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segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Valorizando os juros

Alerta é de quem entende do traçado.

O economista Luiz Nassif não está recebendo bem as medidas de aperto fiscal adotadas pelo governo de Dilma Roussef.

Oportuno artigo o blogueiro postado hoje em seu sítio, que reproduzimos à íntegra:

Cortes para todos, menos para os juros


Mais cedo ou mais tarde, a política econômica vai ter que chegar a um meio termo. Assim não dá. Há que se ser cauteloso, não embarcar em aventuras fiscais, tratar o mercado com racionalidade, para evitar estouros da boiada.

Mas há algo de profundamente irracional nessa estratégia econômica que procura se impor pela racionalidade.

No ano passado foram tomadas medidas prudenciais, em contraposição à política pavloviana de aumentar os juros.

Há sinais desencontrados na economia, com setores aquecidos e outros em processo de desaquecimento, frutos justamente das medidas adotadas. Ora, se existem esses desencontros, é sinal de que o aquecimento é setorial, mais na construção civil, menos na indústria automobilística. O único dado mais generalizante é o do desemprego aberto – que caiu bastante. Mas mesmo na Fazenda há dúvidas sobre os sinais emitidos pelo mercado de trabalho.

Ora, se o aquecimento se dá no mercado automobilístico, estiquem-se os prazos de financiamento – como foi feito. Se se dá no mercado imobiliário, reduzam-se os incentivos e o crédito. Há um conjunto de ferramentas permitindo atuar diretamente sobre os setores aquecidos.

Quando se aumentam os juros, afeta-se a economia como um todo – como se todos os setores estivessem aquecidos. E com todas as contraindicações possíveis:

1.Aumento dos encargos da dívida.

2.Mais cortes nos gastos públicos para garantir a meta de redução da relação dívida/PIB.

3.Mais dólares entrando provocando apreciação cambial e mais custo fiscal, com a necessidade de comprar dólares e ampliar as reservas cambiais.

4.Encarecimento do investimento, pelo aumento da taxa de retorno esperada.

Então, qual a razão?

O governo Dilma conquistou adesões devido ao fato de ser racional, dos agentes econômicos esperarem decisões racionais e responsabilidade na condução da política econômica.

Então qual a razão dessa demora em abrir a discussão sobre os juros? Qual a razão de anunciar o aumento da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) afetando todos os financiamentos do BNDES voltados para ampliação da capacidade produtiva?

Como justificar todos os cortes sem discutir abertamente os efeitos da Selic sobre as contas públicas, já que existe uma relação direta entre ambos? Seria até uma maneira de legitimar os cortes para todos os setores afetados.

A racionalidade exige muitos sacrifícios: inclusive os de investir contra os dogmas irracionais do mercado.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Fora do gramado

Giovanni Queiroz (PDT) acaba de gravar entrevista, em Brasília, declarando voto contrário ao salário mínimo de R$ 545,00.

Como se posicionou oficialmente contra o governo, deverá ter vida à pão e água, a partir de agora, na gestão Dilma Roussef.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

A tesoura de Dilma

Demorou, mas saiu o que se esperava há 30 dias.

Governo anunciou extraordinário corte no orçamento federal da ordem de R$ 50 bilhões.

Escapam do facão fiscal apenas os programas sociais e os investimentos públicos.

Dilma demonstra, com isso, compromisso com suas metas de governar com estabilidade econômica, sem brecar o desenvolvimento social, buscando acabar com a miséria.

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atualização

O PAC também está preservado.

Cortes  atingirão emendas parlamentares, redução compulsória de 50% nos gastos com viagens e passagens aéreas neste ano, bem como proibição para compras de novos veículos pelo governo para uso administrativo.

Mais Aqui.

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Não binquem com ela

Parsifal, ao seu elegante estilo, comenta no blog chamada pro limpo de Dilma Roussef, advertindo a ministra de Planejamento, Miriam Belchior:


Nesta chuvosa tarde de quinta-feira a ministra do Planejamento Miriam Belchior, sentiu as duas mãos da presidente Dilma Rousseff puxando-lhe as duas orelhas.

A reprimenda se deu devido à fala de Miriam Belchior, ontem, sobre possíveis cortes no PAC 2.

“Nós não vamos, nós não vamos - vou repetir três vezes - nós não vamos contingenciar o PAC”, disparou Dilma durante uma coletiva onde anunciou doação de moradias para flagelados da tragédia do Rio de Janeiro.

Se o Planejamento quiser passar a navalha no PAC 2, que o faça em silêncio. Se quiser que o distinto público veja o reluzir da lâmina, que procure outra dotação para decepar.

Minha avó Ciló já dizia: “em boca fechada mosca não entra.”

domingo, janeiro 23, 2011

Erundina: "Não se intimide"

Íntegra da entrevista da deputada federal Luiza Erundina (PSB) ao Congresso em Foco, estimulando a presidente Dilma Roussef a encarar os preconceitos com força e determinação. Ela falou ao repórter Edson Sardinha:




Mulher, solteira, migrante nordestina e filiada a um partido temido por determinados setores da sociedade à época. Contra todas essas adversidades, Luiza Erundina fez história ao se tornar a primeira mulher eleita para comandar a maior cidade do país no final dos anos 80, então pelo PT. Duas décadas depois, a ex-prefeita de São Paulo é uma das principais coordenadoras da bancada feminina no Congresso e uma entusiasta confessa do governo da primeira presidenta do Brasil. Do alto de sua experiência política, Luiza Erundina pede a Dilma Rousseff que não se esqueça que a sociedade, apesar dos avanços dos últimos anos, ainda é menos tolerante com os erros de uma mulher na vida pública do que seria com os desacertos de um homem.

“A sociedade é mais complacente com os homens. É mais tolerante com o homem do que com a mulher. Por isso a gente acerta, na média, mais que os homens, porque somos submetidas a mais exigências. Nós temos de dar certo. É praxe o homem nem sempre dar conta da responsabilidade, trair o voto popular. Como não temos precedentes, a responsabilidade que cai sobre nossos ombros é maior.”

Reeleita para seu quarto mandato de deputada federal pelo PSB, a ex-petista, baseada na sua experiência na administração de São Paulo, Erundina dá conselhos a Dilma sobre como enfrentar o eventual preconceito. “Primeiro, não se sentir vítima. Sei que ela não se sente. Nunca me senti vítima, transformei a discriminação em bandeira de luta. A gente só vai eliminar essa desigualdade de gênero quando houver mudança de cultura. Segundo, não se intimidar. Tem de ir para cima. A bandeira da luta é permanente. Acredito que ela administrará isso muito bem. Para uma mulher com o nível de politização e vivência dela, isso não será problema”, afirma a deputada.

Nesta entrevista ao Congresso em Foco, Luiza Erundina diz que a participação política das mulheres evoluiu consideravelmente desde sua eleição para a prefeitura de São Paulo, em 1988, mas que não é possível dar a luta por vencida. “Temos de ampliar nossa participação política no Parlamento. Na Argentina, por exemplo, as mulheres já ocupam 40% das cadeiras do Congresso. Mas o nosso quadro partidário é pior que o de lá e o de outros países da América Latina. Não há democracia interna nos partidos.”

Carta com fezes

Dezoito anos depois de ter deixado a prefeitura de São Paulo, Erundina ainda se lembra das dificuldades que enfrentou no comando da maior cidade da América do Sul. “No meu caso ainda era pior, porque eu era mulher, nordestina e do PT. Eram várias condições pessoais minhas que se somavam e reforçavam o preconceito. Sofri muito boicote e agressão. Recebi inúmeras mensagens ofensivas. Chegaram a me mandar uma carta com fezes dentro. Não foi fácil. Mas isso foi há 20 anos. Hoje, embora haja muita resistência em relação à participação das mulheres na política, o cenário é diferente”, avalia. “Dilma não se elegeu só por ser a candidata do Lula. Mas também por ser mulher”, acrescenta.

Na visão de Erundina, a presidenta terá como principal desafio inicial em seu governo envolver um novo ator na interlocução com o Congresso: a sociedade civil organizada. Com o apoio de movimentos populares, por exemplo, Dilma ficará menos dependente do Legislativo e dos partidos políticos, entende a deputada. “Esse quadro partidário está esgotado e muitos dos problemas nessa relação se devem ao esgotamento dos partidos como propostas políticas”, considera. Para ela, os partidos e o Congresso perderam autonomia, identidade e projeto próprio.

Veja a íntegra da entrevista de Luiza Erundina:

A senhora foi a primeira mulher a comandar a maior capital do país. A senhora se sentiu discriminada enquanto foi prefeita?

Luiza Erundina – Com certeza, enfrentei várias situações. No meu caso ainda era pior, porque eu era mulher, nordestina e do PT. Eram várias condições pessoais minhas que se somavam e reforçavam o preconceito. Sofri muito boicote e agressão. Recebi inúmeras mensagens ofensivas. Chegaram a me mandar um carta com vezes dentro. Não foi fácil. Mas isso foi há 20 anos. Hoje, embora haja muita resistência em relação à participação das mulheres na política, o cenário é diferente. A luta das mulheres ganhou em visibilidade e avançou. Dilma não se elegeu só por ser a candidata do Lula. Mas também por ser mulher.

Mas a participação feminina no Congresso continua uma das mais baixas da América Latina...

Não é porque Dilma foi eleita presidenta que a questão da mulher está resolvida. Só elegemos uma presidenta quase 80 anos depois de termos elegido a primeira prefeita, no Rio Grande do Norte [Alzira Soriano, prefeita de Lajes em 1929]. A luta não está vencida e consagrada. Temos de ampliar nossa participação política no Parlamento. Na Argentina, por exemplo, as mulheres já ocupam 40% das cadeiras do Congresso. Mas o nosso quadro partidário é pior que o de lá e o de outros países da América Latina. Não há democracia interna nos partidos.

Que tipo de preconceito Dilma pode enfrentar por ser uma mulher na Presidência?

É a primeira mulher a chegar à Presidência. Apesar de ter filha e neto, ela não tem uma família dentro do padrão. Isso pesa. Mas é assim que se vai mudando a cultura, porque a gente foge do padrão tradicional de família, de faixa etária, de gênero e coisas que reforçam o preconceito. A sociedade é mais complacente com os homens. É mais tolerante com o homem do que com a mulher. Por isso a gente acerta, na média, mais que os homens, porque somos submetidas a mais exigências. Nós temos de dar certo. É praxe o homem nem sempre dar conta da responsabilidade, de trair o voto popular. Como não temos precedentes, a responsabilidade que cai sobre nossos ombros é maior. Foi a partir da minha vitória em São Paulo que as mulheres passaram a acreditar mais na possibilidade de ampliar o espaço político.

Que diferenças a senhora acredita ter levado ao seu governo?

Foi, sobretudo, na forma de governar, de se relacionar com o povo, no sentido de desmistificar a governabilidade, de dar rigor absoluto na ética e soluções criativas para os problemas.

Que conselhos a senhora daria a Dilma para enfrentar eventuais preconceito?

Primeiro, não se sentir vítima. Sei que ela não se sente. Nunca me senti vítima, transformei a discriminação em bandeira de luta. A gente só vai eliminar essa desigualdade de gênero quando houver mudança de cultura. Segundo, não se intimidar. Tem de ir para cima. A bandeira da luta é permanente. Acredito que ela administrará isso muito bem. Para uma mulher com o nível de politização e vivência dela, isso não será problema.

A bancada feminina acabou não crescendo no Congresso com a mudança de legislatura. Mas nunca houve tantas ministras como no governo Dilma. A participação das mulheres no ministério corresponde às expectativas da bancada feminina?

Não só pelo número, mas pelas características dessas companheiras que assumem. Isso me deixa muito contente e com uma expectativa muito positiva. O governo Dilma já começa com um diferencial. Embora não tenha chegado a 50% de participação feminina, um dia chegaremos. Talvez não tenha chegado a 30%, como pretendia a presidenta, mas temos um número maior e com a característica delas. Elas já vêm com muita experiência, com trajetória e uma presença forte na luta pela cidadania, pelos direitos de gênero, pelos direitos humanos. São lideranças políticas. Isso vai fazer diferença no governo.

Quais serão os principais desafios da presidenta Dilma neste início de governo?

Será mobilizar a sociedade civil para estabelecer um diálogo permanente com um dos atores que devem influir nas decisões de governo. Além do Legislativo e do Executivo, é fundamental que haja uma interlocução do governo com a sociedade civil organizada.

Faltou essa interlocução durante os oito anos do governo Lula?

Faltou. O método de gestão que o presidente adotou estava de acordo com o feitio de liderança dele e de seu carisma. Deu certo. Mas a democracia pressupõe um protagonismo da sociedade civil organizada para além das instituições políticas, como o Congresso e o Executivo. Isso aí pode ser uma grande contribuição que a nova presidenta dará à democracia no país, estimulando a democracia direta e participativa.

Conquistar o apoio dos movimentos sociais para pressionar o Congresso seria uma forma de compensar o carisma que falta a ela e sobrava em Lula?

Sim. Não só por isso, mas para não ficar tão dependente do Congresso. A base de sustentação precisa ser preservada, é necessário ter uma relação propositiva com o Congresso. Mas uma dependência absoluta não é algo bom. Uma forma de mediar essa relação - já que a base é tão larga, tão heterogênea, tão pouco definida ideologicamente – e de compensar essa dependência tão grande é ter um terceiro ator interferindo nessa relação, que é a sociedade civil organizada. Pela experiência que tivemos nos oito anos de governo Lula, temos condição de avançar nessa direção.

O que vai mudar essa relação do Executivo com o Legislativo na prática?

É exatamente essa presença de um terceiro interlocutor, a sociedade civil organizada. Mas as determinações serão as mesmas. Dificilmente, a nova presidenta conseguirá não ficar tão dependente das injunções e das exigências das forças que estão aqui no Congresso. Mas o perfil dela pode alterar um pouco essa forma com que Lula lidava, que era baseada no tipo de liderança e no carisma dele. A conjuntura política e o perfil de cada um interferem nessa relação. O fato de ser outra pessoa, com outro tipo de experiência, vai trazer dados diferentes. Se não forem inovadores, pelo menos diferentes serão.

Que erros cometidos nessa relação com o Congresso no governo Lula não podem ser repetidos por Dilma?

Essa relação do Executivo com o Congresso e os partidos teria de ser mais transparente. Tem de haver um investimento muito alto na reforma política. Esse quadro partidário está esgotado e muitos dos problemas nessa relação se devem ao esgotamento dos partidos políticos como propostas políticas. São legendas, umas mais antigas, outras menos, umas mais fortes e maiores, outras com menos tempo de experiência política, mas todas têm uma relação com o governo que não é boa. Os partidos perdem sua autonomia, sua identidade, seu projeto próprio. Uma democracia forte, plural, pressupõe partidos identificados ideológica e programaticamente, mesmo sendo base do governo. Partido da base do governo deve ter seu próprio projeto, embora identificado com o projeto que está sendo exercitado no governo. Se abrir mão disso, não é partido, porque partido existe para disputar poder. Para isso, tem de ter projeto próprio mesmo com identidade em relação a outros. Senão, daqui a quatro ou oito anos, esse partido continuará na mesma condição de ser uma força auxiliar, e não principal, a disputar o poder do país.

A senhora espera também mudança de comportamento por parte da oposição?

Vai depender da forma com que a presidenta Dilma vai estabelecer essa relação. Porque há uma prática de oito anos - e até anterior, do outro governo – que faz o Congresso se ressentir de preservar, afirmar e exercitar sua autonomia como um dos poderes da República. Hoje fica submetido a medidas provisórias em número exagerado. O Judiciário substitui muitas prerrogativas do Legislativo até em matérias de exclusiva competência do Congresso, como as questões ligadas a partidos políticos e eleições. O Congresso está se ressentindo de uma relação mais soberana, que preserve a harmonia entre os poderes, que permita a ele ser um poder identificado como tal, exercitando sua soberania. Ele precisa se afirmar e ocupar o espaço dele no Estado democrático de direito numa república verdadeiramente democrática. Há muito que avançar da parte do Legislativo. Invisto nisso como deputada, sobretudo, numa reforma política que seja fruto de um pacto da sociedade com as instituições políticas para aperfeiçoar o processo democrático no país.

domingo, janeiro 09, 2011

A "Falha" não pára de falhar

A Folha de São Paulo, bem como outros veículos da grande mídia, ainda está em campanha contra Dilma.

A última do jornal  dos Frias, cada vez menor, dá conta de que a presidenta retirou de sua sala de despacho uma bíblia e um crucifixo.

Claro que não é verdade.

E a Helena Chagas já desmentiu.

Supunhetemos, Novais. Supunhetemos!

O ministro Pedro Novais e a pipa do vovô


POR JOSÉ RIBAMAR BESSA FREIRE

Chamemo-la de Das Dores, assim, sem vergonha da ênclise. É. Maria Das Dores. Afinal, precisamos de um nome, de uma cara, de uma história para identificar a “noiva” do deputado Pedro Novais (PMDB vixe vixe!), atual ministro do Turismo, na quadrilha junina formada por 15 casais, naquela animada noite de junho, no Motel Caribe, em São Luís (MA). Das Dores é, certamente, um bom nome para ser par do chefe da quadrilha, o “noivo” de 80 anos. Detrás de um nome, no entanto, há sempre relatos, dores, feridas.

Biografemo-la, então, em busca dessas indeléveis cicatrizes, que tornem a narrativa mais verossímil. Das Dores, pra todos os efeitos, nasceu em Olho D´Água das Cunhãs, sendo batizada pelo padre Ribamar na capela de Nossa Senhora da Conceição da Porta Aberta, em Bacabal (MA). Foi quando a praga do bicudo infestou as plantações de algodão, arruinando dezenas de pequenos produtores rurais, todos eles chamados de Ribamar. Um deles, seu pai, colocou as tralhas num caminhão, despediu-se do rio Mearim e se mudou de Bacaba´s City para a capital com toda a família.

Sigamo-la até o bairro de Turu, na periferia de São Luis. Entremos na casa de Das Dores, que fica na Rua Fé em Deus, bem nos fundos do Motel Caribe, cuja entrada principal é pela Rua União. Lá, ela ficou conhecida como “a princesinha do Mearim”, nome também de uma fábrica de sabão local. Foi lá que um assessor do deputado Pedro Novais a recrutou, juntamente com sua irmã Ribamarina, para participar do - digamos assim - arrasta-pé junino realizado no Motel Caribe.

Motel Caribe

Imaginemo-la -ainda fiel à ênclise- circulando pela pérgula da piscina ou freqüentando a sauna desse motel de São Luis, que recebe grupos em suas suítes temáticas com nomes de ilhas caribenhas. A mais cara é a Bahamas, que tem garagem dupla e custa R$ 98,00 (três horas). Essa foi justamente a reservada pelo deputado Pedro Novais para a festa que organizou, em junho do ano passado, segundo informou ao Estadão a gerente do estabelecimento, que se identificou como Sheila.

O motel oferece “pequenos artifícios para apimentar sua relação e sair da rotina”: dvds eróticos, afrodisíacos, lubrificantes, sabonetes íntimos, cinta peniana inflável, calcinhas vibratórias, máscaras, chicotes, coleiras, algemas, vestuários sensuais e afins, como o espartilho Natasha, vendido por 69,90 ou 18 prestações de RS$ 5,54. Nada disso foi discriminado na nota fiscal nº 7.058 do Motel Caribe, só o valor total de R$ 2.156,00, pago pela Câmara, depois de apresentada pelo deputado Pedro Novais.

O escândalo pipocou nos jornais em plenas festas natalinas, porque o vetusto senhor de 80 anos assumiria dias depois o ministério do Turismo, bancado pelo clã Sarney, proprietário da Capitania Hereditária do Maranhão e de sesmarias no Amapá. Como é que um parlamentar paga orgias e bacanais com o meu, o teu, o nosso dinheiro? Essa pergunta foi feita por um jornalista importuno ao futuro ministro que respondeu: “Pare de encher o saco, faça o que você quiser”. Seu chefe de gabinete, Flávio Nóbrega, reconheceu que a inclusão da nota fiscal “foi um erro” e providenciou o ressarcimento.

Dessa forma, no dia 3 de janeiro, Pedro Novais, de 80 anos, tomou posse como ministro do Turismo, na presença dos caciques do PMDB (vixe, vixe): seu padrinho José Sarney, presidente do Senado, Roseana Sarney, governadora do Maranhão, Michel Temer, vice-presidente da República e os colegas de ministério: Wagner Rossi, da Agricultura e Edison Lobão, de Minas e Energia. Só gente fina.

No seu discurso de posse, o novo ministro destacou o papel da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), mas não anunciou, como previam as más línguas, a criação da Surubatur ou Surubabrás, nem deu um pio sobre o escândalo.

Quem tentou encontrar uma explicação foi o deputado Luiz Sérgio, presidente do PT-RJ (vixe?), que chegou a ser cotado para a pasta do Turismo, mas acabou assumindo o Ministério das Relações Institucionais. Demonstrando que é mesmo um especialista em relações apimentadas, ele insinuou que a pipa do vovô não levanta mais ao justificar: “Dormir num motel não significa necessariamente fazer amor”. Mas não disse que outras coisas podem ser feitas com dinheiro público por casais que se encontram num motel.

Encontro de casais

De qualquer forma, supunhetemo-lo correto, ainda encliticamente. Supunhetemos, sem a obliqüidade do pronome, que o novo ministro das Relações Institucionais tenha razão, que um motel pode funcionar como uma casa geriátrica de repouso, com direito à massagem especial feita por fisioterapeutas credenciadas. Ou um lugar para um Encontro de Casais com Cristo (ECC).

Objetar-se-á, agora mesocliticamente, que um ECC exige presença de um assistente eclesial. Ora, isso não é problema pra nossa imaginação. Todos nos lembramos daquele padre Ribamar que batizou Das Dores. Pois é, convoquemo-lo para tal tarefa, tornando a hipótese plausível. Juro por Deus: é preferível imaginar - imaginemo-lo - a realização de um evento religioso em um motel do que admitir que vivemos numa republiqueta de merda, onde um deputado organiza orgias com dinheiro publico e ainda é promovido ao cargo de ministro.

Um deputado pode fazer o que quiser com o dinheiro ganho com o suor do seu rosto -suor de seu rosto é uma força de expressão- mas não com o dinheiro público. Foi por isso que imaginamos a quadrilha de São João. A quadrilha justifica os gastos com o orçamento da União. Lá vai o deputado Pedro Novais, o “noivo”, puxando a contradança ao lado da Das Dores, rodopiando: “lá-ra-lá-ra-la-lá” e comandando: “A Grande Roda…Caminho da Roça…Preparar para o travessê…lá vem chuva…é mentira…”

Trata-se de uma saudável manifestação folclórica de interesse para o turismo nacional e internacional. A formação da quadrilha é perfeitamente verossímil, já que a festança foi no mês de junho, que não faltou matuto e caipira e que para dar maior credibilidade e cor local os personagens se chamam todos Ribamar, como José Sarney, Ferreira Goulart, esse locutor que vos fala e todos os maranhenses que se prezam.

O novo ministro, Pedro Novais, ao organizar a quadrilha, revelou seu compromisso com o turismo. Seu poder de fogo ficou evidente, segundo o noticiário, porque antes mesmo de assumir, apenas nos quatro últimos dias de 2010, ele garantiu o repasse de R$ 32 milhões do seu Ministério para obras no Maranhão. O valor supera a soma de tudo o que foi prometido no mesmo período para as três principais economias do país: São Paulo, Rio e Minas. Os coronéis do Maranhão, seus motéis, a família Sarney e Das Dores agradecem. Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a rede de motéis do Maranhão.

No final do evento, o Motel Caribe solicitou preenchimento de uma ficha de avaliação: “O que você falaria para seu amigo: recomendo ou não gostei? Dê uma nota para o atendimento”. Das Dores, desapertando o espartilho Natasha, deu nota dez e escreveu em observações gerais: “A-mei. De pai-xão. Com essa festa, o Pedrão Novais se credencia a jogar baralho com dona Brígida (Cleyde Yáconis) e a ocupar o coração dela no lugar do Diógenes e do Benedetto. Se até o Totó ressuscitou, por que a pipa do vovô não pode levantar?”.



      - Professor José Ribamar Bessa Freire coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO).

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Marcela, em voz e charme

Discretamente, na campanha de Dilma, a mulher do vice-presidente da República Michel Temer deu o seu recado, no horário do TRE.

Deslumbrante durante a posse da presidente e do marido, Marcela roubou a cena, em alguns minutos.

No vídeo, oportunidade para revermos o que disse a bela garota de 27 anos, no programa da Dilma.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Tensões políticas

Ou a República cuida de profissionalizar, através de carreiras, a estrutura orgânica da mecânica administrativa, diminuindo a ingerência política de assunção a determinados cargos, ou este estresse constante de acomodar interesses serão eternos focos de tensão institucional.


Assim termina post do Parsifal Pontes analisando a quebra de braço entre PT e PMDB, para indicação de apadrinhados no governo Dilma.
 
É isto mesmo, deputado.

Animando a praça

Show de bola, o discurso da  recém empossada secretária dos Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Quer tocar sua pasta objetivando atingir quatro metas: cumprir o PNDH 3 (Plano Nacional dos Direitos Humanos); aprovação, pelo Congresso Nacional, da  Comissão da Verdade, e da PEC do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação e a destinação para reforma agrária de todas as terras onde essa prática seja encontrada.

Combater a violência contra crianças e adolescentese a  homofobia, são outras metas anunciadas por  Maria do Rosário.

Começou bem, a moça.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

De camarote

Quem revela é o jornalista Evandro Éboli, de O Globo:



Um grupo de 11 antigas militantes de esquerda e ex-companheiras de cela de Dilma Rousseff na ditadura militar está entre os convidados especiais da presidente eleita e acompanhará sua posse no sábado, no Palácio do Planalto. Juntas com Dilma, elas estiveram presas na década de 70 na Torre das Donzelas, como era chamado o conjunto de celas femininas no alto do Presídio Tiradentes, em São Paulo. Para o local eram levados os presos políticos, depois de passarem por órgãos da repressão como o Dops e o DOI-Codi.

Entre as convidadas, que também estarão no coquetel no Itamaraty, está a economista Maria Lúcia Urban, que, na época, chegou grávida ao presídio e recebeu todos os cuidados de Dilma.

- A Maria Lúcia e a Dilma tinham uma relação muito forte, que se manteve - disse a socióloga Lenira Machado, outra integrante do grupo e responsável pelo convite da posse às outras colegas do Tiradentes.

Maria Lúcia hoje é diretora do Centro de Formação Estatística do Paraná. Lenira trabalha com projetos e programas do Ministério do Turismo.

Dilma ficou presa, foi condenada e passou três anos na cadeia. Antes de seguir para o Tiradentes, foi torturada durante 22 dias seguidos. A chegada da companheira à Presidência da República é motivo de orgulho para as colegas de militância política, ainda que atuassem em grupos de esquerda distintos e com pensamentos diferentes sobre como enfrentar o regime militar

Avançando, pra não parar

Jornalista Luiz Carlos Azenha expressa o pensamento de todos os blogueiros, inclusive deste que vos escreve,  envolvidos na luta para o Brasil continuar avançando nas tranformações sociais conquistadas durante os oito anos do governo Lula - e que ganharão mais pressa na Era Dilma, pelo menos é o que esperamos.



Abrir caminho, sempre




Luiz Carlos Azenha


Nas últimas semanas uma fatia significativa da direitona brasileira admitiu o óbvio: o presidente Lula foi melhor que o presidente FHC e não apenas uma continuação dele.

A Folha de S. Paulo, doente de pesquisismo, escondeu seu diagnóstico atrás da “descoberta” de que 83% dos brasileiros consideraram o governo Lula ótimo ou bom.

A gente, da blogosfera progressista, já sabia disso.

“No pós-ditadura, nenhum presidente eleito diretamente deixou o cargo tão bem avaliado, o que se explica sobretudo pela melhora do emprego, da renda e de sua distribuição”, escreveu a Folha em um caderno especial, publicado no mesmo dia em que o jornal, em editorial de primeira página, admitiu: o governo Lula, cheio de defeitos, foi bom.

E, no entanto, por dizer exatamente isso na campanha eleitoral nós, blogueiros progressistas e leitores progressistas, fomos tachados de sujos, de chapa-branca, de vendidos e de outros adjetivos. O resumo dos xingamentos está no inesquecível discurso do deputado derrotado Marcelo Itagiba, no Congresso. Os impropérios continuam, como notou o Miguel do Rosário a propósito do texto de um colunista do Estadão. São tão poucos os leitores deles que já não vale a pena promovê-los.

O que isso nos diz sobre a blogosfera progressista? Diz que em 2010 fizemos, sim, a diferença. Enquanto alguns se entregavam ao onanismo intelectual, perguntando se “progressista” não era algo datado, do século 19, se não seria melhor usar “independente”, “de esquerda” ou “do diabo”, nós fizemos a diferença ao desmoralizar a bolinha de papel, ao desencavar o que foi dito sobre a privatização da Petrobras, ao demonstrar que o candidato da direita não era apenas o do atraso, mas também da hipocrisia e da mentira. O que quero dizer é que fomos suficientemente ágeis, pragmáticos e leais uns aos outros e às nossas ideias e que isso deu mais resultado que qualquer debate estéril sobre o sexo dos anjos.

Fiquei igualmente satisfeito pelo fato de que um grupo de blogueiros sujos conseguiu, no Palácio do Planalto, algo que o PIG não conseguiu ao longo dos dois mandatos de Lula: definir claramente os limites do governo que finda.

Hoje, na Folha, em “Ecos da Ditadura”, o articulista Fernando de Barros e Silva lamenta o papel de Nelson Jobim no debate sobre a Comissão de Verdade. Barros atribui a Jobim “pressão obscurantista”. Isso também a gente já sabia. Está na pergunta que Leandro Fortes fez ao presidente no Palácio do Planalto. Assim como estiveram nas perguntas de Rodrigo Vianna, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira e Altamiro Borges os limites de Lula nas questões da comunicação, educação e direitos trabalhistas.

Nós, da dita blogosfera progressista, fomos os primeiros a reconhecer a ousadia do Itamaraty na política externa, quando os chanceleres de pijama que frequentam as colunas de opinião dos grandes jornais pregavam a invasão da Bolívia e a derrubada de Hugo Chávez. Só depois de descobrir que o Departamento de Estado de Hillary Clinton estuda o Itamaraty para descobrir como o Brasil ganhou peso internacional sem uma única ogiva nuclear é que a grande mídia brasileira vai dizer, sobre a política externa de Lula, o que nós já sabíamos.

Afinal, foi só depois do vazamento dos telegramas diplomáticos do WikiLeaks que nossa mídia “descobriu” o que denunciamos na campanha eleitoral: na questão do pré-sal, José Serra era owned pelas petroleiras.

Ser blogueiro “progressista”, “de esquerda”, “independente”, “sujo” ou o que quer que seja é isso: abrir caminho, ousar, desafiar o lugar comum, peitar o discurso único e, acima de tudo, se divertir com a incompetência, o horizonte limitado e a submissão intelectual de nossas grandes redações. Feliz 2011 a todos!

sábado, dezembro 18, 2010

Prescrição de "imortalidade"

É preciso fazer uma reforma política; implantar medidas para blindar o poder público contra a corrupção; criar mecanismos para o controle da violência; reorientar o processo produtivo para zelar pelo equilíbrio ecológico; fomentar uma economia baseada no conhecimento da ciência e da tecnologia; fazer o SUS funcionar a contento; promover a superação do “custo Brasil” decorrente de regras corporativas e de insuficiência na infra-estrutura econômica; e, sobretudo, a mãe de todas estas reformas, promover uma revolução na educação de base. Tudo isto, com respeito às regras democráticas e com responsabilidade fiscal.



Receita é sugerida pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), para a presidente eleita Dilma Roussef transformar-se no "JK do Século XXI".

Leia mais.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

DS perde o MDA

DS nacional perdeu a disputa, dentro do PT,  pela indicação do futuro Ministério de Desenvolvimento Agrário.

 A secretária de Planejamento de Sergipe, Maria Lúcia de Oliveira Falcón, é quem ocupará o cargo, dicada pelos governadores da Bahia, Jaques Wagner (PT) e de  Sergipe, Marcelo Deda (PT).

Índice de medição da pobreza

Gilberto Costa, da Agência Brasil, revela, em primeira mão, o que pleneja Dilma Roussef para acabar realmente com a pobreza no Brasil. Entre diversas ações a serem tomadas, há estudo para o estabelecimento de linhas oficiais para medir a miséria.

Conteúdo do artigo do jornalista:

A presidente eleita, Dilma Rousseff, deverá estabelecer linhas oficiais de pobreza e de indigência no país para monitorar as políticas sociais do governo e medir a melhoria das condições de vida da população.

O valor ainda não foi estabelecido, mas existe a possibilidade de o novo governo fixar em R$ 108 a renda familiar por pessoa como linha de pobreza.

A sugestão desse valor é do economista e coordenador do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Marcelo Neri, que apresentou um seminário sobre políticas sociais para a equipe de transição do futuro governo em meados de novembro, com a ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, e o economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes e Barros.

De acordo com Neri, a presidenta Dilma -que prometeu em seu discurso de vitória erradicar a miséria e criar “oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras”- quer “sofisticar a tecnologia social” e suplantar os ganhos do governo Lula, que considera uma “herança bendita”, porque diminuiu a pobreza em 45%.

A ideia, segundo o economista, é que a meta de erradicar a miséria seja tratada como a meta de inflação. “Se tem uma meta de erradicar a pobreza é preciso saber qual o critério. Do mesmo modo que há uma meta de inflação, que escolheu o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] como medida”, comparou em entrevista à Agência Brasil.

Para Marcio Pochmann, presidente do Ipea, o Brasil está na direção correta, mas é preciso uma sofisticação nas políticas. “Por isso, se pensa ser necessário estabelecer uma linha administrativa da pobreza extrema”, disse.

O Ipea está fornecendo dados e análises para a definição dessas políticas e para fixar as linhas de miséria e de pobreza. Pochmann não quis adiantar os valores, mas assinalou que não é apenas uma “decisão monetária” ou “administrativa e política”, mas também uma escolha “técnica com base na realidade”.

Marcelo Neri sugere que a verificação da renda das famílias seja mais criteriosa e não se baseie apenas na informação da renda reportada, mas também em dados sobre todos “ativos” das pessoas do domicílio (tipo de trabalho, condições de moradia, acesso a serviços públicos, como saúde e educação) e “carências” (crianças lactantes, pessoas com deficiência e idosos na família).

“Assim vai se olhar para quem é pobre e não apenas para quem está pobre ou diz que é pobre”, ponderou.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de três brasileiros a cada grupo de dez não vivem com segurança alimentar (refeições necessárias e ingestão suficiente de nutrientes) e 11,2 milhões de pessoas ainda passam fome.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

"De prisioneira a Presidente"

Entrevistada por   Lally Weymouth, a presidente eleita Dilma Roussef oferece aos leitores do jornal Washington Post (EUA)  conteúdo suficientemente sólido de como pretende governar o Brasil pós Era Lula.

Ela sinaliza querer avançar bem mais do que Lula fez, corrigindo cursos e buscando, a qualquer custo, acabar com a pobreza no Brasil.

Traduzida por Paula Marcondes e Josi Paz, a entrevista completa pode ser lida no blog do Idelber Avelar.

Momentos Dilma.

O título pode ser o primeiro de uma série de outros posts comentando a Dilma Presidente.

Como ela deverá se revelar, ao assumir a direção do país, a partir de janeiro.

Alguns, arreganhados pela imprensa, comprovam aquilo que o poster aventava durante a campanha, em total apoio à sua candidatura.

Em menos de cinco dias, os mais importantes Momentos Dilma.


Ato 1- Deu um chega pra lá no governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), desmentindo-o, publicamente, através de posta-vozes da equipe de transição, sobre a escolha do futuro ministro da Saúde.

É evidente a acolhida de Dilma à sugestão de Sérgio Côrtes, secretário de Saúde do Rio, para ocupar a pasta. Dilma já havia revelado gostar da forma como o auxiliar de Cabral trabalha e dos programas de saúde idealizados por ele no Rio.

Ao divulgar em entrevista a provável escolha do moço como futuro ministro, o governador avançou o sinal, colocou Dilma retrancada diante do um PMDB indócil e, sem pestanejar, mandou dizer que não havia convidado ninguém.

Feio para Cabral.

Ato 2- Entrevistada pelo jornal 'Washington Post', Dilma deixa escancarado que não deverá seguir a linha de Lula em relação ao Irã.

O que ela disse, ao ser indagada sobre a abstenção do Itamaraty na votação em que o Comitê de Direitos Humanos da ONU aprovou resolução contra o Irã, no caso da iraniana Sakine, condenada à morte pelo regime dos Aiatolás?

                    - Não sou presidente do Brasil, mas me sentiria desconfortável como uma mulher presidente eleita em não dizer nada contra o apedrejamento. (...) Minha posição não vai mudar quando eu tomar posse. Eu não concordo com a forma como o Brasil votou. Não é a minha posição.


Ato 3 – Nesta segunda-feira, 6, outro Momento Dilma.

Ela mandou divulgar sua intenção de deixar fora da partilha política a direção da Infraero, decidindo nomear executivo do mercado. Ou seja, alguém com perfil eminentemente técnico.

O que isso significa?

Uma patada nas intenções nada republicanas do PMDB de controlar a empresa responsável pela preparação dos aeroportos do país, com vistas à Copa do Mundo.

E os cardeais peemedebistas já chiaram, mandando recadinhos de que no Congresso Nacional poderão dar o troco.

Mas, como revelou o futuro ministro Gilberto Carvalho, o melhor mesmo é o pemedebê encurtar o fôlego.

Disse Gilberto:

                       - Quero dizer que não convém nunca subestimar a Dilma. Quem o fez quebrou a cara na campanha eleitoral. Ela mostra uma capacidade de aprendizado e de habilidade política surpreendentes. (...) Ninguém engana a Dilma nem deve achar que na base do grito vai levar alguma coisa. A pior coisa que tem é botar a faca no pescoço dela, porque aí a reação é mais dura. Ela não será refém.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

R$ 180 milhões garantidos para Marabá

Durante sua permanência em Tucuruí, acompanhando o presidente Lula, governadora Ana Júlia e a presidente eleiita Dilma Roussef, à solenidade de inauguração das eclusas de Tucuruí, a coordenadora do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), Míriam Belchior, anunciada como futura ministra do Planejamento, confirmou ao prefeito de Marabá, Maurino Magalhães (PR), a inclusão, no Orçamento Geral da União (OGU-2011), de recursos da ordem de R$ 180 milhões destinados a obras de infraestrutura urbana (saneamento, drenagem e pavimentação) do município.

A solenidade de assinatura dos convênios para liberação dos recursos acontece na próxima segunda-feira, em Brasília.

Ana Júlia, Dilma Roussef, Maurino e Mirian Belchior, em Tucuruí.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

O MDA e seus efeitos no Pará

O acirramento de ânimos, em Brasília, pela indicação do ministro do Desenvolvimento Agrário do governo Dilma Rousseff, tem tudo a ver com o fortalecimento de alguns políticos do PT invernados em suas diversas tendências, aqui no Pará.

A disputa interna no PT para indicação do ministro envolve nomes como Joaquim Soriano, apadrinhado do governador Tarso Genro - eleito no RS -,  Geraldo Simões (BA) e  Pedro Eugênio (PE ) - os dois últimos bancados pela tendência majoritária petista.

Para a DS paraense, a ida de Joaquim Soriano para o MDA significaria colocar as mãos em superintendências do INCRA, no Estado, além de influenciar na distribuição de recursos de programas federais para o fomento de regiões rurais bastante carentes.

Deputados federais Paulo Rocha e Zé Geraldo se opõem ao nome de Soriano, por razões óbvias.

É bom ficar de olho nesse cenário.













. O grupo político de Tarso Genro patrocina a indicação de Joaquim Soriano para a vaga. A tendência majoritária do partido, entretanto, alega que a ala rival já está suficientemente contemplada com a potencial nomeação de José Eduardo Cardozo para o Ministério da Justiça e a manutenção de Fernando Haddad na Educação. Assim, quer emplacar para a cadeira os deputados Pedro Eugênio (PE) ou Geraldo Simões (BA).

A continuidade Lula

A cara do governo

(*) Marcos Coimbra


A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.

Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?

Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim a teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).

Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.

Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo mal-feito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.

Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.

Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.

Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.

Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.

Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.

Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) dela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?

O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.

É isso que foi combinado com o país.



(*) Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi