando atualmente em Imperatriz, costumava dizer, com altíssima dosagem de filosofia 51:
- A noite é para quem respira pelo coração e bebe almas de sentimentos em todo copo emborcado.
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...
Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Desvairados
Que querem ser o outro
Que pensam que o outro
É o paraíso...
Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Romântico
É uma espécie em extinção!
Romântico
É uma espécie em extinção!
Românticos são poucos
Românticos são loucos
Como eu!
Românticos são loucos
Românticos são poucos
Como eu! Como eu!
"Antes do cuspe secar"
A obra, em verdade, é um poema-canção no estilo dramático, estruturado em forma de diálogo. O compositor estabelece a possibilidade de visualização e exploração cênica das imagens criadas. Tudo isto com a finalidade de narrar um episódio da vida cotidiana de um simples trabalhador de uma propriedade rural. Este homem do campo é o narrador da história.
Estórias vividas por Luiz Gonzaga, Zé Dantas, Patativa de Assaré, Humberto Teixeira e tantos outros bravos nordestinos sobreviventes da seca esturricada.
O enredo adota um certo desafio: Capitão Barbino, dono da fazenda, pede ao seu empregado, Lula, que vá buscar a parteira. Ele obedece e volta trazendo Samarica que vai realizar o parto de D. Juvita e trazer ao mundo o primeiro filho do Capitão.
Relativamente fácil de cumprir, a tarefa apresenta, no entanto, uma situação de urgência, na qual vinham implícitos dois prazos: D. Juvita, mulher do Capitão, estava com "dô de menino" e ele "cuspiu no chão", ordenando a volta de Lula, trazendo Samarica Parteira, "antes do cuspe secá".
A música é ritmada, do inicio ao final, misturando sons corriqueiros do sertanejo como a carreira do animal nos diversos solos da terra pobre, ruído de água, latidos de animais e o linguajar característico – sempre enriquecido pelos versos recitados e o solo intermitente da sanfona no estio forró pé-de-serra.
Uma canção carregada de onomatopéia, um costume da fala, portanto, um recurso sintonizado com a oralidade para dar ênfase ao que está sendo dito e possibilitar uma visualização do conteúdo do signo.
O nome da criança definido por Capitão Barbino ("Bastião") é a forma reduzida de Sebastião. Influência forte da religiosidade do sertanejo.
Juntamente com "Triste Partida"(Patativa de Assaré), a música de Zé Dantas é uma obra-prima da discografia nordestina.
Luiz Gonzaga comprova todo seu talento artístico ao teatralizar o texto.
Dificilmente surgirá como ele, tão cedo, alguém do Nordeste, com criatividade e estilo diversificado.
Oi sertão!
- Ooi!
- Sertão d' Capitão Barbino! Sertão dos caba valente...
- Tá falando com ele!...
- ...e dos caba frouxo também.
-...já num tô dento.
- Há, há, há... [risos]
- sertão das mulhé bonita...
– ôoopa
- ...e dos caba fei' também ha, ha
- ...há, há, há... [risos]
- Lula!
- Pronto patrão.
- Monte na bestinha melada e risque. Vá ligeiro buscar Samarica parteira que Juvita já tá com dô de menino.
Ah, menino! Quando eu já ia riscando, Capitão Barbino ainda deu a última instrução:
- Olha, Lula, vou cuspi no chão, hein?! Tu tem que vortá antes do cuspe secá!
Foi a maior carreira que eu dei na minha vida. A eguinha tava miada.
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri piriri
uma cancela: nheeeiim ... pá...
Piriri piriri piriri piriri piriri piriri
outra cancela: nheeeiim... pá!
(.....)
Um rancho, rancho de pobe...
- Au au!
Cachorro de pobe, cachorro de pobe late fino...
- Tá me estranhan'o cruvina?
Era cruvina mermo. Balançô o rabo.
(.....)
- Samarica, ooooh, Samarica parteeeeira!
Qual o quê, aquelas hora no sertão, meu fi', só responde s'a gente dê o prefixo:
- Louvado seja nosso senhor J'us Cristo!
- Para sempre seja Deus louvado.
- Samarica, é Lula... Capitão Barbino mandou vê a senhora que Dona Juvita já tá com dô de menino.
- Essas hora, Lula?
- Nesse instante, Capitão Barbino cuspiu no chão, eu tem que vortá antes do cuspe secá.
(.....)
- Vamos s'imbora Samarica que eu tô avexado!
- Vamo fazê um negócio Lula? Meu cavalin' é mago, sua eguinha é gorda, eu vou na frente.
- Que é que há Samarica, prá gente num chegá hoje? Já viu cavalo andar na frente de égua, Samarica? Vamo s'imbora que eu tô avexado!!
Piriri tic tic piriri tic tic piriri tic tic
nheeeiim... pá!
Piriri tic tic piriri tic tic
bluu oi oi bluu oi, uu, uu
(.....)
- Uu uu.
- Tá me estranhando, Nero? Capitão Barbino, Samarica chegou.
- Samarica chegou!!
Samarica sartou do cavalo véi embaixo, cumprimentou o Capitão, entrou prá camarinha, vestiu o vestido verde e amerelo, padrão nacioná, amarrou a cabeça c'um pano e foi dando as instrução:
- Acende um incenso. Boa noite, D. Juvita.
- Ai, Samarica, que dô !
- É assim mermo, minha fi'a, aproveite a dô. Chama as muié dessa casa, p'a rezá a oração de São Reimundo, que esse cristão vem ao mundo nesse instante. B'a noite, cumade Tota.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Gerolina.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Toinha.
- B'a noite, Samarica.
- B'a noite, cumade Zefa.
- B'a noite, Samarica.
- Vosmecês sabe a oração de São Reimundo?
- Nós sabe.
- Ah Sabe, né? Pois vão rezando aí, já viu??
[vozes rezando]
- Capitão Barbiiino! Capitão Barbino tem fumo de Arapiraca? Me dê uma capinha pr' ela mastigar. Pegue D. Juvita, mastigue essa capinha de fumo e não se incomode. É do bom! Aguenta nas oração, muié! [vozes rezando] Mastiga o fumo, D. Juvita... Capitão Barbino, tem cibola do Cabrobró?
- Ai Samarica! Cebola não, que eu espirro.
- Pois é prá espirrar mesmo minha fi'a, ajuda.
- Ui.
- Aproveite a dor, minha fi'a. Aguenta nas oração, muié. [vozes rezando] Mastigue o fumo D. Juvita.
- Capitão Barbiiino, bote uma faca fria na ponta do dedão do pé dela, bote. Mastigue o fumo, D. Juvita. Aguenta nas oração, muié. [vozes rezando alto].
- Ai Samarica, se eu soubesse que era assim, eu num tinha casado com o diabo desse véi macho.
- Pois é assim merm' minha fi'a, vosmecê casou com o vein' pensando que ela num era de nada? Agora cumpra seu dever, minha fi'a. Desde que o mundo é muundo, que a muié tem que passar por esse pedacinh'. Ai, que saudade! Aguenta nas oração, muié! [vozes rezando alto].Mastigue o fumo, D. Juvita.
- Ai, que dô!
- Aproveite a dô, minha fi'a. Dê uma garrafa pr' ela soprá, dê. Ô, muié, hein? Essa é a oração de S. Reimundo, mermo?
- É..é [muitas vozes].
- Vosmecês num sabe outra oração?
- Nós num sabe... [muitas vozes].
- Uma oração mais forte que essa, vocês num têm?
- Tem não, tem não, essa é boa [muitas vozes]
- Pois deixe comigo, deixe comigo, eu vou rezar uma oração aqui, que se ele num nascer, ele num tá nem cum diabo de num nascer: "Sant' Antoin pequenino, mansadô de burro brabo, fazei nascer esse menino, com mil e seiscentos diabo!"
[choro de criança]
- Nasceu e é menino homem!
- E é macho!
- Ah, se é menino homem, olha se é? Venha vê os documento dele! E essa voz!
Capitão Barbino foi lá detrás da porta, pegou o bacamarte que tava guardado a mais de 8 dia, chegou no terreiro, destambocou no oco do mundo, deu um tiro tão danado, que lascou o cano. Samarica dixe:
- Lascou, Capitão?
- Lascou, Samarica. É mas em redor de 7 légua, não tem fi' duma égua que num tenha escutado. Prepare aí a meladinha, ah, prepare a meladinha, que o nome do menino...
... É Bastião.
A Aurora
E-mails de amigos e um comentário do advogado Ronaldo Barata me induzem à nova abordagem do CD “Poetas em Nova York”, lançado em 1986 e remasterizado há cinco anos. O disco faz homenagem aos 50 anos da execução de Frederico Garcia Lorca, fuzilado durante a Guerra Civil Espanhola, reunindo 14 artistas da música internacional, entre eles Chico Buarque e Raimundo Fagner, com versos do poeta musicalizados.
No disco tem gente do quilate do canadense Leonard Cohen, que grava "Take this Waltz", baseado no poema "Little Vien-nese Waltz".
Grandioso na Espanha, Llouis Llach, interpreta "Els Negres", em catalão.
Victor Manuel diz "Nascimento em Cristo" em castelhano - mesmo idioma que Pepe e Paco de Lucia marcam "Asesinato" e Patxi Andion a belíssima "Ode a Walt Whitman" - poeta que merecia a admiração de Lorca.
E tem muito mais gente.
O CD não é de fácil acesso. Como já registrei domingo passado, a CBS brasileira lançou a obra sem fazer investimento em sua divulgação. Pode ser compartilhada na Net (e-Mule) ou adquirido numa loja de sebo.
Chico Buarque e Fagner gravaram "A Aurora".
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atualização às 12h:
Capa do CD "Poetas em Nova York"
