sábado, abril 19, 2008

As cornetas tocam

“É estranho o presidente da República pedir explicações sobre o caso. Não me consta que tenha adotado o mesmo procedimento quando ministros do seu partido contestam publicamente a política econômica do governo. Aliás, uma das poucas coisas que está funcionando coerentemente nessa época em que atitudes voltadas para produzir impacto em palanque são mais importantes do que a ética e a moralidade na condução das ações políticas”.

O texto integra o último parágrafo da nota publicada pelo Clube Militar do Rio de Janeiro defendendo o general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, e com críticas ao presidente da República, Luiz Lula da Silva, por este ter cobrado explicações do comandante sobre declarações dadas na última quarta-feira (16), criticando a política indigenista desenvolvida pelo governo federal.

E, apimentando ainda mais a discussão, ao enfatizar, durante seminário no Clube Militar, que o “Exército brasileiro é um instrumento do Estado acima de ser um instrumento de governo".

Todo mundo sabe que esse Clube Militar gosta de emitir notas, ao sabor d as causas nobres da caserna , usando termos chulos e nem sempre antenados à realidade dos regimes democráticos.

Foi assim antes, durante e - ainda hoje -, após o Regime Militar que tantos males fez a este país.

Vez por outra, aparecem oficiais das Três Armas (Exérico, Marinha e Aeronática) tentando peitar a Presidência, certamente saudosos dos tempos do coturno e das baionetas no peito da pacata população brasileira

Quem pensa que a cultura da insurreição acabou de vez nos quartéis, engana-se.

Cena 1
Em dezembro, numa atividade esportiva num clube de Marabá, este poster ouviu de um coronel do Exército a seguinte frase, ao discursar alegremente entre amigos que ali haviam batido bola minutos antes:

- Esse governo que está aí pensa que o Exército não está de olho em tudoo o que acontece. Pensa que esquecemos dos tempos das anarquias (como gostam desse termo!) que nos levaram às ruas em 1964. Não é bem assim, não é bem assim.

Ao ser providencialmente cutucado pela sua bonita esposa (coloca boniteza nisso, com todo o respeito) que se encontrava ao lado bebericando com os amigos, o militar silenciou, mas deixando os convivas ouriçados com a manifestação de direita do interlocutor, merecedora, inclusive, de alguns aplausos dos também new-saudosista.

Cena 2
- Eu proibi o filme. Não era interessante para ser exibido para um aluno da faixa etária deles. Na escola, deve-se dar preferência para exibições educativas.

Quem assumiu essa confissão acima foi o coronel Geraldo Martinez y Alonzo, sob pressão do general da reserva Ney da Silva Oliveira. Ambos são responsáveis pela Fundação Osório, colégio vinculado ao Comando do Exército onde estudam filhos de militares e civis no bairro do Rio Comprido, no Rio de Janeiro.

O filme proibido, em outubro de 2007, foi Diários de Motocicleta, de Walter Salles, que conta a histórica viagem do jovem Ernesto Che Guevara por países da América Latina, sem fazer qualquer menção à vida do líder revolucionário que imortalizaria sua biografia anos mais tarde.

Na hora em que o filme foi censurado pelos militares, sem justificativa, pelo menos 90 alunos de três turmas da 7ª série estavam numa sala para assistir ao longa, fita emprestada por uma professora.

Apesar de não precisarem prestar continência para os dois homens fortes, os professores vivem dentro da escola sob disciplina rígida dos militares.


Assombrado com a censura, Maurillo Pereira da Silva Neto, professor de geografia, entregou o cargo, mas botou a boca no mundo, tomando as dores da professora censurada. Num documento assinado pelo educador, denunciando a repressão, o educador baixa a pua:

''A escola desestimula até a projeção de filmes, inclusive com proibição de exibição de alguns títulos numa clara demonstração de autoritarismo e falta de flexibilidade dignos de uma ditadura'”.

Por sua coragem, o professor agora enfrenta a ira dos militares, respondendo a sindicância interna instituída pelo conselho diretor, que censura sua postura ao declarar ser preciso ''superar modismos e posições ideológicas arraigadas''.

Pior: o conselho diretor estimula que departamentos ''exerçam efetivo controle das atividades de ensino praticadas na Fundação, particularmente quanto aos meios de instrução (filmes, cartazes etc) utilizados durante as aulas''.

Educador há 15 anos, Maurillo Neto quer limpar sua ficha na escola, prometendo lutar até o fim para superar seus adversários.

Com todo o respeito que se deva ter a competência do militar e ao tema abordado com profunda propriedade, o general Augusto Heleno se insurgiu contra a Presidência da República. Conforme ele mesmo diz, “o Exército brasileiro é um instrumento do Estado acima de ser um instrumento de governo."

Só que o Comandante-em-Chefe do Estado, é o Presidente da República.

No mínimo, Augusto Heleno deveria ser afastado do Comando Militar da Amazônia.

A reserva poderia lhe fazer refletir com mais exatidão.

Ecos de Brasília

Em Brasília, da tribuna, deputado Wandenkolk Gonçalves (PSDB) repercutiu um documento gerado durante o encontro “Alerta Pará”, ocorrido esta semana em Belém, sob patrocínio do Fórum das Entidades Empresariais do Pará.

Ao concluir a leitura dos cinco itens do Alerta, o parlamentar pediu ao Congresso Nacional “ficar de olho para o que vem ocorrendo no Pará”.

Além de dirigentes e entidades patronais, o documento é assinado pelos políticos Fernando Flexa Ribeiro (senador), Wandenkolk Gonçalves, Bel Mesquita, Asdrúbal Bentes (deputados federais), João Salame, Adamor Ayres, Júnior Hage, José Megale Filho (deputados estaduais), José Scaff e Cândido Júnior (vereadores Belém).

Horas de glória

Quem deve ter retornado a Brasília feliz da vida foi o senador Flexa Ribeiro (PSDB), muito aplaudido em seus discursos demagógicos nos municípios de Breves e Tailândia. Quem acompanhava a comitiva diz que o parlamentar estava mais alegre do que festeiro de marabaixo, como gosta de dizer Alcinéa Cavalcante, no seu blog amapaense.

A partir de terça-feira, mais barulho no Senado: a tranca de pauta como pressão para detonar a Operação Arco de Fogo levará dor de cabeça a Lula, diante de importantes Medidas Provisórias na fila, para votação.

A bancada da motosserra brilhará, de vez, diante dos holofotes de Brasília, escurecendo a esperança de se dar um freio na destruição de nossas florestas.

Defendendo o Verde

O Seminário do Partido Verde, encerrado a pouco em Marabá, definiu que a legenda discutirá a formação de alianças, para a eleição de 2008, baseada em duas restrições: não conversará com setores vinculados à prática da devastação e de cunho ético.

Os prováveis candidatos a vereador ouviram também que aliança para o pleito municipal de outubro não linkará o PV Verde a eleição de 2010.

O Partido Verde tem como meta eleger um deputado federal da Amazônia, preferencialmente do Pará, que possui características de produção totalmente diferente do cenário do Acre, cuja economia extrativista depende fundamentalmente de apanhadores de castanha e de seringueiros.

“Esta área da Amazônia é totalmente diferente daquele Estado. A nossa Amazônia tem um conjunto de indústrias cujo forte da balança comercial é o minério e a madeira, temas que nos obrigam estar em constante estado de discussão”, defende José Carlos, presidente estadual do PV.

Falando especificamente de Marabá, o dirigente deixou claro que qualquer negociação de aliança com pré-candidatos a prefeito necessariamente passa por questões urbanas e ambientais. “Não podemos sentar numa mesa sem debater a questão do engarrafamento da Rodovia Transamazônica, no trevo que dá acesso aos três núcleos da cidade. Impossível pensar Marabá sem discutir as ciclovias e construção de calçadas para pedestres. Estimular outra forma de visão de cidade”.

O seminário bateu muito numa tecla: o Partido Verde existe para defender o Meio Ambiente e elevar a qualidade de vida das populações. Não para dar legenda pra ninguém.

Num rápido bate-papo com o blogger, José Carlos descartou qualquer possibilidade do deputado estadual Deley Santos renunciar à sua pré-candidatura a prefeito de Tucurí, em favor de uma candidatura do Partido dos Trabalhadores -, conforme proposta feita pelo governo do estado. “ A desistência da candidatura do Deley só ocorreria, salvo engano, se significasse um projeto maior do que a própria eleição de um candidato do PV”, disse.

Além de Tucuruí, o PV deverá ter candidaturas próprias a prefeito em Oriximiná (Luiz Gonzaga, ex prefeito), Óbidos ( Mário Henrique) e em Belém (José Carlos ou José Francisco).

Em Parauapebas, a legenda está discutindo uma frente com o PPS e PSB. “A princípio, havia simpatia pela reeleição do Darci Lermen (PT), mas ela praticamente está descartada no rastro dos últimos acontecimentos ocorridos no município. Darci tem demonstrado não ter capacidade para conduzir uma política mais aberta. Diante disso, representantes comprometidos com o desenvolvimento do município tem nos procurado estimulando a constituir outra via -, que não seja Bel nem Darci”, garantiu José Carlos.

sexta-feira, abril 18, 2008

No meio do caminho, a pedra

Colocaram azeitona podre na empada da dupla Adnam Demachki e Sidney Rosas, diante do fortalecimento da pré-candidatura a prefeito de Paragominas do deputado Bosco Gabriel.

Com projeto desenhado para permanecer no comando da política local pelos próximos quinze anos, sem contar o tempo até agora usufruído pelos dois na prefeitura, a dupla sentiu no pé, e no bolso, o tamanho da pedra.

As projeções de pesquisas internas em poder do Clã Madeireiro os assustaram.
Bem provável comece logo-logo a estourar o jogo sujo de bastidores, com denúncias de todos os quilates contra o potencialmente pré-candidato deputado estadual.

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atualização, 09:36 (19/04):

Comentário do deputadao João Salame (PPS) mostra novo cenário eleitoral em Paragominas. Diz ele:

Informação segura. O candidato não será nenhum dos três citados. O nome escolhido de comum acordo pelo grupo é o de um irmão do deputado Bosco Gabriel. Adnan e Bosco não aceitam em hipótese alguma disputar o pleito. Pelo menos por enquanto.

Passageiro na chuva

Definitivamente, Lívio de Assis não irá para a Eletronorte. Martelo foi batido no meio de semana.

Jader Barbalho, convidado a apresentar ao governo novo nome, já está em campo.

No fundo, o imbróglio envolvendo Lívio de Assis teve um personagem inesperado no meio: José Sarney, que minou o nome do afilhado de Barbalho disposto a manter no cargo Carlos Nascimento, nomeado para a presidência a pedido do ex-governador do Pará.

Só que Jader Barbalho não contava com a troca de camisa de Nascimento, envolvido na função pela turma do senador do Amapá. Para se ter idéia, o atual presidente da Eletronorte (que nada mais faz a não ser aguardar a hora de limpar as gavetas e entregar o boné) ultimamente ia sempre ao confessionário de Sarney , antes de tomar qualquer decisão -, desconsiderando pedidos de Jader.

Uma coisa é certa: Lula determinou que a presidência do órgão seja indicação do deputado federal paraense.

Siderúrgica já tem local

No município de Marabá, próximo aos limites com Itupiganga, pela Transamazônica.

Nesta imediação, os parceiros da Vale edificarão a siderúrgica de U$ 6 bilhões.

A Associação Comercial de Marabá, durante reunião ontem à tarde de sua diretoria com associados, recebeu o comunicado num rápido telefonema disparado de Belém por um dos secretários mais graduados de Ana Júlia.

À notícia, todos os participantes da reunião vibraram com seu impacto.

A genialidade de Morbarch

Advogado Plínio Pinheiro Neto, conhecedor a fundo deste chão sulparaense, comentou detalhes do quadro de Augusto Morbach postado no blog, fazendo citações também a outro quadro a nanquim, do mesmo artista, exposto na Câmara Municipal de Marabá. Ao que diz Plínio:


Neste belo quadro que retrata momento significativo de nossa história, quando fomos tirados do isolamento por via terrestre, além das pessoas que foram citadas por ti, ainda temos, à esquerda, o velho Plínio Pinheiro (avô de Plínio, o comentarista) e Carlos Holanda (que fora ordenança do Jarbas no Exército) e ao fundo, de camisa azul, por trás do Jarbas, Hiran Bichara, além do Sr.Rezende, compadre do Jarbas que sempre o acompanhava nas viagens a Marabá (na frente dele Jarbas).

Não sei se é do teu conhecimento que o Brasão do Municipio de Marabá é de autoria do Sr. Augusto Morbach, a pedido do então Prefeito Pedro Marinho de Oliveira.

O dístico em latim (Favente Deo ad astra vehimur) quer dizer, numa tradução não literal: "com a ajuda de Deus aos astros chegaremos", ou seja, com a sua alma pura de artista, ele anteviu, 35 anos atrás, que as maiores alturas estariam reservadas a Marabá, no contexto nacional, sempre é claro, com a destra do poderoso SENHOR a nos guiar.

Estamos caminhando para lá, apesar de tantas adversidades e tanto pensar pequeno.Tenho em Belém dois belos trabalhos do Augusto Morbach e vou retratá-los para que possas conhecer e admirar.

Se observares um outro quadro dele que está na Câmara Municipal (abaixo), à inauguração da Transamazônica, poderás observar que ele (Augusto Morbach) está retratado entre os circunstantes (era uma faceta de sua arte, à exemplo de Alfred Hitchcock em seus filmes.

Nota: em azul, grifos do blogger.

quinta-feira, abril 17, 2008

Viva a bagunça!

O Sudeste do Pará, no Triângulo das Bermudas, está em guerra.

De Marabá e Canaã dos Carajás, grupos armados com todo tipo de ferramentas (de fogo e corte) transformaram estradas e ferrovia em ruas do Haiti.

Flagelo completo.

Viva a bagunça!!!!!

Barulho de chuva, quando chove

Bastava cair chuva de volume um pouco mais intenso para a avó materna do poster sair à procura de alguma lata vazia, no quintal de nossa casa. Era infalível: ela sempre largava suas prendas domésticas para buscar a vasilha.

Com cerca de oito anos de idade, via aquele gesto como algo enigmático, misteriosamente intrigante.

Bastava cair chuva de volume um pouco mais intenso, o poster também largava todo tipo de brincadeira que eventualmente o ocupava para ir até a cozinha constatar se vovó "Tunica" havia descido a escada que ligava a casa ao quintal, em busca do vasilhame -, que ela colocava-o sempre numa posição a aparar a água descendo de uma bica sobre o telhado da casa.

Logo em seguida, o barulho da chuva misturava-se ao som gostoso de água caindo em bacia.

Num dia de chuva qualquer, ao acompanhar um daqueles rituais que ela sempre fazia, molhando vestimentas e cabelos escuros de mestiça descendente de índia, o blogger perguntou-lhe a razão daquilo:

- Chuva sem barulho de chuva não é chuva, meu filho -, respondeu, misteriosa.

Na noite se terça-feira, chovia forte em Marabá. Vindo do quintal de casa, o poster ouviu o som de águas caindo numa vasilha. Ouviu e viu, nitidamente, numa rebuscada de memória, a imagem de vovó procurando a sua lata preferida.

Ela tinha razão:

- Chuva sem barulho de chuva não é chuva.

Câncer para todos

O blog e a coluna no Diário do Pará denunciam o problema há bastante tempo.

As fotos foram extraídas do relatório da Vigilância Sanitária comprovando casos de câncer em diversos animais abatidos em locais inapropriados, como abatedouros clandestinos, em pleno funcionamento na cidade por determinação da Justiça.

Na primeira foto (alto esquerda – círculo vermelho), três tipos de câncer, localizados numa peça do traseiro de uma vaca.

Na foto da direita (alto), diversas peças num grande recipiente com brucelose e câncer.

Na foto abaixo, vísceras com câncer, no local em círculo.

O povo de Marabá está sendo obrigado a consumir doenças, diariamente.

Matadouros, sob a guarda de uma liminar concedida pela juíza do município, deitam e rolam da miséria dos pobres.

Ganham dinheiro vendendo porcarias sob proteção judicial.

Vira, vira, vira, virou!

Como o caraíba parece não gostar de nada transparente, o jornalista Jeso Carneiro está fazendo figa para o prefeito de Novo Progresso parar de fazer tantas bobagens, diante das anomalias que Tony Fábio Rodrigues (PT) pratica no município.

Surtou de vez

Vez por outra, o poster escreve aqui e na coluna do Diário do Pará as "pérolas" do vereador Adelmo Azevedo (PTB). Pois bem, e não é que o distinto rapaz atacou de novo?!

Amanhã, somente amanha, no Diário do Pará.

Dialeto jererê

Na terça-feira, 15, o poster assistiu sessão da Câmara Municipal de Marabá.

Foi uma delicia ouvir discurso atabaloado do vereador Ademar Alencar (PMDB) criticando o setor de saúde do município e seus dirigentes.

Até hoje tentamos descobrir, sem sucesso, o que ele quis dizer com a seguinte frase:

- E eu não aceito ninguém fazer mafoge da cara de vereador.

Quem se habilita traduzir “magofe”?

quarta-feira, abril 16, 2008

Belo Monte, de novo, no molho

Jeso Carneiro é quem passa a novidade:


O juiz federal Antonio Carlos Almeida Campelo, de Altamira, concedeu liminar suspendendo efeito de acordo que permitiria a Eletronorte atribuir a três empresas privadas os estudos de viabilidade da Hidrelétrica de Belo Monte, na região do Xingu.
O magistrado ressalta que “a administração pública deve pautar sua conduta como a de a mulher de César: além de ser honesta, deve parecer honesta. A administração pública, ao contrório do administrador privado, não pode eleger contratantes ou parceiros comerciais ao seu alvedrio, por sua livre escolha. Deve dar ampla publicidade de seus atos e permitir que, dentre critérios estabelecidos em edital, qualquer empresa interessada participe do procedimento. São princípios comezinhos do Direito Administrativo.”
As empresas com os quais a Eletronorte assinou o contrato, através de um Acordo de Cooperação Técnica, são a Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Norberto Odebrecht.
O magistrado, conforme o teor de sua decisão, determinou o prazo improrrogável de cinco dias, a partir da intimação, para que as três empresas e a Eletronorte remetam à Justiça Federal de Altamira, “em caixas lacradas”, todo o material já produzido em decorrência do acordo de cooperação, “incluindo arquivos digitais em discos rígidos, CDs e quaisquer outros meios de registro físico de informações.”

Congresso de Meio Ambiente

Representantes do Ministério Público e dos Poderes Executivo e Judiciário, além de parlamentares, juristas, advogados, empresários, professores, estudantes, servidores públicos, especialistas e estudiosos da questão ambiental de todo o País se reúnem, em Belém, desta quarta-feira (16) até sexta-feira (18). Eles participam do VIII Congresso Brasileiro do Ministério Público de Meio Ambiente, evento promovido pela Associação Brasileira do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa), que pela primeira vez acontece na região Norte do País.

Durante o encontro, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia, os participantes discutirão temas como mercado de carbono, desmatamento, criminalidade ambiental, patrimônio cultural, dentre outros.

O gênio do nanquim

O desenho retrata a abertura da rodovia Pa-70, atual BR-230, ligando a Belém-Brasília a Marabá, nos anos 60.


A genialidade do marabaense Augusto Morbach substituindo a máquina fotográfica de então, por ocasião da visita do então interventor Jarbas Passarinho ( ao centro, à direita de boné) às obras de abertura da estrada, recebido pelo prefeito Pedro Marinho (de chapéu) e Eduardo Bezerra, à esquerda do governador.

Detalhes a serem notados: traços de trabalhadores da construtora e demais assessores da comitiva, destaque para um Jeep logo atrás das autoridades; distribuição de cores num realismo extraodinário de uma manhã de pouco sol; cortes em árvores usada na obra; um maravilhoso pé de ipê florido bem atrás, no alto; castanheiras realçadas, elas que foram por diversas vezes musa de inspiraçao do artista...

Augusto Morbach ainda não foi reconhecido neste país como deveria sê-lo. Em nossa própria cidade, merece ser muito mais lembrado do que as corrriqueiras citações de quem não o esquece.




Fotografado pelo poster ontem de manhã, o desenho, ampliado num grande quadro, está afixado no plenário da Câmara de Marabá.

Modus operandi

Sem-terras em movimentos de protesto operando fora do eixo de Carajás não pertencem ao MST. São associados da Fetraf e da Fetagri, dois movimentos que lideram o número de assentamentos no Estado e rarefeitos à radicalização extrema.

A Fetraf (Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar) detém o controle de 70% dos assentamentos e, entre suas lideranças, defende o tensionamento desde que o setor produtivo não seja atingido. Ocupar prédios, fechar estradas por alguns horas, como forma de incomodar o governo sempre refratário ao atendimento das reivindicações mais imediatas, são algumas estratégias usadas pela entidade, desde que não haja violência e ameaça de confronto com os setores de segurança.

A Fetagri trafega também por aí.

A propósito, as duas entidades são totalmente contra o fechamento da Estrada de Ferro Carajás e depredação de patrimônios da Vale.

Fetraf e Fetagri atuam consensualmente em muitas ações. E merecem o respeito da sociedade.

Que venha o “mal”

Está no Diário de hoje que o Ministério do Trabalho mandou ao Pará seu secretário-geral para auditar o CredPará, programa de micro-crédito do governo estadual, criado para substituir o Banco do Cidadão, recentemente consumido por ratazanas do staf da vice-governadoria.

Problema agora é saber o resultado da conversa que o dirigente do MT terá com Odair Corrêa, nosso folclórico vice-governador, que já disse à imprensa que -, “se tudo correr bem”- o ministério injetará mais grana no programa -, aí por volta de R$ 100 milhões!

Como é o Odair que está à frente do negócio, vamos torcer para “tudo correr mal”.

Médicos em extinção

A Fundação Getúlio Vargas deu o alarme: faltam médicos no país.
A Diagonal, consultora contratada pela Vale, aponta em seu Diagnóstico Integrado da Socioeconomia do Sudeste do Pará, estudo realizado ao longo de 2006, que o município de Marabá precisará, já a partir de 2010, de 30 vezes mais o número de médicos atualmente disponíveis. Durante apresentação do diagnóstico, em diversas audiências públicas, sugeriu-se, entre os participantes, a imediata instalação do curso de Medicina no município.

Como forma de não aguardar o agravamento das questões sociais oriundos da falta e assistência médica, diante da explosão demográfica em fase de consolidação, um executivo da Vale chegou a dizer que a entrada em cena da Universidade Estadual – enquanto a UFPA se pronuncia à reboque das dependências de ações políticas em Brasília -, seria a solução mais prática, e rápida, para o momento.

A governadora Ana Julia foi comunicada disso, inclusive com doccumento entregue a ela pela Associação Comercial e Industrial de Marabá.

Já estamos chegando ao meio do ano. A Uepa, vai ou não entrar no jogo?

O homem que copiava

A liderança do governo na Câmara Federal procurou o deputado Asdrúbal Bentes (PMDB) para comunicar-lhe o reconhecimento do Palácio do Planalto quanto ao uso da integralidade do texto de um projeto de lei de autoria do parlamentar paraense que propõe a regularização fundiária de áreas de até 1.500 hectares, sem necessidade de licitação.

Além do pedido de desculpas, o governo convidou Asdrúbal Bentes para relatar a matéria.

terça-feira, abril 15, 2008

Faça chuva, faça sol

Nem o inverno pesado reflui o ritmo de construção da ponte sobre o rio Tocantins, em frente a cidade de Imperatriz, ligando o Maranhão ao Tocantins.

A foto mostra o dimensionamento da obra, pretensamente anunciada para ser entregue antes da eleição de outubro.

Amanhã, contarei a safadeza da família Sarney na luta para impedir a conclusão do empreendimento.

Nem Cristo escapa

Marabá superou, nos últimos dez dias, todos os seus recordes negativos de índices de violência. Ninguém escapa a ação dos criminosos.

A última vítima, para humilhação das instituições do setor de segurança pública, foi a corregedora de Polícia Civil lotada na cidade -, que teve seu carro arrombado, em questão de minutos da ausência dela do veículo, na praça Duque de Caxias, ponto nobre da Velha Marabá.

Os ratos levam tudo

O destino dos grande clubes da região é ir pro beleléu mesmo. Desaparecer por completo, juntamente com o dinheiro que a maioria de seus dirigentes embolsa -, ao longo dos anos.

O poster acaba de tomar conhecimento de que em Imperatriz, uma das cidades mais lindas e gostosas pra se viver deste país, Oficiais de Justiça, acompanhados de agentes federais, decretaram, na semana passada, o suspiro final do outrora Juçara Clube, que já foi um dos principais clubes sociais do Norte e Nordeste. Determinaram a saída de todos os funcionários e lacraram o clube. A interdição permanecerá até a decisão final do imbróglio que tramita na Justiça do Trabalho, em que pede a anulação do leilão.

Durante muitos anos diretor da entidade, ao lado do saudoso presidente Pedro Américo Gomes, e de tantos outros companheiros, o bloger lamenta profundamente décadas de lutas enterradas. Ali construímos um ginásio de esportes revolucionário para a época, sede social suntuosa, piscinas e quadras, além do campo de pelada.

Só muito roubo, muito roubo, para acabar aquele patrimônio.

Momento triste para quem ajudou a construir uma história em Imperatriz.

Setran manda avisar

Da Assessoria de Imprensa da Setran, o blog recebe:

A SETRAN informa que, em razão das fortes chuvas que vêm caindo em todo o Estado, algumas rodovias e pontes estão apresentando problemas que vem sendo solucionados da maneira mais rápida possível. No trecho da PA - 150 entre os municípios de Xinguara, Rio Maria, Pau D'arco, Redenção e Conceição do Araguaia, o consórcio formado pelas empresas Rivolli, Construbase e Estacom deverão iniciar obras de recuperação tão logo as chuvas deem trégua. Um bueiro na saída de Xinguara rompeu ontem à noite asim como uma ponte metálica no trecho Redenção/ Conceição está cedendo.
A SETRAN já está com equipes nos locais providenciando obras de restauração.No km 50 da PA - 150 trecho Moju/Tailândia, ocorreu o atropelamento e morte de uma garota e a população exige a instalação de mais lombadas. A SETRAN já enviou equipes para avaliar se o trecho requer mais sinalização ou a construção de lombadas. Até o final de semana será solucionado esse problema.
A ponte da PA 242, trecho Capanema/Peixe Boi, danificada pelas enxurradas, já foi recuperada provisoriamente, já que uma nova em concreto será erguida nos próximos meses.As obras da manutenção e reforma da Alça Viária e PA - 483 em Barcarena , prosseguem para maior conforto e segurança dos motoristas e passageiros.
As rodovias de acesso às praias de Salinas, Bragança e Mosqueiro, estão passando por operação tapa-buraco, sinalização e pintura de pontes a fim de garantir tráfego seguro no feriadão.A SETRAN está realizando reunião com os dez chefes dos núcleos da secretaria no interior a fim de avaliar a situação da malha rodoviária no Estado,priorizar as obras emergenciais e manter as estradas em condições de tráfego nesse período de muitas chuvas .
A meta é chegar no verão com os projetos de obras definidos dentro dos recursos que a Setran possui para investimentos em 2008

segunda-feira, abril 14, 2008

MST, Indomável

Ninguem pode mais negar que o MST avassala propriedades. Suas pegadas pelo Sul do Pará são de destruição assustadora.

Na Fazenda Rio Vermelho, o que puderam fazer para comprovar atos de banditismo, o movimento fez.

A Polícia tem um apanhado geral dos prejuízos causados à fazenda dos irmãos Quagliatto.

Na estrada
Aos magotes, diversos grupos se dividiram para atacar a propriedade mais produtiva da região. Observem que entre eles, crianças integram o comando de ação em direção a entrada da fazenda, mais à frente, ao lado esquerdo da rodovia Pa-150.

Incendiários
No início da noite, a tática de criar diversos focos de incêndios em áreas diferentes da fazenda. Ao cair da noite, um dos focos iniciados.



Fogo no pasto
Com a chegada da escuridão, o fogo se alastrando por toda a fazenda.

Em cinzas
De manhã, a imagem da destruição de pastos, cercas e currais.

Quebra-quebra
Retiros de vaqueiros e demais trabalhadores destruídos. Na foto, uma casa levada ao chão com roupas, utensílios e outros bens dos serviçais.

Questão de minutos

No sábado, por volta de 21 horas, um sargento do Exército foi assassinado por dois bandidos que o abordaram na porta de sua residência, localizada em frente a casa do blogger, na rua que passa atrás deste imóvel.

Dez minutos depois do crime, o poster chegava, sozinho, na porta da garagem de sua residência, quando avistou o aglomerado de pessoas em torno do corpo estendido.

A vítima poderia ter sido quem escreve este blog, certamente.

Os assassinos levaram carro e carteira do militar que havia chegado a Marabá quatro meses antes.

Bota o Bambu na Lista!

Está no jornal que a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes apontou o restaurante Avenida, de Belém, o segundo mais antigo do Norte e Nordeste, com 63 anos.

Pois bem: o Restaurante Bambu já tem quase 30 anos, cada dia mais freqüentado.

A qualidade da peixada feita pela família Calmon é insuperável, em Marabá.

Reforma Agrária que não se faz

Advogado Ronaldo Barata comenta, a propósito do post Objeto é a Floresta no Chão:


A história relatada pelo nosso querido Ademir, é de significativa importância e deveria ser obrigatoriamente lida não só pelos que, como autoridades, dirigem a execução da Reforma Agrária, como por todos os que se preocupam com os destinos da Amazônia. O autor é insuspeito e merece credibilidade.
Quem conhece o Ademir, sabe que sua alma de poeta e seu senso de justiça, sempre os colocaram entre aqueles que defendem os mais desvalidos e lhe dá, com justiça, a postura de um homem de esquerda. Jamais, ao Ademir, se poderia imputar um viez conservador e retrógado.
Infelizmente, a história relatada é o retrato vivo da incapacidade governamental de implantar um plano nacional de Reforma Agrária que resgate, na verdade, os milhões de brasileiros que vivem em busca de terra para trabalhar e produzir.
Como sabes, fui Superintendente do Incra e Presidente do ex-GETAT e participei da elaboração do primeiro plano nacional de reforma agrária e, em consequência, do regional. Como executor, nos quase 4 anos de direção do Incra, promovi a desapropriação e aquisição de mais de 2 milhões de hectares de terras, destinando-as para a criação de projetos de assentamento.
Hoje, decorridos mais de 20 anos de tais ações, quando percorro, em especial o sul do Pará, fico entristecido pelo que vejo. As áreas desapropriadas não se transformaram, como deveriam, em polos de produção. E o que mais estarrece é verificar que os assentados não correspondem àqueles que deram origem aos processos de desapropriação, o que está me forçando, caso consiga encontrar tempo, a escrever a história "da reforma agrária que não fiz".
Parabenizo o Ademir pela sua coragem e honestidade intelectual e prometo retornar sobre o assunto.
Abraços do Ronaldo Barata

O Clã. De novo!

Comentarista Anônimo engrossa as crítica do blog a atuação da dupla dinâmica Adnam Demachki e Sidney Rosas, líderes políticos dos madeireiros de Paragominas, denunciando a existência -, dentro das serrarias da região Nordeste -, “de alarmante número de acidentes, acompanhados de mutilações, queimaduras graves e até óbitos inexplicáveis. Por tudo isso, e muito mais, devemos nos solidarizar com alguém como você (este poster) nas denúncias destes crimes cometidos”.

Com a palavra, Ministério do Trabalho e demais autoridades.

Tempo de desmoralização

No inicio da noite de domingo, rumores davam conta de que o Movimento dos Sem-Tora preparava diversas invasões de áreas próximas aos municípios de Breu Branco e Tucuruí – além da já consolidada ocupação, por cerca de 100 pessoas, da fazenda Reflorestamento Água Azul II, da empresa Globe Metais.

O olho dos bandidos está na derrubada de madeiras nativas e originárias de reflorestamento para a revenda aos donos de serrarias da região.

Pior: vai ficar por isso mesmo.

Ano de eleição vale tudo, até desmoralizar Polícia e Justiça.

Governos, isso nem é bom falar.

Onde andará dona Érica?

Essa a pergunta que todos fazem em Redenção. Foi o papo obrigatório da domingueira, por onde se andava na cidade.

Amigas e familiares da primeira-dama do município, Érica Cássia Silva, são categóricos em afirmar: ela não suportou o tratamento selvagem que recebia do companheiro, JPC, prefeito tentando a reeleição.

Pronto, se a bela senhora – com todo o respeito -, for filiada a algum partido, o blog lança a candidatura de Érica, Prefeita: Perfeita.

Isolando a mala

Vereador Sebastião Ferreirinha realizará simpósio em Marabá do PSB, com participação da militância e lideranças da legenda na região. Objetivo é isolar a família Andrade e obscurecer o que resta ainda de influencia de Ademir Andrade na vida do partido no Sudeste do Pará.

Canaã merece isso?

Está no site do Jeso Carneiro:

Os brizolistas Giovanni Queiroz (deputado federal) e Odair Corrêa (vice-governador) estão neste exato momento a bordo de um Cesnna cruzando os céus do sul do Pará.
No roteiro de visitas da dupla, consta os municípios de Eldorado de Carajás, Curionópolis, Canaã, Redenção e Conceição do Araguaia.
Amanhã, eles fecham oficialmente a aliança em torno da candidatura a prefeito de Canaã do pedetista (e ex-tucano) Anuar Alves.
Na região, hoje, o PDT tem apenas 2 prefeitos (Cumaru do Norte e Pau D’Arco). Planeja salta para 10 ao final da eleição deste ano.

domingo, abril 13, 2008

Até mais ver

A Batalha das Batalhas fica para a decisão do Carioca. Se o Bota vencer o Flu!

Do jeito que vier, três palitos.

Enquanto os escafandristas não chegam

Cansei de ver escafandristas mergulhando em frente de minha casa, no Marabazinho.

Eles ficavam sobre balsas improvisadas no Tocantins, e lá iam buscar no fundo do rio não sei o quê com suas vestes de ferro, longos tubos e cordas a lhes segurar nas bordas dos barcos.

Toda vez que ouço a canção de Chico Buarque (Futuros Amantes) falando dos escafandristas que nos guiam em um mergulho exploratório e contemplativo em águas desconhecidas, imagens de menino me socorrem.


Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos


Ver aqueles homens dentro de suas armaduras, em determinados momentos, dava medo.

Medo da figura escondida em armações de chumbo e medo deles não voltar de suas incursões.

Sonhava à noite com os escafandristas.

Era uma estranha sensação ígnea.

O que faziam no fundo do rio, intrigava-me.

Bastava algum deles desaparecer, submergindo, para meu sofrimento bater a porta.

Urgente como uma dor - que não dói, mas suplica -, não havia como ignorá-los, no fundo do Tocantins. Nem havia como evitá-los: estavam sempre à minha frente, perto de uma pequena praia -, defronte nossa casa.

Quantas vezes imaginei aqueles homens corajosos, em seus mergulhos destemidos, esgotando-se em pisar na lama que certamente havia no fundo do Tocantins, num ir e vir à tona que nunca se esgotava.

- Eles devem enfiar-se na lama, enfiar-se nela até o pescoço e até mesmo mergulhar e, assim, achar a lama, aconchegante, morna e voluptuosa -, pensava.

Não sei por que pensava assim.

Pernas, braços, tronco, cabeça, eram mera sugestão de corpos que viajavam no fundo do rio sem forma. E, neles, que se encontravam juntos um do outro, com suas vestes de chumbo, apenas se via o branco dos olhos.

Branco dos olhos luzindo desejo que faiscava no escuro do rio.

Meus delírios de escafandristas sumiram com o tempo, permanecendo apenas na alma intensa luz a querer decifrar mistérios, que habitam, sim, o fundo dos rios.

Assim, hoje, não quero saber para onde vão os escafandristas, que língua falam. O som de sua voz, o que carregam na solidão de suas armaduras.

Eles habitam a memória como um tesouro enterrado. Não há mapa para essa busca, a necessidade de encontrar não é real.

O amor bem lá dentro
No fundo do peito
Que faz nesse rio canções de ninar
Aonde eu mergulho, afundo
Sem me afogar
Sou escafandrista de mim
Já conheço as marcas, divisas
Que posso explorar
Do corpo, da alma
E todo o meu ser dominar
Não sou mais levado por ondas
Espumas de um bar
Que iam roubando-me a vida
Sem eu mesmo notar, S.O.S.
E agora os caminhos são outros
Já sei onde vou
Os pés bem firmados no chão
O corpo é de terra
Eterno é o coração.

Tum Tum Batuntum Cacacá

Nem bem começou o domingo, sinto um pouco de saudade exalando.

Mistura de ter nada para ter algo. E nem sei se rio, se vou ao rio, se alivio essa ausência de família que vive a domingueira em Belém, na Rui Barbosa.

Saber a calma para esperar, pacientemente, o dia de ir.

Viver cada passo desse chão numa manha de domingo, faz bem.

Por isso, às vezes, fico de mal com as pessoas, sem nunca deixar de falar com elas.

Cantar a nota para o céu
Achar a forma para a flor
Naturalmente para Deus

Há tanto tempo não falo com Deus? Nem tanto tempo assim.

O que isso de ruim pode acontecer em minha vida?!

Quer saber mesmo? Nada.

Naturalmente, o bom é viver. Só isso.

Naturalmente.


Ter nada, nada para Ter
Ter cada estrada para andar
Andar em cada para ser
Ter cada é nada para dar
Ser gargalhada para rir
Ser a palavra para dar
Ser serenata para ouvir
Se ser é nada para amar
Saber a calma para ir
Perder a pressa para estar
Perder o verbo para si
Saber o sonho para lá
Ouvir a rima para dor
Cantar a nota para o céu
Achar a forma para a flor
Naturalmente para Deus
Saber a calma para ir
Perder a pressa para estar
Perder o verbo para si
Saber o sonho para lá
Ouvir a rima para dor
Cantar a nota para o céu
Achar a forma para a flor
Naturalmente para Deus
Viva Belém do Tucupi
Belém, Belém do Tacacá
Belém, Belém da Açaí
Belém, Belém do Grão Pará

Hoje tem Espetáculo?!!!

Ao cruzar esquina de Marabá, na tarde de sábado, 12, dei de cara com uma carreata de um grande circo anunciando estréia de sua temporada na cidade.

O Portugal Circo, companhia de imensa estrutura exibindo elefantes, camelos, cavalos e outros animais.

De repente, lembrei do primeiro circo que vivenciei, armado num largo que havia nos fundos do prédio da prefeitura de Marabá (atual Câmara Municipal), e onde muitos anos após se construiu a nossa Catedral.

- Respeitável público! O circo orgulhosamente apresenta o maior espetáculo da Terra: a moto voadora e seus corredores loucos!

Na arquibancada improvisada de madeira (que chamávamos de ‘poleiro’) dessas bem caídas, mambembe, eu olhava o apresentador, e certamente dono do circo, de fraque e cartola(viva Chaplin!), chamando as atrações.

Luz sobre ele.

E entravam palhaços, malabaristas, atiradores de facas, copos, garrafas, e toda sorte de objeto doméstico, macacos e , sensação do espetáculo, o homem-bala!

Ele se apresentou, fazendo cena, entrou num canhão todo enferrujado e... pimba! Deu a impressão de ter ido pelos ares. Nunca mais se teve notícia dele!

Dia seguinte, Marabá não falava de outra coisa.

Sempre tive paixão por Circo.


Gostava de cantar, em minhas noites de boemia, a belíssima canção de Batatinha, O Circo, que Maria Bethânia gravou extraordinariamente:

Todo mundo vai ao circo, menos eu, menos eu.

Como pagar ingresso, se eu não tenho nada?

Fico de fora escutando a gargalhada.

A minha vida é um circo.

Sou acrobata na raça.

Só não posso é ser palhaço,

porque eu vivo sem graça.


Mas infalível mesmo é lembrar de Carequinha. Toda vez que vejo um circo numa cidade, lembro do maior de todos os palhaços.

Na TV, quando ele surgia, pra mim nada mais interessava fora de casa, rolando no mundo. Eu só tinha olhos para ele, com sua voz inconfundível dando conselhos às crianças.


O bom menino não faz xixi na cama

O bom menino não faz malcriação

O bom menino vai sempre à escola

E na escola aprende sempre a lição

Naquela noite inesquecível dos anos 60, veio à memória, o número mais engraçado: um grupo de palhaços loucos, amarrados em camisas-de-força, contando piada para o espectadores. De tão convincentes, os palhaços faziam a platéia acreditar que as piadas eram histórias reais!

O bom de tudo, é que qualquer circo, por mais pé-sujo seja, é sempre itinerante.

Vida na estrada.

- Hoje tem espetáculo?!!!