O clima de Natal, inevitavelmente, bate nossas portas, numa imitação de gestos, palavras, consumismo, negro estágio da mediocridade repetitiva a embalar de vulgaridade o comum das pessoas.
Para que a gente não se angustie mais ainda com tanta falta de criatividade -, localizei, no fundo do baú, texto maravilhoso do poeta, cronista e compositor pernambucano Antonio Maria, autor de “A Noite do Meu Bem”, música consagrada na voz de Dolores Duran, num tempo em que os Natais eram diferentes e nos faziam Bem.
Como sugestão, leiam “Canção de Fim de Ano” ouvindo algum sonzinho legal, regado a vinho de sua preferência.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Canção de Fim de Ano
Que dia maravilhoso haverá, aquele em que for possível telefonar para os melhores amigos e dizer-lhes que houve um ligeiro engano, que não teria sido preciso escrever coisa alguma? E que, dali em diante, nada mais se escreverá, a não ser os nomes e os números necessários das pessoas e das coisas.
Que boa impressão a de ser-se uma parte do coral, um grito em meio às vozes que clamam o gol, um gemido noturno, entre os muitos e repetidos gemidos, na imensa e fria sala do hospital de indigentes! E que absurda e amiga paz a de saber-se que a lua e a flor, o rio e a queixa, nada foi mais lua ou flor, mais rio ou mais queixa, por causa do que se disse. A própria mulher foi sempre bela ou fêmea, antes e a salvo da minha poesia e das minhas mãos!
Vivi entre o que viveu. Fui multidão e povo, um lugar ocupado, uma rescendência de suor, uma voz que pediu licença, um olhar que mendigou prazeres e uma parte milesimal dos pés que povoaram. Das minhas mãos, prefiro não contar, a não ser na custosa confissão de que foram mãos vadias. De bem, fizeram a bênção e o carinho... mas o carinho é vadio e, em toda vez que se aparta de Deus, é proibido. Prevalece, portanto, o existente da multidão, o corista, aquele que não foi o solista de beleza alguma e que, por isso, se sente irresponsabilizado dos erros de maneira especial e destacada!
Sou o rosto fora de foco de uma fotografia em que dezenas de pessoas aparecem em segundo plano. Posso ter ou não a barba crescida; posso trazer ou não uma flor no peito; posso chorar até, e ninguém botará reparo. A fotografia passará de mão em mão e todos os que comigo estiverem desfocados só serão odiados quando não houver mais nada a odiar em primeiro plano.
Só assim é — se o homem real e constante — o que sente o gosto e o cheiro da vida. A maioria se evade de sua condição real, para fazer ou imitar o êxito. Entretanto, só o êxito casual é verdadeiro. Exemplo de êxito casual: a beleza. Exemplo de beleza: a mulher bela. Uma mulher sentou-se à minha frente. Tinha luz própria... E tanta, que um fanal de evidente claridade iluminou minhas mãos, quando em gestos inúteis (as mãos) procuravam supor os seus múltiplos encantos. Mas não me quero perder além do homem real e constante, portanto, desenvolto.
Só farei, sem pudor e remorso, aquilo que fizer com desenvoltura. Principalmente, a poesia e o amor. O amor ou é desacanhado, destro, irrefletido... ou é suor. A poesia também. Por isso volta-se a multidão, vivem-se as imunidades corais e espera-se a vinda casual da poesia e do amor.
Sou o homem real, que sua, que mente, que disfarça, que teme, que inveja e cobiça. Tive e tenho os meus momentos de suicida. Não gosto que me conheçam aquém e além de um homem constantemente exposto ao erro e ao crime. É dever do ser humano pressentir em seu semelhante um sem-número de intimidades inconfessáveis. O grande e verdadeiro amor ao próximo é aquele que ama os erros mostrados e pressupostos.
Além da verdade, só existe a multidão, que exime o homem das proclamações e o ampara das conseqüências de sua coragem. Depois de cumprida a Verdade, ter-se-á conquistado o silêncio. "O silêncio alcançado à custa de sempre dizer a mesma coisa" (João Cabral de Melo Neto).
Só creio em dois estados de lucidez: o dos bêbados e dos poetas. Ambos são negados. Mas essa negação ainda não é a definitiva. Lucidez não é, por exemplo, comprar-se uma vitrola por cem dólares e se vendê-la por vinte contos. Isto seria melhor chamado de "paciência"... ou "organização"... ou ainda "paciência organizada". Lucidez não é ainda ir-se hoje para Brasília e voltar-se, daqui a três anos, com cem milhões. A isto eu chamaria de "disciplina para fazer o fácil". A grande lucidez dos poetas estaria, por exemplo, neste verso de Fernando Pessoa: "Em tudo quanto olhei, fiquei em parte". A lucidez dos bêbados é difícil de defender, porque existem mil bêbados diferentes na humanidade. Mil que partem de dois: o bom e o mau. Ambos são lúcidos e, se um desagrada, é porque sua natureza repele o estado angelical e luzente da bebedice.
O conhecimento incessante da verdade faz com que o homem caminhe para o anjo. Chegarão primeiro os que mais depressa conheceram ao seu semelhante, tanto quanto a si mesmo. Nunca foi impossível o exato conhecimento próprio. É necessária, porém, a coragem bastante, para que cada qual se veja e se pegue, se espie e se apalpe, em cada um dos seus mais íntimos espaços físicos e morais. Que as constantes feiúras a encontrar não nos retraia os olhos (no caso, o sentir) e as mãos. Depois, será mais fácil conhecer-se o próximo. E depois, então, mesmo que se minta, só se saberá da utilidade e do consolo da verdade. Faltará ânimo para o fingimento e a fuga, quando acreditarmos em que ninguém engana ninguém e em que somos capazes de conhecer o próximo, desde o instante inicial do primeiro conhecimento.
A sintomatologia do mal é evidente e constante. O homem mau ri errado. Por isso, deve-se viver em multidão. Falar e rir em coro, andar e parar em batalhões. Viver entre os que, simplesmente, estiverem vivendo. A vida coral nos alivia da obrigação do êxito, do êxito que é casual (e verdadeiro) ou é fabricado e cínico. Desconfiai dos feitos que são repetidamente comemorados com jantares e missas de ação de graças!
É esta uma simples canção de fim de ano. Escrevia, confessando-me e comprometendo-me em cada uma das minhas pequenas descobertas. Se não atingi, rondei mais das vezes a insolente verdade dos homens e das coisas. Em vez disso, escreveria uma crônica de Natal... Mas, em tudo o que eu dissesse do Nascimento de Cristo e fraternidade humana, correria o erro constante de repetir: "Natal, Natal, bimbalham os sinos...".(Antônio Maria)
terça-feira, dezembro 19, 2006
Faxina
Quando assumir em 1º de janeiro a presidência da Câmara de Marabá, vereador Miguelito Gomes (PP) tomará medidas duras para reduzir despesas. De cara, demitirá 25 servidores.
Somente na portaria existem lotados dezenove. Todos juntos em um mesmo horário não cabem na área de recepção do prédio do legislativo. Confusão à vista com o atual presidente Maurino Magalhães e seu futuro vice, vereador Leodato Marques, padrinhos dos contratados.
Somente na portaria existem lotados dezenove. Todos juntos em um mesmo horário não cabem na área de recepção do prédio do legislativo. Confusão à vista com o atual presidente Maurino Magalhães e seu futuro vice, vereador Leodato Marques, padrinhos dos contratados.
Mão na massa
Futuro secretário de Planejamento, Orçamento e Finanças (Sepof), Carlos Guedes desembarcou em Marabá para ações rápidas como coordenador da equipe de transição e ainda pontuando como delegado do Ministério de Desenvolvimento e Reforma Agrária. Esteve no Incra e manteve contatos com diversos setores da sociedade. Antes de retornar no final da tarde a Belém, Guedes concede entrevista ao blog.
Eu sou, e daí?!
A providencial publicação da lista completa dos aspones de Jatene, na edição desta terça do Diário do Pará, mostra porque o ex-prefeito de Itupiranga, Benjamin Tasca (PTB), recusou-se apoiar candidatos oposicionistas que pediram votos no município – mesmo sendo ele acusado em praça pública pelo então secretário de Agricultura do Estado, Wandenkolk Gonçalves (PSDB), de prática de corrupção à frente da administração municipal. Com salário de R$ 1.785,00, Benjamin mamava nas tetas da “Mami-Joana”.
Detalhe: o ex-prefeito apoiou para deputado federal seu próprio acusador, Wandenkolk.
Detalhe: o ex-prefeito apoiou para deputado federal seu próprio acusador, Wandenkolk.
domingo, dezembro 17, 2006
Bombando o homem
No Tutti Qui deste domingo de O Liberal continua a campanha pela valorizaçao do "passe" de Paulo Chaves. Com todas as letras, diz-se que o arquiteto "foi sondado por um amigo de Luiz Paulo Conde - que foi prefeito do Rio de Janeiro e deve ser o secretário de Cultura do governo - se toparia ocupar um cargo naquela pasta".
Que diabos empurram tanta gente a tentar fazer o distinto público acreditar que o PC é essa sumidade mesmo?
Que diabos empurram tanta gente a tentar fazer o distinto público acreditar que o PC é essa sumidade mesmo?
Burguês emperiquitado
Olhando aqui do interior pra capital, a gestão de Paulo Chaves na secretaria de Cultura foi o maior retrocesso que o setor conheceu em toda a história. Primeiro, em quase uma década à frente da pasta, o PC dos paraenses jamais visitou uma cidade do Sul do Estado, e se o fez percorreu suas ruas na calada das madrugadas. Em todo período, não se tem conhecimento de uma viagem sequer desse moço a uma cidade interiorana com objetivo de ouvir as demandas dos setores culturais, produtores, gestores e artistas. Na propaganda tucana, todo dia se falava na municipalização de ações mas a interiorização de políticas públicas na área de cultura, estímulo a parcerias ou qualquer projeto voltado ao desenvolvimento – tudo isso não passou de miragem.
Canto de Ossanha
Perguntar ao Paulo Chaves se ele sabe onde se pode ver e ouvir o canto-choroso das quebradeiras de coco do Araguaia, é correr risco dele imaginar tratar-se do canto das incelenças em noites de velórios nordestinos. Ir mais fundo, aventurando-se em pedir considerações sobre o “Beirarubu” realizado anualmente em Conceição, da mesma forma se ganha o desconhecimento como resposta natural dele, porque o PC do Pará não conhece a cultura do Pará, nunca sentou no fundo de uma canoa atravessando igarapés para ver como brincam enfeitados os moradores da zona rural do município de Santa Maria das Barreiras, embalados por ritmos de matracas trazidas do Maranhão.
O toque do Poeta
Os ritmos “culturais” que embalaram a criatividade de Paulo Chaves são feitos de cimento, ferro e vidros -, maiores obras da gestão tucana emoldurados na Estação das Docas, Mangal, Feliz Luzitânia e Centro de Convenção. Não discuto os benefícios desses empreendimentos (que são muitos) -, apenas citados como símbolos de uma era onde confundiram, propositalmente, cultura popular com turismo de ocasião.
Quando Paes Loureiro ocupou a Secult, o Sul do Pará o recebia com freqüência. O olhar do poeta se sentia bem no meio de nossa gente, e cantava e ria com tudo o que se produz no seio das manifestações populares. Travado pela burocracia de Almir Gabriel, nada pode fazer de relevante, mas conseguiu ainda imprimir alguns eventos e oferecer workshops na área musical para muita gente de diversos municípios.
Depois fizeram inversão de valores: trocaram o poeta pelo arquiteto, e as artes choraram, perderam o vinco e a cor. Mas não a vida.
Quando Paes Loureiro ocupou a Secult, o Sul do Pará o recebia com freqüência. O olhar do poeta se sentia bem no meio de nossa gente, e cantava e ria com tudo o que se produz no seio das manifestações populares. Travado pela burocracia de Almir Gabriel, nada pode fazer de relevante, mas conseguiu ainda imprimir alguns eventos e oferecer workshops na área musical para muita gente de diversos municípios.
Depois fizeram inversão de valores: trocaram o poeta pelo arquiteto, e as artes choraram, perderam o vinco e a cor. Mas não a vida.
Bate tambor, Ana
Tomara que o futuro secretário Edílson Moura, em suas primeiras iniciativas, seja percorrer o Estado, sair da capital para se aproximar dos verdadeiros fazedores da arte e movimentos criativos, recolhendo informações para as linhas básicas de uma política cultural do Estado. Necessário se faz interiorizar-se, criar planejamentos e programas voltados para a descentralização cultural e a capacitação de recursos humanos, gerar orçamentos, empregar o dinheiro para que ele seja bem gasto naquilo que é realmente relevante para as artes e as culturas infestadas no território de cada cidade.
Dia desses, o Juvêncio Arruda, em gostoso post, falou da alegria dele em viver a Festa do Interior , correr trecho e sentir o hálito da criação da gente simples, estimulando, ao final, Ana Júlia a bater o tambor da criação, como governadora, entrando também firme na dança de transformação de nossas fortes e arraigadas manifestações culturais.
Dia desses, o Juvêncio Arruda, em gostoso post, falou da alegria dele em viver a Festa do Interior , correr trecho e sentir o hálito da criação da gente simples, estimulando, ao final, Ana Júlia a bater o tambor da criação, como governadora, entrando também firme na dança de transformação de nossas fortes e arraigadas manifestações culturais.
Resistência cultural
Está na hora do poder central de Belém contribuir para acabar com um fenômeno que batizo de "resistência cultural" e que se formou na última década pela ausência de políticas públicas destinadas às artes e as suas manifestações diversas, geralmente vivenciadas em grande parte dos trinta e oito municípios da região . E esta "resistência cultural" não é um processo simples que se dá no confronto entre culturas imutáveis no tempo. É a visão que muitos dirigentes estaduais tentam perpetuar de que costumes e tradições trazidas de outros estados deformaram o paraensismo, quando, na verdade, fez foi fortalecê-lo, com novas cores e vozes. Um verdadeiro caldeirão de boas novas a consolidar nossa própria identidade porque a vida social não consiste em batalhas campais entre culturas, mas sim em enfrentamentos entre grupos, categorias e indivíduos, para quem a cultura orienta a ação política e é ao mesmo tempo uma arma usada para empreendê-la.
Nessas pequenas e grandes batalhas do dia a dia, a cultura vive através daqueles que a usam, e ao serem assim utilizadas, ela os transforma e se transforma.
É atrás desse amontoado de sítios criativos que o novo governo deve ir, sem se preocupar em medir o tamanho de seu custo.
Aqui estaremos solícitos, avidamente batendo tambores, viu Juvêncio! E dando boas vindas.
Nessas pequenas e grandes batalhas do dia a dia, a cultura vive através daqueles que a usam, e ao serem assim utilizadas, ela os transforma e se transforma.
É atrás desse amontoado de sítios criativos que o novo governo deve ir, sem se preocupar em medir o tamanho de seu custo.
Aqui estaremos solícitos, avidamente batendo tambores, viu Juvêncio! E dando boas vindas.
Bom de mira
Dia 5 de dezembro, a 1:33 PM, o post "Ver para crer: dizia: "Tem gente do PT dizendo que as listas dos prováveis secretários de Ana Júlia divulgadas em jornais e blogs ainda podem aparecer com nomes substituindo os que já foram revelados. Uma fonte faz a seguinte previsão: a DS deverá ter no mínimo doze secretarias. A ver."
Até agora a Democracia Socialista emplacou onze secretários.
Até agora a Democracia Socialista emplacou onze secretários.
sábado, dezembro 16, 2006
Cena Um
Agosto de 2006. N a cabeceira de uma mesa, encontra-se Almir Gabriel, recém confirmado em convenção candidato a governador do Pará com a fácil missão de vencer em primeiro turno. Completando a rodada, cinco empresários do Sul do Pará. O assunto gira em torno da importância da candidatura do tucano para o desenvolvimento do Estado e contribuição para a campanha de cada um dos convidados.
Arrogante e dono da situação, Gabriel deixa claro que não quer doação através de Caixa Dois. “Quem quiser contribuir que o faça legalmente, mas mesmo assim não quero nada para a minha campanha e sim ajuda aos nossos candidatos proporcionais”.
Os convidados quase nada falam, apenas ouvem. E saem do encontro até certo ponto tranqüilos por não terem sido pressionados a ralar o bucho buscando dinheiro para o poderoso Almir. Mais: saem também impressionadas com a segurança do candidato quanto a vitória tranqüila que lhe aguarda dentro de 60 dias.
Arrogante e dono da situação, Gabriel deixa claro que não quer doação através de Caixa Dois. “Quem quiser contribuir que o faça legalmente, mas mesmo assim não quero nada para a minha campanha e sim ajuda aos nossos candidatos proporcionais”.
Os convidados quase nada falam, apenas ouvem. E saem do encontro até certo ponto tranqüilos por não terem sido pressionados a ralar o bucho buscando dinheiro para o poderoso Almir. Mais: saem também impressionadas com a segurança do candidato quanto a vitória tranqüila que lhe aguarda dentro de 60 dias.
Cena Dois
Cinco dias depois do resultado do primeiro turno. Em uma sala de escritório em Belém, ao lado de Sérgio Leão, um nervoso Almir Gabriel recebe cinco empresários do Sul do Pará - quase os mesmos integrante da reunião de agosto. Depois de uma análise rápida da eleição, tenso e desapontado, Gabriel pede licença para, em sala ao lado, atender outra comitiva do interior que lhe aguarda
Sérgio Leão toca a audiência pedindo empenho a todos e o que puderem arrecadar em dinheiro. “Sem dinheiro, corremos o risco de perder; e perder para uma pessoa despreparada e sem equipe para dirigir este Estado. O que será de vocês investidores e desse projeto de desenvolvimento do Pará?”, pergunta, com intenção de processar lavagem cerebral.
Sérgio Leão toca a audiência pedindo empenho a todos e o que puderem arrecadar em dinheiro. “Sem dinheiro, corremos o risco de perder; e perder para uma pessoa despreparada e sem equipe para dirigir este Estado. O que será de vocês investidores e desse projeto de desenvolvimento do Pará?”, pergunta, com intenção de processar lavagem cerebral.
Cena Três
Naquele momento da reunião tensa, a “União pelo Pará” necessitava de R$ 1 milhão para quitar compromissos inadiáveis. Ao ser revelado o valor da “mala preta”, de repente, um dos convivas dispara:
- “Mas apenas R$ 1 milhão? Isso é uma vergonha. Temos condições de dar cada um é esse valor, e não ficar correndo atrás de mixaria!!!”, brada, com firme propósito de impressionar, o audacioso investidor.
- “Se tu quiseres dar R$ 1 milhão, tu tiras do teu bolso, que eu não vou dar esse valor. Tu tiras do teu, do teu!” Reage mais nervoso ainda outro empresário, com dedo em riste do parrudo provocador.
O mal estar se instala. Sérgio Leão desajeitado na cabeceira tenta colocar a situação sob controle. Minutos depois o encontro chega ao final com o grupo se responsabilizando de arrecadar, pelo menos, R$ 500 mil.
- “Mas apenas R$ 1 milhão? Isso é uma vergonha. Temos condições de dar cada um é esse valor, e não ficar correndo atrás de mixaria!!!”, brada, com firme propósito de impressionar, o audacioso investidor.
- “Se tu quiseres dar R$ 1 milhão, tu tiras do teu bolso, que eu não vou dar esse valor. Tu tiras do teu, do teu!” Reage mais nervoso ainda outro empresário, com dedo em riste do parrudo provocador.
O mal estar se instala. Sérgio Leão desajeitado na cabeceira tenta colocar a situação sob controle. Minutos depois o encontro chega ao final com o grupo se responsabilizando de arrecadar, pelo menos, R$ 500 mil.
Cena Quatro
Fora do escritório do PSDB, os cinco investidores realizam encontro para articular a arrecadação da grana. Na discussão um terceiro empresário decide mudar o rumo dos fatos ao fazer a seguinte colocação:
- Vocês acham que estamos agindo com sensatez de levantar R$ 500 mil só para o Almir? Esses caras estão desesperados porque sentem que perderam a eleição. Eu só libero minha cota se for levantado o mesmo valor de R$ 500 mil para a Ana Julia. Se vocês não concordarem, minha participação na campanha do Almir está suspensa.
Dois dias depois o grupo levanta R$ 1 milhão e divide em cotas iguais: R$ 500 mil para Ana Júlia e o mesmo valor para o candidato tucano.
- Vocês acham que estamos agindo com sensatez de levantar R$ 500 mil só para o Almir? Esses caras estão desesperados porque sentem que perderam a eleição. Eu só libero minha cota se for levantado o mesmo valor de R$ 500 mil para a Ana Julia. Se vocês não concordarem, minha participação na campanha do Almir está suspensa.
Dois dias depois o grupo levanta R$ 1 milhão e divide em cotas iguais: R$ 500 mil para Ana Júlia e o mesmo valor para o candidato tucano.
JCP, o breve
Ninguém deve prognosticar resultados eleitorais com bastante tempo de antecedência de qualquer disputa, nem mesmo próximo a ela. O dinamismo dos fatos e os humores voláteis do eleitorado costumam desdizer previsões. Mas há situações em que a ojeriza popular ganha proporções tão grandiosas que o futuro de determinados homens públicos fica selado preaturamente. A incompetência estigmatiza-se.
É o caso de Jorge Paulo, administrador de Redenção, mais conhecido por JPC, filiado ao PMDB. O distinto prefeito está se transformando na Geni do Sul e levando à reboque o restinho de respeito que tinha ainda até mesmo de alguns vereadores, tanto que dentro da Câmara não se fala em outra coisa senão na cassação de seu mandato.
A má gestão do prefeito-fazendeiro é, de longe, a pior de todas da região. Para quem assumiu o cargo garantindo que ficaria ali oito anos e depois elegeria sem dificuldades o próprio sucessor, pelo andar da carruagem o estouvado alcaide se terminar seus quatro anos será por puro milagre.
É o caso de Jorge Paulo, administrador de Redenção, mais conhecido por JPC, filiado ao PMDB. O distinto prefeito está se transformando na Geni do Sul e levando à reboque o restinho de respeito que tinha ainda até mesmo de alguns vereadores, tanto que dentro da Câmara não se fala em outra coisa senão na cassação de seu mandato.
A má gestão do prefeito-fazendeiro é, de longe, a pior de todas da região. Para quem assumiu o cargo garantindo que ficaria ali oito anos e depois elegeria sem dificuldades o próprio sucessor, pelo andar da carruagem o estouvado alcaide se terminar seus quatro anos será por puro milagre.
Quem me quer
Ao final de mandato dos atuais parlamentares que não conseguiram reeleger-se, restará inicialmente à deputada Elza Miranda (PSDB) enfrentar o difícil processo de ressocialização, traumático caminho de readaptação ao dia a dia dos mortais de políticos que deixam a vida pública pela vontade popular. Quem já passou por isso, diz que é o pior dos calvários.
Mas como o mundo é hoje e o amanhã é só um amanhã, Elza iniciou mobilização para dar seus primeiros passos da vida sem mandato. Que não quer dizer vida sem partido. Tanto que a deputada pensa seriamente em ir para o PMDB.
Mas como o mundo é hoje e o amanhã é só um amanhã, Elza iniciou mobilização para dar seus primeiros passos da vida sem mandato. Que não quer dizer vida sem partido. Tanto que a deputada pensa seriamente em ir para o PMDB.
Será o Benedito?
Tem aquela bem antiga segundo a qual “onde há fumaça, existe fogo”. Pois não é que está crescendo a falação de que o prefeito de Marabá estaria com o pé no PMDB? O blog anda checando esse furdunço, mas até agora não confirmou nada. Nem Jader Barbalho foi sondado sobre o assunto. Pelo menos é a garantia de uma fonte ligada ao presidente do PMDB -, como se fosse do estilo de Barbalho conversar com os próximos sobre suas estratégias.
Verdade ou mentira, os rumores estão na praça. E Sebastião Miranda (PTB) “tô nem aí pro que der e vier”.
Verdade ou mentira, os rumores estão na praça. E Sebastião Miranda (PTB) “tô nem aí pro que der e vier”.
Prefeito-asfalto
É bom dizer também que Sebastião Miranda não é chegado a aventuras. O status quo dele é restrito praticamente a ele mesmo e só ele. Entre deixar o PTB que ele domina e faz o que bem entende para assentar-se em qualquer outro partido normalmente cheio de “generais”, o prefeito prefere ficar de bubuia onde está. Até porque não disputa nada na eleição de 2008.
Fora desse quadro, viabilizar sua migração para outra legenda só mesmo diante de facilidades de obtenção de recursos para sua administração, preferencialmente, dinheiro, muita grana, para pavimentação de ruas. O “prefeito-asfalto” quer ser deputado federal e até 2010, muito chão ainda tem por pisar.
Fora desse quadro, viabilizar sua migração para outra legenda só mesmo diante de facilidades de obtenção de recursos para sua administração, preferencialmente, dinheiro, muita grana, para pavimentação de ruas. O “prefeito-asfalto” quer ser deputado federal e até 2010, muito chão ainda tem por pisar.
Duas frentes
Carro-chefe das pretensões dos governos do PSDB no Sudeste do Pará, Sebastião Miranda sempre teve uma relação conflituosa com Almir Gabriel e Simão Jatene. Mais com o segundo, é verdade. Entre tapas e beijos, convivia antiga aproximação com Almir desde os tempos da campanha deste para o Senado. Mas os três, por questão de sobrevivência, se aturavam. E se queriam como nas relações “bandidas” dos cabarés -, onde, na manhã seguinte, “já não se vale nada, página virada, descartada do folhetim’-nos lembra bem Chico.
Implodido o projeto de 20 anos de poder dos tucanos, o prefeito de Marabá carregará por muito tempo julgamento crítico consensual de seus aliados e adversários, segundo os quais Tião só trabalha para ele mesmo, e o resto é detalhe.
Nesse jogo em que o prefeito de Marabá tentará sobreviver politicamente, a partir de janeiro, quando um governo de coalizão assume o controle do Pará, de um lado, ele terá o irmão Newton Miranda, proeminência da direção do PCdoB, partido aliado de primeira hora de Ana Júlia, a lhe socorrer nos contatos institucionais; de outro, a reaproximação cada vez mais consolidada com seu recente adversário Asdrúbal Bentes, deputado federal reeleito e dono de quase 30 mil votos em Marabá.
Asdrúbal não nega respeito à atuação de Sebastião Miranda como prefeito realizador de obras e que por isso não hesitaria em levá-lo para o PMDB ou fazer todo sacrifício para ajudá-lo a terminar os dois anos que ainda lhe restam à frente da prefeitura.
Poderoso padrinho de políticos até a última eleição de outubro, Tião passa agora à condição de humilde afilhado, mas com a poderosa arma de ser ainda o maior eleitor do município.
Implodido o projeto de 20 anos de poder dos tucanos, o prefeito de Marabá carregará por muito tempo julgamento crítico consensual de seus aliados e adversários, segundo os quais Tião só trabalha para ele mesmo, e o resto é detalhe.
Nesse jogo em que o prefeito de Marabá tentará sobreviver politicamente, a partir de janeiro, quando um governo de coalizão assume o controle do Pará, de um lado, ele terá o irmão Newton Miranda, proeminência da direção do PCdoB, partido aliado de primeira hora de Ana Júlia, a lhe socorrer nos contatos institucionais; de outro, a reaproximação cada vez mais consolidada com seu recente adversário Asdrúbal Bentes, deputado federal reeleito e dono de quase 30 mil votos em Marabá.
Asdrúbal não nega respeito à atuação de Sebastião Miranda como prefeito realizador de obras e que por isso não hesitaria em levá-lo para o PMDB ou fazer todo sacrifício para ajudá-lo a terminar os dois anos que ainda lhe restam à frente da prefeitura.
Poderoso padrinho de políticos até a última eleição de outubro, Tião passa agora à condição de humilde afilhado, mas com a poderosa arma de ser ainda o maior eleitor do município.
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Peba emplaca dois secretários
Milton Schneider e André Farias representarão Parauapebas no primeiro escalão do governo Ana Júlia. Como já foi amplamente divulgado, o primeiro ocupará a Emater, e André a estratégica secretaria de Integração Regional. Milton foi candidato a deputado estadual do prefeito Darci Lermen enquanto Farias até bem pouco tempo dirigia a Seplan do município.
Darci consegue emplacar dois secretários e se fortalece como prefeito de acesso fácil a futura governadora.
Darci consegue emplacar dois secretários e se fortalece como prefeito de acesso fácil a futura governadora.
Prefeituras fechadas
As prefeituras de Parauapebas e Marabá entrarão de recesso dia 20 de dezembro. O retorno às atividades ocorre dia 3 de janeiro. Esta nota é mais voltada aquelas pessoas que tem negócios em órgãos ligados a essas prefeituras, e que moram em outras localidades.
João & Maria & Sivuca
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no meu mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim
(Sivuca–Chico Buarque)
Sou obrigado a parar tudo, em pleno meio-dia desta sexta-feira (15) para prestar minha homenagem a Sivuca, um dos poucos ídolos que ainda preservo da música brasileira – inclua-se aí também João Bosco. Tomei um susto quando me disseram da morte dele em João Pessoa, aos 76 anos.
Antes de sentar-aqui aqui diante do laptop quis ouvir o CD “Terra Esperança” onde o mestre do acordeom se encontra magistralmente com seu ídolo Valtinho do Acordeom, também paraibano, e mostram a versatilidade instrumental nos foles dos sete ou 120 baixos tocando juntos pela primeira e única vez, “De Bom Grado”, composição de Sivuca e Glória Gadelha, obra que deu a ele o Prêmio Tim de Música de 2005 na categoria de melhor arranjador.
Ouço de olhos fechados, e viajo no tempo imaginando como esse inigualável sanfoneiro (instrumentista ou compositor) contribuiu para alçar a música nordestina às salas de conserto do mundo inteiro, se apresentando nos Estados Unidos, Europa e Ásia, com a mesma simplicidade com que soube consagrá-la nas feiras de mangaio e nos pés-de-serra deste Brasil-de-Meu-Deus.
O som que vem de Deus
Ouvir o toque sanfoneiro de Severino Dias de Oliveira, nascido em Itabaiana, é incorporar dentro da gente uma pluralidade sonora que somente gênios do quilate de Sivuca conseguem organizar -, ponteando rica variedade de ritmos e vozes, que vão de Clara Nunes, Chico Buarque e outros cantores ao sopro dos metais do Quinteto da Paraíba ou da Metalúrgica Filipéia, com seus trombones, teclados e percussão.
Você que está me lendo aí agora experimenta ouvir “Visitando Zabelê” (CD “Terra Esperança”) e me diz se não há na imensa floresta de sons do mestre de Itabaina o trotar de um xote pé-de-serra! Só ele faz isso, misturando acordeom, violinos e violoncelos, em fragmentos de tudo: baião, modinha, maracatu, xaxado, molejo de um samba, tom moleque de nordestino raspapé, tocando o rebanho de suas origens.
Vai mais adiante. Escuta todo o CD e também me diz, depois que os instrumentos se calam, ao fim de incríveis diálogos, se não vem a certeza de que com Sivuca é assim: tocou, tem harmonia. Pode ser flauta com pandeiro, pífano com sax-tenor, sanfona com violoncelo, percussão com viola, não importa.
A alma musical de Sivuca nasceu para viver nas esferas da harmonia com o mundo e a arte.
Meus respeitos e adoração, saudoso mestre.
Você que está me lendo aí agora experimenta ouvir “Visitando Zabelê” (CD “Terra Esperança”) e me diz se não há na imensa floresta de sons do mestre de Itabaina o trotar de um xote pé-de-serra! Só ele faz isso, misturando acordeom, violinos e violoncelos, em fragmentos de tudo: baião, modinha, maracatu, xaxado, molejo de um samba, tom moleque de nordestino raspapé, tocando o rebanho de suas origens.
Vai mais adiante. Escuta todo o CD e também me diz, depois que os instrumentos se calam, ao fim de incríveis diálogos, se não vem a certeza de que com Sivuca é assim: tocou, tem harmonia. Pode ser flauta com pandeiro, pífano com sax-tenor, sanfona com violoncelo, percussão com viola, não importa.
A alma musical de Sivuca nasceu para viver nas esferas da harmonia com o mundo e a arte.
Meus respeitos e adoração, saudoso mestre.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
Volta triunfal
O estilo “generoso” de governar dos tucanos, entre tantas maldades praticadas durante doze anos, alcançou em plano segundo turno da eleição o cargo do Cel. Henrique Coelho, que dirigia o policiamento da PM no sudeste do Pará, lotado em Marabá. O oficial foi demitido da função acusado de fazer campanha para a então candidata Ana Júlia. Puxa-sacos de plantão, desesperados diante da derrota que se anunciava, viram na postura profissional do coronel alguém que não se mostrava disposto a sair pelos quartéis pedindo votos para Gabriel.
Agora, justiça se faz: Henrique Coelho ocupará a Casa Militar da futura governadora.
Agora, justiça se faz: Henrique Coelho ocupará a Casa Militar da futura governadora.
Pelo menos um
Milton do PT, candidato a deputado estadual não eleito, deve assumir a Emater. Pelo menos é o que se anuncia entre assessores do prefeito Darci Lermen depois do encontro deste com a governadora eleita Ana Júlia no início da noite de quarta-feira. Para quem lutava por espaço no primeiro escalão, sem sucesso, a hipotética ida de Milton para o órgão não deixa de ser uma vitória do prefeito de Parauapebas considerando que o Sul do Pará até agora não foi contemplado com nenhuma nomeação de vulto - à exceção da entrega da coordenação do programa "Pará Rural" ao ex-gerente Regional do Ibama, Ademir Martins, também ainda não confirmada.
Carne podre
Até bem pouco tempo orgulhosos dirigentes do PSDB de Marabá, envergonhados agora eles se escondem e dizem não ter nada a ver com a legenda. Fazem questão de anunciar não pertencer mais ao quadro e, no escurinho das reuniões escondidas, procuram nomes a quem entregar o partido. Quem se habilita?
Força para dividir
A confirmação de Francisco das Chagas para a secretaria de Obras do Estado reforçará o time dos deputados estaduais defensores do Estado de Carajás, na futura Assembléia Legislativa. Primeiro suplente, Parsifal Pontes (PMDB), com seu discurso vibrante, estenderá a luta divisionista para a tribuna. Os defensores do Estado de Carajás vibram com mais um soldado no parlamento.
Decepção
Se Ademir Martins não for confirmado na coordenação do “Pará Rural, uma coisa é certa: o Sul do Pará cobrará falta de representativa na equipe de governo. O que faltou? Articulação das lideranças regionais junto à governadora eleita?
Assinar:
Postagens (Atom)