sábado, julho 11, 2009

Coluna Diário do Pará

Coluna do poster publicada no Diário do Pará, edição deste sábado:




Terra de muro baixo
O colunista viu com seus próprios olhos: a CMT, empresa responsável pela construção da segunda ponte sobre o Itacaiunas, em Marabá, está aplicando na obra ferro fabricado pela Gerdau, numa atitude totalmente distanciada dos esforços que governo e sociedade do Pará realizam para fomentar o setor produtivo do Estado. Há mil metros do canteiro de obras, em linha reta, a siderúrgica Sinobrás produz as mesmas especificações do ferro consumido no empreendimento, mas que está sendo preterido pela empreiteira, em favor da indústria do Rio Grande do Sul.

Cartas marcadas
Pelo andar da carruagem, embolsando verba de mais de R$ 80 milhões na construção da ponte e duplicação da BR-230, a CMT contribuirá também, de forma irresponsável -, e sabe lá Deus quais interesses atendendo -, para o recolhimento de ICMS em outros estados, ao importar grande quantidade de ferro que estoca sob a ponte do Itacaiunas, numa furada-de-beiço no tesouro estadual e na própria Sinobrás, empresa que aplicou mais de quatrocentos milhões de dólares na verticalização de sua usina de aço.


Construindo cidadania
A Unimed Sul do Pará acaba de ser contemplada com o selo Unimed Responsabilidade Social, conferido pela Unimed do Brasil, em sua 7ª premiação, nas áreas de cultura, social, esporte e meio ambiente. A cooperativa médica do Sul do estado concorreu com outras 225 unidades inscritas em todo o país. Um dos programas destacados na premiação foi o Unimed Vai à Escola, que hoje beneficia mais de duas mil crianças de escolas da zona rural.

Pisando estradas
Simão Jatene botou o pé na estrada, literalmente. Há dez dias, ele visita municípios do Sul e Sudeste, priorizando encontros com bases interioranas do PSDB e reuniões com lideranças de entidades de classe. Em Ourilândia e Xinguara, o ex-governador recebeu apelos para disputar novamente o governo. Em Marabá, foi recebido pelo prefeito Maurino Magalhães (PR) e, num breve encontro na Expoama, discutiu a crise do setor com pecuaristas. Neste final de semana, Jatene amplia contatos em municípios localizados no entorno de Marabá.

Troca de comando
No Congresso Estadual do PPS, deputado João Salame, de Marabá, foi o mais votado na escolha dos delegados ao Congresso Nacional do partido, que acontecerá de 7 a 9 de agosto, no Rio de Janeiro, obtendo 71 votos contra 63 do deputado Arnaldo Jordy. Na composição do novo Diretório Estadual, que elegerá a futura Executiva e o novo presidente, João Salame e seus aliados saíram fortíssimos. Em condições de influir decisivamente na nova composição, Salame diz não postular o cargo de presidente, tecendo elogios ao deputado Jordy, que preside o partido há 17 anos. Mas que ninguém se iluda: nenhum presidente será eleito no PPS sem a participação direta do parlamentar marabaense. Por trás do pano, a importante decisão de com quem ficará o PPS no jogo de xadrez das alianças partidárias nas eleições do ano que vem.

Reforço à segurança
Ana Júlia encara agenda apertada no final de semana, percorrendo o Sudeste do Pará. Ontem esteve em Tailândia, entregando delegacia de Polícia e viaturas, além 650 cartões do Projovem. Neste sábado, 11, em Marabá, a governadora faz intervenções de novo na área de segurança, entregando viaturas às polícias e dando start aos programa “Cadê Seu Filho”, “Força pela Paz”e “Operação Verão” . Depois almoça com pecuaristas na sede do Sindicato dos Produtores Rurais, na Expoama. Às 14 horas, participa do ato de saudação no 1º Encontro LBT.

Curionópolis festeja
Entrega oficial da licença prévia do Projeto Serra Leste, agendamento das audiências Públicas do Projeto Cristalino e assinatura de termo de cooperação com 38 prefeituras do Sul e Sudeste, descentralizando ações da SEMA. Essa a programação de Ana Júlia em Curionópolis, hoje, 11, às 17 horas. Na cidade, a expectativa entre populares desempregados é grande quanto ao inicio das obras dos dois projetos da Vale, que abrirão oportunidades de emprego a milhares de pessoas.

Combatendo a grilagem
Começa por Altamira, dia 16, a correição do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) nos cartórios de registro de imóveis com objetivo de estancar a produção vergonhosa das chamadas “terras do papel”. A Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é quem inspecionará os serviços prestados por cartórios e Varas do Estado do Pará, buscando corrigir, em última instância, as ilegalidade e combater a grilagem de terra no Estado. O Pará foi escolhido para a inspeção por possuir uma “grande extensão territorial e um preocupante histórico de conflitos fundiários”.

Crédito
Em Xinguara e Rio Maria, o chefe da Casa Civil, Cláudio Puty, anunciou programa de fomento a pequenos agricultores dos municípios atingidos pelas fortes chuvas neste semestre. Um crédito de R$ 2 mil, com juros de 0,5% ao ano. Num auditório lotado de pequenos produtores rurais, Puty relatou a visita que a governadora e sua equipe tiveram com a ministra Dilma Houssef. Nela foi combinada a liberação de R$ 150 milhões para a recuperação de rodovias estaduais e vicinais. E a redução de 20% nas contrapartidas do Estado referente às obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). João Salame estava na comitiva de Puty.
UMAS & OUTRAS
Antecipado pelo blog www.hiroshibogea.blogspot.com , Ana Júlia vai aderir à blogsfera, lançando seu blog pessoal com intervenções nas áreas política, governo e temas diversos.

Cooperativas e associações de mototaxistas do Sul do Pará articulam-se para organizar encontro regional de agradecimento à luta desencadeada há oitos anos pelo deputado federal Paulo Rocha (PT) para que a profissão fosse regulamentada pelo Congresso Nacional.

Eugenio Alegretti, gerente Administrativo, e Jorge Bichara, presidente da cooperativa, absorvendo incontida satisfação com o selo de Responsabilidade Social conferido a Unimed Sul do Pará, prometem ampliar a rede de benefícios às pessoas menos favorecidas da região.

Encerramento da Feira Agropecuária de Marabá deverá receber neste sábado maior público de todas as edições da Expoama. Show é de Bruno & Marrone.

quinta-feira, julho 09, 2009

Destroços à vista

Quando iniciar a correição anunciada para a próxima quarta-feira, 16, nos cartórios de registro de imóveis paraeses, o CNJ levará a pique uma das estruturas mais arraigadas e contempladas, em vasta extensão, por malfeitores de toda linguagem.

A cambada é tão podre que conseguiu, com o talento da bandidagem, elevar em até quatro vezes, nos livros de registro, a extensão territorial do Estado.

Detalhes na coluna do blogger, amanhã no Diário do Pará.

quarta-feira, julho 08, 2009

Governadora blogueira

Dentro de alguns dias, ela será uma das nossas.

Ana Júlia decidiu aderir também à blogosfera.

A governadora do Estado está trombeteando detalhes finais de seu futuro blog que se destacará com impressões pessoais sobre o Pará, política, governo e outros temas.

Corpos da guerrilha

Há um esforço redobrado do poster para se recuperar, até sexta-feira, da terrível gripe que o tirou de combate. Na pauta, acompanhar a equipe do Ministério da Defesa que dará início a novas buscas de corpos de membros da Guerrilha do Araguaia, cujos integrantes desembarcaram nesta quarta-feira, 8, em Marabá.

Sexto sentido diz que há corpos enterrados na antiga Casa Azul, hoje sede do DNIT, no entorno da ponte sobre o Itacaiúnas, área urbana de Marabá. Depoimento a este poster de antigo morador do bairro do Amapá - ali pertinho - conta histórias de gritos de pessoas torturadas naquelas dependências, com o leva-e-trás de pescadores do Itaciúnas testemunhando, nas caladas da madrugada, o que viam de aterrorizonte na Casa Azul.

Há suspeitas, entre nossas fontes, de que alguns corpos teriam sido enterrados na ribanceira da CA, enquanto outros seriam acorrentadas em bases de concretos, depois jogados no Itacaiúnas, como alimento para peixes - àquela época abundante no rio.

O blog não pode perder os passos dessa equipe do MD.

Tocando berrantes

Fumaça branca anuncia armistício entre o Ministério Público Federal e pecuaristas.

Acordo assinado entre as partes, incluindo também o governo do Estado, prevê: 1) reflorestamento de áreas alteradas; 2) auditoria independente para realização de fiscalizaçã0; 3) rastreamento eletrônico dos animais; 4) moratória total do desmatamento por dois anos.

A Marise que Juvêncio tanto ama

O poster acabou de falar pelo telefone com a Marise. Ela disse que reuniu todas as forças disponíveis, com a ajuda dos familiares e amigos, para passar ao Juvêncio muita energia de esposa inseparável.

O nosso maior blogueiro está lúcido. No momento em que conversamos, Marise disse que ele descansava.

Na casa de Arruda, aguarda-se a orientação a ser dada pelo oncologista para saber a intensidade do tratamento ao qual Juvêncio será submetido.

Como o maldito câncer em estado adiantado dominou órgãos vitais dele, dá para perceber os cuidados dos familiares em fazer qualquer prognóstico.

Com voz firme e determinada a enfrentar a situação de cabeça erguida, Marise demonstrou, no rápido contato com o blogger, que o Juva já está encarando, com mais coragem ainda, a disputa mais dura que ele trava na vida - depois de peitar tantas outras escrevendo diariamente em seu blog.

Com fé em Deus, nessa disputa o Juvêncio leva.

Vale: 60 vagas para engenheiros

Estão abertas as inscrições para o Programa de Especialização Profissional 2009 da Vale, que irá oferecer 60 vagas de pós-graduação para profissionais formados nos últimos três anos em Engenharia. O programa tem como objetivo especializar profissionais para a cadeia produtiva de mineração – mineração, porto e ferrovia.
O curso oferecido é o de Pós-Graduação em Engenharia Ferroviária, que terá cerca de 375 horas/aula e será realizado em regime integral, com duração de dois meses e meio, em parceria com instituições de ensino. Serão oferecidas duas turmas, com 30 alunos cada, uma em Belo Horizonte (MG) e outra em São Luís (MA). Os alunos selecionados receberão uma bolsa de estudo mensal no valor de R$ 2.000,00, totalizando R$ 5.000 no período do curso.
Os candidatos para a turma de Belo Horizonte devem ser residentes das regiões Sul e Sudeste do país. Para a turma de São Luís serão aceitas inscrições de candidatos do Norte e Nordeste. As inscrições vão até o dia 26 de julho e podem ser feitas através do site da empresa (www.vale.com).
Para se candidatar, o profissional deve ter até três anos de formado nos cursos de Engenharia Civil, Produção, Elétrica, Eletrotécnica, Eletrônica, Eletroeletrônica, Mecânica, Mecatrônica, Segurança, Meio Ambiente e Telecomunicações; ter domínio intermediário de inglês e disponibilidade para morar em São Luís ou Belo Horizonte ao longo do período do curso.
Conteúdo da Especialização
A formação compreende o desenvolvimento das competências técnicas, abordagens teóricas e práticas com aulas expositivas, além de visitas técnicas às áreas operacionais da Vale. Ao término do programa, o participante apresentará uma monografia como conclusão da sua formação e receberá certificado de conclusão do curso.
O programa de Especialização Profissional, oferecido pela Valer, departamento de educação da Vale, representa o compromisso contínuo da empresa com o desenvolvimento econômico e social das regiões em que atua, promovendo a formação para o trabalho, a cidadania e a inclusão social. No ano de 2008, o programa Especialização Profissional formou 330 alunos em três modalidades de pós-graduação: especialização em mina, em ferrovia e em porto.
O programa de Especialização Profissional, oferecido pela Valer (departamento de educação Vale) representa o compromisso contínuo.
Fases do Processo Seletivo
Após a análise curricular, serão aplicadas provas de inglês e raciocínio lógico. Na etapa seguinte haverá redação e dinâmica de grupo e, por último, entrevista pessoal. Todas as etapas são eliminatórias.

Serviço:
O que: Programa de Especialização Profissional
Quando: 8 a 26 de julho de 2009
Quantidade de vagas: 60
Como se inscrever: acesse o site www.vale.com

terça-feira, julho 07, 2009

A reação de Lucio Flávio

Lúcio Flavio Pinto, setenciado a pagar R$ 30 mil de indenização aos irmãos Maiorana, do Grupo Liberal, por hipotéticos danos morais, repercute a decisão judicial em carta aos seus leitores:



Li com estupefação, perplexidade e indignação a sentença que ontem me impôs o juiz Raimundo das Chagas, titular da 4ª vara cível de Belém do Pará. Ao fim da leitura da peça, perguntei-me se o magistrado tem realmente consciência do significado do poder que a sociedade lhe delegou para fazer justiça, arbitrando os conflitos, apurando a verdade e decidindo com base na lei, nas evidências e provas contidas nos autos judiciais, assim como no que é público e notório na vida social. Ou, abusando das prerrogativas que lhe foram conferidas para o exercício da tutela judicial, utiliza esse poder em benefício de uma das partes e em detrimento dos direitos da outra parte.
O juiz deliberou sobre uma ação cível de indenização por dano moral que contra mim foi proposta, em 2005, pelos irmãos Romulo Maiorana Júnior e Ronaldo Maiorana, donos da maior corporação de comunicação do norte do país, o Grupo Liberal, afiliado à Rede Globo de Televisão. O pretexto da ação foi um artigo que escrevi para um livro publicado na Itália e que reproduzi no meu Jornal Pessoal, em setembro daquele ano.
O magistrado acolheu integralmente a inicial dos autores. Disse que, no artigo, ofendi a memória do fundador do grupo de comunicação, Romulo Maiorana, já falecido, ao dizer que ele atuou como contrabandista em Belém na década de 50. Condenou-me a pagar aos dois irmãos indenização no valor de 30 mil reais, acrescida de juros e correção monetária, além de me impor o pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, arbitrados pelo máximo permitido na lei, de 20% sobre o valor da causa.
O juiz também me proibiu de utilizar em meu jornal “qualquer expressão agressiva, injuriosa, difamatória e caluniosa contra a memória do extinto pai dos requerentes e contra a pessoa destes”. Também terei que publicar a carta que os irmãos Maiorana me enviarem, no exercício do direito de resposta. Se não cumprir a determinação, pagarei multa de R$ 30 mil e incorrerei em crime de desobediência.
As penas aplicadas e as considerações feitas pelo juiz para justificá-las me atribuem delitos que não têm qualquer correspondência com os fatos, como demonstrarei.
O juiz alega na sua sentença que escrevi o artigo movido por um “sentimento de revanche” contra os irmãos Maiorana. Isto porque, “meses antes de tamanha inspiração”, me envolvi “em grave desentendimento” com eles.
O “grave desentendimento” foi a agressão que sofri, praticada por um dos irmãos, Ronaldo Maiorana. A agressão foi cometida por trás, dentro de um restaurante, onde eu almoçava com amigos, sem a menor possibilidade de defesa da minha parte, atacado de surpresa que fui.
Ronaldo Maiorana teve ainda a cobertura de dois policiais militares, atuando como seus seguranças particulares. Agrediu-me e saiu, impune, como planejara. Minha única reação foi comunicar o fato em uma delegacia de polícia, sem a possibilidade de flagrante, porque o agressor se evadiu. Mas a deliberada agressão foi documentada pelas imagens de um celular, exibidas por emissora de televisão de Belém.
O artigo que escrevi me foi encomendado pelo jornalista Maurizio Chierici, para um livro publicado na Itália. Quando o livro saiu, reproduzi o texto no Jornal Pessoal, oito meses depois da agressão.
Diz o juiz que o texto possui “afirmações agressivas sobre a honra” de Romulo Maiorana pai, tendo o “intuito malévolo de achincalhar a honra alheia”, sendo uma “notícia injuriosa, difamatória e mentirosa”.
A leitura isenta da matéria, que, obviamente, o magistrado não fez, revela que se trata de um pequeno trecho inserido em um texto mais amplo, sobre as origens do império de comunicação formado por Romulo Maiorana. Antes de comprar uma empresa jornalística, desenvolvendo-a a partir de 1966, ele estivera envolvido em contrabando, prática comum no Pará até 1964. Esse fato é de conhecimento público, porque o contrabando fazia parte dos hábitos e costumes de uma região isolada por terra do restante do país. O jornal A Província do Pará, um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1876, se referiu várias vezes a esse passado em meio a uma polêmica com o empresário, travada em 1976.
Três anos antes, quando se habilitou à concessão de um canal de televisão em Belém, que viria a ser a TV Liberal, integrada à Rede Globo, Romulo Maiorana teve que usar quatro funcionários, assinando com eles um “contrato de gaveta” para que aparecessem como sendo os donos da empresa habilitada e se comprometendo a repassar-lhe de volta as suas ações quando fosse possível. O estratagema foi montado porque os órgãos de segurança do governo federal mantinham em seus arquivos restrições ao empresário, por sua vinculação ao contrabando, não permitindo que a concessão do canal de televisão lhe fosse destinado. Quando as restrições foram abolidas, a empresa foi registrada em nome de Romulo.
Os documentos comprobatórios dessa afirmação já foram juntados em juízo, nos processos onde os fatos foram usados pelos irmãos Maiorana como pretexto para algumas das 14 ações que propuseram contra mim depois da agressão, na evidente tentativa de inverter os pólos da situação: eu, de vítima, transmutado à condição de réu.
Todos os fatos que citei no artigo são verdadeiros e foram provados, inclusive com a juntada da ficha do SNI (Serviço Nacional de Informações), que, na época do regime militar, orientava as ações do governo. Logo, não há calúnia alguma, delito que diz respeito a atribuir falsamente a prática de crime a alguém.
Quanto ao ânimo do texto, é evidente também que se trata de mero relato jornalístico, uma informação lateral numa reconstituição histórica mais ampla. Não fiz nenhuma denúncia, por não se tratar de fato novo, nem esse era o aspecto central do artigo. Dele fez parte apenas para explicar por que a TV Liberal não esteve desde o início no nome de Romulo Maiorana pai, um fato inusitado e importante, a merecer registro.
O juiz justificou os 30 mil reais de indenização, com acréscimos outros, que podem elevar o valor para próximo de R$ 40 mil, dizendo que a “capacidade de pagamento” do meu jornal “é notória, porquanto se trata de periódico de grande aceitação pelo público, principalmente pela classe estudantil, o que lhe garante um bom lucro”.
Não há nos autos do processo nada, absolutamente nada para fundamentar as considerações do juiz, nem da parte dos autores da ação. O magistrado não buscou informações sobre a capacidade econômica do Jornal Pessoal, através do meio que fosse: quebra do meu sigilo bancário, informações da Receita Federal ou outra forma de apuração.
O público e notório é exatamente o oposto. Meu jornal nunca aceitou publicidade, que constitui, em média, 80% da fonte de faturamento de uma empresa jornalística. Sua receita é oriunda exclusivamente da sua venda avulsa. A tiragem do jornal sempre foi de 2 mil exemplares e seu preço de capa, há mais de 12 anos, é de 3 reais. Descontando-se as comissões do distribuidor e do vendedor (sobretudo bancas de revista), mais as perdas, cortesias e encalhes, que absorvem 60% do preço de capa, o retorno líquido é de R$ 1,20 por exemplar, ou receita bruta de R$ 2,4 mil por quinzena (que é a periodicidade do jornal). É com essa fortuna que enfrento as despesas operacionais do jornal, como o pagamento da gráfica, do ilustrador/diagramador, expedição, etc.
O que sobra para mim, quando sobra, é quantia mais do que modesta.
Assim, o valor da indenização imposta pelo juiz equivale a um ano e meio de receita bruta do jornal. Aplicá-la significaria acabar com a publicação, o principal objetivo por trás dessas demandas judiciais a que sou submetido desde 1992.
Além de conceder a indenização requerida pelos autores para os supostos danos morais que teriam sofrido por causa da matéria, o juiz me proibiu de voltar a me referir não só ao pai dos irmãos Maiorana, mas a eles próprios, extrapolando dessa forma os parâmetros da própria ação. Aqui, a violação é nada menos do que à constituição do Brasil e ao estado democrático de direito vigente no país, que vedam a censura prévia. A ofensa se torna ainda mais grave e passa a ter amplitude nacional e internacional.
Finalmente, o magistrado me impõe acatar o direito de resposta dos irmãos Maiorana, direito que eles jamais exerceram. É do conhecimento público que o Jornal Pessoal publica – todas e por todo – as cartas que lhe são enviadas, mesmo quando ofensivas. Em outras ações, ofereci aos irmãos a publicação de qualquer carta que decidissem escrever sobre as causas, na íntegra. Desde que outra irmã iniciou essa perseguição judicial, em 1992, jamais esse oferecimento foi aceito pelos Maiorana. Por um motivo simples: eles sabem que não têm razão no que dizem, que a verdade está do meu lado. Não querem o debate público. Seu método consiste em circunscrever-me a autos judiciais e aplicar-me punição em circuito fechado.
Ao contrário do que diz o juiz Raimundo das Chagas, contrariando algo que é de pleno domínio público, oJornal Pessoal não tem “bom lucro”. Infelizmente, se mantém com grandes dificuldades, por seus princípios e pelo que é. Mas dispõe de um grande capital, que o mantém vivo e prestigiado há quase 22 anos: é a sua credibilidade. Mesmo os que discordam do jornal ou o antagonizam, reconhecem que o JP só diz o que pode provar. Por assim se comportar desde o início, incomoda os poderosos e os que gostariam de manipular a opinião pública, conforme seus interesses pessoais e comerciais, provocando sua ira e sua represália. A nova condenação é mais uma dessas vinganças. Mas com o apoio da sociedade, o Jornal Pessoal sobreviverá a mais esta provação.
Belém, 7 de julho de 2009
Lúcio Flávio Pinto

Vai ou racha?!

Da Assessoria de Comunicação da Setran:

Setran informa que as obras na rodovia PA-457, que liga Alter-do-Chão à Santarém, serão retomadas este mês. Hoje, dia 7, será iniciada a operação tapa-buracos, que deve proseguir até sexta-feira, como fase inicial para recuperação total de 10 km da rodovia. Em seguida, serão feitos o recapeamento e a sinalização da estrada. A obra já foi licitada e a previsão é que esteja totalmente concluída até setembro.


Nota do blog: tomara agora as obras sejam realmente iniciadas. Não está nada fácil a vida de quem ousa percorrer os 10 km da rodovia, a que serve turistas do mundo inteiro no trajeto Santarém- Alter do Chão, uma das praias de águas doces mais bonitas do mundo.

O futuro dos jornais

Manuel Dutra, professor-doutor e jornalista, como gosta de chamá-lo Jeso Carneiro, coloca água fervida na chaleira, acrescentando contéudo à questão do futuro dos jornais e revistas impressos, tema motivador de post do blog:



Lourival Sant’Anna, autor de obra recentemente lançada, traz reflexões pertinentes ao momento presente, sugeridas já no título de seu livro: “O destino do jornal”. A respeito do embate do Impresso com o ambiente digital, o autor sugere a urgente reconstrução do produto jornalístico. Por exemplo, ele indaga: o que preferem os consumidores de informação, assistir aos melhores lances de uma partida ou ler sobre eles? Prossegue Sant’Anna, referindo-se ao jornalismo impresso:


Ou contextualizamos, interpretamos, analisamos e narramos de forma prazerosa, ou vamos desaparecer. Nossos leitores têm rádio, TV e acesso à internet. E continuamos fazendo jornal como se eles não tivessem nada disso. Ainda contamos com sua fidelidade e seu hábito. Isso não é eterno.


Jornalista e pesquisador, Sant’Anna coincide com outros autores, quando afirma: Precisamos de jornalistas que não só apurem o fato – sim, vamos continuar apurando o fato – mas também levantem as suas implicações políticas, econômicas, sociais, históricas, culturais, etc.

Pela análise de Sant’Anna, o jornalista contemporâneo pode atingir isso, desde que (re)formado dentro de novos paradigmas, de vez que o texto impresso pode oferecer possibilidades de informação e conhecimento que se ausentam dos demais meios, ao menos neste momento histórico. Diz ele:

Teremos um pouco mais de tempo para fazer isso. Não vamos tratar de todos os assuntos todos os dias. A cada dia, selecionaremos alguns temas para tratar. E o faremos com muito mais qualidade, precisão, contexto e prazer de leitura.

Para chegar-se a esse patamar, no entanto, Sant’Anna, com sua experiência de Redação e de Academia faz o seguinte diagnóstico a partir de sua visão de dentro da empresa:

Então, precisaremos de profissionais especializados e também de profissionais multidisciplinares, que façam conexões entre áreas diferentes do conhecimento. O mundo não está dividido em setores. Tudo está interligado. E a velocidade das conexões está se acelerando. A universidade terá de nos entregar jovens mais preparados, e as empresas e os próprios profissionais terão de investir ainda mais na sua formação.


Acrescente-se que essa formação pressupõe a reinserção do estudante no universo da leitura, sem o que, mesmo quando pensamos nos novos meios de comunicação, só terá condições de penetrar nos ambientes digitais e aí produzir textos úteis e agradáveis, aquele profissional dotado de um necessário acúmulo de leituras maciçamente ainda apenas disponíveis no suporte escritural.

Segundo outro jornalista e teórico Nilson Lage, os critérios tradicionais do amor à verdade, a disposição física e a habilidade para escrever, embora permaneçam vivos a despeito de não poucos desvios, já não bastam para o jornalista cumprir com a sua missão. A constatação parte da realidade segundo a qual o volume de habilidades necessárias à formação de um jornalista vem crescendo continuamente.
Uma questão prática: as redações dos nossos jornais impressos passaram a ser dirigidas por pessoas pouco ou nada preparadas para as funções e, pior, por pessoas que não acreditam no presente nem no futuro do jornal impresso, por isso são incapazes de procurar a inovação. Uma pergunta: quantos livros lê, por ano, um chefe de Redação ou um editor de jornal impresso na cidade de Belém? A pergunta é pertinente para todo o Brasil, mas, fiquemos por aqui.

A maior luta do Juvêncio

No Espaço Aberto, um post que eu jamais gostaria de ter lido:


O Quinta Emenda para. Força, Juvêncio!
O blog Quinta Emenda – um dos mais lidos e mais polêmicos de Belém e de todo o Estado – não tem sido atualizado desde o dia 27 de junho passado.
Nesse período, para ser mais preciso, foi feita apenas uma atualização, no último sábado.
Não são poucos os leitores que têm se preocupado com isso.Leitores que se habituaram a passar o dia inteiro lendo o Quinta querem saber muito mais sobre o editor do Quinta, o economista, cientista político e publicitário Juvêncio de Arruda Câmara, 54 anos, com breve passagem pelo jornalismo, no início dos anos 80.O Espaço Aberto lamenta informar, mas o Quinta Emenda ficará sem atualização por um tempo indeterminado, ainda indefinido, impreciso.
Juvêncio, o Juca de tantos amigos, enfrenta aquela que talvez seja a maior e mais decisiva batalha de sua vida.
Está com um câncer – dos mais agressivos e insidiosos – num dos rins.
Descobriu a doença recentemente, há menos de duas semanas.A enfermidade avançou rapidamente.
Os efeitos colaterais, as consequências e a extensão da doença, igualmente muito agressivos, impossibilitam Juvêncio de atualizar seu blog.
E assim o será enquanto ele estiver submetido ao tratamento que lhe foi prescrito.
Juvêncio continua antenadíssimo. Com tudo e todos.Tem plena consciência dos seus limites, das suas condições, dos desafios que deverá enfrentar daqui para a frente.
Para isso, tem contado com o carinho, a afeição, as boas energias, os bons fluidos e as orações de seus amigos e, agora, certamente, de todos os leitores, que passam a tomar conhecimento do motivo da paralisação de seu blog.
E mais do que isso, Juca tem contado com o carinho e a dedicação absoluta dos familiares que o cercam.
Nos últimos dias, não são poucos os que, por e-mail ou telefonemas, tentaram contactar com Juca.
Ele não pôde atender aos telefonemas e nem responder aos telefonemas porque, repita-se, precisa de repouso total.
E como não pode atualizar seu blog, Juca e sua família atribuíram ao Espaço Aberto a missão – nada confortável, vale confessar – de transmitir essa informação publicamente, em atenção aos amigos e milhares de leitores do Quinta Emenda.
Força, Juca!
Muita força!