Lendo alguns posts sobre a solenidade de entrega da licença de operação da siderúrgica da mineradora, nosso magistrado trabalhista e blogueiro, na mensagem enviada ao email pessoal do pôster, lembra:
Meu caro Hiroshi,
A propósito: relembremos que foi graças às golden share que a União detém - doze - que a ALPA se tornou uma prioridade para a Vale. Até a União ameaçar fazer valer as golden share, a Vale não dava menor sinal de interesse pela ALPA, antes pelo contrário, dizia que aço era um mercado reservado para seus compradores de minério e ela com eles não concorreria. Terminou encontrando uma forma de se aliar em lugar de concorrer.
A pergunta a ser feita agora é: por que não usar mais vezes o poder de fogo das golden share, já que elas operam milagres como esse?
Outra: que tal se a União doasse uma dessas golden share - só umazinha - para o Estado do Pará?
Imagine o poder de fogo e o cacife do Pará com um trabuco desses nas mãos.
Estou cada vez mais convencido que o Presidente Lula fez bem em usar o poder das golden share para forçar a Vale a mudar sua estratégia, subindo a siderúrgica ALPA no ranking de seus (dela, Vale) investimentos. Graças à ação do Presidente o que era low se tornou high. A Vale é um gigante que só se move quando um poder maior e mais alto se alevanta. A União, com suas golden share, é esse poder maior.
O Estado do Pará pode ter também esse poder. Basta que a União faça a doação de uma - umazinha só - golden share para o Estado (ela tem doze). No dia seguinte à doação as relações da Vale com o Pará seriam outras, bem outras. O Estado seria obrigado a subir de nível e a Vale não precisaria se acocorar para ouvi-lo. Claro que isso vai depender de quem estiver no Governo do Estado, mas no ato de doação a União poderia blindar a golden share contra seu mau uso eventual por algum governador, para que ele não caísse na tentação de usá-la como instrumento de extorsão para benefícios pessoais ou grupais escusos. E, claro, poderia haver uma legislação estadual de suporte que desse mais força ainda ao Estado nas suas relações com a Vale, que precisam mudar (para melhor e mais elevadas).
Estou também convencido que agora é o momento exato para propor essa doação e esta sugestão é como passarinho e samba: é de quem pegar. É copyleft.
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No mesmo emeio, sempre generoso com o pôster, José Alencar eleva a nossa auto-estima:
Obrigado pela cobertura up to date do, digamos assim, lançamento da ALPA.
Digo e reitero: quem for contar a história contemporânea do Sul do Pará terá que citá-lo, ou estará mentindo. Você é nosso homem aí no front, nosso correspondente de guerra, nosso Joel Silveira e nosso Rubem Braga. Por isso mesmo você já começa a ficar nos devendo um livro - que tal um e-book? - sobre a saga contemporânea do Sul do Pará. Mais ou menos cem anos atrás outro jornalista passou pela Amazônia e escreveu algumas coisas sobre a saga de então, a da borracha. Está faltando quem escreva sobre a saga dos minérios. Você está escalado para ser também nosso Euclides da Cunha e mostrar para nossos pósteros o que está acontecendo aí nessa página não escrita do Gênese. Pense nisso nesta Páscoa, que desejo seja uma passagem para você e para o Sul do Pará. Uma boa passagem, como foi para os judeus.
NT (Nota do Blog): Nota acima está sendo postada depois de devidamente autorizada pelo amigo Alencar.
4 comentários:
Mas não esqueçamos que o Lúcio Flávio Pinto, em seu Jornal Pessoal, narra a saga do minério, desde que a mina de Carajás foi descoberta por acaso.
09:47, em verdade, foi o Lúcio quem sempre jogou luz sobre esse tema, nem sempre escrito, pelos seus principais protagonistas, de forma reansparente. Abs
Meu caro Hiroshi.
Muito obrigado pela publicação das mensagens.
Peço corrigir um erro de digitação: em lugar de "excusos", leia-se "escusos". Não prejudicou o entendimento, felizmente.
Concordo que o Lúcio sempre relatou essa saga, mas meu desejo é que o Hiroshi faça isso daí do Sul do Pará.
Ademais, o Lúcio é hors concours...
Caro Alencar, correção providenciada, tenho mais uma vez de agradecê-lo. Daqui farei tudo para continuar merecendo a sua confiança e de milhares outros leitores. O trabalho continuapá, intensamente, inclusive estudando a sugestão de escrever um livro. O tempo desse projeto está perto. Quanto ao LFP, ele realmente é hors concours. Abraços
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