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quarta-feira, março 02, 2011

Entre livros e acampamentos

Provocado pelo jornalista Val-André Mutran para se enriquecer de boas leituras, o coordenador regional do MST Charles Trocate, envia emeio pedindo a publicação de artigo a seguir postado.

"Estive viajando e não pude responder a tempo as provocações do Val Mutran, mais envio uma carta de última hora, depois que li a sua resposta a minha carta. Não é nada pessoal, mas queria sugerir essa reposta, apenas sobre o que penso ser vital, por enquanto, e deposi enviarei minhas considerações sobre a Criação de Carajás, daí uma respostas em dois tempos", esclarece Trocate.



O HÁBITO DE LER E O NASCIMENTO DAS BIBLIOTECAS!

- Uma breve resposta ao Val Mutran-

Por esses dias estive no Acampamento João Canuto, localizado no complexo de áreas públicas griladas a partir da década de setenta do século passado pelo grupo Quagliato próximo ao município de Sapucaia. Nada extraordinário não se tratasse de uma ocupação do MST que com toda a sua engenharia de organização social e apoderamento das famílias Sem Terra se diferencia das demais ocupações ao longo da estrada (hoje rodovia federal 155). Estão as vésperas de completarem cinco anos de acampados, embora a bandeira tremule inconteste, perdura o impasse. As famílias acampadas preparam algum destino, escamoteiam a miséria e, tomada a dimensão do conflito se posicionam por uma saída; o tempo do medo já passou, estranhos a ordem do latifúndio numa região tão esmagada por estes.

Alguém já perguntou o que se passa no mundo do acampamento onde a única razão que lhes conferem ímpeto é a pobreza material e uma trajetória marcada a solavancos pela discrepância do Estado Burguês Brasileiro? A anomalia é recorrente e não se desfaz por decretos, impasses e os confrontos estão estabelecidos desde sempre e, nem é preciso levantar a questão para além do cotidiano, o imperativo da violência atua em todas as dimensões, e resulta do Estado que nada mais exerce do que a violência generalizada sobre os pobres do país.

Mas o que podem fazer aqueles cuja forma de ser ganhou características de - barbárie - morando em cidades, que são –não cidades- pois advindo de um processo civilizatório inconcluso que não permitiu incorporar a sociedade que se formava através do modelo agrário exportador aos ritmos da nova modernidade industrial. O que deveria ser a filha mais natural desse processo, a reforma agrária ficou como tarefa dos trabalhadores, da classe camponesa em formação e hoje é subjugada assim como organizações que surgiram ao redor da sua reivindicação histórica. A interpretação dos impasses e pespectivas desse país passam por acampamentos de Sem Terra.

No acampamento hospedei-me na casa do Valdecir, um dos coordenadores do mesmo, que esteve junto com as famílias acampadas na fazenda Espírito Santo, no acampamento, que leva o nome do poeta Russo Vladimir Maiakóvisk, envolvidos no conflito do dia 18 de abril de 2.009 quando a Agropecuária Santa Barbara, junto com a burguesia agrária e escravocrata da região orquestraram um novo massacre. Valdecir me falou o que fazia antes de ir se acampar com a mulher e mais quatro filhas, a última, Manuela, nascida recentemente. Na maior fronteira agrária e mineral do país era não mais que um “vendedor” de mão de obra, sem que pudesse se valer dos direitos constitucionais, do logro empregatício. Os dados da delegacia do ministério do trabalho, são reveladores, há inclusive um apelido para a lista de fazendeiros, que se retroalimentam dessa prática escusa, lista negra. Nada imoral? O que vale a máxima, porque me devoras?

Díspare é o conceito do trabalho, como faculdade humana em sua organização política e social, com a exigência do momento e o desenvolvimento das forças sociais produtivas em um século atrasado na região por conta do modelo de desenvolvimento conservador, concentrador de renda e de riqueza, onde a inteligência clássica, nada pode propor de novo, pois não concebem outro mundo se não o da fazenda e sua jurisdição – trabalho análogo a escravidão, apropriação dos ecossistemas e biodiversidades, e uso privado dos recursos estatais- incorporando-o exclusivamente aos seus interesses e, retardando como opção de classe as transformações, já prontamente reivindicadas, num longo movimento contra a ordem identificável aos nossos dias. Numa única palavra, mesmo os acampamentos organizados pelo MST, cumpre a duras penas um processo civilizatório, que nenhuma fazenda, em sua organização industrial, poderá no máximo da sua exigência, fazer!

Na casa (lugar, destino e território) do Valdecir há uma pequena biblioteca, ou como se poderia dizer há um nascimento de uma biblioteca e junto a emoção de ler livros, está intelectualizado sobre as mais diferentes normas do conhecimento, dialoga com coerência sobre as mais variadas questões, ressalta as encruzilhadas do nosso tempo, filosofa de maneira culta e popular. É o conhecimento desvelando realidades, num tempo que conhecimento e realidades andam estranhos e paradoxais. A mim não é espanto, mais sobre que prerrogativa esses homens, mulheres e crianças aprender a ler, a escrever e ter livros em casa? Não como troféu antigo guardado no sótão, lembranças de um tempo de -desobediência- como alguns os têm nos setores mais abastados da sociedade, mais como algo libertador e construtor de imaginações!

Por isso me pus a refletir - como exige um momento de impasses -, não há combinação mais justa, aqui não falo de justiça rota, inconseqüente, do que livros e os Sem Terra, que sem claudicar, assombram não porque são fantasmas indesejados, mais porque portam a poderosa expressão, “contra a idéia da força a força das idéias”, constrõem escolas, eliminam o analfabetismo, chegam à universidade e fazem nascer bibliotecas, não só para esses dias mais para a vida toda e o fazem se livrando de dogmatismos, numa sociedade tão dogmatizada, pela pobreza, pelo mercado e pelas relações de poder.

Posso afirmar, onde há um Sem Terra há uma biblioteca ainda que em nascituros e, há leituras de mundo, o que não é privilégio, é o único arsenal que possuem para os embates, para superar os desencontros políticos, econômicos e culturais, que vive o país em sua “emergência do momento burguês” e governabilidade inábil. Legitimam-se pela capacidade de falar e fazer. Nunca é demais afirmar, que o Estado Brasileiro é a mais potente arma de exclusão social; ao seu redor uma burguesia, com características que são só suas, são patologias diria Florestan Fernandes, ela é ao mesmo tempo, anti-social, antipopular, antidemocrática e subserviente política e culturalmente ao interesses imperialistas. O que dizer do tacanho comportamento da burguesia paraense e da grande região Carajás, que vai da riqueza a pobreza a um só passo?

O livro é em nossa sociedade um objeto demasiadamente caro, o que considero um bloqueio a inteligência, um bloqueio de muitos outros, mas andando pelo acampamento percebi nas conversas e reuniões, a novidade que portam os Sem Terra: a de quererem democratizar a terra, cultivar o local que é identidade, como descreve Alfredo Bosi, em sua “Dialética da Colonização”, de reivindicarem livros e conhecimentos, não como algo hipnótico mais como prática dialética. Nas pequenas e muitas bibliotecas pessoais e coletivas que vi, atentamente percebi, universos bem paralelos, não estão lendo livros de auto-ajuda, desses que há aos borbotões nas livrarias ou shopping Centers, livros que saram as doenças subjetivas de uma sociedade cada vez mais empobrecida, moldada a ignorância, onde um bom livro, o debate e uma boa polêmica é mais que nada. Reina o príncipe midiático, fazendo a realidade uma fábula, de maneira esnobe, fantasiando os que ainda não sabem querer!

Tem os Sem Terra bibliotecas de quatro, cinco, oito, vinte livros, muitas e diversificadas obras, em prateleiras ou em cima de pequenas mesas, nas salas próximas as janelas e ou em estante improvisadas, vi, Verde Vagamundo e Transtempo de Benecdito Moteiro, Miguel Miguel de Haroldo Maranhão, Introdução à Filosofia da Arte, Benedito Nunes, Rebanho de Pedras, de Ademir Braz, Chove nos Campos de Cachoeira de Dalcidio Jurandir; Muitos escritores latinos americano, de Eduardo Galeano, Octávio Paz, José Saramago, Florestan Fernandes, Thiago de Mello, Eneida de Morais; Obras filosóficas, sobretudo Marx, George Lucak´s, Carlos Mariategui, Vicente Salles, Darci Ribeiro, Sergio Buarque de Holanda, Vladimir Maiakóvisk tantos e tudo o que possa imaginar, e há escritores atualíssimos, pois como sabem os Sem Terra circulam, andam captando o que há de melhor nessa pátria chamada humanidade.

Como dito anteriormente é com esse arsenal, que reivindicam a Reforma Agrária; a tempo não podem mais esperar, possuem uma paciência perigosa, Valdecir e os demais estão aprendendo entusiasticamente que “ser culto é o único modo de ser livre, ser livre é o único modo de ser culto”!

Charles Trocate
Marabá
Fevereiro de 2.011

terça-feira, janeiro 11, 2011

Avermelhando fazendas

O MST nacional decidiu.

A coordenação regional do movimento já foi comunicada.

Abril de 2011 será o mês onde haverá mais invasões de propriedades no país, desde o surgimento do Movimento dos Sem-Terra.


Além de fazer parte da estratégia  de forçar o governo federal, com o qual o MST está praticamente sem interlocutor, a ceder mais na questão da reforma agrária, as invasões no Pará servirão para levar recados ao governo do Estado com quem as lideranças do movimento não vislumbram possibilidade de negociação.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Verdade subversiva

Ontem à tarde, 17,  o poster assistiu a uma reunião de representantes dos chamados setores produtivos do Sul do Pará.

Entre vários temas em discussão, o principal efervesceu ânimos quando passaram a debater "ações dos bandidos do MST”, assim denominados os movimentos sociais de luta pela terra.

A demonização chegou a ponto de um dos pecuaristas admitir que o futuro Governo do Estado endurecerá o embate na zona do agrião, como se Jatene não tivesse consciência das peculiaridades desse relacionamento,  e do quanto se deve ter paciência para manter as mesmas relações conflituosas em suas esferas limites.

Descontando atitudes tresloucadas de algumas de suas lideranças, ninguém pode subestimar a importância dos movimentos sociais para a redução das injustiças no campo.

Quem trabalha com história pública, num futuro próximo, produzirá abundantes textos revelando o longo processo de luta do MST contra a exclusão social sem precisar falsear fatos, porque a pesquisa histórica honesta é capaz de revelá-lo.

Às vezes dá até pena, ver na feição raivosa dos setores conservadores o medo instalado diante da possibilidade da criação, no Brasil, de uma democracia social.

Leia-se, medo e pavor.

E esse processo histórico não tem volta, mesmo com a constante criminalização dos movimentos sociais em horário nobre.

Ou na blogosfera caricata representada dignamente por Diogo Mainardi e Reinaldo de Azevedo - dentres  outras  excrescências.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Invasões em massa

Simão Jatene deverá  assumir o governo sob forte tensionamento na área rural.

Mais precisamente no Sul do Pará.

Durante encontro da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, criada há dez anos com o objetivo de mediar os conflitos no campo, o MST comunicou que deverá dar início a novo ciclo de invasões de fazendas na região.

As operações serão deflagradas em diversas áreas, ao mesmo tempo, a partir de 5 de janeiro de 2011.

terça-feira, agosto 17, 2010

Por trás da porta

Com atraso, devido aos inúmeros compromissos no interior do Estado, o poster torna público alguns lances de bastidores ocorridos durante encontro do governo do Estado, Incra e representantes do MST, semana passada, em Marabá.

1-Maria Raimunda de Oliveira, uma das lideranças do MST, galhofou da Superintendente do INCRA do Sul do Pará, Maria Rosinete da Silva, com direito a colocar dedo na cara desta, e insinuar, diversas vezes, o despreparo da agente do governo no trato com os assentados.

Mesmo navegando em emaranhado de fatos conflitantes, Rosinete chamou a atenção no momento em que mandou funcionários do instituto providenciar a compra de sorvetes para distribuição entre os sem-terras.

Rose, como é chamada a superintendente do órgão, na avaliação de atento observador, revelou “incompetência, despreparo e postura infantil”.

                        - “Talvez por ser ex-assentada, ela não soube diferenciar suas origens com o tratamento a ser dado por uma dirigente de órgão governamental num processo de negociação”, resume.

Quem salvou o INCRA do vexame total, foi o experiente servidor João Raimundo, intermediando as indecisões e total perda de comando da superintendente.

2- Apesar da cansativa reunião que durou quase oito horas, o Chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Everaldo Martins, não titubeou em nenhum momento. Claríssimo em definir a posição do governo diante das ameaça de novas invasões, no “Triângulo das Bermudas”.

Deixou claro para Charles Trocate, coordenador regional do MS, e seus seguidores, de que é decisão da governadora Aba Júlia ser totalmente contra as invasões supostamete programas no perímetro de Eldorado a Curionópolis.

- Se invadir o governo tira, repetiu ele, garantindo a presença na região, até segunda ordem, de cem homens da Polícia Militar.


3-Há entre gestos e falas de lideranças do MST, “muita magoa escondida debaixo do tapete, no rastro das prisões de Charles e Raimunda”, suspeita o observador.

Apesar de Charles Trocate ter assegurado não haver nenhuma conotação política, “mas coincidência de fatos”, a mobilização de sem-terras às vésperas das eleições, tem gente do governo desacreditando das verdadeiras intenções.

Everaldo Martins, comedido e exageradamente paciente em todo o transcorrer da enfadonha reunião, procurou evitar tecer comentários do que realmente espera da nova reunião marcada para esta quarta-feira, 18, quando, novamente, governo estadual, Incra e MST voltarão à mesa de negociações, em Marabá.

4-O blog apurou que o MST já definiu incluir na lista de reivindicações, a distribuição de cestas básicas aos acampados em torno da fazenda Marambaia, material de construção, e licença para construção de banheiros.

Como a cessão de licença para construção é atribuição da prefeitura de Curionópolis, já que a fazenda ameaçada de invasão encontra-se em território deste município, é quase impossível haver concordância por parte do prefeito municipal em atender tal pleito.

5-Há também fortes suspeitas de que o que o MST quer mesmo é lutar pela desapropriação de todas as fazendas localizadas às margens da PA-275, dentro dos municípios de Eldorado dos Carajás e Curionópolis

6-Durante reunião com o governo e o Incra, a coordenação do movimentou comunicou que já estava mobilizando sem-terras de diversos municípios para se juntarem aos 1.200 acampados em frente a Marambaia, com intenção de colocar duas mil pessoas no exíguo espaço que separa a PA-275 da cerca da fazenda. Ou seja, em terra devoluta, já que essa faixa territorial pertence ao governo, sem afetar o Estado de Direito.

7-Em primeira mão:  o laudo de vistoria do INCRA deverá classificar como produtiva a fazenda Marambaia. Esse zum zum zum corre à boca miúda dentro do instituto.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Historiador reage

Intitulando-se historiador que acompanha as ações do MST “há muito tempo”, Leonidas Mendes Filho refuga post que aponta corrente do PSol integrada ao MST, responsável pelo recrudescimento dos conflito agrários no Sudeste do Estado.


A nota do blog, claro, baseada em depoimento de importante membro do MST, foi recebida com indiganada manifestação do comentarista, cujo teor vem “pra fora”, conforme segue:



Hiroshi...

espero que, em respeito a liberdade de opinião, voce publique este breve comentário. Mas, ou voce, ou quem lhe informou, está faltando com a verdade quando se trata da mobilização do MST aqui, na região sudeste do Pará. Primeiro, a tese do admirável gado novo, isto é, que o povo é sempre conduzido, que é preciso alguém mais alto pra lhe guiar, é preconceituosa e trata nosso povo como gado pra ser tocado. Devo lhe dizer que, como historiador, um dos méritos do MST foi ter escapado a esta lógica e primar pelo debate e pela opinião de todos os seus membros; seus líderes não são "novos Düces", são pessoas comuns e discutem tudo com os participantes, da segurança à saúde de seus assentamentos/acampamentos. Segundo, um eterno problema de quem não vem viver de perto o movimento de luta pela terra no Brasil, quando não tenta a criminalização (a tese da invasão de propriedade, diga-se de passagem, nem os fazendeiros crêem mais nela, pois, há muito o MST só promove ocupação em grandes fazendas sabidamente grilhadas vez que não querem aumentar o desgaste natural junto a opinião pública e sabem que qualquer juiz certamente determinaria a reintegração de posse. Meu caro Hiroshi, veja que os fazendeiros já perceberam isso, não só mudaram seu discurso como mudaram seus métodos: foram eles que fecharam a PA e não os sem-terras)

ou tentam a politização, isto é, há sempre pessoas e interesses político-partidários exogenos no movimento, enganando o povo. Ah! Hiroshi, tenha dó! Você se lembra que antes diziam que era o PT que conduzia o movimento? Agora é "lideranças ligadas ao PSOL. Vocâ só pode está de brincadeira! Venha ao acampamento, voce verá que algumas lideranças até nutrem simpatia pelo PT (o PT de Lula e Dilma, entenda bem; não o PT de Ana Júlia e Cláudio Puty), outros pelo PSOL (da Heloisa Helena e do Edimilson Rodrigues), outros pelo PCdoB, outros pelo PSTU, etc, etc, etc. Mas, também verá que há quem tenha simpatia pelo PMDB (isso mesmo, pelo PMDB e pelo Jadér, que aliás, terá muitos votos entres os militantes do movimento, provavelmente mais do que o candidato do PSOL; e eu, lhe garanto, lamento muito por isso). Como venho acompanhando, como historiador que sou o MST e suas mobilizações, tenho conversado muito com seus integrantes, e posso lhe assegurar, convido-o mesmo a vir ver de perto, é aberto, está à beira da estrada: muitos, inclusive, afirmam que vão votar no tal do Jatene (e uma vez mais posso lhe garantir que lamento). Pois é, meu caro Hiroshi, não é gado, não se trata de crianças, nem de soldados, são pessoas, seres humanos comuns, como eu e você, têm opiniões, gostos, desejos, sonhos, vontades e não são tangidos.

Espero que voce tenha lido a excelente entrevista do Charles Trocate no blog do Zé Dudu; se não, leia. Você verá que porque o MST vem resistindo às perseguições (inclusive da grande mídia, do PIG, segundo PHA), aos massacres, aos assassinatos de seus líderes; e notará quão importante foi escapar da lógica do admirável gado novo.

(Devo lhe dizer que enviarei cópia deste texto para outros blogs; que não sou membro do MST; que não tenho delegação para falar em seu nome; que não sou dono da verdade, mas estou acompanhando, como historiador, as ações do movimento há muito tempo)

Sem mais, agradeço pelo espaço,
Leonidas Mendes Filho

(Parauapebas/PA)

quarta-feira, agosto 11, 2010

Freio de arrumação

Se o MST aprofundar sua agenda de invasões na Pa-275, a Força de Segurança Nacional desembarca no Pará.

Ministério da Justiça e Governo do Estado trocaram figurinhas, no início desta semana, a  respeito.

Tropa de Polícia Militar de prontidão entre Curionópolis e Parauapebas está autorizada pela governadora Ana Júlia a desocupar,  na mesma hora em que ocorrer o fato, qualquer fazenda invadida.

Choques internos

A decisão do MST radicalizar ações no chamado "Triângulo das Bermudas", área agrícola potencialmente conflitada abrangendo os municípios de Eldorado dos Carajás, Curionópolis, Parauapebas e Canaã dos Carajás, não tem unanimidade entre as principais cabeças do movimento.

As recentes escaramuças com fazendeiros patrocinadas na Pa-275, entre Curionópolis e Parauapebas, são resultantes de uma ala ligada ao PSol.

Lideranças do movimento mais afinadas com o  PT se posicionaram contra  o recrudescimento da ameaça de invasões.

domingo, agosto 08, 2010

MST descumpre acordo

                            - Isso é provocação!


Reação é do advogado Haroldo Junior, presidente da Subseção da OAB de Marabá, comentando decisão do MST de montar acampamento em frente a uma fazenda próximo a Curionópolis, 24 horas depois de cansativas e tensas negociações que resultaram no anúncio de acordo entre lideranças do movimento, fazendeiros, OAB, INCRA, além de outras entidades.

Conversando agora há pouco com o pôster, Haroldo entende que o MST descumpriu o acordo.


                          - Durante a reunião da qual eu participei como um dos mediadores, o próprio Charles Trocate (coordenador regional do MST) deixou claro que o MST não estava programando invadir a fazenda Marambaia já que a propriedade encontra-se em processo de vistoria, pelo INCRA, e se uma invasão a ela for perpetrada, o processo de desapropriação fica paralisado.

Segundo Haroldo, que  permaneceu durante todo sábado integrado à comissão de mediação formada às pressas pelo governo do Estado para buscar solução pro iminente conflito, ficou acordado que o MST não invadiria nenhuma fazenda, seguiria em marcha pela PA-275 em busca de um local menos tenso para montar acampamento e a rodovia seria desobstruída pelos sem-terra e fazendeiros.

Ao ser comunicado de que o movimento decidiu montar acampamento em frente a fazenda Marambaia,  próxima a Curionópolis, durante este sábado, Haroldo Junior mostrou-se preocupado com o tensionamento de posições e conseqüente agravamento do quadro.

Por pouco, no final de semana, não ocorreu confronto armado entre pecuaristas e o MST.

As medidas tomadas, ainda na madrugada de sexta-feira, pelo governo do Estado, impediram que o fato se consumasse.

A Polícia Militar permanece na área pronta para intervir a qualquer hora.

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atualização às 21:11

Poster falou pelo telefone, minutos atrás, com o Ouvidor Agrário Regional, Edson Luís Bonetti, sobre o prazo de entrega do laudo de vistoria da fazenda Marambaia, estimado por ele para os próximos 40 dias.

Revelou ter retornado esta manhâ ao local onde o MST montou acampamento, em frente da própria  fazenda, e que não encontrou indicadores de que os sem-terra estejam interessados em radicalizar. Na visão dele, a presençla ostentiva de policiais militares no entorno da propriedade é um fator tranqulizador e que o acordo deverá ser cumprido sem ocorrência de invasão.

sábado, agosto 07, 2010

Ânimos arrefecem em Curionópolis

Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) libera Nota Oficial a respeito do conflito quase deflagrado nos limites dos municípios de Curionópolis e Parauapebas, em frente a Fazenda Samambaia, na Pa-275, entre o MST e fazendeiros:

Governo evita conflito no sudeste do Pará


O Governo do Estado agiu rápido para evitar um conflito armado entre trabalhadores sem terra e fazendeiros, que estavam em pé de guerra às proximidades da fazenda Samambaia, entre os municípios de Curionópolis e Parauapebas, no sudeste do Pará, na noite de sexta-feira (6). A governadora Ana Júlia Carepa determinou o enviou de tropas da PM de Marabá, Redenção e Parauapebas, que chegou a tempo de evitar o choque entre os contendores. São 180 homens no total, envolvidos para evitar o conflito.

A governo estadual mobilizou diversos organismo do governo federal como Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que enviou um representante do Incra, o comando Regional da Aeronáutica e assessores e técnicos da Casa Civil, Delegacia de Conflitos Agrários, prefeitos da região, além de representantes de entidades da sociedade civil, como a OAB, que deslocou um membro da entidade, que mora em Marabá.

A comissão de negociação de conflito já se encontra no local do conflito, bem como um Batalhão de Choque da Polícia Militar, que foi deslocado de Belém em avião da FAB, na madrugada de hoje (07). A orientação da governadora é que os dois lados do conflito sejam desarmados e a Policia Militar deve permanecer na área por tempo indeterminado.

Além da disputa pelo uso da terra, existe um componente que o setor de Inteligência do estado está avaliando, que é o período eleitoral. A governadora Ana Júlia Carepa declarou que o governo tem sido firme na sua política pública de garantir a paz no campo.

Além de medidas repressivas, o governo estadual também assegura um conjunto de instrumentos legais, como regularização fundiária, implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), fixação do Valor da Terra Nua (VTN), cumprimento de ações de reintegração de posse e benefícios para as famílias de assentados pelo programa de reforma agrária, como por exemplo, a implantação de uma escola com laboratório de informática no Assentamento 17 de Abril, em Eldorado dos Carajás.

A governadora montou uma sala de crise na noite de sexta-feira, no Centro Integrado de Governo e durante todo o dia de hoje (7) a equipe permaneceu no comando geral da Polícia Militar monitorando o trabalho da equipe que se deslocou para a área do conflito. O secretário de Segurança, Geraldo Araújo, disse que todo o esforço do governo é para garantir direitos e a paz no campo.
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Nota do blog: poster encontra-se, neste momento, em Curionópolis, deslocando-se a Fazenda Samambaia, para acompanhar a movimentação de sem-terras e fazendeiros. Qualquer fato novo, informaremos aos leitores do blog.


atualização às 17:44

Poster abandonou o front do quase-confronto, em frente a Fazenda Marambaia, retornando a Curionópolis, para soltar algumas informações:

1- O clima já esteve mais tenso, no início da tarde, agora se vive a expectativa do resultado da reunião que ocorre no gabinete do prefeito Darci Lermen, em Parauapebas, entre representantes dos fazendeiros, sem-terras, Incra, governo do Estado, e os prefeitos Darci e Wenderson Chamon, de Curionópolis;

2-  Alarme da ameaça de invasão de algumas fazendas ocorreu na sexta-feira. Imediatamente, fazendeiros de mobilizaram e, em número de oitenta, seguiram em direção a Parauapebas, saindo de Curionópolis, pela Pa-275, com intenção de bloquear a passagem cerca de dez ônibus transportando sem-terras supostamente programados para invadir diversas propriedades do entorno;

3- Houve o encontro dos antagônicos, com o fechamento da rodovia pelos fazendeiros e reações agressivas de quebradeira de alguns ônibus. Houve corre-corre e a formação de "barricadas" em pontos opostos da estrada.

4- Um dos principais mobilizadores dos sem-terra é Charles Trocate, coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que se encontrava foragido com prisão decretada, suspensa, posteriormente pelo Tribunald e Justiça do Estado;

5- Do lado dos fazendeiros,  o comandante-em-chefe é o pecuarista  Jota Capota, que assumiu as rédeas do movimento de reação. Foi ele quem agiu com rapidez, convocando demais proprietários, para o meio da rodovia.

6- À noite, cada grupo posicionado como senpreparando para o confronto armado, ensariaram escaramuças variadas, com ameaças explícitas de ataque. A coordenação dos sem-terras, imediatamente, trataram de pedir reforço em alguns acampamentos próximos. Enquanto isso, os dois lados começaram a ingerir bebidas alcoólicas.

Do lado dos sem-terra, hoje pela manhã deu para flagrar garrafas de cachaça espalhadas  no local onde se encontram.

Os fazendeiros honraram os crifrões que possuem consumindo uisque, como que se dopando para a guerra final.

7- O governo do Estado enviou, ainda na madrugada, uma comissão de mediação   para tentar negociação. O confronto só não ocorreu, por todo o dia de hoje, pela pronta intervenção da PM, cujo oficial escalado para conversar conseguiu acalmar as partes em conflito.
8- Durante todo o dia de hoje, num carro de som postado à beira da estrada, a coordenação do MST tem deixado claro que a intenção não era invadir as fazendas, mas posicionar-se ao largo da Curva do S, em Eldorado dos Carajás, exigindo o atendimento de reivindicações que o Incra posterga há meses.

9- As negociações em busca de um acordo, dentro da prefeitura de Parauapebas, prosseguem. O MST promete seguir até a Curva do S, marchando pela estrada, a fim de cumprir sua agenda de presssão.

Poster retorna agora à  área conflitada pra saber se ja foi acordado algum termo.

Antes, publica, a seguir, mais uma  nota liberada pela SECOM sobre a questão.


O Governo Ana Júlia (PT) agiu rápido e conseguiu evitar um conflito agrário no interior do Estado. No início da tarde foi fechado um acordo entre uma comissão de mediação de conflito e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Depois de intensas negociações, o MST se comprometeu a deixar a rodovia PA-257, que liga Eldorado do Carajás e Parauapebas, e não invadir a fazenda Marambaia. A Polícia Militar vai escoltar a marcha dos manifestantes, mas também protegerá a propriedade. A comissão de mediação de conflitos é composta pelo Governo do Estado, representantes do Incra, das prefeituras da região e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O governo está mobilizado desde a noite de sexta-feira (6), para evitar risco iminente de conflito entre trabalhadores sem terra e fazendeiros às proximidades da fazenda Marambaia, que fica entre os municípios de Curionópolis e Parauapebas, às margens da rodovia PA-275, no sudeste do Pará.

Mais de 800 pessoas se envolveram na disputa pela posse e uso da terra. A governadora Ana Júlia Carepa (PT) determinou ontem mesmo o envio de tropas da PM de Marabá, Redenção, Xinguara e Parauapebas, que chegou a tempo de evitar o choque entre os contendores. Inicialmente são 180 policiais envolvidos para evitar o conflito.

A governo estadual mobilizou diversos organismos do governo federal, como Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que enviou um representante do Incra, o comando Regional da Aeronáutica, assessores e técnicos da Casa Civil, Delegacia de Conflitos Agrários, prefeitos da região, além de representantes de entidades da sociedade civil, como a OAB, que escalou um representante da entidade, que mora em Marabá.

A comissão de mediação de conflitose mobilizou para o local, bem como a tropa especializada da Polícia Militar, que foi deslocada de Belém em avião da FAB, na madrugada de hoje (07). A ordem da governadora é que os dois lados do conflito sejam investigados e, se fosse o caso, desarmados. A Policia Militar deve permanecer na área por tempo indeterminado.

Além da disputa pelo uso da terra, existe um componente que o setor de Inteligência do estado está avaliando, que é o período eleitoral. A governadora Ana Júlia declarou que o governo tem sido firme nas suas ações de garantir a paz no campo e não vai permitir nenhum tipo de tumulto na ordem pública.

Além de medidas preventivas e repressivas, o governo estadual também assegura um conjunto de instrumentos legais, como regularização fundiária, implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), fixação do Valor da Terra Nua (VTN) e cumprimento de ações de reintegração de posse de propriedades.

A fazenda Marambaia está em processo de vistoria pelo Incra para avaliar se existe ou não possibilidade de desapropriação para fins de reforma agrária. Desde a noite da última sexta-feira está instalado, em caráter permanente, um gabinete de crise, que monitora a situação do conflito.

quarta-feira, junho 16, 2010

Embriagado, Charles Trocate é preso

Embrigado dirigindo um veículo pelas ruas de Parauapebas, o coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Charles Trocate, foi preso esta manhã. Na delegacia, o líder do MST teve a carteira de habilitação dele retida.

Em 2009, Charles Trocate foi indiciado  por incitamento público à  prática de crimes, durante entrevista . Por um bom tempo, o coordenador do movimento sumiu dos ares, evitando que a polícia o prendesse.

sábado, novembro 07, 2009

Os transgênicos voltaram

De tão incompetentes, os coordenadores do MST do Pará conseguiram trazer à ribalta a UDR, grupo político de direita tão peçonhento que tem entre seus líderes a figura medieval de Ronaldo Caiado.


Aturar os dois goianos agora (Caiado e Kátia Abreu) falando em “direitos humanos” no Congresso Nacional, é o fim!

quarta-feira, novembro 04, 2009

MST promove saques e bloqueio da PA-150

Agora pela manha, o MST bloqueou a rodovia PA-150, nas imediações da fazenda Maria Bonita, de propriedade da Agro Santa Bárbara, depois de cumprir promessa feita na segunda-feira, 2, ao mobilizar sem-terras, durante todo dia, no entorno das fazendas invadidas do Grupo Oportunniti, no sudeste do Pará.

Apesar da promessa de iniciar a semana invadindo todas as propriedades de Daniel Dantas, o alvo do MST, pelo menos até agora, foi a fazenda Maria Bonita, em Eldorado dos Carajás.

Enfurecidos, integrantes do grupo destruíram nessa madrugada de quarta-feira casas de funcionários, queimou tratores e currais, agrediu funcionários que foram obrigados a deixar suas residências no meio da noite.

Uma das fontes do blogger em Xinguara informa que a movimentação do MST na Maria Bonita, que integra o complexo de imóveis da fazenda Espírito Santo, do mesmo grupo, resultou em saques de equipamentos e o abate de 28 cabeças de gado.

sábado, outubro 10, 2009

"O MST morreu pra mim"

Para quem começou lutando contra latifundiários, invadir e furtar a casa de uma faxineira, levando até seus presentes de casamento ainda dentro das caixas, chega a ser uma afronta a justificativa dada por um dos líderes do movimento, Paulo Albuquerque, para a ação dos sem terra em Iaras: segundo o MST, a terrra ocupada pela Cutrale é propriedade da União.

(...) Por mais que me doa escrever isso, lembrando das tantas famílias de sem terra que acreditaram neste sonho, acampadas nas beiras das estradas por este país afora, o que era justa luta pela sobrevivência virou banditismo puro e simples.


Da forma escrito acima, o repórter Ricardo Kotscho, 61, da amizade íntima do presidente Lula, do qual foi seu Secretário de Imprensa de 2003 a 2004, rompeu com o MST.

Depois de muitos anos acompanhando de perto o crescimento do Movimento dos Sem Terra, Ricardo conta no blog dele as razões de sua frustração.