Esse Nelson Jobim sabe o que quer. Tem comando. Voz. E não recua quando o momento é de avançar. Avança com força. Acabo de ler no blog do Josias de Sousa a seguinte afirmativa dele, feita na tarde deste sábado, a respeito do lançamento, pelo governo, do livro “Direito à Memória e à Verdade”:
“Não há mais nenhum problema. Os militares compreenderam claramente que esse é o processo democrático. O governo federal, ao ter lançado o livro, determinou o início do encerramento de um processo histórico brasileiro. Não se pode pretender ocultar a memória. Não há nada mais teimoso que o fato. E não se ocultam fatos."
Josias revela ainda que Jobim quase demitiu o comandante e o alto comando do Exercito, por conta de insatisfações na caserna resultantes do conteúdo do livro.
O ainda presidente do Senado comprova a cada denúncia que é o aprendiz de fascínora mais talentoso da politica atual brasileira. A última de Renan Calheiros envolve esquemão montado na Funasa para arrecadar recursos, conforme a revista Época. Os verdugos planejavam a montagem de uma TV exclusiva para a Funasa realizar treinamento de médicos a distância por videoconferência e à produção de programas educativos para tribos indígenas. Fatura da malandragem? R$ 71,4 milhões !
Sério. Insuportável. Desagregador. Improdutivo. Deprimente. Adjetivos marginais e denominações outras de pocilga -, se forem usadas, é pouco para ilustrar o clima na 11a Regional de Proteção Social, com sede em Marabá. Não existe mais nenhum tipo de relacionamento do diretor geral, Ademir Viana, com os diretores indicados pelo PT, Eva Abreu e Demerval Silva. Pra chegar na sentina, não falta mais nada. A fedentina é generalizada.
Entre acreditar ou ficar na dúvida, aconselhavel mesmo é manter os dois pés atrás. Assim deve ser o comportamento dos transamazônicos moradores do trecho da BR-230 que sai de Marabá até Altamira ressabiados com a festa promovida pelo deputado Zé Geraldo em Medicilândia, anunciando o início das obras de pavimentaçào da rodovia. Esses moços de governos já fizeram esse tipo de pirotecnia tantas vezes que nos deixam numa situaçao de achar tudo não passar de mais uma mentirinha. Por estas plagas, obras iniciadas e logo depois suspensas -, são uma constância.
Em reunião esta semana, o diretório do Partido dos Trabalhadores decidiu que Luiz Carlos Pies (PT Pra Valer), esposo da deputada Bernadete Caten, e Ademir Martins (DS) serão os pré-candidatos a buscar indicação oficial para a disputa da prefeitura de Marabá. Com maioria de quase 70% de convencionais com direito a voto, Luiz Carlos tem largas chances de ser o escolhido, caso Ana Julia não se decida pelo seu amigo Ademir e mude as regras da tendência partidário. Além da DS, o ex-gerente do Ibama conta com o apoio das correntes AS, OS e a Sou Mais PT -, somado ao apoio explícito dos aliados PCdoB e PSB.
Dois festivais de música marcam o mês de setembro em Goiânia e Cuiabá. Em Cuiabá , o festival de rock “Calango” encerrou esta semana com overdose de bandas. Ao todo, 48 grupos de Mato Grosso, Acre, Goiás, Distrito Federal, Amapá, Roraima, Rio Grande do Sul, São Paulo, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, e até do Uruguai. O Pará esteve representado pela banda Cravo Carbono. Dias 22 e 23, chega à quinta edição o Festival Vaca Amarela, em Goiânia. Enquanto isso, o Festival da Canção de Marabá esta indo para o seu nono ano extinto. Uma decisão unilateral do prefeito Sebastião Miranda (PTB) que considerava o evento prejudicial ao “equilibrio fiscal” do município .
É revoltante estar sempre anunciando as deficiências do Ibama no combate a danos ambientais. Neste momento (20:25), por exemplo, agentes do instituto não tem como enfrentar com o mínimo de eficiência o fogo que se alastra pela Floresta Nacional de Carajás, ameaçando atingir a área da reserva indígena Xikrin do Cateté, no limite dos municípios de Parauapebas e Água Azul do Norte, no Sudeste. O Ibama está se virando para encarar o fogo utilizando apenas um helicóptero que não está equipado com as ferramentas exigidas. Em situações idênticas, no mínimo três aeronaves seriam necessárias. Passa ano, entra ano, e o governo repetindo a mesma cantoria de que o Ibama não tem estrutura, faltam recursos humanos e financeiros.
Quando este poster ocupou a secretaria de Comunicação da prefeitura de Marabá, durante a gestão de Geraldo Veloso, um projeto de inclusão digital chegou a ser elaborado com participação da iniciativa privada para a implantação de cyber públicos em cinco pontos dos cinco núcleos habitacionais do município: Cidade Velha, Nova Marabá, Cidade Nova, São Félix e Morada Nova. O planejamento destinava 50 computadores para cada “Quiosque Cidadão” -, como chegou a ser definido o programa de inclusão digital -, que seriam gerenciados por três orientadores, cada cyber. A secretaria de comunicação acertara a participação no projeto de três usinas de ferro gusa -financiando os 250 computadores -, da Embratel, que entraria com os links de cada Quiosque Cidadão,e até da Celpa, cobrando taxa simbólica da energia a ser consumida. A prefeitura pagaria o salário dos trinta Orientadores Digitais (15 por cada turno), que passariam por um treinamento para atendimento público. Os quiosques ofertariam à população acesso gratuito à Internet e a idéia era expandir os cyber até a zona rural. A cada consolidação de um núcleo digital, se implantaria outro até cobrir todo o município. Geraldo Veloso morreu antes da implantação do programa social, o poster entregou o cargo e o sonho de contribuir um pouquinho para ajudar a transformar o perfil social de nossa gente sepultou-se junto com o ex-prefeito.
A história acima vem a público depois do blogger tomar conhecimento do programa de inclusão digital destinado a atender as comunidades das ilhas do entorno de Belém, lançado pela prefeitura. Sinceramente, esses tipos de investimentos do poder público merecem a atenção da mídia devido a sua importância no resgate da dignidade das classes desinformadas. Faz um bem danado a todos. Particularmente, não conseguimos realizar o sonho de expandir os benefícios do conhecimento tecnológico à população de Marabá, mas só de ver gente no Pará preocupada com isso, palpita um sentimento de esperança muito forte. Tomara sua funcionalidade seja medida com freqüência pela prefeitura de Belém.
Duas sessões especiais importantes ocorrerão na Assembléia Legislativa, em Outubro. A primeira, dia 15, debaterá projeto de lei de autoria do deputado João Salame que determina aos formando de medicina da UEPA cumprirem residência médica de 2 anos no interior do Estado, em municípios onde estão instalados os hospitais regionais. Tema polêmico. Dia 29, o biocombustível será levado à berlinda focando a questão do plantio de cana-de-açúcar em terras paraenses, o que vem sendo negado por autoridades do governo federal. João Salame garante que serão convidados os mais variados segmentos, com posições a favor e contra.
Redenção deu o primeiro esturro, fechando a Pa-150. Dia 6 de outubro, será a vez de Marabá mostrar a sua cara, contaminando o restante da região a seguir o exemplo. Os movimentos civis de protesto contra a violência são sinais claros de que a população do Sul do Pará não suporta mais esperar pelas promessas de que brevemente o governo terá recursos para atender as demandas. Recomenda-se aos assessores graduados do Palácio dos Despachos ficar atento a essa movimentação, e que não apareça nenhum engraçadinho tentando vincular os protestos a onda separatista que domina a região.
O economista e pesquisador Roberto Limeira de Castro, um dos comentaristas notáveis deste blog, discorda da discussão colocada pelo jornalista Manuel Dutra, reproduzida no post "A Análise de um Tapajônico", que se considera "pessimista tanto com a perspectiva de um 'não', pelas razões já apontadas, como com a possibilidade de um 'sim' -, caso seja aprovado o plebiscito para a criação dos Estados do Carajás e Tapajós. Ao que ele diz:
A análise do Pará atual está perfeita, a análise do Pará futuro está completamente furada.
A criação dos Estados nada têm a haver com o sistema econômico vigente, nem promete Estados socialistas messiânicos.
Se o povo ganhar nas urnas e souber escolher os seus representantes e governantes, nem os novos Estados, nem o Pará remanescente serão jamais os mesmos.
A correlação de forças políticas serão totalmente modificadas nos três Estados com o triplo de representantes nas três Assembléias Legislativas e com 16 novos deputados federais, 6 novos senadores e 2 novos governadores lutando pelo desenvolvimento da região atual.
No novo Pará, as demais cidades excetuando-se Belém sairão também vencedoras, pois, poderão eleger muito mais representantes na Alepa e até eleger um governador comprometido com as suas causas.
Ninguém pode desmerecer o processo democrático, traçando um amanhã pessimista e sombrio de qualquer jeito, pelo sim e pelo não.
O que extraio do texto é que não adianta lutar por um futuro melhor no capitalismo, mas, ficar em cima do muro, dormindo e sonhando com a vinda de algum Messias socialista.
Está na conta-corrente de cada um dos 1.590 professores da rede municipal de ensino o valor correspondente a um 14º salário, resultado da divisão do valor de R$1.977.874,76, que o prefeito Sebastião Miranda autorizou a título de abono salarial. A verba oriunda do Fundeb será dividida entre os professores de Educação Infantil, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Ensino Fundamental que se encontram no efetivo exercício da função.
Fonte: Assessoria Comunicação Prefeituta de Marabá
O blog reproduz artigo assinado pelo jornalista Manuel Dutra:
Os perigos de um Pará já dividido. O Zé-Povo paga a conta, como sempre...
Há algum tempo escrevi que a vitória de um "não" no esperado plebiscito pela revisão territorial do Pará será pior do que a não realização da consulta popular. A questão de fundo é: como ficará a relação de Marabá e Santarém, vitrines das duas regiões que pleiteiam a autonomia, com a capital Belém, depois de um possível revés no plebiscito?
E não me refiro propriamente aos políticos e aos empresários, pois estes sempre encontram maneiras de se ajustar às situações esperadas e inesperadas em suas alianças com os grupos predominantes em Belém. Penso nos demais setores sociais do Sul e do Oeste paraenses, pois a luta pela emancipação, pela primeira vez, está indo muito além da arena partidária para afetar majoritariamente a população.
O que preocupa é a maneira irresponsável como a questão vem sendo tratada. Do lado dos contrários, o discurso é o da desqualificação debochada de uma demanda que envolve uns tantos milhões de paraenses majoritariamente desejosos de ver, pela autonomia político-administrativa, um futuro diferente do presente. Do lado dos militantes favoráveis percebe-se que não têm a exata noção da magnitude da questão. Entre os erros crassos cometidos está a inclusão do Xingu na área a ser desmembrada, supostamente não muito do agrado das lideranças e de setores populares do principal município daquela região, Altamira.
Os dois lados estão brincando com fogo. A verdade é que o Pará já está dividido, historicamente dividido, sentimentalmente dividido. Basta lermos a introdução do Primeiro Plano Qüinqüenal da SPVEA, mais tarde Sudam, para constatarmos, nas palavras de seu primeiro superintendente, o historiador amazonense Arthur Cezar Ferreira Reis, a cruel realidade que permanece, ou seja, nos idos de 1950 a cidade de Belém se caracterizava por abrigar uma elite bacharelesca e predadora das populações interioranas que, historicamente exploradas e sem contar com a presença do Estado, sustentavam os ares de "modernidade" da capital. Isto está num documento oficial, do governo federal.
Se a realidade presente mudou um pouco, seria desonesto não constatar hoje a brutal diferença entre Belém e as principais cidades do interior, um estado cabeçudo com um corpo franzino. Se os representantes do poder político e as lideranças empresariais, culturais e demais proeminências encasteladas em Belém se dessem ao trabalho de menos ir a Miami ou Paris e fossem ao interior que dizem tanto desejar unido à capital, perceberiam a realidade que sustenta o pleito por autonomia.
Há gente falando de plebiscito, de ambos os lados, sem ter a noção do que isso tudo representa. Se a consulta popular resultar num "não", haverá festas? Se houver, pior ainda. O presente sentimento de aversão crescente contra a campanha pelo "não" poderá – Deus nos livre! – transformar-se em rancor. E o Pará estará dividido pelo ódio, embora "unido" institucionalmente. Seria como forçar a convivência de um casal que deseja ardentemente separar-se.
Há, portanto, subjazendo a isso tudo, algo muito grave que não pode ser encarado com ignorância, irresponsabilidade e molecagem mesmo, a partir de certa imprensa paraense. Cada piada ou gozação que sai no jornal O Liberal e outras mídias de Belém são intensamente repercutidas no Oeste e no Sul do Pará, potencializando o ressentimento. Que futuro estamos construindo dessa forma?
Com as campanhas contra e a favor despidas de racionalidade e de bom senso, o que fica é o emocional, a imaturidade de não tratarmos com alguma seriedade dos problemas do Pará e da Amazônia, como bem identificou o empresário e político Oziel Carneiro há alguns anos. E cito Carneiro por ser ele francamente contrário à revisão territorial. Porém, talvez, uma das poucas vozes que, há algum tempo, chamou a atenção para essa irracionalidade e para a ausência de debates sérios sobre os problemas do Pará como um todo, incluindo aí também as demandas autonomistas.
Não acredito que essa racionalidade aparecerá. Por isso sou pessimista tanto com a perspectiva de um "não", pelas razões já apontadas, como com a possibilidade de um "sim". Isto porque as velhas aves de rapina, daqui e de alhures, já preparam as garras para abocanhar o quinhão que sempre foi negado ao povo trabalhador. E essa nefasta herança histórica sobreviverá talvez com mais força e astúcia após uma eventual autonomia do Oeste e do Sul.
Neste sentido, hipotéticos Estados do Pará "remanescente", Tapajós e Carajás em nada de substancial se diferenciarão: o Zé-Povo continuará arcando com o peso de sustentar as mesmíssimas elites que historicamente usufruíram de seu trabalho. E, se vivo fosse, o sábio e conservador historiador da Amazônia poderia escrever, amanhã, sobre Santarém e Marabá, o mesmo que escreveu de Belém há meio século.
Nota do blog: o artigo foi publicado originalmente no Blog do Jeso.
Aproxima-se o início da Piracema (2 de novembro). Outra vez, observa-se que o Ibama não se mobiliza para montar a necessária base fixa no Lago de Tucuruí para combater a pesca predatória, que já existe ali institucionalzada devido a ausência do órgão.
O perigo ronda a BR-153, entre Marabá e São Geraldo. Em uma semana, empresário perdeu a vida no interior de um veículo que se chocou contra um animal perambulando na estrada. Ontem, por volta das 18 horas, este poster escapou de algopior ao bater o carro em que dirigia num bode que atravessou a pista correndo. O veículo ficou com a frente totalmente danificada. A polícia rodoviária estadual necessita monitorar os pontos onde os animais circulam na BR, notificando seus proprietários. Os acidentes se avolumam.
A aprovação por 32 deputados do requerimento de João Salame propondo sessão especial para ouvir o conselheiro Alcides Alcântara sobre denúncias de corrupção no TCM é um marco na história das relações da classe política com aquele tribunal. Os parlamentares estaduais estão diante de uma oportunidade rara de escancarar uma caixa de podridão. Em cada município deste estado, isso não é segredo para quase ninguém, existe um caso de desvio de conduta de auditores do TCM na promíscua relação com tesoureiros, secretários de finanças e prefeitos. O toma lá dá cá em muitas localidades chegou a ser institucionalizado. A AL marcou um gol. Falta a goleada, que só virá com a instalação de uma CPI e a extinção desse órgão devorador de recursos do povo pobre paraense. Sessão especial ocorrerá dia 17 de setembro. Convites serão extensos a prefeitos, vereadores, conselheiros, Ministério Público e demais autoridades.
Quando o deputado Joaquim Passarinho disse na sessão de ontem da Assembléia Legislativa que “esta Casa deve chamá-lo (o conselheiro Alcides Alcântara), pois acho que ele não pode ser ingênuo e inconseqüente para acusar sem provas”, na realidade, o parlamentar do PTB queria dizer o seguinte: - Tu fostes mexer em casa de marimbondo sem proteção no corpo. Agüente agora as conseqüências!” É o jogo da pressão. É a reação de quem não gostou de ter ouvido o tio (Ronaldo Passarinho) receber um petardo de frente. O alerta feito ontem por este blog de que o conselheiro Alcântara transformou-se em animosidade falante aos próprios colegas (razão pela qual a imprensa deve estar atenta a isso), está explícito na reação do deputado. O denunciante recebeu o primeiro recado atravessado exatamente de quem deveria manter equilíbrio e imparcialidade diante da apuração a ser iniciada com a sessão especial.
A Comissão de Constituição e Justiça aprovou, à unanimidade, projeto do deputado Luis Cunha instituindo a Campanha de Combate à Exploração de Trabalho de Crianças e Adolescentes, a ser realizada anualmente pela Assembléia Legislativa do Pará. O objetivo é sensibilizar toda a sociedade e gestores públicos para que a infância seja, de fato, um tempo de brincar e aprender, de estudo e lazer. O trabalho precoce causa prejuízos à saúde física e psíquica, às vezes irreversíveis, e impede, no futuro, uma digna inserção no mercado de trabalho. Luis Cunha quer chamar a atenção geral para a realidade de grande parte de meninos e meninas de famílias de baixa renda, desde os que vendem frutas no sinal de trânsito, trabalham na roça, em casas de famílias, nas casas de farinha ou catam lixo nas ruas.
Fonte: Franssinete Florenzano
Nota do blog: grande sacada de compromisso com a causa infanto-juvenil. Cada atitude que venha tirar crianças da labuta diária em favor da sala de aula e do lazer, é um avanço significativo.
É verdade que o funcionário do Ministério Público do Pará preso em flagrante pode ser o primeiro do orgão a ser acusado de envolvimento com traficantes. Mas no Sul do Pará, precisamente na região de Conceição e São Geraldo do Araguaia, onde a fronteira com o Tocantins vive escancarada do lado de cá, a capacitação do crime organizado é uma constância. Pontos para o Geproc (Grupo Especial de Prevenção e Repressão às Organizações Criminosas) (GEPROC) e o Serviço de Inteligência da Polícia Militar. As fronteiras do Pará necessitam dos órgãos de inteligências atentos. Sempre, sempre.
O blog extraiu o texto abaixo da caixa de comentário do Quinta Emenda:
Sugiro ao Deputado que ele ouça também o conselheiro Daniel Lavareda, auditor responsável pelas prefeituras do sul e sudeste do Pará.E ouvir o que o mesmo tem a dizer sobre o contrato da prefeitura de Paraupebas com a empresa Clean Service, motivo do indiciamento do empresário Chico Ferreira e o então auditor Luiz Fernando.Já que a denúncia dos conselheiros Alcides Alcântara e Zeca Araújo tratam especificamente sobre as auditagens no sul e sudeste do Pará.
Quem é quem Juvêncio Arruda em resposta a um comentarista informa que "dos oito (deputados) restantes (são 41 deputados. Votaram 33) sete estavam ausentes, e só o deputado Gabriel Guerreiro , alegando desconhecimento das declarações do conselheiro Alcântara, se recusou a assinar. Deverá fazê-lo amanhã, quando se inteirar sobre o caso.Cesar Colares e Novelino não estavam presentes na hora da coleta das assinturas, mas não há dúvidas que assinarão amanhã".
Sessão Extraordinária da Assembléia Legislativa ouvirá o conselheiro Alcides Alcantara sobre as denúncias que ele fez de corrupção no Tribunal de Contas dos Municípios, a pedido dos deputados João Salame e Arnaldo Jordy (PPS). Os parlamentares que assinaram o requerimento, são os seguintes:
João Salame (PPS), Arnaldo Jordy (PPS), Júnior Ferrari (PTB), Eduardo Costa (PTB), Joaquim Passarinho (PTB),Robgol (PTB), Cássio Andrade (PSB), Carlos Bordalo (PT), Bernadete ten Caten (PT), Regina Barata (PT), Carlos Martins (PT), Miriquinho Batista (PT), Márcio Miranda (DEM), Haroldo Martins (DEM), Luiz Seffer (DEM), Júnior Hage (PR), Adamor Aires (PR), Zé Neto (PP), Luiz Cunha (PDT), José Megale (PSDB), Tetê Santos (PSDB), Alexandre Von (PSDB), Bosco Gabriel (PSDB), Italo Mácola (PSDB), Ana Cunha (PSDB), Parsifal Pontes (PMDB)Antonio Rocha (PMDB), Martinho Carmona (PMDB), Simone Morgado (PMDB), Anaice (PMDB), Domingos Juvenil (PMDB), Airton Faleiro (PT), Deley Santos (PV).
São 9:55h. O deputado João Salame encontra-se no plenário da Assembléia Legislativa. É dele e-mail que acaba de chegar:
"Nesse exato momento acabei de dar entrada no pedido de realização de uma Sessão Extraordinária da Assembléia Legislativa, com convocação do conselheiro Alcides Alcântara, do TCM, que fez as denúncias, para passarmos a limpo esta questão. O requerimento foi assinado também pelo meu colega de partido, deputado Arnaldo Jordy. Daqui a pouco o plenário vota o meu pedido de urgência para o requerimento. Em seguida vota o seu conteúdo. Vamos esperar. Te atualizarei em tempo real.AbraçosJoão Salame
É isso. A velocidade da informação. O tempo real. Up-to-date. Só os blogues nos permitem esse luxo.
Em pronunciamento na câmara dos deputados, Zequinha Marinho (PMDB) reforçou a necessidade de "quebrar o velho paradigma que não atende mais a realidade do momento" defendendo a criação do Estado do Carajás, com o desmembramento do Estado como solução para oferecer desenvolvimento a uma região que teve 392 anos para testar o desenho geográfico atual. "Como este modelo não correspondeu à expectativa da população, não é mais possível continuar insistindo no erro, na esperança de que será possível um dia. Daí a necessidade desta Casa abrir o debate fundamental para que possamos ver as coisas com um novo olhar. A Amazônia precisa ser ocupada com governo efetivo. Reclama-se das invasões, da violência, dos problemas ambientais. Mas nunca se coloca o dedo para dizer que esta é a grande razão para os problemas da Amazônia: a ausência de governo efetivo. Onde não tem governo há falta de ordem. A criação do Estado do Carajás é um projeto pronto para ser votado. Colocar neste semestre a discussão do projeto para a realização do plebiscito é fundamental. Esta Casa, pilar da democracia brasileira, não pode negar ao cidadão a oportunidade de participação", diz um dos trechos do discurso do parlamentar.
'Queremos a produção de energia, sim, mas sem pátio de cinzas, sem emissões de gases causadores de doenças e de danos na atmosfera, e, principalmente, sem transferência de custos para a sociedade paraense, já bastante onerada por outros empreendimentos que retiram seus lucros também dessa transferência' (Promotor Raimundo Moraes)
Quem acompanha as audiências públicas de implantação da usina hidrelétrica de Barcarena da Companhia Vale do Rio Doce considera que foi providencial a intervenção do Bispo Diocesano, Dom Flávio Giovenale, sobre o destino de cinzas e gesso a serem gerados pelo empreendimento. Num de seus questionamentos, o religioso teria sido duro ao defender a posição de que não se poderia deixar a questão para depois, “porque há casos de firmas que estão em funcionamento há vários anos sem ter ainda resolvido o que fazer com os resíduos”, teria dito. Resultado: ao se declarar pela devolução à Companhia Vale do Rio Doce dos estudos de viabilidade do projeto, pedindo sua reformulação, o Ministério Público Estadual, tendo à frente os promotores Eliane Moreira e Raimundo Moraes, diz para a CVRD “fazer o dever de casa, que não fez', sobretudo em relação ao tratamento dado ao volume aproximado de 13 toneladas por hora de cinzas e gesso.
Pode ser constrangedor? Pode. Mas só é constrangedor por causa da visão obtusa e hipócrita de muitos pais que ainda querem criar os filhos blindando-os com falso moralismo. Qual a criança, já a partir de seus cinco anos, não ouve um palavrão dentro de casa ou na escola? Em plena era da Internet, o risco é bem maior de um jovem receber orientação criminosa num chat do que a pesquisa sobre palavrões, encomendada pela professora Raimunda Castro, provocar desvio de conduta em um jovem estudante. Como bem pergunta a educadora de Capanema, “se eu não explicar para eles o que é (o palavrão), quem vai explicar?”. É bom mais do que depressa evitar-se cometer injustiça com a professora. É bom mais do que depressa a sociedade ficar atenta a problemas bem mais sérios do que esse, como, por exemplo, priorizar o combate a prostituição infantil que começa, em muitos casos, dentro de casa.
Ao adentrar o plenário da Assembléia Legislativa nesta terça-feira, 4, o deputado João Salame (PPS) apresentará requerimento solicitando a presença do conselheiro Alcides Alcântara para esclarecer as denúncias de corrupção de membros do TCM, formuladas semana passada. No entendimento do parlamentar marabaense, além do tribunal de contas ser um órgão de assessoramento da AL, tendo, inclusive seus recursos originários do orçamento do Legislativo, as acusações de Alcântara são sérias e comprometedoras. Somente a partir do depoimento do conselheiro aos deputados é que João Salame defenderá a instalação de uma CPI para passar a limpo o tribunal. Ele também é favorável à extinção do TCM. Juvêncio Arruda oferece mais informações a respeito do assunto no Quinta Emenda.
Cheio de chinfra. É assim que andava pelo sudeste do Pará, pelo menos até semana passada, o auditor substituto de Luiz Fernando. Depois da ‘queimada’ de Alcides Alcântara, a bola deve ter baixado.
"Ao subir as escadas, deparou-se o autor com uma fila de aproximadamente 70 pessoas em fila tipo serpentina, com apenas três caixas funcionando, o que o levou a ser atendido 50 minutos depois. Evidente que a espera, em pé, por período superior a trinta minutos, diante de outros caixas vazios, produz no usuário de essencial serviço bancário, o sentimento de afronta à sua dignidade".
Trecho acima é de sentença da Turma Recursal Única do Juizado Especial Cível de Campo Largo (PR) condenando instituição bancária a pagar indenização no valor R$ 1.500 por dano moral a uma cliente que permaneceu mais de 50 minutos em fila.
Pesquisadores holandeses liberaram resultado de estudos comprovando a maior possibilidade de fumantes desenvolverem o mal de Alzheimer e outras formas de demência do que as pessoas que abandonaram o vício ou nunca consumiram cigarros. Como são insensíveis, por mim, tudo fumante deveria carregar na testa as inscrições: “Sou um demente irrecuperável!”
Daqui a pouco tem baboseiras na sede da Associação Comercial do Pará. O “blogueiro” Joaquim QuemAmaNãoSepara Passarinho abordará a criação de novos estados com o profundo conhecimento que tem sobre a questão. Aguarda-se ansiosamente as presenças de Zé Geraldo, Altair Vieira e Zenaldo Coutinho, que juntos com Passarinho formam os mosqueteiros da Frente Contra. Para o seminário agregar valor sugere-se aos organizadores do mesmo a extensão de convite ao jornalista Francisco Sidou que já tem na ponta da língua os motivos reais que levam o movimento emancipacionista a se espalhar pelo Oeste e Sul do Estado. Segundo o rapaz, “só deseja dividir o Pará quem não tem “raízes” na nossa cultura, nunca comeu uma caldeirada de gurijuba na Vigia ou um mingau de açaí com camarão, em Ponta de Pedras, uma maniçoba “no capricho” ou um pato com o tucupi da Eliete”, conforme conta Guilherme Augusto.
Dossiê elaborado por membros da comunidade indígena Gavião Parkatejê, reforçado por entidades apoiadoras da luta dos povos indígenas, deverá denunciar a Companhia Vale do Rio Doce a organizações não-governamentais com sede na Inglaterra. O conteúdo é de caráter sigiloso, mas segundo uma liderança que participou da formulação do documento, os índios querem mostrar à comunidade internacional o desrespeito ao tratamento dado pela mineradora às comunidades indígenas.
Integrantes do Grupo Executivo Interministerial (GEI) e Grupo Executivo do Plano do Marajó (Geplam) finalizaram no final de semana a versão final do Plano do Marajó. Documento com as propostas de ação a curto, médio e longo prazo será encaminhado à Brasília com lançamento previsto para o final de setembro. Uma das ações contempladas é atender as comunidades ribeirinhas que sobrevivem da cadeia produtiva do açaí e do palmito.
A imprensa do Pará necessita ficar atenta para os desdobramentos da denúncia de Alcides Alcântara. Os jornalistas mais experientes sabem que a partir de agora, internamente, o conselheiro sofrerá terrível processo de isolamento por parte de alguns colegas dele, com a possibilidade (quem se atreve a negar isso? ) até da eclosão de campanhas fabricadas contra a idoneidade do denunciante. Quem está dentro do TCM roubando e extorquindo, jamais deixará Alcides em paz.
As prisões de “Mascote” e “Babalu”, suspeitos de serem os assassinos do sociólogo Eduardo Lauande, são uma prova de que a polícia bem intencionada sempre marca lucros no combate ao crime. Vamos aguardar o desenrolar das investigações.
Quando um vereador ou deputado é eleito, entre suas prerrogativas está a obrigatoriedade em fiscalizar à profusão denúncias contra dirigentes públicos. No Brasil, pelos motivos que todos conhecemos, essa prática não vinga. Os “fiscais” do povo fazem vista grossa principalmente quando as suspeitas de bandalheiras são promovidas por membros de tribunais. O silêncio e a omissãovalem como moeda de troca nos momentos oportunos.
O Pará inicia a semana respirando ares de podridão e a exigir ações de saneamento com uso intensivo de detergentes nas dependências do Tribunal de Contas dos Municípios. A denúncia do conselheiro Alcides Alcântara de que até o presidente do TCM, Ronaldo Passarinho, é “omisso e leniente” com atos de corrupção nas entranhas do tribunal perpassa estágios da aceitabilidade comum. O denunciante não usou meias palavras para apontá-lo como coadjuvante das bandalheiras que auditores e até conselheiros praticam na maior cara de pau por esse Pará de Meu-Deus.
A Assembléia Legislativa só tem um caminho: abrir uma CPI para investigar a denúncia ou fechar as portas para evitar que o mau cheiro exale dali também com a rapidez dos ventos tropicais. A artir deste post, o blog cobrará, diariamente, ações firmes dos deputados estaduais diante da pocilga em que transformaram o TCM.
R$ 69 milhões em indenizações é quanto a Companhia Vale do Rio Doce deverá pagar sob acusação de violação coletiva de direitos de trabalhadores de duas mineradoras de sua propriedade. São mais de oito mil denúncias trabalhistas formuladas na 1ª Vara do Trabalho de Parauapebas. O blog Quaradouro acompanha a questão.
Os moradores da região são favoráveis à divisão territorial do Pará, como forma de recuperar um pouco do tempo perdido na busca do desenvolvimento, há tempos alcançado por outros estados que conseguiram tal feito. Se tivesse outro instrumento de desenvolvimento que não fosse à divisão territorial, certamente lançaríamos mão deste e não seríamos favoráveis a isto, mas como não existe, que se dê seqüência à discussão de forma democrática, respeitosa, isenta e responsável.
Trecho é de artigo do jornalista Val-André publicado na caixa de comentários do post “O Bom do Contraditório”.
"Sempre tive a convicção de que preciso dos homens para o meu equilíbrio interior. Preciso de relacionamentos afetivos com os homens, mas sempre busquei minha independência financeira. Gosto dos jogos amorosos com os homens, de estar amando, gosto de ser amada".
A revelação é de Marília Gabriela. E nós amamos que você seja assim, Gabi. Fundo, gata!
"Zé Louquinho" aí do lado, apelido do prefeito de Aparecida (SP), quer adentrar o Congresso Nacional usando essa mesma tanga de oncinha usada durante encontro de prefeitos paulistas. Boa idéia! Simbolizará de vez o cenário surubal com o qual pintaram hoje o parlamento brasileiro. Excluindo da parada nossa musa, a bandeirinha Ana Paula, ele pode levar quantas Mônicas necessitar para fazer a festa lá no AP deles, em Brasília.
No sábado e domingo, finalmente, assisti intensamente aos jogos do Campeonato Brasileiro. Confesso ter perdido a paixão que sempre tive pelo futebol graças aos treinadores caolhos e a muitos pernas de pau soltos por aí.
Tenho saudades de Zico, Adílio, Andrade, Julio César, Dinamite, Reinaldo, Tostão, Rivelino, Gerson, Afonsinho ( “Prezado amigo Afonsinho/ eu continuo aqui mesmo/ aperfeiçoando o imperfeito/ dando um tempo, dando um jeito/, desprezando a perfeição..”), Paulo César Caju e tantos outros.
Na geração seguinte, o melhor foi Romário. Ele verdadeiramente foi O Cara. Na Copa de 94, uma seleção medíocre ganhou o caneco com esquema tático totalmente centrado nele. Copa trazida sem o brilho de equipe, mas com o brilho de Romário. Sempre recebendo duas ou três bolas por jogo e decidindo ali na pequena área. Até o último minuto ele foi evitado pela comissão técnica. Isso, no entanto, serviu, de todo modo, para mostrar que a oposição entre arte e força é um problema no futebol brasileiro, como Telê Santana sempre soube.
Zagallo e Felipão disputam irritantemente com o craque; querem diminuir o craque, colocá-lo em lugar subalterno. Parreira é um jogador de pôquer que tirou uma mão cheia de azes e reis, mas que, no fundo do fundo, e diante do espelho mais íntimo, como disse bem o Tostão, preferiria ser o técnico da Inglaterra, uma equipe mais mediana e aplicada. Um pouco chegado a escola de Telê temos apenas o Luxemburgo.
A poesia é instantânea. Assim como na literatura, dizia Allan Poe, não existe poema longo: o poema longo é feito de prosa poética com momentos de genuína poesia. O jogo de futebol também é assim: sem o arroz com feijão do jogo, sem jogar prosa, ninguém ganha coisa nenhuma. É preciso a prosa, a boa prosa, para que a poesia apareça.
Voltei a ver os jogos do CB sábado e domingo, mas não me empolguei. Lampejo de um ou outro jogador mediano é muito pouco. Eu quero o delírio da embaixada nos ombros como fez dia desses Alexandre Pato correndo com a bola em alta velocidade, o drible sem-vergonha do Robinho que os treinadores açougueiros preferem travar.
O futebol ficou tedioso, transformou-se em espetáculo mercantilizado.
Posso estar sendo cruel demais em meu posicionamento. Mas eu prefiro o luxo da bola de efeito do que o chute nos culhões -, como gosta de recomendar este recurso aos jogadores de meu querido Flamengo, o atual açougueiro Joel Santana.
Neste domingo quero dividir com vocês pequenos instantes de alguns exemplares da obra extraordinária do compositor maranhense, nascido em Pedreiras, João do Vale.
De origem muito pobre, o compositor era capaz de encantar pessoas dos mais diversos matizes. Devo dizer que o considero uma das figuras mais importantes da música popular brasileira. Quando os grandes centros do país tomaram conhecimento de sua existência e lhe reconheceram os méritos de compositor -, exatamente a partir de 1964/65, quando se realizou a temporada do show Opinião -, pouca gente se deu conta do que ele realmente já significava como expressão de nossa cultura popular. Isso se deve ao fato de que João do Vale não era um compositor de origem urbana e que só muitos anos depois o país começou a vencer o preconceito que cercava as manifestações populares sertanejas. É verdade que em determinados momentos, com Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, essa música conseguiu ganhar o auditório nacional, mas para, em seguida, perder o lugar conquistado. É o tamanho do Brasil. Sua diversificação. Basta dizer que, quando João do Vale se tornou um nome nacional, já tinha quase trezentas músicas gravadas, que o Nordeste inteiro conhecia e cantava, enquanto no Sul ninguém ainda ouvira falar nele. Lembro-me da primeira e única vez que o vi cantar em público, na sede da AABB, na cidade de Imperatriz (MA). Dentro de um terno branco engomado, pisando sem jeito com uns sapatões de verniz, entrou em cena. Parecia encabulado, mas quando começou a cantar, empolgou o auditório. Chico Buarque, responsável pelo movimento que reuniu dezenas de artistas para a gravação de um LP com coletâneas de João, faz dueto com ele em Carcará:
"Carcará" descreve a tenacidade de uma ave de cauda branca, cabeça e asas escuras, que se assemelha a um falcão e é encontrada na América do Sul. O carcará também é conhecido como carancho, nome que vem do tupi ka'rai e quer dizer arranhar, rasgar com as unhas. Revendo a história da vida de João, ele parecia ser o próprio carcará. Em cinquenta anos de carreira, foram mais de setecentas canções. Em muitas delas, João do Vale tem parceiros desconhecidos. São pessoas a quem ele pedia ajuda para por no papel o que havia composto. João mal sabia assinar o próprio nome. Deixou a escola ainda menino. A vaga dele foi dada ao filho de um coletor de impostos que tinha acabado de chegar a Pedreiras. A mágoa ficou para a vida toda e o músico jamais quis voltar à sala de aula. "Minha História" é um canto biográfico relatando origens de sua geração, vida difícil do interior, hino de louvor aos amigos pobres de João que permaneceram em Pedreiras –“não puderam estudar nem sabem fazer baião”-, enquanto o conterrâneo escapou da aldeia para vencer no Sul.
Tenho uma relíquia: trechos do show Opinião, gravado ao vivo. Há momentos inesquecíveis da performance de João do Vale dividindo o palco com Nara Leão e Zé Kéti (Nara seria substituída posteriormente por Mariá Bethânia). João fazia o público ora rir, ora chorar, com a força e a sinceridade de sua música e de sua palavra. Saía de Pedreiras para dar voz nacional ao sertão. “A Voz do Povo” é um grito de João à liberdade. Ele já sentia na alma os efeitos iniciais da ditadura implantada em 64. Não sabia o que era esquerda nem direita, mas o coração reagia. Paulinho da Viola dá uma interpretação límpida à obra do maranhense.
Iletrado, gente do povo, negro, de família numerosa, originário de pequeno e pobre município do Maranhão, João deixou uma obra onde a autenticidade dele é a marca principal. Mas não só nisso, e não apenas no seu talento, como também em sua cultura. Há gente que pensa que culto é apenas quem leu muitos livros. No entanto, ele é a expressão viva de uma cultura que não está nos livros mas na memória e no coração dos artistas do povo. Duas músicas comprovam isso com extrema magia: A Ema Gemeu e Oiricuri, Segredos de Sertanejo. A Ema Gemeu mereceu gravação até de Gilberto Gil. Mas é com Jackson do Pandeiro onde suingue e paixão se misturam na descrição de crenças e crendices do sertanejo.
Oiricuri, Segredos do Sertanejo também narra a sabedoria do povo do sertão. Fazendo dueto com Clara Nunes, João produziu um trecho arrepiante: "Lá no sertão quase ninguém tem estudo/ Um ou outro é que lá aprendeu ler/ Mas tem homem capaz de fazer tudo, doutor/ E antecipar o que vai acontecer".
O conjunto das mais significativas canções de João Do Vale é um intricado vínculo entre as mesmas e o contexto social nordestino e brasileiro de um modo geral. Trata-se, na verdade, de uma profunda inter-relação entre o compositor, sua obra musical e seu meio sócio-cultural, sendo este o lugar por excelência da motivação criadora e da recepção. Desse modo, podemos constatar que o cancioneiro de João do Vale é obra musical que se fez uma autêntica voz de denúncia, de defesa e de resistência contra as injustiças sociais vividas pelo povo daquele lugar. “De Teresina a São Luís” podemos viajar num trem apertado, que mais atrasa do que anda. Bem humorada, a canção mapeia a região árida do sertão descrevendo suas gentes e comunidades que até hoje padecem dos mesmos males, quase 40 anos depois da canção ter sido criada. ------- atualizado às 15:10: Nesta versão, Zeca Baleiro a gravou com outro conterrâneo: Tião Carvalho.
Um dia, o inflamado Carlos Lacerda expressou sua admiração por João: "João do Vale não faz parte dessa tropa ideológica da esquerda festiva. Com a sensibilidade de seus versos, ele fala do que viveu e conheceu na pele grossa de trabalhador braçal". Tom Jobim declarou seu “amor à primeira vista” pela grandiosidade da obra do maranhense.Amou tanto que faz dueto com ele na belíssima “Pé do Lageiro”. Observem a elitização do arranjo de Antonio Brasileiro sem deixar a simplicidade 'dos instrumentos de percussão de lado. Espécie de Concerto-Acústico maravilhoso. Nisso aí, Jobim era gênio.
A cantora Marlene gravou "Estrela Miúda", canção inspirada numa toada de Bumba-meu-Boi, festa popular no Maranhão e que fez parte da infância do poeta. João do Vale ainda trabalhava como ajudante de pedreiro quando ouviu a gravação sendo tocada na rádio. João vibrou e comentou com quem estava ao lado dele: "Essa música é minha, sabia?", teria dito. Mas quem acreditaria naquele sujeito, sujo de massa e coberto de poeira, negro, pobre, nordestino? Aqui, Amelinha divide a gravação com ele:
A gostosa "Pipira" é outro 'causo' bem-humorado cantado por João. Descreve o jeito ingênuo e fofoqueiro do povo comentar a gravidez extemporânea de uma mulher. Nara Leão está impecável no dueto com João do Vale.
Após morrer no anonimato e na miséria em 1996, o compositor de "Pisa na Fulô", "Matuto Transviado", "Peba na Pimenta" será sempre lembrado, pelo menos por mim, como um dos maiores talentos que este Brasil produziu até hoje.
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