sábado, março 15, 2008

Delinquência institucional

Que o prefeito de Novo Progresso, Tony Fábio Rodrigues (PT) não é flor que se cheire, o Pará todo sabe. Agora, a extensão dos atos criminosos praticados pelo verdugo, é algo de extrema seriedade que mereceria pelo menos reação comprometida com a verdade de órgãos como os Ministérios Público Federal e Estadual.
Em dois atos, a delinqüência do gabiru:

1- No Rio das Arraias, Tony possui uma madeireira especializada em serrar castanheiras (ao lado);
2- Andando mais à parte Sul do município, precisamente na chamada Terra do Meio, no Xingu, o prefeito simplesmente usa motosserras na derrubada de florestas na Flota do Iriri, uma das ultimas florestas do Estado.
Sob beneplácito do Ibama, Polícia Federal e MPF.

Dono de diversas propriedades na região, Tony Fábio possui em suas entranhas pistas clandestinas, que ninguém sabe com quais propósitos foram construídas.

Não poderiam ser usadas para pouso de aeronaves transportando drogas? Essa pergunta é feita insistentemente pela população de Novo Progresso, sem respostas de órgãos como a Polícia Federal.

Na ponta da periferia

O Fórum Paraense de Competitividade, lançado no meio de semana pela governadora Ana Júlia, ganhou primoroso testemunho oral de Juvêncio Arruda, para quem “não pode ser admitido, francamente, que a metade dos investimentos minerais previstos para todo o Brasil nos próximos tres anos, algo como R$ 23 bilhões, e plataforma de consolidação da Vale à condição de maior empresa mineradora do mundo, seja desacompanhada, no mesmo período de implantação dos projetos, de um macroesforço de descompressão dos alarmantes indicadores sociais da região”.

O texto, no Quinta Emenda, é imperdível.

Novos municípios, são necessários?

Com diversas propostas de criação de novos municípios no Estado do Pará – a maioria inspirada no anseio pessoal de falsas lideranças locais -, torna-se inadiável a leitura do artigo Criação de municípios: um debate inadiável, de Wladimir António Ribeiro (Folha de São Paulo).


NO BRASIL, há muitos municípios que não possuem condições econômicas e técnicas de executar as competências para eles previstas na Constituição. Esse problema não é fruto apenas da enorme desigualdade social e regional brasileira, mas também da forma desordenada em que foram criados muitos municípios.Tal criação não criteriosa deu-se principalmente nos períodos imediatamente seguintes às Constituições Federais de 1946 e de 1988, como conseqüência dos processos de redemocratização.
Após 1988, esse processo foi interrompido em razão da emenda constitucional 15, de 1996, que outorgou a lei complementar federal o papel de fixar os períodos em que se permitirá a criação de municípios e, ainda, os requisitos que deverão atender os estudos de viabilidade municipal.
Essa lei complementar não foi editada até hoje, pelo que, desde 1996, se tornou juridicamente impossível a criação de novos municípios.
Mas houve exceções, como os casos dos municípios de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, ou de Santo Antônio do Leste, em Mato Grosso. Apesar de as leis estaduais que os criaram violarem a emenda 15, o Supremo Tribunal Federal tem optado por mantê-los, em nome da proteção à segurança jurídica, uma vez que a criação de tais municípios é "situação consolidada".
Tais decisões do STF colocam a nu que o Legislativo federal está inadimplente, uma vez que não cumpriu o seu dever de editar a lei complementar prevista pela emenda 15. Importante se dizer que o mal não é a criação de novos municípios, medida que, em determinadas situações, pode ser tida como legítima e até necessária. Isso porque o problema reside na criação de municípios inviáveis, que possam vir a se tornar mais um problema do que uma solução. E a principal razão para a criação de municípios inviáveis está nos critérios de distribuição do Fundo de Participação dos Municípios.
Veja-se: os municípios têm direito à 23,5% do arrecadado em Imposto de Renda e em Imposto sobre Produtos Industrializados, que formam o Fundo de Participação dos Municípios, mas o critério de distribuição entre os municípios é o de que recebem cota igual municípios com população igual ou inferior a 10.188 habitantes.
Ora, isso incentiva os pequenos municípios a se dividirem. Um município de 10 mil habitantes que se desmembre em dois leva a que seu âmbito populacional tenha duplicados os recursos que lhe são destinados pelo Fundo de Participação dos Municípios, em prejuízo das cotas de todos os demais municípios do Estado, que passam a dividir o fundo com mais um município.
É nesse ponto que está o equívoco. É necessário se corrigir esse critério irracional de distribuição de recursos e, assim, desincentivar a criação de municípios inviáveis.
Esse é mais um daqueles problemas que vêm se agravando por conta de não se aplicar a solução que é conhecida há décadas. Já no distante ano de 1956, há mais de meio século, durante a gestão do presidente Juscelino Kubitschek, o então ministro da Justiça, dr. Nereu Ramos, organizou uma comissão especial de juristas para proceder a estudos de reforma constitucional, na qual se destacaram San Tiago Dantas e o professor Brochado da Rocha. Um dos resultados desse estudo foi emenda constitucional que propunha que "os municípios que se criarem só dez anos depois de instalados terão direito a participar da distribuição" de recursos do Imposto de Renda, hoje substituído pelo Fundo de Participação dos Municípios.
Em suma: o problema e a solução são conhecidos há mais de 50 anos.
Com isso, essa oportunidade de elaboração da lei complementar federal pode ser a que permita que a solução seja aplicada: que o chamado "município-mãe" e o município criado compartilhem a mesma cota do Fundo de Participação dos Municípios por dez anos, preservando-se, assim, por este período, a participação dos demais municípios no fundo.
É uma solução simples, que não impede que, onde for preciso, sejam criados municípios, mas que desencorajará os que desejam criar municípios inviáveis, seja por interesses subalternos, seja apenas para aumentarem a participação na cota do Fundo de Participação dos Municípios.


- Wladimir António Ribeiro, advogado, mestre em ciências jurídico-políticas pela Universidade de Coimbra, é consultor do escritório Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Advocacia.

sexta-feira, março 14, 2008

Bandeira branca

Marcelo Marques descobre temporada de caça à paz.

Na seara política, pra ser mais claro.

Aninha sozinha

Essa moçoila aí em cima está sem namorado. E busca alguém pela Internet. Já recebeu proposta de mais de 350 cuecas.

Vai lá deixar teu recado também!!!

Tempo quente

Teve momento em que a reunião da cúpula de Segurança Pública com vereadores de Marabá e os deputados João Salame (PPS) e Asdrúbal Bentes desandou para o desentendimento. Só arrefeceu com a entrada em cena do Chefe da Casa Civil, Charles Alcântara, que, pelo telefone, colocou a casa em ordem.

A senha para o quiprocó foi a revelação do Delegado-Geral de Polícia Civil, Justiniano Alves, de que os recursos de emendas do deputado João Salame para a construção de delegacias e recuperação de outras em Marabá, previamente negociadas para aplicação em 2008, haviam sido retirados do Orçamento de 2008. O deputado reagiu com dureza, dizendo que aquela revelação era um “ato de traição e desmoralização” considerando os acertos prévios e a urgência ao atendimento das demandas.

Imediatamente, assessores da cúpula de segurança entraram em contato com Charles Alcântara que, pego também no contrapé, já que ele sabia do acordo firmado com o parlamentar do PPS, pediu calma a Salame e o tempo de dez minutos para retornar com alguma posição.

Enquanto aguardavam novo telefonema do Chefe da Casa Civil, o clima da reunião ficou pesado, com vereadores criticando o governo e dizendo que o povo do Sul do Pará não merece ser maltratado e abandonado da forma como estava sendo – principalmente na área mais sensível atualmente: falta de segurança.

Charles Alcântara deu o retorno, depois de telefonema a governadora Ana Julia, que também desconhecia os motivos pelos quais as emendas do parlamentar haviam sido retiradas do Orçamento deste ano, determinando o cumprimento do acordo e a localização de recursos para atender as demandas apontadas no relatório entregue ao secretário Geraldo Araújo.

Luta anunciada

- Que todos me perdoem, mas com a sinceridade que sempre tive ao debater questões de interesse de nossa região, não posso me furtar a oportunidade da Associação Comercial e Industrial de Marabá declarar que lutará com tudo o que tem direito para que a Siderúrgica da Vale seja implantada em nosso Município. Usaremos todo o prestígio e força da entidade nessa luta.

Declaração é de Gilberto Leite, presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, durante discurso no Fórum Paraense de Competitividade.

Na platéia, a governadora Ana Julia; o secretário Maurílio Monteiro (Secet); Tito Martins, diretor-executivo de Assuntos Corporativos e Energia da Vale; José Conrado (Fiepa) -, entre outros dirigentes de entidades patronais e populares.

Esperanças perdidas

Sofrimento. Muito sofrimento, percorrer a Transamazônica nesta época de chuvas.

Entre Cajazeiras e Novo Repartimento, há trechos em que a rodovia é um deslize só. Pior é que às margens da estrada, agricultores e fazendeiros isolados não acreditam que o governo Lula concluirá o seu asfaltamento.

Descrença histórica.

Quadrilha armada

No Lago de Tucuruí há um grupo armado até os dentes de pelo menos onze pessoas, percorrendo ilhas, em duas lanchas, na compra de pescados para a Semana Santa. Não são pescadores. Nem atravessadores.

São malfeitores à serviço de atravessadores.

Missão dos verdugos: espalhar medo entre humildes pescadores fornecedores de clientes do Pará. Nos contatos regados a muita cara fechada e ameaças de todo tipo, os malfeitores praticamente os obrigam comercializar a pesca apenas com eles, dizendo que precisam levar para o Maranhão, até o próximo domingo, 16, pelo menos dez caminhões de pescado para faturar na Semana Santa.

Briga de cachorro grande

De dezesseis construtoras, ficaram apenas quatro. E segunda-feira, 17, a Comissão de Licitação da secretaria de Obras de Marabá decide qual delas ficará com o direito de construir uma ponte sobre o rio Itacaiúnas – ao lado da existente -, dois viadutos e duplicar o trecho urbano da Rodovia Transamazônica, numa extensão de 6 km.

Valor das três obras: R$ 80 milhões.

Conselhos Tutelares

Danielle Filgueiras envia e-mail comunicando que será neste domingo, 16, a votação dos Conselheiros Tutelares dos distritos DASAC (Sacramenta, Maracangalha, Miramar, Barreiro, Telégrafo, Pedreira, Fátima) e DAENT (Val-de-Cães, Souza,Castanheira, Guanabara, Águas Lindas, e parte do bairro do Curió-Utinga).

Quem for eleitor das zonas eleitorais desses bairros, pode ir ás urnas neste domingo e escolher o Conselheiro Tutelar. Basta levar o documento de identidade e o título de eleitor.
Ela lembra também que “participar ativamente das eleições dos Conselhos Tutelares é cuidar dos direitos das crianças e adolescentes”.

quinta-feira, março 13, 2008

Alemão desaparece em Marabá

Um cidadão alemão que se encontra conhecendo a Amazônia desapareceu em Marabá, desde a tarde de ontem, 12. Ele chegou a cidade acompanhado de Maria Aldaíde, brasileira com quem é casado, e, misteriosamente, sumiu.
A mulher disse que ele saiu do apartamento onde se encontrava num hotel, enquanto ela tomava banho, e desde então nunca mais o viu.

Sem bandeira

Empresários de municípios do Sudeste não tem dúvidas de que a instalação em Marabá da siderúrgica anunciada pela Vale freará de vez o movimento divisionista territorial. Na visão deles, os benefícios do empreendimento terá o efeito de cessar a insatisfação pela ausência do Estado e de investimentos geradores de emprego e renda.

Setores da própria classe política regional perderiam o discurso de “terra abandonada”, não encontrando mais apoio popular para engrossar o movimento separatista.

- Com a siderúrgica em marabá, Belém ganhará o Sul do Pará de vez, disso ninguém tem dúvidas -, avalia um dos mais influentes empresários da região.

Tiros e medo na loja

Quem estava numa das filiais da Leolar (grupo de lojas de departamentos de Marabá) em Xinguara, ontem no final da tarde, viveu momentos de terror. Três assaltantes fizeram funcionários e clientes reféns, enquanto promoviam roubo de dinheiro, cheques e objetos.

Deixaram paredes e bens da loja cravados de bala.

Ritmo de reação

Cercado de pressões por todos os lados, o prefeito de Canaã de Carajás continua criando fatos políticos para encurralar a oposição. O município conta agora com 186 conselheiros eleitos diretamente em assembléias nas vilas da zona rural e nos bairros da zona urbana.

Mas a pancada maior em seus opositores, Josenilton Ribita (PMDB) aplicou quando anunciou a regularização das léguas parimoniais. Ou seja, terras da União transferidas para jurisdição do município, agora apto a distribuir títulos de posse aos proprietários.

Males entranhados

Primeiro foi a Operação Taturana que prendeu mais de 50 pessoas integrantes de uma organização criminosa e fraudar até R$ 200 milhões da Assembléia Legislativa de Alagoas. Agora surgiu a Operação Carranca, que algemou 19 bandidos – entre políticos, funcionários e empresários -, acusados de fraudar licitações na AL alagoana.

Se em cada estado surgisse uma carranca para espantar a corrupção nos órgãos públicos, dava para respirar ar mais puro, sim.

O escândalo recente na Assembléia Legislativa de Alagoas, carregada de conflitos políticos, dá para medir em bom tamanho a gravidade das demandas estruturais que envolvem o Estado brasileiro.

Em determinado momento, a instabilidade apresenta-se no âmbito do executivo, em outras, no legislativo. Nessas horas, acima dos objetivos partidários e corporativos, é preciso até considerar o sério risco de sobrevivência da ordem federativa.

Águia 1 X Remo 0

No Zinho Oliveira, despacharam um time em balsa que vai descendo o Tocantins rumo a Belém. Ninguém se esponsabiliza se algo de mais grave acontecer na travessia dos Pedrais do Lourenção.

quarta-feira, março 12, 2008

A vez de quem tem menos

A distribuição de renda que Lula vem promovendo no país têm inquietado muita gente que sempre ganhou dinheiro às custas da miséria e da exclusão social dos brasileiros. Nos últimos cinco anos, os pobres estão consumindo mais, sim. E vivendo melhor.

Ao saber do índice de 5,4% do PIB de 2007, além de ter recebido a boa nova "de forma muito gostosa" -, o presidente não deixou de denunciar o preconceito do andar de cima com as políticas sociais de seu governo:

- "Parte da elite não tem dimensão cultural para fazer uma inflexão e perceber que o que nós investimos em políticas sociais é tão importante quanto qualquer outro investimento. É bom lembrar para esses céticos, que uma parte do sucesso da economia brasileira, anunciada pelo IBGE, está subordinada a questão do crescimento do mercado interno"

Faça o que digo...

O Fórum de Justiça de Marabá foi construído em uma grande lixeira, próximo ao rio Itacaiúnas, ao custo de R$ 2 milhões. Pouco tempo depois de inaugurado, o prédio sofreu avarias em grande parte de sua extensão, paredes e pisos rachados -, culminando, inclusive, com a suspensão de uma sessão de Tribunal de Júri, por decisão sensata do juiz Ricardo Skarf, temendo desabamento do imóvel sobre uma grande platéia.

A construtora responsável pela pocilga aplicou, inclusive, cano de R$ 80 mil na prefeitura de Marabá por sonegação de tributos.

Inaugurado em 5 de novembro de 2004, de lá até hoje, diversas reformas foram executadas sempre com objetivo de consertar o grave problema de origem. Não se tem conhecimento dos valores aplicados na tentativa de recuperação do serviço mau feito.

Anuncia-se, agora, mais um desembolso. Desta feita, da ordem de R$ 400 mil, para outra reforma.

No caso da Justiça, exemplo de casa não existe para mostrar transparência em suas ações.

Segurança para São Félix

O deputado João Salame apresentou moção, na Assembléia Legislativa, solicitando ao Governo do Estado a construção e o aparelhamento de uma delegacia de polícia no Distrito Lindoeste, no município de São Félix do Xingu.

Região de assentamento do Governo Federal, o distrito ganhou energia recentemente, o que provocou intensa migração e aumento nos casos de violência. Moradores e prefeitura estão se movimentando para construir uma delegacia, mas precisam da ajuda do Estado não só para a construção do prédio, mas também para equipamentos e destinação de efetivo policial.


Fonte: Assessoria dep. João Salame (Lilia Affonso)

Veja, reacionária e ultrapassada

Olha o que está dizendo o Mino Carta sobre as ações tenebrosas praticadas ao longo dos anos pela revista Veja, plano de cena das denúncias do Luis Nassif:


O estudo das atividades político-comerciais da revista Veja, que seu autor, Luis Nassif, batizou dossiê, causa a repercussão merecida. Antes de mais nada, porque Nassif pertence à restrita categoria dos jornalistas habilitados a diferenciar a verdade factual das suas opiniões e venetas de cada dia.

Ou por outra: bem ao contrário de alguns freqüentadores das páginas da semanal da Editora Abril, Nassif não acusa sem prova e muito menos calunia. No canto oposto, está uma publicação que se esmera em comportamentos reacionários de extrema agressividade, mascarada de denúncia das mazelas do mundo, a transitar, de fato, entre o provincianismo do falso intelectual e o furor do recalcado.

Veja porta-se como se estivesse acima da verdade factual. Quem sabe, Roberto Civita seja tentado a dizer, com a candura de quem alimenta apenas certezas, "a verdade sou eu". Mas o dossiê de Luis Nassif desfia tramas variadas, urdidas pela Editora Abril a serviço de insondáveis cruzadas contra o senso comum, a inteligência e a ética. E a própria história (com H grande).

Há algo de insano nas atitudes de Veja. Certo é, porém, que Luis Nassif não precisa de apoio para conduzir seu estudo. Trata-se de um profissional talentoso, competente, responsável e de estilo próprio. De minha parte, limito-me a lamentar a parábola da revista, esta frase descendente a mirar no fundo do poço. Haverá quem alegue sua elevadíssima tiragem para demonstrar-lhe o êxito. No entanto, cabe outro ponto de vista: demonstra a confusão reinante na chamada classe média brasileira.

Neste sentido, a mídia nativa, rosto tradicional do poder, continua empenhada na permanência das coisas como estão para ver como ficam. Quem milita do lado contrário é posto em questão. Uma nota na coluna social do Estadão de quarta (5) chamou-me a atenção. Fala-se ali, neste espaço destinado a contar as pífias aventuras de um punhado de pessoas, sempre e sempre as mesmas, de uma reunião que se daria em São Paulo, no sábado 8, entre figuras do jornalismo alternativo (a palavra é esta) para debater a formação de uma "frente única".

Frente de qual guerra? A coluna bondosamente me inclui entre os participantes, e tudo foi surpresas para mim. Nada sei de reunião e de frente única, e estou longe de ser "alternativo", como não o são os demais citados, entre eles os professores Emir Sader e Luiz Gonzaga Belluzzo, e jornalistas do porte de Raimundo Pereira e Luis Nassif.

Não exageremos, porém, em espantos. Coluna social sumiu da imprensa contemporânea do mundo faz mais de cem anos. O provincianismo, na sua manifestação mais medíocre, ou mesmo ridícula, impera nestes espaços indestrutíveis em jornalões e revistas especializadas, bem como nas páginas de Veja.

Competitividade em debate

Às 15 horas desta quarta-feira, 12, quando Ana Julia instalar o Fórum Paraense de Competitividade, no Hangar, a Associação Comercial e Industrial de Marabá manifestará sua visão a cerca dos gargalos que limitam a ampliação da competitividade da economia paraense e formas de superação, no Sul e Sudeste do Estado.

O que vai ser apontado pelo presidente Gilberto Leite:


1- Necessidade da conclusão imediata da pavimentação da Rodovia Transamazônica e as eclusas de Tucuruí, para se viabilizar os corredores de exportação e de transporte;

2- Ampliação do aeroporto de Marabá e a definição do local e construção do porto da cidade diante da iminente realidade das eclusas de Tucuruí, que forçosamente viabilizará o transporte multi-modal através da Hidrovia Araguaia-Tocantins.

3- Preparação e capacitação de mão-de-obra regional;

4- Em caráter de urgência, criação da Universidade Federal do Sul do Pará, com a inclusão de cursos de Medicina, Ciência e Tecnologia.

5- Implantação do Distrito Florestal Sustentável do Pólo Carajás, que necessita reflorestar numa área relativamente pequena de apenas 500 mil hectares, para atender ao consumo das usinas de ferro-gusa;

6- Definição do marco regulatório, bem como a regularização fundiária, reserva legal e aplicação do Zoneamento Econômico-Ecológico.

7-
Executar de forma definitiva a descentralização das ações de governo.

Nos trilhos

Jeso Carneiro descobriu que o Ministério Publico Federal está fazendo andar a ação civil na qual são citados ex-dirigentes da secretaria estadual de Saúde:

O blog detectou movimentação, ontem, no processo nº 20073902001887-8 (ação civil pública de improbidade administrativa), ajuizado pelo MPF (Ministério Público Federal) na Justiça Federal em Santarém.
O réu-top é o ex-titular da Sespa Halmélio Sobral.
Mas também figuram na mesma condição Antônio Abud Ferreira e Paulo Roberto Cardoso Massoud, ex-auxiliares de Halmélio.

terça-feira, março 11, 2008

Checando números

Com a participação de comentaristas bem informados – e a confirmação de gente da secretaria de Finanças do município -, o blog enumera alguns débitos corretos da prefeitura de Parauapebas:

- Clean, terceirizada de limpeza pública, R$ $3.784.277,23 até 29 de fevereiro de 2008;

- Locarauto, do empresário Emílio dos Santos, R$ 2.933,191,00 (locação de veículos);

- Premium Engenharia, de Brasília, R$ 8.424.112,00, até fevereiro de 2008;

- Empresa White, do famoso empresário Branco, próximo a R$ 14 milhões.

Conforme divulgado na coluna do poster no Diário do Pará, a prefeitura de Parauapebas deve mesmo R$ 80 milhões,, incluindo-se empréstimo de R$ 30 milhões contraído em fevereiro, a título de antecipação de receita orçamentária. Pessoas ligadas a empresa confirmaram ao blog que a Premium Engenharia, objetivando gerar recursos, tem caucionado a prefeitura na rede bancária.

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atualização às 13:21

Valorizar menos a questão do montante de royaltes devidos à prefeitura de Parauapebas pela Vale (diz-se em tornode R$ 175 mil) e questionar o que tem sido feito com a extraordinária arrecadação do município, essa a sugestão de comentário postado minutos atrás.
Diz colaborador do blog:

- A pergunta é: onde foram parar os recursos arrecadados pela Prefeitura (cerca de 30 milhões mensais)?

Marolas acalmadas

Com inicio titubeante na secretaria de Meio Ambiente, Valmir Ortega firma-se no cargo de vez.

Paciente, ele soube superar obstáculos internos e driblar, sem criar atritos, a patrulha raivosa de petistas que não gostam dele.

Hoje, o secretário tem o controle do órgão.

Estilo Goebbels (*)

Durante uns três meses, jornalões de São Paulo/ Rio e grandes redes de TV tentaram mostrar à opinião pública que o Brasil estava à beira de um apagão energético. A idéia, em verdade, era desgastar a imagem de Lula. Espertos, todos jogavam com a possibilidade da seca se estender por um período de seis meses, como previram, erroneamente, alguns institutos de meteorologia.

Bastou o temporal cair em diversas regiões, para os reservatórios voltarem aos seus níveis de normalidade, jogando para bem longe o risco do Apagão tão desejado por alguns donos preconceituosos de mídias do Sul.

Depois veio a “campanha da febre amarela”. Do jeito que noticiavam, o país estava à beira de uma epidemia. Jogaram pesado, durante vinte dias corridos. Detectado apenas como casos isolados da doença, a elite da informação calou-se.
O catastrofismo foi pro espaço.

São Paulo, dirigida por Jose Serra (PSDB-DEM), ficou quase seis horas sem energia - causando maior pandemônio à população -, numa prova de que é preocupante a oferta de energia no estado mais desenvolvido do país.

O fato, gravíssimo, muito grave, mereceu registro de um dia. Apenas um dia.

A onda é mesmo contra Lula. Contra o redirecionamento de grandes verbas para as regiões mais pobres do país.

A imprensa feudal não aceita isso. Nem ela nem a Fiesp.

* Aqui

Daqui a pouco tem mais

Depois das 14 horas, o blog volta a ser atualizado.

Coluna do Diário

Destaques da coluna do poster no Diário do Pará de hoje:


1- Deputado Asdrúbal Bentes (PMDB) requere hoje, na Comissão da Amazônia, sessão especial para discutir o local de instalação da siderúrgica;

2- prefeitos do Sul do Pará está insatisfeita com a atuação da Caixa Econômica Federal;

3- Ainda existem seis prefeituras do sudeste do Pará com fornecedores e salário de servidores atrasados em até dois meses;

4- A situação financeira da prefeitura de Parauapebas é cada dia mais preocupante, com débitos na casa de R$ 80 milhões, entre dívidas com fornecedores, empreiteiros e consultores;

5- “Comédia que pode terminar em tragédia”.Assim Wandenkolk Gonçalves (PSDB) enxerga a crise em Tailândia;

6- Você sabe o que José Dirceu conversava tanto com Valdir Ganzer na Estação das Docas?

segunda-feira, março 10, 2008

Matando na unha

A Vale não terá sossego este ano.

Pelo menos se depender do humor dos principais dirigentes do MST, mensalmente haverá uma “novidade” na área. Ou melhor, nas propriedades da mineradora.

A chamada tática de guerrilha repassada ao blogger na tarde de ontem por importante membro dos sem-terra, é conseqüência de decisão da cúpula nacional do MST, que escolheu a mineradora como foco de suas investidas.

O ato de terrorismo registrado sábado à noite no centro de pesquisa florestal da Vale, em Açailândia, é “onda mansa”- conforme disse a fonte -, pelo que há de vir.

Desmatamento: todos são culpados

Ex-deputado estadual e advogado, Plínio Pinheiro comenta a crise na atividade florestal:


Já faz algum tempo que o assunto meio-ambiente/devastação é conduzido de forma emocional e, sobretudo, política. Faz-se dele, de tempos em tempos, um cavalo de batalha, por algum motivo que reflete, aqui ou lá fora. É claro que a ocupação desordenada das terras contribui e muito para a devastação, mas será que a culpa é de quem ocupa e devasta ou, acima de tudo, de quem deveria direcionar as ocupações, através de um zoneamento ecológico, que se existe, nunca foi aplicado.
Por outro lado, não se pode jogar toda a culpa sobre o particular. Pergunto: você já viu o Governo reflorestar para recompor as áreas cortadas por extensas estradas? Multiplique a extensão pela largura e veja os milhões de hectares que ele devastou abrindo estradas. E os milhões de hectares que ficaram sob lagos de usinas, estão replantados pelo Governo em que local? Tomemos como exemplo os mais de 400 Projetos de Assentamentos ou Assentamentos do Incra em nossa região e verifiquemos através de imagens de satélite, como eram à época da imissão do Incra na posse e como estão agora.
Concluiremos que toda a mata existente à época da desapropriação desapareceu por completo e quem devastou foi o Governo. Assim foi com a Bamerindus, com a Três Poderes e com a Macacheira. Esta, por exemplo, tinha em 1996 quando foi desapropriada, mais de 3.000 hectares de mata fechada e hoje, tem menos de 300.
É coisa para ser levada a sério e cada um deve assumir a sua parcela de culpa e recompor o que devastou. Não será Tailândia que eximirá o Governo de sua culpa de maior devastador das nossa belas e ricas matas.

Contas da prefeitura de Parauapebas

Dois comentários publicados no blog trazem à tona o que antes era apenas disse-me-disse nas esquinas de Parauapebas: substituição do atual Procurador-Geral do município, Hernandes Margalho; e gestão fiscal da prefeitura em estado de descontrole.

A demissão do poderoso Hernandes Margalho estaria ligada ao excesso de otimismo da procuradoria-geral em garantir ao prefeito Darci Lermen (PT) o comprometimento da capacidade de endividamento da prefeitura por conta de royalties devidos pela Vale, num montante próximo a R$ 600 milhões (segundo cálculos divulgados).

Conforme revela comentarista, “o prefeito responsabiliza o procurador pela expectativa gerada, já que o alcaide, acreditando na orientação jurídica do procurador, anunciou e contratou várias obras confiando na grana da Vale”.

Comerciantes e prestadores de serviços de Parauapebas evitam falar abertamente, temendo represálias, mas muitos fornecedores estariam em vias de desespero pelo atraso do pagamento de vendas e serviços efetuados às diversas secretarias.

Desde quinta-feira última, o blog aguarda o envio de relatório encomendado a uma entidade local sobre o passivo real do poder público junto aos fornecedores, que segundo voz corrente estaria superando ao expressivo valor de R$ 50 milhões.

domingo, março 09, 2008

Mulher, a leveza de existir

Bonita ou feia, toda mulher é bela. Dizem até que mulher linda demais é perigosa – maravilha e enlouquece ingênuos em noitadas de amor ou em ciladas de tormentosos vícios.

Homens com olhos normais não sabem vê-las. Não entendem a assinatura de Deus no infinito feminino. Ingênuos humanos, acham que elas são iguais a tantas outras coisas do Universo.

Na Vila Ponta de Pedras, a 25 km de Marabá, assentamento transformado numa pequena cidadela com mais de 500 moradores, dona Anastácia bate o pilão. Ao seu lado, estou tentando provocá-la, saber da vida feminina na labuta diária da agricultura de subsistência. Não tenho tempo nem de perguntar sua idade porque ela se avexa:

- Eu já tenho 52 anos, oito filhos e duas netas. Vivo com o mesmo marido desde 1971,e minha vida foi sempre assim. Acordo cinco da manha mas durmo cedo. Perto das oito da noite já estou na rede dormindo. Aquio todos dormem cedo.

Na vila caipira, faz um calor daqueles, a tarde vira uma imensidão de tempo na qual nada se move. Nem o ar. E estamos em pleno inverno. Calor de inverno apoquenta mais do que no verão.

A casa é simples, paredes sem reboco, um cachorro vira-lata e feliz sucumbe à hora da sesta. No quintal, sob um pé de limão, Anastácia fala desbocada, alegre, risonha, também feliz igual a seu cão.

- Não é preciso ser professor para perceber a preguiça dessa gente do ‘mato’. O senhor pensa que todos trabalham como eu?! Longe disso. Tenho vizinha aqui que só sabe pedir café e arroz emprestado. Não faz como eu que vou pra juquira cedinho com o meu “véi”. As pessoas não são realistas. Elas ficam assuntando sonhos demais e depois, ao perceberem que não vão nunca atingir o que sonham, começam a desanimar e então criam desculpas para seu fracasso. Aqui já teve mais de vinte famílias que largaram seus lotes, venderam pra outros e nunca mais voltaram.

Ao lhe perguntar sobre o Dia Internacional da Mulher, minha bela amiga dispara:

- Até me chamaram pra ir pra São Geraldo do Araguaia participar da festa que o sindicato (Sindicato dos Trabalhadores Rurais) vai fazer. Mas eu não sei ficar no meio de frege, todo mundo bebe demais, na volta tenho medo de acidente na estrada. Mas eu acho bom. A mulher tem que se valorizar, brigar pelo seu espaço. O mundo não é justo, eu sei, mas quem fica revoltado por isso e vai chorar na cama que é lugar quente, nunca chega aonde quer. Ninguém conquista tudo que sonha, vai a todo lugar que quer, é correspondido por todos a quem ama, aprende tudo que estuda ou possui tudo que ambiciona. Eu sei que não posso ter um carro, eu e meu marido. Pra que vou sonhar em ter um carro? A mulher tem que lutar, só isso. Lutar mesmo.

Nem lendo Dostoievski se entenderá porque dona Anastácia é assim.

Ela faz parte desse mistério que cerca o mundo feminino. Como resmunga Bob Dylan em um de seus versos: “Você nasceu com uma serpente em cada um de seus punhos enquanto soprava um furacão”.

Essas mulheres, assim mulheres. Porque mulheres.

Mulher sestrosa, às vezes escancaradamente indecorosa, em cujos pecados amantes se encontram. Porque é preciso amá-los: Pecados e Mulher. Mesmo sabendo de seus perigosos caminhos, insidiosos atalhos, às vezes iluminados de noite ou apagados no dia.

Assustadoramente antítese da lógica.

No Rio de Janeiro, dividi quase cinco meses o aluguel de um apartamento com um amigo baiano chamado Leonizar. Um dia, ao chegar à noite abatido pelo término do namoro com uma garota com quem estudava, escreveu à giz no quadro negro que tínhamos na sala:

“Quem nunca viu de tão perto uma mulher, e idealiza sua beleza exposta, tem um pé atrás do otimismo, achando que ela é bandida, traiçoeira como sereia que canta e encanta para atrair marinheiros desavisados”.


Quem melhor fala delas é Vinicius e Chico. Talvez por que num tempo em que foram, também, a dose certa do universo feminino.

Tê-las na mira e poder tocá-las, ainda que rapidamente, é sentir na memória da palma da mão o gosto indescritível da textura cálida e o calor de uma chama estelar.

Diante da Mulher, nada de ‘apressar o mundo’. Jamais deixá-la de molho.

Martinho da Vila diz que já amou todas as mulheres.

Já tive mulheres de todas as cores
De várias idades de muitos amores
Com umas até certo tempo fiquei
Pra outras apenas um pouco me dei
Já tive mulheres do tipo atrevida
Do tipo acanhada do tipo vivida
Casada carente, solteira felizJá tive donzela e até meretriz
Mulheres cabeça e desequilibradas
Mulheres confusas de guerra e de paz
Mas nenhuma delas me fez tão feliz
Como você me faz

Na musicalidade belíssima dos versos de nosso sambista Maior, algumas feministas detectaram preconceito. Ensaiaram até um processo contra Martinho. Não entenderam a alma do poeta.

O contrasenso aí, das feministas, é certo.

Mulheres sempre despertam sentimentos contrários, confusos e inseguros. E as regras não são simples para entender o mistério.

É bom ter sempre um mapa à mão, mas apenas como indicativo. Mapear a fêmea, é tarefa inconclusa.

A Coisa mais linda que Deus construiu.