sexta-feira, março 28, 2008

Joga fora no lixo

O poster acaba de chegar em São Domingos, onde parou para postar esta nota, antes de seguir viagem rumo a Piçarra e Parauapebas. Não dá para esperar a noite.

Grande parte da pavimentação da rodovia Transamazônica, recuperada no final do ano passado, já foi pro espaço. Material de péssima qualidade utilizado pela Egesa se esfarela como angu de peixe em contato com águas de chuva.

O Brasil precisa ser desratizado nessa área de obras em rodovias. Os empreiteiros e seus aquinhoados não páram de embolsar dinheiro público enganando o país, engabelando toda boa vontade.

O desespero - sim, é desespero diante de tantas bandalheiras -, é bem maior no interior da gente ao se constatar o distanciamento dos diligentes membros dos Miistérios Públicos em relação à pocilga.

Du-vi-dê-ó-dó se a coisa não tomasse novo rumo caso um promotor - ou procurador -, desses por aí de culhão roxo, saisse fotografando as marmotas escancaradas nas estradas e cobrasse explicações aos próceres das construtoras, independente de serem ou não provocados (criar jeitinhos para a tal ´provocação´ não é tão dificil!).

Como ninguém se autentica a dizer haver Justiça no País dos Empreiteiros, os caraíbas seguem fazendo fila de roubos.

E deixando rastro de acidentes nas rodovias.

Pauta nacional

Tópico de abertura da coluna de hoje do poster no Diário do Pará, a ‘chupada’ - ipso literis-, pelo governo, do texto original de Projeto de Lei de Asdrúbal Bentes ganhou destaque nos principais tele-jornais do país. O próprio parlamentar paraense teve direito a quase um minuto de entrevista no Jornal da Globo, além de citações em outras redes. Aqui e aqui.

Servidor inadimplente

Não tem jeito.

Prefeito de São João do Araguaia, o indescritível Marisvaldo Pereira Campos não pára de fazer estripulias.

É de longe, o pior do Estado.

Os servidores da área de Educação continuam sem receber seus salários, devido ao atraso constante no desembolso por parte da prefeitura.

Prefeito que não paga o funcionalismo em dia deveria ser afastado incontinenti do cargo. Atrasar o minguado ganha pão do servidor é lesa-tudo.

Irresponsável esse Marisvaldo. Irresponsável e ave de rapina.

Bota na rua!

No blog do Juvencio Arruda:

É favorável a abertura de investigações o voto da relatora do Conselho Superior do Ministério Público do Pará contra o procurador Manoel Santino, o incrível secretário de Segurança do governo Jatene. A procuradora Olinda Tavares, apoiada em parecer do TCE sobre as contas da gestão do elemento, quer a instauração de um PAD que pode levá-lo ao olho da rua como resultado de uma ação penal por peculato e uma ação civil por improbidade administrativa.
Santino deu um show de incompetência em sua gestão à frente da Defesa Social.

Esse moço Santino é o grande responsável pelo Estado do Pará viver atualmente sob a Lei do Gatilho. O poster denuncia ele de longas datas, na coluna do Diário do Pará.

Coluna do Diário

Destaques da coluna do poster no Diário do Pará de hoje:

1- Governo plagia projeto de lei do deputado Asdrúbal Bentes e tema vira assunto nacional;

2- Trabalho de Suely Oliveira começa a aparecer, principalmente junto às áreas carentes dos municípios do Sudeste do Pará;

3- Última reserva de castanheiras do Pará, Fazenda Pontal produz sementes para replantio da espécie;

4- Setenta e cinco presidentes de Unimeds do Brasil estão encantados com Marabá.

5- “Praga de Gafanhotos” consome mais de R$ 5 milhões da folha de pagamento dos servidores de Eldorado do Carajás

6- Bel Mesquita empolgada com a instalação da Comissão Provisório do PMDB Mulher de Conceição do Araguaia

7- Governo do Maranhão inicia recuperação da Estrada do Arroz. Falta o Pará fazer sua parte;

8- A convite do deputado Asdrúbal Bentes, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, desembarca dia 3 de abril, em Marabá.

quinta-feira, março 27, 2008

Estórias de beira de estrada

Desta vez, até que a tchurma estava meio mansa. Não agrediu tanto como sempre faz quando decide bloquear estradas.

Mas que foi um saco, foi -, ficar quase cinco horas na beira da Pa-279, entre Eldorado e Parauapebas, enquanto os movimentos sociais colocavam crianças em bancos escolares, no centro do asfalto, fazendo de conta que ministravam aulas aos seus filhos.

Para quem tinha pressa – como o poster -, desesperadamente, as horas não passam. Ficam travadas. O ponteiro do relógio parece também ficar bloqueado, ali às margens da rodovia.

Observações cuidadosamente anotadas, enquanto aguardava, na rama, algum Xerife autorizar o restabelecimento do ir e vir democrático da cidadania:

- O fechamento por algumas horas da Pa-279 foi apenas um pré-aquecimento de outros marcados, antes da parada geral em algum dia de Abril.

- A Vale não se meta a boba achando que o MST recuará diante da liminar da Justiça Federal proibindo a interdição da Ferrovia Carajás. O instrumento jurídico concedido pelo juiz Carlos Haddad é aviãozinho de papel na concepção da militância, sem nenhum poder de desestimular a onda de invasões programadas.

Nem a liminar. Nem a multa individual de R$ 3 mil a quem transgredir a ordem da JF.

- O prefeito Sebastião Curió que se cuide. Também. A tchurma fala “tão bem” dele que melhor seria o militar da reserva ausentar-se do município nesse período negro, que vai de agora até 17 de abril.

Favelização da terra modelo

O blogueiro pegou um susto quando começou a percorrer, pela Pa-150, os limites da Fazenda Rio Vermelho. O que já foi modelo de centro de criação de gado de corte, transformaram numa extensa seqüência de pasto e capoeira.

O pasto, nas partes não tocadas pelos sem-terra; as capoeiras, nas imediações onde se construíram centenas de barracos de palha e cobertura à lona.

Exatamente no momento em que o poster e sua equipe passavam pela entrada da fazenda de Rocque Quagliato, o movimento era de arrastão. Magote de gentes adentrando o corredor central aos gritos e urras gerais, com bandeiras do MST tremulando em diversas mãos.

O setor produtivo (a Rio Vermelho tem mais de 200 mil cabeças de gado. Pelo menos tinha, não sabemos se esse número ainda é verdadeiro) criminosamente depredado.

Sinceramente, abateu-se sobre nós sentimento de desesperança diante das imagens registradas.

Versus X Versus

Afonso Klautau, no seu blog, dá o tom do que podemos esperar das eleições de 2008:


O diretório nacional do PT não aceita a aliança que o PT,o PSDB e o DEM, regionais, tentam fazer pra eleição de prefeito em Belo Horizonte.
Argumento dos caciques : "o projeto político do PT é antagônico ao do PSDB e do DEM".
Projeto político ? Antagonismo ?
Na minha modesta opinião, projeto político e antagonismo podem fazer a grande diferença nessas eleições de 2008.
E determinar a vitória ou a derrota.
Repito: podem fazer a diferença, o que não significa que vá ser assim.
No caso de Belém, por exemplo, quais são as opções postas, até então, na mesa?
Só pra citar os mais falados: Duciomar, Edmilson, Mário Cardoso, Jatene, Valéria, Priante.
Quais são os projetos políticos e quem é antagônico a quem?
Hein ?
Projeto político e antagonismo.
São as duas chaves do sucesso das eleições desse ano.
Quer dizer, pra quem quiser sair da mesmice do tudo deve ficar como dantes no quartel de Abrantes.

No dorso da chantagem

Val-André informa no Pelos Corredores do Planalto que “os garimpeiros Benigno e Etevaldo, em nota, diz que a família garimpeira de Serra Pelada, cansada pelo massacre econômico, moral e social ao longos desses 28 anos, decidiu criar o MTM - Movimento dos Trabalhadores e Garimpeiros e Mineração”.

Com a criação do tal MTM - podem conferir depois -, os manjados Raimundo Benigno e Etevaldo Arantes, circunstanciados por outras “águias” da garimpagem, passarão a implantar movimentos de fechamento de estradas e manifestações do gênero como forma de pressionar o governo, pela força do terrorismo psicológico, em busca de espaços privilegiados.

A “boquinha” é a meta.

Fato & Ficção

O senador José Nery (PSOL) está fazendo a sua parte. Pelo menos, se der certo, o caminho correto é o tomado por ele de tentar obter as assinaturas de congressitas para apresentação de PEC propondo a extinção da desoneração das exportações.

A dúvida é saber se o Congresso Nacional topa patrocinar o sepultamento da Lei Kandir.

Em verdade, José Nery está salvando a honra paraense no Senado.

Mário Couto e Flexa Ribeiro, ambos tucanos, limitam-se, tão-somente, a construir factóides -, desonerando-se das obrigações que lhe foram impostas pelo voto popular.

Nem pra se coçar

Três vídeos-documentários para serem entregues até terça-feira, 01; e a confecção de roteiro do piloto de um programa regional de TV tem consumido literalmente o tempo do poster nos últimos dez dias, com viagens seguidas a municípios da região.

Até a próxima quarta-feira, a atualização do blog estará vinculada à sobra de horas da intensa agenda atual.

Pedimos compreensão.

quarta-feira, março 26, 2008

Rumo ao terceiro mandato

"A oposição pensa que vai eleger o sucessor, mas pode tirar o cavalinho da chuva, porque nós vamos fazer a sucessão para continuar governando este país. Ela (oposição) não vai derrotar o nosso governo apenas fazendo discurso. É preciso trabalhar mais do que nós e dizer ao povo o que eles fizeram antes de nós, porque eles já governaram. Eles não são marinheiros de primeira viagem. Eles já passaram 500 anos governando este país".

"Pobre neste país só é valorizado em época de eleição. Eu duvido que vocês já tenham visto numa campanha política o candidato falar mal de pobre. Eles falam mal de rico, falam mal dos empresários, falam mal de qualquer coisa, mas pobre é endeusado, porque é o único momento em que pobre tem o mesmo peso que tem o rico."

"À exceção dos ex-presidentes Getúlio Vargas, João Goulart e Juscelino Kubitschek -, meus antecessores governaram para uma minoria. A elite política brasileira, aqueles que chegaram ao poder, estavam preparados para governar um Brasil apenas para 30% da população." (Presidente Lula, hoje, em Pernambuco)

De-com-força, presidente. Coloca a Dilma na berlinda e deixa o resto com os 70% !

Cosipar esclarece

Danielle Redig Serra Nunes, coordenadora de Comunicação da Cosipar, envia Nota de Esclarecimento sobre o acidente ocorrido com um combio de balsas da empresa no Rio Tocantins:


A MC Log Logística informa que no último dia 8 de março ocorreu encalhe de balsas transportadoras no trecho conhecido como Pedral do Lourenço. As mesmas foram imediatamente socorridas, não tendo havido interrupção de tráfego no referido trecho.

Todos os órgãos competentes, como Capitania dos Portos, Diretoria de Portos e Costas e Polícia Civil, foram comunicados sobre o assunto imediatamente após o incidente.

A Mc Log informa, ainda, que existe a suspeita que tenha ocorrido um ato criminoso, com o corte dos cabos de atracação, o que provocou a debandada e o posterior encalhe das barcaças nas corredeiras do Lourenço. Suspeitas baseadas em fatos que estão sendo devidamente apurados em esfera legal.

Não precisa ser Moisés

Ano de 1957, bairro Cabelo Seco.

A sensibilidade do fotógrafo Bastos, único repórter da época a registrar imagens preservadas em arquivos da Casa da Cultura de Marabá, flagra comunitários buscando alturas para livrar-se do peso da água. Sobre balsas-casebres improvisadas ou na cumieira de telhados, a vida busca pé.
É assim o vai e vem de águas tocantinas.
Um balé ao ritmo de Strauss; ou, raivosamente, metaleiro dos brabos -, assustando a calmaria dos barranqueiros.
Desconfortável, em alguns casos; divertido para a maioria, viver cheias de rios é beleza rara na vida de quem sabe flutuar sobre águas.

Tatibitati

Algo de estranho no resultado de duas pesquisas recentemente realizadas. Pelo menos em Marabá, os números apontam diferenças quilométricas.

A primeira, divulgada pelo Blog do Barata, mostra distanciamento descomunal do primeiro para o segundo lugar.

A outra, encomendada pelo PMDB em oito municípios do Sul e Sudeste do Pará, para consumo interno, a diferença em Marabá (ouvidas 2 mil pessoas) do primeiro para o segundo é de 3 pontos.

Alguém tem de refazer a coleta de dados.

Sem leme na cachoeira

Está mal contada a história do afundamento de duas barcaças carregadas de minério no Lourenção, à altura de Nova Ipixuna, na entrada do Lago de Tucuruí. Versão corrente de que pode ter havido crime premeditado não bate bem com os procedimentos corriqueiros de quem trabalha em tal atividade. A hipótese de que as embarcações teriam sido desamarradas propositalmente do porto onde se encontrava, descendo à deriva até chocar-se com os pedrais do furioso Lourenção, ocorreria caso a tripulação (ou parte dela) não estivesse no interior do comboio, durante a noite em que ocorreu o acidente.

Que conhece o modus vivendu de marinheiros do Tocantins entende que isso é quase impossível, considerando-se, inclusive, a quantidade de proeiros trabalhando nas barcaças da Cosipar.

Explicação mais convincente precisa vir à luz. As possibilidades de reativação da navegação do Tocantins não podem ser chamuscadas dessa forma, inda mais se no meio de tal imbróglio existem pentelhos de algumas entidades (como as colônias de pescadores) querendo parar a hidrovia no peito, ameaçando com ações na justiça a sua trafegabilidade.

A Cosipar foi corajosa e destemida lançando-se ao desafio de mostrar que a hidrovia é um bem comum. Agora, não pode jogar “Lourenção” abaixo todas as iniciativas. E muita grana torrada.

terça-feira, março 25, 2008

Balança sem tara

Sempre que era questionada sobre investimentos no Estado, inclusive na verticalização de seus próprios produtos - alumínio, por exemplo - a Vale saía pela tangente, com o seguinte lero: ela não pode concorrer com seus clientes. Como não pode concorrer, pode ser sócia, parece ser a lição a extrair desse movimento.Nesse caso é hora do Estado apresentar seu plano estratégico à Vale e mostrar que pode - deve - entrar nesse jogo. A não ser que queira ficar fora dele.

O texto é do magistrado trabalhista e blogueiro, José Alencar, desdobrando a decisão da Vale de tentar atrair investidores de regiões com forte crescimento econômico, como Oriente Médio e Ásia.

Uma questão de dois pesos sem medida.

Agora é G-10

O deputado Roberto Santos (PRB) subiu à tribuna da Assembléia Legislativa na manhã desta terça-feira para anunciar a saída de seu partido do bloco PT-PDT-PRB e sua entrada no agora G 10. Santos disse que se sentia isolado e desprestigiado no governo. Que os acordos celebrados com ele não foram cumpridos. Diante desse quadro anunciou que o PRB adotará uma postura independente nas eleições deste ano. Na AL, Roberto Santos disse que voatará daqui pra frente sempre em consonância com o G 10.

O deputado João Salame (PPS), coordenador do bloco, saudou em aparte a entrada do novo integrante e disse que o reforço faz do grupo a maior bancada da Casa, com poder de influenciar decisivamente negociações com a presidência da Assembléia, o governo e a oposição. Além de fortalecer sua posição junto a sociedade.

Na prática o surgimento do G 10 mexe com as estruturas de poder. Com os oito deputados do PSDB, os deputados Arnaldo Jordy (PPS), Gabriel Guerreiro (PV), Deley Santos (PV) e Cásio Andrade (PSB), caso se unam numa postura de oposição, representam maioria na Casa. Isso significa que o G 10 torna-se o ponto de equilíbrio no jogo de poder na Assembléia.

Construído de maneira inteligente, por isso mesmo se fortalecendo, o grupo foi idéia marabaense. Mais precisamente do deputado João Salame, não por acaso escolhido como coordenador do grupo. Que, claro, vai colher cada vez mais os frutos de sua iniciativa.

domingo, março 23, 2008

E por falar em saudades...

Depois que os anos 60 se foram, com sua exuberante provocação musical e comportamental, internacionalmente liderada pelo rock e no Brasil colorida pelos finos acordes da Bossa Nova, pelo frenesi ingênuo do iê-iê-iê e pelo sarapatel de idéias do Tropicalismo, pareceu que uma letargia mental se abateu sobre nossos tão imaginativos e corajoso músicos. Quando, no final da década de 70 iniciou-se a tal “distensão política” e a liberdade de expressão, em vez de nossa vida musical explodir em novos e surpreendentes projetos, caiu, ao contrário, num bolerento e embolorado cancioneirismo linear, comandado pelas Simones, Ro-Ros e Joanas da vida.

Neste domingo, coloquei um fita VHS antiga de programas antigos que eu costumava gravar e deparei com um debate, carregado de baixarias e fortes argumentos de um time de críticos entrevistados pelo “Roda Viva”. Um programa histórico conduzido ao calor da discussão de Tárik de Souza, Júlio Medaglia, Paulo Cotrim, e Mino Carta – à época diretor de Veja ( quando a revista era séria).

O grupo de críticos relembra toda uma trajetória dos criativos movimentos musicais do país, exaltando, principalmente, a Bossa Nova e o Iê-Iê-Iê liderado por Roberto Carlos.
Tempo da calça “calhambeque” boca de sino e os sonhos esvoaçantes num carrão vermelho loucamente dirigido por Eduardo Araújo.

Tarso de Castro bate forte em Medaglia porque este critica a crítica que não perdoa Chico Buarque, Caetano e o restante da seleção. Tarso parte para agressões pessoais, chamando Júlio de fascista (quem assistiu a este programa nunca deve ter esquecido).

O mais radical dos críticos da música brasileira reage dizendo que Tarso, “num afã de defender seus amiguinhos músicos, companheiros de porres e beijinhos na boca”, não entendeu seus argumentos.

O programa tem um curso de troca de impropérios, mas é gostoso. Discute-se o fluxo da MPB.

No início dos anos 70, o capixaba Sérgio Sampaio aparece dividindo com Raul Seixas, Miriam Batucada e Eddy Star o disco "Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta: Sessão das Dez". Logo estoura “Eu quero é botar meu bloco na rua”, onde ele aparece comprando briga, declaradamente em seus versos, com a ditadura militar.

Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou

Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...

Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender


Lembro-me, claramente, dos áureos tempos daquela geração, lá pelo inicio de 70, quando não apenas a crítica, mas uma repressão violentíssima tentava amordaçar a forte expressão de seu trabalho e ninguém ia resmungar na televisão e muito menos pedir condescendência a críticos para que fossem um pouco mais serenos e atenciosos. Muito pelo contrário.

O pau correu solto no “Roda Viva”, em atos de violência jamais imaginados pelo bom e “inzoneiro” espírito da crítica nacional – e o compositor, com toda certeza, saía ainda mais fortalecido, criativo e corajoso. Nenhum cassetete, tortura ou tentativa de lavagem cerebral que se processava através dos meios de comunicação conseguiu interromper ou inibir a atividade e a avalancha de participação social, política e cultural promovida pelos artistas da época e que tinha na musica brasileira o seu carro-chefe.


Não sou saudosista, e nem quero encontrar “razões” fora da própria atividade intelectual ou composicional ou ficar culpando instituições quem quer seja, pelo baixíssimo saldo criativo de nossa musica neste inicio de século.

Cozinhando em seu caldeirão João Gilberto, Luiz Gonzaga, choro, afoxé, e toda a parafernália elétrica de Dodô a Jimmy Hendrix, os Novos Baianos quando surgiram, soltando fumaça direto do sítio onde moravam em Jacarepaguá, fez-se revolução nos braços do violão e nos dedos de quem amava tocar com elegância e suavidade.

Os versos era o que se queria cantar,

Estava ali um pouco de tudo, com a ginga baiana padronizada no talento de Moraes Moreira, Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo, entre outros.

Exatamente quando meu filho Thiago nasceu, o grupo compôs “Quando você chegar”.

Quando você chegar, é mesmo que eu estar vendo você.
Sempre brincando de velho, me chamando de Pedro,
Me querendo menino que viu de relance.
Talvez um sorriso em homenagem à Pedro.
Pedro do mundo dum bom dum bom dum bom...
Fique quieto que tudo sana.
Que a língua portuguesa, a língua da luz.
A lusitana fez de você o primeiro guri.

Meu guri, meu gurizinho.
Água mole em pedra dura,
Pedra pedra até que Pedro.


Chico deixou de compor. Caetano se limita a regravar antigas canções. Gil, nosso ministro, também parou.

Novos talentosos compositores, seguem o eixo imposto pelo mercado, fugindo de suas capacidades de produzir algo melhor.

Esse papo de que a televisão é um veículo insensível à boa musica também é furado. Toda essa geração de músicos que fizeram nossa cabeça, atuando mesmo que raramente ainda hoje, foi fruto exclusivo da televisão. O período áureo de seus trabalhos se deu nos grandes festivais da TV Record de São Paulo nos anos 60. E no momento mais polemico e vibrante da musica no período, quando Caetano heroicamente tentava defender suas idéias numa nação em fúria contra ele (quem não se recorda disso?), uma única instituição esteve ao seu lado: a Globo de São Paulo. À revelia de todos, ela colocava no ar inúmeras vezes aquele seu desesperado e lúcido discurso de “É proibido proibir”.

O certo é que está faltando coisa boa na MPB.

Temos lampejos de compositores inteligentes mas que se conformam com o sucesso fácil.
Ninguém pode negar o talento de Chico César, Zeca Baleiro, Lenine, Jorge Vercilo, Djavan, Marcos Sacramento, entre outros. Mas dá saudades dos tempos bons de Walter Franco, Raul Seixas, Belchior, Ari do Cavaco -, influenciados pelos mestres dos anos 60.

Ainda hoje, quando escuto Sá Marina, na gostosa voz de Simonal, o tempo volta, a saudade aperta.

E lembro de amores que tantas encrencas causaram ao meu coração.