sábado, maio 22, 2010

E por falar em Serra...

Serra e a morte de Deus


Gilson Caroni, na Carta Maior



José Serra precisa de ajuda. Não basta aquela que lhe é oferecida por uma mídia favorável. É necessário que alguém reavive seu senso de oportunidade. Um dos males que costumavam atacar com muita frequência o brasileiro, principalmente aquele que vivia de salário (a maioria, portanto) consistia na tendência de ser enganado com facilidade. Faz cerca de oito anos que o PSDB deixou o governo e ainda não se deu conta de que a percepção da realidade mudou. Jogar palavras ao vento, com fez o pré-candidato tucano para uma platéia de militantes (?) do PPS, é um exercício arriscado, uma manifestação que mescla soberba e desespero em dosagem tão hilariante quanto assustadora. Mas nada disso nos permite duvidar de sua capacidade e argúcia analítica. Afinal, como diz o slogan de campanha dos tucanos: “o Brasil pode mais”. Resta saber o quê. E para quem.

Ao afirmar, em uma tentativa de crítica à política econômica do governo Lula que ” nós estamos voltando rapidamente a um modelo que não atende à demanda de emprego que o país possui”, o ex-governador paulista aposta no total alheamento do eleitor brasileiro. Tamanha credulidade espanta, tendo em vista que o mundo do trabalho — a principal vítima do modelo neoliberal orquestrado pelo tucanato — aprendeu direitinho, na própria pele, o que significou o mercado desregulado como chave para o crescimento econômico e as virtudes do “Estado musculoso”, elementos centrais no discurso serrista.

A afirmação sobre empregos não é piada, nem brincadeira de um notívago diletante, mas desespero de um candidato que, em face de uma conjuntura que lhe é totalmente adversa, tem que produzir discursos a todo e qualquer custo. E de Serra, pode-se afirmar várias coisas, menos a de não ser um ator político que sabe o que faz. Sua eventual perdição, entretanto, antes de ser festejada pelas forças progressistas, deve causar desconfiança e vigilância redobrada. Pois é inevitável que os ânimos se acirrem em seus dois principais pólos de apoio: a mídia corporativa e o Poder Judiciário.

Mas a comparação suscitada por suas declarações é inevitável. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o número de vagas criadas no mercado de trabalho bateu recorde no primeiro trimestre de 2010, com um saldo acumulado até março somando 657.259 empregos. Convém retornar no tempo e observar como se comportava a economia brasileira quando o pré-candidato tucano era ministro do Planejamento e Orçamento do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso.

O desemprego na indústria atingia 5,7% em 1997 em relação a 1996, resultado fortemente influenciado pela taxa de dezembro, quando a queda foi de 2,6% em relação a novembro, a pior desde dezembro de 1990, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para se ter uma idéia do tamanho da retração nos empregos, os dados do instituto mostravam uma queda anualizada de 7,3%. Quando Serra pôde mais, o trabalhador pôde menos.

Até então, o governo FHC registrava um desemprego industrial de 19,77%. Mas o “Brasil que não podia mais”, aquele que os colunistas econômicos tanto enaltecem, vivia um amargo processo de ajuste, acentuado em 1996, com a atividade econômica represada e a queda no emprego apresentando taxas expressivas. Ao contrário do que afirma Serra, foi sob a batuta da modernização neoliberal que “o Brasil adotou uma política econômica desastrosa.”

Mas o discurso do tucano foi além, mirando também o campo da ética, com críticas a supostas práticas de corrupção no governo petista. Como fazem as vestais tucanas, destampou um poço de demônios para sentenciar: “se aquele que era o guardião da moral, da ética, do antipatrimonialismo toma outro rumo, o rumo oposto, para muita gente Deus morreu”. Que metafísica, o ex-governador paulista quer superar com essa alusão a Nietzsche?

Decerto não deve ser a do governo ao qual serviu em dois ministérios. Fernando Henrique não teve escrúpulos de usar métodos condenáveis para evitar investigação da banda podre da administração federal. A retirada de assinaturas para esvaziar a criação da CPI da Corrupção, em 2001, é um belo exemplo. O arrastão de favores para livrar o governo de qualquer constrangimento ficou como um dos mais baixos momentos de um presidente eleito e reeleito pela ansiedade ética na vida brasileira.

Fernando Henrique liberou por bravata os parlamentares de sua base política para subscrever a CPI e, na hora H, liberou verbas estocadas e fez nomeações para cargos públicos. Junto com ACM e José Roberto Arruda, FHC afrontou o sentimento ético da cidadania falando em “linchamento precipitado” quando sua posição anterior incentivava a punição exemplar e imediata. E onde estava José Serra em meio a tudo isso? No Ministério da Saúde, definindo a criação da CPI como uma “brincadeira”,” pretexto eleitoral”, ” instrumento para prejudicar a governabilidade.”

Em sua campanha, o tucano terá que se confrontar com questões sobre ética e economia. Mas com muita cautela, evitando o reaparecimento de fantasmas incômodos. Eles podem dizer que foi naquela época, e não hoje, que “para muita gente Deus morreu”. Um deus imanente, amoral e, tal como os dirigentes aboletados no Estado, servil ao mercado que o pagou.

sexta-feira, maio 21, 2010

Pesquisa mostra Ana liderando

Painel, da Folha de São Paulo, publica em sua edição desta sexta-feira, 21, pesquisa  realizada no Pará, sob encomenda do  PT nacional, mostrando Ana Júlia liderando a pré-corrida eleitoral.

Em dois tópicos, a coluna dá números:


Termômetro 1.
Pesquisa encomendada pelo PT nacional dá 27% de intenção de voto à petista Ana Júlia, que busca se reeleger governadora do Pará. Jader Barbalho (PMDB) registra 23%, e Simão Jatene (PSDB), 22%.


Termômetro 2.
Nas simulações de segundo turno, Ana Júlia empata, dentro da margem de erro de 2,5 pontos percentuais, tanto com Jader (41% ela, 40% ele) como com Jatene (41% a 38%). O PT quer demonstrar a viabilidade eleitoral da governadora na tentativa de convencer o peemedebista a sair e apoiá-la.

quinta-feira, maio 20, 2010

Desenvolvimento Territorial

Após o sucesso da edição realizada em Marabá, o Sebrae reúne em Belém mais de 65 prefeituras do nordeste do Estado e do Arquipélago do Marajó para discutir a implantação da Lei Geral e potencialização da arrecadação pública através da execução da Lei. O evento, que acontece na capital do Estado em 24 e 25 de maio, já tem edição programada para o oeste paraense.

Falando por falar

Poster assistiu debate ocorrido em São João do Araguaia, semana passada, entre Eletronorte, população do município e autoridades diversas, destacando-se representante do Ministério Público que ao apresentar alternativas à Hidrelétrica de Marabá, foco da audiência, citou a geração eólica, “causadora de menos danos ao meio ambiente e às comunidades”.


Está todo mundo cansado de saber que a energia cinética do vento é uma fonte transformadora. Seu mecanismo é simples: o vento gira uma hélice gigante conectada a um gerador que produz eletricidade.

Para melhor exemplificar: um barco à vela usa a energia dos ventos para se deslocar na água. Esta é uma forma de produzir força através do vento.

Durante muitos anos, agricultores serviram-se da energia eólica para bombear água dos furos usando moinhos de vento, também usado para girar a mó dos moinhos transformando o milho em farinha.

Quando vários mecanismos como esse - conhecido como turbina de vento - são ligados a uma central de transmissão de energia, temos uma central eólica. A quantidade de energia produzida por uma turbina varia de acordo com o tamanho das suas hélices e, claro, do regime de ventos na região em que está instalada.

É simples, mas caro.

O que impede a instalação de mais centrais eólicas ainda é o preço. A energia gerada por uma central com essa plataforma custa entre 60% e 70% a mais que a mesma quantidade gerada por uma usina hidrelétrica.

Se uma hidrelétrica de Marabá está orçada em algo tipo R$ 5 bilhões, acrescente-se a esse valor mais R$ 3,5 bilhões para optar pela geração eólica.

Não se pense também, o ideal seja contar simplesmente com ventos fortes.

Além da velocidade dos ventos, é importante que eles sejam regulares, não sofram turbulências e nem estejam sujeitos a fenômenos climáticos.

O Brasil tem um dos maiores potenciais eólicos do planeta e, embora hoje o vento seja responsável por míseros megawatts (MW) dos cerca de 92 mil MW instalados no país, o governo federal têm planos ambiciosos para exploração dessa fonte de energia através do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), lançado pelo Ministério de Minas e Energia.

Até 2015, a meta é chegar a 5 mil MW gerados pelo vento - um terço disso instalado nos litorais do Ceará e Bahia.

Os países com o maior número de instalações de energia eólica, são Alemanha (16.629 MW), Espanha (8.263 MW), Estados Unidos (6.740 MW), Dinamarca (3.117 MW) e Índia (3.000 MW). Alguns países, como Itália, Holanda, Japão e Reino Unido, estão acima ou próximos da marca dos 1.000 MW.

Quando se fala em construção emergencial de quatro hidrelétricas na região Norte (rio Madeira, Xingu e Tocantins) é porque o Brasil está às portas de um apagão. O prazo limite é 2016.

Esperar o desenvolvimento caríssimo do excelente e ambientalmente bem vindo programa de energia eólica, deixará o Brasil às escuras.

Alguns membros do Ministério Público precisam cumprir com seu papel de fiscais da população, mas necessitam, muito mais, assumir responsabilidade técnica quando se pronunciarem em audiências públicas.

Insuflar a comunidade de São João do Araguaia, como fez o represente do parket, com argumentos de que a energia eólica é a solução para todos os males, denuncia, descaradamente, mínima falta de conhecimento de um tema que bem poderia ter sido melhor aproveitado.

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atualização às 20:03

Comentário assinado por Ministério Público Federal (não seria mais elegante algum procurador assinar a nota?), a seguir reproduzido:


Prezado Hiroshi Bogéa,

O MPF gostaria de esclarecer o que segue:

O Brasil é um estado democrático de direito, onde os cidadãos podem manifestar livremente suas opiniões e idéias. Numa sociedade democrática o confronto de idéias e opiniões não deve ser visto como algo ameaçador ou que possa colocar em risco a segurança nacional, tal como acontecia no passado recente e de triste memória em nosso país.

O discurso oficial para justificar o barramento de rios amazônicos é a ameaça de que o país vai ficar às escuras em 2011, 2015, 2016, o prazo varia. O discurso é amedrontador, mas destituído de fundamento na realidade – ainda que se preveja o aumento da demanda, nenhuma das hidrelétricas projetadas para a região Amazônica vai ficar pronta antes de 2016. O que se debate em outros países é o controle sobre a demanda, que não pode crescer descontroladamente. O que se debate em outros países, mas não se tem feito no Brasil, é a diversificação de fontes de energia, para evitar perdas socioambientais que muitas vezes são inestimáveis, inclusive do ponto de vista econômico.

Além de descolado da realidade, o discurso oficial em defesa dos barramentos se traveste de crueldade ao funcionar como chantagem contra populações que vêem seu modo de vida agredido, modificado e até extinto de uma hora para outra, depois de décadas de total abandono pelo Estado brasileiro. O Ministério Público Federal carrega a missão constitucional de defender os direitos dessas populações.

Na audiência em questão, as famílias de assentados e ribeirinhos estavam em grande número, apavorados com a iminência de verem todos os esforços de suas vidas irem literalmente por água abaixo. Já sentem os impactos da usina na forma de sofrimento psicológico e não precisam ser insuflados por ninguém para serem contra a destruição de suas próprias vidas. São seres humanos e cidadãos, dotados de consciência e dignidade, qualidades que não parecem dispostos a trocar indenizações.

A comparação entre os custos da geração de energia é questão bem complexa por vários motivos. Em primeiro lugar, porque não há preço fixo para geração de energia qualquer que seja a fonte. O custo sempre estará condicionado por uma infinidade de fatores, como a localização e as condições de disponibilidade dos insumos. No caso das hidrelétricas na Amazônia existe ainda o custo das linhas de transmissão de milhares de quilômetros, que representam quase o mesmo valor da barragem.

O Brasil é um dos países de maior potencial para geração de energia eólica no mundo e sediará de 31 de agosto a 02 de setembro o BrAzil Windpower Conference & Exibition, no Rio de Janeiro. Será um grande evento para divulgar mundialmente o Brasil como um dos países com maiores potenciais de geração de energia eólica, atraindo investidores. Nossa capacidade instalada neste segmento em 2009 estava na casa do 606 MW, mas vem crescendo a casa dos 100% ao ano.

Na audiência, o MPF mostrou que a energia eólica é um exemplo de alternativa, entre outras, para que as pessoas não se sintam culpadas por impedirem a única chance que o Brasil tem de gerar energia, uma carga muito pesada para jogar nas costas dos brasileiros.

Ministério Público Federal

Quandos jornalistas se vão

Dois talentosos jornalistas, o Brasil acaba de perder.
Na segunda-feira, Jurivê de Macedo, maranhense de Porto Franco, faleceu em Imperatriz.

Um grande amigo. Mestre do jornalismo.

Com Jurivê, aprendi a desferir a pegada necessária no campo aberto da denúncia, sem esconder a face nem temor de assumir seus riscos.

24 horas depois, Lucio Flávio Pinto envia email ao pôster comunicando a morte de Walter Rodrigues, paraense “naturalizado” maranhense por amor à terra de Gonçalves Dias e ao dedicado trabalho ali desenvolvido em favor dos direitos humanos.

Jurivê de Macedo e Walter tinham em comum a paixão pelas liberdades, principalmente de imprensa.

Durante o regime militar, Jurivê sofreu marcação cerrada dos agentes da ditadura dos quais sabia desviar-se usando o humor e a determinação para não deixar seus leitores desinformados.

Fundador do jornal O Progresso, em Imperatriz, certamente um dos mais antigos jornais do interior do país em circulação, “Juredo”, como eu gostava de chamá-lo, deixa um legado de boas lembranças. Lembrança construída com a paixão pelo Jornalismo e a dedicação às letras.

Foi ele quem estimulou uma geração à criação da Academia de Letras de Imperatriz.

Às vezes polêmico, outras controvertido, Walter Rodrigues era uma referência do jornalismo político no Maranhão, ao longo de vários anos.

Nascido em Belém. trabalhou em São Luís, em diversos periódicos, entre os quais O Estado do Maranhão, O Imparcial, Jornal Pequeno e O Debate.

Atualmente, fez de seu ‘Blogue do Colunão’ a trincheira investigativa que assustava poderosos de plantão.

O significado da perda de Walter Rodrigues pode ser resumido numa expressão do jornalista Lucio Flávio, ao comunicar aos amigos seu falecimento:
- Walter Rodrigues foi um dos maiores patrimônios intelectuais que o Pará cedeu ao Maranhão nos últimos anos. Sua morte tão prematura deixará um vazio nos dois Estados, aos quais serviu com seu jornalismo independente, seu texto saboroso e seu humor inesgotável. Tornou-se uma fonte de referência indispensável sobre a história contemporânea do Maranhão. Foi uma honra, para mim, ter trabalhado com ele no nosso semanário alternativo de 1975, o Bandeira 3, e tê-lo colocado como correspondente de O Estado de S. Paulo em São Luís. E foi um privilégio ler seus artigos sobre esse vasto e desafiador mundo. A dor de perdê-lo é muito grande. Espero que os gonçalvinos lhe dêem a despedida de que ele é merecedor, no próprio nome e também em nome dos paraenses.



Bolsa Família não vicia
Uma pesquisa de órgão vinculado ao PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) conclui que o Bolsa Família de Lula não causa “dependência”, ou seja, não transforma seus beneficiários em preguiçosos ou pessoas sem iniciativa ou impulso para o progresso.


Um dia antes de falecer, ironia da louca vida, Walter fez bela homenagem a Jurivê de Macedo, comunicando a morte do jornalista maranhense.

Leia aqui.

O último post de Walter, publicado em seu blog:

terça-feira, maio 18, 2010

Zé Titanic naufraga em Pernambuco

Jornal Pessoal, nas bancas

Manchete do Jornal Pessoal, nas bancas a partir desta quarta-feira:

INDÚSTRIA

Desnacionalização a frio

A Albrás e a Alunorte, das maiores indústrias de alumínio e alumina do mundo, são nipo-norueguesas desde o mês passado, quando foram transferidas pela Vale para a Norsk Hydro. O negócio foi de quase US$ 5 bilhões, mas ninguém parece ter-lhe dado importância. Importância que é fundamental.



Lúcio Flávio Pinto analisa a saída  da Vale de Barcarena .

Com a mão na massa

Anualmente, médias e pequenas prefeituras municipais gastam cerca de 500 mil em locação de máquinas pesadas (patrol, trator, carregadeira, etc) para cumprirem compromissos em suas comunidades urbana e rural.

Grana pesada que faz uma falta danada  no orçamento das cidades.

A partir do momento em que Ana Júlia decidiu comprar equipamentos para a formação de patrulhas mecanizadas e distribuí-las nos 143 municípios paraenses,  muitas prefeituras passam a ganhar fôlego e folga para aplicar em outras demandas a grana dedicada às locações.

Detalhe,  quem é político sabe disso: uma patrulha mecanizada, novinha em folha, pode representar a reeleição de uma cambada de prefeitos. Com as máquinas, eles conseguem arrumar ruas de bairros e abrir estradas vicinais. O que mais falta no interior do Estado.

Não é por outro motivo que a turma tá que tá alegremente feliz recebendo Ana por esse mundão de Deus.

A China é aqui?

Do engenheiro Dário Veloso o blog recebe artigo sobre o crescimento da região Sul do Estado o qual é reproduzido a seguir:

A China no Brasil?
Por Dário Veloso


Em sua ultima estada em Maraba-CA (de CArajas), o Ex-Ministro de Planejamento do Governo do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, Sr Paulo Haddad afirmou que, através de seus estudos sobre o Brasil, 4 regiões brasileiras irão se desenvolver, ate mais, que a China. Ele enumerou as seguintes regiões:

1-A Bacia de Santos-SP (devido os incrementos de investimentos em hidrocarbonetos da bacia do Pre-Sal)

2-O Quadrilátero Ferrífero que é a região ao redor da grande Belo Horizonte-MG devido a novas minas descobertas, novas tecnologias de extração de antigas minas e a verticalização mineral

3-A região central do Estado de Mato Grosso, notadamente no entorno das cidades de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop devido a fronteira agrícola do cerrado através do aumento de produtividade da agricultura (soja e outros grãos ) e a sua verticalizacao industrial

4-A região Sul-Sudeste do ainda Estado do Para (região do futuro e breve Estado de Carajás) devido a exploração mineral, verticalização de seu potencial mineral e verticalização da cadeia produtiva do gado de corte.

Desta forma, seremos uma das locomotivas do Brasil. Puxaremos índices de emprego e renda para cima. Estaremos no fogo cruzado de novos investimentos que , a reboque da verticalização mineral, vai migrar para a nossa região.Claro que teremos, no meio de todo esse BONUS, uma parcela de ONUS.

A questão que segue: Será que os municípios de nossa região , através de suas respectivas prefeituras e entidades associativas, estão se preparando para essa avalanche de acontecimentos? Existe articulação regional para minimizar os impactos negativos e maximizar os efeitos positivos? Fico assustado quando vejo a propaganda oficial falar em criação de 12 (doze) mil empregos diretos e fora tantos mil indiretos...

Por melhores que sejam as intenções e os planos existe um grande hiato entre a intenção e a ação. Há uma inércia gigantesca para fazer andar um grande projeto como esses que se avizinham de nossa região. É importante que nossas autoridades tenham muito cuidado com a manipulação de números exorbitantes de criação de emprego como isso fosse , por si só, curar todos os males de desequilíbrios sociais vigentes em nossa região. Esse empreendimento (ALPA) não será o Elixir Universal para curar todos os nossos males históricos. Há de se ampliar o debate e que o mesmo seja proativo.

Há entidades e associações legitimamente preocupadas nos efeitos desses investimentos e estão tentando estabelecer diagnósticos e estudos sólidos para que nosso crescimento CHINES possa nos trazer muito mais vantagens do que desvantagens.

Solicito as nossas autoridades políticas, empresariais e comunitárias que possamos nos irmanar nesse momento. Que possamos estudar as situações e opções a partir de agora de forma a garantir um futuro muito melhor para nossos descendentes. Nosso passado nos ensinou que o que exploramos de forma desordenada,predatória e sem preocupação com o amanha (caucho,madeira,ouro) nos deixou mais mazelas sociais do que soluções. Nosso crescimento econômico deve vir atrelado ao nosso Desenvolvimento Social. Dessa forma , e somente dessa forma , teremos ,sim, um verdadeiro negocio da China para todos de nossa região.

Assanhando vespas

Ronaldo Porto, radialista e advogado, escreveu essa provocação  em sua coluna no caderno Bola, do Diário do Pará, dessa segunda-feira:

"O companheiro Rui Guimarães escreveu na coluna da Clube que iria mexer num vespeiro com o assunto abordado. Eu não temo mexer com as vespas e serei mais direto possível. O Parazão 2011 tem que ser modificado em muitas coisas, principalmente no que concerne a divisão de rendas. Remo e Paysandu sempre serão grandes e não podem ser comparados a ti mes pequenos, ou como querem alguns, emergentes. Como um time pode ser emergente se nem estádio tem para mandar seus jogos? Não deveria nem entrar na competição de acesso. Se tiver seu estádio, como é o caso do Águia de Marabá, ainda pode dar pitaco, mas na hora da divisão da renda não pode ser meio a meio. Remo e Paysandu representam bilheteria certa para todos os outros. Tirem ops dois do Parazão e vejam o fiasco que vai ser. Tem time aí que nem sabe sua origem, quanto mais o seu fim. São equipes de aluguel e ainda querem dinheiro?"

Nota do blog: a frase "não pode nem dar pitaco" é realmente brilhante, tanto quanto o pensamento do escriba barra pesada.

No pátio

Pelo telefone, Beth Mendonça acaba de confirmar: CA ganhou a licitação da conta do Pátio Marabá.

Disputou a  seleção final com a DC3.

segunda-feira, maio 17, 2010

E aeê!?

Desmentindo entrevista da deputada Simone Morgado ao jornal O Liberal, que apontou as obras da Escola Estadual Yolanda Chaves com apenas 36% de seu volume concluído,  o prefeito de  Braganga, Edson Oliveira (PMDB), ligado ao grupo político da deputada estadual, declarou em praça pública daquela cidade:
    
- É mentira isso (a obra inconclusa). Eu e o povo de Bragança, garantimos. É mentira! A escola (Yolanda Chaves) está 100% pronta, paga, e com tudo de bom e do melhor que a senhora (governadora) colocou lá.

A escola é apontada num dos relatórios de fiscalização da Auditoria Geral do Estado (AGE) como exemplo de obra inacabada, mesmo com execução do repasse de seu valor totalizado.

Revelação de Edson Oliveira foi feita diante da própria governadora, durante solenidade de entrega de equipamentos da patrulha mecanizada que o governo vem entregando às prefeituras paraenses.

O Pará que produz

O Diese acaba de nos dar outra notícia positiva: foi de 10% o saldo na geração de empregos formais no Estado.

Recorde!

Laranja madura

O poster conversou esta manhã com dois prefeitos do PMDB, ouvindo de ambos propósito de não trabalharem por uma candidatura  laranja do partido, ao governo do Estado, como desenha o presidente estadual da legenda, Jader Barbalho.

Os dois disseram que o candidato laranja deve ser Parsifal Pontes, suplente no exercício do cargo na AL enquanto o titular Luis Anaice se recupera de  duradoura enfermidade.

Subindo que nem foguete

E o DataFolha, como se sairá da saia-justa de sua última pesquisa em relação às demais consultas populares realizadas por outros institutos?

Manterá seus números engebrados?

Dilma Roussef, em mensagens no twitter no domingo (16),  não esconde sua satisfação por ter ultrapassado Serra antes do prazo projetado pela coordenação de campanha que era o mês de junho.

Dilma agradeceu as mensagens de parabéns pelo resultado, mas a todos respondeu com um protocolar: “De pesquisa eu não vou falar não”.

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atualização às 12:35

Acaba de sair resultado da pesquisa CNT/Sensus.

Dilma à frente: 35,7% contra 33,2% de Serra.

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A propósito desse babado de pesquisas,  Marcos Coimbra, craque na leitura de tendências eleitorais e dono do Vox Populi que já localiza Dilma Roussef à frente de Serra (37 a 34),  não tem boas notícias para o ex-governador paulista.

Pelo menos é o que se constata em seu artigo "A caminho da eleição" publicado na Carta Capital.


A caminho da eleição

por Marcos Coimbra, em Carta Capital

Há uma diferença que assume, neste ano, maior proeminência: a existente entre os que conhecem os candidatos e os que (ainda) não sabem quem são

Os eleitores podem ser divididos e agrupados de várias maneiras. Podemos falar de distinções demográficas, de gênero ou idade, por exemplo. Ou de diferenças socioeconômicas, como as que existem entre as pessoas em função de renda, escolaridade ou situação ocupacional.

A diversidade regional é importante. Na última eleição, houve uma nítida geografia no voto, com o Sul indo para um lado e o Norte/Nordeste para outro. Nesta, algo parecido acontece, ao menos por hora, com José Serra à frente onde Geraldo Alckmin havia ido bem e Dilma Rousseff se distanciando nos lugares onde Lula venceu.

As variações entre cidades pequenas e grandes, especialmente as metrópoles e as capitais, fazem parte de nosso folclore político. No interior, votava-se mais à direita, enquanto o voto urbano tendia a ir mais para candidatos de esquerda e para as oposições. Em seus primeiros anos, isso acontecia claramente com o PT. Hoje, mudou.

Todas essas diferenciações jogam seu papel nestas eleições. Olhando as pesquisas, vê-se que existem diferenças entre o que pensam fazer homens e mulheres, nordestinos e sulistas.

Mas há uma diferença que assume, neste ano, uma proeminência maior que no passado: a que existe entre os que conhecem os candidatos e os que (ainda) não sabem quem são. Essa é uma dimensão sempre fundamental na interpretação das pesquisas pré-eleitorais, mas nunca foi tão importante quanto agora.

A razão para isso é simples e tem a ver com três fatores. Primeiro, que temos um presidente que termina seu mandato com uma aprovação popular que nunca houve em nossa história. Segundo, que esse presidente indica uma candidata e assegura que ela encarnará a continuidade de seu governo. Terceiro, que ela é pouco conhecida, pois só existe, por enquanto, uma candidatura (até pouco tempo atrás, duas) que os eleitores conhecem bem.

Ao contrário das outras diferenciações, a do nível de conhecimento dos candidatos tende a desaparecer ao longo da campanha. À medida que ela avança, a desinformação cai, se aproximando de zero, enquanto se amplia a informação. No dia da eleição, teremos, desejavelmente, o universo de eleitores em condições semelhantes de escolha: todos podem optar entre todos os candidatos, pois têm deles um conhecimento parecido.

Enquanto estivermos distantes dessa situação de homogeneidade, as pesquisas de intenção de voto devem ser lidas com cuidado. Não que sejam menos válidas, mas por misturarem pessoas diferentes em um aspecto essencial da eleição.

É possível, no entanto, contornar esse problema. Basta considerar, em separado, as respostas dos que conhecem e dos que não conhecem os candidatos, de quem sabe e quem não sabe que Dilma é a candidata indicada por Lula. É o mesmo que se faz para comparar o que pensam jovens e velhos, ricos e pobres, moradores de áreas rurais e urbanas e todas as outras diferenciações.

Na última pesquisa publicada do Vox Populi, feita há um mês, a intenção estimulada de voto (considerados apenas três candidatos) do conjunto dos entrevistados foi de 38% para Serra, 33% para Dilma e 7% para Marina. Nesse resultado médio estão, naturalmente, tanto as repostas das pessoas que acertaram a identificação de Dilma como candidata do presidente quanto das que erraram ou não souberam fazê-lo.

Quando, porém, se analisam separadamente as intenções de voto dos dois segmentos, vê-se um quadro diferente.

A tabela mostra que, se levarmos em conta as intenções de voto dos eleitores que sabem que Dilma é a candidata de Lula (que são 70% do total), ela está 11 pontos porcentuais na frente de Serra. O ex-governador lidera no agregado apenas por ter uma imensa vantagem, de 43 pontos, entre os eleitores que não sabem quem ela é (e que são 30% do universo).

Um dia, esses que não sabem vão desaparecer e todos (ou quase todos) vão saber. Para Dilma, a boa notícia é que os que não a conhecem são ainda mais propensos a votar nela que os que já o fazem. Para Serra, só haverá boas notícias se tudo que está em curso mudar.

Casa da sogra

Essa deputada do PMDB, Simone Morgado, não deveria ser processada por falta de decoro, ao esconder documentos restritos à investigação da AL em local desconhecido até por alguns de seus pares?

As falas de Gabriel

Pelo que se observa das declarações de Almir Gabriel à uma emissora de rádio de Belém, o raivoso ex-governador não se conforma em assistir o atual governo consolidar a verticalização das riquezas paraenses em alguns municípios (Marabá, Tome-Açu), oportunidade que ele teve, enquanto chefe do Executivo por oito anos, mas preferiu compactuar diatribes, peitando inconsequentemente a Vale.

Gabriel bem que merece receber convite para a inauguração da Alpa, dentro de dois anos...

domingo, maio 16, 2010

Bandido morto recebe homenagens

Comentário de anônimo denuncia  barbaridade moral: o velório do lendário chefe de pistolagem de Parauapebas, Divino Luiz Antunes - "Divino Boca Quente" - morto  com tiros na cabeça, foi velado no "salão nobre"  da Câmara Municipal da cidade.

Num dos trechos do comentário, anônimo fulmina:


Não há dúvidas de que os critérios utilizados por TODAS as Casa Legislativas para definirem a realização de um Velório em sua sede são muito semelhantes, mas quase cem por cento nobres. Em Parauapebas é diferente. Acredito que a Câmara Municipal de Parauapebas, através de seus “nobres” edis utilizou seus próprios, ou seja: a UNIÃO. Mostrou que A CLASSE DOS BANDIDOS É UNIDA! Nada mais justo que o bandido, assassino, subjugador de oprimidos, escravagista DIVINO BOCA QUENTE fosse velado na casa de trabalho de seus pares. Afinal, as únicas atividade que os “nobres” edis verdadeiramente exercem se assemelham muito àquelas exercidas pelo intempestivamente falecido(já foi tarde). Mais do que ser transparente, como o executivo que não esconde suas falcatruas, o legislativo resolveu AFRONTAR a população. Não estão satisfeitos em apenas SUBJUGAR, ESCRAVIZAR, ROUBAR (através do mensalinho e outras falcatruas) a população de Parauapebas. Acharam pouco e resolveram definitivamente pisar e ofender moralmente o povo. Perderam o respeito total pela pessoa humana. Resolveram agora se divertir TRIPUDIANDO e rindo da cara do povo. Velar um bandido, assassino de trabalhadores e pais de família na Câmara é o cúmulo da estupidez

Cara de Sol

Marabá amanheceu recebendo vento geral.

Dia excelente para subir pipa, curtir o empino de uma boa sacada de casa.

Desconsiderando uma ou outra chuva que ainda teima em permanecer sobre os ares regionais, já se sente o clima de verão.

Na beira-rio, o Tocantins deve estar povoado de gente ávida por sol e água.

 Sol à pino: tempo de meninos livres em praias

Em ritmo chinês

Serviços e segmento de materiais de construção lideram o número da constituição de empresas na Junta Comercial de Marabá. Por metro quadrado, o município deve liderar, no Estado, o ranking de pequenas e médias empresas especializadas em materiais de construção.

Sem exagero, em cada quarteirão de bairro há um casa do segmento instalada.

E o número de construção na cidade é fantástico.

Escaramuças desvairadas

Oportuno o texto de José Dirceu acerca das tentações tenebrosas da grande mídia nacional voltar-se contra a liberdade de expressão da Internet.



 Aparentemente, a iniciativa da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABERT) e da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) de recorrer à Procuradoria Geral da União é unicamente defender o princípio constitucional, que garante ao capital nacional (70% de participação) e a brasileiros natos a prerrogativa de controle das empresas de comunicação. Até aí, tudo bem. Quem não concordar com a restrição ao capital estrangeiro (30% do total) deve fazer uma proposição de mudança do preceito constitucional ao Congresso Nacional. Não é este o debate que patrocino.

O que é estranho no recurso das entidades da mídia é que querem estender, sem debate, este preceito constitucional aos noticiários na internet. Não se trata da primeira investida. Já propuseram esta discussão ao Congresso, por ocasião da tramitação do PL-29, que trata da unificação da regulamentação da TV por assinatura por diferentes tecnologias. O PL-29, depois de aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia, ainda está parado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Além de unificar a regulamentação, ele abre o mercado de transmissão de conteúdo audiovisual às operadoras de telecomunicações, independentemente do controle de capital, estabelece cotas de proteção à transmissão do conteúdo nacional.

É preciso lembrar que a natureza da internet é diferente da natureza dos meios de comunicação tradicionais, um monopólio de grupos empresariais. No caso da mídia impressa, a barreira é do capital. No dos canais de radiodifusão, embora concessão da União, trata-se de um bem escasso, portanto finito. Em São Paulo, por exemplo, não há freqüência radioelétrica disponível para novas concessões de rádio. Isso não quer dizer que o modelo de concessões da União não possa e não deva ser revisto. Mas este é um longo caminho a percorrer, pois implica o enfrentamento dos monopólios constituídos ao longo de décadas.

Já a internet não apresenta esse tipo de barreiras. Qualquer cidadão, com o mínimo de capital e conhecimento tecnológico, pode montar seu blog, seu site noticioso, seu sistema de comunicação. É justo transferir o modelo de negócios da mídia tradicional, impressa e broadcasting, para a internet? Esta é a discussão a ser travada.

A mídia tradicional, ao defender a transferência automática dos preceitos constitucionais da imprensa e da radiodifusão para a internet, quer, antes de mais nada, defender o seu modelo de negócios baseado na publicidade. Não pretende dividir o bolo. O apelo ao controle nacional tem de ser debatido tendo este cenário como pano de fundo. Não podemos nos iludir nem deixar de enxergar o que está por trás desse embate.

Ao querer tirar do ar o noticiário do Terra, controlado pelo grupo espanhol Telefônica, e mesmo do iG, que tem no controle o grupo nacional Oi (mas, como tem ações em bolsa, a participação de acionistas minoritários - muitos deles fundos estrangeiros - no capital total supera os 30%), o que as entidades da mídia tradicional pretendem é manter seu status quo. Um status quo que pode limitar a liberdade na rede. A questão exige debate e esse debate tem de passar pelo Congresso.