quinta-feira, julho 16, 2009

"Que é isso?" "Um câncer".

Walter Rodrigues, jornalista e um dos blogueiros mais lidos do Maranhão, presta sua homenagem a Juvêncio de Arruda:

Morreu meu amigo Juca
Acabo de saber da morte do meu amigo Juvêncio Arruda Câmara, o Juca, aos 54 anos, em Belém do Pará.
Muitos se lembram dele em São Luís. Em meados do ano passado estava aqui, integrando uma equipe de consultores da campanha de Flávio Dino, que ele insistia em chamar de “doutor Flávio”. Acabou não ficando para a campanha propriamente dita, mas tivemos ótimos papos sobre o assunto.
Foi num desses que ele me ensinou que as pesquisas qualitativas encomendadas pelo candidato pouco lhe serviriam, podendo até prejudicá-lo. Justamente.
Conheci o Juca há mais de 30 anos, porém só ficamos realmente amigos, acho, nos últimos, depois que ele se tornou blogueiro e estudioso de marketing eleitoral e publicidade (era formado em Economia e estava para concluir Ciência Política). Foi aí que começamos a dialogar mais amiúde, quase sempre por telefone. Em Belém era uma espécie de papa dos blogueiros e até já respondia a processo por suas irreverências no http://quintaemenda.blogspot.com/2009/07/lucio-flavio-tem-razao.htmlsobre determinada família local, decadente na reputação e ascendente nas páginas policiais.
Sua última mensagem no blogue, já doente, foi uma frase de apoio ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, vítima de mais uma maldade da justiça paraense. Depois dela veio o convite da família para o enterro.
Estava preocupado com a ameaça de condenação. Veterano de processos, ofereci-lhe uns toques. De em vez quando dávamos gargalhadas, imaginando defesas assim: “Eu não quis dizer que o senhor é corrupto; quis dizer que é ladrão, mesmo, além de vigarista e papa-anjo”. Uma das que ele inventou era ótima, mas não dá para reproduzir aqui.
Juca fazia em geral o bonachão hipertolerante, mas também era dado a cóleras tão súbitas quanto pouco duradouras. Apreciava a inteligência com uma rara imparcialidade, pouco lhe importando se o objeto de sua admiração era da direita ou da esquerda, do governo ou da oposição, “bom” ou “mau”. Às vezes parecia mais interessado em impressionar do que em convencer. Outro de seus prazeres era descobrir botecos suspeitos onde se come melhor que em qualquer paraíso da gastronomia mundial, versão que ele sustentava com grande entusiasmo.
Seu bom-humor quase invariável tornava repousante conversar com ele, ainda mais que possuía talvez a voz masculina mais bonita que já conheci, grave e aveludada. Não uma voz de cantar, mas de enunciar e recitar. Ou de fazer o locutor em programas políticos, como aconteceu mais de uma vez desde que foi descoberto pelos marqueteiros. (Quase ninguém notava que era um pouquinho gago).
Muito bonito de rosto também, a voz combinando com os olhos expressivos e a barba sedosa, desde cedo deixou crescer o barrigão com uma displicência quase insolente. Parecia às vezes destituído de qualquer vaidade física, salvo se fosse justamente essa a vaidade dele.
Numa de nossas últimas conversas, na praia de São Marcos, São Luís, usava uma camiseta sem manga que lhe deixava à mostra no braço uma espécie de verruga ou sinal imenso, feio, uma formação folhosa e peluda.
Que é isso? Um câncer, respondeu, antes de explicar na maior calma do mundo que ia ter de fazer uma cirurgia. Cânceres de pele geralmente não matam, concordamos. Mas faz logo essa cirurgia, etc, etc. E para de fumar. Esse papo. No final da semana passada me disseram que estava internado com câncer no rim, com risco de morte. Liguei e passei emeio, sem resposta.
Depois veio a sequência de más notícias. É grave. É gravíssimo. Está cego ou quase cego, aparentemente com metástese cerebral. Está morto. O enterro é amanhã à tarde no velho cemitério de Santa Isabel, onde também repousa meu pai.
Que pena, meu caro Juca.

terça-feira, julho 14, 2009

Considerações sobre Adeus

São 16h45.

Começo a escrever qualquer coisa. Assim, sem compromisso pra escrever nada.

Nesta terça-feira, 14 de julho, eu quero tomar um porre. Um grande porre.

Nem vou esperar chegar à noite, momento sublime para as viradas de copos.

Porque tenho pressa, medos, angústias, algo perturbador a inquietar minha alma carregada de choro.

Sempre me assusta a possibilidade de perder um filho, a mulher, os pais. Peço sempre que eu seja o primeiro, entre orações que faço e a crença de que nascemos para ser enterrados.

Jamais, nunca assistir ao velório de filho ou filha.

Como disse, escrever qualquer coisa sem a preocupação de textualizar nada.

Quero ficar bêbado neste final de tarde, sentir um porre que quis sentir diversas vezes, mas nunca cheguei lá.

Particularmente, já tive medo da morte. Hoje, não tenho mais.

Mas fico triste, acabrunhado, quando perco um amigo. Ou pessoa de minha família que me seja grata.

De Mário Quintana, uma frase sobre a morte, agradavelmente simpática:

- "Morrer, que me importa? (...) O diabo é deixar de viver."

A vida é tão boa! Pra que deixá-la, assim, sem quê nem pra que?

Historinha contada por um jovem casal amigo, ao ser acordado pela filhinha de cinco anos, pegando no rosto do pai ainda sonolento:

- "Papai, quando você morrer, você vai sentir saudades?"

Sem saber o que responder diante da pergunta inesperada da filha ao meio de pesado sono, o amigo nem teve tempo pra pensar. A resposta veio na ponta da língua da menina:

- "Não chore, que eu vou te abraçar..."

Na mais plausível explicação freudiana, a filhinha do amigo sabia que a morte é onde mora a saudade.

Diante desse papo, o que alivia a escuridão da morte é saber que a literatura tem o poder de ressuscitar os mortos.

Aprendi com Albert Schweitzer que a reverência pela vida é o supremo princípio ético do amor.

E essa vida, qual seu significado? De um ser humano, mais precisamente? Quem e o que a define? O coração que continua a bater num corpo aparentemente morto? Ou serão os ziguezagues nos vídeos dos monitores, que indicam a presença de ondas cerebrais?

Confesso que, na minha experiência de ser humano, nunca me encontrei com a vida sob a forma de batidas de coração ou ondas cerebrais. A vida humana não se define biologicamente. Permanecemos humanos enquanto existe em nós a esperança da beleza e da alegria. Morta a possibilidade de sentir alegria ou gozar a beleza, o corpo se transforma numa casca de cigarra vazia.

Intrigante a mim é saber se dores acompanham a morte.

É apavorante, a imagem de permanência num leito de hospital cercado de aparelhos e tubos corpo à dentro, sem que eu nada possa fazer, porque já nem dono de mim sou.

Não quero morrer num leito de hospital.

Tenho pavor de que essa passagem seja demorada.

Bom seria, depois de anunciada, a bichinha surgisse rápida, mansa.

Sem dores, longe dos hospitais, em meio às pessoas que se ama, e a visões de beleza.

Há dores que fazem sentido, como as dores do parto: uma vida nova nascendo.

Mas há dores que não fazem sentido nenhum.

Meu velho e querido avô materno Tufy, com quem praticamente vivi minha adolescência em Belém, na Generalíssimo Deodoro, morreu assim, sofrendo dor inútil num hospital.

Qual foi o seu ganho humano? Nenhum!

Dizem as escrituras sagradas: "Para tudo há o seu tempo. Há tempo para nascer e tempo para morrer".

Dizem também que a morte e a vida não são contrárias. São irmãs.

Mas deveria haver uma especialidade para que se cuidasse, com ludicidade, dos que estão morrendo.

Cuidar da vida que se prepara para partir, sem dor, sem traumas, sem delongas.

Mansa, e longe de UTIs, cercado dos poucos amigos que se têm.

Já disse a parentes que meu canto último de despedida seja permeado pela voz de Milton Nascimento.

Eu quero que seja assim, um último porre de canção, antes da despedida final.

“Caçador de Mim” resume o que são almas irrequietas e teimosamente sonhadoras buscando salvar o mundo.

Ao Juca, um brinde, pra sempre à nossa amizade.

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu caçador de mim

Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito à força numa procura
Fugir as armadilhas na mata escura

Longe se vai
Sonhando demais
Mas aonde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu caçador de mim

segunda-feira, julho 13, 2009

Juvêncio, nossa saudade

Passava das 14 horas quando Juvêncio de Arruda perdia a luta contra o câncer. Por cerca de vinte dias, ele se esforçou para encarar a enfermidade de frente, com a esperança de que pelo menos uma sobrevida lhe permitisse ficar mais tempo entre nós. A doença, no entanto, atacando-lhe em vários órgãos, foi mais forte.

Juvêncio era formado em Economia, publicitário e com especialidade em Ciência Política.

Nos últimos anos, dedicou-se à edição do blog Quinta Emenda, transformando-o num dos mais lidos do Estado.

A morte de Juvêncio foi confirmada agora há pouco pelo amigo Orly Bezerra, que estava acompanhando de perto a doença de Arruda, sempre com a precupação de repassar aos demais amigos a evolução de seu estado de saúde.

Aos 54 anos de idade, Juvencio de Arruda deixa uma marca inquestionável de competência e seriedade.

Tomara, sim, agora ele tenha paz eterna.

Nossa saudade.

domingo, julho 12, 2009

Pra cruzar o rio

Concluída montagem de sua infraestrutura próximo a beira do rio, a Egesa dará inicio a retomada das obras da ponte sobre o Araguaia, ligando os municípios de Palestina (PA) e Araguatins (TO). Com parte dos pilares implantados há mais de dez anos, quando teve os serviços paralisados, a ponte permitirá a ligação dos dois estados por via rodoviária.

Nas fotos, o acampamento da construtora montado em território tocantinense....

...E os pilares existentes em grande parte do rio. Do outro lado, o Pará.

Parauapebas na rota de Dilma

Assessores de Dilma Roussef se esforçam para incluir uma esticada a Parauaebas da ministra Chefe da Casa Civil. Ela tem essa dívida com o prefeito Darci Lermen (PT) desde março passado, quando recebeu o primeiro convite para inaugirar o prédio da prefeitura local.

Por duas vezes, a ministra prometeu que ia mas os fato atropelaram as intençoes.

Agora, confirmada a presença dela em Marabá, durante mês de agosto, para sacramentar com a Vale data de início das obras da siderúrgica Aço Laminados do Pará (Alpa), o gabinete da Casa Civil analisa cuidadosamente sua agenda administrativa com as obrigaçoes do tratamento contra o câncer para abrir um pequeno espaço na programação do Pará capaz de colocar a ministra em Parauaebas.

Para quem não sabe, Dilma tem carinho especial por Darci Lermen. E muita confiança.

Pelo que o blog apurou na tarde de sexta-feira, a Casa Civil da Presidência da República aguarda apenas confirmação da conclusão plena das obras do prédio da Prefeitura de Parauapebas, para bater o martelo.

Viveiro de tucanos

Simão Jatene gostou de botar as alpercatas na estrada. Em menos de cinco dias, ele percorreu seis municípios do Sudeste, fazendo base em Marabá.

Na mesa, eleição de 2010.

Interlocutores do ex-governador garantem registro de receptividade bem acima da esperada.

Sempre que teve a oportunidade de ouvir do distinto público tucanês pesadas críticas endereçadas ao senador Mário Couto, pacientemente, Jatene fez questão de ouvi-las.

Sem fazer qualquer esforço para despistar o mal-estar

Tapiocouto apanhou que nem cangalha de burro estropiado, pelos cinco municípios por onde passou Jatene.

Sem zumbidos

Reunião a portas fechadas numa sala contígua ao auditório do Parque de Exposição Agropecuária de Marabá serviu para distender espíritos e conciliar pontos de uma vasta pauta sempre colocada em segundo plano pelo governo do Estado na sua relação com os pecuaristas do Sul do Pará.

Quando terminou a reunião, de dentro da sala saíram bem humorados, representantes do Sindicato dos Produtores Rurais e a governadora Ana Júlia, festivamente saudada por uma plateia de fazendeiros e empresários que o aguardavam no auditório.

Os maiores produtores de gado do Pará não têm nenhuma dúvida: sem a presença de Ana Júlia nas mesas de negociações com o MPF– e o uso de muita pressão política -, ainda hoje a questão da comercialização da carne bovina paraense estaria encalacrada. E eles, criadores, perdendo muita grana.

E bota grana nisso, pai, ó!

Detalhe: Ana se reconciliou com os fazendeiros, mas não perdeu o embalo. Exigirá o cumprimento de todos os compromissos acordados com o MPF, sem abrir mão, um dedo sequer, da obrigação da sociedade excluir o Pará do “Arco Verde”, selo de gente maltrapilha a maltratar a Amazônia.